quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Vinhos em família (XLVII)

1.Da minha garrafeira
.Parcela Única Alvarinho 2009 - enologia do Anselmo Mendes, que também é o produtor; fruta madura, notas tropicais, excelente acidez, algo amanteigado, equilibrado e elegante, volume de boca e bom final; ainda cheio de vida, em forma mais 4/5 anos. Nota 18.
.Olho no Pé Grande Reserva 2011 - com base nas castas Viosinho, Rabigato e Gouveio de vinhas velhas; frementou em barrica e estagiou 12 meses sobre as borras finas; notas de melão e pera madura, acidez equilibrada, mineralidade, madeira discreta e bom final de boca. A beber nos próximos 2/3 anos. O perfil deste branco alterou radicalmente, passando dos 14/14,5 % vol. para os actuais 12,5% vol. Nota 17,5.
.Carrocel 2006 (Qtª da Pellada) - complexidade, acidez q.b., especiado, elegância, equilibrio e harmonia, grande volume de boca e final extenso; gastronómico. Em forma mais 7/8 anos, apesar do ano. Grande Dão! Nota 18,5+.
.Horácio Simões Bastardo 2009 - estagiou em barricas de carvalho francês; frutos secos, notas de tangerina, brandy, volume médio e final extenso. Excelente relação preço/qualidade. Nota 17,5.
2.Levado por um amigo
.Vale dos Ares Reserva Alvarinho 2012 (bebido no restaurante 1º Direito) - produção de MQ Vinhos, Lugar do Mato, enologia de Gabriela Albuquerque; citrinos, notas tropicais discretas, acidez equilibrada, algum volume de boca e bom final; vai precisar de mais tempo de garrafa; gastronómico. Melhorou na prova quando a temperatura subiu para os 10/12º, embora no contra-rótulo o produtor aconselhe que se beba a 8/10º. Nota 16,5+.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Almoço no Café Lisboa: o bloco central do chefe José Avillez

Recentemente fui conhecer o Café Lisboa que, com o Cantinho do Avillez (ver crónica "Almoço no Cantinho do Avillez" de 10/9/2011, uma das mais lidas desde sempre, vá lá saber-se porquê), forma o bloco central dos espaços de restauração do conceituado José Avillez. Ficam por conhecer as 2 pontas, a Pizzaria Lisboa e o estrelado Belcanto. Com tanto projecto próprio, ainda se coligou com o H3 e entrou no mundo das empadas (ver "Empadaria do Chef: nem tudo o que parece, é...", crónica publicada em 28/12/2011).
O Café Lisboa é um espaço emblemático, ou não estivesse situado num hall do teatro de São Carlos, aberto para a restauração há já alguns anos, mas sempre sem grande brilho. Apesar das mesas despojadas, é acolhedor. Fiquei numa mesa praticamente por baixo de um grande caranguejo, revestido a crochet, com a assinatura da Joana Vasconcelos.
A ementa é simples, mas muito bem conseguida a avaliar pelo que comi. Optei por uma das especialidades, o Pastel Lisboa com arroz de grelos. De comer e chorar por mais, com a massa fina e tenríssima, a ligar muito bem com um delicioso arroz de grelos servido à parte.
Quanto a vinhos, inventariei 2 espumantes, 2 champanhes (todos a copo), 14 brancos (2 a copo), 12 tintos (apenas 1 a copo), 3 Portos, 1 Madeira e 1 Moscatel (todos a copo).
Escolhi o tinto da casa JA Projecto José Avillez e José Bento dos Santos 2008 (4 €) - muito frutado, especiado, notas achocolatadas, acidez equilibrada, taninos sedosos, alguma estrutura e bom final de boca; muito gastronómico. Nota 17,5. Como vinho da casa é uma boa surpresa, pois na maior parte da restauração costuma ser uma zurrapa.
O vinho estava acima da temperatura recomendada, mas a garrafa foi rapidamente substituída por uma correcta. Serviço profissional, tendo sido mostradas as garrafas, o vinho dado a provar e servido num bom copo Schott, embora a olho.
Em conclusão, bloco central aprovado (não extrapolar para outras matérias!).

