sábado, 31 de dezembro de 2016

Vinhos em família (LXXVII) : grandes tintos e brancos de inverno, a fechar o ano

Mais uma série de vinhos, todos no patamar da excelência, provados em família e com os rótulos à vista. Um conjunto excepcional para fechar o ano, apesar da ausência de fortificados de eleição. E eles foram:
.Qtª dos Roques Encruzado 2014 - frutado com os citrinos a imporem-se, notas florais, boa acidez e alguma mineralidade, algum amanteigado, volume médio e final de boca com alguma persistência. Elegante, harmonioso e gastronómico. Incompreensível o facto de o contra-rótulo estar todo escrito em inglês! Um dos favoritos do meu amigo Rui (Pingas no Copo). Nota 17,5+.
.Vinha Formal Cercial Parcela Cândido 2015 - na senda da colheita de 2014 que a Revista de Vinhos (RV) classificou com 18,5, a nota mais alta dada a um branco; fruta de caroço, notas florais, acidez e gordura no ponto, algum volume e final de boca muito longo, elegante e gastronómico. Um bom exemplar de um branco de inverno. Estava melhor quando bebido no dia seguinte. Aconselha-se decantação prévia. Nota 18.
.Qtª da Pellada Primus 2013 - Prémio Excelência atribuído pela RV; com base em vinhas velhas; aroma intensamente floral, acidez equilibrada, notas amanteigadas, volumoso e final de boca persistente. Gastronómico, precisa de comida por perto. Outro notável exemplar de branco de inverno. Nota 18.
.Qtª do Vallado Touriga Nacional 2008 - 94 pontos atribuídos pela Wine Spectator e 92 pelo Parker; estagiou 16 meses em meias pipas de carvalho francês; ainda com fruta, notas florais acentuadas, bela acidez, algo especiado, taninos civilizados, volume considerável e final de boca muito longo. A consumir nos próximos 6/7 anos. Nota 18,5.
.Marquês de Borba Reserva 2011 - Prémio Excelência atribuído pela RV; nariz discreto, aromas terciários, acidez equilibrada, notas de lagar e alguma pimenta, taninos de veludo, algum volume e final de boca. Perfil aristocrata, foi prejudicado por ter sido provado ao lado do Pai Abel, melhor no dia seguinte bebido a solo. Nota 18.
.Pai Abel 2011 (comprado em primor) - nariz exuberante, presença de frutos pretos, notas florais, especiado, acidez no ponto, taninos vigorosos, volume notável e final de boca muito longo. Grande complexidade. Ainda demasiado jóvem, há que esperar por ele, podendo ser bebido daqui a 9/10 anos. Nota 18,5+.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Palácio Chiado : um mini Mercado da Ribeira

Fui conhecer o muito badalado Palácio do Chiado (Rua do Alecrim,70), uma espécie de Mercado da Ribeira (MR) em formato reduzido, mas com mesas mais confortáveis e sem turistas (por enquanto). Música demasiado alta e correntes de ar, não o tornam muito apetecível nesta altura do ano. À semelhança do MR, o cliente é avisado electronicamente quando a comida pedida está pronta. A novidade é, quando se chega, receber um cartão tipo MB, onde ficam gravadas todas as despesas a pagar à saída.
Escolhi a banca "Bacalhau Lisboa", onde optei por umas belíssimas pataniscas de bacalhau Riberalves (finíssimas) com arroz de feijão e grelos. Um prato delicioso!
Há, também, um chamado Menú à Barão (prato, bebida e café), a valer 10,90 €, que ainda não experimentei.
Quanto a vinhos, inventariei 1 espumante (também a copo), 2 champanhes, 2 rosés, 13 brancos (todos a copo), 13 tintos (idem) e 3 Portos (idem). Têem, ainda, a sugestão do mês (1 branco, 1 tinto e 1 rosé), a copo ou à garrafa.
Bebi um copo do tinto Qtª das Hidrângeas 2013 (5 €) - muita fruta vermelha, notas florais, alguma acidez, volume e final de boca médios. Equilibrado, mas sem entusiasmar. Nota 16.
A garrafa veio à mesa, mas não foi dado a provar. Servido a olho num bom copo, com a temperatura nos limites.
Vale a pena conhecer o Palácio Chiado, construido no século XVIII, quanto mais não seja para ver o seu interior repleto de frescos e vitrais maravilhosos.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Garrett 47 : mais uma parceria com a Sogrape

Fui, recentemente, visitar mais um espaço de restauração que mantém uma parceria com a Sogrape, tendo os vinhos desta empresa  o exclusivo da respectiva carta, Depois do Tágide Wine & Tapas Bar, da Delfina e do Sandeman Chiado, este mesmo pertença do referido produtor, chegou a vez do restaurante wine bar Garrett 47, cujo nome identifica a sua localização.
A sala, cuja decoração aposta forte no mundo do vinho, é francamente acolhedora, embora eu tivesse sentido algum desconforto ao ser o único cliente presente no dia da minha visita (as cadeiras também não ajudam). Toalhetes e guardanapos de papel.
Quanto aos vinhos, inventariei 13 brancos (11 a copo), 16 tintos (10), 3 rosés (3), 2 espumantes (0) e 18 Portos, sendo de lamentar estarem omissos os anos de colheita. Francamente!
Também separaram os verdes dos outros brancos, incorrecção quase habitual na restauração. Enfim...
Optei por beber o Vinha Grande 2014 (4,80 €) - nariz presente, frutos vermelhos, alguma acidez, notas apimentadas, taninos civilizados, algum volume e final de boca. Nota 16,5+.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num copo de vidro demasiado grosso, em quantidade razoável e temperatura aceitável.
Acompanhou uma alheira de caça com puré de batata doce. Como sobremesa veio um minúsculo pudim Abade de Priscos que, perante a minha estupefacção, só cobraram metade do preço que constava na carta. Vá lá...
A ementa tem alguma originalidade, ao apresentar uma série de menús a que chamaram Rotas (Garrett, Douro, Estremadura e Alentejo), com preços entre os 21 e os 25 €. Para cada menú foram seleccionados 3 vinhos (mais 12 € na conta!).
Há ainda a hipótese de se degustar 12 petiscos (3 a 4,50 €), 4 pratos de peixe e de carne (12 a 21 €) e, ainda as habituais tábuas de queijos e charcutaria.
A revisitar numa próxima oportunidade.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Curtas (LXXXIII) : os vinhos do Paulo Bento, a Enoteca de Belém e Wine & Flavous Film Festival

1.Os vinhos do Paulo Bento
Este epicurista, bom garfo e bom copo, amante de vinhos da Madeira, em boa hora decidiu partilhar com quatro amigos algumas das preciosidades da sua garrafeira. O repasto teve lugar na Casa da Dízima, sobejamente conhecida pela qualidade da sua cozinha e excelência do serviço de vinhos.
Para memória futura, desfilaram:
.Pico Verdelho 1961 vinho Aperitivo da Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico (nota 17)
.Meursault Perrières 1er Cru Louis Latour 2007 (18,5) com risotto de vieiras
.Les Jardins de Babylone Jurançon Sec 2011 (17,5) com cavala gratinada
.Montes Claros T 54 (retirado por ter rolha)
.Júlio Bastos Alicante Bouschet 2012 (17,5+) com lombo de vitela
.Barca Velha 2008 (19) com lombo de vitela
.Markus Molitor Riesling Eiswein 2002 (18) com a sobremesa
.Horácio Simões Moscatel Roxo Superior Seco (16,5) idem
.Artur Barros e Sousa Moscatel Velho 1890 (18,5+) idem
Obrigado Paulo Bento pelo convite e por ter partilhado connosco estas preciosidades!
2.A Enoteca de Belém
Já algum tempo que não visitava este amigável espaço que muito aprecio. Boa gastronomia, copos Riedel e serviço de 5 estrelas.
Bebi e comi:
.Luis Pato Vinha Formal Parcela Cândido 2015 (da minha garrafeira, nota 18) com uma sopa de peixe
.Olho no Pé Vinhas Velhas Reserva 2011 (excelente relação preço/qualidade, nota 18) com lombo de novilho, batata gratinada e cogumelos Portobello
Mais, nem o chefe Ricardo Gonçalves nem o Nelson Guerreiro estavam, mas a máquina funcionou às mil maravilhas.
3.Wine & Flavours Film Festival
A 3ª edição deste evento vais realizar-se na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa (R. Saraiva de Carvalho,41) nos dias 26, 27 e 28 de Janeiro 2017, sob o tema Cinema a Copo.
Entre outras coisas, pode-se participar em almoços e jantares vínicos temáticos, na presença dos chefes Marlene Vieira, João Sá e Nuno Diniz.
Mais informações em //cinemaacopo.wixsite.com/wineandflavours.



terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Jantar Sandra e Susana : o vinho no feminino?

O último jantar vínico do ano (61º) organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, teve como principais protagonistas as produtoras e enólogas Sandra Tavares da Silva e Susana Esteban, que apresentaram vinhos feitos a quatro mãos e outros a solo.
O repasto decorreu na Casa da Dízima que apresentou, mais uma vez, gastronomia de qualidade, harmonizações impecáveis e um serviço de 5 estrelas sob a batuta do Pedro Batista.
Desfilaram:
.Qtª de Chocapalha Arinto 2015 - aroma intenso, presença de citrinos, fresco, acidez vibrante, notas amanteigadas, algum volume e um bom final de boca. Estagiou em inox e vai crescer nos próximos anos, a avaliar pelo 2009, recentemente provado. Gastronómico. Nota 17,5+.
Acompanhou camarão Katafi sobre lâminas de abacaxi.
.Procura 2014 branco - estagiou em barricas usadas de carvalho francês; nariz discreto, fruta de caroço, alguma acidez e gordura; volume acentuado e bom final de boca. Também gastronómico, aguenta pratos mais pesados. No ponto óptimo de consumo. Nota 17,5.
Maridou com bochechas crocantes de bacalhau.
.Tricot 2014 (Alentejo) - com base na casta Touriga Nacional e em vinhas velhas na Serra de São Mamede; aroma intenso, fruta vermelha, notas vegetais, acidez equilibrada, taninos presentes, algum volume e final de boca médio. A consumir nos próximos 2/3 anos. Nota 17.
.Crochet 2014 (Douro) - com base nas castas Touriga Nacional e Touriga Franca; nariz poderoso, notas florais, algum especiado, acidez q.b., taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis. Elegante e harmonioso. Melhor daqui a 5/6 anos. Nota 17,5.
Estes 2 tintos harmonizaram com um lombinho de borrego, puré de míscaros e legumes.
.Procura 2013 - com base na casta Alicante Bouschet e em vinhas velhas da Serra de São Mamede, estagiou 16 meses em barricas novas de carvalho francês; aroma intenso e envolvente, frutos vermelhos, boa acidez, especiado, notas de lagar, taninos ainda por domar, algum volume e bom final de boca.
Conflituou com a tábua de queijos (o Procura branco teria maridado bem melhor).
.Pintas Vintage 2014 - com base numa vinha com mais de 80 anos; muita fruta, taninos intensos, volume e final de boca consideráveis. Pura pedofilia bebê-lo agora.
Também acompanhou a tábua de queijos.
.Pintas 10 Anos - frutado, álcool ainda muito presente, taninos afirmativos, volume e final médios.
Acompanhou um  creme brullé com ragout de laranja.
Voltando ao título desta crónica, há ou não vinho no feminino? O vinho feito por enólogas tem características que o diferenciem do vinho elaborado por enólogos? Ou não? Quem souber que responda.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Curtas (LXXXII) : o BOCA, o António Zambujo e uma nova garrafeira

1.BOCA, a última garrafa
Já mencionei este emblemático vinho por diversas vezes, com destaque para "Novo Formato+ (...) : o BOCA na maior...", crónica publicada em 31/7/2014. Volto, agora, a falar dele pois a minha última garrafa, simpática oferta do meu amigo Juca, foi-se...
Mais, aguentou-se perfeitamente ao lado do Vallado Touriga Nacional 2008 que obteve 94 pontos no Parker e 95 na Wine Spectator. É obra!
2.Periquita António Zambujo
Participei, recentemente, na apresentação desta edição especial António Zambujo 2014, no restaurante bar By the Wine da José Maria da Fonseca, pelo enólogo Domingos Soares Franco, contando com a presença do conceituado músico.
O evento começou com a degustação do Domingos Soares Franco Viognier 2015, a cumprir muito bem o seu papel de bebida de boas vindas e como companhia inicial de uma tábua de enchidos e queijos.
Seguiu-se o Periquita António Zambujo - com base nas castas Castelão (50%), Touriga Nacional (33%) e Touriga Franca (17%), estagiou 8 meses em madeira nova e usada de carvalho francês e americano; aroma fino e intenso, acidez no ponto, especiado, taninos domesticados, volume considerável e final de boca adocicado e com algum comprimento. Uma boa surpresa de um vinho que se impõe por  si próprio, independentemente do protagonismo das pessoas envolvidas. Nota 17,5+.
No final da sessão, foi oferecido a cada participante 1 garrafa e 1 CD com músicas do António Zambujo.
3.Mais uma garrafeira
Abriu no espaço do bar Tapas 47 (ex-Charcutaria Lisboa, Rua do Alecrim 47) a Garrafeira Imperial, com uma boa selecção de vinhos (excepto fortificados que são uma minoria) e preços muito simpáticos.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

