quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Almoço na Cantina da Estrela

Confesso que tinha alguma curiosidade em conhecer este tão badalado restaurante, pertencente ao Hotel da Estrela, e que se auto intitula restaurante de bairro que, obviamente, não o é. A visita foi feita há mais de 1 mês, em plena época pré-antibiótica. Tem um conceito curioso e algo polémico, com os preços dos pratos e serviços a oscilarem entre um máximo e um mínimo. Como não quiz fazer figura de sovina nem de rico, fui pela média, embora considere que esta estará inflacionada e, de algum modo, se paga sempre acima do valor real. Segundo percebi, a maior parte do pessoal visível na sala ainda frequenta a Escola Hoteleira a que pertence o restaurante. Situação idêntica, passar-se-á na cozinha.
A sala da Cantina é um espaço desafogado, branco e luminoso, com as mesas suficientemente longe umas das outras, embora o bruá das conversas chegue a todo o lado. Mesas despojadas e guardanapos de papel, o que não se compreende de todo.
A carta de vinhos, com tudo devidamente datado e preços elevados, prima pela originalidade do conceito, dividindo-se por "elas e o vinho", "empresários, artistas e outras estrelas", "vinhos de garagem", "no fundo o importante é a família" e "os nossos clássicos". Contabilizei 6 espumantes, 14 brancos, 50 tintos, 2 rosés, 6 Vintage, 1 LBV e 1 Tawny 20 Anos. A oferta de vinho a copo tem outra originalidade: todas as garrafas abaixo dos 20 €, podem ser bebidas nesse formato, sendo o custo respectivo 1/4 do valor da dita garrafa. No mínimo, curioso!
Bebi um copo do tinto Passagem 2008 (5 €) - notas florais, pleno de frescura e elegância, acidez q.b. (sente-se aqui a mão do Jorge Moreira, responsável pela enologia), alguma estrutura e final de boca médio. Nota 16.
A garrafa veio à mesa, o vinho dado a provar e servido a olho num  copo Schott, a uma temperatura irrepreensível. Serviço correcto e eficiente. Já o mesmo não posso dizer da cozinha, excessiva e incompreensivelmente demorada (a sala nem sequer estava cheia...). Falta dizer que comi um muito aceitável polvo grelhado com batata doce.
Se voltar, farei figura de pelintra, pois a isso o Gaspar me vai obrigar!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Almoço no Guilty by Olivier

Há coisa de 1 mês poisei no Guilty. Andava de olho nele há já algum tempo, passando-lhe à porta sempre que a oferta da Cinemateca, um dos meus destinos em Lisboa, situada do outro lado da Barata Salgueiro, me despertava o interesse. Mais ainda, notícias sobre complicações com a ASAE, aguçaram-me o apetite e a curiosidade.
É um espaço amplo, com a cozinha aberta ao fundo e, com bom tempo, uma invejável esplanada com capacidade para 24 a 36 mastigantes.
 Nas mesas, toalhetes de papel e guardanapos de pano, o que não dá a gota com a perdigota. Este Guilty pareceu-me vocacionado para gente jóvem, com algum dinheiro, com pouca "massa" crítica, mas onde se podem comer umas boas massas (comi a Calabrese, 15 €) e, também, umas hamburgas substanciais. Música ambiente excessivamente alta e espaço totalmente dedicado aos fumadores, o que não é muito simpático.
Carta de vinhos com algum critério, mas com opções que não entendo de todo, nomeadamente uma aposta exagerada em champanhes (são mais de 20!), em contraponto com a gritante ausência de oferta de espumantes (também não vislumbrei vinhos fortificados), tudo a preços demenciais.
Bebi, a copo, o branco Montefino Olivier 2011 (5 €) - aroma exuberante, muito frutado e fresco, final algo adocicado. Nota 15,5. Cumpre bem a sua função de acompanhante de massas. Lamentavelmente já vinha servido, embora num bom copo. A meu pedido, a empregada, com um ar deveras enfadado, mostrou-me a garrafa.
Como a sala estava cheia, deduzo que a aposta está ganha. Mas não contem comigo para lá voltar a pôr os pés, por muitas vezes que ali passe para ir à Cinemateca.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Curtas (V)

