terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Melhor blogue do ano : o enófilo militante está, mais uma vez, no Top 10

Já são conhecidos os nomeados para os prémios W 2015, iniciativa do crítico Anibal Coutinho que contempla 23 categorias, desde regiões vitivinícolas a enoturismo, vinhos, produtores, enólogos, garrafeiras, wine bares, serviço de vinhos e blogues. Mais informações em:
 w-anibal.com/media/pdf/nomeados2015.
Quanto ao Top 10 dos blogues, os nomeados em 2015 foram (por ordem alfabética) e assinalando com * os que entram pela 1ª vez:
.air diogo num copo (vencedor em 2014)
.avinhar *
.bebes ponto comes
.clube vinhos portugueses *
.comer beber lazer
.copo de 3 (vencedor em 2012)
.enófilo militante
.joli *
.os vinhos
.pingas no copo
De registar:
.há apenas 3 totalistas (presença em 2012, 2013, 2014 e 2015): "copo de 3" do João Pedro Carvalho, "enófilo militante" o meu e "os vinhos"  do Pedro Barata.
.a ausência do blogue "e tudo o vinho levou", vencedor em 2013.
No que me diz respeito, mais a mais próximo dos 1000 escritos (entre notícias, crónicas e croniquetas),  é sempre um incentivo para continuar a "cronicar" sobre as provas em que participo, o serviço de vinhos dos restaurantes que frequento, os livros sobre o vinho que vou lendo ou as histórias passadas comigo nos velhos tempos das Coisas do Arco do Vinho.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Vinhos em família (LXVII) : tintos 2008 versus 2009

Mais 5 vinhos bebidos com a família, sem a pressão da prova cega. Foram todos tintos,  sendo 2 da colheita de 2008 e 3 de 2009, mas bebidos separadamente.
.Poeira 2008 - notas florais, fresco e elegante, bela acidez, especiado, taninos de veludo, algum volume e bom final de boca; em forma mais 5/6 anos. Nota 18.
.Carrocel 2008 - também muito fresco e elegante, mas mais complexo e especiado, notas apimentadas e de chocolate, taninos suaves, bem estruturado e final longo; aguenta bem mais 7/8 anos. Nota 18,5.
.Qtª Vale D.Maria 2009 (engarrafado em Julho 2011) - nariz contido, alguma fruta vermelha, notas especiadas com a pimenta muito presente, acidez no ponto, elegante, taninos civilizados, algum volume e final persistente. A  consumir nos próximos 3/4 anos. Nota 18.
.Herdade Grande Colheita Seleccionada 15 Vindimas 2009 - com base nas castas Cabernet, Alicante, Syrah e Aragonês, estagiou 12 meses em barricas de carvalho (francês, português e americano) e outros 12 em garrafa; frutado, fresco, acidez equilibrada, notas de couro e tabaco, taninos presentes e civilizados, algum volume e final de boca. Pode esperar mais 2/3 anos para atingir o seu ponto máximo. Nota 17,5+.
.Monte dos Cabaços Colheita Seleccionada 2009 - notas balsâmicas e especiadas, acidez equilibrada, elegante, volume médio e final longo. Excelente relação preço/qualidade, no ponto óptimo para ser consumido. Nota 17,5.
Conclusão: vantagem da colheita de 2008, em relação à de 2009, pelo menos em relação a estes vinhos agora provados.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Sommelier : uma mão cheia de contradições