A Qtª das Bageiras no 5º aniversário da Garrafeira Néctar das Avenidas

Mais um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, este com um sabor muito especial, pois se tratava de comemorar o seu 5º aniversário. Os meus parabéns ao João e à Sara Quintela e votos de uma vida longa à sua garrafeira.
Coube à Qtª das Bageiras, já aqui referida por diversas vezes, nomeadamente na crónica "Jantar Qtª das Bageiras" publicada em 12/6/2014, abrilhantar esta data, não só com os vinhos mas também com a presença do produtor Mário Sérgio Nuno que os apresentou.
O evento decorreu na Casa do Bacalhau, com o seu habitual serviço exemplar de vinhos, com estes a chegarem à mesa sempre antes da comida, o que nem sempre acontece noutros espaços de restauração.
Desfilaram:
.Espumante Qtª das Bageiras 2014 Rosé, a cumprir a sua missão de bebida de boas vindas e a acompanhar pastéis e pataniscas de bacalhau.
.Avô Fausto 2015 Branco (lançamento) - com base na casta Maria Gomes, passou por madeira usada; nariz discreto, fruta de caroço, boa acidez, notas amanteigadas, volume e final de boca consideráveis. Gastronómico e austero, bem longe dos brancos muito frutados e fáceis de beber. Nota 17,5+.
Fez-se acompanhar por um arroz de línguas de bacalhau (com sal acima do habitual).
.Avô Fausto 2013 Tinto (lançamento) - nariz austero, fruta vermelha, acidez no ponto, notas vegetais, taninos ainda por domar, volume e final médios. Algo rústico e pouco harmonioso. Ainda muito jóvem, precisa de tempo para crescer. Nota 15,5.
Acompanhou com uma feijoada de sames (com sal abaixo do habitual).
.Qtª das Bageiras Garrafeira 2011 - com base em vinhas de mais de 100 anos; aroma intenso, fruta preta, acidez equilibrada, alguma especiaria, taninos presentes mas civilizados, volume assinalável e final de boca extenso. Um bom exemplar da casta Baga, ainda com muito tempo à sua frente, pode esperar mais 8/10 anos. Nota 18.
.Qtª das Bageiras Reserva 1994 - ainda com a cor muito carregada, fruta presente, acidez q.b., taninos ainda por domar, algum volume e final de boca. Os anos não passaram por ele! Nota 17.
Estes 2 tintos maridaram muito bem com bochechas de vitela e puré de batata.
.Qtª das Bageiras Abafado 2004 - frutos secos, alguma acidez e gordura, volume e final médios. Desinteressante. Nota 15,5.
Acompanhou sericaia com ameixa de Elvas.
Foi ainda servida a Aguardente Vínica Velha que não provei.
E, para o ano, espero comemorar mais um aniversário da Néctar das Avenidas!

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Meruge : do vinho à gastronomia

1.Introdução
Por iniciativa dos Lavradores de Feitoria, já aqui referidos em diversas crónicas, a última das quais "Provar vinhos com os Lavradores de Feitoria" publicada em 6/8/2016, participei numa sessão temática que teve como principais figurantes Meruge vinho e meruge erva silvestre gastronómica.
O evento que teve como base a Taberna das Flores, desdobrou-se em:
.prova vertical de Meruge branco (2010, 2011, 2012, 2013 e 2015) e tinto (2003, 2007, 2009, 2010 e 2014), orientada por Olga Martins e Paulo Ruão, já meus conhecidos desde há anos
.almoço com base na erva meruge num menú concebido pelo chefe André Magalhães, também proprietário do restaurante
.conversa sobre ervas silvestre com interesse gastronómico, animada por Graça Soares (empresa Ervas Finas)
2.A prova vertical
Os brancos provados tinham todos como base a casta Viosinho, estagiaram 6 a 8 meses em barricas de carvalho português e apresentarm-se com alguma homogeniedade, tendo sido o meu eleito a colheita de 2010 - muito fresco e mineral, presença de citrinos e alguma gordura, volume e final de boca acima da média; harmonioso e gastronómico. Nota 17,5+.
Seguiram-se as colheitas 2013, 2015 (ambos com 17,5), 2011 e 2012 (ambos com 17).
Os tintos eram baseados maioritariamente na casta Tinta Roriz, loteada com outras, nomeadamente a Touriga Franca, estagiaram 12 a 18 meses em barricas de carvalho francês e apresentaram-se pouco homogéneos.
O meu preferido foi o 2010 - muito aromático e fresco, belíssima acidez, notas especiadas, taninos delicados, volume e final de boca assinaláveis; elegância e complexidade. Nota 18.
Seguiram-se as colheitas 2007 (17,5), 2003 (17), 2009 (16,5+) e 2014 (16,5).
Curiosamente, os meus eleitos eram ambos do mesmo ano, a colheita de 2010.
3.O almoço
A Taberna das Flores está na moda, mas não tem as condições desejáveis para uma prova como esta, pois estávamos muito apertados e desconfortáveis. Os copos (Schott), certamente alugados, estiveram à altura. Quanto ao serviço, muito esforçado, nem sempre conseguiu servir o vinho antes da comida chegar à mesa.
No entanto, para compensar, é justo dizer que a gastronomia brilhou, estando o chefe André Magalhães e a sua equipa de parabéns.
Para memória futura, comemos:
.chouriças e alheiras com molho vinagrete de meruges, para começar
.covilhetes com salada de meruges (entrada)
.caldo de urtigas com salpicão (sopa)
.bacalhau com feijocas (peixe)
.postinha de vitela com arroz de repolgas e castanhas (carne)
.marmelada em cama de flores, creme de medronhos e queijos transmontanos (sobremesa)
Acompanhei com os meus vinhos preferidos, o Meruge 2010 branco e tinto.
4.Os convidados
Esta sessão foi praticamente exclusiva para meios de comunicação social (Revista de Vinhos, Jornal Económico, Vida Económica, Sábado, Vida Rural, Rádio Comercial, Correio da Manhã e Boa Cama Boa Mesa), blogosfera (Abram a Boca..., Copo de 3, Enófilo Militante, Joli Wine & Food, Moroso on Wine e My Wine Tours) e, ainda, alguns sites na área da gastronomia como é o caso do Virgílio Gomes e o José Miguel Dentinho.
Uma palavra final de agradecimento para a Joana Pratas, sempre muito simpática e incansável em tudo o que se relacione com os eventos que organiza, este e muitos outros.



domingo, 11 de dezembro de 2016

Vinhos em família (LXXVI) : a vez dos tintos

Mais uns tantos vinhos provados descontraidamente em família e com os rótulos à vista. Desta vez, em contramão com a LXXV, foram contemplados 5 tintos (1 Dão, 1 Bairrada e 3 alentejanos), todos a portarem-se bem.
E eles foram:
.Qtª de Lemos Touriga Nacional 2009 - muito aromático, frutos vermelhos bem presentes, notas florais e especiadas, alguma acidez e volume e um bom final de boca. Elegante e harmonioso, ainda tem muitos anos à frente. Nota 18.
.Qtª das Bageiras Garrafeira 2010 (garrafa nº 4135/6896) - Prémio Excelência da Revista de Vinhos; com base na casta Baga em vinhas velhas, fermentou sem desengace; nariz contido, boa acidez, especiado, taninos presentes mas domesticados, elegante, volume e final de boca apreciáveis. Melhor daqui a 5/6 anos. Nota 18.
.Dona Maria Grande Reserva 2010 - com base nas castas Alicante Bouschet (50 %), Petit Verdot e Syrah em vinhas velhas, estagiou 1 ano em barricas novas de carvalho francês; nariz exuberante e complexo, fruta preta, acidez equilibrada, notas de chocolate e tabaco, taninos de veludo, volume notável e final de boca muito longo. Uma grande surpresa vinda do Alentejo, pode ser consumido nos próximos 2/3 anos. Nota 18,5.
.Poejo d' Algures 2011 - com base nas castas Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Syrah e Cabernet Sauvignon, estagiou em barricas de carvalho francês de 2º ano; produção de Monte dos Cabaços e enologia de Margarida Cabaço e Susana Esteban, selecção de Pedro Garcia e João Quintela; nariz afirmativo, ainda com fruta, alguma acidez, notas especiadas, taninos macios, volume médio e bom final de boca. Está no ponto óptimo de consumo. Exclusivo da Garrafeira Néctar das Avenidas. Nota 17+.
.Reguengos Reserva dos Sócios 2012 - com base nas castas Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet; nariz austero, presença de frutos vermelhos, alguma acidez, notas de chocolate, taninos domesticados, algum volume e final de boca. Também pronto a ser bebido. Nota 17+.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Almoço com Vinhos Fortificados (25ª sessão) : 2 Madeiras do séc XIX de arrasar

Esta última sessão foi da responsabilidade do casal Marieta/José Rosa que ofereceu ao chamado Grupo dos Madeiras, reforçado com o seu filho João Rosa, vindo expressamente de Londres para o efeito, um almoço na Casa da Dízima, com vinhos da sua garrafeira.
Começámos com o branco Bouchard Pére & Fils Meursault Premier Cru Genevrières 2007 Domaine de Beaune, Côte d' Or Magnum (uf!, que nome tão comprido...) - nariz muito atractivo, bela acidez, fruta de caroço e citrinos, sedoso na boca, volume e final de boca consistentes. Nota 18+.
Acompanhou queijos (Azeitão, QtªMadre de Água, Fornos de Algodres e Castelo Branco), bacalhau fumado, presunto Joselito grande reserva e paio da presa).
Seguiu-se:
.Soalheiro Alvarinho Reserva 2010 Magnum - aroma intenso e complexo, fruta madura, belíssima acidez, notas amanteigadas, bom volume e final de boca longo. Muito complexo e um belo exemplar desta reputada marca. Nota 18+.
Maridou com uma série de tapas (crocante de farinheira de porco preto, biqueirão em vinagrete, terrina de fois gras, lombo de cachaço e lascas de bacalhau fumados e, ainda, diversos queijos) e uma excelente entrada de risotto de vieiras frescas em manteiga de lavagante.
.Soalheiro Alvarinho Reserva 2013 - mais fresco e mineral que o anterior, presença de citrinos, alguma acidez e volume de boca, persistência acentuada. Nota 18.
Também acompanhou o risotto.
.Henriques & Henriques Sercial Solera 1898 - frutos secos, vinagrinho, notas de iodo, caril e brandy, taninos ainda muito presentes, acentuado volume e final de boca muito longo. Complexo e sofisticado. A Madeira no seu melhor: tanta idade e tanta juventude. Inacreditável! Nota 19.
Este Sercial foi bebido com todo o respeito e pôs o palato a zeros.
.Qtª Vale Meão 2010 Magnum - aroma intenso e muito fino, acidez equilibrada, notas balsâmicas, taninos impressionantes, volume e final de boca notáveis. Ainda está para durar, mais uns tantos anos. Nota 18,5.
.Qtª Vale Meão 2009 - ainda com muita fruta e alguma acidez, menos complexo que o anterior, taninos mais discretos, bom volume e final de boca. Nota 18.
Estes 2 tintos fizeram um bom casamento com uma excelente bochecha de vitela, cozinhada a baixa temperatura, com chalotas, castanhas e ervilhas tortas.
.JPL Boal 1880 (Madeira do avô do Francisco Albuquerque) - aroma intenso, vinagrinho acentuado, notas de iodo e brandy, taninos intensos, volume acentuado e final de boca extenso. Todo ele de grande complexidade. Nota 19.
Este fortificado harmonizou muito bem com uns saborosíssimos brownies de batata doce e de alfarroba com gelado.
.Artur Barros e Sousa Bual Velha Reserva 1958 - nariz afirmativo, frutos secos, notas de vinagrinho e brandy, taninos suaves, volume e final de boca assinaláveis. Menos complexo que os seus irmãos mais velhos. Nota 18.
Boa comida, bons copos e temperaturas, serviço de 5 estrelas, a cargo da equipa conduzida pelo Pedro Batista. Só foi pena que o nosso amigo Adelino, mentor deste grupo, não pudesse estar presente, por motivos de saúde.
Mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes. Obrigado Marieta e José Rosa!

