sexta-feira, 30 de maio de 2014

O Mercado da Ribeira (reformulado) : os beberes

Reabriu, muito recentemente, o Mercado da Ribeira, parcialmente remodelado, graças ao empenhamento da revista Time Out. É, indiscutivelmente, uma aposta ganha. Já lá estive por 2 vezes e tenciono voltar muitas mais. Começarei pelos beberes, deixando os comeres para outras crónicas.
Onde se pode provar/beber vinho, a copo (15 cl) ou em garrafa, para além dos cerca de 20 espaços gastronómicos?
.Esporão - 14 a copo (de 2 a 6 €)
.João Portugal Ramos - também 14 vinhos de mesa/consumo, acrescidos de 1 LBV e 1 Vintage (2 a 4,50 €); nesta banca, o cliente pode criar o seu próprio lote, a partir de 4 monocastas Vila Santa (3,50 €). Achei curiosa esta modalidade e tenciono fazer a experiência.
.O Bar da Odete (Odete Cascais, crítica de vinhos da Time Out) - 8 a copo (não tomei nota dos preços)
.Manteigaria Silva - 10 a copo (mas com os tintos à temperatura ambiente, senhores!)
.Garrafeira Nacional - 16 a copo (apenas 5 cl) que se encontram em 2 conservadores Enomatic (quase todos fortificados); não resisto a pôr aqui os eleitos: Bastardinho 20 Anos (14,90 €), Carcavelos Bela Vista  (10), Fonseca 40 Anos (10), Graham's Vintage 1970 (15), Krohn Colheita 1964 Branco (11,40), D'Oliveiras Bastardo 1927 (19,20), D'Oliveiras Boal 1958 (11,50), Barbeito Malvasia 20 Anos (10), Real Companhia Velha Colheita 1944 (13,90), Blandy's Terrantez 1976, Moscatel Trilogia (14,90), Luis Pato Qtª do Ribeirinho Pé Franco 2010 (12,50), Qtª do Crasto Maria Teresa 2011 (14,90),
Pera Manca 2010 (13,90), Qtª Vale D.Maria Vinha do Rio 2011 (10) e Aguardente Velha Niepoort (14,90). Façam a conta à garrafa (* 15, quase todos). É só para japoneses e angolanos endinheirados!
Para quem queira optar pela cerveja, pode fazê-lo no espaço Beer Experience (Super Bock), que disponibiliza 6 referências, a preços diferentes, na modalidade sirva-se v. mesmo.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Maria Catita Restaurante & Loja Regional

"Venderam-me" este espaço (Time-Out? Expresso Revista?), como se fosse representante da genuína cozinha açoriana. Puro engano: a inspiração açoriana fica-se pelo facto de um dos sócios ser casado com uma senhora daquelas ilhas. Está praticamente reduzida a 2 petiscos (fígado de porco à açoriana com batata doce frita, a 4 € e chicharrinhos fritos com molho crú dos Açores e batata doce, a custar 5,50 €), 1 entrada (polvo guizado) e 1 prato (polvo assado). Só que o prato e a entrada (esta em quantidade reduzida) têm o mesmo preço (13,50 €), o que não faz o mínimo sentido!
Mas, de qualquer modo, vale a pena a deslocação à Rua dos Bacalhoeiros nº 30, espaço aberto há pouco mais de 1 ano. Tanto a componente de restauração como a loja (conservas, compotas, azeites, queijos, vinhos, cervejas artesanais, etc), têm qualidade e merecem a visita. O espaço é confortável, as mesas estão bem atoalhadas, mas os guardanapos são de papel e destoam claramente. À atenção da gerência!
Comi peixinhos da horta (crocantes e ainda quentes, foram servidos num pequeno balde e envoltos em papel pardo, para absorver a gordura dos fritos) e o prato de polvo assado (mas que me pareceu antes guizado). Tudo com qualidade.
Quanto a vinhos, a lista não está devidamente datada, o que se critica, mas tem uma escolha suficiente para o tipo de clientela que frequenta aquela zona, apostando nas gamas baixa e média, embora inclua alguns pesos pesados, como é o caso do Pera Manca, Vale Meão e  Pintas 2011 (a 100 €, o que é uma pechincha para os turistas endinheirados). Os tintos estão, lamentavelmente, à temperatura ambiente, o que em tempo quente é dramático. Um aspecto a rever.
A copo, inventariei 7 brancos, 5 tintos, 1 rosé, 8 Portos, 2 Madeiras e 2 Moscatéis, oferta mais do que suficiente. Optei por um copo do branco Passa 2013 (3,50 €) - frutado, citrinos a imporem-se, fresco, descomplicado, belíssima acidez, elegância e final curto. Nota 16+. A garrafa veio à mesa, o vinho dado a provar em bom copo e em quantidade generosa. Serviço eficiente, simpático e profissional. Nota alta para a Sónia.
Resta dizer que aproveitei para comprar, a bom preço, algumas conservas da marca Belamar (Vila do Conde), uma raridade muito difícil de encontrar no mercado.
Concluindo, recomendo e tenciono voltar.

