quinta-feira, 27 de março de 2014

Petiscos em Lisboa (XIV): A Travessa do Fado

Já há muito tempo que não visitava um espaço, em Lisboa, que apostasse na petisqueira de qualidade. Calhou a vez ao restaurante do Museu do Fado, situado no Largo do Terreiro do Trigo, em Alfama, onde se pode petiscar antes ou depois de uma visita ao mesmo, numa das 2 esplanadas ou no interior. Mas também se pode ir, sem visitar o Museu, excepto 2ª e 3ª feira, dias de encerramento.
A Travessa do Fado é explorada pela belga VivianeDurieu e o "tuga" António Moita, donos do restaurante A Travessa, instalado no Convento das Bernardas. Começaram num outro espaço, ali bem perto, que cheguei a frequentar, onde as "moules" eram o ex-libris da casa. Mais tarde tiveram uma experiência (falhada) no Terreiro do Paço, antes da época da saudosa Júlia Vinagre.
Quanto a comeres, há uma boa oferta de petiscos/entradas. Das 15 referências, escolhi uns deliciosos peixinhos da horta, bolinha de alheira, croquetes de carnes bravas e um polvinho à Convento, tenro e saborosíssimo.
Quanto à carta de vinhos, pouco interessante, inventariei 10 brancos (3 a copo), 12 tintos (4), 1 rosé (1) e 3 Portos (2).
Bebi o branco Ponto e Vírgula 2012, do Monte do Álamo - neutro no nariz, plano na boca, déficite de acidez, desaparece do palato num instante. Só serve para empurrar a comida. Nota 12,5. A garrafa veio à mesa, o vinho foi servido num copo foleiro (o dos tintos, pareceu-me menos mau), a quantidade era ridícula e não foi dado a provar. Pedi um pouco mais, tendo-me sido cobrado 2 copos. Aparentemente o preço do copo era bom (3,50 €), mas assim acabou por ficar bastante caro.
Em conclusão, a qualidade do espaço e da petisqueira não mereciam um serviço de vinhos tão mau. Não tenciono voltar e não recomendo aos enófilos.

terça-feira, 25 de março de 2014

Curtas (XXVI)

1.Prova de vinhos da Real Companhia Velha (RCV)
Com a presença do Jorge Moreira, director de enologia da RCV, cerca de 30 vinhos desta empresa estiveram à prova no Chafariz do Vinho. Sem qualquer rigidez, os enófilos convidados, à medida que iam chegando, provavam os vinhos que queriam.
Destes 30, apenas provei 13, tendo seleccionado aqueles que, à partida, mais me despertavam a curiosidade:  6 brancos (Séries Arinto 2012, Qtª do Cidrô Alvarinho 2013, o Semillon do mesmo ano, o Chardonnay 2012, o Carvalhas do mesmo ano e, ainda, o Grandjó Late Harvest 2008), 4 tintos (Qtª do Cidrô Pinot Noir 2008, Carvalhas Vinhas Velhas 2011, o Tinta Francisca do mesmo ano e Qtª dos Aciprestes Grande Reserva,também de 2011) e 3 fortificados (Royal Oporto 40 Anos, Colheitas 1980 e 1976).
E os vencedores foram: Carvalhas 2012 branco, Carvalhas Vinhas Velhas 2011 e o Colheita 1976 (engarrafado em 2010)! 
2.Casa de Pasto revisitada
Curiosamente voltei à Casa de Pasto, na semana em que o José Quitério escreveu, no Expresso, sobre este mesmo espaço (e só foram elogios...).
A gastronomia continua em alta, tendo provado, desta vez, rissol de berbigão, migas de ostras, cebolas glaceadas e um excelente xerém de lingueirão (ou não fosse o chefe, algarvio de gema). Acompanhei estas iguarias com o espumante Murganheira Bruto Rosé, que se portou muito bem ao longo de toda a refeição.
Em contra partida, a música de fundo continua alta e os copos continuam os mesmos, isto é, maus. Promessa não cumprida (ver a crónica "Almoço na Casa de Pasto", publicada em 4/2/2014).
3.Peixe em Liboa
Começa já no dia 3 deAbril e prolonga-se até a 13, sempre no Pátio da Galé. Entre chefes e restaurantes, vão estar presentes o Arola (Sergi Arola), Assinatura (Vitor Areias), Avenue (Marlene Vieira), Bica do Sapato (Alexandre Silva), Claro! (Vitor Claro), José Avillez, O Nobre (Justa Nobre), Ribamar (Helder Chagas), Umai (Paulo Morais) e Tasca/Cervejaria da Esquina (Vitor Sobral).
Programa aliciante de visita obrigatória!