O Sommelier (Rua do Telhal,59) é um espaço de restauração com uma componente de wine bar, apostando fortemente na área dos vinhos, tendo para isso investido numa série de armários térmicos Enomatic.
Cada um dos vinhos expostos tem 3 preços, garrafa, prova (25 ml) e copo (125 ml). Embora estejam 80 à vista, na carta constam 77 vinhos, ou seja, 24 brancos (de 3,20 a 19,40 € cada copo), 28 tintos (de 3,80 a 104 €), 2 rosés, 4 espumantes, 6 champanhes, 5 Portos, 3 Moscatéis, 2 Madeiras, 2 Carcavelos e 1 Tokay. É uma oferta monumental, difícil de encontrar noutros espaços similares, seja em Lisboa, seja no resto do país.
Mas aqui começam as contradições, pois a capacidade normal do vinho a copo na maior parte da restauração é de 15 cl ou, por vezes, de 14 cl ou, ainda, em casos extremos de 20 cl, como constatei em Berlim. Além de não serem baratos, os vinhos aqui encarecem se considerarmos o preço do litro. Outra contradição: segundo informação do empregado, o copo que escolhi vinha a 18º, o que é demasiado, pois logo que passe para o copo aumenta logo 1 ou 2º, atingindo rapidamente os 20º, o que é uma temperatura excessiva para tintos.
O  Sommelier é um espaço requintado e mesmo algo luxuoso, os guardanapos são de pano, mas as mesas despojadas, as cadeiras ou, melhor, os cadeirões, são enormes e pouco cómodos. Mas os clientes motorizados não foram esquecidos, pois têm à sua disposição uma garagem (no outro lado da rua, no nº 70A). Mais: a música estava demasiado alta, o que dificulta qualquer conversa à mesa.
Quanto ao serviço do vinho, o empregado pode trazê-lo à mesa ou o próprio cliente pode servir-se directamente do armário térmico. Os copos são excelentes, exibindo o logo da Zwiesel, que eu não conhecia (topo de gama da Schott?).
Optei por um copo do tinto Meandro 2013 (5,40 €, uma exorbitância) - aroma intenso, muita fruta preta, acidez no ponto, ligeiramente especiado, volume médio e bom final de boca. Nota 17.
Acompanhou bem uma saborosa feijoada de chocos que era o prato do dia (12 €). Antes tinha vindo para a mesa o couvert (3 variedades de pão, 3 patés e azeite).
Serviço eficiente e simpático.
Apesar das contradições, tenciono voltar e aconselho este espaço aos enófilos que estejam disponíveis para gastar algum dinheiro.  

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Curtas (LXX) : ignorâncias, hamburgueres e novo espaço

1.Mais ignorantes a pegar no copo
Vejo na página 10 do Expresso  de 19 de Dezembro, uma fotografia cuja legenda dizia "Carlos César, António Costa e Ferro Rodrigues: a tríade socialista no Conselho de Estado brinda ao futuro". O actual 1º ministro, honra lhe seja feita, é o único que pega correctamente no copo. Os outros 2, evidenciando uma ignorância crassa nesta área de conhecimento, agarram o copo com a mão inteira, não fosse o recipiente fugir-lhes.
Já anteriormente (ver "Saber ou não saber...pegar no copo", crónica publicada em 14/2/2015, que remete para outras mais antigas) critiquei algumas figuras públicas, ou por não saberem pegar no copo [o ainda actual inquilino de Belém, mas também o Francisco Assis, Armando Vara e Manuel Vicente (presidente da Sonangol) ou, mais grave ainda, por serem uns boçais a beberem espumante directamente da garrafa (os euro deputados Nuno Melo e Paulo Rangel)].
2.O melhor hamburguer de Lisboa?
Li, já há algum tempo, na Time Out, que o melhor hamburguer de Lisboa era no Ground Burger (Av. António Augusto de Aguiar, 148A, bem próximo do Corte Inglês, nas antigas instalações da livraria Babel).
É mais uma boa hamburgueria a servir carne 100 % black angus, mas daí a ser a melhor vai algum exagero. Mas o que realmente marca a diferença é o pão, feito na casa e que vem parcialmente torrado. Uma delícia.
Acompanhei o hamburguer com um copo do branco Serros da Mina Viognier 2013, a 2ª marca do vinho Herdade das Barras (3,90 €) - aroma contido, algum citrino, gordo na boca, acidez nos mínimos, volume considerável e final médio. Nota 16,5.
Este branco, tipicamente de outouno/inverno, aguentou-se muito bem com a carne (teria preferido o tinto se estivesse com a temperatura controlada, o que não era o caso). O vinho já vinha servido num bom copo C & S e em quantidade generosa.
3.Um novo espaço em Belém
Abriu recentemente o Baco's Wine Lovers (Rua da Junqueira, 406-408), uma garrafeira wine bar. É um espaço agradável e muito bem decorado, sem cozinha (só servem tapas) e com uma oferta muito centrada no Alentejo e Setúbal (o dono é de Azeitão), estando o Douro pouco representado.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Lisboeta : um restaurante perto do Tejo

