terça-feira, 2 de julho de 2013

Visita à Quinta do Gradil

A convite do proprietário, Luis Vieira de seu nome, participei recentemente numa visita à Qtª do Gradil, nas faldas da Serra de Montejunto, que incluiu almoço e prova de vinhos (1 espumante, 4 brancos, 1 rosé e 1 aguardente vínica). De referir que a responsabilidade enológica é do António Ventura e da Vera Moreira (enóloga residente?).
Compareceram à chamada António Falcão (Revista de Vinhos), José Moroso (O Sol), Duarte Calvão (blogue Mesa Marcada), Maria João Almeida (do portal com o mesmo nome), Susana Parreira (blogue Gourmets Amadores) e eu próprio (o único blogue de vinhos que compareceu). Esteve ainda presente o Vasco d' Avillez, presidente da CVR Lisboa, um exímio contador de histórias, entre outras coisas.
A organização logística (convocatória, transporte, etc) esteve a cargo da Ana Matias (Pure Ativism). Só não entendo que, num evento vínico deste tipo, não tenham comparecido mais blogues de vinhos (fiquei com a ideia que mais alguns teriam sido convidados, mas não puderam comparecer).
A quinta inclui um espaço de restauração, explorado pelo Chuva, mas prepara-se para fazer a gestão directa do mesmo, constando ter já contratado um chefe de referência. Os vinhos serão apenas os da casa, o que é um tanto ou quanto arriscado. Estou a lembrar-me do que aconteceu em Catralvos, em que o dono não cedeu a abrir a carta a outros vinhos, tendo como consequência a saída do chefe Luis Baena e o apagamento do restaurante. Fica o alerta. Uma mais valia: os copos são Riedel.
Os vinhos em prova, com excepção do Verdelho (servido antes), foram degustados no decorrer do repasto:
.Verdelho 2012 (3000 garrafas; preço recomendado 6,49 €) - presença de citrinos, sem grande complexidade mas muito elegante, fresco e mineral; liga bem com tapas e entradas leves; óptimo para esta altura do ano. Nota 16.
.Sauvignon Blanc & Arinto 2012 (12000 g; 5,70 €) - 70% e 30%, respectivamente; maior complexidade, notas tropicais, boa acidez, muito consistente, final longo e harmonia total; tem características que permitem bebê-lo ao longo de todo o ano. Nota 16,5+.
Aguentou-se bem com um folhado de queijo Brie.
.Viosinho 2012 (6000 g; 6,49 €) - nariz discreto, notas de fruta madura, um pouco pesado a necessitar de mais acidez, menos harmonioso que os anteriores; é uma casta, no meu entender, mais vocacionada para entrar em lote. Alguma desilusão. Nota 15,5.
Acompanhou salmão corado com legumes salteados.
.Syrah & Touriga Nacional 2012 Rosé (3500 g; 5,70 €) -  as castas que o compõem entram em partes iguais; nariz exuberante, frutado, muito fresco, acidez equilibrada, final de boca seco; versátil na ligação com a comida. Só não percebi o protagonismo que lhe foi dado, ao ser servido no copo mais nobre. Nota 16.
Fez companhia a bife de frango com molho de farinheira e uma deliciosas batatinhas à moda do Chuva.
.Espumante 2011 (6000 g; 7,49 €) - nariz neutro, bolha fina e persistente, alguma mousse, mas com excesso de gás, o que o desequilibra. Alguma desilusão. Nota 14,5.
Não casou com a sobremesa (pêssego caramelizado com Porto e nata). Divórcio à vista? Também acho que foi prejudicado ao entrar no final e não no princípio da refeição. À reflexão da organização.
Finalmente e a meu pedido:
.Reserva 2010 Branco - com base nas castas Chardonnay (70%) e Arinto (30%), uma ligação perfeita; estagiou em barricas novas de carvalho francês; complexidade, frescura e untuosidade, madeira discreta,
estrutura, harmonia e bom final de boca; gastronómico. Um belo branco! Nota 17,5.
Ligou muito bem com a sobremesa. Um casamento consolidado.
Com o café:
.Aguardente XO - complexidade aromática e sedosa na boca. Não sendo um verdadeiro apreciador, reconheço que está aqui uma belíssima aguardente vínica.
Em conclusão, uma boa jornada com algumas surpresas nos brancos e uma equipa simpática (ofereceram aos visitantes uma embalagem com 2 garrafas). O meu muito obrigado!

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