quinta-feira, 20 de março de 2014

Novo Formato+ (15ª sessão)

Reiniciadas as provas com este grupo de enófilos, foi a vez do casal Ana Maria/Alfredo Penetra que escolheu a cantina dos empregados do Banco de Portugal, situada na Quinta da Fonte Santa e explorada pelo restaurante Tacho da Memória, em Odivelas. Nos tachos impera o Filipe Marques, que também dá uma mão na sala, ajudando a Vanessa, sua mulher. Boa gastronomia e serviço impecável.
O Alfredo pôs na mesa 2 brancos de 2010, 2 tintos de 2008, 1 tawny e 1 moscatel. Ei-los:
.Pai Abel - nariz discreto, presença de citrinos, acidez q.b., alguma mineralidade, estrutura média e final algo curto. Desiludio, pois mostrou-se aquém de outras garrafas provadas anteriormente. Ligou bem com a salada e não tanto com a garoupa. Nota 16,5+ (noutras situações 18/17,5+/17,5).
.Soalheiro Reserva Alvarinho  - aroma mais intenso, alguma gordura, acidez no ponto, maior volume e final de boca. Pede pratos mais elaborados, logo casou bem com a garoupa e menos com a salada. A alguma distância dos Reservas 2007 e 2008. Nota 17,5 (noutras 17+/17,5).
Estes brancos acompanharam a entrada (massa filo com vieiras, camarões e verduras, em vinagreta de coentros) e o prato de peixe (lombo de garoupa cozinhado em vapor, em cama de puré de curgetes e cebola roxa).
.Qtª da Gaivosa - com base em vinhas velhas; nariz discreto, notas florais, fresco e elegante, excelente acidez, harmonioso, estrutura e final longo; estilo borgonhês. Está no ponto óptimo, mas aguenta bem mais 7/8 anos. Nota 18,5.
.Esporão Private Seleccion Garrafeira - estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês e mais 18 meses em garrafa; nariz mais exuberante, côr retinta, frutos vermelhos, boca potente e bom final; mais imediato, contrasta com o anterior. Bom para beber agora, não vale a pena guardá-lo muito mais tempo. Nota 17,5 (noutras 17,5+/18).
Os 2 tintos fizeram companhia a presas de porco preto grelhadas com migas de favas.
.Noval 20 Anos (sem data de engarrafamento visível) - muito turvo, nariz inexpressivo, acidez equilibrada, volume e final médios. Alguma desilusão, está uns furos abaixo de outra garrafa por mim provada há 1 ano e tal. Nota 16,5.
.Moscatel do Douro Secret Spot 40 Anos - nariz discreto, frutos secos, citrinos, acidez no ponto, alguma gordura, volume e bom final de boca. Estava à espera de um pouco mais, se comparada com outras garrafas (ou era eu que estava distraído e este vinho passou-me um bocado ao lado?). Nota 17,5+ (noutras 19/18,5+).
Estes fortificados acompanharam brownie de chocolate com gelado de morango.
Em conclusão, mais uma boa jornada de convívio, comeres e beberes. Obrigado Ana Maria e Alfredo!

terça-feira, 18 de março de 2014

Lisboa Restaurant Wek (II)

