terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Almoço com Vinhos da Madeira (12ª sessão)

Esta 22ª sessão, a 1ª de 2014, juntou o núcleo duro dos Madeiras no restaurante principal do Corte Inglês. Foram provados e bebidos 2 brancos (Qtª dos Carvalhais Encruzado 2012 e Villa Oliveira Encruzado 2011, levados pelo José Rosa), 3 tintos (Batuta 2005, da minha garrafeira; Dona Berta Reserva Vinhas Velhas 2005, levado pelo Juca; e Ferreirinha Reserva Especial 2003, pelo Alfredo Penetra). De um modo geral, portaram-se bem, evidenciando-se o Reserva Especial, ainda cheio de saúde (apesar do ano) e longe da reforma.
Quanto aos fortificados, sempre o ponto forte e mais esperado destes nossos encontros, tivemos a oportunidade de apreciar 2 Porto Vintage (da garrafeira do Adelino de Sousa), um Bual (do João Quintala) e um Malvasia (do Modesto Pereira):
.Fonseca Vintage 1997 - exuberante, ainda com muita fruta, taninos bem presentes, mas civilizados, apreciável volume de boca e final longo. Nota 18.
.Qtª do Noval Vintage 1958 (engarrafado em Inglaterra pela firma Corney Barrow) - visual brilhante,  nariz complexo, frutos secos, notas de mel, potência de boca e final interminável; perfil com algumas semelhanças com tawnies muito velhos. Nota 18,5.
.Borges Bual 1977 - muito turvo, nariz discreto, toque metálico, estrutura mediana, mas bom final de boca. Alguma desilusão com este Madeira. Nota 16,5.
.Artur Barros e Sousa Malvasia 1986 - nariz exuberante, vinagrinho, notas de caril e brandy, boca poderosa e final longo; todo ele muito equilibrado. Uma boa surpresa. Nota 18,5.
A propósito deste Artur Barros e Sousa (ABS), foi com muita mágoa que soubemos que esta empresa centenária foi encerrada. Fundada em 1890, era gerida pelos irmãos Artur e Edmundo (a 4ª geração) e produzia anualmente entre 8000 e 10000 litros. Como ponto de honra, assumiam ser a única empresa cujo vinho era produzido pelo processo de canteiro, rejeitando a estufagem, método mais célere e menos dispendioso. Chegaram a dizer que pagariam 1000 £, a quem provasse que o processo de maturação não fosse o de canteiro.
Ficámos todos mais pobres, com a saída de cena desta empresa familiar. E ficamos com a obrigação de tratar como relíquias, os vinhos ABS que tivermos nas nossas garrafeiras.
Em conclusão, foi mais uma grande sessão de convívio, beberes e comeres (o nosso obrigado ao Adelino que levou um belíssimo queijo da Serra, de Fornos de Algodres). Resta acrescentar, que o serviço de vinhos teve nota alta, como é habitual neste espaço de restauração. 

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