terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Rescaldo das Festas 2014

As Festas deste ano desenrolaram-se em 3 diferentes momentos, cujos participantes e locais de convívio não foram sempre os mesmos e os vinhos postos na mesa (eram praticamente todos da minha garrafeira; as excepções estão assinaladas com *) estavam de acordo com o respectivo universo.
Notícia abreviada sobre os comeres e beberes:
1.Consoada
Passou-se em casa de familiares, com um grupo alargado, tendo vindo para a mesa:
.Allo Alvarinho/Loureiro 2013 - aromático, acidez equilibrada e mineral, foi lindamente com uns pastelinhos de bacalhau e aguentou-se com o polvo cozido.
.Monte dos Cabaços Colheita Seleccionada 2008 - fresco, especiado e algum volume de boca, casou muito bem com o bacalhau com broa e grelos. Uma boa surpresa e excelente relação preço/qualidade.
.Qtª Seara d' Ordens LBV 2009 - muito frutado, boca potente e doçura no ponto, fez um casamento com as sobremesas (bolo real, bolo rainha,...), com alguma turbulência.
2.Almoço de Natal
Decorreu em casa do meu filho mais velho, tendo o grupo de participantes encolhido um pouco:
.Adega Vila Real Grande Reserva 2011 * - não sendo um grande vinho, o facto de ser de uma colheita excepcional contribuiu para um feliz casamento com um prato de borrego no forno.
.Moscatel de Setúbal Bacalhôa 2011 *  - citrinos em evidência, fresco e envolvente, acompanhou bem as sobremesas que sobraram da véspera.
* comprados pelo dono da casa.
3.Almoço de domingo
Finalmente "chez moi", foi o prolongamento dos festejos natalícios, tendo participado apenas o núcleo duro da família (mulher, filhos e noras) :
.Parcela Única Alvarinho 2011 - frescura, complexidade e algum volume, maridou bem com alguma conservas compradas no mercado mensal do CCB, que se realiza no 1º domingo (coelho vilão, cogumelos, azeitonas esmagadas e cebola confitada).
.Charme 2007 - fresco, elegante e harmonioso, fez jus ao seu nome e ligou muito bem com arroz de pato, o que não teria acontecido se tivesse escolhido outro mais taninoso.
.Borges Malvasia 30 Anos - frutos secos, brandy e algum vinagrinho, bateu-se bem com uma mousse de chocolate.
4.Nota final
Esta foi a minha última crónica deste ano. Em Janeiro, como é habitual, recomeçarei com o balanço do ano, com o Top 10 de brancos, tintos, fortificados, restaurantes, crónicas mais lidas e eventos.
Até lá tenham um bom ano, com votos que seja melhor do que este 2014 de má memória.


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Curtas (XLVII) : o estado de alma do MEC e as dicas do JAS

1.O estado de alma do MEC
O Miguel Esteves Cardoso (MEC) dedicou, recentemente, uma página inteira do Fugas ao restaurante Adega das Azenhas, cuja cozinheira, dona Lurdes de seu nome, foi posta nos píncaros da lua. Foi lá que o MEC encontrou o melhor peixe do mundo, os melhores pasteis de bacalhau, a melhor maçã assada, as melhores pêras bêbedas, etc.
Todos estes elogios despertaram-me a curiosidade e provocaram a ida a esta Adega das Azenhas, que já conhecera há alguns anos atrás e não me tinha deixado memórias gastronómicas. Não é que se coma mal, longe disso, mas aquele espaço, tipo cantina universitária ou refeitório da tropa, é deveras desconfortável e o serviço confuso e pouco eficiente.
Numa coisa estamos, o MEC e eu, de acordo: este restaurante é super barato. Quanto aos beijinhos que o MEC recebe da dona Lordes, eu dispenso-os, mas respeito o seu estado de alma.
2.As dicas do JAS
Li na visão.sapo.pt a selecção feita pelo José António Salvador (JAS), intitulada "Vinhos excepcionais para este Natal". Mas como o Natal já lá vai, considerem-se estas dicas para a passagem do ano:
.Espumante Soalheiro Alvarinho 2013
.Hexagon 2013 branco
.Qtª do Monte Xisto 2012 (da família Nicolau de Almeida)
.Qtª do Noval Vintage 2012
.Moscatel de Setúbal JMF 2004
Nada contra. Mas o que me despertou a curiosidade foi a fotografia que ilustrava a notícia. Nada menos que uma visão dos expositores de vinhos que existiam nas Coisas do Arco do Vinho (já não existem na actual versão) que, pelos vistos, continuam no arquivo da Visão. Foi uma espécie de matar saudades.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Prémios W 2014 (Aditamento)

