terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Rescaldo das Festas

As Festas de 2013 desenvolveram-se em 3 movimentos:
1º A Consoada
Teve lugar em casa de familiares, levando eu os vinhos da minha garrafeira. A escolha caíu em opções de boa relação preço/qualidade, partindo do pressuposto que, numa ocasião em que está presente um grupo pouco homogéneo, não vale a pena levar grandes bombas. A comida teve, como referência a tradição, mas sem seguir demasiado à letra. Desfilaram:
.Qtª do Romeu Reserva 2011 branco - com base nas castas Gouveio, Viosinho e Arinto, obtidas em parte de vinhas velhas em agricultura biológica; nariz contido, boa acidez, alguma gordura, estrutura e final médios; beber a 10/12º; madeira, finalmente, bem integrada (não tem nada a haver com outra garrafa provada há alguns meses). Nota 16,5+. 
Gastronómico, acompanhou bem uns pastelinhos de bacalhau e o polvo cozido com todos.
.H.O. 2010 (Horta Osório Wines) - já aqui descrito em "Vinhos em família (XLVI)", crónica publicada em 21/9/2013. Grande complexidade que, à partida, o preço acessível, não augurava. Nota 17,5+.
Maridou muito bem com um excelente bacalhau com broa, grelos de couve e cebola.
.Alambre 20 Anos (engarrafado em 2011) - este Moscatel de Setúbal nunca me deixou ficar mal; esta garrafa estava em grande forma e, para satisfação de alguns presentes, apresentou algumas características de um Frasqueira. Nota 18,5.
Fez boa companhia a um bolo real de excepção e outras sobremesas.

2º O almoço de Natal
Continuou em casa de familiares, embora o grupo fosse diferente do da véspera. Entraram uns, sairam outros. Em relação aos vinhos, a filosofia foi a mesma. Acabou-se com algumas sobras e avançou o
.Casa Burmester Reserva 2008 Magnum (levado pelo meu filho Bruno) - com base nas castas T.Nacional, T.Franca e Tinta Roriz; estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; nariz discreto, boca mais interessante, especiado, notas de couro, volume de boca médio e final longo. Nota 17,5.
Portou-se bem com as sobras do bacalhau e um frango do campo no forno.
 
3º A continuação
As Festas continuaram no Domingo seguinte, já na minha casa e com vinhos meus, para usufruto do borrego que ficou à espera de uma melhor oportunidade. Avançaram:
.João Portugal Ramos Alvarinho 2012 - já anotado na crónica "Os vinhos do João e os vinhos do José", publicada em 2/5/2013; evoluiu bem e ainda vai melhorar com mais uns meses de garrafa. Nota 16,5+.
Servido com diversos enchidos fatiados, serviu para preparar o palato para novos voos.
.Castelo d' Alba Vinhas Velhas Grande Reserva 2011 - vem com um selo de Troféu (o melhor vinho tinto do Douro, abaixo das 15 £), atribuído pela Decanter World Wine Awards 2013. Com enologia do Rui Reboredo Madeira, estagiou 18 meses em barricas novas e usadas de carvalho francês - nariz exuberante, muito frutado, notas especiadas e de chocolate preto, acidez no ponto, assinalável volume e bom final de boca. Nota 18. Este vinho é um autêntico achado e foi comprado no Continente, onde estava em promoção (!?).
Foi divinalmente com um borrego no forno com batatihas e castanhas (estava 5 estrelas!).
.Porto Vintage, de marca desconhecida, engarrafado especialmente para o 50º aniversário da Residencial Flora, em Vila Franca, onde se encontava o inesquecível restaurante do Pedro Miguel Gil, um grande senhor da gastronomia.
Este Porto, mais próximo dos LBV, vale pela componente afectiva que é enorme! Acompanhou uma mousse de chocolate e outras sobremesas.

4º A fechar
Convido/desafio os leitores do blogue a partilharem o que comeram e beberam nestas Festas. Valeu?