domingo, 25 de maio de 2014

Almoço com Vinhos da Madeira (13ª sessão) : uma homenagem à Artur Barros e Sousa

Mais uma sessão irrepetível (ia dizer irrevogável...), à qual se aplicam todos os elogios explícitos na crónica "Almoço com Vinhos da Madeira (8ª sessão) : uma jornada vínica inesquecível", publicada há cerca de 1 ano, exactamente em 16/4/2013. Mais: a antiguidade dos vinhos servidos pelo nosso amigo Adelino de Sousa, passou de 530 para 550 anos!
Provámos e bebemos:
.2 brancos (Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2010 e Primeira Paixão Verdelho 2008), ambos em boa forma, embora com estilos muito diferentes, tendo-lhes atribuído notas de 18 e 17,5 respectivamente; acompanharam frutos secos, fatias de presunto, bacalhau na brasa lascado e salada da horta (acabada de apanhar);
.3 tintos (Colares Viúva José Gomes da Silva 1948, Colares Chitas 1955 e Qtª do Noval 2007 em magnum), com os 2 primeiros a surpreenderem e o último a desiludir (muito agressivo, há que esperar mais 5/6 anos por ele); os Colares fizeram um bom casamento com espetada de novilho em pau de loureiro e fruta tropical;
.1 Porto Vintage (Taylor's 1960) com um belíssimo queijo da Serra de Fornos de Algodres; Vintage agradável, mas esperava uma maior complexidade. Nota 17;
.3 Madeiras Artur Barros e Sousa (Sercial 1963, secura contida, bela acidez e grande final, nota 18,5; Boal Solera 1919, a mostrar juventude invejável, frescura, vinagrinho, volume e final interminável, nota 19; e Moscatel Velho 1890, a mostrar um perfil mais próximo dos Madeiras e mais afastado dos moscatéis, nota 18,5);
.1 Moscatel de Setúbal JMF (Roxo 1931), fica a perder com os excepcionais 1900 e 1918; de qualquer modo, uma raridade a provar com todo o respeito. Nota 17,5.
Estes 4 fortificados fizeram-se acompanhar de pudim Abade de Priscos, pinhoadas de Santiago de Cacém e outros doces.
Foi uma grande jornada de convívio deste núcleo duro, de comeres e beberes, sendo de destacar a homenagem aos vinhos Artur Barros e Sousa. O nosso muito obrigado ao casal anfitrião Carlota/Adelino, por tudo!

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Um jantar com o Francisco Albuquerque