Não confundir com o Lisboète, já aqui referido por diversas vezes. O Lisboeta é o restaurante da Pousada de Lisboa, situada no Terreiro do Paço, a sala de visitas da capital. É um espaço espectacular, dispondo de uma esplanada interior coberta mas com o tecto amovível. Além da sala principal, tem ainda um bar/cafetaria, à entrada da Pousada, onde se podem fazer refeições ligeiras.
Vale a pena a visita, até para apreciar a magnífica recuperação deste antigo espaço do Ministério da Administração Interna. Música de fundo demasiado alta, mas que baixaram a pedido.
De 2ª a 6ª feira pode-se almoçar sem ficar com a carteira vazia. Há um menú do dia que consiste em couvert (pasta de azeitona e manteiga dos Açores), prato principal (infelizmente não há opção, é único; faria mais sentido se se pudesse optar entre um prato de peixe e um de carne), bebida e café. Tudo isto por 15 €, o que é um preço muito simpático para uma Pousada.
Comemos, além do couvert, um papillote com bochechas, puré de batata trufado e legumes, um prato muito saboroso e bem apresentado. Com o café veio um mini pastel de nata, oferta da casa. O responsável pela cozinha é o jóvem chefe Tiago Bonito, ex-Hotel Vila Lara, um nome a reter.
Quanto à componente vínica, a carta, em reestruturação, tem uma boa selecção, a preços puxados e sem as datas de colheita, o que se lamenta, sendo também omissa quanto a fortificados que apenas constam na lista do bar, o que não faz sentido.
Melhor a carta de vinhos a copo, onde os anos de colheita não foram esquecidos. Inventariei 1 champanhe, 2 espumantes, 4 brancos, 3 tintos e 1 rosé, o que considero uma oferta muito aceitável.
Bebi 1 copo do vinho incluido no menú do dia, o tinto Terras de Azeitão Escolha do Enólogo 2014 -  simples e algo rústico, mostrou a agressividade de um vinho acabado de engarrafar; deverá melhorar com mais algum tempo de garrafa. Nota 14.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo, servida uma boa quantidade a olho, com a temperatura correcta.
Serviço profissional e simpático. Recomendo e tenciono voltar, esperando encontrar já operacional a nova carta de vinhos.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

678 anos de vinhos fortificados ou o Francisco, o Jorge e a Sandra jantaram connosco