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sábado, 28 de dezembro de 2013

Grupo dos 3 (35ª sessão)

A responsabilidade desta 35ª sessão coube ao João Quintela que escolheu o restaurante principal do Corte Inglês. Levou, da sua garrafeira, 1 branco alentejano, 2 tintos da Ribera del Duero e 2 Late Harvest.
Desfilaram:
.Telhas 2010 branco (Terras d' Alter) - com base na casta Viognier e enologia de Peter Bright; fruta madura, aroma muito presente, acidez no ponto, madeira discreta, alguma gordura, volume de boca, final adocicado que se foi atenuando. Uma grande surpresa vinda do Alentejo. Nota 17,5+.
Acompanhou muito bem uma entrada de cogumelos recheados com camarão, lagosta e mexilhão.
.Aalto 2011 - fruta presente, notas terrosas, acidez equilibrada, taninos polidos, volume de boca e final muito longo. Muito afinado, mas a precisar de mais tempo de garrafa. Nota 18.
.Aalto 2010 - nariz contido, notas florais, acidez q.b., boa estrutura e final de boca, embora abaixo do 2011. Nota 17,5.
Estes 2 vinhos são provenientes da casta Tinto Fino de vinhas velhas (mais de 40 anos) e estagiaram 20 meses em barricas de carvalho. É pena o teor alcoólico tão elevado (15% vol.).
Fizeram companhia a uma paletilha de cordeiro de leite com batata panadera.
.Lenz Moser Trockenbeerenauslese 2005 - um Late Harvest austriaco de prestígio; aroma exuberante, acidez positiva, untuoso, volume de boca e final extenso. Nota 18.
.Grandjó Late Harvest 2005 - nariz discreto, citrinos, acidez não muito evidente, volume e final médios. Ficou quase esmagado pelo Lenz Moser. Uma desilusão (já bebi pelo menos meia dúzia de garrafas deste vinho francamente melhores). Nota 15,5+.
Estes últimos vinhos maridaram bem com uns saborosos crepes suzette.
Mais uma boa sessão de convívio, comeres e beberes à altura. Obrigado João!

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Crónicas em atraso (mais uma vez!)

Tendo como desculpa as festas de Natal, os correspondentes preparativos, etc e tal, estão ainda por publicar:

.Grupo dos 3 (35ª sessão)
.CAV : viveiro de enófilos
.Mexilhões em Lisboa
.O (novo) Mercado de Campo de Ourique
.Oito Dezoito revisitado
.Cogumelos em Lisboa
.Rescaldo das Festas

Os Prémios W 2013

Os Prémios W são uma iniciativa do Anibal Coutinho, jornalista e crítico de vinhos, entre outras coisas, que os atribuirá a 21 categorias no mundo do vinho e afins.
Um destes prémios refere-se ao "Melhor Blog de Vinho do Ano", a sair deste grupo de 10 nomeados (ordem alfabética), a maioria já presente no ano passado:
.adega dos leigos
.copo de 3 (o vencedor em 2012)
.enófilo militante
.enófilo principiante *
.e tudo o vinho levou *
.joão à mesa
.mesa marcada *
.os vinhos
.pingas no copo
.ricardo bernardo
* nomeados pela 1ª vez (os restantes são repetentes)
Outros, tão bons ou, alguns, mesmo melhores, ficaram de fora. Mas o critério é de quem teve a iniciativa e estes prémios, tal como os atribuídos por outras entidades, valem o que valem.
Mais informações em www.w-anibal.com.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Novo Formato+ (14ª sessão)

Esta última sessão deste grupo de amigos foi da responsabildade do Juca que escolheu o restaurante principal do Corte Inglês. Levou 2 brancos, 4 tintos de 2006 e 1 Madeira, provados às cegas com excepção deste último.
Os brancos eram francamente cativantes, embora de estilos bem diferentes. Enquanto que o desconhecido Terroir Velho Mundo XII, proveniente de 2 "terroir" diferentes (Laura Regueiro, Douro e Qtª do Regueiro, Vinhos Verdes), era surpreendentemente fresco, aromático, mineral e equilibrado, o Morgado de Stª Catherina 2009, já aqui referido diversas vezes, mostrou fruta mais madura, alguma gordura e volume de boca. Mereceram-me a mesma nota (17,5+).
Acompanharam salgados e mil folhas de foi gras caramelizado. 
Quanto aos tintos de 2006, a dificuldade desta colheita reflectiu-se nos vinhos apresentados, a maior parte dos quais poucas semelhanças mostrou em relação a outras garrafas das mesmas referências, provadas noutras situações, algumas bem recentes. Ficaram, quase todos, uns furos abaixo. O perfil, às cegas, apontava para a Bairrada ou Dão. Vejamos, então, as notas dadas ao longo do tempo (entre parêntesis as notas de outras situações):
.Aneto Grande Reserva - demasiado discreto, embora com um final longo. Nota 17 (18,5/18,5).
.Carrocel  - ainda elegante e harmonioso. Nota 17,5 (17,5/18/18,5+).
.CV - o único que se manteve fiel ao seu perfil e qualidade. Nota 18 (17,5+/18).
.Poeira - o que mostrou a maior irregularidade - Nota 17,5 (18,5/16,5+/18/17,5/16,5).
Os tintos fizeram companhia ao prato de leitão com mil folhas de batata e cenoura.
Finalmente, o vinho da tarde, um Blandy Terrantez 1977 (engarrafado em 2004) - sempre fabuloso e já aqui referido, era a garrafa nº 1340 de 2000. Nota 18,5 (18/19).
Maridou bem com a sobremesa de banana e frutos silvestres.
Serviço eficiente e profissional, como sempre.
Apesar do 2006, mais uma boa jornada de convívio, comeres e beberes. Obrigado, Juca!

