sexta-feira, 26 de abril de 2013

Grupo dos 3 (29ª sessão)

Esta última sessão foi da responsabilidade do João Quintela, com vinhos da sua garrafeira (2 brancos, 1 tinto e 1 colheita tardia). O espaço escolhido foi, novamente (estivémos lá na sessão anterior), o Jacinto. Gastronomia e, muito especialmente, o serviço de vinhos, continuam em alta.
E os vinhos, provados às cegas, foram:
.Vinha da Bouça Alvarinho 11 (um V.R.Minho da Qtª do Ermízio), da responsabilidade enológica de Virgílio Loureiro - nariz discreto, belíssima acidez, notas frutadas, alguma gordura, elegante e harmonioso, algo estruturado e final de boca extenso; uma boa surpresa, embora a casta, fora do seu "terroir" fique algo descaracterizada. Nota 17,5+.
Acompanhou uma série de pequenas entradas (salada de polvo, salada de camarão, folhado de queijo de cabra gratinado, cogumelos e ovos com farinheira).
.Qtª Monte d' Oiro Madrigal Viognier 11 - nariz muito mais exuberante, mineralidade, mas menos estruturado e final de boca curto; algo desequilibrado. Nota 17.
Fez-lhe companhia um folhado de garoupa.
.Qtª Sequeira Grande Reserva 08 - aroma intenso, frutado, especiado, acidez q.b., concentrado, taninos vigorosos e final de boca doce; prejudicado pelo excesso de teor alcoólico (16% vol), com um perfil nada duriense. Não havia necessidade! Nota 17.
"Maridou" com uma cataplana de lombinhos de vaca.
.Qtª Sequeira Colheita Tardia 10 - presença de citrinos, notas florais, alguma gordura, pastoso e déficite de acidez. Nota 15.
Bebido com leite de creme.
Mais uma boa jornada de convívio, comeres e beberes. Obrigado, João! 

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Visita à Qtª Chocapalha

Pela mão do João Quintela (Garrafeira Néctar das Avenidas), fomos visitar a Qtª Chocapalha, onde almoçámos e provámos uma série de vinhos, debaixo da orientação da Sandra Tavares da Silva, filha dos donos e responsável pela enologia. Os pais, coadjuvados pela irmã, são uns anfitriães de se lhes tirar o chapéu. Eficiência e simpatia a jorros!
A visita iniciou-se com uma prova de amostras de casco, 2 de Syrah e 2 de Touriga Nacional (colheitas de 2011 e 2012), que ainda estagiam em barricas novas de carvalho francês. A TN, mais impressionante do que a Syrah, irá dar uns CH de grande qualidade, presumo.
Seguiu-se uma vertical de Arinto 09, 10 e 11, a acompanhar umas tapas de queijos e enchidos. O 09 foi o mais consistente, mas gostei sinceramente do 10 (pouco apreciado por quem provava perto de mim), a apresentar um perfil um pouco diferente e casando muito bem com entradas menos leves. Mas, para mim, o melhor Arinto ainda estava para vir. O 2008 apareceu já no final do repasto, ainda muito fresco e mineral. A casta Arinto, tal como a Alvarinho, precisa de uns anitos para se mostrar em toda a sua plenitude.
O almoço, uma feijoada à transmontana de respeito, começou com os tintos Qtª Chocapalha 09 e o Cabernet Sauvignon 10, não muito complexos, mas a cumprirem bem a sua função.
Seguiram-se 3 vinhos, estes já um caso mais sério:
.Chocapalha Vinha Mãe 09 - com base nas castas TN e Syrah, fermentou em lagares e  estagiou 22 meses em barricas de carvalho francês; mais complexo, com mais fruta e mais acidez do que os 2 anteriores, mostrou taninos civilizados, estrutura e bom final de boca. A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 17,5.
.Chocapalha 03 - a partir das castas TN e Tinta Roriz, também fermentou em lagares e estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; especiado, notas de couro e tabaco, belíssima acidez, grande frescura apesar do ano, equilibrado e elegante, taninos amaciados e final longo. Em forma mais 3/4 anos. A grande surpresa do repasto. Nota 18.
.CH by Chocapalha 09 (homenagem da Sandra à mãe) - 100 % TN de vinhas velhas, notas florais, acentuadamente fresco, elegante e equilibrado, boa estrutura e final de boca; ainda muito novo, precisa de tempo de garrafa para se mostrar plenamente; beber daqui a 6/7 anos. Nota 17,5+.
Grande jornada. Parabéns aos anfitriães e à organização.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