sábado, 26 de outubro de 2013

Portugal Wine Ladies

Está a decorrer no Hotel Altis Belém a 1ª edição do Portugal Wine Ladies Tasting. Este grupo de mulheres representa 12 produtores (Adega Mayor, Herdade do Peso, Herdade de Rocim, João M. Barbosa Vinhos, Monte da Penha, Poças, Qtª da Bica, Qtª Chocapalha, Qtª Nova Nossa Sra do Carmo, Qtª da Pellada, Qtª do Pinto e Qtª Vale D. Maria) e pretende agir em bloco dentro e fora do país. Mulheres emblemáticas, como é o caso da Laura Regueiro (Qtª da Casa Amarela), Margarida Cabaço, Leonor Freitas, Olga Martins (Lavradores de Feitoria) ou Filipa Pato, pertencentes a 2 diferentes gerações, ficaram de fora, o que é pena.
Dos 60 vinhos em prova, tive a ocasião de provar dúzia e meia, entre brancos e tintos, ao invés do que se passou com os Vinhos do Alentejo, onde privilegiei os tintos.A qualidade geral dos brancos pareceu-me francamente boa, tendo ficado na minha memória o VZ 2012, Mirabilis Grande Reserva 2012, Alvaro de Castro Encruzado Reserva 2011, Ninfa Escolha Sauvignon 2012, Chocapalha Reserva 2012 e Poças Reserva 2012. Quanto a tintos, retive o Qtª Vale D. Maria 2011, Pape 2010, Siza 2009, Vale da Mata Reserva 2009, Vinha da Francisca 2011 e Reserva do Comendador 2009.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Vinhos do Alentejo

A íltima edição deste evento, que envolveu cerca de 70 produtores de vinhos alentejanos, teve lugar na tenda do CCB. Pareceu-me que a organização do evento melhorou claramente, se comparada com anos anteriores. Fui na tarde de 6ª feira e, como levava copo comigo, pouco esperei para entrar. Como é compreensível, limitei-me a provar 2 dezenas de vinhos, ou seja, uma ínfima parte do que lá estava.
 De qualquer modo, vale a pena registar o que mais me impressionou (esclareço que só provei tintos).
Em primeiro lugar, alguns vinhos já com alguns anos em cima, a desmentirem que os alentejanos não envelhecem da melhor maneira. Icon d' Azamor 2004, Monte dos Cabaços Reserva 2005 e Monte da Penha Grande Reserva 2005, ainda com alguns anos à sua frente, foram uma boa surpresa.
Em segundo, os vinhos mais recentes que mostraram uma grande qualidade, como é o caso do Procura 2011 da Susana Esteban, Solar dos Lobos Grande Escolha 2009 (também da responsabilidade desta enóloga), Vinha do Malhô 2009 e Qtª do Mouro Rótulo Dourado 2008. Grandes vinhos!
E, logo a seguir, os clássicos Mouchão 2008, Qtª do Carmo Reserva 2009 e Esporão Reserva 2011 e, ainda, a novidade Grou Family Collection 2009, este com um preço de prateleira a roçar a loucura, como se vivessemos numa época de vacas gordas.


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Lisboa Restaurant Week (LRW)