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Sabores da Madeira

Abriu há pouco tempo, na Rua do Ouro, bem próximo do Rossio, este espaço de restauração inspirado nos
aromas e sabores madeirenses. A carta abrange 15 referências para comer/petiscar, lapas incluidas. Na minha visita escolhi sopa de trigo (algo desemchabida), carne em vinho e alhos no bolo do caco (a anos luz do que se faz na Madeira) e pudim de maracujá. Nada de verdadeiramente aliciante, mas se calhar fiz uma má escolha. Por tudo isto paguei 8,50, o que não é caro.
Quanto a vinhos, a lista é redutora, resumindo-se a 3 brancos e 3 tintos madeirenses, que se podem beber a copo (de 3 a 5 €) ou à garrafa (de 14 a 38 €) e nem todos estão datados. A lista inclui, ainda, Vinhos da Madeira com 3 e 5 anos, nas modalidades seco, meio seco, meio doce e doce (2 a 3,50 € o copo). Pode ser uma solução didáctica, para quem não os conheça, se iniciar neste tipo de vinhos. Mas, curiosamente, não vi um único cliente a provar Vinho da Madeira.
Bebi, a acompanhar a refeição, o Terras do Avô Verdelho 2012 - mineral, presença de citrinos, fresco e elegante, bom final de boca e gastronómico; vinho típico para a primavera e outono. Uma boa surpresa. Nota 16,5.
O serviço de vinhos foi inesperado, pois a garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar, num bom copo com uma quantidade generosa, o que nem sempre acontece nos restaurantes credenciados pela ViniPortugal. Até o preço (3 €) foi simpático. Não foi testado o serviço de vinho tinto, ficará para uma próxima vez.
Quanto à restante prestação, enquanto o serviço na cozinha é quase relâmpago (ainda estava na sopa e já o bolo do caco estava na mesa) o serviço na sala é algo descuidado (já estava na sobremesa e o prato da sopa não fora retirado). Deficiências de fácil correcção.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Cartão amarelo à ViniPortugal

Recebi há cerca de 1 mês, via e-mail, uma comunicação que referia a "ViniPortugal premeia vinho a copo no Populi", esclarecendo que fora atribuído a este restaurante um certificado de "qualidade de atendimento e seviço de vinho a copo". Notícia esta que me encheu de curiosidade, até porque nas crónicas que publiquei neste blogue sempre critiquei a falta de qualidade do serviço de vinho a copo do Populi, chegando a atribuir-lhe um cartão vermelho: "À descoberta do novo Terreiro do Paço (I)" em 29/7/2012 e "O novo Terreiro do Paço revisitado" em 7/10/2012.
E foi esta curiosidade que me fez voltar ao Populi e constatar que o serviço de vinho a copo está na mesma, isto é, mau! O copo já vinha servido e a garrafa não foi dada a provar. E, mesmo assim, a ViniPortugal deu-lhe um certificado de qualidade! Francamente, isso não se faz, senhores da ViniPortugal, até porque induz em erro os clientes menos avisados.
E já que estou a falar da ViniPortugal, não se entende, de todo, a afirmação sobre o azeite, expressa num dos cartazes expostos: "(...) Consumir azeite produzido em cooperativas é consumir um produto de grande qualidade". Então, o azeite esgota-se nas cooperativas? E os outros, alguns com prémios internacionais?
Voltando ao Populi, faz-me pena pois este restaurante tem um potencial na área vínica que a maior parte dos espaços de restauração não tem: apreciável selecção de vinhos (apesar da omissão dos anos de colheita), bons copos e armários térmicos para que estas bebidas sejam servidas à temperatura adequada. Dão nozes a quem não tem dentes...
Voltando à minha última visita, escolhi entre 6 entradas e 5 petiscos, uma tábua com polenta frita e maionese de caril, tiras de choco em tempura e saladinha de favas com farinheira e alecrim, tudo por 12,50 €. Fiquei bem almoçado.
Acompanhei com 1 copo de tinto Qtª dos Carvalhais 2009 - notas florais, fresco e elegante, especiado, taninos presentes, alguma estrutura e final de boca médio. Nota 16,5+. Maridou bem com os petiscos.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Grupo dos 3 (34ª sessão)

