quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Visita à Adega Mãe (II)

3.A prova
Sob a orientação do enólogo residente, Diogo Lopes de seu nome, provámos 5 brancos (1 Dory e 4 monocastas Adegamãe, todos da colheita 2012) e 2 tintos. Diga-se desde já que, de um modo geral, todos os vinhos deste produtor têm uma relação preço/qualidade imbatível e que é de assinalar a frescura e a mineralidade de quase todos os brancos, abençoados pela proximidade do Atlântico. Para mim, a surpresa foi o branco Dory Colheita, cujo preço recomendado fica abaixo dos 4 €! E a desilusão, relativa, foi o monocasta Viognier, que ainda não conseguiu "digerir" o excesso de madeira que o penalisa.
Passemos aos vinhos, pela ordem em que foram provados, com notas de prova telegráficas e respectivas pontuações, exclusivamente da minha responsabilidade.
.Dory 2012 branco - com base nas castas Arinto, Viognier e Fernão Pires; nariz exuberante, notas tropicais, acidez, alguma mineralidade, volume e final de boca médios. Para consumir jovem e óptimo para acompanhar aperitivos e entradas leves. Foi a surpresa da prova. Nota 16. Fico a aguardar com alguma expectativa a saída do Reserva.
.Alvarinho - nariz discreto, muito fresco e mineral, bom volume de boca, equilibrado e elegante, a bater-se bem com alguns Alvarinhos de Monção e Melgaço. Vai crescer na garrafa nos próximos 4/5 anos e recomenda-se para acompanhar entradas, marisco e peixe grelhado. Foi também uma boa surpresa. Nota 16,5+. O preço recomendado para os monocastas é abaixo de 6 €, o que é uma excelente notícia.
.Viosinho - nariz intenso, fruta madura, notas amanteigadas, acidez equilibrada, estrutura média e bom final de boca. Interessante, mas sem arrasar. Acompanha bem entradas menos leves, peixe grelhado e carnes brancas. Nota 16+.
.Chardonnay - nariz bem presente, citrinos, notas florais, alguma gordura mas fresco, equilibrado e acentuado volume de boca. Aguenta entradas mais pesadas e pratos de bacalhau. Nota 16+.
.Viognier - estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês; aroma fumado em excesso, a tosta a sentir-se demasiado na boca, algo desequilibrado, com a acidez a fugir. Tenho alguma dificuldade em encontrar parceiro na comida. Nota 15.
.Dory 2011 tinto - com base nas castas Aragonês, Syrah e Caladoc; nariz discreto, alguma fruta e frescura, estrutura e final de boca médios; um pouco rústico. Pode acompanhar bem feijoadas e outros pratos mais ou menos pesados. A beber novo. Preço recomendado inferior a 4 €, um achado. Nota 15,5.
.Dory Reserva 2010 - com base na Touriga Nacional e Syrah, estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês; aroma sofisticado, notas especiadas, tabaco, madeira discreta, acidez equilibrada, taninos presentes mas civilizados, bom volume e final de boca adocicado. Falta-lhe um pouco mais de acidez para dar o salto para outro patamar. Em forma mais 3/4 anos. Pede um cabrito no forno. Preço recomendado abaixo dos 10 €, uma pechincha! Nota 17.
De referir que este Reserva teve uma óptima prestação no painel dedicado aos vinhos de Lisboa (ver a Revista de Vinhos de Maio 2013).
A fehar este ponto, é de inteira justiça referir que a equipa de enologia é assessorada pelo Anselmo Mendes, também conhecido por "rei dos alvarinhos", que está neste projecto desde a sua génese.
4.O almoço
Foi uma boa sessão de convívio dos donos da casa com o grupo de bloguistas visitantes. O almoço incluiu, com não podia deixar de ser, depois de uns apetecíveis pastelinhos de bacalhau, acolitados por azeite e azeitonas da casa, uns lombos de bacalhau Riberalves memoráveis.
Os vinhos da prova estavam disponíveis e todos podiam ser testados com a comida.
Aceitei parcialmente o desafio e voltei a provar uns quantos, alguns a comportarem-se diferentemente.
Assim, o Dory branco portou-se bem com os pastelinhos, mas passou por baixo do bacalhau. O Alvarinho foi a estrela na maridagem com as entradas e aguentou-se com o prato principal. O Chardonnay foi o que teve a melhor prestação, entre os brancos, com o bacalhau, enquanto que o Viognier, curiosamente, se portou melhor na mesa do que na prova. O Viosinho e o Dory Colheita não foram postos à prova. O Dory Reserva foi o que me deu maior prazer no confronto com o bacalhau.
No final da visita, cada um de nós levou para casa os vinhos provados, com excepção do Viognier. Obrigado, Adega Mãe!
Numa próxima e última crónica, a propósito dos vinhos da Adega Mãe, falarei no Fugas (suplemento de sábado do jornal Público).

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