Em relação à crónica anterior, faltou dizer: quem quiser saber mais informações, nomeadamente quanto aos nomeados (Top 10 de cada categoria), entre em w-anibal.com/media/pdf/PremiosW.

Prémios W 2014 (5ª edição)

O Anibal Coutinho nomeou, uma vez mais, o Top 10 em 21 categorias, onde incluiu, desde 2012, o Blog do Ano. Os outros universos abrangem Regiões Vitivinícolas, Produtores, Enólogos, Acontecimentos, Personalidades, Vinhos (brancos, rosés, tintos e fortificados), Enoturismo, Garrafeiras, Restaurantes (serviço de vinhos) e Wine Bares.
Nesta edição, o Top 10 dos Blogues contemplou :
.adega dos leigos
.air diogo num copo *
.bebes ponto comes *
.comer, beber, lazer *
.copo de 3 (vencedor em 2012)
.enófilo militante
.grão duque sambrasense *
.joão à mesa
.mesa marcada
.os vinhos
De destacar o facto de 5 destes blogues (adega dos leigos, copo de 3, enófilo militante, joão à mesa e os vinhos) constarem nas 3 edições que incluiram a blogosfera.
No meu caso, fico satisfeito. É sempre um incentivo para continuar e marcar a diferença.
De estranhar a inclusão do blogue vencedor em 2012, quando o de 2013 (e tudo o vinho levou) não foi incluido.
De referir a entrada de 4 novos blogues, a ocupar o espaço de alguns consagrados presentes em anos anteriores.
Mas os critérios são do Anibal Coutinho. Embora não concordando com tudo (a omissão do blogue joli wine & food, um dos meus preferidos, é uma injustiça), temos de aceitar.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Verdade do Vinho na Madeira

Na última 3ª feira, o programa Verdade do Vinho foi integralmente dedicado ao Vinho da Madeira. Os jornalistas da RTP, Sónia Araujo e Luis Baila, visitaram as principais casas produtoras deste néctar dos deuses e foi-lhes dado a provar autênticas raridades, ficando eu na dúvida que os tivessem apreciado devidamente. Numa situação destas, é costume dizer-se que dão nozes a quem não tem dentes...
E eu, confesso, fiquei cheio de inveja. Vejam só: entre outros, foram provados:
.Henriques & Henriques - Solera Malvasia 1900
.Barbeito - Malvasia 1880
.Instituto do Vinho da Madeira (IVM) - Bual 1954
.D' Oliveiras - Sercial 1937, Verdelho 1912, Boal 1908, Malvazia 1895 e Terrantez 1880
.Blandy - Bual 1969
Destas relíquias, apenas tenho provado o Blandy's Bual 1969, aliás excelente. Os outros, nem cheiro!
Vale a pena apreciar o programa, sendo ainda possível visioná-lo até 3ª feira. Indispensável a quem aprecie verdadeiramente o Vinho da Madeira!

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Vinhos em família (LVIII)