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Encontro com o Vinho e Sabores (EVS) 2016

Estive presente em mais um EVS, o 17º, o acontecimento vínico do ano, sem qualquer dúvida. Este último estava organizado com mais de 450 produtores, 226 stands de vinho, 28 de sabores e 10 de acessórios. Contou, ainda, com 13 provas especiais e 12 sessões, entre tertúlias e demonstrações culinárias. É obra!
Participei apenas na 2ª feira, o dia destinado aos profissionais e o mais calmo, se comparado com o fim de semana. É a grande oportunidade de matar saudades e trocar 2 dedos de conversa com amigos, antigos clientes, produtores, enólogos e outros agentes do vinho. Quanto a vinhos, tive a oportunidade de provar 70 referências, 1 branco (o Teixuga 2013, por curiosidade), 59 tintos e 10 fortificados, uma ínfima amostragem do que se encontrava por lá, mas que chegou para me anestesiar o nariz e neutralisar o palato.
Quanto aos tintos, o que mais me impressionou foi o Kompassus Private Selection 2011, logo seguido de Qtª de Bageiras Garrafeira 2011, Vale de Ancho Reserva 2011, Esporão Private Selection 2012, Calda Bordaleza 2008, Diga? 2008, Qtª da Gricha 2012, António Saramago Superior 2010, Villa Oliveira Touriga Nacional 2011 e o 2221 Terroir Cantanhede 2011. Também me ficaram na memória Qtª dos Murças Reserva 2011, Aguia Moura Garrafeira 2011, Buçaco Reservado 2013, Qtª da Alameda Reserva Especial 2012, Campolargo 2011, Luis Pato Vinhas Velhas 2012, Vinha dos Amores Touriga Nacional 2011 e Qtª de Lemos Touriga Nacional 2010. De destacar a presença da excepcional colheita de 2011, com 9 vinhos eleitos num total de 18.
Quanto aos fortificados, o meu grande destaque vai para o Burmester 40 Anos e Vallado 30 Anos, seguidos do surpreendente e, para mim, totalmente desconhecido Blackett 30 Anos, Calém 40 Anos e Vasques Carvalho 40 Anos. Nota alta, ainda, para Messias 40 Anos, Blackett 20 Anos e Qtª do Noval Colheita 2003.
Acabei por almoçar no local, stand Abre Latas que se intitula pomposamente "eating house & catering". Em má hora o fiz, pois comprei 2 doses já preparadas, uma de bacalhau com grão e outra de polvo com feijão preto, só que embora saborosas, tanto o bacalhau como o polvo, tinham metido dispensa. Só à lupa! Para compensar bebi um copo de um desconhecido, surpreendente e gastronómico branco que dá pelo nome de Kelman Enruzado 2013 (Dão).
O EVS 2016 contou, ainda com a habitual Escolha da Imprensa, de cujo painel de prova cega, por simpático convite da Revista de Vinhos, fiz parte.
E, para o ano, há mais!

sábado, 3 de dezembro de 2016

Livros para o Natal

1.Para enófilos, militantes ou não
Para este universo, aconselho vivamente o livro do João Paulo Martins (JPM), "Histórias com Vinho & outros condimentos" (Ed. Oficina do Livro), com base em crónicas publicadas na Revista de Vinhos e em diversas outras publicações, algumas delas acrescidas de comentários do autor actuais.
Esta publicação divide-se em 3 partes:
1ª - Ao sabor da História (bem regada)
Aqui o JPM faz jus à sua formação base (História), informando o leitor que "A literatura portuguesa sobre vinho tem alguns nomes incontornáveis. Um deles é Rui Fernandes, autor que viveu em Lamego no séc. XVI e nos legou uma descrição pormenorizada sobre o Douro e o vinho". Sabiam disto? Eu, não. Também ficamos a saber que Cincinato da Costa, um estudioso da nossa agricultura e autor da monumental obra "O Portugal Vinícola", publicda em 1900, referiu em 1906, numa das revistas "A Vinha Portuguesa", que a vinha do Poceirão seria a maior do mundo (!), extendendo-se desde o Pinhal Novo até à estação do Poceirão. Também não sabia.
2ª - Tirar o vinho do sério
A veia humorística do JPM, está bem expressa nesta parte do livro, contando-nos umas tantas histórias hilariantes, algumas reais, outras imaginadas. Numa delas, "Os vinhos da Presidência portuguesa", engendra no Jornal à Mesa, em Março de 1992, uma situação surrealista à volta da concepção do Centro Cultural de Belém, brincando com o facto de o arquitecto Gregotti não ter previsto uma garrafeira no CCB. Comentou agora que afinal sempre abriu a tal garrafeira, Coisas do Arco Vinho, cujos proprietários (o Juca e eu) usaram o seu texto para promoverem a loja. De facto, a propósito deste artigo do JPM, escrevi no discurso do 1º ano das CAV, parcialmente publicado na brochura comemorativa do nosso 10º aniversário que a ficção se teria transformado em realidade.
3ª - A batalha da mesa
Num dos capítulos desta última parte, refere o autor que, a propósito dos restaurantes, "Normalmente pouco se fala dos vinhos e ainda menos sobre o seu serviço. E por serviço devemos ter em conta coisa muito simples como os copos, a temperatura do vinho e a sua eventual decantação, no caso de ter sido necessária". Assino por baixo e considero-me um enochato, quando o serviço de vinhos na restauração não tem o mínimo de qualidade.
Noutro capítulo, o JPM volta à carga, referindo que "(...) as cartas de vinho são uma miséria, e o serviço uma desgraça. Ressalvo aqui uma excepção que me vem sempre à memória e nunca é demais referir: o Manjar do Marquês, em Pombal (...)". Também assino por baixo e já o escrevi mais de uma vez em crónicas aqui publicadas.
2.Para principiantes
."O Vinho na Ponta da Língua", de Maria João de Almeida (Ed. Saída de Emergência)
."Especialista de Vinhos em 24 Horas", de Jancis Robinson (Ed. Casa das Letras)
."Branco ou Tinto?", de Joana Maçanita (Ed. Manuscrito)
."Guia Popular de Vinhos 2017", de Aníbal Coutinho (Ed. Presença)
A propósito, alguém deu pela saída do Guia do JPM?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Bagos Chiado : revisão da matéria

No espaço de 2 meses, visitei este restaurante 5 vezes (a solo, com a companheira, com o Grupo dos 3, com um casal amigo e no jantar Qtª do Vallado), tendo-o referido aqui nas crónicas "Curtas (LXXX) : Bagos Chiado (...)", "Grupo dos 3 : brancos em alta no Bagos Chiado" e "Jantar Qtª do Vallado (...)", publicadas em 27/9/2016, 13/10/2016 e 29/11/2016, respectivamente e que não esgotaram o que há para dizer sobre este espaço.
A lista de vinhos tem alguma originalidade, fugindo da "chapa 5" da maioria dos restaurantes, a preços sensatos. Inventariei 4 espumantes (1 a copo), 26 brancos (3), 34 tintos (3), 2 rosés (1), 3 Portos, 2 Madeiras, 2 Moscatéis e 1 Licoroso, podendo ser bebidos a copo todos os fortificados. A única crítica a fazer é que os vinhos da Região dos Vinhos Verdes foram colocados separadamente dos restantes brancos, o que não faz sentido. Nas cervejas, nota-se a ausência das artesanais que agora estão na moda e pelas melhores razões: é que depois de ter provado uma destas, acho intragáveis as industriais.
Quanto a vinhos bebidos neste espaço, para além dos referidos nas crónicas indicadas registei:
.Vinha de Reis 2014 branco - com base nas castas Encruzado, Bical e Malvasia; bom equilíbrio entre a acidez, os citrinos e a estrutura. Gastronómico. Nota 17,5.
.Vicentino 2014 tinto - aroma discreto, fruta vermelha, razoável acidez, volume e final médios. Nota 17.
Quanto a comeres na lista, curta, constam 6 entradas, 5 peixes, 4 carnes e 5 sobremesas que incluem arroz. Entre outros pratos, registei e comi com muito prazer:
.caldo de legumes com cogumelos e massa de arroz
.costoleta de borrego com salada de pera e farinha de arroz
.carolino de carne de porco com lingueirão e coentros (divinal!)
De registar que de 3ª feira a sábado, ao almoço, se pode comer por
.12 € (entrada ou sobremesa e prato) ou
.15 € (entrada, prato e sobremesa)
Finalmente, o Bagos Chiado já foi objecto de críticas muito favoráveis em:
.Expresso (Fortunato da Câmara) - "O Bagos Chiado junta a nossa cozinha de arrozes a um dos melhores cozinheiros nacionais"
.Time Out (Alfredo Lacerda) - atribuiu 4 estrelas no máximo de 5.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Jantar Qtª do Vallado : nota alta para a colheita de 2008

Mais um evento da Garrafeira Néctar das Avenidas, desta vez no restaurante do Henrique Mouro, o Bagos Chiado. O Francisco Ferreira desceu até à capital e apresentou, muito pedagogicamente, os seus vinhos mais recentes e outros já feitos, para se perceber como eles podem evoluir no bom caminho. Muito simpaticamente, o Francisco Ferreira referiu-se , em termos elogiosos, aos antigos donos e animadores das Coisas do Arco do Vinho, presentes no jantar. Obrigado, Francisco!
Quanto aos vinhos, com enologia dos dois Franciscos (Olazabal e Ferreira) desfilaram:
.Qtª do Vallado Reserva 2015 - com base nas castas Arinto, Gouveio, Rabigato e Viosinho, estagiou 7 meses em barricas de carvalho francês; presença de citrinos, fresco e mineral, acidez q.b., notas amanteigadas, madeira bem casada, algum volume e bom final de boca. Valeu 94 pontos no Parker e 18 valores na Revista de Vinhos. Gostaria de o voltar a provar daqui a mais uns anos. Nota 17,5+.
Acompanhou arroz de pato num croquete.
.Vallado Superior 2014 - com base nas castas Touriga Nacional (60 %) e Touriga Franca (40 %) da Qtª do Orgal, em produção biológica, estagiou 16 meses em barricas de carvalho francês; aroma intenso, notas florais, acidez equilibrada, taninos de veludo, encorpado e final de boca médio. Ainda com pouca complexidade, precisa de mais 5/6 anos. Nota 17.
.Qtª do Vallado 2008 (em garrafa de 5 litros) - aroma complexo, ainda com alguma fruta, notas especiadas, acidez equilibrada, taninos presentes, algum volume e bom final de boca. Equilibrado e elegante, evoluiu muito bem. Nota 17,5.
Estes 2 vinhos foram servidos com um pampo no forno, com o segundo tinto a harmonizar melhor que o primeiro.
.Qtª do Vallado Sousão 2014 - fruta preta, alguma acidez e taninos, volume médio e final persistente. Está muito novo e unidireccional, faltando-lhe complexidade, mas não sei se a idade a trará. Esta casta não faz a minha felicidade. Nota 16,5+.
Maridou bem com leitão assado, bagos e batata doce.
.Qtª do Vallado Reserva 2014 - arma complexo, muito frutado, acidez equlibrada, taninos domesticados, algum volume e bom final de boca. Ainda muito jóvem, vai melhorar daqui por mais 5/6 anos. Nota 17,5+.
.Qtª do Vallado Reserva 2008 - alguma fruta, notas florais e terciárias, acidez no ponto, especiado, algum chocolate e tabaco, taninos afirmativos mas civilizados, volume e final de boca assinaláveis. Muito elegante e harmonioso. O Vallado no seu melhor. Nota 18,5.
Estes 2 tintos acompanharam lebre com espuma de feijoca e cenoura.
.Qtª do Vallado 20 Anos - frutos secos, acidez equilibrada, algum iodo, taninos presentes, complexidde, algum volume e final muito longo. Nota 18.
Casou bem com um folhado de marmelada e arroz doce.
Foi, ainda, servido um surpreendente 10 Anos.
Quanto ao serviço, nada fácil com os participantes dispersos em 2 salas, correu com bom ritmo, apesar da equipa reduzida, onde brilhou a Ana, uma profissional de 5 estrelas.

sábado, 26 de novembro de 2016

Crónicas em atraso, mais uma vez

Não consigo acompanhar o ritmo frenético das actividades vínicas em que tenho participado, faltando "cronicar" ainda:
.Jantar Qtª do Vallado
.Encontro Vinhos e Sabores 2016 e Painel da Imprensa
.Almoço do grupo dos Madeiras
.Vertical de vinhos Meruge
.Vinhos em família
.Apresentação do Periquita António Zambujo
.Jantar Qtª das Bageiras
Uf! Só espero que o mês de Dezembro seja mais calmo.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Grupo dos 3 (54ª sessão) : um Madeira de excepção

Mais uma sessão às cegas deste núcleo duríssimo, tendo sido o Juca a escolher o restaurante e a trazer vinhos da sua garrafeira (1 branco, 2 tintos e 1 fortificado). A prova decorreu no Bel' Empada (Av. João XXI, 24 mesmo ao lado do Napoleão) já aqui referido em "Belmiro Jesus e suas empadas", crónica publicada em 26/4/2016.
Aqui come-se muito bem, mas a sala, além de ser de reduzidas dimensões é excessivamente ruidosa, prejudicando um pouco a concentração necessária à degustação de vinhos de qualidade. Mais, neste espaço não se pode pagar com cartões, sejam Visa ou simples MB, estratégia do proprietário que não se entende de todo.
Os vinhos em prova foram:
.Chocapalha Reserva 2009 - com base nas castas Chardonnay e Viosinho, estagiou 6 meses em barricas novas de carvalho francês; ainda muito fresco e mineral, bela acidez a prolongar-lhe a vida, presença de citrinos, alguma gordura, volume e final de boca. Nota 17,5.
Acompanhou bem empadinhas de vitela, queijo fresco e paté de figados de aves, mas colidiu com os ovos mexidos.
.Charme 2007 - aberto na cor, nariz contido, aromas e sabores terciários, discreto e elegante, algum volume e final de boca. Nota 16,5+.
Maridou bem com um pampo grelhado e grelos.
.Crochet 2011 - com base nas castas Touriga Franca e Touriga Nacional; ainda com muita fruta, acidez equilibrada, notas de tabaco  e chocolate preto, volume e final de boca assinaláveis. Nota 18.
Fez um casamento feliz com uma empada de vitela e batata frita.
.Artur Barros e Sousa Moscatel Velho 1963 - frutos secos, notas de iodo e caril, acidez q.b., taninos envolventes, volume assinalável e final muito longo. Embora não se note muito a presença da casta, é um excelente e sedutor Madeira. Nota 18,5+.
Acompanhou um belíssimo marmelo assado.
Mais uma grande sessão. Obrigado, Juca!

