terça-feira, 21 de outubro de 2014

Herdade das Servas revisitada

A convite do produtor, fui revisitar a Herdade das Servas (H.S.), já aqui referida diversas vezes, nomeadamente em "A Herdade das Servas e a Blogosfera", em 2 partes, crónicas publicadas em 22 e 23/1/2011, e, ainda, "Provar vinhos no Chafariz com a Herdade das Servas", publicada em 16/11/2013. Aí sublinhei todo o meu apreço pelos irmãos Mira (Luis e Carlos), proprietários da H.S., pelo Tiago Garcia, enólogo da casa, e pelo comercial Artur Diogo. Fazem uma boa equipa, com a qual sempre tive excelentes relações institucionais e pessoais, no meu tempo das CAV e, também, depois.
O tema desta recente visita, era a apresentação de novos vinhos e do restaurante, agora diariamente aberto ao público (excepto 3ª feira), que tem na sala o Paulo Baía, arrendatário do espaço, e na cozinha Maria da Fé Baía, sua irmã, ambos vindos do restaurante São Rosas, uma garantia de qualidade.
O grupo visitante incluia, uma vez mais, representantes da blogosfera, imprensa especializada e alguma generalista, todos tratados de igual modo, desde a Revista de Vinhos ao mais modesto dos blogues. Tiro o meu chapéu ao produtor!
Chega de introdução e vamos aos vinhos, iguarias e respectiva harmonização (ou falta dela):
.Colheita Seleccionada 2013, dado a provar antes da visita e do almoço - presença de citrinos, acidez equilibrada, alguma mineralidade e frescura, notas químicas, agradável e correcto, mas sem esmagar. Nota 16.
.Alicante Bouschet Reserva 2011 - estagiou em barricas de carvalho francês (80 %) e americano (20 %); ainda com muita fruta, boa acidez, notas de couro e pimenta, apreciável volume de boca e final persistente. Prejudicado pela temperatura de serviço, um pouco acima do recomendado. Nota 17.
Acompanhou uma sopa de tomate à alentejana (com linguiça, farinheira e toucinho laminado), com a acidez do tomate a brigar com o vinho.
.Reserva 2011 - com base nas castas Alicante Bouschet (40 %), T.Nacional, Aragonês e Petit Verdot (todas com 20 %), estagiou 14 meses em barricas de carvalho francês (70 %) e americano (30 %); aroma exuberante, boa acidez, especiado, notas de tabaco e chocolate preto, taninos presentes de veludo, bom volume de boca e final longo. Foi servido decantado e a uma temperatura correcta. Grande alentejano! Nota 18.
Maridou razoavelmente com cação de coentrada  e brilhou com um excelente e inesquecível borrego assado no forno. Casamento para a vida!
.Sousão/Vinhão 2011 - retinto, muito frutado, acidez excessiva, pouco harmonioso e um perfil nada alentejano. Apenas uma curiosidade e não lhe atribuo classificação.
Brigou com o bolinho de chocolate. Violência doméstica e divórcio à vista!
Um apelo ao produtor: façam um colheita tardia ou comprem uma quinta no Douro, para poderem ter um Porto a acompanhar as sobremesas!
Em relação ao restaurante, a cozinha é segura, o serviço de vinhos competente ( foram decantados e servidos antes da comida chegar ao prato, para poderem ser cheirados sem intromissão dos cozinhados; as temperaturas de serviço, com a excepção do 1º vinho, foram as correctas). Mais: copos Ridel, um luxo que os clientes agradecem!
O balanço é francamente bom, mas seria ainda melhor se os preços dos vinhos no restaurante, sejam a copo sejam à garrafa, fossem mais acessíveis. Afinal a marca Herdade das Servas é exclusiva e, francamente, não percebo tais preços que podem afastar potenciais clientes. Não faz sentido, para mim, o Reserva 2011 custar 18 € na loja, passar a porta e chegar ao restaurante a 30 € (o copo a 7,50 €)! Para reflexão dos meus amigos proprietários e do arrendatário...
Em conclusão, uma grande jornada vinícola e gastronómica. Obrigado, irmãos Mira!

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