quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Curtas (XLII) : Herdade das Servas e etc...

1.Aditamento à crónica "Herdade das Servas Revisitada"
Informaram-me há dias que os preços dos vinhos praticados no restaurante foram revistos. Este problema dos preços, referido na minha crónica, já era uma preocupação do produtor. Agora já se pode usufruir dos vinhos, no restaurante, ao preço da loja, acrescidos da respectiva taxa de serviço (5 € para a gama Monte das Servas e 6 € para a gama Herdade das Servas). Foi uma boa decisão e fico satisfeito por isso ter acontecido.
2.Cozido na Casa da Mó
Um aviso aos indefectíveis do cozido na Casa da Mó ( já aqui referido por diversas vezes), na modalidade de bufete: mudou da habitual 5ª feira para a 4ª feira. Mantém-se o preço habitual de 11 €, mas se forem 2 pagam 20 €, o que fica mais barato.
3.Verdade do Vinho
Continua a correr bem esta série dedicada ao vinho. Depois de 2 episódios dedicados ao Douro, seguiram-se a Região dos Vinhos Verdes,  Dão e Bairrada. Neste último o jornalista Luis Baila fez uma afirmação deveras surpreendente, a propósito da definição de "terroir", em resposta à pergunta da jornalista Sónia Araújo. Na sua definição de "terroir" começava por "são as pessoas...". Olhe que não, olhe que não!

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Vinhos Contemporal no Vestigius

A convite do Continente, participei numa prova de vinhos Contemporal, seguida de almoço de degustação e harmonização, no Vestigius Wine Bar (ao Cais Sodré), conduzida pelo polivalente Aníbal Coutinho. A assistência pareceu-me demasiado heterogénea, não se vislumbrando o critério seguido. Blogues na área do vinho, apenas 3 ou 4!
Analisemos, então, o que bebemos e comemos:
.Loureiro 2013 (2,45 €) - fresco, bela acidez, presença de gás carbónico, para o meu gosto, para além do expectável.
Foi servido com aperitivos e funcionou como vinho de boas vindas.
.Alvarinho 2013 (2,98)- nariz discreto, presença de citrinos e algum tropical, gás carbónico praticamente ausente, gastronómico; fabulosa relação preço/qualidade.
Maridou bem com ostras.
Ambos os brancos são produzidos nas Quintas de Melgaço.
.Douro 2013 branco (1,99) - exuberante com a casta Moscatel a sobrepor-se e impor-se; algo desequilibrado e pouco gastronómico, mas pelo preço não se pode exigir mais.
Fez companhia a um trio do mar (rolo de salmão fumado, gamba marinada em laranja e carpaccio de espadarte com ovas de salmão); harmonização desequlibrada.
.Douro Reserva 2012 tinto (3,99) - nariz exuberante, frutos vermelhos (ginja?), muito concentrado e enjoativamente doce;
Servido com magret de pato, mas a harmonizar muito mal.
Os vinhos do Douro vieram da Qtª do Castelinho.
.Alentejo, produção de Rui Reguinga (ano? preço?) - mais equilibrado que o anterior, boa acidez, elegante e harmonioso, taninos presentes domesticados, algum volume de boca.
Casou bem com o magret de pato.
.Porto 20 Anos (com a chancela da Taylor's) - servido a uma temperatura excessiva, com o álcool a sobrepor-se a tudo e todos; ficou altamente prejudicado, uma pena!
Acompanhou tiramisú.
Em conclusão, alguns vinhos desequilibrados, excelentes relações preço/qualidade, gastronomia de bom nível, harmonizações nem sempre as mais felizes e serviço de vinhos com algumas falhas. 

 

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Os comeres no Mercado da Ribeira : Miguel Castro e Silva (MCS)