terça-feira, 22 de novembro de 2016

The Fork Fest (II) : restaurante Trio

O restaurante Trio (Rua Dom Francisco Manuel de Melo, 36A, a Campolide) foi o 2º espaço que visitei no âmbito do The Fork Fest, aproveitando a benesse dos 50 % de desconto. O proprietário e responsável pelos tachos é o chefe Manuel Lino, vindo do Tabik e que pratica uma cozinha de autor.
Na sala está o escanção Ricardo Cavaleiro, responsável por um serviço requintado e altamente profissional.
A carta de vinhos é original, mas um pouco confusa. No dia em que visitei este espaço, os vinhos a copo disponíveis não constavam da carta, enquanto os que lá constavam não existiam. Inventariei 1 espumante (na carta referido como sparkling!), 9 brancos (3 a copo), 2 rosés, 10 tintos (3), 2 Portos e 1 Moscatel, uma oferta nitidamente insuficiente e nada ambiciosa. Preços pouco amigáveis.
Optei por um copo do tinto Gilda 2015 (6 €) - um Bairrada, com base nas castas Castelão, Merlot e Tinta Barroca; muito frutado, alguma acidez, taninos presentes, alguma rusticidade, volume e final de boca médios. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo, em quantidade generosa medida a olho. A temperatura estava nos limites, tendo sido este problema resolvido de imediato.
Foram servidos 2 entretém de boca (brioche recheado com alheira e crocante de camarão com carapau braseado) e, aproveitando os tais 50 %, comi entrada (endívia, puré de amêndoa e morcela), prato (bacalhau com grão, porco e ovo cozido a baixa temperatura) e sobremesa (crumble de sésamo com doce de abóbora e gelado de natas). Entrada surpreendente, mas o prato não me cativou.
A sala é pequena e algo intimista. Poderia ser o espaço ideal para uma refeição romântica, mas o volume da música de fundo não o permite.

sábado, 19 de novembro de 2016

The Fork Fest (I) : restaurante Great Tastings

O Great Tastings (R. Passos Manuel, 91A) foi um dos 2 restaurantes com 50 % de desconto na lista que tive a oportunidade de visitar. Este espaço, à semelhança do Descobre, é um 3 em 1, isto é, desdobra-se em restaurante, mercearia e garrafeira. Como sub-título, pode ler-se "eat drink share live", o que define o espírito da casa.
O proprietário, Pedro Gato de seu nome, apostou fortemente na componente vínica, permitindo que qualquer vinho possa ser servido a copo, incluindo Barca Velha ou Pera Manca. As garrafas têm 2 preços, sendo um para levar para casa e o outro acrescido de 8 €, se consumido na mesa.
A selecção é francamente positiva, com um leque de vinhos alargado nas gamas alta e média alta. Inventariei 15 espumantes, 47 brancos (1 é colheita tardia), 94 tintos, 2 rosés, 10 Portos, 4 Madeiras e 3 Moscatéis. Mais, na carta constam os anos de colheita, coisa que muitos restaurante se esquecem de incluir. O Great Tastings parece ser um caso único na nossa restauração e, daqui, tiro o meu chapéu aos responsáveis por este projecto.
Mas também é um espaço de contradições, pois alterna cadeiras e bancos pouco confortáveis com um serviço irrepreensivelmente profissional, os copos Riedel com os guardanapos de papel, a música demasiado alta com a excelente apresentação dos pratos e os preços acessíveis dos vinhos à garrafa com os preços do vinho a copo algo exagerados. Nada que não possa ser corrigido.
Optei por um copo do Qtª do Portal Grande Reserva 2011 (11 €) - ainda com muita fruta, acidez no ponto, especiado, notas de chocolate e tabaco, taninos presentes mas domesticados, grande volume e final de boca. O Douro no seu melhor! Nota 18,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo, mas com a temperatura nos limites do recomendável.
O vinho acompanhou uma açorda de ameijoas e uma deliciosa chanfana à moda de Coimbra.
Resta dizer que se pode almoçar de 3ª a 6ª feira por 12,50 € (entrada, prato, sobremesa, bebida e café), um preço mais que razoável para uma refeição completa, num restaurante como este.
Tenciono voltar e recomendo este espaço a todos os enófilos, militantes ou não.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Provar vinhos no CCB e no Ritz

O mês de Outubro foi fértil quanto à apresentação e provas de vinhos, tendo eu participado em:
1.Azeites e Vinhos do Alentejo (14 e 15 de Outubro)
Na tenda do CCB decorreu, mais uma vez, a grande prova de vinhos e azeites alentejanos, com organização da Essência do Vinho e apoio da CVR do Alentejo.
Tive a ocasião de provar 30 vinhos, sendo 19 brancos e 11 tintos, uma ínfima parte dos néctares presentes.
Quanto aos brancos provados, de um modo geral pouco interessantes, destaco o Herdade Grande Reserva 2014 e o Plansel Select Verdelho 2015.
Quanto a tintos, apesar de ter provado poucos, dava para perceber que estávamos em presença de vinhos mais interessantes. Destaco o Mouchão 2011, Reynolds Grande Reserva 2007 e Grou 2009 e, logo a seguir, o Rubrica 2013, Herdade das Servas Reserva Vinhas Velhas 2012, Procura 2013 e Selectio Tinta Grossa 2012.
De referir que a maioria dos tintos foram degustados a temperaturas acima do recomendável e que a prova decorreu, parte do tempo, debaixo de uma música ao vivo demasiado agressiva. Não havia necessidade!
2.Decante Vinhos (23 e 24 de Outubro)
No Hotel Ritz, também mais uma vez, teve lugar a apresentação do novo catálogo da distribuidora Decante Vinhos que muito prezo e com a qual tive as melhores relações profissionais e pessoais, quando do tempo das CAV.
Foi um evento muito mais interessante que o anterior, tendo conseguido provar 37 vinhos, sendo 29 tintos e 8 brancos.
Quanto a brancos, destaco o Qtª do Ameal Loureiro 2005 (a grande surpresa da prova) e o Soalheiro Alvarinho Reserva 2015, logo seguidos do Poeira 2014, Lacrau Garrafeira 2011 e Talentus Grande Escolha 2014.
Quanto a tintos, destaque para o Carrocel 2011, Passagem Grande Reserva 2009, Poeira Ímpar 2009, Pintas 2014, Qtª da Manoella Vinhas Velhas 2014 e Aalto PS2014. Logo a seguir o PAPE 2012, Passadouro Reserva 2014, Dona Maria Grande Reserva 2011, Zanbujeiro 2012, Vinha Paz Reserva 2011, Vinha Othon Reserva 2011, Incógnito 2012, Marquesa de Cadaval 2012, CH by Chocapalha 2012, Horácio Simões Grande Reserva 2013 e Mauro VS 2012.
Aqui não havia música aos gritos e a sala era mais ampla que nas sessões do passado.
Foi um prazer, esta prova!

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Curtas (LXXXI) : Dom Joaquim, Mercantina e Descobre

1.Dom Joaquim
Não conhecia este restaurante situado em Évora. Em recente visita fiquei deveras agradado, pois tem uma cozinha alentejana bem sólida, da responsabilidade do Joaquim Almeida, proprietário e a alma do negócio, uma boa carta de vinhos centrada no Alentejo e no Douro, a preços sensatos, bons copos, armários térmicos e um serviço simpático e eficiente. Que mais se pode pedir?
Comi o arroz de lebre, um dos pratos emblemáticos da casa, acompanhado pelo tinto Tiago Cabaço Vinhas Velhas 2012 (nota 17,5). Quanto a sobremesas, é também um ponto forte deste espaço mas, lamentavelmente, não registei o que comi.
Recomendo e tenciono voltar.
2.Mercantina
Visitei a Mercantina do Chiado, que nasceu depois da badalada Mercantina de Alvalade. É a antítese do Dom Joaquim. A lista de vinhos está demasiado centrada no Sul, tendo inventariado 2 espumantes (1 a copo),7 brancos (4), 7 tintos (4), 2 rosés (1), 4 Portos, 1 Moscatel do Douro e 8 italianos.
Os anos de colheita estão omissos, os brancos da região dos Vinhos Verdes separados dos outros brancos, os tintos estão à temperatura ambiente e os vinhos a copo já vêm servidos para a mesa. Só desgraças!
Música de fundo muito alta e guardanapos de papel nas mesas...
Aos almoços de 2ª a 5ª feira, este espaço tem uma sugestão do dia que custa 9,80 €, com direito ao prato (que era uma banal spaghetti com almondegas e mozzarella fundida), a bebida (exclui vinho!?) e café. Já não me lembro o que bebi, mas deve ter sido água...
Não aconselho, nem tenciono voltar!
3.Descobre
Já me referi a este original espaço por diversas vezes, tendo sido a mais desenvolvida ""Descobre", mais uma vez", crónica publicada em 8/9/2013.
Depois das obras que lhe acrescentaram mais uma sala e a esplanada, ainda ficou mais apelativo. Continua com uma ementa original, uma boa selecção de vinhos (que também vendem para fora), , bons copos, armários térmicos e serviço eficiente e simpático.
Na minha última visita optei pelo cabrito no forno, o prato das 2ª feiras que estava uma delícia.
Acompanhou o tinto Qtª da Mimosa Reserva 2011 - ainda com fruta, bela acidez, especiado, notas de chocolate e café, taninos presentes mas domesticados, algum volume e final de boca. Nota 17,5.
Recomendo e tenciono voltar, sempre!

domingo, 13 de novembro de 2016

Grupo dos 3 (53ª sessão) : um branco surpreendente

A última sessão deste núcleo duro de enófilos foi da responsabilidade do João Quintela que escolheu o Real Restaurante, num dia de bufete de bacalhau. Os vinhos (1 branco, 2 tintos e 1 fortificado) vieram da sua garrafeira. E eles foram:
.Poejo d' Algures 2015 branco (Dão) - enologia de Paulo Nunes e selecção de João Quintela e Pedro Garcia, com base nas castas Encruzado, Malvasia e Viosinho; muito frutado, fresco e mineral, acidez no ponto, complexidade, volume e final de boca assinaláveis. Uma grande surpresa e excelente relação preço/qualidade (exclusivo da Garrafeira Néctar das Avenidas). Gostava de o provar daqui a meia dúzia de anos. Nota 18.
Acompanhou pastéis e pataniscas de bacalhau, ovas e outras entradas que não registei.
.Pegos Claros Grande Escolha 2012 (Palmela) - com base na casta Castelão em vinhas velhas, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês e americano; aroma intenso, acidez equilibrada, um toque adocicado que acabou por desaparecer, taninos domesticados, algum volume e um bom final de boca. Nota 17,5.
.Andreza Reserva 2014 (Douro) - com base nas castas Touriga Franca, Touriga Nacional e Tinta Roriz; nariz contido, alguma acidez, taninos ainda por domar, volume e final médios, a faltar-lhe complexidade. Nota 16,5+.
Estes 2 tintos acompanharam uma série de pratos de bacalhau, lamentavelmente não identificados e alguns não muito entusiasmantes.
.Carcavelos Villa Oeiras - nariz neutro, presença de citrinos e frutos secos, alguma acidez e iodo; final seco e curto. Nota 16,5.
Maridou com pastéis de nata (muito bons), tarte de amêndoas e queijos.
Em relação às falhas apontadas, perdoam-se  pois, por 10 € (uma pechincha!), não se pode exigir mais.
Obrigado João e parabéns por este surpreedente branco!