1.Introdução
Por iniciativa do nosso amigo Adelino de Sousa que fez os contactos, trouxe vinhos (2 Porto Vintage, 1 Moscatel e 1 Madeira) e aperitivos/sobremesas (manteiga de ovelha, enchidos fatiados, queijo da serra, frutos secos e bolo de mel madeirense), decorreu recentemente um jantar de excepção (para mim, o repasto da década) no restaurante Casa da Dízima. A gastronomia esteve à altura dos acontecimentos e o serviço, sob a batuta do Pedro Batista, gerente deste espaço, foi de 5 estrelas.
2.Os convidados e os privilegiados
Para memória futura, que fique registado o que se segue.
Como nossos convidados de honra, estiveram presentes o Francisco Albuquerque (aqui lhe agradeço publicamente o comentário que fez à minha crónica "A Madeira em Lisboa", publicada em 8/12, o Jorge Serôdio Borges e a Sandra Tavares da Silva, nossos amigos desde há anos, todos mais que conhecidos, dentro e fora do país, e cujo reconhecimento em Portugal apenas pecou por tardio. Fizeram boa companhia e trouxeram vinhos com eles. Sentimo-nos honrados com a sua presença.
Participaram 10 privilegiados, com base no nosso grupo de prova de vinhos fortificados (Adelino de Sousa, casais Juca/Lena e Modesto/Natalina, João Quintela, Paula Costa, Alfredo Penetra, José Rosa e eu próprio). Esteve, ainda, o João Rosa, militante destas coisas, vindo expressamente de Londres para o efeito.
3.Os vinhos e a gastronomia
Nota - as minhas impressões sobre os vinhos provados, serão obviamente pessoais e telegráficas:
,Gurú 2008 em magnum (trazido pelo casal Jorge/Sandra) - belíssima acidez, volumoso e consistente, melhorou claramente com estes anos de garrafa. Pedofilia bebê-lo ainda jóvem. Nota 18.
.Casal Santa Maria Sauvignon Blanc 2014 em magnum (trazido pelo João) - espargos amargos a dominarem o conjunto, no entanto mais bebível do que uma outra provada há pouco tempo e que detestei. Nota 16.
Os 2 brancos foram acompanhados pelos aperitivos, amuse bouche (à base de foigras fresco) e entrada (um belíssimo creme de santola).
.FEM (as iniciais do avô do Francisco) Verdelho Muito Velho (da garrafeira do José Rosa) - nariz intenso, vinagrinho, iodo, elegante, volume envolvente e final interminável. Já leva mais de 100 anos! Nota 18,5+.
Este Madeira serviu para limpar o palato entre a entrada e o prato principal.
.Domaine Chantal Louis Remy Clos de la Roche Grand Cru 2004 (trazido pelo João Rosa) - um borgonhês credenciado que, confesso humildemente, não o entendi de todo (se fosse português diria que tinha defeito...). Sem nota.
.Passadouro Reserva 2004 em magnum (veio com o Jorge) - muito pujante, ainda com os taninos algo agressivos, está longe da reforma. Nota 17,5.
.Qtª da Pellada Baga 2000 (da garrafeira do Juca) - fresco e elegante, ainda tem muito para dar; uma bela surpresa. Nota 18.
.Pintas 2002 em magnum (veio com o casal Jorge/Sandra) - rolha! (azar o nosso); foi rapidamente substituído por uma garrafa de
.Pintas 2005 (empréstimo do restaurante) - muito complexo e especiado, volume e final de boca consideráveis. Nota 18,5.
Estes 4 tintos harmonizaram bem com um excelente naco de vitela com puré de batata.
.Noval Vintage 1958 (engarrafado na Grã Bretanha por Whitwham & Co) e
.Taylor's Vintage 1960 (também engarrafado na Grã Bretanha) - têm ambos um perfil que os aproxima dos Colheitas, tanto na côr, como no nariz e na boca; são ambos elegantes, sofisticados e com uma boa acidez. No entanto, o Noval impõe-se pelo seu volume e estrutura, estando o Taylor's mais "soft". Notas 18 e 17+, respectivamente.
Os 2 Vintage, vindos da garrafeira do Adelino, casaram bem com um queijo Fornos de Algodres, de meia cura.
.Moscatel de Setúbal Superior 1918 (também trazido pelo Adelino) - notas de mel e citrinos, boa acidez, muito equilibrado, com tudo no seu sítio; fácil de gostar, apesar da sua complexidade. Nota 18+.
.Família Serôdio Borges Porto Colheita 1918 (da garrafeira do Jorge, produzido pelo seu avô) - ainda muito jóvem apesar dos seus quase 100 anos, taninos ainda não totalmente domados; volume e potência de boca. Para homens de barba rija! Nota 18.
Estes 2 fortificados, com perfis completamente opostos, ligaram bem com as sobremesas.
.Henriques & Henriques Terrantez 1825 ou 1827 (da garrafeira do Adelino) - engarrafado em 1939, muito subtil e de grande complexidade, tem uma boca arrasadora, apesar de já estar próximo dos 200 anos de idade. Uma autêntica relíquia, provada com todo o respeito e um corpo espectacular que um crítico comparou à Scarlett Johansson, atribuindo-lhe 98 pontos em 100! Nota 19.
.Campanário Bual 1933 (trazido pelo Francisco) - aroma algo estranho (ou seria eu que já tinha o nariz baralhado?), muito seco e algo desequilibrado. Nota 16,5.
Estes 2 Madeiras foram acompanhados apenas por frutos secos e as habituais pinhoadas de Santiago de Cacém, oferecidas pela Natalina.
4.Conclusão
Foi uma grande jornada, dificilmente repetível, até porque estavam em cima da mesa qualquer coisa como 678 anos, só de vinhos fortificados!
Mais, uma palavra de apreço à Casa da Dízima, que resolveu e bem, o problema logístico. Passaram pela mesa nada menos, nada mais que cerca de 200 copos para vinho, não contando com os da água!