1.Depois de ter andado pelas bancas da Marlene Vieira (crónica publicada em 8/6/2014), Vitor Claro (1/7/2014), Sá Pessoa (1678/2014) e Alexandre Silva (25/9/2014), chegou a vez do chefe Miguel Castro e Silva, a trabalhar no restaurante Largo e proprietário do deCastro (à Praça das Flores), já aqui referido em "Almoço no deCastro", crónica publicada em 7/3/2014.
A aposta do MCS é na cozinha tradicional portuguesa, com uma ou outra inovação. O menú apresenta, além de pratos de peixe e carne, meia dúzia de emblemáticos petiscos (de 4 a 5,90 €), 2 francesinhas (a puxa-carroça 9,80 € e a com hamburga e linguiça 9,50 €)  e os pratos do dia. Numa das visitas eram bacalhau no forno (8,90 €), salada de bacalhau fumado (6,50) e ameijoas com feijão manteiga (11,50).
Optei por este último prato, um ex-libris do MCS, que se apresentou saborosíssimo, mas com o feijão a esmagar as delicadas ameijoas, o que é pena. Noutra visita comi um curioso e agradabelíssimo prego com cogumelos e queijo da Ilha (7,80).
Quanto a vinhos, inventariei a copo (2 a 3,75 €) e à garrafa (9 a 16 €), 1 espumante, 4 brancos, 3 tintos, 4 Porto (a copo 2 a 4,50 € e garrafa 16 a 44 €) e 1 Madeira (4 € o copo e 42 € a garrafa). Muito bons preços!
Provei:
.Cassa Lote MCS tinto (ano?) - frutado, alguma acidez, correcto e descomplicado, volume e final de boca médios; gastronómico. Nota 15,5.
.Cassa Lote MCS 2011 branco - côr doirada, presença de citrinos e maçãs, fresco, excelente acidez, alguma gordura e volume; uma boa surpresa, uns furos acima do tinto; ainda longe da reforma. Nota 17.
A garrafa foi mostrada e aberta na altura, mas não dada a provar. Não custava nada...
2.Verifiquei, com algum espanto da minha parte, que as bancas de vinhos João Portugal Ramos e Herdade do Esporão sairam do Mercado. Os respectivos espaços foram ocupados por "Licor Beirão" e "Russian Standar Vodka" !? O que teria acontecido? O negócio não era rentável?
Lamento a decisão, eles fazem falta!


terça-feira, 21 de outubro de 2014

Herdade das Servas revisitada

A convite do produtor, fui revisitar a Herdade das Servas (H.S.), já aqui referida diversas vezes, nomeadamente em "A Herdade das Servas e a Blogosfera", em 2 partes, crónicas publicadas em 22 e 23/1/2011, e, ainda, "Provar vinhos no Chafariz com a Herdade das Servas", publicada em 16/11/2013. Aí sublinhei todo o meu apreço pelos irmãos Mira (Luis e Carlos), proprietários da H.S., pelo Tiago Garcia, enólogo da casa, e pelo comercial Artur Diogo. Fazem uma boa equipa, com a qual sempre tive excelentes relações institucionais e pessoais, no meu tempo das CAV e, também, depois.
O tema desta recente visita, era a apresentação de novos vinhos e do restaurante, agora diariamente aberto ao público (excepto 3ª feira), que tem na sala o Paulo Baía, arrendatário do espaço, e na cozinha Maria da Fé Baía, sua irmã, ambos vindos do restaurante São Rosas, uma garantia de qualidade.
O grupo visitante incluia, uma vez mais, representantes da blogosfera, imprensa especializada e alguma generalista, todos tratados de igual modo, desde a Revista de Vinhos ao mais modesto dos blogues. Tiro o meu chapéu ao produtor!
Chega de introdução e vamos aos vinhos, iguarias e respectiva harmonização (ou falta dela):
.Colheita Seleccionada 2013, dado a provar antes da visita e do almoço - presença de citrinos, acidez equilibrada, alguma mineralidade e frescura, notas químicas, agradável e correcto, mas sem esmagar. Nota 16.
.Alicante Bouschet Reserva 2011 - estagiou em barricas de carvalho francês (80 %) e americano (20 %); ainda com muita fruta, boa acidez, notas de couro e pimenta, apreciável volume de boca e final persistente. Prejudicado pela temperatura de serviço, um pouco acima do recomendado. Nota 17.
Acompanhou uma sopa de tomate à alentejana (com linguiça, farinheira e toucinho laminado), com a acidez do tomate a brigar com o vinho.
.Reserva 2011 - com base nas castas Alicante Bouschet (40 %), T.Nacional, Aragonês e Petit Verdot (todas com 20 %), estagiou 14 meses em barricas de carvalho francês (70 %) e americano (30 %); aroma exuberante, boa acidez, especiado, notas de tabaco e chocolate preto, taninos presentes de veludo, bom volume de boca e final longo. Foi servido decantado e a uma temperatura correcta. Grande alentejano! Nota 18.
Maridou razoavelmente com cação de coentrada  e brilhou com um excelente e inesquecível borrego assado no forno. Casamento para a vida!
.Sousão/Vinhão 2011 - retinto, muito frutado, acidez excessiva, pouco harmonioso e um perfil nada alentejano. Apenas uma curiosidade e não lhe atribuo classificação.
Brigou com o bolinho de chocolate. Violência doméstica e divórcio à vista!
Um apelo ao produtor: façam um colheita tardia ou comprem uma quinta no Douro, para poderem ter um Porto a acompanhar as sobremesas!
Em relação ao restaurante, a cozinha é segura, o serviço de vinhos competente ( foram decantados e servidos antes da comida chegar ao prato, para poderem ser cheirados sem intromissão dos cozinhados; as temperaturas de serviço, com a excepção do 1º vinho, foram as correctas). Mais: copos Ridel, um luxo que os clientes agradecem!
O balanço é francamente bom, mas seria ainda melhor se os preços dos vinhos no restaurante, sejam a copo sejam à garrafa, fossem mais acessíveis. Afinal a marca Herdade das Servas é exclusiva e, francamente, não percebo tais preços que podem afastar potenciais clientes. Não faz sentido, para mim, o Reserva 2011 custar 18 € na loja, passar a porta e chegar ao restaurante a 30 € (o copo a 7,50 €)! Para reflexão dos meus amigos proprietários e do arrendatário...
Em conclusão, uma grande jornada vinícola e gastronómica. Obrigado, irmãos Mira!