Mais uns tantos vinhos (3 tintos e 2 brancos), provados em família ou com amigos, com o rótulo à vista, a portarem-se bem. Desta vez não houve decepções.
.Muros de Magma Verdelho 2011 (Açores) - produzido pela Adega Cooperativa dos Biscoitos e proveniente das respectivas "Curraletas"; nariz discreto, acidez, mineralidade, notas amanteigadas e algum volume; uma boa surpresa vinda das Ilhas. Nota 17.
.Morgado Stª Catherina Reserva 2012 - estagiou 10 meses em barricas de carvalho francês; nariz contido, presença de citrinos, boa acidez, alguma gordura e volume, final de boca mediano; madeira ainda evidente, o que o prejudica nesta fase. Nota 16,5+.
.Vallado Reserva 2007 - 17 meses em meias pipas de carvalho francês; nariz complexo, acidez equilibrada, especiado, notas de tabaco e chocolate preto, taninos impressionantes mas sem agressividade, volume considerável e final muito longo; um grande Douro que não me canso de beber. Um aspecto menos simpático: a rolha desfez-se totalmente. Nota 18,5.
.Reserva Especial 2007 - ainda na força da juventude, fruta presente, acidez no ponto, especiado, taninos evidentes sem arestas, volume considerável e final muito longo. Provado em 2 momentos, só se evidenciando 48 horas após a abertura da garrafa. Nota 18.
.Grandes Quintas Reserva 2008 - produzido pela Casa de Arrochela no Douro Superior, com enologia do Luis Soares Duarte; estagiou 14 meses em barricas de carvalho francês; nariz fechado, acidez equilibrada, especiado, notas fumadas, taninos domesticados, algum volume e final longo; excelente relação preço/qualidade. Obteve uma medalha de ouro no Concurso Mundial de Bruxelas 2011. Nota 17,5+.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Grupo dos 3 (42ª sessão) : um Robustus em grande forma

A responsabilidade desta sessão vínica, coube ao Juca que trouxe da sua garrafeira 1 branco, 2 tintos e 1 fortificado, todos a portarem-se bem, sobressaindo o Robustus 2005, em excelente forma. Comparando com as notas atribuidas por mim, em situações anteriores, verifica-se alguma irregularidade na prestação dos vinhos, com especial incidência no percurso errático do Utopia. Por vezes a culpa é da garrafa, noutras vezes é o provador, cujo estado de espírito na ocasião pode originar alguma nota atribuida não muito correcta. Ficamos pela dúvida...
Quanto ao restaurante, remeto as minhas apreciações para a crónica "Grupo dos 3 (23ª sessão)", publicada em 30/5/2012, continuando a recomendá-lo.
Mas vamos aos vinhos provados:
.Redoma Reserva 2008 - nariz contido, presença de citrinos, acidez e vivacidade, madeira discreta, algum volume, mas final curto. Nota 16,5+ (noutras situações 17,5/17+/17,5).
Acompanhou uma entrada de cogumelos e enchidos.
.Utopia 2001 (ainda do tempo do saudoso José Mendonça) - côr algo evoluída, notas vegetais, taninos ainda presentes, algum volume e final longo; elegante. Nota 17,5 (noutras 17,5/17/16/15/16,5/16/16).
Ligou bem com o bacalhau à lagareiro.
.Robustus 2005 - nariz exuberante, fruta vermelha ainda presente, notas florais, boa acidez e frescura, especiado, um toque de chocolate preto, volume apreciável e final extenso. Excelente evolução. Nota 18,5 (noutras 17,5+/17,5).
Maridou bem com uma posta barrosã.
.Moscatel Setúbal Superior JMS 1993 (enologia de António Saramago que o dedicou ao seu pai) - frutos secos, citrinos, alguma acidez, gordura, taninos presentes, algum volume e final longo. Nota 18 (noutra 17,5+).
Casou bem com um quarteto de sobremesas (Serra, sopa de morangos, doce de abóbora e mousse de chocolate).
Mais uma boa sessão de comeres e beberes. Obrigado, Juca!


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Curtas (XLVI) : Sabores d' Itália e livros para o Natal