domingo, 13 de dezembro de 2015

Curtas (LXIX) : matar saudades...

1.Primo dos Caracóis
Já tenho referido, mais de uma vez, este simpático espaço de restauração à entrada de Olhão, para quem vem de Tavira.
A carta de vinhos foi reformulada, constando agora uns tantos néctares, impensáveis num restaurante à beira da estrada (EN125). A título de exemplo, encontrei numa visita recente alguns vinhos de referência, a preços mais que sensatos: Barca Velha 2004 (259 €, quando nas garrafeiras já ultrapassou, desde há muito, os 300 €), Ferreirinha Reserva Especial 1992 (60 €), Qtª da Leda (49,50 €), Poeira (45 €) e Vallado Reserva (44 €).
As datas de colheita, porém, não constam na carta de vinhos, mas também não se pode exigir mais a um restaurante deste tipo.
2.Mercado da Ribeira
Estive lá há pouco tempo para matar saudades, tendo abancado no Alexandre Silva, e escolhido o saborosíssimo risotto negro com vieiras (10 €), um dos ex-libris deste chefe. O vinho fui buscá-lo à banca da Odete e a minha opção caiu no tinto Qtª da Fata 2011 (4 €) - fresco, notas florais, boa acidez, taninos susves, volume médio e bom final de boca. Harmonizou bem com o risotto. Nota 17.
Para terminar, na banca da Arcádia comi um bom-bom de chocolate negro e bebi um café (1,50 € por tudo).
3.Santa Clara dos Cogumelos
Já lá não ia há quase 1 ano a este espaço obrigatório (ver crónica "Regresso aos cogumelos em Lisboa", publicada em 9/12/2014) para quem goste de cogumelos, como é o meu caso. Éramos 3, cada um escolheu 2 petiscos/entradas, de modo que deu para provar um pouco dos 6 pratos que vieram para a mesa, todos muito bem servidos:
.acemilaria melea com polenta frita, gorgonzola e compota de cebola
.boletus aereus panados com molho holandês
.pica-pau de sanchas
.shitake à Bulhão Pato
.ceviche de cogumelos
.croquetes de alheira e portobello
Quanto a vinhos, optei pelo branco Opta 2014 (3 €) - muito frutado,simples e correcto, a dar boa conta de si, a acompanhar bem alguns destes pratos e não se aguentando com os outros. Nota 15,5.
Nota final: não deixem de ir ao WC. Vale mesmo a pena!
Como conclusão, a gastronomia continua de grande qualidade e o serviço de vinhos mau.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Vinhos em família (LXVII) : mais Madeiras em prova

Mais 5 vinhos (2 Alvarinhos, 1 Porto Vintage e 2 Madeiras) provados serenamente em casa, com os rótulos à vista e sem a pressão das provas cegas. Ei-los:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2013 - nariz discreto, fruta fresca (citrinos) e madura (melão), belíssima acidez e alguma gordura; elegância e volume quanto baste; melhor daqui a 3/4 anos. Nota 17,5+.
.Soalheiro Alvarinho Terramatter 2014 - acidez vibrante, muito floral, notas abaunilhadas e final curto. Um Soalheiro de produção biológica, mas que não acrescenta nada ao portefólio desta marca. Uma (relativa) desilusão. Nota 16,5.
.Qtª Vale Meão Porto Vintage 2001 - aroma discreto, fruta preta, relativa acidez, taninos domesticados mas alguma rusticidade, volume médio e bom final de boca. A beber nos próximos 4 /5 anos. Nota 17,5.
.Borges Verdelho 20 Anos (4ª garrafa provada) - frutos secos, presença de citrinos, vinagrinho, notas de iodo, algum volume e final de boca elegante. Foi-lhe atribuida um medalha de ouro no concurso Wine International Challenge. Nota 17,5.
.FMA Bual 1964 (16ª garrafa provada) - aroma intenso, frutos secos, notas de iodo e caril, acidez vibrante, bem arquitectado, final de boca muito longo e seco. Estará, nesta fase, muito próximo da casta Verdelho. Nota 18,5.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A Madeira em Lisboa