O Papa, o IVDP e o Vitor Gaspar

Leio no Diário de Notícias de 19/4 um apontamento intitulado "Francisco recebe novo embaixador português e uma garrafa de Porto", sendo este Francisco, obviamente, o Papa. Fiquei intrigado e confirmei a notícia junto da Agência Ecclesia e a Gaudium Press Roma, para que não houvesse qualquer dúvida.
Ambas se referem que o novo embaixador junto da Santa Sé, António Almeida Ribeiro, na cerimónia de apresentação das respectivas credenciais, foi portador de uma garrafa de Vinho do Porto 20 Anos, oferta do presidente do IVDP (Instituto dos Vinhos do Douro e Porto).
Um Porto 20 Anos? Francamente, ó senhor presidente do IVDP, então não dispunha de um 40 Anos ou, no mínimo, de um 30 Anos? Ou foi o nosso Ministro das Finanças que não autorizou a verba para esse efeito?
Qualquer que seja a justificação, não ficámos bem na fotografia! Como oferta de Estado a Estado é, simultaneamente, caricato e triste...

Não me deixam respirar...

Não me tem sido fácil arranjar tempo para ter actualizadas as crónicas deste blogue. Depois da jornada inesquecível aqui relatada "Almoço com Vinhos da Madeira (8ª sessão) : uma jornada vínica inesquecível", participei em:
.dia 18 - Jantar de apresentação de vinhos do João Portugal Ramos e do José Maria Soares Franco
.dia 20 - Visita e almoço na Quinta de Chocapalha
.dia 21 - Dias da Música no CCB (uma overdose de 5 espectáculos, ao longo do dia)
E estarei presente, a curto prazo:
.dia 23 - Almoço do Grupo dos 3 (29ª sessão)
.dia 25 - Comemorações do 25 de Abril
Oportunamente, darei notícia dos eventos vínicos acima referidos.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Petiscos em Lisboa (XII)

Esta crónica poderia ser mais uma "À descoberta do Terreiro do Paço", na sequência das publicadas em 29/7/2012 (dedicada ao Populi), 30/8/2012 (Can the Can), 8/9/2012 (Museu da Cerveja) e 7/10/2012 (Can the can e Populi revisitados), mas optei pelos "Petiscos em Lisboa", depois de ter poisado no Ministerium Cantina.
Este espaço levou uma grande volta, com a entrada do Nuno Bergonse, vindo do "Pedro e o Lobo", agora o responsável pelos tachos. Não tem nada a haver com o passado, pois a ementa melhorou espectacularmente. Tem, ainda, uma apetecível esplanada para estes dias solarentos, mas em contra-partida, a música ambiente é demasiado ruidosa para o meu gosto.
Apesar de incidir preferencialmente na petisqueira, a criatividade deste novo chefe está bem visível. Destaco na nova ementa 12 items para picar, 4 pregos/hamburgas, 4 queijos e 4 enchidos, para além de alguns pratos normais.
Comi bolinhos de bacalhau com molho de iogurte e cebolinho(os melhores que alguma vez provei na restauração; teriam ganho o concurso se tivessem entrado) e polvinhos à Bulhão Pato (saborosos, mas pura pedofilia).
Quanto aos vinhos contabilizei (entre parêntesis os que se podem beber a copo) 2 espumantes (1), 13 brancos (5), 11 tintos (3), 2 rosés (1) e 6 Portos (6). A selecção é criteriosa mas, lamentavelmente, sem indicação dos anos de colheita e a preços demasiado altos (dizia-me a empregada, algo ingenuamente, "sabe, andam por aí muitos turistas e o restaurante precisa de ganhar dinheiro"). Pois...
Pedi um copo do branco Duque de Viseu 2012 (5 €) - frutado, simples, mas  com alguma acidez e estrutura, a cumprir bem a sua função; para beber em novo. Nota 16.
Como me apercebi que os copos já vinham servidos, pedi para ver a garrafa. Esta foi mostrada, o vinho dado a provar e servida uma porção generosa num bom copo. Serviço simpático e eficiente.
Recomendo.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Almoço com Vinhos da Madeira (8ª sessão) : uma jornada vínica inesquecível!

