terça-feira, 10 de março de 2015

Lisboa Restaurant Week (I) : Arola, a desilusão

O Arola, um dos 5 restaurantes do Penha Longa, é, segundo o site lifecooler, "o primeiro restaurante em Portugal a contar com a assinatura do chefe catalão Sergi Arola". Um chefe estrelado, acrescento eu.
É um espaço moderno, arejado e luminoso, com vista parcial para o campo de golfe, com música demasiado alta, baixada a pedido. Mesas completamente despojadas, mas guardanapos de pano.
Começando pelo couvert, este vinha documentado com um pequeno texto que nos coloca no tempo da guerra civil, onde o povo catalão que passava fome, aproveitava o pão duro barrando-o com tomate para ficar mais macio. Os ingredientes foram postos na mesa, com as respectivas instruções de utilização: corte o alho e espalhe sobre a tosta, corte o tomate, etc. Isto é engraçado, mas não faz qualquer sentido num restaurante, exigindo de imediato lavar energicamente as mãos para que o cheiro activo a alho desaparecesse. Mais, por este trabalho cobraram 5 € (2,50 por pessoa)!
A seguir vieram as entradas, salada de caranguejo, presas ibéricas e batatas bravas, o mais interessante da refeição. Quanto ao prato, bochechas de porco braseado, nada acrescentaram às que se comem em qualquer restaurante médio. A sobremesa, iogurte cremoso com gelado de côco e doce de framboesa, apresentou-se completamente desinteressante. Para um restaurante de um chefe estrelado, esperava muito mais.
Quanto a vinhos, para além de um menú de 3 (18 €), inventariei pouco mais de meia dúzia de brancos e tintos a copo. A carta vem em suporte magnético, de leitura não imediata e demorada, com cerca de 500 referências, algumas a preços demenciais.
Bebi um tinto a copo, Qtª do Encontro 2011 (6 €, um exagero*) - um bairradino, com base nas castas Baga e Merlot; muita fruta, acidez no ponto, alguma doçura, taninos gulosos, volume e final de boca médios. Nota 16,5. A garrafa veio à mesa, o vinho dado a provar em copo Rona (?) de vidro demasiado grosso e servida, a olho, uma quantidade razoavelmente somítica. Temperatura nos mínimos do aceitável.
Serviço juvenil e correcto.
Finalmente, as casas de banho são nas catacumbas, sendo necessário descer 2 lanços de escada e, obviamente, voltar a subi-los. Olhem lá, se eu tivesse ido na conversa do couvert, eram mais 2 viagens!
* a propósito de exageros, pelo café cobraram 3,50 €!

6 comentários:

  1. São os chamados restaurantes presunçosos.
    Um forte abraço

    ResponderEliminar
  2. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

    ResponderEliminar
  3. Qtª do Encontro 2011?? O do rotulo laranja? Por € 6 deve dar para comprar 3 garrafas ou quase ao distribuidor.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro anónimo (pode identificar-se?)
      Não era o rótulo laranja, mas o preço foi demasiado elevado.

      Eliminar
  4. Este tipo de situação começa a ser habitual. Ganha-se um nome e depois puf!!! E Ainda pagamos para trabalhar!!!
    Excelente!

    ResponderEliminar
  5. Outra questão. Não será o Restaurant Week um facalhão de dois "legumes"?

    ResponderEliminar