1.Sabores d'Itália
Já aqui referido por diversas vezes em "Sabores d' Itália, sempre!", Páscoa na Bairrada (II)" e "Sabores d' Itália revisitado", crónicas publicadas em 9/3/2011, 10/4/2012 e 14/5/2013, este restaurante, radicado nas Caldas da Rainha, é para mim o nº 1, vindo a ocupar o lugar do saudoso Flora, em Vila Franca de Xira. Tudo neste espaço é de muita qualidade, seja a gastronomia, a carta de vinhos, o serviço eficiente e profissional, o ambiente requintado e a simpatia dos donos, o Norberto na sala e a Maria João na cozinha.
É por tudo isto, que eu ao votar no melhor restaurante em Portugal, no âmbito da iniciativa anual do blogue Mesa Marcada, tenha sempre escolhido o Sabores d' Itália. Eles merecem!
Em recente visita voltei a escolher a sopa rica de peixe, o risotto de sapateira e a sopa de amoras com gelado, Tudo no patamar da excelência!
Por sugestão do dono, bebi um copo do branco Casa das Gaeiras Resrrva Vinhas Velhas 2013 (DOC Óbidos) - com base na casta Vital; aromático, fruta madura, excelente acidez, alguma gordura, complexidade, notável volume e final longo. Desconhecia este vinho, um grande branco e um dos melhores provados em 2014. Nota 18.
2.Livros para o Natal
Com o Natal à porta, não faltam sugestões para uma boa prenda, relacionada com o mundo do vinho, especialmente se dirigida a enófilos, militantes ou não:
.Douro - Rio, Gente e Vinho, de António Barreto (Ed. Relógio d' Agua)
.Guia do Enoturismo Portugal, de Maria João Almeida (Ed. Zest), em português e inglês
.Cada Garrafa Conta uma História, de Ana Sofia Fonseca (Ed. A Esfera dos Livros)
.Celebrar - o Melhor Vinho para cada Data Especial do Ano, de Vasco d' Avillez (Ed. Livros Horizonte)
.Dicionário Ilustrado do Vinho do Porto, de Manuel Pintão e Carlos Cabral (Porto Editora)
Não há fome que não dê em fartura...

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Regresso aos cogumelos em Lisboa

Ao restaurante Santa Clara dos Cogumelos, que revisitei recentemente, já dediquei a crónica "Cogumelos em Lisboa", publicada em 12/1/2014. A qualidade da cozinha mantem-se em alta, mas o serviço de vinhos precisa de ser afinado.
Nesta última visita, o menú oferecia 7 petiscos (5 a 8 €), 7 pratos (14 a 17 €) e 4 sobremesas (5 a 5,50 €). Não é barato, mas tudo o que ali se come vale bem o preço facturado.
Optei por Shitake à Bulhão Pato, Spaguetti alla Chitarra com lepiotas e taleggio e, ainda, merengue com cogumelos secos e framboesas. Tudo 5 estrelas.
Quanto a vinhos, inventariei 10 brancos (11 a 22 €) e 9 tintos (11 a 18 €). Destes,apenas 1 branco e 1 tinto a copo, o que é manifestamente insuficiente. Preços mais que comedidos para um restaurante.
Escolhi o branco Opta 2012, a copo (3 €) - frutado e aromático, citrinos presentes, boa acidez, simples, mas elegante e equilibrado. Nota 16.
O copo, de qualidade aceitável e quantidade generosa, já vinha servido e a garrafa nem sequer foi mostrada. No melhor pano cai a nódoa. Francamente...
Finalmente, a música estava muito alta (negativo) e o chefe Luigi Pintarelli, que também é o dono, veio à mesa mais que 1 vez (positivo).
Tenciono voltar, com uma ténue esperança de encontrar corrigidos os aspectos negativos aqui focados.