Nesta última edição fui experimentar o Flores do Bairro (restaurante do Bairro Alto Hotel) e o Assinatura. Já tinha estado no Flores em Março deste ano, tendo publicado as minhas impressões, francamente positivas, em "No rescaldo do Lisboa Restaurant Week". Só que desta vez, a realidade foi outra, pura desilusão. O que se teria passado, entretanto? Quanto ao Assinatura, o que me fez revisitá-lo, uma vez mais, foi a curiosidade de saber se o mesmo sobreviveu à saída do Henrique Mouro e entrada do João Sá, que já conhecia do GSpot. Fiquei com a impressão que mantém a qualidade de sempre.
Começando pelo Flores, comi "terrina de coelho e lombo enguitado com compota de maçã", "filetes de tamboril com camarões, mexilhões e citronela" e "tarte de frutos vermelhos". Os filetes vinham com um arroz, aliás delicioso, sem que o menú o mencionasse, enquanto os anunciados camarões e mexilhões, não se vislumbravam, embora o sabor lá estivesse. Num dos filetes, vinha uma tira de plástico! E na cozinha, surpreendentemente, não deram por nada!? Depois de inquirir, tive direito a uma desculpa algo atabalhoada. Francamente...Enfim, não cobraram os cafés.
Quanto a vinhos, depois da jornada da véspera (ver a crónica "Novo Formato+"), fiquei-me pela água. Mas observei o que se passava noutras mesas e percebi que o vinho a copo já vinha servido, sem a garrafa ser mostrada ao cliente, nem dada a provar. Mais: os tintos estavam à temperatura ambiente. Só desgraças!
Quanto à lista de vinhos, inventariei (entre parêntesis, a quantidade de referências a copo) 1 espumante (1), 5 champanhes (3), 17 brancos (12), 25 tintos (13), 2 rosés (1), 5 Portos, 2 Moscatéis e 1 Colheita Tardia (todos a copo). Uma boa oferta, embora com preços nada amigáveis.
No Assinatura, comi "croquetes de pato com chutney de marmelo", "porco bísaro e ameijoas" e " tarte de chocolate e figos". Tudo com muita qualidade, mas sem fazer subir aos céus.
Quanto a vinhos, o serviço foi de luxo, a antítese do Flores. A garrafa vai à mesa, o vinho dado a provar num bom copo Schott, mas a quantidade é a olho. A quantidade do tinto era generosa, mas já não posso dizer o mesmo da quantidade do branco. Penso que a dimensão dos copos pode justificar essa diferença. E, ainda, temperaturas correctas. 
Bebi Lavradores de Feitoria Sauvignon 2012 (5 €) - aromático, fresco e elegante é uma paixão imediata. Nota 16,5+. E, ainda, Meandro 2011 (5 €) - exuberante, fruta vermelha, especiado, boa acidez e volume de boca. Nota 17,5. 
Quanto à lista do Assinatura, inventariei 4 espumates (4), 4 champanhes (1), 20 brancos (10), 40 tintos (10) e 3 rosés (1). Na lista consultada, não constavam os fortificados, mas sei que eles existem. Uma boa oferta, com preços de acordo com o espaço.
A finalizar, nenhum dos restaurantes nos entregou os postais comprovativos, a justificar a oferta de 1 € a causas sociais. Podemos ficar na dúvida.
E, para o ano, há mais. Estejamos atentos.

domingo, 20 de outubro de 2013

Almoço no Chefe Cordeiro

O chefe Cordeiro instalou-se na área onde funcionou o antigo restaurante Terreiro do Paço, em tempos explorado pela saudosa Júlia Vinagre. Tenho uma inesquecível ligação afectiva àquele espaço, resultante da parceria das CAV com aquele restaurante, onde fui o responsável pela carta de vinhos, com quase total autonomia (a única imposição da Júlia Vinagre foi incluir, por motivos óbvios, vinhos da Herdade do Esporão).
O piso inferior, destinado a clientes com orçamentos mais apertados, é o que está a funcionar, prevendo-se que o piso superior, este dedicado a quem não tenha problemas orçamentais, venha a abrir até ao final do ano.
O espaço que está a funcionar, caracteriza-se pelo ambiente informal, mesas despojadas, música um tanto alta e serviço simpático e profissional. Aliás o responsável pela sala é o escanção Armindo Saraiva, já meu conhecido do Assinatura e do Aura. Uma mais valia para o restaurante.
A ementa é alargada e inclui uma boa oferta petisqueira (21 petiscos).Optei pelos petiscos (fava rica, cenoura à Algarvia, coelho de escabeche e salada de polvo com molho verde), o que foi mais do que suficiente para ficar bem almoçado.
Quanto a vinhos, tem uma boa e pujante selecção, com uma apreciável quantidade de vinhos a copo, preços acessíveis, mas lamentavelmente é omissa quanto a anos de colheita. Inventariei (entre parentesis as opções a copo) 5 espumantes (4), 5 champanhes (1), 42 brancos (14), 42 tintos (12), 5 rosés (1), 4 colheitas tardias (1), 17 Portos, 2 Madeiras, 4 Moscatéis e 2 licorosos (todos os fortificados a copo).
Bebi um copo do branco Confradeiro 2012 (4 €) - presença de citrinos, acidez equilibrada, notas amanteigadas, algum volume e muito gastronómico. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar, num bom copo e uma quantidade generosa, servida a olho. Quem optar por tinto, pode ficar descansado, pois o restaurante possui armários térmicos.
Em conclusão, gostei, recomendo e tenciono voltar.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Novo Formato+ (13ª sessão)

