terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Curtas (XXV)

1.To Burger or not to Burger
É um espaço informal, com as mesas quase em cima umas das outras, que é coisa que me irrita. Mas estava completamente lotado, ao contrário de um seu antecessor quase sempre vazio. Fica situado na Rua Capelo, entre o antigo Governo Civil e o Teatro S. Carlos. Toalhetes e guardanapos de papel.
A ementa segue a moda. É à base de hamburgueres com carne dos Açores, alimentada a pasto, segundo eles dizem.
Quanto a vinhos, têm 8 a copo, a bons preços e hierarquizados (normais, melhores e muito bons). Bebi um copo do branco Castelo d' Alba Reserva 2012, desinteressante, chato na boca e algo oxidado, a fazer pensar que veio de uma garrafa aberta há muito tempo. O copo já vinha servido, em quantidade generosa, mas nem sequer mostraram a garrafa. Serviço de vinhos francamente mau.
 Espaço a evitar pelos enófilos!
2.Umai revisitado
Baixaram os preços dos menus Sushi (15 €), Tailandês (11), Indiano (11), Umai (10) e Chinês (9), mas a qualidade também, É preferível comer à lista.
A lista de vinhos continua pujante, com 37 brancos, 6 rosés, 30 tintos, 6 espumantes e 3 champanhes, a preços acessíveis. O serviço mantém a qualidade, vindo a garrafa à mesa e o vinho dado a provar num bom copo, embora servido a olho.
Espaço a frequentar pelos enófilos!
3.Santa Clara dos Cogumelos revisitado
A cozinha continua em alta. Repeti, a entrada emblemática "Shitake à Bulhão Pato" e comi, pela primeira vez, o excelente "Risotto Santa Clara". De repetir e chorar por mais!
Pena é o serviço de vinhos não estar à altura da gastronomia. O copo de branco Opta, aqui descrito anteriormente, já vinha servido. Espero, sinceramente, que façam um esforço para puxar o serviço de vinhos para o patamar de qualidade em que se encontra a cozinha.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Eventos a não perder

1.Portugal Restaurant Week
Esta nova edição começa já dia 27 e termina dia 9 de Março. Por 19 € + 1 € para causas sociais, pode comer-se 1 prato, 1 entrada e 1 sobremesa (bebidas à parte), num dos restaurantes aderentes (só em Lisboa são 93), alguns dos quais com preços normalmente proibitivos.
2.Mercado Gourmet Campo Pequeno
A realizar entre 7 e 9 de Março, das 11 às 21 h. Entrada 1 €, dedutível em compras (mínimo 8 €).

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Cozido n' A Commenda

Desafiado por um grupo de amigos, fui comer o cozido que A Commenda, o restaurante do CCB, serve aos Domingos. Por 25 € come-se um belo cozido (pareceu-me bem melhor do que há alguns anos atrás), a que acresce o couver, bufete de entradas e de sobremesas, e o café.
Foi mais uma boa sessão vínica, tendo desfilado no decorrer do almoço:
.Borges Verdelho 20 Anos (da minha garrafeira) - ostenta a medalha de ouro atribuida no International Wine Challenge; nariz exuberante, frutos secos, notas de iodo, caril e brandy, acidez equilibrada, volume de boca e persistência final. Bebido no início e final da refeição. Excelente relação preço/qualidade. Nota 18.
.Qtª dos Abibes 2009 (levado pelo Raul Matos) - enologia do Osvaldo Amado; 100% T.Nacional, uma pequena produção (apenas 3100 garrafas) que estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; a Touriga não está muito evidente, mas tem boa acidez, estrutura e final de boca; em forma mais 6/7 anos. Nota 17.
.Vinha Othon Reserva 2009 em magnum (levado pelo João Quintela) - com base nas castas T.Nacional, Jaen e T.Roriz de vinhas velhas, tendo estagiado em cascos de carvalho francês (o contra rótulo não refere o tempo de estágio); nariz exuberante, elegante e equilibrado, boa acidez, taninos bem evidentes sem agressividade, volume e apreciável final de boca; aguenta bem mais 9/10 anos. Nota 18.
.Artur Barros e Sousa Moscatel, engarrafado em 1997 (da garrafeira do Raul) - aroma exuberante e muito complexo, embora a casta não esteja muito evidente, frutos secos, citrinos, algum vinagrinho, taninos vigorosos, grande volume de boca e final interminável. Um grande Madeira! Nota 19.
A Commenda, que conquistou 1 Garfo no concurso Lisboa à Prova 2013, tem uma situação privilegiada e um serviço de vinhos muito profissional.
Obrigado João e Raul pelo desafio!