1.Pausa nas provas
Devido a uma arreliadora e imprevista situação que me obrigou a tomar antibiótico, estou de quarentena uns tempos, sem poder provar/beber uns copos. Os próximos encontros do Grupo dos 3 (com vinhos meus) e do Novo Formato (com vinhos do Juca), tiveram que ser cancelados. Esperemos por melhores dias.
2.Tapas & Wine Bar Tágide
Já foi aqui falado, mas continuo a recomendar fortemente este espaço, especialmente apetecível a quem trabalhe ou se desloque ao Chiado. Pode-se almoçar por 12,50 €, com direito a sopa, 2 tapas de boa dimensão, pastel de nata, café e um copo de vinho. Gastronomia e serviço de 5 estrelas.
3.Carmo Restaurante Bar
Anunciado na Revista do Expresso de 26/1, suscitou-me a curiosidade mas bati com o nariz na porta. Este restaurante não tem qualquer indicação dos horários que pratica. Cartão amarelo!
4.Primo dos Caracóis
Este modesto restaurante que frequento sempre que vou a Tavira, deixou-me estupefacto ao incluir na carta de vinhos Reserva Especial 1992 (60 €) e Barca Velha 2004 (259 €), a preços substancialmente inferiores aos que se podem encontrar no mercado. E esta, hem?

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Petiscos em Cascais

Já há algum tempo "descobri" em Cascais o Cascas Restaurante & Bar, localizado na praia da Conceição, que aposta fortemente na petisqueira. Entre petiscos e tapas, contabilizei 44, a bons preços. É obra! 
Comemos peixinhos da horta (2,90 €), milho frito à madeirense (2,60), tapa de bacalhau dourado com migas de castanhas, batata doce e penca (7,60) e arroz de alheira de caça (3,30), tudo bem confeccionado.
Onde é que o Cascas falha, como tantos outros? Lista de vinhos curta, com a oferta a copo reduzida aos mínimos (1 branco e 1 tinto). O vinho a copo era o Terras de Pavia, um tinto alentejano, que já veio servido para a mesa à temperatura ambiente. A garrafa foi mostrada a pedido. Embora tivesse almoçado, o ambiente era para o nocturno, com a música aos berros. Só desgraças!
Uma pena, pois ali come-se muito bem.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Jantar Mota Capitão

A Enoteca de Belém organizou o seu 1º jantar vínico, ou melhor dizendo, um mini jantar (15 participantes), pois a dimensão da sala não dá para mais). Presente o produtor José Mota Capitão, que se fez acompanhar pelo sobrinho Luis Mota Capitão, enólogo residente na Herdade do Cebolal.
Ao contrário de outros eventos em que tenho participado, este jantar foi muito mais recatado,  intimista até, possibilitando conversas que noutro ambiente mais ruidoso, não seriam possíveis. Calhou ficar frente a frente com o produtor e descobrir que, entre outros temas, temos uma paixão comum, a dos vinhos da Madeira, o que confirma o bom gosto do Mota Capitão.
Pela equipa da Enoteca, já nossa conhecida, alinharam Ricardo Gonçalves, responsável pelos tachos, e a dupla Ângelo Santos e Nelson Guerreiro, os operacionais do serviço de vinhos, todos bons profissionais e competentes.
Quanto a comeres e beberes, desfilaram:
.Herdade do Cebolal 11 - com base nas castas Fernão Pires, Roupeiro, Arinto e Antão Vaz, foi vinificado exclusivamente em inox e estagiou 7 meses em garrafa; frutado e muito fresco, adequado a aperitivos e entradas leves, típico de meia estação. Nota 16.
.Caios 10 - a partir das castas Arinto e Antão Vaz, estagiou 3 meses em barricas de carvalho francês e cerca de 18 meses em garrafa, antes de ser posto no mercado; discreto no nariz, notas tropicais e abaunilhadas, alguma gordura, acidez equilibrada, madeira bem casada, estruturado, típico de outono/inverno. Nota 17. Casou bem com a entrada de tártaro de bacalhau fresco.
.Anima lote 08 - casta San Giovese em exclusivo, estagiou 12 meses em barricas usadas, seguido de 1 ano em balseiros e 2 em garrafa; aberto na côr, notas de turfa, acidez fabulosa, harmonia e elegância, taninos civilizados, final muito longo e longevidade à vista. Para mim, o vinho da noite (confissão: aqui há alguns anos teria preferido o Cavalo Maluco). Nota 18. Bem acompanhado por robalo com açorda de tomate alentejano e emulsão de ervas.
.Cavalo Maluco 09 - com base nas castas Touriga Franca (60%), Touriga Nacional (30%) e Petit Verdot (10%); perfil mais próximo do Douro do que do Alentejo, acidez q.b., boca potente e final persistente. Foi dedicado ao malogrado António Carvalho, do Casal Figueira. Nota 17+. Teve a companhia de naco de veado com cogumelos salteados.
Como sobremesa, veio para a mesa uma saborosíssima mousse gelada de chocolate e couli de frutos silvestres.
Tiro o meu chapéu ao produtor que, um pouco ou muito em contramão, não teve nenhuma pressa em colocar estes vinhos no mercado. Oxalá fossem todos assim.
Em conclusão, uma sessão impecável, em boa companhia, com comeres e beberes à altura.
Mas (há sempre um mas), não havia necessidade de terem a televisão acesa, embora sem som, durante o repasto. É sempre um factor perturbador. À atenção dos meus amigos da Enoteca...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Revista de Vinhos : 15 anos de prémios (XI)