O 2º restaurante visitado, no âmbito desta edição do LRW, foi o Nobre, que também dá pelo nome de Spazio Buondi ou Justa Nobre. No passado, já tinha frequentado o 1º Nobre (em Belém) ou a aventura petisqueira no Parque das Nações. Não conhecia este espaço na Av. Sacadura Cabral, nem cheguei a visitar a versão cacilheiro ou a do Montijo.
Voltando ao espaço actual, arejado e luminoso, a ementa disponível constava de sopa de santola, o ex-libris da casa, saborosíssima e bem apresentada na casca da dita, lombinhos de peixe porco em crôsta de amêndoas e jardineira de marisco (que não vislumbrei) e, ainda, parfait de amêndoas com creme de baunilha. No final, com o café, oferecem mini pasteis de nata (não provados). Serviço, em geral, eficiente.
Quanto a vinhos, surrealismo puro. Logo que me sentei, indaguei pela oferta de vinhos a copo, tendo-me sido dito verbalmente a disponibilidade de 2 ou 3, esclarecendo que a lista estava em reestruturação e estaria pronta só lá para o final do mês. Afinal constatei que não era bem assim, pois, à saída, tive acesso à lista de vinhos que incluia, a copo, 12 referências de branco e outras tantas de tinto. Pareceu-me bem desenhada, mas a preços pouco amigáveis e sem os anos de colheita, o que, num espaço como este, é indesculpável.
Escolhi o branco Ribeiro Santo 2012 - nariz discreto, fresco, mineral, presença de citrinos, final seco; gastronómico, acompanhou bem a refeição. Nota 16.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar, servido num bom copo, a olho e de sopetão. Se fosse tinto, lá ficava a toalha toda manchada. Note-se que o Nobre está bem apetrechado para o serviço de tintos, pois possui decantadores e armários térmicos para contolo da temperatura.
Em conclusão, a sopa de santola valeu a visita, mas confesso que toda aquela conversa à volta da lista  e dos vinhos a copo, me retirou a vontade de lá voltar.

sábado, 15 de março de 2014

Lisboa Restaurant Week (I)

Mais uma edição do Lisboa Restaurant Week (LRW), uma oportunidade para se conhecerem alguns dos espaços de restauração que, no dia a dia, estão afastados das nossas bolsas. Fui conhecer o restaurante do Hotel Tivoli Palácio de Seteais, objecto desta 1ª crónica, e, também, o Nobre, a referir posteriormente.
Foi de facto a grande oportunidade de comer num espaço requintado, quase luxuoso, mesas bem aparelhadas com loiça da Vista Alegre, serviço simpático e profissional, tudo isto a troco de 19 + 1 €.Se servida à carta, esta refeição (entrada, prato e sobremesa) teria custado 38 €, fora as alcavalas. E é aqui, nos extras, que eles se vingam (o café, por exemplo, a 3,50 € !).
A cozinha, muito segura, está nas mãos do chefe António Santos. Comi filete de cavala sobre puré de tremoço e rebentos frescos, secretos de porco grelhados com cebola roxa, polenta e salada romana e, ainda, azevia de maracujá roxo com sorvete de lima. Estava tudo com qualidade e bem apresentado, excepto o puré de tremoço, excessivamente salgado.
A lista de vinhos, desenhada pelo Anibal Coutinho, estava bem estruturada e contemplava umas tantas novidades, alguns ícones e uma dúzia a copo. Só que os preços praticados são demenciais!
Bebi um desconhecido tinto do Douro S. Miguel 2010 (6,50 €, uma exorbitância!) - fresco, algo rústico, notas florais e descomplicado de todo. Nota 15. A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo Schott, uma generosa quantidade servida a olho e a uma temperatura aceitável.
No final do repasto, uma simpática oferta de um copo de Ginja de Óbidos.
Resumindo, uma refeição de luxo, que seria perfeita não fosse o café a 3,50 € !

quarta-feira, 12 de março de 2014

CAV : um viveiro de enófilos - um alerta

Um alerta aos seguidores deste blogue: a crónica original foi alterada, pois tinha omitido alguns enófilos que mereciam ser mencionados, como é o caso do Francisco Esteves (actualizado hoje) e do casal Luisa Corbal e Artur Hermenegildo (actualizado ontem). Injustiça reparada!
Quem leu a versão original é convidado a ler a definitiva (por enquanto...).