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Borbulhas na Champanheria do Largo

Os militantes de vinhos com borbulhas, sejam espumantes ou champanhes, têm agora uma boa oportunidade de rumar ao Largo da Anunciada, onde abriu recentemente a Champanheria do Largo, quase em frente do clássico Solar dos Presuntos. O ambiente é simpático, as mesas afastadas umas das outras, mas despojadas e com guardanapos de papel, o que vai estando na moda, mas é uma menos valia.
A ementa, desenhada pela promissora chefe Marlene Vieira, que tem poiso no restaurante Avenue, para além do prato do dia, contempla uma série de petiscos, 9 pratos de marisco, 5 de peixe e 10 de carne.
Quanto a vinhos, o ponto forte são as borbulhas, com 6 espumantes (todos a copo) e 22 champanhes (apenas 2 a copo). Imperdoável é não contemplar nenhuma referência da imensa variedade da marca Murganheira. Ó senhores da Champanheria, acrescentem lá a Murganheira, para não ficarem mal na fotografia! Há ainda Chamgrias, Champirinhas e cocktails de champanhe. Os vinhos tranquilos são representados por 8 brancos (5 a copo) e 7 tintos (3 a copo). Os preços poderiam ser mais acessíveis.
Optei por beber, a copo, um espumante francês da Borgonha  e um tinto tranquilo:
.Veuve Ambal Rosé (4,50 €) - bolha fina, boa acidez e final de boca. Muito agradável, acompanhou a entrada, pirolitos de lula com maionese de coentrada, a fazerem lembrar os pirolitos do Gspot. Nota 16.
.Qtª Casa Amarela 2011 (5 € !?) - nariz exuberante, muito frutado, acidez equilibrada, taninos evidentes mas civilizados, apreciável volume de boca.Gastronómico aguentou-se bem com o prato do dia, um excelente robalo com açorda de camarão. Nota 16,5+.
As garrafas vieram à mesa e os vinhos dados a provar. Foram servidos, a olho, em bons copos Schott. A quantidade recomendada (13 cl), é manifestamente insuficiente, mas a pedido serviram-me mais um pouco. As temperaturas de serviço são controladas, mas a dos tintos deveria ser um pouco mais baixa. Serviço, de um modo geral, eficiente e simático.
Em conclusão, um espaço muito recomendável, com a esperança que as questões apontadas sejam corrigidas.


terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Almoço com Vinhos da Madeira (12ª sessão)

