domingo, 29 de setembro de 2013

Coisas do Arco do Vinho : 17 anos depois (I)

Vou relembrar um pouco da história das CAV. Na crónica de hoje vou referir-me à inauguração, ocorrida em 27 de Setembro de 1996 e que teve lugar no CCB. Para memória futura, adiante direi quem participou ou passou por lá, fossem figuras públicas ou ligadas ao vinho, como foi o caso de alguns produtores e enólogos ou críticos de vinhos. Numa próxima crónica, abordarei a gestação e preparação do projecto, finalizando com um extracto da primeira notícia que se publicou sobre as CAV.
1.A inauguração
Ainda hoje me surpreende como é que 2 enófilos, sem qualquer ligação institucional ou familiar ao mundo do vinho, encarados como "out-siders" ou nem sequer levados a sério, conseguiram quase o pleno na resposta aos convites formulados. Segundo o levantamento feito na altura, compareceram 72 convidados, número que inclui amigos e familiares.
Destaco os institucionais, como foi o caso de José Soeiro (Presidente do IVV), Diogo Tavares (vice-presidente do ICEP), José Pestana (chefe de gabinete do Presidente da CML, João Soares na altura) e o próprio CCB, com a presença de 2 Directores (um era a Teresa Leal Coelho, na altura a responsável pela área comercial).
Algumas figuras públicas ou influentes na sociedade também responderam à chamada, como foi o caso de Simonetta Luz Afonso (Presidente da Expo 98), Fernando Lopes (por ele e em representação da Maria João Seixas), Vasco Lourenço (Associação 25 de Abril), Jean Pierre Carrer (Presidente da Direcção Geral da Renult), Chaves Ferreira (da editora com o mesmo nome), Homem Cardoso (prestigiado fotógrafo).
Do mundo do vinho estiveram Maria Emília Campos (Churchill), Luis Pato, Virgílio Loureiro, Vasco Penha Garcia, Rui Moura Alves, José Bento dos Santos (embora, na altura, ainda não fosse produtor) e José Serôdio (Sogrape e Clube Unibanco).
Da imprensa especializada e, também, da generalista, compareceram Luis Lopes, João Paulo Martins, João Geirinhas (todos da Revista de Vinhos), o saudoso David Lopes Ramos (Fugas/Público), José Quitério (Expresso), Oliveira Figueiredo (Diário de Notícias, entretanto falecido) e Santos Mota (Escanção).
Esta data, 27 de Setembro, foi anualmente lembrada e festejada até 2009 (saímos em Março de 2010), atingido o pico em 2006, com as comemorações do 10º aniversário, objecto de 3 crónicas, sob o título "Lembrando o 10º aniversário das Coisas do Arco do Vinho", publicadas em 11, 14 e 15 de Outubro 2012. 


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Rotas do Vinho

Começa na próxima noite de sábado para domingo (00h15), no Canal SIC, a série Rotas do Vinho, que irá contemplar, penso eu, todas as Regiões Demarcadas. O programa será protagonizado pelo enólogo Helder Cunha (Monte Cascas) e pelo actor José Fidalgo. Espero que corresponda à nossa expectativa.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Curtas (XVI)