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Vinhos da Madeira em Lisboa : Barbeito, Blandy's e Borges

1.Introdução
A Garrafeira Néctar das Avenidas, no seu 58º evento, cometeu a proeza de trazer a Lisboa as principais marcas de Vinhos da Madeira, agora que a Artur Barros e Sousa saíu de cena.
Na nova sala do restaurante Casa do Bacalhau e com a presença de responsáveis das marcas Barbeito (Ricardo Diogo), Blandy's (Francisco Albuquerque) e Borges (Ivo Couto), decorreu uma "master class", seguida de um jantar, cuja ementa foi harmonizada exclusivamente com fortificados daquelas casas. Na sequência, o chefe João Bandeira foi elogiado, pois não é nada fácil encontrar os pratos mais adequados aos vinhos servidos.
Também é de elogiar a logística do restaurante, ao disponibilizar cerca de 800 copos para o evento!
2.A prova
Sob a orientação dos responsáveis já indicados, provámos por ordem sequencial (não tendo sido fácil tomar notas, limito-me a atribuir as respectivas classificações):
.Barbeito Sercial 20 Anos (17)
.Barbeito Tinta Negra 20 Anos (17+)
.Borges Verdelho 20 Anos (18,5)
.Blandy's Terrantez 20 Anos (18,5)
.Borges Bual 15 Anos (17,5+)
.Borges Malvasia 15 Anos (17,5+)
À margem desta "master class", o João Quintela pregou-nos uma partida que nos surpreendeu completamente, pondo à prova um lote constituído pelos 10 Anos da Borges (Sercial, Verdelho, Bual e Malvasia) que bateria toda a concorrência, acaso fosse válido!
Quanto às intervenções, a do Francisco Albuquerque foi muito pedagógica e equilibrada no tempo despendido, ao passo que a do Ricardo Diogo foi demasiado extensa e muito polémica, ao colocar a casta Tinta Negra (Negra Mole) no mesmo patamar das restantes (Sercial, Verdelho, Terrantez, Bual e Malvasia). O meu total desacordo!
3.O jantar
Em bom ritmo, apenas abrandando no final, bebemos e comemos:
.Barbeito Tinta Negra 1998 (16,5)
.Borges Verdelho 20 Anos
Estes 2 desiguais fortificados maridaram bem com um ceviche de atum e maionese de Vinho da Madeira.
.Borges Sercial 1990 (18)
Conflituou com um delicioso bacalhau num aveludado de caril com risotto de espargos.
.Blandy's Verdelho 1979 (18,5+)
Acompanhou com alguma dificuldade um confit de canard com laranja e puré de citrinos.
.Blandy's Bual 30 Anos (18)
Ligou bem com queijo da ilha de São Jorge.
.Blandy's Malvasia 1999 (17,5)
Fez um casamento feliz com um belíssimo chocolate belga, crumble de laranja e soro de Vinho da Madeira e, ainda, queijadas de Sintra e bolo de mel da Madeira.
Ainda provámos o Barbeito Malvasia Vó Vera 30 Anos (17,5+).
4.Acerca deste evento
.Foi, seguramente, um dos acontecimentos do ano! Os meus parabéns ao João e à Sara Quintela.
.A Blandy's confirmou que continua a ser uma grande marca, a produzir grandes vinhos.
.A Borges é a grande aposta na relação preço/qualidade e a oportunidade de se adquirirem bons Vinhos da Madeira, sem arruinar o orçamento de cada um.
.A Barbeito tem uma péssima relação preço/qualidade e a casta Tinta Negra não me convenceu.
.A Casa do Bacalhau também está de parabéns pela sua heróica logística.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Jantar Qtª Mendes Pereira (Dão) e Porto Krohn

Mais um evento, organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, em que participei. Desta vez foi no Lisboète, um restaurante de que gosto particularmente e já aqui referido em "Almoçar no Lisboète" e "Lisboa Restaurante Week (I) : Lisboète, a confirmação", crónicas publicadas em 1/3/2015 e 3/11/2015, respectivamente. A sala foi objecto de uma recente intervenção que a melhorou, mantendo-se o nível alto de qualidade da gastronomia e do serviço de sala.
Os vinhos foram apresentados pela produtora Raquel Mendes Pereira (o enólogo António Narciso não esteve presente) e por João Alves, responsável pela distribuição da marca Krohn. E eles foram:
.Espumante Maestro 100 % Baga - fresco, bolha fina, notas de pão cozido, consistente e com algum volume, a precisar de comida por perto. Nota 17.
Ligou bem com um profiterole com atum em escabeche.
.Qtª Mendes Pereira 2012 - nariz neutro, alguma acidez, volume e final médios. No ponto para ser consumido. Nota 16+.
Não se aguentou com um risotto de aves com cogumelos.
.Qtª Mendes Pereira Encruzado Reserva 2012 - aroma discreto, fruta madura, acidez equilibrada, madeira bem casada, notas amanteigadas, algum volume e final de boca. Harmonioso e gastronómico. Nota 17,5.
Fez uma excelente maridagem com um prato de bacalhau, lula, crocante de alheira de caça com migas de tomate.
.Qtª Mendes Pereira Touriga Nacional Reserva 2010 - nariz exuberante, ainda com muita fruta, notas florais, acidez no ponto, alguma complexidade, taninos por domar, boca poderosa e final longo; fresco e elegante, mas ainda muito jóvem. Melhor daqui por 7/8 anos. Nota 18.
O prato, magret de pato com puré de aipo e pêra braseada, não aguentou este vinho.
.Krohn LBV 2011 - muita fruta preta, taninos bem presentes mas domesticados, algum volume e final de boca doce. Nota 17.
Ligou bem com um queijo de colher e broa de Avintes.
.Krohn Colheita 1976 (engarrafado em 2016) - frutos secos, acidez q.b., iodo, notas de mel e brandy, taninos envolventes, volume notável e final de boca muito longo; grande complexidade e "finesse". O vinho da noite e a Krohn no seu melhor! Nota 19.
Foi lindamente com uma dacquoise com creme de ginja e frutos do bosque.
Mais uma bela jornada de convívio, beberes e comeres. Só para provar o Krohn 1976, tinha valido a pena participar neste evento.

sábado, 5 de novembro de 2016

Uma prova vertical de Barca Velha : evento excepcional e irrepetível

O Clube Reserva 1500 da Sogrape, com a presença do seu director Manuel Guedes, decidiu comemorar o seu 25º aniversário da melhor maneira: uma prova vertical de Barca Velha (1965, 1982, 1985, 1991 e 2000), orientada pelo seu enólogo Luis Sottomayor, na casa há 30 anos, seguida de jantar, onde o Legado foi estrela. O evento, com 3 edições (Porto, Algarve e agora em Lisboa) foi exclusivamente reservado para um número limitado de sócios (40 de cada vez), sendo eu um dos sortudos. Quem se atrasou na marcação ficou de fora. Azar! A edição de Lisboa decorreu no restaurante da Sogrape, Sandeman Chiado, já aqui referido em "The Sandeman Chiado : a Sogrape em Lisboa", crónica publicada em 21/6/2016.
Sobre estas 5 versões deste icónico vinho, humildemente transcreverei algumas notas de prova do Luis Sottomayor, limitando-me eu a classificá-los, de acordo com o meu gosto e as sensações que me provocaram.
.1965 - "(...) Na boca é muito elegante, com boa acidez, taninos bem envolvidos mas ainda perceptíveis, aromas a especiarias a pimenta e trufas e com um final de excelente elegância e harmonia". Digo eu: achei este 1965 ainda muito fresco, com alguma acidez e fragilidade, sendo necessário tratá-lo com pinças. Foi, para mim, a surpresa da prova. Nota 18+.
.1982 - "(...) Na boca é muito equilibrado, com boa acidez e taninos bem envolvidos (...). O final é surpreendente para um vinho com esta idade, devido à sua persistência, harmonia e complexidade". Digo eu: nariz mais intenso que o anterior, notas salgadas, especiado e elegante. Nota 18.
.1985 - "(...) Equilibrado, tem um final persistente e estruturado, característica essa que lhe proporciona uma lenta e equilibrada evolução". Digo eu: mais neutro no nariz e na boca que os anteriores, apresenta algumas notas vegetais. O facto de ter sido a colheita de Barca Velha com a maior produção (mais de 40000 garrafas), pode estar na origem de o considerar a decepção (relativa, claro) da noite. Nota 17,5+.
.1991 - "(...) Uma das suas grandes características é o corpo e a estrutura que apresenta, o que lhe mantém ainda a capacidade de evolução em garrafa e uma grande longevidade". Digo eu: um volume e final de boca excepcionais. O Barca Velha que mais gostei. Puro prazer! Nota 19.
.2000 - "(...) Um vinho opulento que revela um final extremamente longo, poderoso, complexo e harmonioso". Digo eu: nariz intenso, ainda com muita fruta, acidez e notas especiadas. Ainda longe da reforma. Nota 18,5.
Seguiu-se o jantar, no decorrer do qual provámos/bebemos:
.Qtª dos Carvalhais Reserva 2012 - com base nas castas Encruzado, Bical e Verdelho; aromático, presença de citrinos, acidez no ponto, notas vegetais, alguma gordura, volume e final de boca; ainda longe da reforma e muito gastronómico. Nota 17,5+.
Fez companhia a uma entrada de pregado com caril Thai.
.Legado 2009 - aroma intenso, notas florais, acidez equilibrada, especiado, taninos ainda por domar, volume apreciável e final de boca longo. Melhor daqui a 6/7 anos, está ao nível do Barca Velha, embora apresente um perfil diferente. Nota 18,5.
Maridou muito bem com um excelente bife do lombo com molho de cogumelos.
.Sandeman 20 Anos (engarrafado em 2016) - frutos secos, notas de mel, algum iodo, boa acidez, taninos envolventes, volume e um bom final de boca. Nota 17,5+.
Acompanhou pão de ló, queijo da Serra, doce de ovos e gelado de canela.
.Ferreira Vintage 1991 - nariz contido, notas de passas, figos secos e ginja, taninos envolventes e final de boca persistente. Elegante e harmonioso. Nota 18.
Harmonizou bem com uma tábua de queijos (Ilha, Serra e Alcains).
Resta dizer que o jantar decorreu na sala do 1º andar, com mesas despojadas, mas com guardanapos de pano, bons copos Riedel e serviço à altura dos acontecimentos. Só foi pena ter-se arrastado demasiado e começado muito tarde.
Em conclusão, um evento excepcional que acontece uma vez na vida. Obrigado, Clube 1500!

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Vinhos em família (LXXV) : ainda os brancos

Mais uns tantos vinhos (4 brancos do Douro e 1 fortificado açoreano) provados em família, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. E eles foram:
.Passagem Reserva 2015 - enologia de Jorge Moreira, considerado o melhor branco em prova no Concurso dos Vinhos do Douro Superior, organizado pela Revista de Vinhos; nariz intenso, muito frutado, prevalecendo os citrinos, boa acidez, alguma gordura, volume e final de boca; elegante e gastronómico. Nota 17,5+.
.La Rosa Reserva 2015 - também enologia de Jorge Moreira; com base na casta Viosinho (60 %) e em vinhas velhas (40 %), estagiou em barricas de carvalho francês (50 %) e em inox (50 %); aroma exuberante, frescura e mineralidade, notas florais, acidez equlibrada, volume e final de boca médios. Nota 17.
.Meruge 2014 - enologia de Paulo Ruão, classificado com 90 pontos na Wine Spectator; com base na casta Viosinho em vinhas velhas, estagiou em barricas de carvalho francês; notas de casca de laranja e fruta de caroço, acidez no ponto, gordura, algum volume e final de boca. Gastronómico. Nota 17,5.
.Mirabilis Grande Reserva 2014 (garrafa nº 4087 de 6000) - enologia de Jorge Alves, obteve 92 pontos na Wine Enthusiast e foi o branco vencedor do TOP 10 Vinhos Portugueses da revista Wine; com base nas castas Viosinho, Gouveio e em vinhas velhas, estagiou 9 meses em barricas de carvalho francês e húngaro; aromático, presença de citrinos e maçã, acidez equilibrada, madeira bem casada, alguma mineralidade, volume e final de boca médios. Nota 17 (apesar do curriculo).
.Czar Superior 2009 Doc Pico (garrafa nº 1094 de 2400) - produzido por Fortunato Garcia; com base nas castas Verdelho, Arinto dos Açores e Terrantez do Pico, a partir de ums vinha centenária, estagiou 4 anos em cascos de carvalho francês; frutos secos, notas de brandy e iodo, alguma acidez, volume e final de boca. Embora no rótulo conste como meio doce, é um desastre com sobremesas. É, antes, meio seco e serve perfeitamente como aperitivo. Nota 17,5.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Enoturismo no Dão (VI) : Quinta de Lemos