Como já tinha anunciado, a Madeira (Wine) veio até Lisboa apresentar as últimas novidades da Blandy, 1 Colheita que não convenceu e 5 Frasqueiras que deslumbraram. O evento decorreu numa das salas do Hotel Porto Bay Liberdade, tendo a "embaixada" sido presidida pelo respectivo CEO Christopher Blandy e orientada pelo seu enólogo Francisco Albuquerque, credenciado mundialmente e que dispensa apresentações.
Para além da distribuidora Portfólio, alguns pontos de venda (poucos) e de algum enófilo mais atrevido, o nosso núcleo duro dos Madeiras estava em força (8 presenças). Todos os vinhos apresentados foram acompanhados de belíssimos canapés, concebidos pelo chefe residente, de nome João Espírito Santo. As harmonizações estavam perfeitas, diga-se.
Depois deste intróito, vamos às novidades da Blandy, apresentadas pelo enólogo da casa:
.Colheita Malmsey 1999 - frutos secos, alguma acidez, notas de brandy, aguardente ainda muito presente a dominar o conjunto, volume e final médios. No ponto para enófilos não muito exigentes, era o de preço mais acessível. Nota 17.
.Bual 30 Anos - nariz intenso, frutos secos, vinagrinho, notas de iodo, algum volume e final longo. Elegante e muito equilibrado. Nota 18.
.Bual 1966 - aroma de média intensidade, frutos secos, acidez vibrante, notas de caril, boa arquitectura e final interminável. Engarrafado agora, com praticamente 40 anos, era o de preço mais elevado. Nota 18,5.
.Sercial 1975 - nariz contido, frutos secos, forte presença de iodo, acidez equilibrada, notas de brandy, taninos evidentes, volume e final longo e seco. Nota 18+.
.Terrantez 1977 - aroma intenso, frutos secos, vinagrinho, notas de iodo e caril, potência de boca e final longo; muito complexo, é um vinho impressionante que eu levaria para a tal ilha deserta! Nota 19.
.Verdelho 1979 - nariz exuberante, frutos secos, acidez vibrante, notas de iodo e caril, volume e final muito longo. Perfeito e muito versátil, podendo ser bebido no início ou no final da refeição. Nota 18,5+.
Mais uma grande sessão com vinhos da Madeira, a minha paixão. Obrigado, Francisco Albuquerque!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Sala de Corte : mais um paraíso para os carnívoros