1.Rescaldo de Sesimbra
Nos primeiros dias deste mês, instalei-me no Hotel do Mar, em Sesimbra que, apesar de velhote, é muito simpático e tem uma situação invejável, mesmo junto à praia.
Os almoços eram feitos num restaurante em cima da praia, o Serafim, onde se pode comer sempre peixe fresco e umas ameijoas memoráveis, a preços decentes. Quanto a vinhos, a lista, pouco interessante, além de mal estruturada, omite os anos de colheita. Para além de umas imperiais, bebeu-se o Catarina 2012 - um pouco marcado pela madeira, déficite de fruta, notas amanteigadas e algum volume de boca. Boa relação preço/qualidade. Nota 15.
Os jantares decorriam no restaurante do hotel, cuja ementa não ficou na memória. A carta de vinhos é curta, pouco imaginativa, sem a modalidade a copo, preços não amigáveis e sem datações, o que num restaurante de hotel, é imperdoável. Bebeu-se o Prova Régia 2010 que é sempre o meu refúgio, em casos de aflição - fresco, limonado, elegante, acidez equilibrada. Nota 16+.
2.Cidadela de Cascais
Por sugestão de um casal amigo, que não conhecia este novo espaço, ocupado pela Pousada, rumámos à Cidadela de Cascais, com o objectivo de almoçarmos na Taberna da Praça, o wine bar onde se podem comer uma série de petiscos tradicionais.
Azar o nosso, era uma 5ª feira e a Taberna estava fehada (só serve jantares e almoços no fim de semana). Mas já que estávamos por ali, fomos conhecer o Maris Stella, o restaurante da Pousada.
A vista para a baía de Cascais é espectcular, mas o resto...Comemos caro, mas nada ficou na memória. A carta de vinhos tem algumas boas referências e uma razoável oferta de vinho a copo, mas os preços são, quase todos, proibitivos. Optei pelo mais acessível da lista, o Prova Régia 2012, a portar-se muito bem. O serviço foi correcto, pois a garrafa foi mostrada e o vinho dado a provar.
Mas, surrealismo puro, no decorrer do almoço, atravessou o restaurante um grupo de clientes da Pousada, vindos da piscina, em calção de banho e tronco nú, escorrendo água! E esta, hem?
3.O Instituto do Vinho... da Madeira (IVBAM) acordou
O IVBAM, isto é, o Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira, acordou de uma longa letargia de décadas! Pudera, com um nome destes...
Um comunicado do IVBAM, difundido através da EV - Essência do Vinho, refere que 5 casas de Vinho da Madeira (Blandy, Henriques & Henriques, Justino's Madeira Wines, Pereira de Oliveira e Vinhos Barbeito) vão apresentar alguns dos seus néctares em Paris, Londres, Copenhaga e Haia, em provas orientadas pelo "(...) crítico de vinhos português de maior renome, Rui Falcão (...)".
Isto é bom para o Vinho da Madeira, mas palpita-me que alguém não vai gostar nada de ler este comunicado. Adivinhem lá quem será.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Dão à Prova: última participação


A minha última participação no Dão à Prova foi no restaurante Sessenta, já referido em "Almoço no Sessenta", crónica publicada em 1/6/2011. Diga-se, desde já, que o serviço de vinhos neste espaço é de qualidade, com o carrinho da CVRDão bem á vista, bons copos embora sem marcação da quantidade, temperaturas correctas, além de as garrafas serem mostradas e os vinhos dados a provar. Resultado: "serviço de qualidade", 2 (Viva Lisboa e Sessenta) - "mau serviço", 1 (Can the Can).
Provou-se, a copo:
.Pedra Cancela 2012 - com base nas castas Malvasia, Encruzado e Cerceal; nariz contido, muito fresco e elegante, belíssima acidez a prolongar-lhe a vida; ligou bem com uma salada de entrada. Nota 16,5.
.Casa de Santar 2011 - co base nas castas T.Nacional, Tinta Roriz e Alfrocheiro; notas florais, fresco, elegante, equilibrado, volume de boca e bom final; maridou bem com um rolo de carne. Nota 17,5+.
No final, fora do âmbito do Dão à Prova, bebeu-se, em copo grande, Borges Verdelho 20 Anos (medalha de ouro no International Wine Challenge), um Madeira de eleição levado pelo João Quintela - acidez fabulosa, notas de iodo, caril e brandy, taninos presentes, assinalável volume de boca e grande final. Nota 18,5.

sábado, 21 de setembro de 2013

Vinhos em família (XLVI)