E já vão 34 sessões com este núcleo duríssimo (Juca, João Quintela e eu). Com os vinhos da minha garrafeira foi a 12ª , sempre em espaços de restauração diferentes. O 1º foi em 18/3/2010, poucos dias depois de nos termos reformado das CAV (eu e o Juca), no Nariz de Vinho Tinto, entretanto já encerrado. Também já encerraram o Xico's e o Manifesto, enquanto a Casa da Comida mudou de nome e alterou a sua filosofia. Continuam a laborar A Commenda, Assinatura, Sem Dúvida, Bg Bar, Tapas e Wine Bar Tágide, Jacinto e Rubro Avenida.
Desta vez escolhi o Chefe Cordeiro, já aqui referido em "Almoço no Chefe Cordeiro", crónica publicada em 20/10/2013. Levei 3 vinhos Bairrada (1 branco desconhecido dos meus parceiros, 2 tintos da colheita de 2005) e 1 Moscatel da JMF. Desfilaram:
.Grande Follies Vinhas da Qtª da Aguieira 2009 (garrafa nº 524 de 2680) - nariz discreto, citrinos, notas florais, acidez equilibrada, alguma gordura, volume de boca; gastronómico. Uma boa surpresa, comprada em saldo, na loja da Aveleda, por a colheita já ser antiga!? Nota 17,5+.
Acompanhou tártaro de espadarte.
.Qtª das Bageiras Garrafeira 2005 - (garrafa nº 2460 de 6755); com base nas castas Baga (80%) e T.Nacional (20%); aroma com alguma complexidade, acidez bem presente, especiado, taninos já domados, algum volume e final longo. No ponto para ser bebido, embora aguente mais 4/5 anos. Alguma irregularidade na sua evolução. Nota 17,5 (noutras situações 15/17/16,5/18,5/18+/17+).
Fez companhia a bacalhau confitado em cama de cogumelos e legumes.
.Kompassus Private Selection Baga 2005 - estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; grande complexidade de aromas e sabores, especiado, notas de chocolate preto, grande volume de boca e final longo. Este vinho é uma das minhas paixões e tem uma regularidade impressionante. Em forma mais meia dúzia de anos. Nota 18,5+ (noutras 18,5/18,5+/18,5/18/18,5+/18,5/18,5).
Maridou bem com cachaço de porco confitado com espuma de batata e grelos.
.Moscatel Superior 1962 - complexidade aromática, frutos secos, citrinos, notas de mel, acidez equilibrada, acentuado volume de boca e final muito longo. Nota 18,5+ (noutra também 18,5+).
Foi bem com papo d' anjo com recheio de doce e ovos, compota de laranja e gelado de baunilha.
Resumindo, mais uma grande sessão de convívio, com bons vinhos e gastronomia à altura. Serviço de vinhos profissional, sob a responsabilidade do Armindo Saraiva. Só uma nota negativa: as garrafas vieram à mesa embrulhadas, pois o restaurante não tem ainda decantadores. Ó chefe José Cordeiro, compre lá isso, é sempre um investimento!
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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Aditamento ao Jantar Sandra T. Silva/Jorge S. Borges

Na crónica publicada em 5/12, lamentavelmente, ficou por dizer:
.O jantar organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas coincidiu com o seu 2º aniversário, o que foi lembrado na intervenção da Sara Quintela. Parabens à equipa e os meus votos para que  projecto se prolongue "ad aeternum"!
.O espumante rosé Qtª das Bageiras foi uma oferta do produtor Mário Sérgio Nuno, que assim se quiz associar à nossa homenagem. Mais uma vez esteve connosco. O nosso (do Juca e meu) muito obrigado!

sábado, 7 de dezembro de 2013

Curtas (XX)