1.À laia de introdução
Uma jornada vínica inesquecível foi o que aconteceu no último fim de semana, a convite dos nossos amigos Carlota e Adelino de Sousa, onde foram provados e bebidos 10 vinhos de excelência.
Esta crónica também se poderia chamar:
."Um dia irrepetível ou não (o Adelino o dirá)", segundo o nosso amigo José Rosa, ou
."O melhor evento vínico de toda a minha vida", ou ainda
."430 anos de vinhos nos contemplaram".
Para os mais curiosos, lembro a crónica "Os vinhos do amigo Adelino de Sousa", publicada em 30/8/2011, que refere um artigo sobre a garrafeira do Adelino, assinado pelo jornalista Duarte Calvão, na altura responsável pela página Boa Vida no Diário de Notícias.
2.Os privilegiados
E eles foram, para memória futura: Juca/Lena, João Quintela/Paula Costa, Alfredo Penetra/Ana Maria, Modesto/Natalina, José Rosa/Marieta e Francisco (eu)/Bety.
É o privilégio de termos neste núcleo duro dos Vinhos da Madeira, um amigo como o Adelino, possuidor de uma invejável garrafeira com milhares de garrafas e muito centrada nos Madeiras, Portos e Moscatéis, de gama alta a maioria esmagadora e onde se encontram autênticas raridades, impossíveis de encontrar no mercado. Uma colecção a fazer inveja a muitos profissionais. Não creio que em Portugal haja algo semelhante.
É sempre um prazer visitar esta garrafeira que reúne as melhores condições de temperatura e humidade e percorrer as inúmeras prateleiras, depois de habituarmos a vista à penumbra. Mais: cantos gregorianos como música de fundo. Perfeito!
3.Os vinhos
Não houve lugar para grandes anotações, tendo-me limitado a pontuá-los para se perceber em que patamar se situavam. O momento era para se fruir, com todo o prazer e todo o respeito. Dificilmente haverá uma outra oportunidade (ou não).
Os néctares desfilaram com esta sequência:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 09 (nota 17,5) e Reserva 07 em magnum, o branco português da minha vida (18+)
.Blandy Cerceal 66 (18,5+) e Terrantez 75 (18,5+), ambos engarrafados em 2004
.Batuta 01 em magnum (18,5) e Ferreirinha Reserva Especial 01 (18,5+)
.Fonseca Guimaraes Vintage 76, um monstro de côr e potência de boca; razão tinha o José Salvador, o 1º crítico a chamar a atenção para este Porto, que nem sequer é 1ª marca! (19)
.Moscatel de Setúbal JMF 1918, ainda algo jóvem (18,5)
.Niepoort V V, um tawny também com quase 100 anos (18,5)
.Blandy Bual 1920, a perfeição a fechar o repasto (19,5)
E se contabilizarmos a idade dos vinhos bebidos, estavam em cima da mesa mais de 430 anos!
4.A logística
Para aliviarmos os anfitriões levámos entradas (folhadinhos de camarão, bacalhau fumado, biqueirão em escabeche, quiche de cogumelos e tarte de cebola e farinheira) e sobremesas (doce de gila com amêndoas, tarte de maçã, torta de laranja e pinhoadas).
Os donos da casa serviram, como prato principal, espetada de vaca (a rabadilha), em pau de louro, à moda da Madeira, acompanhada de salada e fruta tropical.
Provámos, ainda, um queijo de ovelha curado/amanteigado com origem em Fornos de Algodres que não resisti a identificá-lo: produção de Luisa Gomes Pacheco.
Tudo isto, tendo como música de fundo o Zeca Afonso.
Uma enorme jornada. Obrigado amigos Adelino e Carlota!