Hoje, dia de atribuição dos melhores de 2012, esta crónica é dedicada aos vinhos brancos nacionais (espumantes e tranquilos), qualquer que seja a sua origem.
1.Prémios Excelência
a.Espumantes (8)
.Caves da Murganheira - 7 : Vintage 98, 99, 02 e 04, Assemblage 95, Millésime 04, Pinot Blanc 05
.Caves Transmontanas - 1 : Vértice Millésime 07
b.Tranquilos (33)
.Anselmo Mendes - 7 : Alvarinho 05 e 07, Muros de Melgaço Alvarinho 02, 05, 07 e 08, Parcela Única Alvarinho 09 (Vinho Verde)
.Soalheiro - 5 : Alvarinho 02, 1ª Vinhas Alvarinho 06 e 09, Reserva 07 e 08 (Vinho Verde)
Nota - A RV mencionou o Reserva 07 nos prémios de 2008 e 2009. Só pode ser gralha, pelo que assumi ser em 2009, o Reserva 2008
.Global Wines - 5 : Encontro 1 07 (Bairrada), Paço dos Cunhas Vinha do Contador 08 e 10, Four C 09, Condessa de Santar 09 (todos Dão)
.Niepoort - 4 : Redoma Reserva 95, 97, 04 e 05 (Douro)
.Qtª da Romeira - 2 : Prova Régia 95, Morgado Stª Catherina 96 (ambos Bucelas)
.PROVAM - 2 : Portal do Fidalgo Alvarinho 96, Vinha Antiga Alvarinho 97 (Vinho Verde)
.Apenas com 1 : Dona Paterna Alvarinho 00 (Vinho Verde), Encostas dos Castelos Alvarinho 99 (Vinho Verde), Luis Pato Vinha Formal 99 (Bairrada/Beiras), Qtª de Alderiz Alvarinho 00 (Vinho Verde), Esporão Private Selection 01 (Alentejo), Dorado Alvarinho 05 (Vinho Verde), Qtª da Pellada Primus 10 (Dão) e Qtª das Bageiras Garrafeira 09 (Bairrada)
2.Agentes : Enólogos (ENO), Produtores (PRO) e Empresas (EMP)
.1997 - Anselmo Mendes (ENO, a par com o Douro)
.2005 - Caves da Murganheira (EMP)
.2008 - Soalheiro (PRO)
.2010 - Anselmo Mendes (PRO)
Conclusão incontestável:
.A casta Alvarinho conquistou mais de metade das Excelências atribuídas aos brancos tranquilos, 18 em 33. É obra!
.A Murganheira fez, praticamente, o pleno: 7 espumantes em 8.
Chegado ao fim desta maratona, com 11 crónicas publicadas em 3 semanas (a 1ª foi em 26/1), onde foram inventariados e analisados os prémios Excelência e os melhores enólogos, produtores revelação, produtores e empresas, distinguidos pela Revista de Vinhos de 1997  a 2011, posso afirmar : missão cumprida (e comprida)!
Nota final - admito que ainda possa voltar ao assunto, após a divulgação dos prémios de 2012.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Revista de Vinhos : 15 anos de prémios (X)

