quinta-feira, 26 de junho de 2014

O Mercado da Ribeira (reformulado) : os beberes (II)

Como já referi na 1ª crónica sobre os "beberes" no Mercado da Ribeira, na banca João Portugal Ramos o cliente pode construir o seu próprio lote, a partir das castas da colheita 2012, que dão origem aos vinhos Vila Santa (segundo informação do empregado). Uma ideia de louvar. O arranque foi com Trincadeira, Aragonês, T.Nacional e Syrah, a que se juntou, há poucos dias, a Alicante Bouschet.
Não resisti ao desafio e fiz o meu lote com 50% de Syrah e outro tanto de T.Nacional (copo 3,50 €, um bom preço). Daqui resultou um vinho muito frutado e exuberante, notas florais, taninos redondos, algum volume e boa persistência, mas claramente prejudicado pela temperatura, algo acima do recomendável (mesmo assim, nota 16,5). Mais: o vinho mudou de recipiente 3 vezes, o que agravou a situação.
À atenção dos responsáveis pela banca dos vinhos João Portugal Ramos. Quando a temperatura em Lisboa aumentar, o resultado do lote será um caldo!
Numa outra visita, experimentei a banca da Herdade do Esporão, onde constatei que os vinhos estavam a temperaturas controladas e adequadas. Provei o Esporão Reserva 2013 branco - muito aromático, citrinos bem presentes, frescura, acidez, alguma gordura, bom volume e final de boca. Nota 17,5. Foi servido em bom copo, numa quantidade correcta (15 cl), embora a olho. O copo aqui custou 4 € (vi o mesmo vinho noutra banca a 5,50 €, especulaçao pura!).
Nesta banca, nada a reclamar.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Curtas (XXXIII)

1.O Mundo dos Vinhos
Volto a este programa, já aqui falado em Curtas (XXXI), crónica publicada em 10/6, que passa no canal 24Kitchen às 21h25 de 6ª feira.
No último episódio (o 3), dedicado à Região Vinhos Verdes, o autor visitou 3 produtores, Dona Paterna, Qtª de Covela e Palácio da Brejoeira. Como foi feita esta escolha? Os 2 primeiros produtores, a partir da selecção dos 6 vinhos mais vendidos, que foram provados às cegas (ficamos sem saber quais foram os restantes 4 e que entidade contabilizou as vendas, a CVR, uma garrafeira?). Resultado: os principais produtores de Alvarinho (Anselmo Mendes e Soalheiro) ficaram de fora!
Na visita óbvia, ao Palácio da Brejoeira, uma das pessoas que recebeu a equipa que faz o programa está erradamente identificada (aparece uma legenda com o nome Emílio Magalhães, enólogo). Dupla asneira, pois Emílio Magalhães é administrador e nem sequer aparece.
Outra questão, o autor do programa, por mais de uma vez, faz a separação entre verdes e maduros, o que é uma mera distinção popular, que se situa apenas no nosso imaginário, mas sem qualquer fundamento legal. Vinho Verde é uma Região e não um tipo de vinho. Mal informado?
Concluindo, asneiras à parte, o programa teve interesse e vou continuar a segui-lo.
2.Gosto de Portugal
Tinha-me passado completamente ao lado, este programa conduzido pelo mediático Rodrigo Meneses e produzido, também, pelo 24Kitchen. Já vai no episódio 30, mas no domingo de manhã apanhei o início da repetição (episódios 1 e 2). No primeiro, totalmente dedicado a Campo de Ourique, o bairro onde o Rodrigo Meneses se movimenta, há alguns planos com o Vitor Sobral e respectiva Cervejaria da Esquina, com o Arlindo Santos e a sua Garrafeira. No segundo, refere alguns espaços de restauração, o Entra e a Taberna Ideal, para além de algumas tascas de bairro.
O programa é ligeiro, mas informativo, com o Rodrigo muito solto, a interagir bem com os intrevistados. Só é pena que não dedique alguma atenção aos vinhos que vai provando, mas (paraeceu-me) sem qualquer critério.
Tenho alguma curiosidade quanto aos próximos episódios.
3.O Bar de Tapas no ECI
Já há pouco mais de 1 ano tinha referido este espaço no Corte Inglês em "Meson de Tapas no ECI : esperar é preciso", crónica publicada em 3/4/2013. Resolvi lá voltar, para perceber se os inconvenientes referidos, se mantinham ou eram uma situação do passado, já corrigida. Bem, lamentavelmente a situação mantém-se, nomeadamente no pedido da refeição e no pagamento. O serviço de vinhos a copo é mau, a bebida já vem servida, sem direito a ver a garrafa (fiquei sem saber qual a colheita do branco por mim pedido, o Vinha da Poupa), quanto mais a provar o vinho. Salvou-se a quantidade servida e o preço (2,75 €).
Finalmente, a comida é francamente boa, mas não compensa o sofrimento da espera!