domingo, 14 de abril de 2013

No rescaldo do Peixe em Lisboa

Estive presente, mais uma vez, neste imperdível evento. Enquanto que no 1º dia, logo a seguir à abertura, se estava completamente à vontade, com muitos lugares por ocupar (á hora do almoço), no 2º, uma semana depois, quem chegava lá para as 13h30/14h já tinha dificuldade em arranjar uma mesa para se instalar.
O que comi?
.Entradas:
.sopa de cabeças de peixe (Assinatura), menos interessante do que tenho saboreado quando vou ao restaurante;
.sopa de santola (Nobre), a perder interesse de ano para ano (já foi  excepcional); deu-me a idéia que se industrializou, a partir do êxito alcançado em 2011;
.pirulitos de lula dos Açores (Gspot), com a irreverência a que estamos habituados (muitíssimo bom);
.línguas, pil-pil,... (Tasca da Esquina), bem concebida, mas o excesso de sal penalizou-a;
.favada de bacalhau (Cantinho do Avillez), casamento do bacalhau com as favas a resultar muito bem;
.empada de caril vermelho de camarão (Cantinho do Avillez), o elo mais forte do que comi nestes 2 dias; excelente!
E o que bebi? (não houve oportunidade de tomar notas de prova, limitei-me a classificá-los
.Brancos: Colecção Privada Domingos Soares Franco Gruner, Rabigato, Viognier 2012 e idem Verdelho 2012 (com estilos diferentes, mas bem feitos; nota 16 a ambos)
.Tintos: idem Syrah e Touriga Franca 2011 (esperava um pouco mais; nota 15,5) e Hexagon 2008 (belo vinho, a José Maria da Fonseca  no seu melhor; nota 18)
.Fortificados: Moscatel Alambre 20 Anos (a melhor relação preço/qualidade em moscatéis; não me canso de o beber; nota 18+)
O Duarte Calvão e restante equipa estão de parabéns. E, para o ano, há mais...

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Jantar Companhia das Quintas