terça-feira, 11 de março de 2014

Coisas do Arco do Vinho (CAV) : um viveiro de enófilos

Há muito prometida esta crónica sobre os enófilos que, de certo modo e uns mais que outros, cresceram connosco nos bons velhos tempos das CAV, ainda não tinha visto a luz do dia. Por lhes reconhecermos paixão pelo mundo do vinho e competência/qualidade como provadores, convidámo-los para fazerem parte do painel de prova das CAV. Eram todos clientes e enófilos militantes, a maior parte dos quais se veio a profissionalizar.
Os primeiros a dar esse passo, foram o Rui Falcão e o Pedro Gomes, ao publicarem com o Tiago Teles o "Guia 2004 de Vinhos Portugueses & Estrangeiros", ainda debaixo da capa da equipa Os5às8 (tenho, na minha biblioteca, um exemplar assinado pelos 3, uma simpática oferta dos autores).
 Mais tarde, o Rui Falcão iniciou a sua carreira a solo, integrando a equipa da Wine, colabora com o jornal Público e tem um blogue com o seu nome. Teve uma entrada fulgurante no mundo do vinho, já fez parte de juris internacionais e perfila-se como o sucessor natural do João Paulo Martins.
O Pedro Gomes, pelo seu lado, arrancou com o projecto "NovaCrítica-vinho", transformado recentemente em "NovaCrítica-vinho & gastronomia" e abraçou uma carreira de formador, na área dos vinhos. É autor de "A região demarcada de Bucelas: até quando...em pousio?", tese de licenciatura em Políticas Agrárias C.E.E..  
Anos mais tarde, outro fundador da equipa Os5às8, o João Quintela, apoiado pela família, abriu a Garrafeira Néctar das Avenidas e, em pouco tempo, organizou dezenas de jantares vínicos, provas e visitas a produtores. Faz parte do núcleo duro dos Vinhos da Madeira e consideramo-lo (o Juca e eu) o nosso herdeiro espiritual.
O Nuno Garcia, autor do blogue "Saca a Rolha" (tenho um link para lá), passou, há cerca de 1 ano, a fazer parte da redacção da Revista de Vinhos, onde já se publicaram crónicas da sua autoria. Esteve, a solo e em equipa, nalguns paineis organizados no último Encontro Vinhos e Sabores.
Não tendo (ainda) enveredado pela via profissional, é de toda a justiça destacar:
.o Rui Miguel, autor do conhecido blogue "Pingas no Copo", entusiasta, divulgador e militante dos vinhos do Dão, a solo ou em parceria com o Miguel Pereira, responsável pelo blogue "Pinga Amor". O Rui Miguel foi, ainda fundador do grupo Núcleo Duro (em parceria com o Jorge Sousa), do qual cheguei a fazer parte  durante alguns anos.
.o Francisco Esteves, autor do livro "Vinhos do Douro" (ed. Colares Editora), um trabalho de fôlego e 500 páginas de  informação sobre quintas e vinhos do Douro, ostensivamente ignorado pelas revistas da especialidade e omitido na página "Vinhos" que se publica semanalmente no Expresso.
.a Paula Costa, militante de vinhos de longa data e cofundadora da equipa Os5às8, chegou a ser distinguida pelas CAV num dos jantares "Vinhos no Feminino", a par de outras mulheres que se destacaram no mundo do vinho.
.a Luisa Corbal e o Artur Hermenegildo, um simpático casal de gastrónomos e enófilos, que intervêm de quando em vez no seu blogue "A Assinalar".
Não é de mais referir que todos os enófilos aqui citados (com excepção do Tiago Teles) pertenceram ao painel de prova das CAV, que chegou a internacionalizar-se com a presença de um finlandês (radicado em Portugal e professor no IST) e de um inglês (assessor da Embaixada Britânica).
Promessa, finalmente, cumprida!