Esta 46ª prova não se limitou aos vinhos da minha garrafeira, alguns foram bebidos em restaurantes. E nem todos foram degustados exclusivamente em família. São 4 brancos, dos quais 2 Alvarinhos, e um surpreendente tinto, cuja marca desconhecia completamente.
.Anselmo Mendes Curtimenta 2011 - fermentou parcialmente com as películas e estagiou 9 meses em barricas usadas; presença de fruta madura (melão, pêssego, ameixa), acidez equilibrada, alguma gordura, volume de boca e gastronómico; só se mostra quando a temperatura sobe para os 10/12º. Nota 17.
.Anselmo Mendes Parcela Única Alvarinho 2011 - nariz exuberante, limonado, notas tropicais, boa acidez, toque amanteigado, madeira discreta, estrutura e final muito longo; também é gastronómico. Nota 17,5+.
.Qtª Bageiras Garrafeira 2010 (garrafa nº 2429 de 2743) - com base nas castas Maria Gomes e Bical de vinhas velhas, fermentou em tonel de madeira avinhado; austero no nariz, mineral, notas metálicas, alguma estrutura e final de boca. Nota 17.
.Almeida Garrett Chardonnay 2010 (bebido no Callum, restaurante do Hotel Santa Margarida, em Oleiros) - fermentou em madeira de carvalho francês; muito aromático, notas limonadas, acidez equilibrada, alguma gordura, estrutura e gastronómico. Uma boa surpresa. Nota 16,5+.
.H.O. 2010 (bebido no restaurante 1ª Direito, oferta da casa) - um Douro desconhecido, produzido e engarrafado por Horta Osório Wines. Enologia do João Brito e Cunha, a partir das castas T.Nacional, Touriga Franca e Sousão de vinhas velhas; estagiou em barricas novas de carvalho francês e foi engarrafado em junho de 2012; nariz complexo, especiado, notas de tabaco, acidez equilibrada, volume de boca, final muito longo. Grande surpresa! A beber desde já ou nos próximos 3/4 anos. Nota 17,5+.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Almoço com Vinhos da Madeira (10ª sessão) : o regresso a S. Francisco da Serra

Mais uma edição memorável com este grupo de privilegiados militantes de Vinhos da Madeira, que decorreu da melhor maneira na casa da Lena e do Juca. Agradável e são convívio, 16 vinhos provados (2 espumantes, 7 brancos, 3 tintos e 4 Madeiras) e os anfitriões, inspirados, a brilharem na cozinha.
Vou apenas centrar-me nos Madeiras, referindo apenas os restantes 12, a saber: Murganheira Assemblage 98 e Rosé 06 (a cumprirem bem a sua função), Morgado Stª Catherina 09 (um dos melhores brancos nacionais, não me canso de o beber), Ervideira Invisível Aragonês 10 (um branco de tintas, apenas uma curiosidade), Esporão Reserva e Private Selection 06 (oxidados, mas mesmo assim o PS aguentou uma tarte de cebola e farinheira bem pesada), Duorum Vinhas Velhas 07 (para mim, o melhor dos tintos), Meruge 07 (o esperado), Qtª da Costa das Aguaneiras 07 (o mais fraco), Soalheiro Alvarinho 12, 1ª Vinhas 11 (em magnum) e Reserva 07 (estes 3 Soalheiros foram servidos no final do repasto e já não tive arcaboiço para os provar).
Mas vamos às "estrelas" da companhia, os 4 Madeiras, 2 de 79 a fazerem o corte do palato entre as entradas e o prato principal, e 2 de 77 a acompanhar as sobremesas:
.Borges Sercial 79 (trazido pelo J.Rosa) - nariz deveras complexo, frutos secos, notas e caril, vinagrinho, volume de boca e final longo. Uma boa surpresa vinda da Borges e um dos melhores Sercial que provei, até agora. Nota 18,5.
.Artur Barros e Sousa Terrantez 79 (da garrafeira do Adelino) - aroma exuberante, notas de iodo, redondo na boca e boa persistência final. Bom, mas sem esmagar. Nota 17,5.
.Borges Boal 77 (veio com o Alfredo) - apresentou-se muito turvo, nariz discreto, notas de caril, vinagrinho, final de boca muito longo. Mais uma boa surpresa da Borges, prejudicada pelo aspecto turvo. Nota 17,5+.
.Blandy Bual 77 (engarrafado em 2007, era pertença minha) - todo ele muito complexo, notas de iodo e brandy, vinagrinho, volume de boca assinalável e final interminável. Foi o vinho da sessão. Nota 19.
De salientar a confirmação do Blandy Bual 77, a surpresa que foi a qualidade dos vinhos da Borges e a tristeza que foi a notícia sobre o encerramento breve da Artur Barros e Sousa, a marca que me iniciou nestas andanças.
E quanto a comeres? O ponto alto foi o rabo de boi estufado, saído das mãos do anfitrião. Inesquecível!
Comeu-se, ainda, uma série de entradas (tomate com mozzarela, casquinha de sapateira, pimentos recheados e tarte de cebola e farinheira), lombinhos de porco preto com puré de maçã e umas tantas sobremesas (tábua de queijos, salpicão de Braga, tarte de maçã, bolo de chocolate e bolo de mel).
Mais uma grande jornada de convívio, comeres e beberes. Os anfitriões esmeraram-se. Obrigado Lena e Juca! 