Estive no Rubro há cerca de 2 anos, onde participei num jantar com vinhos do Rui Cunha. Na altura disse bem de tudo, conforme se pode ler na crónica "Jantar de Vinhos Secret Spot no Rubro, publicada em 26/5/2011. Desta vez fui, quase que exclusivamente, por consideração com o Jorge Serôdio Borges que muito prezo, sem desprimor para outras pessoas presentes.
Agora já não subscrevo o que disse na altura. A gastronomia, a cargo do Filipe Quaresma (um nome a reter) manteve o mesmo padrão de qualidade, mas considero que o Rubro não tem um mínimo de condições para organizar jantares vínicos nesta altura do ano. No verão, com os participantes a tapear cá fora, ainda funciona, mas sem esta possibilidade é a grande confusão, com gente a mais e espaço a menos.
Até às 21 h, os participantes podiam provar 2 espumantes (Qtª da Romeira e Prova Régia), 1 branco (Prova Régia Premium) e 1 tinto (Fronteira) e petiscar umas excelentes tapas, num espaço exíguo, cruzado pelos empregados que levavam comida para os clientes não-participantes e traziam loiça suja.
Às 21 h falaram os enólogos da Companhia das Quintas, o Jorge S. Borges com os vinhos do Douro e o João Correia com os restantes. Só que apenas parte dos participantes prestava atenção, pois a maioria estava junto do bar, provando e produzindo ruído em excesso. Os enólogos presentes mereciam outra dignidade. Na sala do andar de cima, onde decorreu a 2ª parte do evento, as mesas e os bancos eram corridos e pouco confortáveis. Teria sido simpático, da parte do Rubro, a elaboração de uma ementa com indicação do que se ia comer e beber no decorrer do repasto. Fica o desabafo. Uma nota positiva: o Jorge ficou na mesa do meu grupo (onde estava o Juca e familiares).
Mas chega de introdução e vamos aos beberes e comeres:
.Morgado Stª Catherina 10 - citrinos, notas fumadas, gordura e acidez, equilibrado e elegante, boa estrutura e final de boca; um dos melhores brancos que se fazem em Portugal. Nota 17,5+ (noutras situações 17,5+/17,5). Acompanhou um shot de creme de ervilhas com presunto crocante e umas pequenas entradas (mil folhas de maçã e polvo com batata doce).
.Qtª Fronteira Reserva 09 (Douro Superior) - fruta vermelha intensa, concentrado, acidez nos mínimos, taninos aveludados e muito guloso. Nota 16,5. No ponto para consumir. Servido com folhado de vitela e codorniz selvagem com cogumelos.
.Qtª Fronteira Grande Escolha 09 (Douro Superior) - com base na T.Nacional e T.Franca; aroma intenso, notas florais, especiado, complexo, fresco, acidez equilibrada,  taninos presentes mas civilizados, estrutura e final longo. Nota 18. Melhor daqui a 5/6 anos. Casou bem com o choleton típico da casa.
.Qtª Romeira Colheita Tardia 09 - demasiado discreto, déficite de acidez, plano, corpo e final medianos. Foi o elo mais fraco. Nota 14,5.
Em conclusão, gastronomia em alta e fracas condições para dignificar um jantar vínico deste tipo.


terça-feira, 9 de abril de 2013

Novo Formato+ (10ª sessão)

Este grupo de enófilos amigos já não se reunia desde dezembro do ano passado, logo as saudades deste tipo de convívio eram muitas. Esta recente sessão foi inteiramente da responsabilidade do Juca. Escolheu o restaurante As Colunas e respectiva ementa, como se fosse a sua casa, levou os vinhos (1 aperitivo, 2 brancos, 2 tintos e 1 de sobremesa) e pagou a despesa. Foi um almoço que começou da melhor maneira com um Madeira Verdelho de excelência, continuou com o Redoma Reserva e o Qtª Vale Meão (2 colheitas de cada) e terminou com um Vintage de 1994. Heresia das heresias, o Vintage foi talvez, para mim, o elo mais fraco!
Vamos aos vinhos, todos provados às cegas:
.FEM Verdelho Muito Velho - presença de frutos secos, notas de iodo e caril, acidez e frescura, juventude apesar dos seus cerca de 80 anos, estrutura e final muito longo. A Madeira no seu melhor! Nota 18,5+ (noutras situações 18,5+/19/19/18,5/18,5/18/18,5/18,5/18,5). Uma regularidade impressionante! Só este vinho justificava o almoço...
.Redoma Reserva 03 - alguma evolução, fruta madura, notas tropicais, alguma tosta, gordura, acidez a equilibrar o conjunto, estruturado e final muito longo. Nota 18 (noutras 16/17/16,5/16,5/17/17/16,5+/17,5+). Uma excelente evolução. No ponto para ser apreciado, não vale a pena guardar mais.
.Redoma Reserva 06 - mais floral, elegante e fresco, acidez pronunciada, estrutura e bom final de boca. Nota 17,5 (noutras 15,5/16/15,5/16/16+). No passado este branco nunca me deu muito prazer, mas esta garrafa convenceu-me. Pode ser guardado mais 3/4 anos.
.Qtª Vale Meão 04 - notas metálicas, taninos algo agressivos, desequilibrado e pouco harmonioso. Uma grande decepção. Nota 16,5 (noutras 19/18,5/18,5+). Só pode ter sido desta garrafa.
.Qtª Vale Meão 05 - ainda com fruta, notas florais, especiado, fresco e elegante, acidez presente e equilibrada, estrutura e um grande final de boca. Nota 18,5 (curiosamente não encontrei qualquer registo de outras garrafas, embora de certeza provadas no passado). Ainda longe da reforma, beber até 6/7 anos.
.Noval Vintage 94 - não registei notas de prova mas, embora de um ano excepcional, não me deu um grande prazer desfrutá-lo. Não o trocava por um 40 Anos ou um Colheita 1964, por exemplo. Desculpem lá a heresia!
Foi mais uma grande sessão de convívio, com alguns vinhos na área da excelência. Obrigado, Juca!