Nesta última sessão deste grupo de convívio e prova de vinhos, a descodificação dos tintos deixou todos deveras surpreendidos. Na mesa estavam Barca Velha, Aalto e Qtª do Crasto T.Nacional, mas o vencedor foi um vinho do Dão, o Qtª da Falorca Garrafeira! Tiro-lhe o meu chapéu!
Esta sessão desenrolou-se na Enoteca de Belém, com vinhos da minha garrafeira: 2 Alvarinhos de 2010, 4 tintos de 2004, 1 Vintage e 1 Madeira, todos provados às cegas, como é nosso costume.
A bebida de boas vindas foi o espumante Vértice Cuvée 2009, com o "dégorgement" feito em 2012, simpática oferta da casa e que se portou muito bem. Acompanhou um entretém de boca, corneto com massa de tinta de choco, com queijo chevre e mel, simplesmente delicioso.
 Para além do convívio e dos vinhos, o almoço não podia ter corrido melhor. O serviço na sala, a cargo do escanção Nelson Guerreiro, e o menú, da responsabilidade do Ricardo, foram de grande qualidade. Recomendo vivamente este espaço. A Enoteca de Belém merece que os enófilos a conheçam.
Depois desta introdução, vamos aos comeres e beberes:
.Muros de Melgaço - muito exuberante, tropical, elegante, acidez equilibrada, estrutura média e final de boca longo; fácil de se gostar, é paixão imediata. A beber nos próximos 3/4 anos. Nota 17,5+.
.Soalheiro Reserva - nariz discreto, mineral, acidez no ponto, volume de boca, todo ele muito contido, a precisar de mais tempo de garrafa. Tem potencial para aguentar mais 7/8 anos. Nota 17,5 (a rever daqui a 2/3 anos).
Ligaram muito bem com o tártaro de salmão fumado com puré de feijão preto.
.Qtª do Crasto T.Nacional - aroma intenso, ainda com fruta, especiado, notas de tabaco, taninos redondos, elegância, frescura, profundidade e persistência. Nota 18,5.
.Aalto - este vinho teve, no conceituado Guia Peñin mais 1 ponto que o Aalto PS do mesmo ano; esta garrafa tinha um aroma complicado, com uma componente vegetal muito pronunciada, tendo alguns dos presentes diagnosticado rolha, embora longínqua. Uma pena, porque tinha uma boca fabulosa. Nota 18, mesmo assim.
.Barca Velha - nariz contido, notas florais, especiado, belíssima acidez, elegante, harmonioso, volume de boca e final longo. Perfeito! Nota 18,5.
.Qtª da Falorca Garrafeira - nariz exuberante, ainda com fruta, notas florais, especiarias, algum chocolate preto, acidez presente, acentuado volume e final de boca. Um grande vinho e uma grande surpresa. Nota 18,5+.
Todos eles têm estrutura para estar em forma mais 6/7 anos e "maridaram" bem com uma deliciosa bochecha de porco com molho de morcela e gratinado de legumes.
.Graham's Malvedos Vintage 1995 - curiosamente esta minha garrafa, de grande valor estimativo, tinha as assinaturas de quase todos os presentes, pois foi uma oferta da Symington, quando da nossa visita à Qtª do Bonfim, em 17 a 19 de Maio 2002. Muito doce e frutado, taninos macios, estrutura média e final longo. Nota 17,5+.
.FMA Bual 1964 - grande complexidade, frutos secos, iodo, notas de brandy e caril, vinagrinho, acentuado volume de boca e final interminável. A fechar a refeição da melhor maneira! Nota 19.
Estes 2 fortificados acompanharam uma tábua de queijos, bolos e fruta laminada.
Mais uma grande sessão. Obrigado a todos os participantes e à Enoteca!