Depois de analisadas as regiões Douro, Alentejo, Dão e Bairrada/Beiras, a crónica de hoje é dedicada a Lisboa/Estremadura (com 7 Excelências), Tejo/Ribatejo (com 4) e Península de Setúbal (inclui Palmela e a antiga Terras do Sado) (com 11), deixando para o fim os vinhos brancos, onde referirei os espumantes.
1.Prémios Excelência
 a.Lisboa Estremadura
.Qtª Monte d' Oiro - 5 : Homenagem a António Carqueijeiro 99, Reserva 01, 04 e 06, Ex-Aequo 06
.Qtª de Pancas - 2 : Cabernet Sauvignon Special Selection 99, Premium 03
 b.Tejo/Ribatejo
.Lagoalva de Cima - 3 : Syrah 94, 97 e 00
.Casa de Cadaval - 1 : Marquesa de Cadaval 03
 c.Península de Setúbal
 .José Maria da Fonseca  - 9 : Garrafeira RA 92 e FSF 98, Domingos Soares Franco Colecção Privada Tinto Cão 99 e Touriga Nacional 01, Hexagon 01, 03 e 05, Periquita Clássico 94 e Periquita Superior 08
.Ermelinda Freitas - 1 : Leo d' Honor Grande Escolha 03
.Soberanas - 1 : S 04
2.Agentes - Produtor Revelação (REV), Produtor (PRO) e Empresa (EMP)
.1997 : Qtª da Boavista (REV), Estremadura e José Maria da Fonseca (EMP), Setúbal
.1998 : nenhum
.1999 : nenhum
.2000 : Companhia das Quintas (EMP), diversas regiões
.2001 : Qtª de Pancas (PRO), Estremadura
.2002 : nenhum
.2003 : nenhum
.2004 : DFJ (EMP), Estremadura e Ribatejo entre outras
.2005 : nenhum
.2006 : nenhum
.2007 : nenhum
.2008 : Vale d' Algares (REV), Tejo
.2009 : nenhum
.2010 : nenhum
.2011 : nenhum
Analisando estes resultados, constato:
.Nenhum enólogo a trabalhar nestas regiões foi distinguido
.A José Maria da Fonseca com 9 Excelências apenas foi premiada no início (1997);
.A Qtª do Monte d' Oiro com 5 Excelências não teve direito a qualquer prémio, o que de todo não se entende.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Revista de Vinhos : 15 anos de prémios (IX)

Depois de ter inventariado o prémios Excelência das regiões Dão e Bairrada/Beiras, passo a enunciar os produtores e criadores envolvidos, ou seja, enólogos (ENO), produtores revelação (REV), produtores (PRO) e empresas (EMP), ano a ano:
.1997 - Luis Pato (PRO), Bairrada
.1998 - Manuel Vieira (ENO), Qtª dos Roques (PRO) e Sogrape (EMP), todos do Dão
.1999 - nenhum
.2000 - Alvaro de Castro (PRO), Dão
.2001 - Rui Moura Alves (ENO), Bairrada e Dão Sul (EMP), Dão
.2002 - António Canto Moniz (REV), Dão
.2003 - Magalhães Coelho (ENO), Dão e Caves Aliança (EMP), Dão e Bairrada (entre outras)
.2004 - nenhum
.2005 - Manuel S. Campolargo (PRO), Bairrada
.2006 - Dão Sul (EMP), Dão e Bairrada
.2007 - Carlos Lucas (ENO), Dão, Colinas S. Lourenço (REV), Bairrada e Casa de Santar (PRO), Dão
.2008 - Rui Reguinga (ENO), Dão (a par do Ribatejo e Alentejo)
.2009 - nenhum
.2010 - nenhum
.2011 - Alvaro de Castro (PRO), Dão
Analisando esta lista e cruzando-a com a dos prémios Excelência, salta-me à vista:
.Embora com o mesmo nº de Excelências, o Dão tem mais do dobro de agentes premiados do que a Bairrada (13 contra 6);
.Algum exagero na apreciação da Global Wines, pois, face a 5 prémios Excelência, contabiliza 4 agentes eleitos, a empresa Dão Sul por 2 vezes, o produtor Casa de Santar e o enólogo Carlos Lucas.
.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Revista de Vinhos : 15 anos de prémios (VIII)