domingo, 9 de março de 2014

Grupo dos 3 (37ª sessão): o Alentejo em alta

Foi a 37ª sessão deste núcleo duro e a 13ª da minha responsabilidade e com vinhos da minha garrafeira. Escolhi um restaurante já aqui referido este ano (ver "1300 Taberna revisitada", crónica publicada em 26/1/2014), situado na Lx Factory. No serviço de vinhos, contámos com o apoio profissional do escanção Rodolfo Tristão. O menú foi da responsabilidade do chefe Nuno Barros, o dono deste espaço, que simpaticamente veio à  mesa e trocado impressões connosco.
 A prova, como é habitual, foi às cegas, tendo desfilado 1 branco de Lisboa, praticamente desconhecido, 2 tintos alentejanos da colheita 2007 e um Madeira da empresa artesanal Artur Barros e Sousa, recentemente extinta:
.Qtª do Gradil Reserva 2010 (oferta desta Quinta, ver "Visita à Quinta do Gradil" em 2/7/2013) - com base nas castas Chardonnay (70%) e Arinto (30%); abaunilhado, acidez no ponto, madeira bem integrada, alguma gordura, volume e final longo; gastronómico. Nota 17,5.
Ligou muito bem com a barriga de atum, feijão frade e abacate.
.Mouchão - com base na Alicante Bouschet; aroma intenso, fresco, boa acidez, taninos suaves, surpreendentemente elegante e sofisticado, final longo. Tem estrutura para aguentar bem mais 5/6 anos. Nota 18.
.Zambujeiro - a partir das castas T.Nacional, Alicante e Aragonês, estagiou 24 meses em barricas de carvalho francês; ainda com muita fruta, acidez equilibrada, especiado, taninos algo musculados, grande volume e final muito longo. A beber nos próximos 4/5 anos. Nota 18,5.
Os tintos fizeram boa companhia a um excelente lombinho e barriga de porco, bolinhos de batata e molho de mostarda.
A prova destes alentejanos vai ficar na história deste blogue: os meus parceiros, provadores mais que experimentados,  não acertaram na região, nem no ano (de facto, parecem muito mais jóvens). E eu, que sabia que vinhos eram, mas não onde estavam, troquei-lhes a identidade! E esta, hem?
.Solera Malvasia 1965 - nariz intenso, frutos secos, notas de iodo e caril, vinagrinho, boca potentíssima e final interminável. Raro e divinal. Quando saímos, o seu aroma ainda pairava por ali. A Madeira no seu melhor! Nota 19.
Fez um bom casamento com um belo bolo morno de pêra rocha, gelado e molho de caramelo.
Em conclusão, foi uma grande sessão de convívio, com nota alta para a gastronomia e serviço de vinhos. Atenção enófilos: é obrigatório conhecer este espaço!
  

sábado, 8 de março de 2014

Jantar Qtª da Casa Amarela

Mais um jantar organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, desta vez com a Qtª da Casa Amarela, representada pelo Gil Regueiro. O espaço escolhido foi o Guarda Real, restaurante do Real Palácio Hotel que, mais uma vez, praticou um exemplar serviço de vinhos.
Antes do jantar, o Gil Regueiro orientou uma prova vertical com vinhos Qtª da Casa Amarela Reserva (2000, 01, 03, 04, 05, 06, 07 e 08). Os participantes tiveram que ser desdobrados em 2 grupos, o que atirou o jantar, propriamente dito, para muito tarde. Dos vinhos provados, destaco o 2004 e o 2007, ainda longe da reforma. Quanto aos que menos me agradaram, estão o 2003 e o 2006 (este, se calhar, não merecia o título de Reserva).
Durante o repasto (torricado de lascas de bacalhau e costoletas de borrego braseadas, que estiveram em bom nível de qualidade), foram servidos:
.PL / LR Velho Mundo XI branco (um vinho de mesa de 2011, com um lote do Alentejo e outro do Douro; para os mais distraidos: PL = Paulo Laureano e LR = Laura Regueiro) - presença de citrinos, défice de acidez, alguma gordura, madeira bem integrada, bom volume de boca; gastronómico, maridou bem com o bacalhau. Nota 16,5. De referir, o contra rótulo, muito bem esgalhado, da autoria do António Barreto (primo da Laura).
.Reserva 2011 - com base nas castas T.Nacional, T.Franca e Tinta Roriz, estagiou em barricas de carvalho francês; alguma fruta, notas florais, acidez equilibrada, alguma rusticidade, volume e final médios. Ainda muito jóvem, há que esperar por ele. Nota 16,5+.
.Grande Reserva 2011 - com base nas mesmas castas, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; nariz exuberante, frutos vermelhos, especiado, acidez no ponto, taninos vibrantes, acentuado volume de boca e final longo. Um grande vinho, a ligar muito bem com as costoletas. Em boa forma  mais 6/7 anos. Nota 18.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Almoço no deCastro