1.Casa da Mó
Já começou a temporada do cozido às quintas feiras, na modalidade bufete. Por 11 € pode comer-se até rebentar. Uma boa notícia: finalmente e depois de muitas insistências, o restaurante já permite que se leve vinho de casa. Serviço de rolha 5 €, o que é irrecusável.
2.O Talho
Continua a comer-se bem neste espaço talho/restaurante. O croquete de cozido à portuguesa, os escalopes à milanesa com batata brava e a sobremesa (baklava) estavam bons. Bom ambiente, mas cadeiras desconfortáveis.
 Em relação a visitas anteriores, o serviço de vinhos melhorou. Bebi, a copo, Papafigos 2012 - fruta exuberante, acidez equilibrada, taninos civilizados; um vinho descomplicado e apetecível para o dia a dia. Nota 16,5+. A garrafa veio à mesa, o vinho, em bom copo e a temperatura aceitável, foi dado a provar. A lista tem os vinhos todos datados, mas sem critério de preços que se perceba, pois alternam os preços acessíveis com outros excessivos.
3.Mercado da Praça da Figueira
Este espaço foi totalmente remodelado e, recentemente, incorporou uma garrafeira que é uma surpresa, devido especialmente à oferta de vinhos fortificados, alguns a preços muito amigáveis. Por exemplo, o Kopke Vintage 2011 (94 pontos atribuidos por Kim Marcus, crítico da Wine Spectator) custa 31,95 €.
A selecção de vinhos de mesa/consumo é curta , tem algumas boas referências, mas também por lá estão alguns, para mim, completamente desconhecidos, como é o caso do Malhadinha da Cooperativa Agrária de Távora, nome que pode provocar confusões. A propósito, estou a lembrar-me de outras semelhanças em nomes, como é o caso do Munda (Dão) e Mundus (Lisboa)  ou os alentejanos J (da JMF) e JJ (doutro produtor). O IVV não deveria intervir e evitar confusões?

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Jantar Sandra T. Silva/Jorge S. Borges e o regresso às origens

Estive presente em mais um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas. Mas não foi mais um jantar de vinhos. Foi muito mais do que isso: o João Quintela quiz, muito simpaticamente, homenagear os antigos responsáveis pelas Coisas do Arco do Vinho (CAV), o Juca e eu próprio, tendo escolhido apropriadamente A Commenda, o restaurante do CCB. Este espaço tem para nós, uma carga emotiva muito forte, marcando presença nas nossas memórias, pois foi ali que organizámos largas dezenas de jantares, que tiveram a participação dos principais produtores e enólogos e onde foram apresentados os grandes vinhos nacionais.
A cereja em cima do bolo: associaram-se a esta homenagem os produtores/enólogos Sandra Tavares da Silva e Jorge Serôdio Borges, o casal mais mediático do mundo do vinho, que tiveram a gentileza de oferecer a cada um de nós uma garrafa autografada de Pintas 2011. Já quando do 10º aniversário das CAV, na brochura comemorativa, disseram de nós: "Parabéns seria a palavra apropriada neste momento; no entanto achamos justo dizer obrigado...obrigado pela dedicação e energia que estes jovens senhores gastam na divulgação dos nossos vinhos; obrigado por terem trazido para o mercado dos vinhos tanta gente anónima; obrigado por apoiarem e acreditarem desde sempre nos projectos dos jovens enólogos. Ir às Coisas do Arco do Vinho significa encontrar dois amigos e dois profissionais...que mais podemos pedir? Até sempre!".
Antes do início do repasto e no âmbito da homenagem, falaram o João Quintela (o mentor da ideia), o Jorge S. Borges e a Paula Costa (enófila militante desde a 1ª hora). O nosso muito obrigado!
O jantar começou com os canapés servidos nas mesas, contra o que é habitual (lapso do restaurante?), acompanhados pelo espumante rosé Qtª das Bageiras. Seguiram-se:
.Passadouro 2012 branco - mineral, acidez no ponto, elegante e descomplicado. Nota 15,5.
Acompanhou uma entrada "flor do mar com com glacé balsâmico".
.Passadouro T. Nacional 2011 - nariz exuberante, notas florais, fresco e elegante, especiado, notas de pimenta e chocolate preto, bom volume e final de boca. Em forma mais 7/8 anos. Nota 18.
Maridou com "mil folhas de bacalhau e a sua broa".
.Qtª da Manoella Vinhas Velhas 2011 -aroma complexo e afirmativo, acidez equilibrada, algumas notas químicas, couro e tabaco, especiado, assinalável volume de boca e final muito longo. É pedofilia bebê-lo agora. Aguenta bem mais 10/11 anos. Nota 18,5.
Fez uma boa parceria com um "naco de novilho em cama de espinafres envolto em sauce rouge"
.Pintas Vintage 2011 - ainda muito fechado, fruta presente, elegante e grande final de boca. Nota 17,5+.
Em resumo, mais um evento memorável, potenciado pela homenagem. Obrigado João pela iniciativa! Obrigado Sandra/Jorge pelo apoio! Obrigado a todos os participantes pela presença!