Depois de analisados o Douro e o Alentejo, a crónica de hoje é dedicada ao Dão e à Bairrada, que inclui os Regionais Beiras (é o caso de alguns vinhos do Luis Pato e os da Qtª de Foz de Arouce, elaborados com base na casta Baga). Utilizo a mesma metodologia, com os produtores/marcas por ordem decrescente e, nas mesmas condições, por ordem cronológica.
Começo pelo Dão, com os seus 23 prémios Excelência:
.Alvaro de Castro - 7 : Qtª da Pellada 96, T. Nacional 99 e Estágio Prolongado 00, Pape 03 e 07, Carrocel 08 e, ainda, a meias com o Douro, o Doda 07
.Global Wines - 5 : Qtª de Cabriz Escolha Virgilio Loureiro 00, Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador 04 e 05, Four C 05 e 07
.Sogrape - 3 : Qtª dos Carvalhais T. Nacional 95 e 98, Único 05
.Qtª dos Roques - 3 : T. Nacional 96, 97 e Garrafeira 97
.Apenas com 1: Qtª Fonte do Ouro T. Nacional 97, Borges T. Nacional 99, Vinha da Paz Reserva 01, Qtª da Falorca Garrafeira 03 e Caves Aliança Qtª da Garrida T. Nacional 05
Quanto à Bairrada/Regionais Beiras, contabilizo também 23 Excelências:
.Luis Pato - 5 : Vinha Pan 95, Vinha Barrosa 01, Qtª do Ribeirinho Baga Pé Franco 03, 05 e 07
.Qtª das Bageiras - 4 : Garrafeira 95, 95 1º Prémio, 01 e 05
.João Póvoa - 3 : Qtª de Baixo Garrafeira 91 e 97, Kompassus Private Selection 05
.Qtª Foz de Arouce - 3 : Vinhas Velhas de Stª Maria 03, 05 e 07
.Casa de Saima - 2 : Garrafeira 91 e 97
.Sidónio de Sousa - 2 : Garrafeira 95 e 05
.Apenas com 1: Caves Aliança Galeria Cabernet 95, Campolargo Diga? 04, Ataide Semedo Qtª da Dôna 03 e Global Wines Encontro 1 07.
De realçar o desempenho de Alvaro de Castro (Dão), Global Wines (Dão e Bairrada), Luis Pato (Bairrada/Beiras) e Qtª das Bageiras (Bairrada).

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Almoço com Vinhos da Madeira (7ª sessão)

Mais uma grande sessão com este grupo de privilegiados amantes de Vinhos da Madeira, que voltou ao espaço da Enoteca de Belém. Gastronomia e serviço de vinhos à altura, com nos habituaram.
Foram provados 2 no início do evento e mais 2 a encerrar, a que se somam a bebida de boas vindas, o espumante Qtª do Rol lote 09 (o rótulo referia ser rosé, mas a garrafa que me foi servida não o era!?), simpática oferta da casa e 4 tintos de 2007.
Desfilaram:
.Blandy Terrantez 77, engarrafado em 2004 (trazido por mim) - frutos secos, notas de caril, iodo e brandy, acidez muito equilibrada, estrutura impressionante, final muito longo; elegante e harmonioso. A Madeira no seu melhor. Merece todos os prémios Excelência. Nota 19.
.Artur Barros e Sousa Verdelho 84, engarrafado em 1997 (levado pelo Alfredo Penetra) - um bom Verdelho, mas que se eclipsou ao ser provado ao lado do Terrantez. Se provado a solo teria outro impacto. Mesmo assim, nota 17,5+.
Estes primeiros vinhos acompanharam-se com uma entrada de requeijão, rúcula e vinagre balsâmico.
.Cossart Gordon Bual 58, sem data de engarrafamento (da garrafeira do Adelino de Sousa) - vinagrinho acentuado, boca de arrasar e final muito longo; um vinho raro, prejudicado por se mostrar demasiado turvo. Nota 18.
.Blandy Malvasia 85, engarrafado em 2009 (contributo do José Rosa) - frutos secos, presença de citrinos, vinagrinho, boca poderosa e boa persistência. Uma excelente surpresa. Nota 18,5+.
Estes últimos foram acompanhados por bolo da Madeira, penacota de maracujá, queijo e fruta.
Foram 4 os tintos de 2007: Qtª do Vesúvio (do Juca), a revelar-se o mais interessante, logo seguido do Qtª do Crasto Vinhas Velhas (Modesto), a portar-se sempre bem, Campolargo Termeão Pássaro Vermelho (João Quintela), um bom exemplar da Bairrada moderna e o Chryseia (José Rosa), o menos entusiasmante. Os tintos acompanharam um bacalhau fresco com couve chinesa, com o qual a ligação, em meu entender, não foi muito feliz, e um lombo de porco com cogumelos , uma maridagem mais pacífica.
Resumindo, mais uma grande e inesquecível sessão de convívio, com grandes vinhos da Madeira. Obrigado a todos os intervenientes!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Revista de Vinhos : 15 anos de prémios (VII)