É sempre uma honra e um prazer participarmos num evento com a presença do Francisco Albuquerque, enólogo da Madeira Wine, cuja reputação internacional dispensa apresentações e que faz o favor de ser nosso amigo. Foi para nós, núcleo duro dos Madeiras, um grande incentivo o comentário que ele pôs na crónica "Uma grande jornada com vinhos da Madeira e não só...", publicada em 4/3/2014. Por outro lado, é com grande satisfação da minha parte que o conto como um dos seguidores deste blogue.
Este jantar vínico, que decorreu no Real Palácio, com o apoio da Madeira Wine e da Portefólio, foi mais alargado e, para além do nosso grupo, participaram uma série de pontos de venda (A Casa em Alcobaça, Bar do Binho em Sintra, Casa Macário, Coisas do Arco do Vinho, Delidelux, El Corte Ingles, Garrafeira Campo de Ourique, Garrafeira Nacional, Garrafeira Néctar das Avenidas e Manuel Tavares) e alguns meios de comunicação social (Revista de Vinhos, Wine Passion e Correio da Manhã).
Quanto aos Colheitas 1998 da Blandy, voltámos a provar o Sercial (garrafa nº 2032/2600) e o Verdelho (nº 1446/3000). No espaço de 2 meses tiveram uma evolução fantástica, principalmente o Verdelho. Fez-lhes bem o tempo em garrafa. Aumentei meio ponto o Sercial (de 16,5 para 17) e 1 ponto o Verdelho (de 17 para 18).
Mas a estrela da noite foi o Frasqueira Malvasia 1988 (garrafa nº 551/1589), em estreia nacional - nariz contido, mineral, um toque metálico, notas de brandy, belíssima acidez, boa arquitectura, boca potentíssima, final muito longo; cheio de personalidade com um perfil mais próximo da casta Bual. Nota 18,5+.
Mais uma grande jornada com Madeiras, desta vez a contar com a presença do Francisco Albuquerque que, gentilmente, elogiou a militância do nosso grupo!

terça-feira, 20 de maio de 2014

Curtas (XXX)

1.Outra vez o restaurante da Associação 25 de Abril
Poucos dias depois de me ter referido a este espaço, em Curtas (XXVII), crónica publicada em 14/4/2014, saíu no Expresso de 25/4 a crítica do José Quitério. Fico satisfeito.
2.O Umai revisitado
Já aqui me manifestei, por diversas ocasiões, sobre o que penso deste restaurante especializado em cozinha oriental: "Jantar no Umai", crónica publicada em 13/8/2011, "Almoço no novo Umai" em 21/11/2012 e em "Curtas (25/2/2014). Eu, que não aprecio peixe crú, não me canso das iguarias do chefe Paulo Morais.
Depois de uma experiência com base nos menús, não muito conseguida, voltei à lista e, em conjunto com a minha companheira e um casal amigo, optámos por um festival de comida oriental, perfeitamente sublime: cestinhos de wonton, cornucópias de sésamo (base caranguejo), desconstrução de califórnia...(camarão), siumai (vieiras e ovas), laksa lemak (massa malaia com peixe e marisco), naan (pão indiano) e indian delight (bolo de especiarias). Mais, o chefe andava por ali, sempre muito atento.
Acompanhou, muito bem toda a refeição, uma garrafa do branco Qtª Seara d'Ordens Reserva 2012 - com base nas castas Rabigato, Malvasia e Fernão Pires, estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês, seguido de 2 meses em garrafa; presença de citrinos, algum melão, acidez no ponto, notas amanteigadas, madeira discreta e bom final. Excelente relação preço/qualidade deste branco tão difícil de encontrar no mercado. Nota 17,5+.
O que é que eu não gostei no Umai? A música muito alta que, nem mesmo a pedido, a baixaram.
3.O Talho revisitado
Também este espaço tem sido aqui referido. Os mais curiosos podem encontrar referências em Curtas (IX), (XIII) e (XX).
Optei por comer uns excelentes croquetes de cozido (3 peças), com base nas carnes, chouriço e hortelã do cozido e, ainda, o "burguer" de novilho que incluía cebola roxa, cenoura, caril, gengibre, etc.
Para acompanhar bebi 1 copo de O Talho 2009 (4,50 €, o que não é barato), um tinto elaborado na Qtª Monte d´Oiro, expressamente para este espaço - 100% Syrah; muito frutado, notas florais, acidez equilibrada, taninos suaves, elegante, algum volume e bom final de boca. Nota 17.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar, num bom copo e quantidade generosa, servido em duas vezes, para não aquecer na mesa. A 1ª garrafa não estava com a temperatura adequada, mas foram de imediato buscar uma outra. Serviço rigoroso e profissional.
A lista de vinhos, com todos datados, é simpática, mas não consta a modalidade a copo. É necessário indagar, o que não faz muito sentido. Há, ainda, a possibilidade de se beber Pintas 2011, a preço alto mas não especulativo.
A sala encheu e reparei que o serviço fluia sempre, tendo-me apercebido da presença de 7 empregados na sala e 5 na cozinha, uma fartura!