sábado, 21 de junho de 2014

O 4º aniversário do Assinatura

1.Preâmbulo
Confesso que fiquei deveras surpreendido com o convite, na qualidade de cliente do Assinatura, no âmbito das comemorações do seu 4º aniversário, até porque nunca o frequentei depois da saída do Henrique Mouro, não tendo tido qualquer contacto com os chefes João Sá (substituto do Henrique Mouro) ou o Vítor Areias (o actual).
 Estive presente quando do 2º aniversário, na sequência de uma série de crónicas publicadas neste blogue, referentes a jantares temáticos e eventos vínicos. Dessa comemoração dei notícia em "2 Anos de Assinatura", crónica publicada em 2 partes (1 e 2/7/2012).
Há 2 anos, os convidados do Henrique Mouro estiveram presentes no jantar comemorativo e contaram com a sua presença, embora intermitente, ao longo do repasto. Na comemoração do 4º, os convidados do Vítor Areias não se encontraram, tendo-se dispersado ao longo de alguns jantares e, pelo menos na noite em que estive presente, nem sequer vislumbraram o chefe. Este novo formato, para mim, não fez sentido.
Para quem não saiba, o Vitor Areias tem um curriculo alargado, tendo sido formador na Escola de Hoelaria e Turismo do Estoril, estagiado no badalado Noma e passado pelas cozinhas do 2780 Taberna, Manifesto, 100 Maneiras e Bica do Sapato, entre outras, antes de vir para o Assinatura com o João Sá.
2.O que se comeu e bebeu
Havia um menú de degustação, constituído por 5 momentos (amuse bouche, 3 pequenos pratos e sobremesa) com direito a provar 4 vinhos:
.trio inicial, composto por tremoço esferificado, ovo de codorniz a baixa temperatura e língua de bacalhau com molho pil-pil;
.salada com pasta de queijo de cabra, verduras, cerejas laminadas e molho das mesmas, a ligar muito bem com o branco FP Arinto/Bical 2013;
.bacalhau de meia cura com puré e poejo, a ter por companhia o Vinha do Almo Escolha 2008;
.barriga de leitão com salada de ameijoas e um molho demasiado salgado, a dificultar a ligação com o Qtª Poço do Lobo Reserva 2011 (teria sido melhor um espumante, até da mesma marca);
.creme de chocolate com frutos vermelhos, a maridar bem com o Warre LBV 2013.
3.Epílogo
O chefe Vítor Areias, com a sua cozinha moderna e criativa, consegue manter o prestígio do Assinatura, mas não faz esquecer o Henrique Mouro, que marcou muito este restaurante.
A equipa na sala mostrou competência, eficácia e simpatia. O serviço de vinhos foi francamente de muita qualidade. As garrafas foram mostradas e os vinhos dados a provar. Por duas vezes fiz caretas, embora sem rejeitar o vinho, mas o empregado assumiu que o cliente não ficara totalmente satisfeito e tomou a decisão certa de servir outro vinho. Outros não o fariam.
Obrigado, responsáveis do Assinatura. Longa vida, é o meu sincero voto.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Aditamento a Curtas (XXXII)