sábado, 6 de dezembro de 2014

O 3º aniversário da Adega Mãe

Pelos vistos estamos em maré de aniversários. Recentemente referi-me ao 3º aniversário da Garrafeira Néctar das Avenidas; hoje é a vez da Adega Mãe, já objecto da crónica "Visita à Adega Mãe", publicada em 3 partes, 4, 5 e 6/9/2013.
Desta vez o grupo de visitantes era mais alargado pois, além dos blogues Air Diogo num Copo (Diogo Rodrigues), Comer, Beber e Lazer (Carlos Janeiro), Enófilo Militante (eu próprio), E Tudo o Vinho Levou (Celma Carreira), Joli Wine & Food (Jorge Nunes) e O Vinho é Efémero (Elias Macovela), incluiu a Revista de Vinhos (Nuno Garcia) e representantes de diversos órgãos de comunicação social (Epicur, jornal I, Sol, Jornal de Vinhos, Revista Grande Consumo, Revista New in Town e The Wine Agency).
Fomos recebidos pelo Diogo Lopes, enólogo residente e a alma do projecto, pois o produtor, Bernardo Alves de seu nome, encontrava-se doente e o Anselmo Mendes, enólogo consultor, algures em parte incerta.
Após uma visita à adega (para mim, uma revisita), o Diogo orientou uma prova de vinhos, que incluiu uma vertical do Dory branco (2011, 2012 e 2013), o tinto Dory 2012 e os monocastas Petit Verdot, Merlot e Cabernet Sauvignon, todos de 2012, prontos para irem para o mercado.
Os vinhos deste produtor, quer os brancos, quer os tintos, têm alguns pontos comuns, por um lado são frescos e elegantes, em resultado da proximidade do Atlântico e, por outro lado, uma relação preço/qualidade exemplar.
Durante o almoço, onde foram servidos pastelinhos de bacalhau e 2 pratos do mesmo, lascado com açorda e lombo no forno, qualquer deles excelente, tivemos a oportunidade de os podermos confrontar com todos os vinhos provados anteriormente e, ainda com os Dory Reserva branco 2013 e tinto 2012.
Obviamente não tive a oportunidade para confrontar todos os vinhos à nossa disposição com os pratos de bacalhau, mas experimentei alguns. Maridaram bem com o bacalhau lascado os brancos Dory Reserva e o Chardonnay, e com o lombo os tintos Dory Reserva e o Merlot, que foi o monocasta que mais apreciei. Deste último, anotei : nariz intenso, muito fresco e elegante, acidez equilibrada, especiado, taninos redondos, volume de boca e um final extenso. Nota 17.
Quanto à sobremesa, é que não foi possível estabelecer qualquer boa ligação com os vinhos presentes. Fica aqui um desafio aos responsáveis da Adega Mãe: ou fazem um colheita tardia ou compram uma quinta no Douro (à conta do bacalhau Riberalves) para poderem produzir Vinho do Porto!
À saida, fomos obsequiados com os 3 monocastas (Petit Verdot, Merlot e Cabernet) e o Dory tinto.
Obrigado, pela parte que me toca!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Curtas (XLV) : Concurso de Vinhos e Companhia das Quintas

1.1º Concurso de Vinhos do Crédito Agrícola
Fui convidado pelo Rodolfo Tristão, presidente da Associação de Escanções de Portugal (AEP) e autor do Blogue Poetas do Vinho, para fazer parte de uma das 5 mesas de provadores, no âmbito do concurso acima referido, organizado pela AEP, em parceria com o Crédito Agrícola e no âmbito da Portugal AGRO.
Estiveram à prova 172 vinhos, provenientes de produtores e cooperativas, de Norte a Sul, tendo calhado à mesa onde me encontrava (2 escanções, 1 enóloga, 1 representante do Crédito Agrícola e eu, na qualidade de bloguista) 23 amostras, estando em causa a atribuição de Tambuladeiras dos Escanções de Portugal. Destes 23 vinhos provados, apenas 3 vieram ao encontro do meu gosto, mas nenhum me apaixonou. Ossos do ofício...
2.Companhia das Quintas
Tropecei, por mero acaso, numa garrafeira com vinhos, exclusivamente, da Companhia das Quintas (Qtª do Cardo, Qtª da Fronteira, Qtª de Pancas e Herdade da Farizoa). Está num dos espaços do Atrium Saldanha (Piso 2, Loja 84), mas só até ao final do ano. Até lá têm uma forte campanha, oferecendo 1 garrafa de vinho de gama de entrada, por cada garrafa comprada nas outras gamas (Grande Escolha, Reserva ou Selecção do Enólogo). Em 2015 estará noutro lado.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Jantar Sandra Tavares da Silva

