quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Jantar de Vinhos Herdade das Servas : a qualidade em duplicado (vinhos e comida)

Foi o 45º jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas e decorreu no restaurante Via Graça. Depois do "desastre" do último jantar (crónica de 5/11/2015), este não podia ter corrido melhor. Vinhos, gastronomia e harmonizações a merecerem nota alta. Parabéns aos organizadores (João e Sara Quintela), mas também ao João Bandeira (proprietário e responsável pela cozinha) e ao Fernando Zacarias (serviço de vinhos). O Via Graça tem, ainda, outras mais valias: uma vista de arrasar (para a baixa pombalina e ponte 25 de Abril) e copos Riedel para todos os vinhos.
A parceria foi com a Herdade das Servas (representada pelo seu enólogo, Tiago Garcia de seu nome), com a qual sempre tive as melhores relações institucionais e pessoais, mesmo depois de me ter reformado das CAV. Deste produtor e dos seus vinhos já aqui falei nas crónicas "A Herdade das Servas e a Blogosfera" em 22 e 23/1/2011, "Provar vinhos no Chafariz com a Herdade das Servas" em 16/11/2013 e "Herdade das Servas revisitada" em 21/10/2014.
Como vinho de boas vindas, a acompanhar croquetes e tostas com paté de sapateira, foi servido o rosé Monte das Servas Escolha 2014, correcto, nem adocicado nem muito seco, cumpriu bem a sua missão. Seguiram-se:
.Herdade das Servas Colheita Seleccionada 2014 branco - com base nas castas Roupeiro, Alvarinho, Viognier e Sauvignon; nariz contido, notas de citrinos e fruta madura, acidez no ponto, fresco e gastronómico (apesar dos seus 14,5 % vol.), pode ser bebido durante todo o ano. Nota 16,5.
Acompanhou pataniscas e pastéis de bacalhau sobre rúcula.
.Herdade das Servas Touriga Nacional Reserva 2013 (15,5 % vol.)- estagiou 1 ano em barricas de carvalho francês e americano; aroma intenso, muito floral, acidez equilibrada, notas especiadas, taninos civilizados, ainda jóvem e fechado, precisa de tempo de garrafa. Melhor daqui a 3/4 anos, Nota 17,5+.
Ligou bem com o bacalhau à Margarida da Praça.
.Herdade das Servas Vinhas Velhas Reserva 2012 (15,5 % vol.) - com base nas castas Alicante Bouschet (45%), Aragonês, Alfrocheiro e Petit Verdot, fermentou em lagares de inox e estagiou 18 meses em barricas novas de carvalho francês (80 %) e americano (20 %); nariz vibrante, frutos pretos, acidez no ponto, notas de tabaco e chocolate, apimentado, taninos vigorosos, estrutura considerável e final de boca persistente. Melhor daqui a 5/6 anos. Nota 18.
Fez uma boa maridagem com o prato de arroz de caça.
.Porto Dona Matide Colheita 2004 (engarrafado em 2013) - frutos secos, notas de brandy e caril, espaciado, acidez no ponto, algum volume e final longo. Mais próximo da complexidade de um 20 anos. Boa surpresa! Nota 17,5+.
Bem acompanhado por crocante de maçã, mel e gelado de maçã.
Concluindo, volto ao título desta crónica, mas acrescentando-lhe um item: a qualidade em triplicado (vinho, comida e serviço)!


