quinta-feira, 5 de março de 2015

Colheita de 2005 e um prémio de consolação

1.Colheita de 2005
A Revista de Vinhos (RV), no seu nº de Fevereiro, à semelhança de anos anteriores, divulgou uma interessante prova de vinhos, sob o sugestivo título "Dez anos depois : grandes tintos de 2005".
O painel da RV provou 33 vinhos, dos quais 7 tinham "rolha", uma percentagem algo anormal. Consultados os meus registos, constatei ter provado, nos últimos tempos, 16 vinhos da colheita de 2005 (alguns mais de 1 garrafa e 0 com "rolha"). Mais, dos vinhos de 2005, provados ao longo dos anos, seleccionei 22 para o meu Quadro de Honra de tintos, só sendo ultrapassados pelos vinhos de 2004, para mim a colheita da década.
Segue a lista dos tintos de 2005, maioritariamente do Douro, e as notas por mim atribuídas (entre parêntesis as do painel da RV):
.Batuta - 17+/16,5+ (17 em magnum, pela RV)
.Noval - 18,5/18 (17,5)
.Pintas - 18,5/17,5+/17,5 (17,5)
.Qtª Crasto T.Nacional - 19/18,5+ (a RV provou a Maria Teresa)
.Qtª Vale Meão - 18,5/18,5/18 (RV 18,5)
.Robustus - 18,5/17 (não provado pela RV)
.Terrus - 17,5+ (idem)
.Três Bagos Grande Escolha - 18,5+/18,5 (não provado pela RV, o que não se entende)
.Vallado Reserva - 17,5 (RV 18,5)
.Qtª Pellada - 17 (a RV provou o Pape)
.Kompassus Private Selection - 18,5+ (não provado pela RV, o que também não se entende, pois foi na altura um dos Prémios Excelência)
.Qtª Bageiras Garrafeira - 17,5/17+ (RV 17,5)
.Qtª Ribeirinho Baga Pé Franco - 17,5 (não provado pela RV)
.Vinha Barrosa - 18 (RV 18,5)
.Qtª Foz Arouce Vinhas Velhas - 17,5+ (não provado pela RV)
.S de Soberanas - 17,5+ (não provado pela RV)
2.Um prémio de consolação
Já publiquei algumas crónicas, a última das quais em 28/1/2014 intitulada "Pintas 2011 : será desta vez?", referindo-me à injustiça de não ter sido ainda atribuido o prémio de enólogo do ano à Sandra Tavares da Silva e ao Jorge Serôdio Borges. Não o foi em 2014, nem sequer este ano. Apenas tiveram direito a um prémio de consolação, o "Produtor do ano", a meias com a Casa da Passarella.
Hei-de morrer sem entender o porquê da coisa!

9 comentários:

  1. Caro Francisco, o "não se entende", entender-se-ia se considerar que a prova se faz com os vinhos que ainda estão disponíveis nos respectivos produtores. Já quanto ao prémio de Produtor do Ano, sendo a maior distinção que a RV pode dar a um produtor português, gostaria de saber em que se baseia para lhe chamar "prémio de consolação"? Abraço

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    1. Caro João Geirinhas,
      1.Quanto ao "não se entende", eu não atribui culpas a ninguém, pois ignoro se foi a RV que não pediu ou o produtor que não enviou. Mais, os Lavradores de Feitoria vão relançar o Grande Escolha, logo não entendo mesmo porque não foi enviado para a prova.
      2.Vai-me desculpar, mas isto é uma "guerra" minha que dura há anos e que deu algumas trocas de comentários consigo e com o João Paulo Martins. Eu, no caso da Sandra ou do Jorge, preferia mil vezes ser considerado um grande enólogo, em vez de um grande empreendedor, mais a mais a meias com outra empresa. É a minha opinião, mas respeito a vossa.
      Abraço.

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    2. Francisco, também respeito a sua opinião, mas acho que há um problema de percepção da sua parte. O prémio para o empreendedor é a Empresa do Ano. O prémio do Produtor reflecte exclusivamente a qualidade dos vinhos da casa e é isso que está em causa. O Enólogo é um técnico que trabalha muitas vezes sob as ordens de terceiros.

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    3. Caro João Geirinhas,
      Percebi o seu ponto de vista. Tudo bem. Abraço,
      FBC

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  2. Eu, já agora gostaria de satisfazer a minha curiosidade. Quando a RV prova os vinhos é com base em vinhos comprados, pedido amostras aos produtores, envio voluntário de amostras por parte dos produtores,...? Como é? É que havendo cerca de 20-21000 produtores/engarrafadores em Portugal, o palco vai sempre para um conjunto de, vá lá, 25. O resto continua a anos luz da qualidade desejada? Mas a mesma questão faço relativamente às outras revistas do sector existentes em Portugal. Albino

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  3. Peço desculpa ao FBC por tomar um espaço que não é meu para responder a uma pergunta. Sim, a RV prova com base no envio voluntário de amostras dos produtores na maior parte e, nos casos dos painéis de prova temáticos, no pedido directo aos produtores. Não, não é verdade serem sempre os mesmos. Este ano foram premiados 624 vinhos com o selo Boa Compra (boa relação qualidade/preço), 169 vinhos "Melhores de Portugal" (os melhores em cada uma das regiões) e 30 Prémios de Excelência, os melhores absolutos. Em qualquer das categorias houve grande renovação, embora, como é evidente alguns nomes sejam recorrentes.

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  4. Caro João Geirinhas, obrigado pela resposta.
    Aproveito para lhe questionar, e acredito que o FBC não se importará com a ocupação do seu espaço, o que faltará aos outros tantos produtores para que vejam os seus vinhos reconhecidos? É efetivamente qualidade dos mesmos, ou também trabalho de marketing? É que é a maior partes das empresas vinícolas portuguesas tem quase um registo familiar e não tem capacidade para o tal marketing.
    Cumprimentos,
    Albino

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  5. Eu acho que para o reconhecimento da critica especializada o marketing conta pouco, Para as vendas, sim, é determinante. Mas o vinho é um negócio com um investimento a longo prazo e não se compadece com amadorismos. Sabe quanto custo manter uma vinha em condições? Quantos tratamentos são precisos ao longo do ano? Sabe a importância de determinar com exactidão o dia exacto da vindima e a ordem com que ela deve ser feita? Sabe a importância do sistema de frio numa adega?,E o preço de uma cuba inox com sistema de remontagem da manta? E uma barrica de bom carvalho? E o controlo de temperatura durante o estágio? E...? Agora diga-me lá como é que a sua empresa familiar entra neste campeonato?
    PS. Para não abusar mais da boa bontade do nosso amigo Francisco, sugiro que se tiver mais perguntas as coloque no site da RV ou na pagina do FB Revista de Vinhos PT. Obrigado.

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  6. Não tenho qualquer empresa familiar ou ligação ao meio. Apenas curiosidade. Obrigado pelos esclarecimentos. Albino.

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