sábado, 6 de julho de 2013

Os vinhos e os anos do Raul (versão 2013)

O Raul Matos, já aqui citado por diversas ocasiões (ver a última crónica "Os anos do Raul", publicada em 7/7/2012), juntou recentemente 12 amigos, quase todos enófilos da linha dura, com quem partilhou, às cegas, 7 tintos em versão magnum (sendo 3 monovarietais Baga e 4 Douro, todos da colheita 2005, a portarem-se muito bem) e 3 tawnies, aproveitando para comemorar, por antecipação, o seu aniversário. Ou vice-versa.
O repasto foi no restaurante As Colunas e talvez tivesse sido a minha melhor refeição naquele espaço.
Passando ao lado dos espumantes (foram servidos 2 com alguns aperitivos), desfilaram, pela ordem de chegada à mesa:
.Vinha Barrosa - aroma intenso, notas florais, elegante, fresco e equilibrado, taninos domesticados, estrutura e final longo. Ainda longe da reforma, aguenta mais 7/8 anos. O Luis Pato no seu melhor. Nota 18 (noutras situações 18,5/17,5).
.Qtª das Bageiras Garrafeira - nariz contido, notas vegetais, alguma adstringência, boa acidez, profundidade, mas pouco harmonioso (ainda em construção?); alguma irregularidade na sua evolução. Nota 17+ (noutras 15/17/16,5/18,5/18+).
.Qtª da Pellada - média intensidade, notas de lagar, acidez equilibrada, final extenso e algo adocicado; também a acusar alguma irregularidade. Não terá muitos mais anos à sua frente. Nota 17 (noutras 18/16,5/17,5+/15,5/18). 
Fez companhia a estes Bagas, um belíssimo bacalhau com grelos.
.Pintas - notas florais, elegante e fresco, acidez equilibrada, taninos dóceis, profundidade, aguenta bem mais 3/4 anos; sem acentuadas oscilações. Nota 17,5+ (noutras 18/17,5/18,5/18+/17,5).
.Qtª do Crasto T.Nacional  - nariz exuberante, notas florais, especiado, algum chocolate preto, acidez evidente, madeira de luxo, boca poderosa, final longo; no seu apogeu, mas a beber com prazer mais 5/6 anos. O Douro no seu melhor! Nota 19 (noutra 18,5).
.Batuta - alguma fruta, notas vegetais, acidez equilibrada, estrutura e final médios; a sua melhor altura já passou, a consumir de imediato. Desiludiu. Nota 17+ (noutras 18,5/18,5/18+/18,5/16,5+).
.Qtª do Vale Meão - nariz exuberante, fresco e elegante, madeira discreta, taninos macios, volume de boca e final longo. Em forma mais 5/6 anos. Nota 18 (noutra 18,5).
Estes 4 tintos acompanharam bem um naco de vitela barrosã com puré de batata e grelos. 
.Manuel Almeida Martins (?) garrafeira particular Vinho Velho 1970 - taninos macios, demasiado doce, a roçar o enjoativo. Uma carta fora do baralho. Nota 14.
.Burmester Colheita 1955 (engarrafado em 1990) - frutos secos, notas de caril e iodo, vinagrinho, boca potente e final muito longo. Já tenho lido opiniões que se deve escolher sempre os engarrafamentos mais recentes, mas, neste caso, é perfeitamente indiferente. É de uma regularidade impressionante! Nota 19 (noutras 19 com data de engarrafamento que não recordo/19 eng em 2010/ 19 eng em 2004).
.Burmester Tordiz Ultra Reserva (é um 40 anos, desconhecendo-se a data de engarrafamento, mas que suponho ser muito antiga, a avaliar pelo rótulo) - notas de iodo e caril, alguma estrutura e bom final de boca, mas a precisar de mais acidez para equilibrar o conjunto. Nota 17,5.
Estes 3  fortificados foram bem com uma tarte de amêndoa e ouriços da Ericeira.
Mais uma grande jornada com vinhos do Raul que gosta de os partilhar com os amigos. Obrigado pelo convite!

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