terça-feira, 24 de novembro de 2015

Curtas (LXVIII) : mais provas e confirmações

1.Concurso de Vinhos do Crédito Agrícola
Depois de ter andado a provar umas dezenas largas de vinhos (EVS 2015, Vinhos do Alentejo, DistriWine, Decante e Tourigas) e de ter participado no painel "Escolha da Imprensa", fiz parte do juri deste 2º Concurso (também estive no 1º, em 2014), a convite do Rodolfo Tristão, presidente da Associação dos Escanções de Portugal, aberto à participação dos produtores associados e clientes do Crédito Agrícola.
Em prova, na minha mesa, estiveram 16 vinhos (na Escolha da Imprensa era o dobro), mas desta vez nenhum me apaixonou. Ossos do ofício...
2.Rota de Tapas
Decorreu em Lisboa de 15 de Outubro a 1 de Novembro, com o patrocínio da cerveja Estrella Damm, mais uma edição desta Rota de Tapas.
Optei por comer a tapa do Lateral (Travessa dos Remolares,41 ao Cais do Sodré) que consistiu numas saborosíssimas bolinhas de alheira de caça com mostarda, mel e tomate seco que me custou 3 €, com direito a uma cerveja Estrella. Para completar, avançou um prego de atum com batatas fritas.
Foi a 1ª vez que participei na Rota, mas fiquei cliente.
3.Lisboète
Tenho referido em diversas crónicas (a última a propósito do Restaurant Lisboa Week) este espaço de restauração que muito me agrada, não só a gastronomia como o serviço.
Foi, pois, com muita satisfação que li a crítica do Fortunato da Câmara, publicada na separata E do Expresso (14 de Novembro), intitulada "A França em mesa lisboeta". Termina assim o escrito do crítico: "(...) A belíssima cozinha francesa que serve neste Lisboète fez-nos feliz sem termos de ir a Paris". Assino por baixo!
4.O 1º Direito
Também já referi este agradável e sossegado espaço situado nas bordas de Monsanto e em cima do campo de râguebi de Direito. A comida é apresentada em bufete e há sempre boas ofertas. Quanto a vinhos, a oferta é fraca. Ou bebo água ou levo alguma garrafa da minha garrafeira.
Mas, numa visita recente, apercebi-me da existência de um vinho que me despertou a curiosidade e não resisti prová-lo (e bebê-lo, claro):
.Palpite David J. Booth & António Maçanita Reserva 2013 (V.R.Alentejano) - com base nas castas Arinto (60%), Antâo Vaz (20%) e Verdelho (20%), estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; nariz contido, notas minerais, acidez incrível, simultaneamente fresco e com acentuado volume de boca, final longo. Uma boa surpresa que gostaria de voltar a provar daqui a 5/6 anos. Nota 17,5+.

Lançamento de vinhos da Blandy

Com a orientação do enólogo Francisco Albuquerque e a presença do CEO da Madeira Wine, serão lançados no dia 30 de Novembro, pelas 17h30, no Hotel Porto Bay Liberdade, em Lisboa, os seguintes vinhos da Blandy:
.Colheita Malmsey 1999
.Bual 1966
.Sercial 1975
.Terrantez 1977
.Verdelho 1979
.Bual 30 Anos
Mais uma sessão imperdível para os militantes do Vinho da Madeira. Lá estarei!

domingo, 22 de novembro de 2015

Grupo dos 3 (47ª sessão) : Robustus e Bastardinho em alta

Passados uns longos 5 meses, este núcleo duro (Juca, João Quintela e eu) voltou a reunir-se para mais um almoço com provas às cegas. O responsável por esta sessão foi o João que escolheu o restaurante principal do Corte Inglês e levou os vinhos (2 brancos, 1 tinto e 1 fortificado).
Desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho 2000 - côr carregada, nariz neutro, boa acidez, alguma gordura e volume; vinho polémico e nitidamente oxidado, colidiu com a gastronomia, mas ligou bem com frutos secos. Poucos brancos portugueses, com esta idade, estarão bebíveis (excepção feita aos fabulosos vinhos das Caves São João). Nota 17.
.Qtª Monte d' Oiro Madrigal 2013 -  nariz mais afirmativo, presença de citrinos, acidez no ponto, fresco e mineral, final persistente, gastronómico, ligou muito bem com as entradas (salada de lagosta com fruta tropical e atum braseado com puré de batata). Nota 17,5.
.Robustus 2005 - aroma exuberante, ainda muito frutado apesar dos seus 10 anos de idade, fresco e elegante, especiado, taninos civilizados, bom volume e final muito longo. Ainda londe da reforma, pode ser bebido nos próximos 5/6 anos. A robustês dos primeiros anos, transformou-se em complexidade e "finesse". Nota 18,5+ (noutras situações 17,5+/17,5/18,5).
Harmonizou muito bem com o prato principal (burras de porco estufadas, com favas e puré das mesmas).
.Bastardinho 30 Anos - frutos secos, notas de brandy e caril, algum vinagrinho, volume assinalável e final interminável. Autêntico perfil de um Madeira, só que não era, para nossa surpresa. Nota 18,5.
Maridou com um crepe suzete.
Resumindo: gastronomia à altura e serviço de vinhos muito profissional (bons copos, temperaturas adequadas, etc).
Mais uma boa sessão deste Grupo dos 3. Obrigado João!