O que ficou por dizer, quanto à Qtª do Mouro :
1.Esta sessão foi, em parte, dedicada à imprensa especializada (no mínimo, estava a Revista de Vinhos) e à blogosfera (vi lá uns tantos bloguistas, alguns dos quais costumo encontrar noutros eventos). É mais um produtor a perceber que a crítica de vinhos não se esgota nos meios profissionais. Está, pois, de parabéns.
2.O produtor ofereceu, a cada convidado, uma caixa com 3 garrafas (Vinha do Mouro 2011, Casa dos Zagalos 2009 e Qtª do Mouro 2008). Obrigado, Miguel Viegas Louro!
3.Nos nossos tempos de CAV, este produtor-dentista (ou dentista-produtor?), foi um dos 3 "desalinhados" (os outros 2, eram o Dirk Niepoort e o Álvaro de Castro) presente num dos jantares vínicos organizados por nós, onde foi apresentado o mediático vinho O Mouro 2000, objecto de paixão e comercialização por parte do Dirk e que deu origem a horas de discussão no antigo fórum da Nova Crítica.

Curtas (XXXII)

1.Qtª do Mouro : um caso raro e exemplar
Não é meu hábito comentar provas, em que participo, em garrafeiras ou lojas de vinhos. Abro hoje uma excepção. A convite do produtor Miguel Viegas Louro, participei numa sessão, onde também estava o filho Luis, que teve lugar na Delidelux, cuja finalidade foi tomarmos conhecimento da nova imagem institucional  e provarmos, entre outros, a nova colheita Qtª do Mouro 2008, acabada de chegar ao mercado.
Este vinho, que eu já tinha adquirido ao Clube 1500 da Sogrape, é um caso raro e exemplar, ao ser posto à venda com mais de 5 anos de estágio (4 em garrafa e o restante em barricas novas e usadas de carvalho português e francês). É obra e tiro o meu chapéu ao produtor por esta postura, em contra-mão com a regra geral de pôr o vinho no mercado logo que esteja pronto.
Fresco, elegante, boa acidez, algum floral, taninos finos, volume e final longo; estrutura e final longo. Nota 18.
2.Este Oeste
Tive, há cerca de 1 ano, uma péssima experiência neste novo espaço do CCB, como se pode ler em "Curtas (XIV)", crónica publicada em 10/8/2013, em que afirmei não voltar a pôr lá os pés. Mas lá me convenceram a faltar à minha promessa.
Desta vez o serviço, na minha mesa, foi eficiente e simpático. Bebi um copo de Fiuza Sauvignon Blanc 2013 (2,40 €) - fresco, descomplicado, acidez equilibrada, notas vegetais, final médio. Nota 15,5. Cumpriu bem a sua função, no acompanhamento de uma pizza muito fina e estaladiça, simplesmente deliciosa. A garrafa veio à mesa, o vinho dado a provar e a garrafa, cuja temperatura não era a correcta, prontamente substituída por uma outra; copo e quantidade servida (a olho) razoáveis.
O problema deste espaço, continua a ser algum serviço descuidado. Reparei que a mesa ao meu lado foi preparada para novos clientes, sem ter sido previamente limpa. E estava suja!

terça-feira, 17 de junho de 2014

Vinhos em família (LIII)

Mais alguns vinhos, da minha garrafeira, provados em família, recatadamente dentro de portas, ou com amigos fora de casa, todos com o rótulo à vista:
.Qtª dos Carvalhais Branco Especial (comprado recentemente no Clube 1500) - lote de vinhos das colheitas de 2004, 2005 e 2006, com base nas castas Encruzado (31%), Verdelho (15%), Sémillon (15%) e o restante de vinhas velhas; estágio longo em barricas usadas de carvalho francês, tendo sido engarrafado em Dezembro 2013; notas de frutos secos e fruta madura (melão, alperce), acidez equilibrada, um toque de oxidação, alguma gordura, madeira ainda evidente, volume de boca e final longo; falta-lhe (ainda) harmonia e é excessivamente caro. Esperava mais. Nota 17,5.
.Pai Abel Chumbado 2011 (sem direito a D.O. Bairrada; a CVR chumbou-o, mas os consumidores aprovaram-no); austero, mineral, notas florais, excelente acidez que lhe vai prolongar a vida durante muitos anos; volume médio e final muito longo. Comparando-o com outras colheitas, continuo a preferir a primeira (2009) e a última (2012), mas gostaria de o voltar a provar daqui a 3 ou 4 anos. Nota 17,5.
.Calda Bordaleza 2007 - com base nas castas Merlot (70%), Petit Verdot (23%) e Cabernet Sauvignon (7%), estagiou 2 anos em barricas novas de carvalho francês - muito fresco e elegante, harmonioso e equilibrado, taninos finos, madeira bem casada, algum volume e final de boca. Nota 17,5 (noutra situação também 17,5). Bebido no restaurante 1º Direito.
.Borges Boal 1977 (sem data de engarrafamento visível) - frutos secos, algum vinagrinho, notas de caril e brandy, taninos com algum vigor, volume e final médios; falta-lhe complexidade e fica a perder com o da Blandy da mesma casta e ano. Nota 17,5 (noutras 17,5/16,5).
Agora reparo que os corri a todos com a mesma nota (17,5)! Coincidências...A dar um 17,5+ seria ao Pai Abel Chumbado.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Jantar Qtª das Bageiras