domingo, 18 de maio de 2014

Vinhos em família (LII)

Mais 5 vinhos (1 branco, 2 tintos, 1 Porto e 1 Moscatel) da minha garrafeira, provados em família ou com amigos, com o rótulo à vista, dos quais apenas 1 desiludiu:
.Morgadio da Calçada Reserva 2010 - nariz fechado, notas de melão, algo oxidado, déficite de acidez, plano, desaparece da boca num instante.Uma grande desilusão este branco, considerado um dos melhores no Guia Vinhos de Portugal 2012, da autoria do JPM. Perdeu-se ou está numa fase má? Nota 12,5 (noutra situação 16,5+).
.Marquesa de Alorna Reserva 2008 - nariz exuberante, acidez equilibrada, especiado com a pimenta a sobrepôr-se, taninos bem presentes mas sem agressividade, assinalável volume de boca, final longo; gastronómico, precisa de um prato consistente. Bebido no restaurante 1º Direito. Uma boa surpresa, a beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18.
.Passadouro Reserva 2008 - vinificado a partir e vinhas velhas, aroma positivo, notas florais, fresco,acidez q.b., taninos espigados, alguma rusticidade, volume e final de boca extenso. Gastronómico, aguentou-se bem com uma feijoada e favas com enchidos. A beber até mais 7/8 anos. Nota 17,5.
.Dalva 20 Anos (engarrafado em 2008) - nariz discreto, notas de caril e brandy, volume de boca médio e final muito longo. Nota 17,5.
.Moscatel Roxo 1990 JP - presença de citrinos, notas e mel e figos, acidez no ponto, especiado, bom volume de boca e final longo. Nota 17,5+.

sábado, 17 de maio de 2014

O Dão em Lisboa

Mais uma iniciativa da Garrafeira Néctar das Avenidas, desta vez em parceria com a CVR do Dão. Este evento, que decorreu no Real Palácio Hotel, consistiu em provas de vinhos daquela região (que se prolongaram por 2 dias) e, ainda, um jantar vínico. Responderam à chamada: Adega Penalva do Castelo, Casa da Passarella, Casa de Cello, Caves São João, CMWines, Dão Sul, Fonte de Gonçalvinho, Qtª do Escudial, Qtªda Fata, Qtª da Ponte Pedrinha, Qtª da Pellada, Qtª dos Roques/Maias, Qtª do Carvalhão Torto e Qtª de Sirlyn. De salientar a presença de alguns produtores pouco conhecidos, a par de uns tantos pesos pesados.
No decorrer do jantar, que contou com a presença de duas representantes da CVR, tive a oportunidade de ir provando uma dezena de vinhos, à medida que iam caindo na mesa. E eles foram os brancos Adega de Penalva Encruzado 2012, Qtª do Escudial 2011, Casa de Santar Reserva 2012 e um surpreendente e, para mim, completamente desconhecido, Allgo 2013 da CMWines (Silgueiros). No contra-rótulo, pode ler-se que é constituído por 85% de Encruzado e 15% de Uva Cão, da qual não tenho qualquer referência. Consultada a lista de "Castas aptas à produção de vinhos em Portugal", uma edição do IVV, verifiquei que a Uva Cão, que também dá pelo nome de Cachorrinho, não está lá muito bem acompanhada, pois fica ao lado da Uva Cavaco! Este branco, muito gastronómico, com boa acidez e alguma gordura, é um vinho de meia estação/inverno, impróprio para se beber no verão à beira da piscina. Foi o único vinho que me acompanhou toda a refeição e isto quer dizer algo!
Quanto aos tintos, desfilaram: Porta dos Cavaleiros Reserva 2012, Penalva Reserva 2010, Fonte do Gonçalvinho Reserva 2010, Qtª do Carvalhão Torto Jaen/Alfrocheiro 2005 (outro desconhecido, que é um tinto muito curioso e contra a corrente), Casa da Passarella Oenologo 2009 e Qtª dos Roques T.Nacional 2011. E ficaram por provar mais uns tantos.
Foi mais uma grande jornada, a que o João Quintela já nos habituou. Ó senhores da Revista de Vinhos, para quando uma referência à Garrafeira Néctar das Avenidas? Já é merecedora!