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Vinhos em família (LXVI) : repetições e (des)confirmações

Mais 6 vinhos (2 brancos, 3 tintos e 1 fortificado) provados no sossego do lar, com os rótulos à vista. Três deles são repetentes, isto é, tive curiosidade de provar mais outra garrafa e os resultados não são rigorosamente iguais.
Séries RCV Arinto 2012 (mais 1 das 1150 garrafas produzidas) - nariz discreto, presença de citrinos e fruta cozida, boa acidez, ligeira oxidação, alguma gordura, volume assinalável. Nota 17,5 (noutras situações 16,5/17).
.Séries RCV Samarrinho 2013 (1 das 858 engarrafadas, uma autêntica raridade) - provado em paralelo com o Arinto; aroma mais exuberante e original, citrinos e notas florais, fresco e mineral, alguma gordura, volume médio e apreciável final de boca. Nota 17,5+ (noutra a mesma nota).
.Qtª do Cidrô Cabernet/T.Nacional 2007 - ainda com muita fruta, especiado, notas de couro, acidez equilibrada, taninos civilizados, algum volume e final persistente. Em forma mais 2/3 anos. Nota 17,5+ (noutra 18).
.Callabriga 2009 - fruta preta, algo especiado, acidez no ponto, taninos redondos, algum volume e final médio. Provado alguns dias depois, manteve o mesmo nível de qualidade. A beber nos próximos 3/4 anos. Nota 17+.
.Periquita Superyor 2009 - com base na casta Castelão Francês, estagiou 22 meses em barricas de carvalho francês; fruta vermelha, acidez q.b., concentrado, alguma estrutura e final de boca. Provado, igualmente, uns dias depois, mostrou-se menos interessante. Está no ponto óptimo de consumo. Nota 17 (noutras 18/17,5+).
.Graham's 20 Anos (engarrafado em 2014) - nariz neutro, presença de citrinos e frutos secos, alguma acidez e volume, final persistente, mas a faltar-lhe complexidade. Uma (relativa) desilusão. Nota 17.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Curtas (LXVII) : mais provas de vinhos e o By the Wine revisitado

1.Vinhos de Lisboa e Setúbal
Cerca de 30 produtores de Lisboa e de Setúbal vão ter, nos dias 28 (15/22 h) e 29 (14/19 h) deste mês, os seus vinhos à prova no Pátio da Galé, no mesmo local do evento Peixe em Lisboa.
A organização é, também, da Essência do Vinho.
2.Provar vinhos com a Tourigas
Estive recentemente, a convite da distribuidora Tourigas, a provar vinhos no Centro de Artes Culinárias (antigo mercado de Santa Clara).
A Tourigas é uma pequena distribuidora, mas com um considerável portefólio. Entre outros, representa os vinhos Campolargo, Rui Reguinga, Paulo Laureano, Olho no Pé, Qtª do Perdigão e Casa Santa Eufémia.
Tive a ocasião de provar 25 vinhos (12 brancos, 12 tintos e 1 fortificado), tendo-me ficado na memória os brancos Campolargo 2013, Regueiro Primitivo Alvarinho 2014, Olho no Pé Reserva Vinhas Velhas 2013 e Olho no Pé Colheita Tardia 2011, os tintos Calda Bordaleza 2008, Terrassus Reserva Vinhas Velhas 2012, Compota T.Nacional Grande Reserva 2010 e Qtª do Perdigão T.Nacional 2009 e, ainda, o Casa Santa Eufémia 40 Anos.
3.By the Wine revisitado
Já tinha referido este "viciante" espaço em "By The Wine : a JMF em Lisboa", crónica publicada em 4/7/2015, onde se pode provar, a copo, a maior parte dos vinhos da JMF, comprar para levar para casa (embora os preços não sejam amigáveis), comer ostras do Sado ou o melhor prego do lombo que se faz em Lisboa e arredores.
Acompanhei-o com o tinto Pasmados 2012 (4 €) - nariz contido, frutos vermelhos, acidez equilibrada, taninos suaves, volume e final médios. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num copo apropriado e numa boa quantidade. Contudo e apesar de estar num armário térmico com a temperatura controlada, esta veio um pouco acima do recomendável. Conclusão: ou a garrafa estava fora da cave ou o termostato funciona menos bem.