...continuando:
Esta é a última crónica desta viagem ao Dão, a fechar com chave de ouro. Eu não conhecia a quinta, mas sim alguns dos vinhos deste original produtor, a quem tirei o meu chapéu em "Provar vinhos com a Quinta de Lemos", escrito publicado em 4/8/2016, ao colocar só agora no mercado a colheita de 2011. Um caso raro na produção nacional, sendo de louvar a postura do proprietário, Celso de Lemos, de seu nome.
A intenção é dada logo à entrada da adega, onde se pode ler que "Aqui começa uma viagem pelo mundo dos vinhos do Dão (...)", onde fomos recebidos pelo adegueiro Pedro Figueiredo, o braço direito do enólogo Hugo Chaves. Por ele ficámos a saber que nas vinhas impera a Touriga Nacional (60 % das tintas), seguida da Tinta Roriz (20 %), Alfrocheiro e Jaen (10 % de cada). Quanto a castas brancas, a Encruzado tem o exclusivo. Soubemos, ainda, que 50 % das uvas são esmagadas nos tradicionais lagares com pisa a pé e 70 % dos vinhos são exportados.
Alguns dos nomes atribuídos aos vinhos são uma homenagem às mulheres familiares do produtor, como é o caso da Dona Paulette (mulher), Dona Louise (sogra), Dona Santana (avó) ou Dona Georgina (mãe).
Seguiu-se o almoço no restaurante da quinta, o Mesa de Lemos, muito badalado ultimamente. Em pouco tempo falaram dele a Fugas em 8 de Outubro (texto da Alexandra Prado Coelho), a Evasões  em 23 de Setembro (com a fotografia do chefe Diogo Rocha na capa) e a Revista de Vinhos de Outubro (texto de Luis Antunes). O chefe não estava (apareceu no fim só para cumprimentar o grupo), mas a sub-chefe Inês Beja portou-se à altura.
O restaurante fica no meio das vinhas, com vista para as mesmas e demais espaço envolvente, através da parede envidraçada que se estende por algumas dezenas de metros, podendo também os comensais observar o trabalho da equipa na cozinha aberta.
De realçar o serviço altamente profissional e requintado da chefe de sala e escanção (Emília Craveiro) e sua equipa. Pegar nos copos ou nos talheres, só de luvas brancas calçadas! Mais, a escanção antes de servir o vinho tinto, avinhou os 28 copos Schott do grupo, copo a copo! Nunca tinha visto este trabalho em sítio algum. Só para os ver trabalhar vale a pena a deslocação.
A ementa estava impressa, o que se regista com agrado, embora tivesse sido omitido o ano de colheita dos vinhos servidos.
Bebemos e comemos:
.Espumante Geraldine (penso ser o nome de uma filha) Touriga Nacional 2015 - fresco, boa acidez e bolha fina, cumpriu a sua missão de bebida de boas vindas. É, ainda, um ensaio.
Fez companhia a quatro amuse bouche: gema de ovo e beringela (uma harmonização arriscada), sardinha chamuscada com creme de pimentos, trio de feijão com salada e pastel de massa tenra de bacalhau.
Um pormenor, o couvert só veio para a mesa após terem sido servidas as diversas versões do amuse bouche. É mesmo assim ou foi esquecimento?
.Dona Paulette Encruzado 2014 - fruta madura, acidez abafada pelo protagonismo da madeira, notas amanteigadas, algum volume e bom final de boca. Gastronómico. Nota 16,5.
Acompanhou uma entrada à base de queijo da serra, tomate fresco e seco, manjericão e gelado de limão.
.Dona Santana 2007 - ainda com fruta, acidez equilibrada, especiado, madeira bem integrada , taninos de veludo, volume e final de boca assinaláveis. Todo ele elegante e harmonioso. Nota 18.
Maridou com uma excelente vitela de Lafões com creme de cenoura e favas.
.Generoso (ainda sem nome) 2015 - nariz neutro, fruta exuberante, taninos ainda por domar, acidez no ponto, volume médio e bom final de boca. Uma curiosidade que pode enganar os menos avisados. Nota 16,5.
Não ligou com a sobremesa, um creme queimado de limão.
Este almoço no surpreendente Mesa de Lemos foi, de facto, o ponto mais alto nesta visita ao Dão. O restaurante, agora com um horário decente (jantar de 3ª feira a Sábado e almoço apenas ao Sábado) merece ser visitado (961158503 ou reservas@mesadelemos.com). Boa gastronomia e serviço de 5 estrelas. Aqui fica o desafio!

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Enoturismo no Dão (V) : Quinta Madre de Água

A visita à Qtª Madre de Água, um espaço praticamente desconhecido da maioria dos enófilos, foi um sucesso, não tanto pelos vinhos que ainda não atingiram um desejável patamar alto, mas sobretudo pelo restaurante e o meio ambiente que a rodeia, ou seja, as vinhas, as ovelhas, a queijaria, os cavalos, o picadeiro, os cães, etc. Uma grande surpresa para a maioria do grupo.
Eu já conhecia este espaço, pois já lá tinha ficado hospedado no hotel rural e usufruído de algumas refeições, uma das quais no âmbito do M80 (evento gastronómico em parceria com a Revista de Vinhos), onde brilhou o jóvem chefe António Batista. Sobre estas minhas experiências, publiquei as crónicas "Rescaldo da ida ao Douro (V) : a Quinta Madre de Água, a fechar com chave de ouro" e "Rescaldo das férias (I)", em 2/10/2015 e 24/7/2014, respectivamente.
Nesta ida ao Dão, o grupo foi recebido pelo director de Marketing, Vitor Hugo Mendes de seu nome, que orientou uma visita guiada à quinta. Entre cães, cavalos e ovelhas, passámos por vários talhões de vinha, nomeadamente Encruzado, Sémillon, Jaen, Tinta Roriz, Cabernet Sauvignon, Merlot e a indispensável Touriga Nacional. Resta acrescentar que o enólogo consultor é o Paulo Nunes, um dos técnicos mais consistentes a trabalhar no Dão.
Antes do jantar, tivemos a ocasião de provar o Rosé 2014 (a bebida de boas vindas) - com base nas castas Touriga Nacional e Tinta Roriz; nariz neutro, alguma acidez, simples e agradável, cumpriu a sua missão. Nota 14,5.
O jantar foi no restaurante, onde estavam outros clientes. Mesas muito bem aparelhadas, com 1 copo adequado a cada um dos vinhos. A ementa, devidamente impressa, denominava-se "Jantar Vindimas 2016". Não houve, portanto, qualquer discriminação quanto ao grupo, o que se saúda vivamente.
Bebemos e comemos:
. Encruzado 2014 - aromas presos, alguma fruta e acidez, volume médio e final curto. Esperava mais. Nota 15.
Acompanhou uma degustação de produtos Madre de Água (saladinha de frescos da horta, queijo de cabra, queijo de ovelha DOP Serra da Estrela, pesto, doces de abóbora e de uva. Tudo produzido na quinta. Uau!
.Perpetuum 2014 - com base nas castas Encruzado e Gouveio; pouco acrescenta ao branco anterior, a não ser um final de boca mais consistente. Nota 15,5.
Maridou com um excelente folhado de queijo Madre de Água, rúcula selvagem, frutos secos e mel de urze.
.Touriga Nacional 2012 - nariz exuberante, alguma acidez, especiado, taninos muito presentes a precisarem de mais tempo de garrafa, volume e final de boca apreciáveis. Vai melhorar com o tempo e daqui a meia dúzia de anos poderá atingir a qualidade do excelente 2011. Nota 17,5+.
Este tinto foi servido a uma temperatura acima do aconselhável mas, perante o meu reparo, trouxeram de imediato outra garrafa à temperatura correcta. Muito bem!
O vinho fez um bom casamento com um arroz de pato de muita qualidade, frutos secos e toucinho de porco ibérico fumado.
.Rosé 2014 (o mesmo que foi servido nas boas vindas).
Não ligou com a belíssima sobremesa de ensopado de laranja com creme de baunilha e crocante de citrinos. Para  quando um colheita tardia? A casta Sémillon já lá está...
Serviço feminino, em geral, eficiente e simpático, mas a precisar de uma reciclagem quanto ao serviço de vinhos. Com excepção do tinto, todos os outros chegaram à mesa depois de a comida já estar nos pratos. Um pormenor que pode ser corrigido e que não manchou o magnífico jantar servido no restaurante da Quinta Madre de Água.
Recomendo esta quinta para comer e ficar. Vale a pena!

domingo, 23 de outubro de 2016

Crónicas em atraso

Depois da escassez de eventos nos meses de Agosto e Setembro, este mês de Outubro foi excessivo e não consigo acompanhar este ritmo frenético, estando ainda por publicar:
.Visita ao Dão (V) : Qtª Madre d' Água
.Visita ao Dão (VI) : Qtª de Lemos
.Prova de 5 edições de Barca Velha e jantar do Clube 1500
.Vinhos em família
.Jantar Qtª Mendes Pereira/Krohn
.Grupo dos 3 (53ª sessão)
.Master Class e Jantar com Vinhos da Madeira
.Bagos Chiado revisitado
.Curtas (Dom Joaquim, Descobre, Mercantina e Vinhos do Alentejo)
Uf! Mas a curto prazo, meterei mãos à obra...

sábado, 22 de outubro de 2016

Os próximos eventos a não perder

Próximos eventos, vínicos e/ou gastronómicos, a não perder (por ordem cronológica):

1.Mercado de Vinhos do Campo Pequeno
Realiza-se de 28 a 30 de Outubro e conta com 120 produtores de vinhos e 20 de mercearia fina (queijos, enchidos, mel, compotas, etc), sendo, este ano, o Algarve a região convidada.
Mais informações em www.campopequeno.com

2.The Fork Fest
Estende-se de 2 a 13 de Novembro, sendo o período de 26/10 a 1/11 exclusivo para clientes Millennium.
Nestas datas e mediante marcação obrigatória no site The Fork, pode-se comer com 50 % de desconto (excepto bebidas) em 100 restaurantes aderentes.
Mais informações em www.thefork.pt.

3.Encontro Vinhos e Sabores (EVS 2016)
Com organização da Revista de Vinhos, decorrerá como habitualmente no Centro de Congressos de Lisboa (na Junqueira) e contará com 400 produtores, 12 provas especiais e tertúlias gastronómicas.
É, desde há alguns anos, o acontecimento do ano.
Mais informações em www.revistadevinhos.pt/eventos.

4.Wine Fest Porto
Realiza-se no dia 19 de Novembro, no Salão Nobre da Alfândega do Porto, com o apoio do Wine Club Portugal, contando com 30 produtores e 3 provas especiais.
Mais informações em www.wineclubportugal.pt.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Enoturismo no Dão (IV) : Casa da Passarella

...continuando:
Pode ler-se na brochura que nos foi distribuída pela Tryvel "A casa, datada de 1892, foi mandada construir por Joaquim Oliveira Santos Lima (...). Por cima da adega existe um centro interpretativo (...), onde se conta a história da propriedade através de fotografias e instrumentos utilizados na vinha e na adega." Mais: tivemos a oportunidade de vermos a primeira garrafa Villa Oliveira, datada de 1893!
Já não é a primeira vez que escrevo sobre este produtor, pois no passado publiquei as crónicas "Jantar Casa da Passarela" e "Novos vinhos da Casa da Passarela", respectivamente em 5/12/2012 e 4/7/2013.
Na ausência do Paulo Nunes, o enólogo da casa, naquele momento envolvido nas vindimas, algures na Bairrada, fomos recebidos pelo comercial António Simões que orientou a prova de 4 vinhos da Casa da Passarella, a saber:
.A Descoberta 2015 branco - com base nas castas Encruzado, Malvasia Fina e Verdelho; aroma intenso, muito fresco e mineral, algum volume e final de boca; todo ele muito equilibrado e com uma excelente relação preço/qualidade. Óptimo para a conversa ou a acompanhar entradas leves. Nota 17.
.Enólogo Encruzado 2014 - estagiou 4 meses em madeira usada; nariz complexo, alguma mineralidade, notas amanteigadas, volume e final de boca de alguma dimensão. Gastronómico, já pede comida por perto. Nota 17,5.
.Enxertia Jaen 2013 - estagiou 3 meses em madeira usada; aromático, fruta presente, boa acidez, taninos domesticados, algum volume e final de boca; demasiado unidireccional, a faltar-lhe alguma complexidade. Nota 16,5+.
.Oenólogo Vinhas Velhas 2012 - estagiou 12 meses em barricas, seguido de mais 12 meses na garrafa; nariz exuberante, alguma acidez e complexidade, especiado, taninos firmes, volume assinalável e final de boca longo, a pedir um prato de forno. Excepcional relação preço/qualidade. Nota 18.
Vinhos de qualidade a preços honestos. O que podemos pedir mais?
continua...

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Enoturismo no Dão (III) : Casa da Ínsua

...continuando:
Pode ler-se na brochura distribuída pela Tryvel: "A Casa da Ínsua encontra-se rodeada de belos jardins e vinhas, e é um dos mais interessantes locais de Enoturismo do Dão (...)". De facto, para além das vinhas e da adega, na Casa da Ínsua pode ainda conhecer-se o hotel de charme, o restaurante, os jardins, o núcleo museológico e a queijaria. Uma espécie de 5 em 1 que é indispensável conhecer-se. Aqui fica a recomendação.
Resta dizer que a Casa da Ínsua é propriedade da Visabeira, com interesses em Moçambique, onde possui hotéis e vinhas e para onde exporta cerca de 50 % dos seus vinhos. Para além dos vinhos, apostou forte no queijo e na maçã bravo esmolfe.
A visita do grupo começou junto à adega, onde o responsável pela enologia, José Matias de seu nome, nos apresentou os seguintes vinhos Casa da Ínsua:
.Branco 2015 - com base nas castas Encruzado, Malvasia Fina e Sémillon - fresco e mineral, com algumas notas vegetais. Correcto, sem entusiasmar. Nota 15,5.
.Rosé 2015 - com base nas castas Touriga Nacional e Tinta Roriz; acidez e frescura nos mínimos, doçura excessiva, logo enjoativo. Poderá ter os seus admiradores, que não eu pessoa. Nota 12.
.Tinto 2012 - servido à temperatura ambiente, mostrou-se com alguma acidez, notas herbáceas, taninos demasiado dóceis, volume médio e final curto. Uma desilusão face às 2 medalhas de ouro, obtidas em concursos internacionais! Nota 15.
Uma pena a Casa da Ínsua não apostar em vinhos de maior qualidade, descansando no mercado moçambicano que, imagino, não deve ser muito exigente. E poderia produzir um colheita tardia, uma vez que cultiva a casta apropriada para este tipo de vinho, a Sémillon. Parece que ainda fizeram 2 tentativas, mas que desistiram rapidamente.
Após uma interessante visita à casa e ao núcleo museológico, seguiu-se o jantar num anexo e não no restaurante, como seria expectável. A propósito, eu já conhecia o restaurante e publiquei aqui, em 16/7/2105, uma referência sobre o mesmo: "No rescaldo da visita à Real Companhia Velha (...)".
O serviço de vinhos foi lamentável, com a água no copo maior e o branco e tinto (este servido à temperatura ambiente), já provados anteriormente, nos copos mais pequenos! Parece que ainda estão no século XIX!
No dia seguinte, para compensar, foi-nos servido um pequeno almoço de luxo.
E termino como comecei: recomendo uma visita à Casa da Ínsua, ao seu restaurante, jardins, museu, etc. Imperdível!
continua...