sábado, 14 de setembro de 2013

Dão à Prova, mais uma vez

Para confirmar ou desconfirmar a má impressão causada pela recente visita ao Can the Can, que valeu ao restaurante um cartão vermelho e à CVR um amarelo, fui experimentar um espaço de restauração completamente desconhecido para mim. Trata-se do Viva Lisboa, restaurante do novo Neya Lisboa Hotel, situado na Rua Dona Estefânia 71, que se reclama de cozinha de fusão com base mediterrânica. É um espaço moderno, arejado, ambiente simpático, mesas despojadas, mas com guardanapo de pano.
Mas vamos ao que interessa, isto é, qual o comportamento deste espaço no âmbito do Dão à Prova. Está nos antípodas do Can the Can, com um serviço discreto mas muito profissional. O empregado (não retive o nome, mas foi muito eficiente) trouxe à mesa um carrinho com o logo da CVRDão, onde estavam os vinhos do Dão à prova. As garrafas são mostradas ao cliente e o vinho dado a provar. Tudo como mandam as regras de um bom serviço de vinhos. Mais, o empregado foi abrir outra garrafa do tinto, uma vez que a temperatura da que estava no carrinho já tinha subido. Assim é que deve ser!
Quanto aos copos, o destinado ao branco é demasiado pequeno, o de tinto já é um bom copo, mas nenhum deles está marcado, de modo que a quantidade servida é sempre a olho.
Optei pelos vinhos da Casa da Passarela Oenólogo, o Encruzado 2012 e o tinto Vinhas Velhas 2009, que confirmaram o que escrevi na crónica "Novos vinhos da Casa da Passarela", publicada em 4/7/2013. Cada copo custou 3 €, um óptimo preço, aliás recomendado pela CVR.
Quanto à lista de vinhos do restaurante, a selecção não é nada ambiciosa e as datas de colheita não são mencionadas, o que se lamenta. Um aspecto a rever.
Resta dizer que, em tempo de crise, aproveitei a oportunidade de almoçar por 9,90 €, com direito a entrada (quiche Lorraine com sua salada), prato (atum à Brás) e sobremesa (ananás da Madeira flamejado, com gelado de baunilha). Comida correcta, mas sem entusiasmar.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Curtas (XV)