sábado, 6 de abril de 2013

Vinhos em família (XLII)

Mais umas provas em família, descontraidamente com os rótulos à vista. Houve de tudo, entre decepções e surpresas. E foram:
.Duas Quintas Reserva Especial 04 - o lagar deu-lhe rusticidade em excesso; aroma algo vegetal, notas especiadas, alguma acidez, estrutura algo débil, final longo; falta-lhe elegância e harmonia; muito abaixo do esperado; consumir de imediato, pois já não vai afinar. Nota 16,5 (noutras situações 17,5/18+).
.Qtª Vale Meão 06 - com base nas castas T.Nacional (60%), T.Franca (20%), T.Roriz e T.Barroca (10% de cada); notas florais, acidez q.b., taninos civilizados, alguma estrutura, bom final de boca; já passou a melhor altura, consumir desde já. Nota 17+ (noutras 18/18,5).
.Atalaya 08 - um vinho da VDS bem trabalhado pelo Rui Reboredo Madeira; fruta vermelha, exuberante notas achocolatadas, muito concentrado, boca poderosa e final longo; com mais acidez poderia ser um caso sério; a beber nos próximos 4/5 anos. Nota 17 (noutra 16).
.Outeiro 08 - um produto Terras d'Alter já credenciado: medalha de ouro no Concurso Mundial de Bruxelas 2010 e um dos melhores do ano no Guia do JPM 2011; estagiou 14 meses em barricas novas; ainda com fruta, notas especiadas, tabaco, acidez equilibrada, taninos vigorosos, estruturado e final longo; ainda em forma mais 5/6 anos. Nota 17,5.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Meson de Tapas do ECI : esperar é preciso!

Declaração de intenções: não tenho nada contra o El Corte Ingles (ECI), antes pelo contrário, pois o rstaurante principal foi um dos meus eleitos no balanço de 2012. Ver crónica "2012 : na hora do balanço (V), publicada em 8/1/2013. Mas não há pachorra para o Meson de Tapas. Senão vejamos com decorreu recentemente um almoço a uma 5ª feira, em que o Rabo de Toro é o prato do dia.
1.À entrada do restaurante há um letreiro que avisa as pessoas que devem esperar que as levem à mesa. Assim fiz. E esperei.
2.Lá veio alguém e sentei-me. Só que quem me levou à mesa nem sequer me deu a ementa para poder escolher. E esperei.
3.Passado um bom bocado lá se dignaram e levaram a ementa. Escolhi de imediato: cesto de pão (2 variedades),  Rabo de Toro (o prato do dia) e uma imperial, pois eu já sabia que o serviço de vinhos era fraco. Só que me disseram que iam confirmar se havia o tal Rabo de Toro (o prato do dia, como não podia haver?). E esperei.
4.Uns minutos depois disseram-me que estava com sorte, pois sempre havia o prato do dia! E esperei.
5.Passados mais uns minutinhos veio o cesto com pão, mas apenas com uma das variedades anunciadas. Perante a minha observação, inquiriram "mas quer o outro?". Resposta minha "claro que sim, é evidente"!
E esperei. E lá veio a variedade em falta.
6.Ao 25º minuto lá chegou o prato do dia! Verdade seja dita que o Rabo de Toro estava mesmo gostoso.
7.Já não quis beber ali o café. Não tinha pachorra para tanta espera!
Tive azar ou será sempre assim? O melhor é ficar na dúvida e não correr o risco de apanhar outra seca!