Depois de ter aconselhado o "Atalho Real : um paraíso para os carnívoros", em crónica publicada em 20/6/2015, tenho hoje mais uma sugestão para os indefectíveis da carne, a "Sala de Corte" (R.Ribeira Nova, 28 ao Cais do Sodré, praticamente nas traseiras do Mercado da Ribeira).
Como apostas da casa, aponto: cozinha aberta, mesas despojadas mas com guardanapos de pano e carnes servidas nas tradicioais tábuas de corte.
Após a degustação de um amuse bouche, simpática oferta deste espaço de restauração, comi um belíssimo bife da vazia (13,50 €), acompanhado por legumes grelhados pagos à parte (3,50 €), o que encarece desde logo a refeição (11,50 € no Atalho, com acompanhamentos incluídos).
Mas é no sector vínico que a Sala de Corte é imbatível, pois a carta de vinhos foi desenhada pelo escanção Rodolfo Tristão, logo a escolha tinha que ser mesmo boa. Os anos de colheita foram incluídos, mas os preços não são nada amigáveis, alguns mesmo demenciais (por exemplo, Pai Abel branco 85 €, Cartuxa Reserva 90 € e Duas Quintas Reserva 120 €!), mas isto não é culpa dele.
Inventariei 5 espumantes (1 a copo), 1 champanhe, 20 brancos (3), 3 rosés (1) e 63 tintos (5).
Optei pelo tinto Vale da Mata 2010 (5 €) - ainda com fruta, boa acidez, consistente e encorpado, notas especiadas, mas algo rústico. Nota 16,5+.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo Schott, devidamente graduado com 15 cl e servido à temperatura correcta.
Resumindo e concluindo, gostei da componente vínica (apesar dos preços), mas quando me apetecer carne, vou ao Atalho.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Almoço com vinhos fortificados (22ª sessão) : quando 1 Porto ultrapassa 2 Madeiras...

Este grupo militante de Madeiras e outros fortificados participou, a convite do casal José Rosa/Marieta que trouxe todos os vinhos (2 brancos, 2 tintos, 2 Madeiras e 1 Porto) e arcou com as despesas, em mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes. O repasto decorreu no restaurante Casa da Dízima que nos proporcionou uma gastronomia de qualidade e um serviço de 5 estrelas.
Desfilaram:
.Anselmo Mendes Parcela Única Alvarinho 2011 (garrafa de 3 litros) - presença de citrinos, fresco e mineral, notas tropicais, belíssima acidez, estruturado e bom final de boca. Nota 17,5+ (noutras situações 17,5+/17,5+/17,5).
Muito gastronómico maridou bem uma série de "miminhos" trazidos pelo J.Rosa e outros oferecidos pela casa e, ainda, um amuse bouche (corneto mascarponi com camarão e manga).
Acompanhou, ainda, a entrada (à escolha entre filete de cavala braseado sobre tosta de tomate seco e crocante de alheira com cogumelos e espargos selvagens). Eu, que já tinha provado ambos, optei pela cavala que fez a grande ligação com o alvarinho.
.Artur Barros e Sousa Sercial 1980 (engarrafado em 2003) - limpido e brilhante, frutos secos, iodo, notas de brandy, acidez nos mínimos, volume apreciável e final muito longo. Mais doce do que o esperado (se tivesse sido às cegas, nunca diria que estava em presença da casta Sercial). Nota 18.
Servido entre a entrada e o prato principal, teve como finalidade limpar o palato.
.Sesti Phenomena Reserva 2006 (magnum) - um Brunello di Montalcino com base na casta Sangiovese; aberto de côr, aromas florais, acidez equilibrada, taninos firmes nada agressivos, volume médio e final longo; fino e elegante, no ponto para ser consumido. Nota 18,5.
.Qtª do Vesúvio 2008 - com base nas castas Touriga Franca, T.Nacional e Tinta Amarela, estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês; ainda com muita fruta, acidez no ponto, notas especiadas, boa estrutura e final de boca; ainda jóvem vai melhorar nos próximos anos. A beber até daqui a 7/8 anos. Nota 18.
Estes 2 tintos foram acompanhados por um belíssimo naco de vitela, puré de trufa negra e legumes assados.
.Borges Bual 1977 - frutos secos, vinagrinho, notas de iodo, taninos presentes, alguma estrutura e final de boca; falta-lhe a complexidade de outros vinhos do mesmo ano. Nota 17,5 (noutras 17,5/16,5/17,5).
.Ramos-Pinto 30 Anos (sem data de engarrafamento) - frutos secos, notas de brandy, belíssima acidez, alguma gordura, taninos impressivos, volume notável e final longo. A grande surpresa da jornada ao "eclipsar" os 2 Madeiras. Nota 18,5 (noutra 17,5).
Teve por companhia  terrina de chocolate negro, cornetos estaladiços de pastel de nata com gelado de canela e fruta laminada.
Obrigado Marieta e obrigado José Rosa pela vossa generosidade!