1.Ainda o Dão à Prova
Tive, hoje, a ocasião de constatar que a CVRDão disponibilizou, aos restaurantes aderentes, um carrinho onde se colocam os vinhos à prova que, assim, facilmente podem ser mostrados aos clientes. Só que o Can the Can não o utiliza. O que lhe teriam feito? Cartão vermelhíssimo!
Ó senhores da CVRDão, não podem excluir o Can the Can dos restaurantes aderentes? Os clientes agradecem. 
2.Portugal Wine Room
É o nome de mais uma garrafeira que abriu em Lisboa. Inaugurada no dia 10/9, situa-se na Rua Ricardo Jorge, 3 A (em Alvalade), bem próximo do Salsa & Coentros. Uma visita breve deu para perceber que tem uma selecção cuidada e a bons preços.
3.Honorato 2
Comparado com o primeiro Honorato, este, localizado na rua de Santa Marta, no espaço que pertenceu ao Luca, está identificado à entrada, é francamente mais desafogado, tem outro ambiente e outra clientela, de uma faixa etária mais elevada, mas, lamentavelmente, coincide na música aos berros. Mas está no "In" e quem vier depois das 13 h, arrisca-se a esperar um bom bocado.
A ementa também consta nas ardósias e o vinho, a copo, já vem servido, num recipiente a cumprir os mínimos. Este espaço merecia um serviço de vinhos bem melhor! O branco que provei, o Casa Santa Vitória Reserva, é o mesmo e mantém o preço simpático de 2,50 €.
Optei pelo hambúrguer Honorato (8,10 €), composto por, além da carne, maionese, milho, alface, tomate, bacon, ovo e queijo cheddar. Estava muito saboroso, mas veio sem tomate e queijo! Dois esquecimentos no mesmo produto é de mais. Mas não se esqueceram de cobrar na totalidade!
Ó senhores do Honorato 2, não podiam melhorar o serviço de vinhos? Os clientes agradecem.


terça-feira, 10 de setembro de 2013

Douro Film Harvest

Vai ter lugar, de 14 a 21 de Setembro, mais uma edição do Douro Film Harvest (DFH).
Segundo a organização "O Douro Film Harvest é um evento que se diferencia por combinar cinema, gastronomia e música de uma forma única. Prima por apresentar algumas das melhores colheitas de filmes no cenário soberbo do Douro e do Porto, ambos património da humanidade, contribuindo para a divulgação e desenvolvimento de uma região com características únicas e com um enorme potencial. Em plena época das vindimas, o DFH leva ao Douro alguns dos nomes mais conceituados da indústria cinematográfica, mediatizando o turismo nacional a nívem internacional."
Mais informações em www.dourofilmharvest.com.pt/programa.aspx.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Cartão amarelo à CVR Dão

A Revista de Vinhos e alguns orgãos de comunicação social, publicaram um anúncio de página inteira, com o destaque "Dão à Prova", referindo "De 6 a 22 de Setembro, prove excelentes vinhos do Dão a copo por um preço especial. (...) Saiba mais em www.cvrdao.pt". Na lista de restaurantes aderentes, em Lisboa, aparecem Assinatura, Aviz, Can the Can, Cantina da Estrela, Casa da Dízima, Clara Jardim, Faz Figura, Jockey Club, La Paparrucha, Petra Rio, Sessenta, Varanda de Lisboa, Tagide, Volver by Chacall, Associação Naval de Lisboa e Viva Lisboa.
Uma boa ideia a explorar, partindo do princípio que a escolha da CVRDão tinha sido criteriosa e optado por espaços de restauração de referência ou conhecidos por terem um bom serviço de vinhos, embora tivesse estranhado a inclusão do Can the Can, ao qual eu já lhe atribuira um cartão amarelo no serviço de vinhos (ver "O novo Terreiro do Paço revisitado", crónica publicada em7/10/2012). Mas, apesar das minhas reticências, resolvi comprovar essa situação, partindo do princípio que o restaurante, ao ser um dos seleccionados, se comportaria de modo a merecê-lo.
Puro engano, as deficiências por mim apontadas continuam na mesma.
Dos 3 vinhos do Dão à prova, mandei vir:
.Qtª do Perdigão Encruzado 2012 - limonado, notas florais, fresco, madeira ainda presente a pedir tempo de garrafa, volume e bom final de boca. Nota 17.
.Casa da Passarela Oenólogo Vinhas Velhas 2009 - nem o cheguei a provar pois, apesar da minha recomendação prévia, o vinho vinha à temperatura ambiente, ou seja, quente! Mandei-o de volta e continuei com o branco.
De lamentar, ainda, que os copos já vêm servidos, sem direito a vislumbrar a garrafa, o que pode possibilitar que seja servido gato por lebre. O serviço é, de um modo geral lento, descoordenado e atrapalhado.
Como nem tudo são desgraças, os copos são muito aceitáveis e o preço (3 €) é de aplaudir.
Finalmente, atribuição de cartões:
.Amarelo à CVRDão, por não ter sido rigorosa na selecção dos restaurantes
.Vermelho ao Can the Can, por acumulação
Tenciono experimentar mais um ou outro restaurante seleccionado pela CVRDão, esperando não ter mais desilusões.