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Grupo dos 3 (52ª sessão) : brancos em alta no Bagos Chiado

Foi a 52ª prova cega com este núcleo duro, sendo da minha responsabilidade os vinhos (2 brancos de 2013, 1 tinto e 1 Porto) e a escolha do restaurante. Optei pelo Bagos Chiado, já aqui referido em "Curtas (LXXX)", cujo 1º ponto era dedicado ao regresso do chefe Henrique Mouro. Foi o 18º espaço de restauração escolhido por mim, até agora sempre diferentes, mas cada vez mais dificil encontrar restaurantes com boa gastronomia e serviço de vinhos, em simultâneo. Desfilaram:
.Niepoort Qtª de Baixo Vinhas Velhas - 93 pontos na revista do Parker; com base nas castas Bical e Maria Gomes; presença de citrinos, frescura e mineralidade, algum volume e bom final de boca; 11 % vol, equilibrio, elegância e complexidade. Uma grande surpresa vinda da Bairrada. Nota 18.
Acompanhou com uma saborosa entrada de lascas de leitão, queijo da ilha, laranja e agrião. Bela harmonização.
.Mapa Vinha dos Pais (uma das 1000 garrafas produzidas) - 18 valores na Revista de Vinhos; com base nas castas Rabigato, Viosinho Arinto e Gouveio a 450  metros de altitude, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; fruta madura, frutos secos, um toque de mel, acidez equilibrada, alguma gordura, madeira bem casada, acentuado volume e bom final de boca. Um grande branco do Douro que pouca gente conseguiu provar. Muito gastronómico. Nota 18,5 (noutra situação 18).
Casou bem com uma entrada de bacalhau com um excelente arroz de berbigão.
.Casa de Saima Garrafeira 2008 (engarrafado em 2012) - nariz contido, bela acidez, taninos evidentes e um pouco rugosos, algo rústico, volume médio e bom final de boca. Ainda muito jóvem há que esperar por ele mais 5/6 anos. Nota 17,5.
Maridou com chambão em vinho, cherovias e cenouras.
.Dalva Colheita 1985 (engarrafado em 2014) - 92 pontos na revista do Parker; belíssima acidez, frutos secos, iodo acentuado, notas de caril, taninos presentes, volume e final de boca interminável. Um perfil muito madeirense que pode enganar muito enófilo. Nota 18,5.
Boa gastronomia, boas harmonizações e serviço de sala e vinhos eficiente e simpático.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Enoturismo no Dão (II) : Paço dos Cunhas de Santar

...continuando:
Pode ler-se na brochura distribuída pela Tryvel "Construido no início do século XVII, e com mais de quatrocentos anos de tradição na produção de vinhos, o Paço dos Cunhas de Santar é um edifício imponente rodeado de vinhas (...)". Com efeito, logo à entrada, está um pendão a dizer "desde 1609 400 Anos de História Paço dos Cunhas".
O grupo foi recebido pela simpática e dinâmica Relações Públicas deste produtor, Ana Paula Teixeira de seu nome, tendo-nos sido servido o vinho de boas vindas, o espumante Cabriz 2013. Com base nas castas Bical, Malvasia e Encruzado, mostrou-se fresco, aromático, bolha fina e notas de pão acabado de cozer.
Na adega esperava-nos o Osvaldo Amado, enólogo da casa, já meu conhecido desta e de outras paragens, que fazia anos nesse dia mas fez questão em estar presente, para receber o grupo e conduzir a prova. Um grande profissional!
Claro que teve direito à tradicional cantiga de parabéns, mais ou menos desafinada.
Em bons copos Schott, provámos:
.Cabriz Reserva 2015 branco - 100 % Encruzado, embora não conste no rótulo; fresco e frutado, boa acidez e mineralidade, um bom exemplar desta belíssima casta que origina alguns dos melhores brancos portugueses. Nota 16,5+.
.Paço dos Cunhas Nature 2013 - um vinho biológico, com base nas castas Touriga Nacional e Aragonês (o enólogo adoptou o nome alentejano da Tinta Roriz); aromático, frutos vermelhos, alguma acidez e taninos de veludo, mas a faltar-lhe alguma consistência. Nota 16,5.
.Casa de Santar Reserva 2012 - com base nas castas Touriga Nacional, Aragonês e Alfrocheiro; aroma mais complexo que o anterior tinto, acidez e taninos equilibrados, bom volume e final de boca; todo ele muito harmonioso e com muitos anos à sua frente. Nota 17,5.
Seguiu-se o almoço numa sala, aliás imponente e majestática, anexa ao restaurante. Mesas bem aparelhadas, azeite Cabriz nas mesas, copos Schott e armários térmicos para controlo das temperaturas de serviço. Muito bem.
Comemos e bebemos:
.entrada - alheira crocante com creme de espinafres (muito aceitável), com o espumante Cabriz que já tinhamos provado à chegada.
.prato - naco de porco (muito seco) com arroz de cogumelos (saborosíssimo), com o tinto Casa de Santar 2013 - nariz discreto, alguma acidez, pouca complexidade, volume e final médios. Merecíamos melhor. Nota 15,5.
.sobremesa - pudim de laranja com gelado (melhor o gelado que o pudim), com o Moscatel do Douro Conde de Sabugal 2009 - demasiado "light" para o meu gosto, embora elegante e equilibrado. Nota 15,5.
Serviço profissional, embora muito demorado,
Este almoço ficou abaixo das minhas expectativas, pois quando lá fiz uma refeição há 2 anos, considerei excelente o restaurante e escolhi-o para o meu Top, como se depreende das minhas crónicas "Rescaldo das férias" e "2014 : na hora do balanço : 10 espaços de restauração", publicadas em 26/7/2014 e 10/1/2015, respectivamente.
No final, visita aos belos jardins e à loja do produtor (não vislumbrei o preçário, o que não se entende).
Mas, críticas àparte, é obrigatório conhecer este produtor e o seu restaurante.
continua...

sábado, 8 de outubro de 2016

Enoturismo no Dão (I) : uma jornada inesquecível

Participei, recentemente, numa grande jornada eno gastronómica no Dão, organizada pela agência Tryvel, prioritariamente orientada para o turismo cultural. Rui Nobre, consultor para este tipo de turismo e já meu conhecido de outras agências, tinha o sonho de organizar passeios no âmbito do enoturismo. E o sonho passou à realidade quando convenceu a Maria João de Almeida *, jornalista e crítica de vinhos, com alguns livros publicados, entre os quais destaco o "Guia do Enoturismo em Portugal" (Ed. Zest Books), que serviu de base a este 1º passeio enoturístico. Mais, já está organizado um passeio ao Alentejo, estando previstas para 2017 visitas ao Douro e Rioja.
Durante um fim de semana alargado (sexta, sábado e domingo), visitámos os produtores de vinhos Paço dos Cunhas de Santar (onde almoçámos), Casa da Ínsua (onde jantámos e dormimos), Casa da Passarella, Qtª Madre d' Água (onde jantámos) e Qtª de Lemos (onde almoçámos), tendo ainda o grupo passado uma noite na Pousada de Viseu.
No total provámos 12 vinhos e bebemos às refeições outros 13, sendo de realçar como o grupo, de um modo geral pouco conhecedor de vinhos, foi recebido nos locais visitados. Correu praticamente tudo muito bem, graças aos locais criteriosamente escolhidos e ao entusiasmo, simpatia e alegria contagiante da Maria João, uma excelente comunicadora.
A Tryvel distribuiu uma pequena brochura a cada um dos 26 participantes, que incluia o programa, informação sobre o alojamento, conselhos úteis e uma história resumida de cada local visitado. Remeto para o livro da Maria João, que aconselho, o desenvolvimento das histórias de cada produtor e demais informações úteis.
O único ponto menos feliz desta viagem, foi o almoço no tradicional restaurante "O Júlio", em Gouveia, o qual parou no tempo. Está reduzido a um único vinho, o chamado da casa que deve ser de garrafão. Mais, mesmo se houvesse mais oferta, os copos são impróprios e afugentam qualquer enófilo que se preze.
Em próximas crónicas, desenvolverei a visita a cada um dos produtores citados.
* tenho um link para o seu site

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Provar vinhos com a Santos & Seixo

A convite da Santos & Seixo (Alzira Santos e Pedro Seixo), participei na apresentação da marca Rotas de Portugal e das novas colheitas Santos da Casa, que teve lugar no Hotel Nau Palácio do Governador (em Belém). A prova foi feita numa das salas do hotel, sem o mínimo de condições, tendo ficado alguns dos intervenientes entre portas, pois não cabiam naquele espaço (disseram-me que o evento fora previsto para o exterior, mas que o tempo adverso o teria impedido).
A introdução foi feita pela Rita Matos (responsável pelo Marketing da empresa), tendo a orientação da prova ficado nas mãos experientes do Manuel Moreira (crítico da revista Wine e conceituado escanção), um excelente comunicador.
Entre os participantes, alguns ligados à restauração e outros à imprensa generalista, estava a Revista de Vinhos (Luis Antunes e João Geirinhas) e uma representação mínima da blogosfera (o Elias Macovela e eu!?).
Os vinhos apresentados, da responsabilidade do enólogo Paulo Nigra que veio substituir o Helder Cunha, foram:
.Santos da Casa  Alentejo 2015 branco - aroma intenso, frutado (citrinos evidentes), alguma acidez e gordura, volume e final de boca médios. Simples e correcto, para acompanhar entradas leves. Nota 16.
.Santos da Casa Douro 2015 branco - mais complexo que o anterior, notas florais, acidez e gordura equilibradas, volume e final de boca médios. Pode acompanhar entradas um pouco mais elaboradas. Nota 16,5.
.Rotas de Portugal Alentejo 2015 tinto - muito frutado, mas algo rústico e com taninos agressivos. Pareceu-me com sulfuroso em excesso. Sem nota.
.Santos da Casa Douro 2014 - estagiou 9 meses em barricas de carvalho francês e americano; alguma fruta, frescura e acidez, ligeiramente especiado, volume e final de boca médios. Nota 16.
.Santos da Casa Reserva Douro 2013 - estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês e americano - aroma algo exuberante, fruta vermelha, alguma acidez e complexidade, taninos domesticados, algum volume e final seco. Nota 16,5+.
.Santos da Casa Grande Reserva Douro 2013 - com origem em vinhas velhas, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês e americano; neste momento está muito semelhante ao anterior. Custa praticamente o dobro, um exagero, mas só o tempo dirá se a diferença de qualidade o vai merecer. Nota 17.
No final da prova o produtor, muito simpaticamente, ofereceu aos participantes 1 embalagem com 3 dos seus vinhos (Santos da Casa Douro 2015 branco e 2103 tinto e, ainda, Rotas de Portugal Alentejo 2015).

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Azeites e Vinhos do Alentejo no CCB

Os azeites e vinhos do Alentejo vão estar à prova no CCB dias 14 (16 às 21h) e 15 (15 às 21h) de Outubro, evento que é organizado pela Essência do Vinho, com apoio da CVR Alentejo e da Casa do Azeite. Entrada livre.
Estão previstas 4 provas comentadas pelos críticos Rui Falcão e Aníbal Coutinho e, ainda, as habituais conversas sobre o vinho, desta vez com o Manuel Moreira.
A não perder!

Melhor blogue do ano (2016) : o enófilo militante está, uma vez mais, no Top 10

Estão a ser publicados os nomeados para os prémios W 2016, iniciativa louvável do crítico Aníbal Coutinho, que este ano contempla 31 categorias (em 2015 eram 23), sendo a lista dos blogues a seguinte (ordem alfabética, ficando entre parêntesis o nº de presenças e assinalando com * os estreantes):
.avinhar (2)
.bebes ponto comes (3, sendo o vencedor em 2015)
.clube de vinhos portugueses (2)
.comer beber lazer (3)
.contra rótulo *
.enófilo militante (5)
.joli (2)
.os vinhos (5)
.o vinho em folha *
.pingas no copo (4)
De registar:
.há apenas 2 totalistas (presenças de 2012 a 2016): os vinhos (Pedro Barata) e o enófilo militante (eu, próprio)
.a surpreendente (e, para mim, injusta) não inclusão do blogue copo de 3 (João Pedro Carvalho), um dos dinossauros da blogosfera e vencedor em 2012
.o desaparecimento de alguns dos vencedores de anos passados (e tudo o vinho levou, em 2013, e air diogo num copo, em 2014)
No que me diz respeito, confesso que não estava à espera de ficar neste Top, depois da polémica com os nomeados de 2015. Mas, obviamente, fico muito satisfeito e honrado por ser um dos 2 totalistas.
É mais um incentivo para continuar!