sábado, 14 de novembro de 2015

Lisboa Restaurant Week (III) : Estória, a surpresa

A última visita no âmbito do LRW 2015, coube ao restaurante Estória, recentemente aberto no Palácio do Marquês de Pombal (R.Sacadura Cabral,54 na Cruz Quebrada). A cozinha e a gestão do espaço estão a cargo do chefe Vitor Areias que foi o último responsável pelos tachos do Assinatura, tendo ainda passado pela Bica do Sapato, 100 Maneiras, Manifesto de Luis Baena e Taberna 2780 Oeiras.
Tanto a ementa como a lista de vinhos, são demasiado curtas e escritas em ardósias. Uma situação a rever. Tem, ainda, um menu do chefe com 5 pratos (37 €).
Quanto ao menu LRW, escolhi:
.lingueirão com espuma de alho e ovo
.lombo de bacalhau à moda de Conde da Guarda
.pudim à moda de abade de Priscos
Tudo o que veio para a mesa estava num patamar alto de qualidade, a roçar a excelência. O chefe é muito criativo e estava inspirado naquele dia, reinventando as receitas tradicionais. Cinco estrelas!
No entanto, o serviço revelou-se algo inexperiente, obrigando o chefe ir às mesas levar ou levantar pratos. Mais um ponto a rever, pois a boa vontade não chega.
Quanto a vinhos, apenas 3 brancos e 3 tintos (à temperatura ambiente), com 2 a copo em ambos, o que é manifestamente insuficiente.
Escolhi o tinto Qtª das Brolhas 2012 (3,50 €) - aroma neutro, notas de fruta preta, acidez no ponto, volume e final médios, correcto e descomplexado. Nota 16.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num copo sofrível. A garrafa voltou para trás e foi colocado num recipiente com água e gelo, para descer a temperatura alguns graus.
Em conclusão, a cozinha foi uma grande surpresa. Confesso que não esperava tanto da criatividade do Vitor Areias. Gostava de lá voltar, mas só se me autorizar a levar de casa o vinho e os copos.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Encontro com o Vinho e Sabores (EVS) 2015

