sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Rescaldo da ida ao Douro (V) : a Quinta Madre de Água, a fechar com chave de ouro

Na 5ª e última etapa, já de regresso a casa, desviámos para Gouveia e daí para Vinhó, onde se localiza o surpreendente Hotel Rural Quinta Madre de Água (QMA), já aqui elogiado em "Rescaldo das férias (I)", crónica publicada em 24/7/2014.
Fomos almoçar neste aprazível e inigualável restaurante, onde decorria o Música com Gosto, resultante de uma parceria da Revista de Vinhos com a M80 Rádio, cujo menú foi criado pelo promissor chefe António Batista e estará disponível até ao dia 18 de Outubro.
Foi uma das melhores refeições que fiz no corrente ano. Os críticos da nossa praça andam mesmo distraídos. À atenção do Fortunato da Câmara (Expresso), José Augusto Moreira (Público), Fernando Melo (Evasões-Diário de Notícias), Miguel Pires e Duarte Calvão (Blogue Mesa Marcada), Luis Antunes (Revista de Vinhos) e outros...
Quanto aos comeres e beberes, o menú (30 €, com direito a 3 vinhos QMA) rezava assim :
.Entrada - folhado de queijo QMA, salada fresca da nossa horta, frutos secos e redução de balsâmico, acompanhada pelo Encruzado 2013 - frutado, citrinos evidentes, acidez equilibrada, mineralidade, alguma gordura e volume, final médio. Nota 16,5+.
.Prato principal - cabrito e batata no forno, em cama de grelos, servido em xisto, harmonizado com o Touriga Nacional 2012 - frutado, algum floral, acidez no ponto, especiado, notas fortes de pimenta, taninos presentes, algum volume e final de boca longo; é pena que ainda se note algum pico na língua, a exigir decantação. Nota 17.
Por simpatia das empregadas, foi-me dado a provar o Touriga Nacional 2011, com um perfil diferente e maior complexidade, que me apaixonou (resultado: comprei 2 garrafitas que oportunamente apreciarei condignamente).
.Sobremesa - 5 texturas de produtos QMA (leite creme, pudim de azeite, petit gateau, gelado artesanal de frutos vermelhos e idem de limão), mas que não ligaram minimamente com o Rosé 2014 - simples, embora correcto, mas sem o perfil e estrutura indispensáveis à respectiva maridagem. Nota 13.
Fica aqui o desafio para que os responsáveis pela QMA ponderem, seriamente, a produção de um colheita tardia!
Não estava no menú, mas foi servido um belíssimo couvert, constituído por produtos QMA (manteiga de ovelha com ervas da horta do chefe, queijo de ovelha curado, azeite e azeitonas).
Serviço eficiente e excepcionalmente simpático. Para ser perfeito, faltou terem dado a provar os vinhos servidos. Não custava nada...
De registar e aplaudir que este imperdível restaurante possui uma carta de vinhos muito bem elaborada, apesar de curta, com indicação dos anos de colheita, centrada no Dão, como seria de esperar, e incluindo alguma preciosidades a preços sensatos (Barca Velha, Pera Manca, Vale Meão e Carrocel, entre outros).
Este restaurante tem uma localização única, pois da minha mesa, podia ver a vinha num lado (situada a 580 metros de altitude, sublinhe-se) e os cavalos noutro.
Concluindo: este almoço fechou com chave de ouro, esta visita ao Douro. Obrigatório conhecer a QMA!


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