Esta 22ª sessão, a 1ª de 2014, juntou o núcleo duro dos Madeiras no restaurante principal do Corte Inglês. Foram provados e bebidos 2 brancos (Qtª dos Carvalhais Encruzado 2012 e Villa Oliveira Encruzado 2011, levados pelo José Rosa), 3 tintos (Batuta 2005, da minha garrafeira; Dona Berta Reserva Vinhas Velhas 2005, levado pelo Juca; e Ferreirinha Reserva Especial 2003, pelo Alfredo Penetra). De um modo geral, portaram-se bem, evidenciando-se o Reserva Especial, ainda cheio de saúde (apesar do ano) e longe da reforma.
Quanto aos fortificados, sempre o ponto forte e mais esperado destes nossos encontros, tivemos a oportunidade de apreciar 2 Porto Vintage (da garrafeira do Adelino de Sousa), um Bual (do João Quintala) e um Malvasia (do Modesto Pereira):
.Fonseca Vintage 1997 - exuberante, ainda com muita fruta, taninos bem presentes, mas civilizados, apreciável volume de boca e final longo. Nota 18.
.Qtª do Noval Vintage 1958 (engarrafado em Inglaterra pela firma Corney Barrow) - visual brilhante,  nariz complexo, frutos secos, notas de mel, potência de boca e final interminável; perfil com algumas semelhanças com tawnies muito velhos. Nota 18,5.
.Borges Bual 1977 - muito turvo, nariz discreto, toque metálico, estrutura mediana, mas bom final de boca. Alguma desilusão com este Madeira. Nota 16,5.
.Artur Barros e Sousa Malvasia 1986 - nariz exuberante, vinagrinho, notas de caril e brandy, boca poderosa e final longo; todo ele muito equilibrado. Uma boa surpresa. Nota 18,5.
A propósito deste Artur Barros e Sousa (ABS), foi com muita mágoa que soubemos que esta empresa centenária foi encerrada. Fundada em 1890, era gerida pelos irmãos Artur e Edmundo (a 4ª geração) e produzia anualmente entre 8000 e 10000 litros. Como ponto de honra, assumiam ser a única empresa cujo vinho era produzido pelo processo de canteiro, rejeitando a estufagem, método mais célere e menos dispendioso. Chegaram a dizer que pagariam 1000 £, a quem provasse que o processo de maturação não fosse o de canteiro.
Ficámos todos mais pobres, com a saída de cena desta empresa familiar. E ficamos com a obrigação de tratar como relíquias, os vinhos ABS que tivermos nas nossas garrafeiras.
Em conclusão, foi mais uma grande sessão de convívio, beberes e comeres (o nosso obrigado ao Adelino que levou um belíssimo queijo da Serra, de Fornos de Algodres). Resta acrescentar, que o serviço de vinhos teve nota alta, como é habitual neste espaço de restauração. 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Curtas (XXIV)

1.Sandra T. Silva e Jorge S. Borges: ainda não foi desta...
Questionava eu, a propósito de a Wine Spectator ter pontuado o Pintas 2011 com 98 pontos, a nota mais alta dada a um vinho de mesa/consumo português, desde sempre, em crónica publicada em 28/1/2014, "Pintas 2011: será desta vez?", se seria, finalmente, feita justiça a este casal de inquestionável competência profissional, no mundo do vinho. Eles tiveram, até 2011, num balanço feito por mim, aos 15 anos de prémios da Revista de Vinhos (RV), 6 prémios Excelência em conjunto, 4 a Sandra e 2 o Jorge, a solo. Acrescem, os prémios recebidos em 2012 e 2013, 2 em conjunto (Qtª da Manoella Vinhas Velhas 2010 e 2011) e 1 a solo (CH by Chocapalha 2009). Entre 2001 e 2013, obtiveram 15 Excelências, o que, pelos vistos, é curto para terem direito ao reconhecimento de enólogos do ano!
São os desígnios insondáveis da RV...
2.Ainda os 50 anos
Só depois de ter publicado, em 28/1/2014, a crónica "Comemorar os 50 anos (versão 2014)", é que tive a ocasião de passar pelo Solar do Vinho do Porto, para perguntar quais as marcas e preços dos Porto 1964.
Zero, foi a resposta! E, já agora, que Porto Vintage 2011, um ano de excepção, têm os senhores? A resposta foi a mesma: zero!
Andam os turistas a querer provar vinhos de 2011, e estes senhores não têm. Francamente, deixem de ser burocratas!
   