Este jantar vínico, com vinhos e presença da enóloga e produtora Sandra T. Silva, o 39º organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, coincidiu com o 3º aniversário desta loja. Parabéns ao João e à Sara Quintela e votos de muitos mais anos de vida!
O evento decorreu, mais uma vez, no Hotel Real Palácio. A ementa manteve, talvez com a excepção da entrada, a qualidade habitual. O serviço de vinhos fez milagres, com mais de 200 copos Schott modelo bordalês a rodarem pelas mesas ao longo do repasto, o que não é nada fácil.
Desfilaram:
.Chocapalha Arinto 2013 - fresco e mineral, precisa de mais tempo de garrafa para dar o salto, O copo em que foi servido também não ajudou. Nota 15,5+.
Fez companhia a uma série de canapés.
.Guru 2013 em magnum (feito a meias com o Jorge S. Borges) -  fruta madura, caruma de pinheiro, boa acidez, madeira ainda presente, volume de boca; gastronómico e cheio de personalidade. Como dizia o Fernando Pessoa, primeiro estranha-se, depois entranha-se. Nota 17,5.
Acompanhou uma entrada de massa fresca, cogumelos porcini e natas. Era um prato pesado com a massa a sobrepor-se e alguma dificuldade de encontrar os cogumelos.
.Crochet 2012 (a meias com a Susana Esteban) - aromático,fruta vermelha presente, acidez e vivacidade, taninos vigorosos mas elegantes, volume e final longo; ptrecisa de tempo de garrafa para se mostrar plenamente. Nota 18.
.CH by Chocapalha 2011 - nariz inicialmente contido, a abrir ao longo do jantar, fresco, boa acidez, notas florais, taninos civilizados, volume médio e final extenso e adocicado. Nota 17,5+.
Estes tintos maridaram com um excelente lombo de bacalhau com açorda de camarão.
.Chocapalha Reserva 2012 branco - aromático, presença de citrinos e notas florais, boa acidez, alguma gordura e volume, Nota 16,5+.
Ligou bem com a tábua de queijos.
O evento acabou com o bolo de aniversário , acompanhado pelo Porto 10 Anos da Wine & Soul, demasiado simples para o patamar a que já estamos habituados.
Mais uma boa jornada, apesar de demasiado extensa, de convívio, comeres e beberes.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Mercado da Ribeira : o Expresso, o Sea Me, etc

1.Expresso: distração ou miopia?
Leio na Revista do último Expresso (Sábado 29/11) e não quero acreditar. Na reportagem dedicada aos Mercados de Campo de Ourique e da Ribeira (página 80 e seguintes), a jornalista Carolina Reis escreveu "(...) o novo Mercado da Ribeira abriu com 30 bancas, quatro delas da responsabilidade de conhecidos chefes nacionais: Alexandre Silva, da Bica do Sapato, Marlene Vieira, do Avenue, Vitor Claro, do Claro, e Henrique Sá Pessoa, do Alma. (...)".
 Então, e o consagrado chefe Miguel Castro e Silva? Não é um chefe nacional, como os outros 4? Não tem um espaço exactamente igual aos outros 4? A jornalista estava distraida ou é miope?
Francamente...
2.Sea Me: sopa de peixe rica ou pobre?
Já aqui referi o Sea Me por 2 vezes, a primeira crónica "Almoço no Sea Me", publicada em 20/8/2011, e a 2ª "Mercado da Ribeira : 4 em 1", editada recentemente em 16/11/2014.
Nesta última, dava conta que a sopa rica de peixe que me serviram, só era rica no nome. Como desculpa, disseram-me que era do fundo da panela. Conclusão, não a deveriam ter servido.
Recentemente, voltei a este espaço no Mercado da Ribeira, para comprovar se a culpa era mesmo do fundo da panela. Não era, a panela estava cheia, mas o que veio parar ao prato foram uns farrapos de peixe. Nem um camarão, nem um mexilhão, nada!
É preciso descaramento, chamarem àquela sopa rica. Deveriam corrigir o nome para sopa pobre de peixe! Aliás, o cartaz que a publicita refere que é elaborada "com aquilo que o mar nos traz". Pelos vistos, traz pouca coisa...
Francamente...
Mas nem tudo é mau. O torricado de atum (6 €), que vem praticamente cru, é muito saboroso e recomenda-se.
3.Cozinha da Felicidade (Petiscos à Portuguesa)
Também comi neste espaço, embora noutro dia, um saborosíssimo atum dos Açores braseado com batata doce (9 €), Uma delícia.
Em qualquer uma destas visitas não bebi vinho, tendo-me ficado pela água. Há que dissolver em água os vinhos que tenho provado/bebido nestes últimos dias:
.6ª feira - jantar de Vinhos Sandra T. Silva
.Sábado - visita à Adega Mãe, com almoço
.Domingo - em família, com Soalheiro e Reserva Especial 2007
Oportunamente publicarei as respectivas crónicas.