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Os espumantes na campanha eleitoral: ignorância e boçalidade

Leio no Público, de ontem, "Caso do Conselho de Ministros faz saltar a rolha" e analiso as 2 fotografias que o ilustram. Em destaque, a visita dos cabeças de lista às europeias, por parte dos partidos do centrão, às caves da Raposeira e da Murganheira.
Numa delas está o deputado Francisco Assis a agarrar o flute, com a mão inteira, com medo que fuja. Então, o senhor deputado não tem nenhum assessor que o ensine a pegar no dito, correctamente?
Mais grave, é ver o deputado Paulo Rangel a beber pela garrafa, depois de esta ter passado pela boca do deputado Nuno Melo, num estilo perfeitamente boçal, perante uma assistência assustadoramente conivente. Ó senhores deputados, tenham maneiras. É a coligação no seu melhor!
Mais ainda, os jornalistas contaram que o deputado Paulo Rangel, por 1 €, levou uma garrafa de espumante  Murganheira Czar, que custa no mercado cerca de 30 €. Deve ser o Estado Social a funcionar ao contrário!
Francamente...

terça-feira, 13 de maio de 2014

Grupo dos 3 (39ª sessão): sinfonia de bacalhau

Esta última sessão foi da responsabilidade do Juca, que levou 2 brancos, 1 tinto e 1 Colheita. O restaurante escolhido foi a Casa do Bacalhau (Rua do Grilo,54), ao lado da Manutenção Militar e próximo do Convento do Beato. Segundo a página do restaurante, este espaço ocupa as antigas cavalariças do Palácio do Duque de Lafões. O tecto é original do século XVIII e está "construido em abóboda com tijolo burro". Só pelo espaço vale a pena lá ir. A ementa contém 25 maneiras diferentes de apresentar o bacalhau, enquanto que a lista de vinhos tem uma longa, criteriosa e diversificada oferta (a copo são 20), incluindo os mais badalados.
O dono da Casa do Bacalhau (e também do Via Graça) é o João Bandeira, já aqui referido em "Grupo dos 3 (38ª sessão)", crónica publicada em 8/4/2014, que veio orientar este almoço, a que chamei de sinfonia. E esta sinfonia desdobrou-se em 5 andamentos:
1.pastéis e pataniscas (estas muito finas, como eu gosto),
2.línguas à Bolhão Pato (o prato que elegi como o melhor),
3.caril de bacalhau (o mais polémico, mas gostei)
4.feijoada de samos (ligou muito bem com o tinto) e
5.bacalhau à lagareiro (que já não consegui comer tudo)
Os 2 brancos e o tinto foram provados em confronto. O protagonismo foi dos brancos, enquanto que o tinto só brilhou a partir do 3º andamento. E eles foram:
.Redoma Reserva 2006 - nariz exuberante com notória presença de citrinos, mineral, madeira discreta, potência de boca e bom final. Não sendo um dos melhores redoma Reserva, tem evoluído bem ao longo dos anos em que o tenho provado. Nota 17,5 (noutras situações 15,5/16/15,5/16/16+/17,5).
.Soalheiro Alvarinho Reserva 2010 - aroma inicialmente discreto, fruta madura, notas tropicais, acidez fabulosa e muito equilibrada, bom volume e final muito longo. Um dos melhores brancos portugueses. Nota 18 (noutras 17+/17,5/17,5).
.Vallado T.Nacional 2008 - nariz complexo, notas apimentadas, especiado, chocolate preto, acidez q.b., taninos suaves, boca harmoniosa e bom final. Foi a 1ª vez que o provei. Nota 18.
A fechar, com uma triologia de doces à base de ovos e amêndoa:
.Noval Colheita 1976 (engarrafado em 2006) - aroma discreto, frutos secos, acidez q.b., alguma gordura, volume e final de boca médios. Nunca me empolgou. Nota 17 (com outros engarrafamentos 17,5/17+/15,5).
Grande jornada! Obrigado Juca!