O EVS, organizado pela Revista de Vinhos (RV), tem sido, ao longo destes anos, o evento do ano. Em 2015 voltou a sê-lo. 8 Provas Especiais, 260 Stands com produtores de vinho, 20 com sabores e 7 de acessórios. E, ainda, 3 concursos (A Escolha da Imprensa, na qual participei, Carta de Vinhos e Queijos de Portugal). É obra! Tiro o meu chapéu à RV!
Para além de ter provado 52 vinhos tintos e 6 fortificados, aproveitei para matar saudades com alguns dos produtores e enólogos presentes e outros agentes do vinho, com os quais tive relações pessoais e profissionais. Também encontrei alguns amigos e antigos clientes das CAV.
Dos tintos provados destaco, em primeiríssimo lugar, o Grandes Quintas Vinhas do Cerval 2011 (soberbo, a grande surpresa da jornada) e o Três Bagos Grande Escolha 2009 (sempre no meu coração).
 Logo a seguir, também na área da excelência, alguns consagrados, mas também algumas surpresas: Zambujeiro 2012, Couteiro-Mor Memórias Reserva 2008, Palácio dos Távoras Edição Limitada 2012, Vale Meão 2013, Herdade dos Coelheiros Garrafeira 2011, Kopke Vinhas Velhas 2010, Qtª da Gaivosa Vinha do Lordelo 2011, Vallegre Vinhas Velhas Reserva Especial 2012, Kompassus Private Selection 2011, Mouchão Colheitas Antigas 2002, 2221 Terroir Cantanhede 2011 e Qtª de Lemos Dona Louise 2005.
Também me ficaram na memória: H.O. Grande Escolha 2012, Pedra Cancela Amplitude 2013, Avô Fausto 2012, Qtª das Marias Garrafeira 2010, CH by Chocapalha 2011, Horácio Simões Grande Reserva 2013, Qtª Fonte do Ouro T.Nacional 2011, Vale de Ancho Reserva 2011, DuValley Grande Reserva 2011, Batuta 2013, Qtª do Grifo Grande Reserva 2009, Qtª do Crasto Vinhas Velhas 2012, Qtª Sant'Ana Homenagem 2010 e Qtª Monte d'Oiro Reserva 2011.
De salientar que destes 28 tintos salientados por mim, 10 são da grande colheita de 2011, ou seja, mais de 1/3 (35,7 %)!
Quanto a fortificados, provei uma ínfima parte e nem sequer cheirei os vinhos da minha paixão, os Madeiras. Dos provados, grande destaque para: Barros Colheita 1974 (o vinho e o ano, claro!), Vasques de Carvalho 40 Anos e Vista Alegre 40 Anos. E, a seguir: Ramos-Pinto 30 Anos e Graham's 40 Anos.
E, para o ano, há mais!

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Lisboa Restaurant Week (II) : Panorama, a decepção

O meu 2º almoço, no âmbito desta edição LRW 2015, foi no Panorama, um dos restaurantes do Guincho mais badalados.
O menu consistiu em:
.santola recheada (uma boa dose)
.arroz de garoupa com gambas (sensaborão, uma desilusão)
.bolo de chocolate (o melhor do menu)
Para além da relativa decepção quanto à gastronomia, o mais grave foi o serviço, o que não se admite num espaço destes que está (ou esteve) ligado ao Porto de Santa Maria.
Para começar, ao meu pedido para poder levar a folha do menu, como tenho feito com todos os restaurantes frequentados no âmbito do LRW, a resposta insolente do empregado foi não, não pode, enquanto durasse o LRW. Mas, se quisesse, poderia lá voltar quando terminasse esta edição do LRW e levar a folha da ementa! Mas passado algum tempo, ou porque o chefe de sala o tenha chamado à razão ou porque se acendeu uma luzinha no seu cérebro, o dito empregado trouxe-me uma fotocópia da ementa. Mas o mal estava feito...
Mais:
.o pão torrado, supostamente para acompanhar a santola recheada, só veio para a mesa já a entrada tinha sido comida
.os pratos sujos ficaram esquecidos demasiado tempo na mesa
.quando a conta veio, faltava cobrar a garrafa de vinho
.etc...
Quanto a vinhos, a lista continha uma boa escolha a preços razoáveis, mas os anos de colheita estavam omissos, o que é de lamentar.
A oferta de vinho a copo é de saudar, pois contém 1 espumante, 1 champanhe, 7 brancos e 7 tintos.
Como éramos 4, escolhi uma garrafa de Morgado Stª Catherina 2012 - 10 meses de estágio em barricas de carvalho francês; presença de citrinos, fresco e mineral, acidez equilibrada, madeira bem casada, volume e final médios. Falta-lhe a complexidade de outras colheitas (2007, 2008 e 2009, por exemplo). Nota 17 (noutras situações 17/16,5+).
Resumindo e concluindo: Panorama, nunca mais!