Mais uma iniciativa da Garrafeira Néctar das Avenidas (e já vão 37!), desta vez em parceria com a Casa do Bacalhau. Bons vinhos, boa gastronomia, bons copos e serviço de qualidade. Perfeito!
O jantar contou com a presença do produtor, Mário Sérgio Nuno, que foi agraciado, neste último 10 de Junho com a Ordem do Mérito Empresarial (Classe Mérito Agrícola). Sinceros parabéns ao Mário Sérgio. Ele merece!
Ficámos frente a frente, o que nos permitiu recordar alguns bons momentos vividos no passado, quando o Juca e eu éramos os responsáveis pelas Coisas do Arco do Vinho (de referir as palavras simpáticas que o Mário Sérgio nos dirigiu na sua intervenção inicial). Entre outros momentos inesquecíveis, lembrámo-nos do nosso apoio quando da apresentação nas CAV e venda em primor do Qtª das Bageiras Garrafeira 1995 1º Prémio, o primeiro vinho emblemático produzido pelo Mário Sérgio.
Este jantar iniciou-se com a bebida de boas vindas, o Espumante Rosé 2012, que cumpriu bem a sua missão de acompanhar uns apetecíveis pasteis e pataniscas de bacalhau. Seguiram-se-lhe:
.Garrafeira 2012 branco - com base nas castas Maria Gomes e Bical, em partes sensivelmente iguais, a partir de vinhas velhas, estagiou em madeira usada até Agosto 2013; austero, mineral, elegante e harmonioso, madeira bem integrada. Casou bem com línguas de bacalhau à Bulhão Pato. Nota 17,5.
.Pai Abel 2012 branco - com uma composição idêntica ao anterior, mas a partir de uma vinha nova, estagiou em barricas de carvalho francês já usadas; alguma fruta madura, mais complexo, mais gordo e com maior volume que o anterior, acidez bem pronunciada e final longo. Gastronómico, lidou bem com um bacalhau com espuma líquida de caril. Nota 18.
.Pai Abel 2009 tinto (produzidas 1700 garrafas) - com base na casta Baga (80%), a partir de vinhas velhas, estagiou em barricas até Abril 2010 e em tonel, até ser engarrafado em Janeiro 2011, seguindo-se um repouso em garrafa de mais de 3 anos (só agora vai ser posto à venda!); ainda muito jóvem e pleno de fruta, acidez fabulosa, notas especiadas, taninos firmes não agressivos, grande volume de boca e final longo. Não haja pressa em bebê-lo, pois vai aguentar pelo menos mais 15 anos. O único inconveniente: vai ser vendido muito caro. Não ligou bem com a excelente feijoada de sames. Precisa de uma boa carne no forno. Nota 18,5.
.Abafado das Bageiras - uma originalidade, com acidez equilibrada e taninos vigorosos. Não tem nada a haver a qualquer um abafado que se conheça.
Mais um jantar vínico a ficar na memória!

terça-feira, 10 de junho de 2014

Curtas (XXXI)