sábado, 18 de outubro de 2014

José Avillez ao quadrado

Sobre os espaços de restauração do chefe José Avillez já publiquei algumas crónicas, sendo a primeira "Almoço no Cantinho do Avillez" em 10/9/2011 e a última "Almoço no Café Lisboa : o bloco central do Chefe Avillez" em 29/10/2013.
Recentemente fui conhecer a Pizzaria Lisboa e revisitar o Cantinho do Avillez. Eis as minhas impressões:
1.Pizzaria Lisboa
Este projecto tem, como sub-título, Zé Avillez, a confirmar o ar descontraído deste espaço, a que se juntam a eficiência e o serviço simpático.
Experimentei o Menú Executivo, disponível ao almoço, de 2ª a 6ª feira. Por 12,50 € tem-se direito ao cover (manteiga, paté, azeite, azeitonas, grissinos e fatias da pizza base), um prato a escolher entre 10 pizzas, 5 pastas, 2 risottos e 3 saladas, e ainda uma bebida (concretamente água, ficando de fora a cerveja ou um copo de vinho da casa, o que não se entende de todo). Escolhi a Pizza Fado (tomate, mozzarella, courgette, beringela, pasta de azeitona, alho e parmesão), muito fina e estaladiça. Sinceramente, gostei.
Mas, nem tudo o que luz, é oiro. Depois de me ter sido indicadas as mesas em que me podia sentar (a sala estava praticamente vazia), sentei-me numa que afinal estava reservada, sem que tal parecesse, para uma conhecida colunista do Expresso. Ó chefe Avillez, não podia investir numas sinaléticas a dizer RESERVADO? Esta "cena" poderia ter sido evitada.
2.Cantinho do Avillez
Escrevi na minha 1ª crónica, acima referida, "O serviço, com algumas falhas, ainda não está ao nível da cozinha. O tempo o afinará, creio.". Passaram-se 3 anos e, afinal, não afinou! Dois exemplos, a mesa estava francamente suja da véspera, sem que ninguém tivesse tido a maçada de a limpar; a música estava demasiado alta, para a hora de almoço, e só ao segundo pedido é que se dignaram baixá-la um pouco!
Fiquei-me por 2 entradas, ceviche de vieiras com abacate (excelente) e os emblemáticos ovos à professor século XXI (fiquei algo desiludido; se calhar, pus a fasquia muito alta).
Bebemos o branco Meandro 2013 (23 € a garrafa), uma novidade para mim - presença de citrinos, fresco, mineral, algum volume de boca, gastronómico, acompanhou muito bem as vieiras. Nota 16,5.
Serviço de vinhos correcto. Quanto às deficiências acima referidas, faço votos para que o tempo, mais uma vez, as afine!

