quinta-feira, 23 de julho de 2015

No rescaldo da visita à Real Companhia Velha (IV): a Quinta de Cidrô

...continuando...
Esta é a última crónica sobre a visita à RCV, incidindo maioritariamente sobre a Qtª de Cidrô, onde jantámos e dormimos.
Antes da refeição, para entreter o palato, provámos o varietal Qtª do Cidrô Sauvignon 2014. Já no repasto, vieram para a mesa mais alguns vinhos desta marca:
.Sémillon 2013 - fruta presente, algum vegetal, notas amanteigadas, acidez nos mínimos, volume e final médios. Não entusiasmou. Nota 16.
Acompanhou alheira e torricado de tomate.
.Pinot Noir 2009 - ainda com alguma fruta, notas florais, boa acidez, elegante, taninos macios, volume e final médios. Nota 16,5+.
Não ligou minimamente com uma sopa de legumes.
.Touriga Nacional 2012 - fresco, floral, elegante, acidez equilibrada, especiado, taninos civilizados, algum volume e final longo. Nota 17,5+.
Casou bem com o prato de cabrito assado.
.Cabernet/T.Nacional - aroma exuberante, notas vegetais, algum floral, acidez no ponto, taninos presentes sem incomodar, volume apreciável e final longo. Um bom exemplo de um casamento exemplar entre estas 2 castas. Nota 18.
.Oporto Colheita 1976 (sem indicação da data de engarrafamento) - frutos secos, alcool muito presente, alguma acidez, mas sem a complexidade de outros colheitas com esta idade, Desiludiu. Nota 15,5.
No final do repasto tivemos direito a um serão musical, abrilhantado pelo viticultor Alvaro Martinho, também músico, cantor e letrista, que animou o grupo até às tantas. Quem tiver curiosidade, pode vê-lo e ouvi-lo no youtube a interpretar "A minha vinha", com letra e música deste artista.
De notar, ainda, que antes do almoço na Casa Redonda (referido na crónica anterior), visitámos a adega, em Favaios, e a vinha da Qtª Casal da Granja, onde se dão as uvas da casta Sémillon, destinadas ao Grandjó Late Harvest, aproveitando o calor e humidade que ali encontram, óptimos para o desenvolvimento do fungo Botrytis Cinerea.
A fechar, deixo aqui as minhas impressões finais da visita à RCV:
1.Positivas
.a recepção e acompanhamento calorosos como o grupo foi acolhido, por parte da família Silva Reis
.a quantidade e qualidade dos vinhos provados em geral e as comidas que os acompanharam
.a energia inesgotável do hiper activo e polivalente Alvaro
2.Susceptíveis de crítica
.o excesso de vinhos com castas estrangeiras (sensivelmente 1/3 dos vinhos provados)
.curiosamente no mesmo dia que iniciámos a visita à RCV, saiu na Fugas a crónica semanal do Rui Falcão, intitulada "Promover Portugal?", em que, logo no 2º parágrafo, refere "Uma postura filosófica e comercial que é contrariada de forma cada vez mais gritante por demasiados produtores que introduzem um número crescente de variedades estrangeiras nas suas vinhas, triste sina que é visível na maioria das regiões nacionais. Até no Douro (...)". Assino por baixo!

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