quinta-feira, 28 de maio de 2015

Bairradão em Lisboa

1.Os preliminares
A Garrafeira Néctar das Avenidas organizou mais uma ambiciosa jornada vínica, juntando cerca de 20 produtores/marcas do Dão e 10 da Bairrada, com o sugestivo nome de Bairradão.
O evento decorreu no dia 22 de Maio, nas salas do Hotel Real Palácio, com entrada livre, tendo passado por ali cerca de 300 pessoas, das quais a maioria seria enófila, mas também alguns só lá foram para beber um copo (ou mais) de borla. Eu, por princípio, já me manifestei contra algumas provas pagas em garrafeiras, nomeadamente a Empor Spirits & Wine e a Delidelux. No entanto, neste caso do Bairradão, assim como nos grandes eventos organizados pela Revista de Vinhos e pela Wine, compreendo perfeitamente que seja cobrado o acesso às provas.
Devido ao facto da afluência ter sido acima do esperado e o espaço reservado para as provas não ser muito alargado, o evento teve alguns momentos de confusão, com um excesso de provadores por metro quadrado.
De qualquer modo e amizades à parte, os donos da Nécter das Avenidas (o João e a Sara Quintela) estão de parabéns, não só por este evento, como também pelos jantares vínicos que têm vindo a organizar periodicamente. Que eu saiba, mais nenhuma outra garrafeira ou loja gourmet, têm feito um trabalho semelhante na promoção do vinho, perante o silêncio ensurdecedor das revistas da especialidade.
2.A prova
Quanto aos vinhos por mim provados, dediquei-me exclusivamente aos brancos, pois este tempo quente afasta-me dos tintos. Dos cerca de 20 brancos provados, destaco o Pai Abel 2013 e o Qtª da Fallorca Encruzado 2014, para mim a grande surpresa deste painel. Logo a seguir, Casa de Saima 2008 (ainda cheio de saúde), Vinha Formal 2013, Casa da Passarella O Enólogo Encruzado 2013, Qtª Fonte do Ouro Encruzado 2014 e Paço dos Cunhas Vinha do Contador 2013. Noutro plano, mas ainda em patamar de qualidade, Qtª do Carvalhão Torto Encruzado 2014, Vinha Paz 2013 (?), Qtª Saes Reserva 2013, Luis Patrão Vadio 2013, Qtª S.João Lote Especial 2013, Qtª da Fata Encruzado 2013, Qtª Fonte do Ouro Encruzado/Arinto 2014, Qtª dos Roques Encruzado 2013 e Qtª da Ponte Pedrinha Malvasia/Encruzado 2013(?).  Finalmente, os menos interessantes para mim, Qtª do Cerrado Encruzado 2012 e Qtª dos Roques Malvasia 2012.
3.O jantar
Estavam organizados 2 jantares bufete, sendo o 1º com vinhos Bairrada e o 2º com vinhos Dão, tendo eu alinhado no primeiro, mais pelo horário (19h30/21h30) do que pelos vinhos.
O jantar bufete, com a qualidade possível e de acordo com uma logística nada fácil, arrastou-se demasiado indo para além da hora prevista, até porque foram apresentados pelos respectivos produtores 13 vinhos (3 espumantes, 5 brancos, 4 tintos e 1 colheita tardia, todos da Bairrada).
Não estando reunidas as condições ideais para registar as respectivas notas descritivas dos vinhos provados, limitei-me a apreciá-los e pontuá-los (com excepção dos espumantes que não cheguei a provar), de acordo com o meu gosto e sensibilidade.
E eles foram, por ordem cronológica: espumantes Caves São Domingos Elpídio, Sidónio de Sousa Rosé e Qtª das Bageiras, brancos Volúpia 2014 (15,5), Encontro1 Arinto 2012 (17), Encontro 1 lote 2010 (17), tintos Luis Patrão Vadio 2011 (17,5+), Sidónio Sousa Garrafeira 2009 (13), Frei João 1985 em magnum (18) e Marquês de Marialva 1991 em magnum (17,5), brancos Casa de Saima  Reserva 2008 (17+), Vinha Formal 2003 (15) e Apartado 1 Colheita Tardia 2012 (15,5).
4.Os finalmentes
Saldo francamente positivo, com alguns pormenores a pedir correcção em próximas edições.
Parabéns aos organizadores. Estão no bom caminho!








2 comentários:

  1. Caro Francisco, sobre o silencio das revistas, ensurdecedor será o silencio da garrafeira. Como saberá, na RV procuramos ter uma agenda de eventos tão actualizada e completa quanto possível, com base nas informações que recolhemos por diversos meios. Numa opção legitima que não discuto, a NdasA optou sempre por não comunicar e não anunciar à CS as suas inciativas que presumo privadas e comunicadas directamente aos seus clientes. Desse modo, não podemos anunciar o que não conhecemos.

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    1. Caro João Geirinhas,
      Obrigado pelo seu comentário. Percebo a sua posição e lamento que a Néctar das Avenidas se apague, ao não divulgar as suas inúmeras actividades.
      Um abraço.

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