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Taberna do Manelvina: um paraíso para os carníveros

Na povoação Cruzes, algures entre as Caldas da Rainha e a Benedita, situa-se este espaço especialmente dedicado aos carníveros (contactos 262870014/917221062). A sala está focada em dois motivos, touros e touradas por um lado, e, por outro, o vinho de qualidade, com uma parede forrada com tampas de caixas de madeira de diversas origens, todas referentes às gamas alta e média/alta.
  Eu, militante assumido de peixe, fiquei completamente rendido à excelência do que se come nesta taberna. Custa chegar à mesa, tal é a afluência de manducantes nas horas de ponta, mas depois de sentados, o ritmo do serviço é quase frenético.
Ignorada a ementa, entregamo-nos nas mãos do pessoal da taberna, que vão poisando na mesa pão e broa, ainda quentes, salada de tomate com orégãos (o único produto não carnívoro), enchidos (chouriço de carne, morcela de arroz e alheira), entremeada com batatas fritas caseiras, febras (muito macias e bem temperadas) e vitela (talvez a comida menos entusiasmente). No final do repasto, uma simpática oferta de Cascol (vinho abafado) e Agua do Luzo (aguardente).
Quanto ao sector vínico, a carta tem uma selecção surpreendente para este tipo de espaço, copos de qualidade (a pedido) e um armário térmico para tintos. Não bebi vinho. Os amigos que me convidaram não são apreciadores e escolheram uma sangria tinta. Os enófilos que me perdoem...
A concluir, a Taberna do Manelvina é um espaço altamente recomendável, especialmente para os militantes da carne. Só um aspecto menos simpático, é preciso levar dinheiro, pois o restaurante tem o Visa/Multibanco fora de serviço.

sábado, 12 de outubro de 2013

Curtas (XVIII)

1.Mercado de Vinhos de Campo Pequeno
Com o sub-título "Pequenos Produtores - Grandes Descobertas", os responsáveis do Campo Pequeno vão realizar, no fim de semana de 1 a 3 de Novembro, das 11h30 às 21h30, a 2ª edição do Mercado de Vinhos.
Esta feira não se esgota nos vinhos, que podem ser provados e comprados, incluindo uma apreciável oferta de produtos "gourmet".
Uma oportunidade única de se comprar directamente ao produtor.
2.Vinhos do Alentejo
Mais de 70 produtores vão pôr à prova os seus vinhos no Centro Cultural de Belém, nos próximos dias 18 (16h/21h) e 19 de Outubro (15h/21h).
A entrada é livre, mas o copo de prova custa 3 €.
3."Leitoando" em Lisboa (II)
Actualizando o que escrevi nas crónicas "Curtas (VIII) e "Leitoando em Lisboa", publicadas em 23/5/2013 e 20/12/2012, pode-se também comer leitão em:
.Tasca da República, que apesar de ter mudado de dono mantém o mesmo fornecedor de leitão à Bairrada (sempre à 5ª feira).
 .Bota Feijão, onde se come seguramente o melhor leitão em Lisboa. Fica na R.Conselheiro Lopo Vaz, nas bordas de Moscavide. Mas nem tudo são rosas neste restaurante, pois encerra Sábado e Domingo e não aceita cartões, o que se lamenta profundamente.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Grupo dos 3 (32ª sessão)