1.O Mundo dos Vinhos
O canal 24Kitchen (alinhamento 95) iniciou na passada 6ª feira o programa "O Mundo dos Vinhos", que se estenderá por 6 episódios, dos quais 4 gravados em Espanha e 2 em Portugal (Douro e Gaia, suponho). A responsabilidade da concepção e acompanhamento é de Joaquin Gálvez Bauzá, "expert" em degustação e mestre em viticultura, enologia e marketing de vinhos. Também produz os seus próprios vinhos, para além de assessorar umas tantas "bodegas". Não se limita a ser um teórico, é igualmente um prático que vai ao terreno.
O 1º episódio, que ainda pode ser visto por quem tenha a NOS (ex-ZON), muito didáctico, é dedicado à DO La Mancha, sendo parcialmente centrado na figura de Carlos Falcó, Marquês de Griñon. Gostei francamente. Os 5 restantes passarão sempre às 21h25 de 6ª feira.
Considero esta série imperdível!
2.Peixe fresco em Alcochete
Recomendo vivamente o restaurante "Solar do Peixe" (Largo da Misericórdia,10). Tudo fresco e a bom preço. Para acompanhar o peixe, peçam o Alvarinho da casa (engarrafado, mas sem marca), muito agradável e a fazer uma boa maridagem.
3.Almoçar no Campo Pequeno
A Brasserie é uma boa aposta. Por 12,90 € pode comer-se o Menú Executivo, com direito a couver, entrada (salada crocante) e prato (entrecôte com batatas fritas, simplesmente delicioso). Tem vinho a copo e um bom serviço.
4.Mercados
Para além do Mercado presente no CCB todos os primeiros Domingos do mês, já aqui referido, recomendo o Mercado que, mensalmente, assenta arraiais no último fim de semana (6ª feira, Sábado e Domingo), na Praça da Figueira. Pode-se comer, beber e comprar uma série de produtos (vinhos, doces, enchidos, leitão, etc).
5.Há vida para além do vinho...
Na sequência das comemorações do 40º aniversário do 25 de Abril, ainda se pode visitar:
."O Nascimento de uma Democracia" (cartazes e outra documentação, em 1974/1976), na Assembleia da República, até 30 de Junho. Esta exposição pode ser complementada por uma outra, patente na Fundação Mário Soares.
."A Liberdade está no Museu" (Cartazes do João Abel Manta), no Museu da Cidade, até 30 de Setembro.



domingo, 8 de junho de 2014

O Mercado da Ribeira (reformulado) : os comeres (II)

Optei por me iniciar, nas visitas ao Mercado da Ribeira, pelo espaço da Marlene Vieira, uma chefe emergente, já aqui referida a propósito do restaurante Avenue, da Champanheria do Largo (da qual, entretanto, já se desligou) e do último Peixe em Lisboa, onde pude comprovar a sua criatividade. Aliás, das vezes que passei pelo Mercado da Ribeira, constatei que a Marlene estava presente (a par do Vitor Claro), sempre preocupada com que tudo estivesse a correr da melhor maneira. Foi a melhor forma de começar a visitar este Mercado.
A oferta é diversificada e tentadora, o que pode provocar um embaraço na escolha. Ao longo da semana, pode optar-se pelo prato do dia (9 €) : polvo assado (2ª feira), tempura de pescada (3ª), barriga de porco (4ª), bacalhau assado (5ª), rosbife de novilho (6ª), arroz de camarão e bivalves (sábado) e vitela assada à moda de Lafões (domingo). Por mais 3 €, pode juntar-se, ao prato do dia, 1 bebida e 1 sobremesa, o que constitui o Menú do Dia. Mas há mais menús: Mercado (5 degustações por 15 €) e Ribeira (8 por 25 €). A oferta não se esgota aqui, podendo escolher-se entre mais 10 entradas para partilhar e 6 pratos principais.
Num dos dias optei pela tempura de pescada (fresca), acompanhada por um belíssimo arroz de tomate. Noutro escolhi, por curiosidade, a Francesinha de atum, mas não fiquei freguês. Os tripeiros que me desculpem, mas nunca fui fã da Francesinha original.
O vinho a copo, fui buscá-lo ao Bar da Odete. Escolhi o Prova Régia Premium 2012 (2,50 €, uma dose generosa a um belo preço) - fresco, presença de citrinos, notas tropicais, bela acidez, alguma estrutura e complexidade; excelente relação preço/qualidade. Nota 16,5+.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

O Mercado da Ribeira (reformulado) : os comeres (I)