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Mercado Campo de Ourique revisitado

Após a minha primeira visita, que pode ser lida em "O novo Mercado Campo de Ourique", crónica publicada em 19/1/2014, voltei a este espaço para confirmar, ou não, as minhas primeiras impressões.
Os tabuleiros continuam ausentes, as correntes de ar, nesta altura do ano, já não incomodam, a limpeza já não é o que era e a Sogrape continua com o monopólio dos vinhos, a copo ou à garrafa. Uma ou outra bancada saíu do projecto e outras vieram. Passada a novidade, já se pode circular à vontade no interior do Mercado.
Desta vez, optei por:
.na Marisqueira, uma sopa de marisco, bem fornecida, mas pouco saborosa (3 €), acompanhada pelo branco Qtª dos Carvalhais Encruzado 2012 (meio copo = 7 cl, a custar 2,80 €) - fresco, mineral, bela acidez, prejudicado por ter sido servido praticamente gelado. Nota 16.
.no Atalho do Mercado, pica-pau (150 gr) com pesto, mostarda e bolo do caco, muito saboroso, mas com algumas tiras rijas q.b., a maridar com o tinto Vinha Grande 2011 (meio copo 2,60 €) - aroma exuberante, frutado, acidez equilibrada, taninos civilizados, algum volume e bom final de boca; prejudicado por sair da máquina com uma temperatura acima do recomendável. Nota 16.
.na Casa dos Brigadeiros, um delicioso crocante de pistachio (1,50 €), seguido de café no Café do Mercado (0,70 €).
Resumindo, comi melhor nesta última visita e a oferta de vinhos melhorou com a entrada dos vinhos do Dão. Só não entendo os preços que a Sogrape pratica naquele espaço. Tinham a obrigação de os colocar mais acessíveis. Presumo que venderiam muito mais.A pesar de tudo, recomendo e tenciono voltar.

terça-feira, 6 de maio de 2014

No rescaldo do Lisboa Restaurant Week (LRW)

Nesta última edição fui a restaurantes de 2 hotéis, o Albatroz em Cascais e o Lawrence em Sintra, mas nenhum deles fez a minha felicidade.
Começo pelo Albatroz, com uma situação privilegiada, mesmo em cima da Praia da Conceição. A contrastar, a maioria dos empregados veste uma farda às riscas, que os faz parecer presidiários!
A entrada, que estava agradável, consistiu em ravioli de ervilhas e ovo salteado de tomate cereja cremoso. O prato, um filete de vitela (que constava, na ementa, com o nome de naco; uma fraude!) com cogumelos e queijo fundido, estava desequilibrado devido ao excesso de queijo. Quanto à sobremesa, crocante de maçãs bravo de esmolfe, portou-se bem, mas sem entusiasmar. Se tivesse comido este menú, num dia normal, fora do âmbito do LRW, teria pago 43 €, uma exorbitância!
Quanto a vinhos, a lista, onde constam os anos de colheita, é razoável, alternando preços acessíveis com outros inflacionados. A copo, fica-se por 2 ou 3 da Casa Santos Lima. Optei pelo tinto Palha Canas 2010 (4,50 €, um exagero) - muito frutado, envolvente, acidez equilibrada, taninos amaciados, volume e final médios; prejudicado pela temperatura, acima do recomendável (estava à temperatura ambiente, ou seja, quente!). Nota 16 (apesar de tudo). A garrafa veio à mesa, mas o vinho não foi dado a provar. Foi servido num bom copo, em quantidade aceitável (14/15 cl). Já os brancos eram servidos em copos de reduzido tamanho, numa quantidade ridícula!
Quanto ao Lawrence, estive quase a desistir, depois de termos andado às voltas em Sintra, cerca de 40 minutos, à procura dum buraco para parquear. Apesar do ambiente "very british", o serviço é muito antiquado, parecendo ter parado no tempo (por exemplo, ainda reservam o copo maior para a água).
A entrada, gaspacho à Andaluzia com cocktail de gambas, estava agradável. A empada de perdiz (mais parecida com frango de aviário) com ervilhas (de lata?) estufadas, apesar de tudo estava saborosa. A terminar, pudim Abade de Priscos com sorbet de limão, foi o melhor da refeição.
Quanto a vinhos, a lista é alargada, os preços não são nada amigáveis e, lamentavelmente, os anos de colheita estão omissos. A copo, a oferta está reduzida aos mínimos e nem sequer consta na lista. Como éramos 4, optei por uma garrafa do tinto Casa de Santar 2011 - frutado, acidez q.b., taninos redondos, volume e final médios; vinho descomplicado, a cumprir a sua função de empurrar a comida. Nota 15,5+.
O vinho foi dado a provar, posto num jarro com água e gelo, para baixar a temperatura e servido, a meu pedido, nos copos para água (os maiores).
Em conclusão: não fui feliz nesta edição e os restaurantes escolhidos não corresponderam às minhas expectativas. Mas, lá estarei na próxima edição.