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Curtas (XLI) : Eventos e etc

1.Próximos eventos em Lisboa
.Azeites e Vinhos do Alentejo no CCB (17 e 18 Outubro)
.Restaurant Week (16 a 26 Outubro)
.Mercado de Vinhos no Campo Pequeno (31 Outubro, 1 e 2 Novembro)
2.Revista Evasões
Está no mercado o nº 198 Outubro 2014 (embora no interior se leia Setembro) da Evasões (4,90 €), número totalmente dedicada ao vinho.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Cogumelos no Assinatura

É a minha 2ª visita ao Assinatura neste tempo d.h.m. (depois do Henrique Mouro). Da 1ª resultou a crónica "O 4º aniversário do Assinatura", publicada em 21/6/2014.
O tema, cogumelos silvestres, era aliciante. E a este, juntou-se a minha curiosidade em saber como o chefe Vitor Areias o iria tratar. O resultado foi francamente animador e o chefe merece nota alta.
O almoço constava de 1 entrada (Amanitas Caesarea com laranja e vinho do Porto), 2 pratos ("Bife" de Boletus com esparregado de chagas e lombo de novilho com marmelada de Boletus)  e 1 sobremesa (cherovia com gelado da mesma), a menos interessante. Tudo isto a troco de 27 €, um preço especial para "assinantes".
Com a entrada e o 1º prato, bebi um copo de Qtª do Perdigão Encruzado 2013 (5,50 €) - frutado, fresco e mineral, alguma gordura e complexidade. Gastronómico, ligou muito bem com a entrada e aguentou-se com o 1º prato. Nota 16,5.
Com o 2º prato, avançou um copo do tinto Pó de Poeira 2011 (não tomei nota do preço, pois a casa, muito simpaticamente, não cobrou) - fruta presente, acidez equilibrada, notas especiadas,  algo complexo, potente e elegante em simultâneo. Um bom exemplar do ano 2011 e de um vinho a preço acessível. Acompanhou muito bem o lombo de novilho. Nota 17,5.
Serviço geral e, especificamente, o de vinhos, impecáveis. Profissionalismo e simpatia. Apenas uma nota: a temperatura do tinto poderia estar ligeiramente mais baixa.
Conclusão: gostei francamente e recomendo!

domingo, 12 de outubro de 2014

Novo Formato+ (18ª sessão) : tintos 2005 em prova

Esta última sessão foi da minha inteira responsabilidade, pois levei vinhos da minha garrafeira e escolhi o restaurante. Mais uma vez a Enoteca de Belém esteve à altura do evento, com o chefe Ricardo inspirado e o serviço de vinhos 5 *, a cargo do Nelson. Talvez tivesse sido a minha melhor refeição ali feita.
A bebida de boas vindas foi o espumante Kompassus Blanc des Noirs, simpática oferta da casa, a portar-se muito bem. A seguir, desfilaram os meus vinhos (2 brancos Bairrada 2012 que a RV pontuou, recentemente, com 18 pontos, 4 tintos Douro 2005, provados às cegas 2 a 2, e um Solera da saudosa casa Artur Barros e Sousa):
.Pai Abel - nariz muito afirmativo, presença de citrinos, bela acidez, mineralidade, alguma gordura, equilibrado e harmonioso, algum volume e final de boca extenso. Um dos melhores brancos portugueses. Nota 18.
.Aliás - um branco totalmente desconhecido, com base na casta Bical e 11,5 % vol.; nariz contido, notas fumadas, madeira ainda presente, acidez e gordura; assinalável volume de boca; nitidamente um branco de Outono/Inverno, gastronómico, mas a precisar de mais uns meses de garrafa. Nota 17,5.
Estes brancos acompanharam uma série de pequenas entradas (mexilhão escalfado em vinagrete, tártaro de salmão e um surpreendente figo com queijo de cabra). Melhor a ligação do Pai Abel com o salmão e a do Aliás com o figo.
.Qtª Vale Meão - aroma austero, especiado, notas de tabaco e chocolate, muito elegante e harmonioso, excelente acidez, taninos domados, volume e final interminável. Em excelente forma. Nota 18,5.
.Terrus - funcionou como joker, uma vez que era muito mais barato do que qualquer um dos outros vinhos (chegou a ser o tinto do Douro mais vendido nas CAV); nariz contido, belíssima acidez, elegante, algum volume e final longo. Portou-se bem e está para durar. Nota 17,5+.
Estes 2 primeiros tintos maridaram com um prato de polvo, batata doce e grelos.
.Pintas - ainda com fruta, acidez equilibrada, especiado e complexo, taninos ainda por domesticar, assinalável volume e final de boca. Muito longe da reforma. Nota 18,5.
.Robustus - alguma fruta e acidez, pouco harmonioso, bom volume e final de boca; falta-lhe complexidade; abaixo do esperado e muito longe da versão 2004. Uma decepção. Nota 17.
Fizeram companhia a um excelente borrego com cogumelos e puré de couve flor.
.ABS Bual Solera 1963 - frutos secos, iodo, alguma acidez, especiado, acentuado volume de boca e final muito longo. A beber com todo o respeito. Nota 18,5.
Acompanhou uma tábua de queijos, sericaia e fruta laminada.
Foi mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