Esta crónica contempla os enólogos e as empresas produtoras de vinhos fortificados. Ano a ano registarei, para o Vinho do Porto, os agentes escolhidos como os melhores, separando com um / os enólogos das empresas (a excepção é o ano 1998, onde aparece o produtor em vez da empresa).Nos restantes fortificados, uma vez que os prémios são quase inexistentes, limito-me a indicar os enólogos e empresas distinguidos.
1.Vinho do Porto
1997 - nenhum / nenhum
1998 - Peter Symington / Qtª do Vesúvio
1999 - Bruce e David Guimaraes / Manoel Poças Júnior
2000 - António Agrellos (Noval) / Niepoort
2001 - Luis Soares Duarte (Infantado e Seara d'Ordens) / Quinta and Vineyard Bottlers (Taylor's e Fonseca)
2002 - Jorge Pintão (Poças) / Symington Family
2003 - nenhum / Quinta do Noval
2004 - Jaime Costa (Burmester) / nenhum
2005 - Peter Symington / Quinta and Vineyard Bottlers
2006 - Peter e Charles Symington / nenhum
2007 - David Guimaraes / nenhum
2008 - Pedro Sá (Sogevinus) / Sogevinus
2009 - Luis Sottomayor / Symington Family
2010 - nenhum / J.H.Andresen
2011 - nenhum / Quinta do Noval
2.Vinho da Madeira
Empresa - Madeira Wine (2004)
Enólogos - Ricardo Barbeito (2010) e Francisco Albuquerque (2011)
3.Moscatel de Setúbal
Empresas - Bacalhôa (2006) e José Maria da Fonseca (2007)
Enólogo - Domingos Soares Franco (2003)
Comentários finais:
.A esmagadora maioria das escolhas, quanto ao Vinho do Porto e ao Moscatel de Setúbal,  é pacifica. Apenas refiro uma omissão: a dos responsáveis pelos vinhos da Wiese & Krohn, esses grandes desconhecidos.
.Quanto ao Vinho da Madeira, o reconhecimento do Francisco Albuquerque só peca por tardio. Finalmente, em 2011, reconheceram o valor a quem já fora distinguido, a nível mundial, por 3 vezes.
Por essa injustiça, dei a cara aqui no blogue, por mais de uma vez. Vejam-se as crónicas "Francisco Albuquerque: mais uma vez injustiçado" (21/2/2011) e "Blandy e Francisco Albuquerque: os incompreendidos" (12/7/2011).

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Revista de Vinhos : 15 anos de prémios (VI)