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Almoço no Tomo


Começo por dizer que o ambiente deste restaurante, demasiado informal, tipo café de bairro e mesas despojadas, não condiz minimamente com o prestígio e fama da sua cozinha, conquistados há já uma série de anos.
Quanto à comida, pode optar-se por 9 menús de almoço ou à lista. Nesta última visita decidi-me por um dos menús de almoço, o Tempura Tei, à base de vegetais e marisco fritos. Custa 16,50 € e, para além do prato principal, dá direito ao couver e sopa. Confesso que saí do Tomo algo frustrado. Acredito que quem saia em estado de graça, tenha optado por algum menú de degustação, a troco de algumas dezenas de euros.
Mesmo bom, foi a sobremesa especial, um "pijaminha" com bolo de castanha, bolo de arroz e gelado com macaron. É cara (7 €), mas dá para partilhar.
Mas, o que verdadeiramente me surpreendeu, foi a lista de vinhos, uma grande e criteriosa selecção, tudo datado, a preços muito acessíveis, embora um ou outro, dos mais badalados, tenha preços proibitivos.
Inventariei 9 espumantes, 43 brancos, 97 tintos e 28 referências de Saké. A copo, apenas os vinhos da casa.
Bebeu-se o branco Dona Berta Creoula Rabigato Reserva 2011 (18 €) - aromático, acidez equilibrada, madeira bem integrada, alguma gordura e volume, bom final de boca e gastronómico. Nota 17,5.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Grupo dos 3 (36ª sessão)

Neste primeiro encontro de 2014, foi a vez do Juca  pôr na mesa vinhos da sua garrafeira. Escolheu o restaurante da Ordem dos Engenheiros que, naquele dia, estava a rebentar pelas costuras. Daí um ambiente barulhento, nada favorável para quem goste de estar concentrado a provar bons vinhos. É a vida!
Desfilaram:
.Esporão Private Seleccion 2010 branco (com o rótulo pintado por Rui Sanches) - estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês; fruta tropical madura, algum floral, acidez no ponto, gordura, volume de boca, bom final; típico vinho de outono/inverno; muito gastronómico e está no ponto para ser bebido. Nota 17,5+.
.Noval 2005 - nariz complexo e exuberante, fruta ainda presente, frescura e acidez q.b., especiado, grande volume de boca e persistência final; ainda longe da reforma. O Douro no seu melhor! Nota 18,5.
Maridou muito bem com umas excelentes costoletas de borrego.
.Niepoort Colheita 1996 - proveniente de um lote especialmente engarrafado para o 10º aniversário das CAV; neste momento está demasiado evoluído, nariz discreto, volume médio e final curto. O elo mais fraco do almoço. Nota 15,5 (a componente afectiva pesou).
A propósito do envolvimento da Niepoort com as CAV, quando das comemorações do 10º aniversário,  passo a referir aquilo que o Dirk e a mana Verena escreveram na brochura editada nessa ocasião:
"O projecto Coisas do Arco do Vinho celebra 10 anos. Na verdade deviam ser 11 ou 12 ou talvez mais pois o trabalho de preparação de Francisco Barão da Cunha e José Oliveira Azevedo começou muito antes da inauguração da loja. Fiquei impressionado com o incansável investimento no conhecimento da realidade vitivinícola, dos produtores, das distribuidoras, criando assim, passo a passo, uma base sólida e profissional. Hoje, o sucesso do projecto Coisas do Arco do Vinho poderá parecer sorte... A sorte dá muito trabalho...".
Perdoem-me a imodéstia, mas não resisti a contar mais um episódio da história das CAV.
Voltando ao almoço, apesar dos condicionalismos já referidos, é sempre um prazer provar vinhos com estes amigos.
Obrigado, Juca!