Em teoria pode comer-se no Mercado da Ribeira infinitamente, tantos são os quiosques dos comeres e partindo do princípio que as ementas vão sendo alteradas ao longo do tempo. Há muito por onde escolher, entre estreias absolutas e chefes consagrados. Pode optar-se pelo Alexandre Silva (Bica do Sapato), Miguel Castro e Silva (DeCastro), Henrique Sá Pessoa (Alma), Marlene Vieira (Avenue) ou Vitor Claro (Claro!). Ou, ainda, experimentar a gastronomia de Croqueteria, Prego da Peixaria, Asian Lab, Pizza a Pezzi, Confraria, Honorato, Sea Me, Café de São Bento, Tratar-ia, Monte Mar, Cozinha da Felicidade, Trincas ou a Marisqueira Azul.
A iniciativa de reformular este espaço e a organização deve-se à revista Time Out, merecedora de todos os encómios. Mais valias: tabuleiros (pormenor que não se encontra no Mercado Campo de Ourique), loiça Vista Alegre em todos os quiosques e limpeza das mesas permanente. Em contrapartida, correntes de ar omnipresentes, um inconveniente para o tempo frio.
É uma aposta ganha, pois a partir das 13 h já é difícil circular. Por outro lado, é um espaço democrático, acessível a todas as idades e bolsas. A revisitar umas tantas vezes mais!

quarta-feira, 4 de junho de 2014

A Confraria do Periquita : convívio, vinhos e fado na JMF

Dizia eu na crónica "A Confraria do Periquita", publicada há cerca de 2 anos, que "(...) daqui por um ano, lá estarei para o Vigésimo Primeiro (Capítulo, entenda-se)". Afinal enganei-me, pois foi preciso esperar 2 anos. O Grande Capítulo passou a reunir de 2 em 2 anos. É a crise...
Este ano foram entronizados mais uns tantos confrades e confreiras, sendo os mais conhecidos os chefes Rui Paula e Leonel Pereira e o Nuno Pires (Essência do Vinho e revista Wine).
Após a aprovação da última colheita do Periquita, a 2013, o convívio entre os 102 presentes prolongou-se jantar fora, servido em mesa corrida, entre tonéis que continham algumas preciosidades da José Maria da Fonseca (JMF). De salientar a qualidade do repasto e o ritmo do serviço, da responsabilidade da Casa da Comida. Iniciado o jantar, já passava das 21 h, às 23 h estava o café em cima da mesa.
A JMF não brinca em serviço e, ao longo da refeição, foram servidos estes vinhos:
.Qtª de Camarate Branco Seco 2013 - frutado, citrinos bem presentes, acidez q.b., descomplicado, cumpriu bem a sua função de acompanhante da sopa de ervilhas à Soares Franco. Nota 15,5
.Periquita Superyor 2009 - na linha da colheita anterior, com base na casta Castelão; especiado com notas de pimenta bem pronunciadas, acidez equilibrada, estrutura e final longo. Casou bem com os medalhões de vitela, espargos verdes e "gratin" de batata e maçã. Nota 17,5+.
.Hexagon 2008 - mais elegante e complexo que o anterior, notas florais, acidez mais pronunciada, acentuado volume de boca e bom final. No meu entender, não ligou mesmo nada com o excelente queijo de Azeitão. O Pasmados branco teria sido tiro na mouche! Nota 18.
.Moscatel Roxo 20 Anos (engarrafado em 2014) - casca de laranja, tangerina, frutos secos,  notas de caril e brandy, boa acidez, assinalável volume e final de boca. Um grande moscatel em qualquer parte do mundo. Maridou bem com bombom de chocolate negro e laranja. Nota 18,5.
Os tintos e, muito particularmente, o Moscatel, sairam prejudicados por terem sido servidos a temperaturas acima do desejável.
Servido o café, acompanhado pela Aguardente Velha Reserva 1964, que não provei, foi a vez de meia hora de discursos, finalizando em beleza este Vigésimo Primeiro Grande Capítulo com um fado, muito sentido, saído da garganta da mediática confreira Fáfá de Belém.
Finalmente, os confrades e confreiras, ainda levaram para casa uma garrafa do excelente Hexagon 2007, oferta da JMF. Obrigado, família Soares Franco por tudo isto!