Após uma longa pausa no verão, recomeçaram as provas cegas deste núcleo duro. Os vinhos eram da garrafeira do João Quintela, que escolheu o restaurante principal do Corte Inglês, já nosso conhecido. Em alta estiveram uma belíssima cabeça de garoupa no forno e um serviço de vinhos exemplar.
Desfilaram:
.Terra a Terra Reserva 2011 branco - presença de citrinos, notas florais, fresco e mineral, um toque amanteigado e um bom final; todo ele muito equilibrado. Uma boa surpresa que serviu para aquecer os motores e acompanhar o couver. Nota 17.
.Aneto Grande Reserva 2006 - nariz exuberante, especiado, notas de chocolate preto e tabaco, acidez equilibrada a dar-lhe vida, taninos presentes, volume de boca e um grande final. Em forma mais 6/7 anos. Um vinho de excepção num ano complicado (talvez o melhor 2006 produzido em Portugal). Nota 18,5 (noutra situação também 18,5).
.Momentos 2006 - nariz contido, alguma fruta, notas florais, acidez no ponto, taninos domados, estrutura e bom final de boca; um belo vinho de um enólogo pouco badalado, o Luis Soares Duarte. A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18.
.Moscatel de Setúbal 1979 José Maria da Fonseca - notas de laranja e limão, presença de frutos secos, iodo e caril, bom final de boca; um bom Moscatel, embora sem a complexidade dos grandes vinhos da JMF. Nota 17,5.
Mais uma boa jornada deste grupo de amigos. Obrigado João!

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Jantar Casa de Santar

A Garrafeira Néctar das Avenidas organizou mais um jantar vínico, desta vez em parceria com o restaurante da Ordem dos Engenheiros. Foi o 28º, o que é obra! Curiosamente, coincidiu com o 17º aniversário das Coisas do Arco do Vinho, efeméride que o João Quintela, muito simpaticamente, fez o favor de lembrar.
O tema deste evento eram os vinhos da Casa de Santar, que foram apresentados pelo Osvaldo Amado, responsável pela enologia deste produtor. E isto, em plenas vindimas!
Dos vinhos apresentados, sobressairam o casal Condessa de Santar branco e o Conde de Santar tinto, dois belíssimos vinhos, com o branco a entrar para o meu Quadro de Honra e o tinto a ficar lá perto. A realeza portou-se bem!
Vamos, então, aos comeres e beberes:
.Espumante Condessa de Santar 2010 - cumpriu bem a sua missão, acompanhando uma série de canapés; não tive a oportunidade de anotar as minhas impressões. Nota 16,5+.
.Casa de Santar Reserva 2011 branco - com base nas castas Bical, Cerceal e Encruzado, fermentou em barricas de carvalho francês; simples, fresco, notas de citrinos, alguma gordura, madeira ainda presente; consumo imediato. Nota 15,5+.
Fez companhia a um creme de abóbora com lascas de presunto.
.Condessa de Santar 2011 -  a partir das castas Encruzado e Bical, estagiou cerca de 6 meses em barricas de carvalho francês; presença de citrinos e fruta madura, acidez equilibrada, notas fumadas, gordura mais acentuada, madeira muito fina, volume de boca e bom final; gastronòmico e claramente um vinho de outono/inverno; a consumir nos próximos 2/3 anos. Nota 17,5+.
Acompanhou bem um lombo de robalo com camarão e etc.
.Conde de Santar 2009 - com base nas castas T.Nacional, Alfrocheiro e Tinto Cão, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; fruta ainda presente, notas florais, especiarias e chocolate preto, boa acidez, elegante e equilibrado, taninos bem presentes, acentuado volume de boca e persistência final; ainda vai crescer em garrafa; em forma mais 7/8 anos. Nota 18.
Óptima maridagem com um excelente lombinho de javali, arroz selvagem, cogumelos e castanhas.
.Outono de Santar Colheita Tardia 2011 - nariz discreto, muito fresco e elegante, mas a faltar-lhe alguma gordura. Nota 14,5.
Fez companhia a um pudim do Algarve com frutos secos, algo desinteressante.
Louve-se o esforço da equipa da O.E., mas falta-lhe alguma rodagem. De qualquer modo, mais uma boa jornada vínica.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Coisas do Arco do Vinho : 17 anos depois (II)