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Jantar Álvaro de Castro

Mais um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, em parceria com o restaurante As Colunas. Já ultrapassou a trintena (foi o 31º), mas tarda o reconhecimento desta postura da Néctar das Avenidas. Espero, sinceramente, que a Revista de Vinhos e a Wine, lhe dediquem, em breve, algum espaço. Este evento contou com a presença do produtor Álvaro de Castro, um desalinhado no mundo do vinho que dispensa apresentações.
Já conheço o Álvaro de Castro há uma série de anos e sempre tivemos (o Juca e eu) as melhores relações institucionais e de franca amizade. Mais: estivemos e acompanhámos, de algum modo, a gestação do Dado (actualmente a dar pelo nome de Doda), ao juntarmos o Álvaro com o Dirk (outro desalinhado e amigo nosso), num dos jantares organizados pelas CAV. Aí germinou a idéia de um vinho em conjunto, com um lote do Dão e outro do Douro.
Voltando ao jantar, desfilaram:
.Qtª de Saes Reserva 2012 branco - com base nas castas Bical, Encruzado e Cerceal, sem estágio em madeira; aromático, presença de citrinos, fresco e mineral, algum volume e bom final de boca. Nota 17.
Ligou bem com os bolinhos de bacalhau.
.Qtª de Saes Estágio Prolongado 2010 - proveniente de vinhas velhas; frutos vermelhos, acidez no ponto, taninos presentes, alguma rusticidade e volume de boca. Nota 17+.
Não casou bem com a bruschetta de bacalhau.
.Pelada Vinhas Velhas 2003 - mais conhecido pela mulher nua; nariz com vivacidade, boa acidez e frescura, especiado, taninos presentes mas civilizados, estruturado e final longo; está ainda cheio de juventude e pode ser bebido nos próximos 9/10 anos. A surpresa da noite! Nota 18+.
Boa maridagem com o arroz de linguas de bacalhau.
.Qtª da Pellada 2011 - nariz exuberante, notas florais, fresco e elegante, harmonioso, taninos civilizados, volume e assinalável final de boca; gastronómico, em forma mais 10/12 anos. Nota 18.
Casou bem com os lombinhos de bacalhau no forno.
.Carrocel 2011 - acidez correcta, especiado, notas de chocolate e tabaco, algum fumado, taninos de veludo, algum volume e final de boca longo. Algo controverso, pareceu-me desenquadrado da região; era, sem dúvida, o mais internacional dos tintos apresentados. A 1ª garrafa foi servida a uma temperatura acima do recomendado, o que o prejudicou; portou-se muito melhor com a 2ª garrafa que vinha a uma temperatura correcta. Nota 18.
Fez companhia a um queijo da Serra.
Foi, ainda, servido um Moscatel Horácio Simões Bastardo 2010, uns furos abaixo do 2009, a acompanhar uma mousse de chocolate com avelã.
Serviço de vinhos a cargo da família Quintela e mais de uma centena de copos Riedel em cima da mesa.
Em conclusão, nota alta a este evento!

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Almoço na Casa de Pasto

Aberta recentemente e já muito badalada, a "Casa de Pasto" fica num 1º andar na R. São Paulo,20 (ao cais do Sodré), num antigo escritório que já tinha sido residência. Esta é uma das originalidades. As outras são o espaço, o menú e a lista de vinhos. Só pela decoração, de muito bom gosto, vale a pena subir uns tantos degraus. A "Casa de Pasto" é um espaço acolhedor, com as mesas guarnecidas com toalhas e guardanapos de papel, em contra-mão com a tendência actual de tudo ser reduzido ao mínimo dos mínimos. Resumindo, casa de pasto só no nome!
A mais valia deste novo restaurante é ter ido buscar o chefe Diogo Noronha, a comandar os tachos e responsável pelo menú, ao Pedro e o Lobo. Para além dos tradicionais peixes e carnes, podemos escolher entre 5 acepipes, 4 enchidos, 5 potagens, 8 pitéus, 7 braseiros e 10 guarnições. Nesta 1ª visita optei por croquete de frango e rissol de berbigão (2 € cada), torrada de polvo com tomate e alho assado (4 €) e, ainda, pezinhos de porco em escabeche (3,50 €). Tudo delicioso e apresentado com originalidade.
Quanto a vinhos, inventariei (entre parêntesis a oferta a copo) 3 espumantes (2), 11 brancos (4), 15 tintos (2) e 1 rosé (1) que, em geral, têm bons preços. Não dei fé de vinhos fortificados, mas admito que tenham.
Bebi um copo de Qtª das Hidrângeas Reserva 2009 (4 €) - ainda com muita fruta, alguma complexidade, especiado, acidez no ponto, bom volume e final de boca. Uma boa surpresa. Nota 17.
A garrafa veio à mesa, o vinho dado a provar a uma temperatura correcta, servido a olho em quantidade generosa. Confesso que não gostei nada do copo, mas saí de lá com a convicção que este "problema" ia ser resolvido oportunamente.
Serviço eficiente e profissional, mas também simpático. Recomendo vivamente e tenciono voltar. Um senão: a música de fundo, para o meu gosto, estava demasiado alta.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Crónicas em atraso, uma vez mais

