domingo, 26 de julho de 2015

Visita à Quinta da Alorna

Louve-se, em primeiro lugar, a atenção dada pela Qtª da Alorna ao mundo da blogosfera. É mais um produtor a considerar que as opiniões dos enófilos não se esgotam na crítica especializada. Bem hajam por isso. Da meia dúzia de convidados, apenas puderam comparecer 3, os blogues "Comer, Beber & Lazer" (Carlos Janeiro), "Reserva Recomendada" (Rui Pereira) e este "Enófilo Militante" (eu próprio).
Eu já conhecia a Alorna, pois no meu tempo das CAV, a convite do Nuno Cancella de Abreu (NCA), na altura administrador e responsável pela enologia, chegámos a organizar uma visita à Alorna com um grupo de clientes. A Marta Simões, que agora nos recebeu, era o seu braço direito, mas desde já há alguns anos, com a saída do NCA, assumiu a responsabilidade da enologia
Visitada a adega, deu-se início às provas, orientadas pela Marta. Tivemos o privilégio de que tivessem ocorrido no interior do palácio, normalmente fechado às pessoas estranhas à quinta. O Palácio, agora propriedade da família Lopo de Carvalho, foi mandado construir em 1725 por D.Pedro de Almeida Portugal, 1º Marquês de Alorna.
Embora o palácio já não pertença à família que o mandou construir, os actuais proprietários não o esqueceram e deram aos seus vinhos topo de gama, o nome de "Marquesa de Alorna", em homenagem à 4ª Marquesa, D. Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre (1750/1839), ilustre poetisa, pedagoga e detentora de excepcional cultura para a época.
Voltando aos vinhos, provámos:
.Qtª Alorna 2014 branco - castas Fernão Pires (60 %) e Arinto (40 %); presença de citrinos, muito fresco e com algum volume; excepcional relação preço/qualidade (inferior a 4 €). Nota 16+.
.Marquesa Alorna Grande Reserva 2013 - estagiou 9 meses em barricas novas de carvalho francês e outros 9 na garrafa antes de ser comercializado; alguma acidez e gordura, mas ainda muito marcado pela madeira, volumoso e gastronómico; irá afinar com o tempo (?). Nota 16,5
.Qtª Alorna T.Nacional/Cabernet Reserva 2011 - a Touriga entra com 70 % e o Cabernet com os restantes 30 %; ostenta uma medalha de ouro, atribuida no concurso Mundus Vini 2014; fruta vermelha, notas vegetais, alguma acidez, notas de tabaco, volume e final médios; boa relação preço qualidade (6,50 €). Nota 16,5+.
.Qtª Alorna 2012 - com base nas castas Syrah, Alicante, Castelão e T.Roriz; medalha de ouro no Challenge International du Vin 2015; alguma fruta e acidez, simples e correcto, volume e final médios, taninos redondos e doces, Nota 15,5.
.Marquesa de Alorna Grande Reserva 2011 - estagiou 14 meses em barricas novas de carvalho francês e mais 12 em garrafa; nariz complexo, acidez no ponto, fresco e especiado, alguma gordura, volume e final assinaláveis; muito equilibrado. Nota 17,5+.
De notar que os tintos sairam prejudicados, por terem sido provados a temperaturas acima do recomendável. Uma pena...
Durante o almoço, que teve lugar na mesa da família (com esta ausente, claro), provámos/bebemos, ainda:
.Rosé T.Nacional 2014 - simples e correcto, a ligar bem com salmão fumado laminado (nota 15,5)
.Verdelho 2014 - bela acidez e todo ele muito equilibrado, a acompanhar uma sopa fria de melão e presunto (nota 16,5)
.Reserva Arinto/Chardonnay - a frescura do Arinto a coligar-se harmonicamente com a gordura do Chardonnay; gastronómico, casou bem com farinheira e queijo de cabra; uma boa surpresa (nota 17,5)
.Colheita Tardia 2012 - alguma acidez, déficite de gordura e volume, demasiado light para o meu gosto, mas a ligar bem com mousse de lima (nota 15,5)
.Abafado 5 Anos - tem a gordura que falta ao CT, mas peca por excesso de doçura, fez boa companhia ao doce regional "pampilho" (nota 16).
Resumindo e concluindo, os vinhos da Qtª da Alorna são, no geral, interessantes e bem feitos, apresentando uma relação preço/qualidade excepcionais.
À saída, ofereceram a cada participante uma caixa com 3 varietais da Qtª da Alorna (Verdelho 2014, Arinto 2014 e T.Nacional 2013).
Obrigado Marta pela visita e pela lembrança!

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