terça-feira, 17 de março de 2015

Jantar Real Companhia Velha

Mais uma iniciativa da Garrafeira Néctar das Avenidas, desta vez em colaboração com a Casa do Bacalhau que inaugurou mais uma belíssima sala, também com arcadas do século XVIII e abóboda construida com tijolo burro. As paredes, forradas a espelho e vidro, já fizeram estragos, pois o mentor do jantar, ao tentar passar por uma porta, abriu um lenho na cabeça, com direito a 4 pontos. Mas aguentou-se que nem um leão, ele que é do Benfica, e lá esteve no jantar. Da parte da RCV, marcaram presença o Jorge Moreira, responsável pela enologia, e a familia do produtor, representada por Manuel Reis (comercial) e o sobrinho Pedro Reis (marketing).
E o que se bebeu e comeu?
.Espumante RCV bruto 2012, a cumprir bem a sua missão de boas vindas e a acompanhar pataniscas e pastéis de bacalhau.
.Qtª de Cidrô Alvarinho 2013 - muito fresco e mineral, presença de citrinos, boa acidez, volume e final médios; falta-lhe a complexidade dos Alvarinhos de Monção/Melgaço. Nota 16.
Fez um excelente casamento com um fatiado de bacalhau, com vinagre cítrico e alcaparras (chamaram-lhe "carpaccio", termo que erradamente a restauração adoptou).
.Evel XXI 2013 branco - com base nas castas Arinto, Viosinho e Rabigato, só estagiou em inox; nariz inicilamente discreto, veio a abrir, acidez no ponto, boca envolvente, volume notável para um vinho branco, final longo; gastronómico. Uma boa surpresa. Nota 17.
Acompanhou muito bem uma saborosíssima posta de bacalhau com aveludado de caril.
.Qtª dos Aciprestes Reserva 2012 - nariz intenso, muito frutado, notas apimentadas, acidez equilibrada, taninos presentes e redondos, bom volume de boca e final longo: todo ele muito harmonioso e com excelente relação preço/qualidade. Nota 17,5.
.Carvalhas Tinta Francisca 2011 (deveria ter sido a colheita 2012, mas alguém trocou as mãos) - aroma austero, acidez q.b., taninos algo agressivos, volume médio e final curto; desequilibrado no seu todo, uma curiosidade com um preço demasiado elevado para a qualidade mostrada.
.Carvalhas Vinhas Velhas 2012 (não estava previsto, mas ainda bem que nos fizeram esta grande e simpática surpresa) - arma complexo, acidez no ponto, especiado, notas evidentes de chocolate e tabaco, grande volume de boca e final longo. Um grande Douro que vai crescer nos próximos 5/6 anos. Nota 18,5.
Os tintos acompanharam uma empada de bacalhau com grelos salteados, que chegou à mesa um pouco seca.
.Grandjó Late Harvest 2008 - aroma intenso e complexo, presença de citrinos (tangerinas, especialmente), boa acidez, gordura, volume e final de boca. Todo ele muito equilibrado, é um dos melhores colheitas tardias saídos com a chancela da RCV.  Nota 17,5+.
Maridou bem com um creme rico queimado.
Foi, ainda provado um LBV, Carvalhas 2010, que não estava previsto e se portou bem. Fiquei com a ideia que era a sua primeira apresentação pública.
Mais uma grande jornada, com grandes vinhos e uma ou outra relativa desilusão.

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