O chefe Luis Castro e Silva abriu, recentemente, o seu espaço em Lisboa, onde a sua família se encontra em força. Na sala está a Graça Castro e Silva (sua mulher), na cozinha o Gonçalo Ribeiro (seu genro) e, na retaguarda a filha (não retive o nome). O deCastro fica na Rua Marcos Portugal,1 (à Praça das Flores), num espaço que já foi muita coisa, inclusivé onde nasceu o primeiro restaurante/wine bar, o Copo de Três. É um espaço acolhedor, com um ambiente janota, serviço eficiente e simpático.
O menú contempla 16 referências para picar, 9 pratos de peixe/marisco e outros tantos de carne.
Numa 1ª visita, comemos, à lista, fígados de frango, peixinhos da horta e costela mendinha; numa 2ª optámos pelo Menú de Degustação para 2 (40 €), com direito ao couver. Desfilaram, a bom ritmo, bacalhau fumado com vinagrete de tomate seco, peixinhos da horta com maionese de alho e limão, moelas em molho de tomate picante, iscas do cachaço de bacalhau, ovos mexidos com enchidos e pão frito, e, ainda, costela mendinha com arroz de forno. Comida saborosa, no geral, com excepção das moelas, algo desinteressantes. Quanto à costela mendinha, o ex-libris da casa, embora saborosa, fica prejudicada por forno a mais, o que a torna demasiado seca.
Quanto a vinhos, a carta é original e muito diferente do que se encontra na maioria dos restaurantes que conheço. Todos os vinhos têm o ano de colheita, tendo inventariado 2 espumantes (1 a copo), 11 brancos (4), 11 tintos (5), 2 rosés (1) e 7 Portos (5), a bons preços. Quanto a Madeiras e Moscateis, a oferta é nula. Um ponto a corrigir.
Quanto ao serviço de vinhos, a garrafa vem à mesa, mas o vinho não é dado a provar (não custava nada...), servido a olho em copo Schott, a boa temperatura. Bebi, a copo, vinhos com lotes escolhidos pelo Miguel Castro e Silva:
.Cassa 2011 branco (2,90 €) - aroma discreto, presença de citrinos, acidez no ponto, alguma gordura, volume e final médio; gastronómico. Nota 16.
.Rui Reguinga 2010 tinto (2,50 €) - fruta vermelha, acidez equilibrada, taninos presentes sem incomodar, assinalável volume de boca e boa persistência final. Nota 17.
Em conclusão, está-se bem no deCastro e sai-se com a carteira quase intacta. Aconselho e hei-de voltar.


terça-feira, 4 de março de 2014

Uma grande jornada com vinhos da Madeira e não só...