2.Gestação e preparação do projecto
A ideia nasceu no decorrer de um jantar vínico organizado pela Revista de Vinhos. Aí ficaram definidas as linhas mestras do que viria a ser a loja Coisas do Arco do Vinho. O conceito, inovador e pioneiro na altura, contemplava 4 áreas de negócio, a saber, vinhos, acessórios para o serviço do vinho, mercearia fina e livraria especializada. O jantar vínico teve lugar em Abril 1996 e as CAV abriram em Setembro do mesmo ano, em tempo recorde.
Cientes que não sabíamos tudo, conversámos com algumas pessoas já nossas conhecidas, o que de algum modo nos ajudou a clarificar o projecto. Para memória futura, fica registado que nos reunimos, em separado:
.em Lisboa, com o saudoso David Lopes Ramos, José Salvador, João Paulo Martins e José Quitério
.em Sangalhos, com o Luis Lopes
.no Porto, com Dirk Niepoort, Maria Emília Campos e Ricardo Nicolau Almeida
3.A primeira crónica
Ao longo dos 13 anos de vida em que estivémos à frente das CAV, praticamente todos os órgãos de comunicação social se referiram ao projecto, fizeram-nos entrevistas e aparecemos na maioria dos canais televisivos.
A realçar algum, parece-me de inteira justiça lembrar a 1ª crónica sobre as CAV, que foi publicada, em 6 de Outubro de 1996, na Pública (suplemento do Público) e assinada pelo David Lopes Ramos.
Eis o que o DLR escreveu na altura:
"(...) Chamaram-lhe Coisas do Arco do Vinho (...) e lá está um espaço muito bem decorado, bem arrumado e com uma selecção de vinhos - com destaque para os tintos e Porto - de se lhe tirar o chapéu. Além disso, ainda tem lugar para acessórios do vinho, nomeadamente copos, entre os quais os Riedel, (...)livros sobre gastronomia e vinhos e "delicatessen", por exemplo, doces conventuais bejenses(...)".

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Curtas (XVII)

1.Uma garrafeira em expansão...
A Garrafeira Néctar das Avenidas expandiu-se para o nº 31 da Av. Defensores de Chaves, mantendo-se na Luis Bivar. A inauguração do novo espaço, onde coexiste o vinho com brinquedos (pode-se dizer que é vocacionado para a faixa etária dos 8 meses aos 80 anos), teve lugar no passado sábado.
Felicidades para o novo projecto, são os meus votos.
2.E outra a nascer
Bem perto do Napoleão e da nova loja da Garrafeira Nacional, nasceu a Ruoao Wines, em plena Rua dos Fanqueiros. Feroz ou sã concorrência? Só o futuro o dirá.
Pela conversa com a dona, prejudicada por um fundo sonoro excessivamente alto, percebi que é gente já ligada ao vinho. Têm uma loja em Xangai, pasme-se!
3.Guia 2014 do João Paulo Martins
Acabou de chegar às livrarias o novo Vinhos de Portgal 2014, o 20º guia da autoria do JPM. É obra!
Em crónica futura, direi alguma coisa sobre este "pesadelo" com 674 páginas.
4.Lisboa Restaurant Week 2013
O LRW vai estar disponível no período de 10 a 20 de Outubro, com 49 restaurantes aderentes em Lisboa e arredores. É de aproveitar!
Mais informações em www.restaurantweek.pt.