A CVR Tejo e o meu dia azarado

Informaram-me e confirmei na página da CVR Tejo, em grande destaque, a quinzena de harmonização de vinhos Tejo com a gastronomia ribatejana. Lê-se : "Tejo Gourmet - V Concurso de Vinhos e Iguarias do Tejo decorre entre 4 e 19 de Outubro". Foram escolhidos uns tantos espaços de restauração espalhados pelo país, ficando Lisboa, inexplicadamente, reduzida apenas a 2: a Gondola (um  restaurante que parou no tempo) e a Taberna da Rua das Flores.
Dirigi-me a este último, precisamente na 3ª feira dia 7 (portanto, 3 dias após o início do Tejo Goumet) e, qual foi o meu espanto, quando o empregado que me atendeu disse não saber de tal coisa! Perante a minha insistência, telefonou para o gerente a saber o que se passava. Na sequência do telefonema, foi-me dito que o gerente estava fora, mas mal regressasse iria organizar o menú de harmonização. Que sentido das responsabilidades, por parte da Taberna! Que má escolha, por parte da CVR Tejo! Cartão amarelo para ambos!
Mas o meu dia azarado não se esgotou aqui. Inviabilizado este almoço, dirigi-me ao espaço Santa Gula, uma petisqueira situada na Rua do Alecrim, que tinha interesse em conhecer. Bati com o nariz na porta, já devia passar das 13 horas. Estava fechada, embora no horário de funcionamento, ali afixado, constasse a abertura às 12 h, de 3ª feira a Domingo!
Moral da história: um azar nunca vem só!  

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Vinhos em família (LVI) : brancos em alta, um deles surpreendente

Mais uma série de vinhos, provados com o rótulo à vista e sem a pressão da prova cega. Foram 3 brancos (1 deles surpreendente) e 2 tintos :
.100 Hectares 2012 - um branco duriense, com base nas castas Viosinho, Rabigato e Gouveio; enologia de Francisco Montenegro (Aneto, Terrus, entre outros); presença de citrinos, acidez, mineralidade, alguma gordura, equilibrado, volume de boca e final médios; gastronómico, acompanhou bem um prato de bacalhau. Uma boa surpresa. Nota 17,5.
.Qtª da Murta Clássico 2007 - fermentou em barricas de carvalho francês e americano; côr dourada, fruta madura, ligeira oxidação, notas fumadas, acidez fabulosa, alguma gordura, assinalável volume e final de boca; nobre, complexo e harmonioso. Um surpreendente branco, já com 7 anos, muito gastronómico, que me apaixonou. Ainda pode ser encontrado no mercado. Nota 17,5+.
.Morgado de Stª Catherina 2012 - estagiou 10 meses em barricas de carvalho francês; nariz contido, fruta madura, madeira ainda presente a precisar de tempo na garrafa, belíssima acidez, alguma gordura, volume de boca; perfil algo diferente das versões 2008 (a melhor de todas) e 2009. Excelente relação preço/qualidade. Nota 17.
.CARM Reserva 2010 - com base nas castas T.Nacional, Tinta Roriz, T.Franca e Tinta Francisca, estagiou 18 meses em barricas de carvalho americano e francês; ainda com fruta, alguma frescura e acidez, rusticidade, volume e final de boca medianos; alguma desilusão em relação a colheitas anteriores, ficando à espera do 2011, um ano excepcional. A consumir de imediato. Nota 15.
.Poliphonia Signature 2008 - com base nas castas Alicante Bouschet e Syrah, estagiou 18 meses em barricas novas de carvalho francês; nariz complexo, acidez equilibrada, especiado, notas de pimenta, chocolate e couro, volume acentuado e final longo. Em forma mais 3/4 anos. Não é o melhor do mundo, como saloiamente foi propalado aos quatro ventos, há alguns anos,  mas é muito bom. Nota 18.

sábado, 4 de outubro de 2014

Curtas (XL)