A Madeira Wine, com o apoio da Garrafeira Néctar das Avenidas, disponibilizou 5 dos seus vinhos Blandy para serem submetidos à prova por um núcleo duro, amante destas iguarias. A Madeira Wine estava representada pelo seu "sales manager" João Pedro Ghira. Participaram o João Quintela (organizador), Adelino de Sousa, Oliveira Azevedo (Juca), Alfredo Penetra, Raul Matos, Paula Costa, João Chedas, eu próprio e Fernando Alves (representante da Portefólio, a distribuidora da marca). O repasto teve lugar no Guarda Real, o restaurante do Real Palácio Hotel.
A concentração deste núcleo duro foi na Néctar das Avenidas, onde foi provada a garrafa nº 1268/2600 do Sercial 1998 (engarrafada em 2013). Simples e descomplicado, agradou sem entusiasmar. Bom para principiantes. Nota 16,5.
Já no Guarda Real, antes do repasto, provámos a garrafa nº 879/3000 do Verdelho 1998 (também engarrafado em 2013). Mais interessante que o Sercial, falta-lhe, no entanto, a patine do tempo. Nota 17.
Antes de chegarmos aos restantes Madeiras, foi a vez dos vinhos de mesa, que acompanharam as entradas e o prato principal, 2 brancos e 2 tintos:
.Herdade da Calada Baron de B 2012 (oferta do João Chedas) - com base na Antão Vaz, surpreendemente muito equilibrado, com a acidez a aguentar bem a madeira. Nota 17.
.Porta dos Cavaleiros Reserva Colheita Seleccionada 1979 em magnum (trazida pelo João Quintela) - ainda cheio de saúde este branco com mais de 30 anos, aroma complexo com fruta madura, notas florais e frutos secos, tudo à mistura, excelente acidez, alguma gordura, volume de boca e bom final. Surpreendente! Não é para principiantes. Nota 18.
.Vallado T. Nacional 2010 em magnum (oferta do João Chedas) - aroma discreto, fruta vermelha, acidez equilibrada, taninos presentes e boa persistência. Ainda muito jóvem, falta-lhe complexidade. Há que esperar. Nota 17,5+.
.Qtª Monte d' Oiro Ex-aequo 2007 em magnum (trazido pelo Raul) - mais complexo que o anterior, acidez equilibrada, elegância, final muito longo; ainda com muitos anos pela fente. Nota 18.
Com as sobremesas, avançaram os restantes Madeiras:
.Malvasia 1996 (engarrafado em 2011, era a nº 217/4000) - frutos secos, vinagrinho, notas de caril, alguma gordura, taninos presentes, volume de boca e bom final; parece ter mais idade, um perfil próximo da casta Bual  e algumas semelhanças com moscatéis velhos. Melhora se bebido num copo maior. Nota 18,5+.
.Terrantez 20 anos (já bebido noutras ocasiões) - frutos secos, vinagrinho, notas de iodo, taninos vigorosos e final muito longo. Nota 18.
.Bual 1969 (engarrafado em 2012, era a nº 1002/1542) - nariz complexo, vinagrinho, notas de iodo e brandy, alguma gordura, taninos presentes, volume de boca e grande final. Nota 18,5+.
Grande jornada, a trazer algumas boas surpresas, como foi o caso do branco Porta dos Cavaleiros e o Blandy's Malvasia 96.
Obrigado João Ghira e João Quintela, por esta oportunidade. Convidem-me sempre!




segunda-feira, 3 de março de 2014

Vinhos em família (XLIX)

Mais uma crónica à volta de 4 vinhos, sendo 2 provados em casa com a família e outros 2 com amigos (em restaurantes), com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega.
.Lavradores de Feitoria Edição Especial X Aniversário 2006 (oferta da Olga Martins, administradora dos Lavradores de Feitoria) - 100 % Tinto Cão; côr desmaiada, nariz contido, acidez no ponto, especiado, taninos de veludo e final longo; elegante e sofisticado. Beber nos próximos 2/3 anos. Nota 17,5.
.Churchill's Estates Grande Reserva 2007 (da minha garrafeira, mas bebido na Casa da Mó) - estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; nariz exuberante, notas florais, acidez q.b., taninos presentes mas não agressivos, volume de boca e persistência final. Em forma mais 4/5 anos. Nota 17,5+.
.H. O. (Horta Osório Wines) Reserva 2011 (oferta do restaurante 1º Direito) - enologia do João Brito e Cunha; vinificado a partir de vinhas velhas, estagiou 15 meses em barricas novas de carvalho francês; aroma afirmativo com forte componente de frutos vermelhos,  acidez no ponto, especiado, taninos suaves, apreciável volume e final de boca. Tem um perfil semelhante ao 2010, que, sem ser Reserva, mede-se bem com este. Nota 17,5+.
.Moscatel Roxo 20 Anos JMF (engarrafado em 1983) - frutos secos, citrinos, figos, notas de mel, boa acidez, alguma gordura, volume e grande final de boca. Uma raridade. Nota 18,5+.
Este Moscatel foi bebido em família, antecedido por uma garrafa de Primus 2009, já aqui referido na crónica "Novo Formato+ (11ª sessão)", e pela minha última garrafa de BOCA 2004, ainda em grande forma. Paz à sua alma!