quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Novo Formato+ (20ª sessão) : tintos 2006 em queda livre

Mais uma sessão com este grupo de amigos, tendo o João Quintela e a Paula Costa disponibilizado a comida, os vinhos e a casa.
A bebida de boas vindas ficou a cargo do espumante Elpídio das Caves S.Domingos, em garrafa magnum, a cumprir bem a sua missão. Acompanhou frutos secos e patés.
O repasto foi iniciado com uma opulenta e saborosa feijoada, dita à transmontana, e fez-se acompanhar por 4 tintos da colheita 2006, provados às cegas. São vinhos que se mostraram contraditórios, pois, se por um lado, pareciam evoluidos na côr e nos aromas, por outro, na boca, apresentaram uma acidez que poderia pronunciar mais alguns anos de vida. Mas, falta-lhes harmonia e equilibrio, revelando-se pouco interessantes ao nosso palato. E eles eram, por ordem de pontuação pessoal: Calda Bordaleza (16,5+), o que melhor ligou com a feijoada, Passadouro Reserva (16,5), Niepoort Voyeur (15,5) e Vallado Sousão (14,5).
Consultados os meus registos, posso adiantar:
.no meu Quadro de Honra, actualizado em Agosto de 2014, apenas constam 6 tintos de 2006 (Aneto Grande Reserva, Carrocel, Crasto T.Nacional, Poeira, Qtª do Mouro Rótulo Dourado e Vale Meão), ou seja 4,6 % do total de vinhos tintos, contra 28 de 2004, 22 de 2005 e 19 de 2007
.em Novembro 2012, dizia que o Poeira tinha sido uma desilusão absoluta e o Crasto T N deveria ser consumido de imediato
.em Março 2013, escrevia que o Pintas seria de despachar, mas o C V poderia aguentar mais 2/3 anos
.em Dezembro 2013, confirmava que o Aneto, Carrocel e Poeira estavam abaixo do esperado, mas o C V tinha-se portado à altura.
Moral da história: se calhar a maior parte dos topos de gama de 2006, deveriam ter saído como uma segunda marca.
Continuando com o repasto, a seguir viria um branco Foz de Arouce 2003 - com base na casta Cerceal e estagiado em madeira, fruta madura, ligeira oxidação, belíssima acidez, alguma gordura e volume, final longo. Nota 17,5.
Acompanhou muito bem uma tábua de queijos e foi a surpresa do dia. Já o Porto Vintage Qtª do Vesúvio 1998, ainda com muita fruta, mas com um volume e final de boca médios, não entusiasmou. Nota 16,5.
No final do repasto, a maridar com um excelente doce caseiro, à base de maçã reineta, avançou um tawny de um produtor particular, com uma idade aproximada de 70/80 anos - frutos secos, acidez equilibrada, taninos firmes mas civilizados e final longo; penalizado pelo excesso de aguardente proveniente de refrescamento recente, suponho. Nota 16,5+.
Mais uma excelente sessão de convívio e comeres, com os beberes nem por isso. Obrigado Paula e João!

2 comentários:

  1. Só por curiosidade, bebi há poucos dias um Dona Berta Reserva 2006 (em mangnum) que estava muito bom e equilibrado.

    Um abraço e continuação de boas crónicas!

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  2. Obrigado pelo seu comentário e um abraço.

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