Depois de ter inventariado os prémios Excelência atribuídos aos tintos do Douro e do Alentejo, debruço-me  hoje sobre os vinhos firtificados, Porto, Madeira e Moscatel de Setúbal. A metodologia utilizada é a mesma: ordem decrescente por produtor e, em caso de empate, por ordem cronológica. Ressalvo eventuais incorrecções provocadas pela compra/venda de marcas.
1.Vinho do Porto.
Nota - sempre que for omitido o tipo de vinho, assume-se que se trata de um Vintage.
.Symington Family - 16 : Qtª do Vesúvio 95, 96, 05, 07 e 09, Graham's 97, 03, 07 e tawny 30 Anos, Dow's Senhora da Ribeira 98, 09, Dow's 03 e 07, Warre LBV 92, Cockburns 20 Anos e Qtª de Roriz 02
.Quinta and Vineyard Bottlers - 11 : Fonseca Guimaraes 84, 98, Fonseca 03, 07 e 09, Taylor's 00,03, 07, Vinha Velha 09 e LBV 92 e Croft 03
.Quinta do Noval - 8 : 97, 03, 07, 08, Nacional 00, 20 Anos (por 2 vezes) e Colheita 86
.Sogevinus - 7 : Barros Very Old Dry White, Calém 40 Anos e Very Old, Burmester 05 e + de 40 Anos, Kopke Colheita 57 e Feist Colheita 78
.Niepoort 97 e 03
.C.da Silva - 2 : Dalva 00 e Colheita 52 Branco
.Wiese & Krohn - 2 : Krohn 30 Anos e Colheita 66
.Sogrape - 2 : Duque de Bragança 20 Anos e Offley 30 Anos
.apenas com 1 Excelência temos: Osborne 95, Ramos-Pinto 30 Anos, Poças 00, Qtª do Castelinho 30 Anos, Dom Rozés + 40 Anos, Messias Colheita 63 e Andresen Colheita 80
São 57 Excelências, repartidos pelos seguintes tipos : Vintage (34), Tawnies de Idade (13), Colheitas (6), LBV (2) e Brancos Velhos (2).
De notar:
.O grande vencedor é o grupo Symington com 6 marcas contempladas, seguido pelo grupo Fonseca/Taylor's com 3. Mas o meu destaque vai para a Noval, apenas com 1 marca, que fica à frente da Sogevinus com 5.
.Quanto a anos de Vintage, 2003 é o que tem mais Excelências (7), seguido do 2007 (6), 2000 (4), 2009(4), 1997 (3), 1995 (2), 1998 (2) e 2005 (2). Só com 1: 1984, 1996, 2002 e 2008.
2.Vinho da Madeira
Os prémios Excelência (irrisòriamente poucos) resumiram-se a 2 produtores:
.Barbeito - 4 : Malvasia 93, 20 Anos (por 2 vezes!?) e 30 Anos
.Madeira Wine - 3 : Cossart Gordon Terrantez 77, Blandy Bual 48 e Sercial 66
Os vinhos da Madeira Wine, dos melhores do mundo, foram os grandes injustiçados. Em Excelências ficou abaixo do Ribatejo (sem desprimor para esta região)! Também se estranha a ausência da casta Verdelho, em contra-ponto com a Malvasia, talvez a casta nobre menos interessante.
3.Moscatel de Setubal
Também ficaram resumidos a 2 produtores:
.José Maria da Fonseca - 6 : Trilogia, Moscatel Roxo 20 Anos (por 2 vezes), Alambre 20 Anos, Roxo 71 e Roxo Superior 71 (admito que seja o mesmo vinho, mas a notícia da RV não era muito clara).
.Bacalhôa - 2 : Roxo 00 e JP 94
Vitória esmagadora da JMF, o que considero pacífico.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Jantar Poeira

O 1º jantar vínico deste ano, organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, em parceria com o restaurante As Colunas, foi com vinhos Poeira (1 branco e 4 tintos), criados e produzidos pelo Jorge Moreira, que também levou um Porto Qtª de La Rosa, de que tem a responsabilidade enológica.
Os vinhos do Jorge Moreira são, de um modo geral e à semelhança do seu autor, contidos, elegantes, frescos e equilibrados. Desfilaram:
.Pó de Poeira 10 (branco)  com base na casta Alvarinho, algo floral, fresco e mineral, notas fumadas, estruturado, final longo; um branco típico de outono/inverno, ainda com alguns anos à sua frente. Nota 17,5.
Acompanhou requeijão de Seia e paté com pimenta verde.
.Pó de Poeira 10 (tinto) - nariz austero, acidez equilibrada, fruta, elegância e frescura, taninos ainda por domar, corpo e final médios. A beber nos próximos 4/5 anos. Nota 16,5+. Bebido com os imperdíveis pastéis de massa tenra.
.Poeira CS 09 - com base na Cabernet Sauvignon, loteada com Touriga Nacional e Sousão, algo vegetal (notas de pimentos verdes), vibrante e concentrado, boa acidez, estrutura e persistência médias. Nota 16,5. O Jorge disse que este vinho vai envelhecer bem e não tem nenhuma pressa em o pôr no mercado. Servido com um folhado de carne.
.Poeira 09 - exuberante e complexo, notas florais, acidez, elegante e harmonioso, arquitectura de boca e final muito longo. O Douro no seu melhor. Vai melhorar nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5.
.Poeira 10 - mais austero, ligeiras notas herbáceas, acidez evidente, taninos ainda bicudos, estrutura e bom final de boca; menos complexo que o 2009, precisa de tempo de garrafa. Nota 17+.
Estes 2 tintos foram acompanhados por medalhões de vitela, algo irregulares.
.Qtª La Rosa Vintage 09 - nariz fechado, muita fruta vermelha, fresco, taninos ainda algo brutos, doçura evidente, final longo; a força da natureza. Nota 17,5.
Acompanhou bolo de chocolate recheado com mousse do mesmo.
A finalizar, 2 apontamentos:
.O contra-rótulo dos vinhos Poeira não nos diz rigorosamente nada. Nem castas, nem estágio em madeira, ou outros esclarecimentos de interesse, ou seja, o mínimo de informação que um comprador merece. Ó amigo Jorge Moreira, pondere lá isso...
.A logística funcionou em pleno. 6 copos de vinho e 1 de água para 51 pessoas, são mais de 350 copos! Não haverá muitos restaurantes com esta capacidade.