domingo, 8 de setembro de 2013

"Descobre", mais uma vez

Recentemente, fiz mais 2 incursões no "Descobre Restaurante Mercearia", já aqui referido anteriormente em "Petiscos em Lisboa (V)" e "Curtas (IX)", crónicas publicadas em 9/8/2012 e 5/6/2013. O Descobre é, para mim, o espaço de restauração, em Lisboa, onde se podem comer os mais variados e sofisticados petiscos. E também, onde o cliente pode beber vinho, a copo ou à garrafa, sem correr o risco de ser espoliado, como, lamentavelmente, acontece em muitos restaurantes. Basta ir à sala do lado (à mercearia), escolher uma garrafa e levá-la para a mesa. No fim, paga a garrafa ao preço da prateleira (com 13 % de IVA, se for vinho de mesa/consumo) acrescido de 20 % da taxa de rolha (com 23 % de IVA).
Nestas últimas visitas, bebeu-se à garrafa:
.Munda Encruzado 2010 (paguei 13,90 + 2,78 €) - enologia do Francisco Olazabal; aroma intenso, limonado, acidez bem presente, fresco e mineral, alguma gordura, volume de boca e final longo; muito gastronómico, acompanhou bem toda a refeição. Nota 17,5+.
.Esporão Reserva 2011 branco (paguei 14,50 + 2,90) - não houve ocasião para tomar notas de prova, mas também acompanhou bem todo o repasto. Nota 16,5.
Os vinhos foram dados a provar e servidos em bons copos. De referir que que os 30 vinhos que podem ser degustados a copo, são servidos em recipiente marcado com 15 cl, em vez de o serem a olho.
Para se fazer uma ideia do que se come por aqui, nestas 2 visitas optámos por:
.descobre os nossos camarões
.pica de lulinhas
.pica de polvo em Vinho do Porto
.pica de mexilhões em escabeche e em vinagreta
.pica de pato com laranja
.espetadinha de lombo à Madeirense
.filetes de sarda com ervas
.acompanhamentos diversos (abóbora com suas sementes, beterraba com maçã, batata doce salteada com sésamo, legumes grelhados e batata doce assada)
.sobremesas (doce de ovos com sorvet de limão, mousse de abacate e lima)
A fechar, a única crítica que faço e já fiz em crónica anterior, é quanto ao preço do couver para 1 ou 2 pessoas (5,80 €). No entanto, se forem mais convivas, o preço dilui-se, como foi o caso destas últimas visitas (ficou por 1,90 por cabeça).
De qualquer modo, é um espaço que gosto muito e recomendo vivamente aos enófilos e gastrónomos.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Visita à Adega Mãe (III)