sábado, 3 de maio de 2014

Novo Formato+ (16ª sessão)

Esta sessão foi da responsabilidade da Paula Costa, que fez um fabuloso cozido com 21 ingredientes, que incluiam diferentes tipos de carne, enchidos, legumes, arroz, feijão, etc, e do João Quintela, que pôs à nossa disposição 1 espumante, 5 tintos, 1 late harvest e 1 Porto Vintage.
Com excepção do espumante, todos os outros vinhos foram provados às cegas, como é habitual neste tipo de sessões. A prova dos tintos, entre surpresas e desilusões, ao pôr em confronto 5 diferentes regiões e anos de colheita, foi original e didáctica. Desfilaram:
.Espumante bruto Sílica Blanc de Noir - uma novidade produzida pelo Raul Riba d' Ave, um futuro Master Wine português; cumpriu bem a sua função de vinho de boas vindas; bolha fina, elegante, acidez q.b., notas de pão acabado de fazer, volume e final médio. Nota 16,5. Só não percebi o significado da informação constante no contra-rótulo que refere um estágio prolongado de 24 a 36 meses (!?). Sempre é 1 ano de diferença. Em que ficamos?
.Qtª da Pellada T.Nacional 2002 - notas vegetais, boa acidez, algo metálico, volume e final médios; algo desequilibrado, esperava maior complexidade. A despachar, quem ainda o possuir. Nota 16 (noutra situação, há já alguns anos, também 16).
.Chocapalha 2003 - ainda com alguma fruta, notas florais, acidez equilibrada, taninos presentes, volume médio e final de boca longo. Ainda longe da reforma. Nota 17,5 (noutra 18).
.Qtª das Bageiras Garrafeira 2004 - acentuadas notas vegetais, algum pico na lingua (maloláctica mal resolvida ou azar com esta garrafa?), desequilibrado; apesar de tudo, acompanhou bem o cozido. A despachar rapidamente. Nota 14,5 (noutra 17+).
.Qtª Casa Amarela Reserva 2005 - notas florais, acidez no ponto, taninos civilizados, bom final de boca; todo certinho, mas sem entusiasmar. A consumir nos próximos 2/3 anos. Nota 16,5 (noutras 17,5/16,5).
.Herdade das Servas T.Nacional 2006 - aroma exuberante, acidez evidente, elegância, potência de boca e final longo; apreciável complexidade apesar do ano. Uma grande surpresa, a evoluir muito bem (aguenta mais 4/5 anos). Nota 18 (noutras 16/16,5+).
.Kracher Beerenauslese Late Harvest 2003 (Austria) - aromático, presença de citrinos, notas de mel, acidez nos mínimos, taninos suaves, volume médio e final curto. Agradável, mas sem entusiasmar. Nota 16 (noutra 17).
.Dow's Vintage 1994 - nariz ainda fechado, notas frutadas, acidez q.b., taninos civilizados e final de boca curto. Falta-lhe alma. Grande desilusão, considerando que a este vinho, de um ano considerado excepcional, a Wine Spectator atribuiu noventa e muitos pontos. Nota 15,5.
Os ingleses que me perdoem, mas prefiro um bom Colheita ou um 40 anos.
Mais uma boa sessão com este grupo de amigos. Obrigado Paula! Obrigado João!