Grupo dos 3 (27ª sessão)

Esta última sessão de 2012 desenrolou-se no restaurante principal do Corte Inglês, com vinhos do João Quintela: 2 brancos, 1 tinto e 1 Moscatel do Douro, que foi a grande surpresa da prova. O prato de substância foi peixe no forno (excelentes garoupa e cherne), acolitado por cogumelos de qualidade, sob a batuta do chefe Luis Filipe.
Foram servidos 2 brancos Esporão Private Selection, colheitas de 2010 e 2011, com perfis claramente diferenciados.
 O 2010 mais tropical, fruta mais madura, gordo, alguma estrutura e bom final. Nota 17,5.
Quanto ao 2011, mostrou-se mais floral e mineral, notas fumadas, belíssima acidez, boca e persistências de assinalar. Nota 17,5+.
O tinto, CARM CM 00, não resultou, pois indiciou uma boca algo complicada e presença de rolha no nariz. Azar!
A grande surpresa do repasto foi o Secret Spot, um belíssimo Moscatel do Douro com + de 40 Anos. Mostrou frutos secos, caril, iodo, vinagrinho, boca poderosa e final interminável. Seguramente, de longe, o melhor Moscatel do Douro que já bebi na minha vida. Nota 19.
Acompanhou fatias douradas com gelado de baunilha  frutos vermelhos.
Obrigado, João!

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Revista de Vinhos : 15 anos de prémios (V)

Utilizando a mesma metodologia que utilizei com o Douro, passo a analisar o Alentejo, no que diz respeito aos seus agentes premiados, isto é, os melhores enólogos (ENO), produtores revelação (REV), produtores (PRO) e empresas (EMP).
.1997 - nenhum
.1998 - J. Portugal Ramos (REV)
.1999 - David Baverstock e Luis Duarte (ENO) e Cortes de Cima (REV)
.2000 - João Portugal Ramos (ENO) e Vinha d' Ervideira (REV)
.2001 - nenhum
.2002 - Gabriel Francisco Dias (PRO) e Herdade do Esporão (EMP)
.2003 - Francisco Nunes Garcia (REV) e Caves Aliança, a par com outras regiões (EMP)
.2004 - Paulo Laureano (ENO) e Casa Agrícola Santana Ramalho (REV)
.2005 - João Milícias (ENO) e Herdade da Malhadinha (REV)
.2006 - Luis Duarte (ENO) e Altas Quintas (REV)
.2007 - nenhum
.2008 - Rui Reguinga, a par com outras regiões (ENO), Herdade do Rocim (REV) e Herdade do Esporão (EMP)
.2009 - Solar dos Lobos (REV), Júlio Bastos (PRO) e Fundação Eugénio Almeida (EMP)
.2010 - Monte da Raposinha (REV)
.2011 - Susana Esteban (ENO)
Cruzada esta lista de agentes premiados com a dos prémios Excelência, saltam-me à vista algumas omissões, em contra-ponto com outros que foram agraciados mais do que uma vez. É o caso do Pedro Baptista, responsável pela enologia da Fundação Eugénio Almeida, mas muito especialmente o António Saramago, com 50 anos de actividade profissional e 5 Excelências (4 da Tapada de Coelheiros Garrafeira e 1 do Dúvida, de que também é o produtor). Bem poderia ser considerado o próximo Senhor do Vinho, que ele bem merece essa distinção.