5.A Fugas e a Adega Mãe
Curiosamente, no dia em que visitei a Adega Mãe, já em casa e entretido a ler o Público, fiquei deveras surpreendido ao encontrar na pág.29 da Fugas (separata do jornal de sábado), este sugestivo título "Um Alvarinho de Lisboa com a mesma frescura atlântica do Minho". Tratava-se da proposta da semana, com uma bela fotografia do vinho seleccionado. Nada menos que o Adegamãe Alvarinho 2012, que provara na manhã desse mesmo dia. Ele há cada coincidência...
A nota crítica é assinada pelo jornalista Pedro Garcias que dos 4 monocastas, por ele provados, destaca o Alvarinho e o Viosinho, deixando para segundo plano o Viognier que "ainda está muito marcado pela madeira"  (concordo em absoluto e já o afirmei na crónica anterior) e o Chardonnay o qual "mostra-se demasiado maduro, apesar da suculência da fruta e da excelente acidez que possui" (não concordo que esteja assim tão maduro, mas respeito a opinião).
A propósito, recomendo a leitura da Fugas, pois para além do crítico citado, as páginas dedicadas ao vinho contam, ainda, com o Manuel Carvalho e o Rui Falcão, jornalistas especializados nesta área já com provas dadas. Considero o Público o orgão de comunicação social generalista mais atento a assuntos vínicos e gastronómicos. Há sempre notícias, como a referida, que podem interessar aos enófilos.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Visita à Adega Mãe (II)

3.A prova
Sob a orientação do enólogo residente, Diogo Lopes de seu nome, provámos 5 brancos (1 Dory e 4 monocastas Adegamãe, todos da colheita 2012) e 2 tintos. Diga-se desde já que, de um modo geral, todos os vinhos deste produtor têm uma relação preço/qualidade imbatível e que é de assinalar a frescura e a mineralidade de quase todos os brancos, abençoados pela proximidade do Atlântico. Para mim, a surpresa foi o branco Dory Colheita, cujo preço recomendado fica abaixo dos 4 €! E a desilusão, relativa, foi o monocasta Viognier, que ainda não conseguiu "digerir" o excesso de madeira que o penalisa.
Passemos aos vinhos, pela ordem em que foram provados, com notas de prova telegráficas e respectivas pontuações, exclusivamente da minha responsabilidade.
.Dory 2012 branco - com base nas castas Arinto, Viognier e Fernão Pires; nariz exuberante, notas tropicais, acidez, alguma mineralidade, volume e final de boca médios. Para consumir jovem e óptimo para acompanhar aperitivos e entradas leves. Foi a surpresa da prova. Nota 16. Fico a aguardar com alguma expectativa a saída do Reserva.
.Alvarinho - nariz discreto, muito fresco e mineral, bom volume de boca, equilibrado e elegante, a bater-se bem com alguns Alvarinhos de Monção e Melgaço. Vai crescer na garrafa nos próximos 4/5 anos e recomenda-se para acompanhar entradas, marisco e peixe grelhado. Foi também uma boa surpresa. Nota 16,5+. O preço recomendado para os monocastas é abaixo de 6 €, o que é uma excelente notícia.
.Viosinho - nariz intenso, fruta madura, notas amanteigadas, acidez equilibrada, estrutura média e bom final de boca. Interessante, mas sem arrasar. Acompanha bem entradas menos leves, peixe grelhado e carnes brancas. Nota 16+.
.Chardonnay - nariz bem presente, citrinos, notas florais, alguma gordura mas fresco, equilibrado e acentuado volume de boca. Aguenta entradas mais pesadas e pratos de bacalhau. Nota 16+.
.Viognier - estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês; aroma fumado em excesso, a tosta a sentir-se demasiado na boca, algo desequilibrado, com a acidez a fugir. Tenho alguma dificuldade em encontrar parceiro na comida. Nota 15.
.Dory 2011 tinto - com base nas castas Aragonês, Syrah e Caladoc; nariz discreto, alguma fruta e frescura, estrutura e final de boca médios; um pouco rústico. Pode acompanhar bem feijoadas e outros pratos mais ou menos pesados. A beber novo. Preço recomendado inferior a 4 €, um achado. Nota 15,5.
.Dory Reserva 2010 - com base na Touriga Nacional e Syrah, estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês; aroma sofisticado, notas especiadas, tabaco, madeira discreta, acidez equilibrada, taninos presentes mas civilizados, bom volume e final de boca adocicado. Falta-lhe um pouco mais de acidez para dar o salto para outro patamar. Em forma mais 3/4 anos. Pede um cabrito no forno. Preço recomendado abaixo dos 10 €, uma pechincha! Nota 17.
De referir que este Reserva teve uma óptima prestação no painel dedicado aos vinhos de Lisboa (ver a Revista de Vinhos de Maio 2013).
A fehar este ponto, é de inteira justiça referir que a equipa de enologia é assessorada pelo Anselmo Mendes, também conhecido por "rei dos alvarinhos", que está neste projecto desde a sua génese.
4.O almoço
Foi uma boa sessão de convívio dos donos da casa com o grupo de bloguistas visitantes. O almoço incluiu, com não podia deixar de ser, depois de uns apetecíveis pastelinhos de bacalhau, acolitados por azeite e azeitonas da casa, uns lombos de bacalhau Riberalves memoráveis.
Os vinhos da prova estavam disponíveis e todos podiam ser testados com a comida.
Aceitei parcialmente o desafio e voltei a provar uns quantos, alguns a comportarem-se diferentemente.
Assim, o Dory branco portou-se bem com os pastelinhos, mas passou por baixo do bacalhau. O Alvarinho foi a estrela na maridagem com as entradas e aguentou-se com o prato principal. O Chardonnay foi o que teve a melhor prestação, entre os brancos, com o bacalhau, enquanto que o Viognier, curiosamente, se portou melhor na mesa do que na prova. O Viosinho e o Dory Colheita não foram postos à prova. O Dory Reserva foi o que me deu maior prazer no confronto com o bacalhau.
No final da visita, cada um de nós levou para casa os vinhos provados, com excepção do Viognier. Obrigado, Adega Mãe!
Numa próxima e última crónica, a propósito dos vinhos da Adega Mãe, falarei no Fugas (suplemento de sábado do jornal Público).