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Jantar de Vinhos João Brito e Cunha

Mais uma parceria da Garrafeira Néctar das Avenidas com o Hotel Real Palácio, sendo o convidado o enólogo João Brito e Cunha (JBC) que apresentou alguns dos vinhos da Qtª de São José (da qual é, também, o produtor) e da Qtª do Couquinho. No início da apresentação, o JBC referiu-se muito simpáticamente ao antigo projecto das Coisas do Arco do Vinho e seus mentores (o Juca e eu, que estávamos presentes). Muito obrigado pela parte que me toca!
Como bebida de boas vindas, foi servido o branco Flor de São José 2014, muito fresco, mineral e agradável, a cumprir da melhor maneira a sua missão. Seguiram-se:
.Qtª do Couquinho Superior 2013 - um branco com base na casta Gouveio; presença de citrinos, boa acidez, alguma gordura e volume; final médio e muito gastronómico. Nota 16,5+.
Acompanhou uma série de canapés, alguns dos quais já com os participantes sentados à mesa.
.Qtª do Couquinho 2012 - aroma frutado bem presente, ainda muito jóvem, acidez no ponto, notas florais e algum vegetal, ligeiramente especiado, taninos suaves, volume e final médios. Nota 17.
Não ligou com a entrada (Brás de legumes).
.Qtª de São José Reserva 2013, previamente decantado - Aroma contido, acidez equilibrada, complexo e especiado, taninos musculados mas sem agressividade, volume considerável e bom final de boca; ainda muito jovém, vai melhorar nos próximos 5/6 anos. Nota 18.
Fez companhia a umas bochechas de porco demasiado secas e um excelente risotto de cogumelos e espargos, que salvaram o prato.
.Flor de São José Reserva 2013 branco - fresco e mineral, presença de citrinos e notas florais, alguma gordura, bem estruturado e apreciável final de boca. É um notável branco de inverno. Nota 17,5+.
Devia acompanhar uma tábua de queijos, mas acabou de chegar à mesa já com os queijos degustados.
Finalmente, a fechar o jantar e já a uma hora tardia, chegou à mesa o melhor do menu, uma sobremesa apelidada de texturas de chocolate (brownie, mousse com fruta fresca e gelado do mesmo). Excelente!
Acompanhou com um Porto Vintage 2012.
Resumindo e concluindo: um belo lote de vinhos, mas que, desta vez, saiu prejudicado pelas falhas apontadas.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Lisboa Restaurant Week (I) : Lisboète, a confirmação

Comecei esta última edição do LRW no Lisboéte, um espaço de restauração já aqui referido por diversas vezes, nomeadamente em "Almoçar no Lisboète" e "Grupo dos 3 (46ª sessão)...", crónicas publicadas em 1/3/2015 e 19/5/2015.
O menu, com a assinatura do chefe Walter Blazevic, consistiu em:
.Torricato de de alcachofra e cavala em escabeche e mesclum de ervas
.Bacalhau fresco com puré de feijão branco, lulas e chouriço
.Arroz doce cremoso, ameixa bêbeda e crocante de creme brullée
Quanto ao sector vínico, a carta foi reformulada, prevendo-se que o seja mensalmente. A oferta é original e inclui alguns vinhos a copo. Só precisava de incluir 2 ou 3 nomes sonantes, para satisfazer determinado tipo de clientes.
Bebi 1 copo de Casal Stª Maria Sauvignon Blanc 2014, que apresentou um aroma complicado, com uma forte e exagerada componente de espargos. Foi preciso agitar energicamente o copo, para suavizar o aroma. Mesmo assim, fiquei na dúvida se era defeito ou feitio...
Concluindo, mais uma vez o Lisboète apresentou uma gastronomia de excelência e um serviço de 5 estrelas. A voltar, sempre!

Crónicas em atraso

Depois do marasmo dos meses de Agosto e de Setembro, os eventos de Outubro foram muitos e para todos os gostos. Alguns deram origem a crónicas já publicadas, mas outros ainda não.
Estão em falta:
.Lisboa Restaurante Week (serão 3 crónicas, mas a 1ª sairá ainda hoje)
.Jantar Vínico João Brito e Cunha~
.EVS 2015
.Almoço no espaço Sala de Corte
.3 ou 4 apontamentos, reunidos em Curtas