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O Guia do João Paulo Martins (JPM) 2014: Prós e Contras

1.Prós
.Já se publica há 20 anos consecutivos, o que é de louvar. Pessoalmente, tenho-os todos (assim como os do José Salvador e os da Comporta). O JPM, tal como o Expresso, é uma instituição e obrigatória a consulta dos seus guias. Neste tempo, descontando o guia da Deco e o das compras da Revista de Vinhos (RV), o do JPM é o único no mercado. Os da concorrência foram ficando pelo caminho. Houve um ano em que se publicaram 10 guias! Recordo 9 (o 10º varreu-se-me da memória): JPM, João Afonso, RV, Rui Falcão, Pedro Gomes/Tiago Teles, Paulo Laureano/António Ventura, Manuel Moreira, António Saramago e Deco. É obra!
.Também é de louvar a referência que faz ao José A. Salvador "(...) com quem demos os primeiros passos nesta aventura dos vinhos, de quem sempre recebi o incentivo para ir em frente quando tínhamos quase só receios e poucas certezas (...)", apontamento mais que justo.
.Finalmente, retirou da contra-capa a polémica afirmação "Vinhos de Portugal, o mais antigo e prestigiado guia de vinhos do país (...)", substituindo-a por "Vinhos de Portugal, que agora chega ao vigésimo aniversário, é o mais respeitado guia de vinhos do país (...)". O seu a seu dono!
2.Contras
.O tamanho do guia, torna-o de difícil transporte e consulta. Já vai em 674 páginas e, em vez de encolher, esticou, ficando as gorduras por cortar.É imperioso "refundá-lo" (onde é que já ouvi isto?), o que só é possivel com medidas drásticas. Em crítica anterior, este blogue já tinha referido ser possível cortar 150 a 170 páginas, à custa da eliminação das notas de prova repetidas (contabilizei mais de 1000), das perguntas/respostas e das provas de vinhos velhos. Mas estes cortes não chegam. Porque não, eliminar as notas de prova dos vinhos abaixo de determinado patamar (limite de 16 para tintos e 15 para brancos e rosés, por exemplo)? Nestes casos, acho que bastaria a nota final, traduzindo-se apenas numa linha por vinho. Esta metodologia foi, aliás, no passado, utilizada pelo José Salvador e pelo Rui Falcão. À atenção do autor.
.A informação relativa aos espaços onde se pode comprar vinho, continua desactualizada. Quanto a Lisboa, estão encerradas a Lx Gourmet (já há alguns anos) e a Quinta do Saldanha, e estão abertas há um ror de anos as garrafeiras São João e Wine Company. Em futuras edições, podem ser incluídos os seguintes espaços, em Lisboa: Wine Spot, Hill's Bottled, Dom Pedro, Wine Room, Ruoao Wines, Garrafeira do Mercado da Praça da Figueira e Descobre (um restaurante/garrafeira que tem organizado jantares vínicos).
3.A finalizar
.Por tudo isto e apesar de tudo isto, continuarei fielmente a comprar os guias do JPM!
.Para quem tiver curiosidade pode encontrar aqui as crónicas dedicadas ao guia do JPM: "O Guia 2012 do JPM", publicada em 6,9 e 11/10/2011, e "O Guia 2013 do JPM", publicada em 15 e 17/11/2012.      

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Crónicas em atraso

Ainda não é desta que consigo manter o blogue em dia. Estão por fazer e publicar as seguintes crónicas:
.O Guia do JPM 2014 (já prometido, mas sempre adiado)
.Curtas (XX)
.Sabores da Madeira
.Grupo dos 3 (34ª sessão)
.Cartão amarelo à Viniportugal
.Jantar de vinhos Jorge Serôdio Borges/Sandra Tavares da Silva
.CAV: um viveiro de enófilos
.Novo Formato+ (14ª sessão, a realizar no próximo Sábado)
Fica a promessa...