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Visita à Adega Mãe (I)

1.Preâmbulo
A convite dos responsáveis, visitei recentemente a Adega Mãe, um produtor de vinhos de tenra idade, cujas vinhas e adega se situam nas proximidades de Torres Vedras, a uma dúzia de quilómetros do Atlântico.
A Adega Mãe pertence ao grupo Riberalves e, em 2011, juntou-se ao negócio do bacalhau, da imobiliária e dos cafés. Em estilo moderno, está muito bem desenhada e inserida na paisagem, além de ter uma vista fabulosa para a área envolvente, através de rasgadas janelas.
Tem uma boa capacidade, ao dispor de 21 cubas para 18 toneladas de uvas cada. Quanto a barricas, quase todas de carvalho francês, conta com 150 para o Reserva tinto (10 % são de carvalho americano) e 25 para o Reserva branco.
De salientar, também, a sua preocupação pedagógica ao instalar, em vários pontos da visita, vídeos que contemplam algumas das etapas do ciclo de produção, desde a chegada das uvas ao produto final.
Apesar de neófitos, já conseguiram internacionalizar a marca com a presença de 2 dos seus vinhos (Dory Reserva 2010 tinto e Adegamãe Viosinho 2012) na Bienal de Veneza, integrados no Projecto Trafaria Praia da artista plástica Joana Vasconcelos. É obra!
2.A Adega Mãe e a blogosfera
De louvar a atitude deste produtor ao abrir as suas portas, pela 2ª vez segundo creio, a um grupo de bloguistas e afins.
Os convidados foram recebidos pelo próprio director geral, Bernardo Alves de seu nome.
Para memória futura tiveram presentes, por ordem alfabética:
.Adega dos Leigos (Nuno Ciríaco)
.Air Diogo num Copo (Diogo Rodrigues)
.Enófilo Militante (eu próprio)
.Jójójoli (Jorge Nunes)
.Reserva Recomendada (Rui Pereira)
.Wine & Lifestyle (André Peres)
Em próxima crónica falarei sobre os vinhos (na prova e no almoço).