1.Vinhos e Gastronomia na TV
Na minha última Curtas (XXXIX), publicada em 25/9, tinha alertado os seguidores deste blogue para os programas Verdade do Vinho (RTP2, 3ª feira 22h45) e Guerra dos Pratos (Fox Life, 5ª feira 21h45).
Quanto ao primeiro, que conta com o apoio da ViniPortugal, não podia ter começado da melhor maneira, precisamente com os nossos amigos Douro Boys (Cristiano van Zeller, Dirk Niepoort, Francisco Ferreira, Francisco Olazabal e Tomás Roquete), presença constante nas provas e jantares vínicos organizados pelas CAV e em cujas quintas fomos recebidos principescamente.
Dali para o DOC, onde os apresentadores Sónia Araújo e Luis Baila (este jornalista dá indicações de quem percebe de vinhos) estiveram com o chefe Rui Paula, que abordou as harmonizações da comida com o vinho.
Seguiu-se a visita à Quinta da Gaivosa, onde o veterano Domingos Alves de Sousa e o jóvem Tiago, seu filho e enólogo da casa, também eles presentes em eventos nas CAV, conduziram uma vertical com as colheitas 1995, 2000 e 2005.
Terminou este 1º episódio, que ainda pode ser visto pelos utentes da antiga Zon, numa das quintas da Sogrape, onde tiveram a companhia de Manuel Guedes, Director do Clube 1500.
Quanto ao segundo programa, Guerra dos Pratos, o seu interesse é nulo ou quase!
2.Novas garrafeiras e lojas gourmet
Há alguns meses, abriram:
.Spirits & Wine (R. Castilho,201 D), pertencente a uma distribuidora. A responsável da loja é a Eugénia Vasconcelos, vinda da Wine O' Clock e uma das fundadoras da garrafeira VinoDivino, a quem chamávamos, carinhosamente, as "Meninas da Lapa";
.Douro Meu, o Gourmet Duriense (Saldanha, junto ao C.C. Monumental). Aposta no Douro, como o nome sugere, mas confinada a um espaço ínfimo, quase um vão de escada.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Bastardo : um rol de irreverências

Não, neste caso Bastardo não é nome de casta. Trata-se de um espaço de restauração pertencente ao Internacional Design Hotel, situado na Rua da Betesga,3 - 1º, com vistas para o Rossio e Rua Augusta.
As irreverências são mais que muitas:
1ª - o nome;
2ª - logo à entrada depara-se-nos 2 quadros, com uma das figuras a dizer "Vai à merda" e a outra a responder "Vai tu";
3ª - a sala muito informal, onde as mesas e as cadeiras são feitas de restos de madeiras; nos toalhetes de papel pode ler-se "On this magic placement calories don't count.You´re welcome. Enjoy.";
4ª - a ementa, onde consta Partida (7 entradas), Largada (8 pratos) e Fugida (6 sobremesas);
5ª - a carta de vinhos, nada óbvia, elaborada com base em vinhos de quinta, quase todos desconhecidos; está dividida em 2 partes,  oferecendo a primeira 2 espumantes, 7 champanhes, 8 brancos, 9 tintos e 2 rosés, que podem ser consumidos à garrafa ou a copo (12 cl, o que é manifestamente curto), enquanto que na segunda parte aparecem 6 vinhos Mediáticos e 3 Históricos e Biológicos (!?).
Quanto à minha visita, optei pelo Tacho do Dia (disponível de 2ª a 6ª feira), que contempla o couver (pão quente para molhar no azeite transmontano Meirinho, com 0,2 de acidez), sopa, prato, sobremesa, bebida e café. Tudo isto a troco de 15 €. Para um restaurante de hotel, é barato.
A intenção é boa, mas a gastronomia deixa muito a desejar: sopa deslavada, pato estufado (mais me pareceu frango) com arroz de caracóis (!?) e, ainda, pera bêbeda (estava bem sóbria, pois era muito verde e o vinho não conseguiu embebedá-la!).
A bebida foi o vinho da casa, o branco Poço do Canto 2013, em bag in box, servido num jarrinho e dado a provar - fruta madura oxidada, ligeira acidez, gastronómico mas pesado, desaparece rápido da boca. Bebe-se uma vez, por engano. Nota 12.
Os tintos estavam à temperatura ambiente, logo quentes. Um dos vários aspectos a corrigir.
Serviço na sala profissional, cozinha muito demorada e música demasiado alta.
Em conclusão, é um espaço a frequentar por quem goste das irreverências citadas e a evitar por quem não as aprecie.