Por todas e variadas razões, não consigo ter o blogue em dia. Fazer o ponto de situação, obriga-me a cumprir a publicação das crónicas em atraso, mais dia, menos dia. Para que não caiam no esquecimento.
.CAV: viveiro de enófilos (mais uma vez adiada)
.Almoço na Casa de Pasto
.Grupo dos 3 (36ª sessão)
.Jantar Álvaro de Castro
.Almoço com Vinhos da Madeira (12ª sessão)
.Cozido na Commenda
.Curtas (XXIV), que poderá englobar: Tomo, DeCastro e Champanheria do Largo
.e algo mais, que não me ocorre de momento

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Curtas (XXIII)

1.Tratado do Petisco
Saíu em finais do ano passado este "Tratado do Petisco e das grandes maravilhas da cozinha nacional", da autoria de Virgílio Nogueiro Gomes, professor e investigador na área da História da Alimentação, mas também gastrónomo e autor do site www.virgiliogomes.com (tenho um link para lá). Com prefácios da Maria de Lourdes Modesto e da Simonetta Luz Afonso, o livro dedica-se a "Petiscos, entradas e pão", "Sopas e caldos", "Açordas, migas e ovos", "Peixes, mariscos e caldeiradas", "Bacalhau, polvo e moluscos", "Arroz e feijoadas", "Carnes" e "Doçaria". Todos os capítulos acabam com um apelo a que se acompanhem as iguarias indicadas com um bom vinho. Para ler e chorar por mais...
À atenção dos gastrónomos.
2.Novamente o Oito Dezoito
O director do semanário Sol deve ter lido a minha crónica "Oito Dezoito revisitado", publicada em 25/8/2011. Em recente visita, constatei que, finalmente, os preços dos vinhos a copo já constam na carta de vinhos, embora os anos de colheita continuem omissos. Também verifiquei que os 2 equipamentos de controlo de temperatura e da quantidade servida (1 para brancos e outro para tintos), com capacidade para 8 garrafas cada, só continham 6.
Continua o menú de almoço a 8 €, com direito ao prato do dia, bebida (água?) e café, o que é barato. O prato era risoto de bacalhau, que vinha com sete espinhas! A minha mulher teve direito a 4. Convenhamos que 11 espinhas em 2 pratos, revela desatenção ou incompetência na cozinha.
Bebi um copo (4,50 €) de Qtª da Foz T. Nacional 2008 (?), segundo informação do empregado, que se mostrou apelativo, com muita fruta, mas um tanto rústico. Nota 16,5. O copo já vem servido e não há hipótese de se ver a garrafa. Este espaço tem afixado um diploma da ViniPortugal.
Música alta e serviço desatento. A evitar, absolutamente.
3.Baía do Peixe
No 1º andar do restaurante Baía do Peixe (Av. Dom Carlos I, nº 6, a caminho da Cidadela), pode-se comer rodízio de peixe a 13,90 €, com direito a sopa de peixe, 5 variedades de peixe (pregado, lulas, robalo, salmão e garoupa) que vão chegando à mesa e, ainda, sobremesa (a escolher da carta). Mais: tem uma vista deslumbrante para a baía de Cascais. É um achado. O único problema é que o rodízio se mantém inalterável ao longo do ano. Logo, não dá para ir muitas vezes.
A lista de vinhos é rotineira e sem os anos de colheita. Vinho a copo, nem devem saber como funciona. Bebeu-se uma meia garrafa de Tavedo 2012 branco (5,80 €) - nariz neutro, melhor na boca, presença de citrinos, acidez correcta, alguma gordura, volume médio e final curto. Nota 14,5+.
Serviço eficiente e simpático. Recomendo e tenciono voltar.