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Provar vinhos com a OnWine

1.Introdução
Estive recentemente num anexo do Hotel Myriad Lisboa (Parque das Nações), onde participei no evento Terroir Experience, que contemplou 2 provas especiais, a convite da OnWine Distribuição Nacional, uma nova distribuidora que representa 9 produtores nacionais e alguns outros estrangeiros.
Nas provas especiais participaram revistas da especialidade (Luis Antunes e Nuno Garcia pela Revista de Vinhos, Manuel Moreira pela Wine e Augusto Lopes pela Paixão pelo Vinho), imprensa generalista (Correio da Manhã, Jornal Económico e Observador) e a blogosfera (Luis Gradíssimo do blogue Avinhar, Carlos Janeiro do Comer Beber Lazer, João Pedro Carvalho do Copo de 3, Miguel Pires do Mesa Marcada e eu do Enófilo Militante). De elogiar a postura da OnWine ao convidar a blogosfera em pé de igualdade com a imprensa especializada.
2.Prova Comparada da Casta Alvarinho
Orientaram a prova os produtores André Miranda (Casal de Ventozela), Rita Marques (Conceito) e James Frost (Qtª de Sant' Ana), já meus conhecidos, com excepção do André Miranda. Os vinhos apresentados foram:
.Casal de Ventozela Alvarinho 2015 (sub-região Vale do Ave) - alguma frescura e mineralidade, mas com poucas semelhanças se comparado com os alvarinhos de referência da sub-região Monção/Melgaço. Nota 16,5.
.Conceito Alvarinho 2015 - um Alvarinho genuíno (Monção/Melgaço), mas de um produtor do Douro; fresco, acidez muito equilibrada, alguma gordura e volume acentuado. Nota 17,5.
.Qtª de Sant' Ana Alvarinho 2015 - um Alvarinho da região de Lisboa, com enologia de António Maçanita, tendo estagiado 7 meses em barricas de 3º ano; frutado, notas tropicais, acidez no ponto e alguma gordura. Nota 17.
Esta prova e a seguinte não se fizeram nas melhores condições, pois é preciso muito equilíbrio ou mais uma mão, para segurar no copo, no caderno e na caneta, em simultâneo. À atenção da organização.
3.Prova de vinhos icónicos e colheitas antigas
Apresentaram os seus vinhos especiais os produtores Alison Luiz Gomes (Azamor), Raquel Mendes Pereira (Qtª Mendes Pereira), Jorge Alves (Quanta Terra), Rita Marques (Conceito), Domingos Alves de Sousa (Vinha do Lordelo), todos meus conhecidos dos tempos das Coisas do Arco Vinho, com excepção da Raquel.
E eles foram:
.Azamor Icon 2004 - com base nas castas Syrah (45 %), Alicante Bouschet (45 %) e Touriga Franca (10 %); ainda com alguma acidez, especiado, notas de chocolate e tabaco, taninos presentes mas suaves; volume e final de boca assinaláveis. Ainda longe da reforma, mas no ponto para ser bebido. Nota 18.
.Qtª Mendes Pereira 2004 - com base nas castas Touriga Nacional e Tinta Roriz; fresco e elegante, um toque floral, acidez equilibrada, volume médio e bom final de boca. A beber nos próximos 2/3 anos. Nota 17+.
.Quanta Terra 2007 - ainda com fruta e acidez, levemente especiado, taninos vibrantes, algum volume e final de boca; ainda pode ser bebido com prazer nos próximos 3/4 anos. Nota 17,5.
.Conceito 2007 - nariz exuberante, acidez q.b., fresco, especiado, taninos ainda presentes, algum volume e acentuado final de boca. Nota 17,5+.
.Qtª da Gaivosa Vinha do Lordelo 2007 - ainda com fruta, acidez equilibrada, especiado, taninos presentes mas domesticados, volume e final de boca assinaláveis. Estrutura e personalidade. A beber com prazer nos próximos 5/6 anos. Nota 18,5.
Estes tintos foram provados a uma temperatura nos limites do tolerável. À atenção da organização.
4.Provas individuais
Para além dos produtores indicados, estavam ainda as bancas da Herdade do Mouchão com 2 fortificados (interessante o Licoroso 2011, com um perfil próximo de um LBV, e da Krohn com 3 (Tawny 10 Anos, Colheita 2005 e Vintage 1967).
Dos 25 vinhos provados (13 brancos, 8 tintos e 4 fortificados) destaco, em 1ª linha, Branco da Gaivosa Reserva 2006, Qtª da Gaivosa 2011 e o Krohn Vintage 1967 e, logo a seguir, Vértice 2013 branco, Conceito 2008 branco, Conceito 2012, Quanta Terra 2011 e Qtª de Sant' Ana Riesling 2015 (um surpreendente Colheita Tardia).
Em conclusão, foi uma grande prova patrocinada por uma distribuidora que tem pés para andar. Os maiores êxitos, são os meus votos.


terça-feira, 27 de setembro de 2016

Curtas (LXXX) : Bagos Chiado, Sabores d' Itália, By the Wine e EVS Bairrada

1.Bagos Chiado: o regresso do chefe Henrique Mouro
Depois de ter marcado fortemente a cozinha do Assinatura, de boa memória, que não resistiu à sua saída e acabou por fechar as portas, eis que o chefe está de volta. Este novo projecto do Henrique Mouro, uma aposta muito forte nos arrozes, instalou-se no Bagos Chiado (Rua António Maria Cardoso, 15 B). Já lá fui e tenciono voltar todas as vezes que puder. Oportunamente farei a minha crónica. Entretanto, podem ler o que foi publicado no blogue Joli (que assino por baixo), para o qual tenho um link.
Desejo ao Henrique Mouro todos os sucessos a que nos habituou, quando no tempo do Assinatura.
Obrigatório conhecer!
2.Sabores d' Itália
Este espaço, situado nas Caldas da Rainha (Praça 5 de Outubro, 40), com uma cozinha e serviço de sala irrepreensíveis, do qual tenho falado inúmeras vezes, é, para o meu gosto, o melhor restaurante que conheço em Portugal. Finalmente, alguém (o crítico gastronómico Fortunato da Câmara, na revista E do último Expresso) escreveu sobre ele, titulando "Vai formoso e seguro...".
Os meus parabéns aos seus mentores, Norberto (na sala) e à Maria João (na cozinha)!
Obrigatório visitar!
3.By the Wine
Alguém escreveu que o melhor prego do lombo que se come em Lisboa era o do José Avillez, disponível no seu Bairro. Provei e gostei, mas tinha na memória que o do By the Wine era excepcional. Voltei há dias a este apelativo espaço da José Maria da Fonseca e posso confirmar que este último é o melhor que se pode comer em Lisboa e arredores. Mais, harmonizou, na perfeição, com um branco Pasmados 2007. Mais ainda, a ementa alargou-se a alguns pratos emblemáticos do chefe José Júlio Vintém: borrego no forno, bochecha de vitela de colher e perdiz de escabeche.
Obrigatório provar!
4.Encontro do Vinho e Sabores Bairrada 2016
Este EVS vai acontecer no Velódromo Nacional, em Sangalhos, de 30 de Setembro a 2 de Outubro, sendo de destacar 3 provas comentadas por críticos da Revista de Vinhos e, ainda, 2 jantares temáticos. Mais informação pode ser lida no blogue Comer Beber Lazer, para o qual também tenho um link.
Obrigatório participar!

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Alfredo Penetra : mais um amigo enófilo que partiu...

O blogue está de luto, pois o nosso amigo Alfredo Penetra, enófilo militante de longa data, deixou-nos.
Conheci o Alfredo quando começou a frequentar as Coisas do Arco do Vinho (CAV) na qualidade de um dos responsáveis pela Casa do Pessoal do Banco de Portugal, onde chegou a organizar provas de vinhos.
Em simultâneo passou a participar em todos os nossos eventos vínicos, quer fossem jantares, provas ou visitas a produtores. Não falhava!
Também foi convidado a integrar o painel de prova cega das CAV, estando na fotografia alusiva a tal facto, publicada na brochura comemorativa do 10º aniversário das CAV.
Mais, passou a integrar os nossos grupos de prova "Novo Formato+" e o dos "Madeiras", posteriormente rebaptizado como "Vinhos Fortificados", alguns dos quais organizados na sua casa.
Irradiava boa disposição e simpatia contagiante. Bom copo e bom garfo, era fácil gostar dele e fazer amizades. A sua ausência vai ser muito difícil de preencher. O Alfredo vai ficar para sempre connosco, enquanto andarmos por cá.
Bebamos, então, à sua memória. Até sempre, amigo Alfredo!

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Curtas (LXXIX) : as viagens da Tryvel e os programas na TV

1.Tryvel
A Tryvel é uma agência de viagens que, entre tantos destinos, vai dedicar aos enófilos 2 aliciantes passeios, sempre sob a orientação da jornalista e critica de vinhos Maria João Almeida (este blogue tem um link para ela):
.Dão (Paço dos Cunhas de Santar, Casa da Insua, Casa da Passarella, Qtª Madre d' Agua e Qtª de Lemos) - 30 de setembro, 1 e 2 de outubro
.Alentejo (Monte da Ravasqueira, Adega da Cartuxa, Herdade da Malhadinha, Herdade dos Grous, Herdade do Rocim e L' and Vineyards) - 2, 3 e 4 de dezembro
Imperdível, especialmente o 1º passeio.
Depois não digam que não foram avisados...
2.Visita Guiada na RTP2
Passou no dia 12 (última 2ª feira) o episódio nº 20, organizado pela Paula Moura Pinheiro, com a colaboração de Manuel Tomás, professor, jornalista e poeta natural do Pico, que foi integralmente dedicado às vinhas velhas daquela ilha, classificadas como Património da Humanidade pela UNESCO.
Este curioso e imperdível episódio ainda pode ser visto, pois repete no dia 20 pelas 13 h.
3.Outros programas
Para enófilos e gastrónomos interessados, recomendo:
.Imperdíveis, a passar no Porto Canal quase diariamente pelas 23h30, repetindo de madrugada (já tinha referido este programa em "Curtas (LXXVIII)"), crónica publicada em 11/8/2016.
.Essência, a ir para o ar  na RTP3 aos domingos, pelas 14h30.
.Boa Cama Boa Mesa, apresentado na SIC Notícias às sextas feiras, cerca das 9h45.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Cachorro à Portuguesa : os conselhos do chefe João Sá

Li, já há algumas semanas, uma notícia que me despertou a curiosidade. Tinha aberto um espaço gastronómico que dava pelo nome de Cachorro à Portuguesa À Nossa Maneira (Rua São Marçal, nº 111, mesmo junto à Rua da Escola Politécnica), que teve (tem?) como consultor o chefe João Sá (ex-G Spot e ex-Assinatura), responsável pela concepção dos recheios dos ditos cachorros.
São 16, à base de frango (3), vaca (4), porco (5), heróis do mar (2) e não é carne nem é peixe (2), havendo também umas tantas entradas com o sugestivo nome "enquanto espero".
Comecei por uma curiosa espécie de croquete de tremoço (!), seguido de um herói do mar que dava pelo nome de bacalhau com todos, o qual vinha acompanhado de salada de couve, ovo ralado, maionese de coentrada e batata doce frita, terminando num imaginativo pirolito (vodka com gelado de limão), servido num pequeno frasco e bebido com uma palhinha (!). Uma refeição deveras original, que poria os cabelos em pé dos indefectíveis da cozinha de autor.
Resta dizer que não apreciei particularmente o pão do cachorro. Já comi bem melhor. E andaram os donos 2 anos a provar pão!
Quanto a vinhos a copo, apenas 4 (2 brancos e 2 tintos) todos da marca Fiúza, com os tintos à temperatura ambiente, isto é, a vinte e muitos graus. Francamente, bem podiam ter pedido a ajuda de quem perceba alguma coisa de serviço de vinhos, à semelhança do que fizeram com a comida.
Optei por uma cerveja artesanal Saudade (Companhia das Caricas), ligeiramente turva e amarga, que veio numa caneca e entornou por fora logo que peguei nela. Mais uma originalidade, mas que não funciona. A meu pedido, foi substituida pelo clássico copo. Um desabafo: cada vez gosto mais das cervejas artesanais e cada vez menos das industriais!
Finalmente, mais uma nota curiosa e original: todos os lugares têm uma lâmpada acesa por cima, bastando fechá-la para chamar a empregada.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O blogue vai de férias

Mais uma semana e picos longe do computador.
Boas pingas e até ao meu regresso!

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Almoçar em hotéis (IV) : comer super barato no Real Parque Hotel

Recentemente tive a ocasião de comer no Real Cantinho, um dos espaços do Real Parque Hotel, tendo optado pelo Menú Prato com direito à sugestão do dia (peixe, carne ou massa e, ainda, bebida e café). Tudo isto por 8,50 €, uma pechincha!
Comi robalinho grelhado com batata a murro e bebi um copo do branco da casa que já vinha servido! A componente vínica é o ponto fraco deste espaço. O que é que custava vir a garrafa à mesa e dado o vinho a provar? O branco, simples e correcto, cumpriu a sua função, isto é, empurrar o peixe, nada mais que isso.
Dada uma olhada à carta de vinhos, pareceu-me muito pouco ambiciosa, mas com preços aceitáveis e tudo datado (vá lá, vá lá...). Um copo do vinho da casa (Montaria branco e tinto e Conde Villar rosé) custa 2 €, para quem o consuma fora do menú.
Neste Real Cantinho ainda se pode almoçar mais barato, caso se opte pelo Menú Pão (sopa, sandwich/wrap, bebida e café) ou pelo Menú Salada (salada, bebida e café), os dois a 7 €.
Fiquei com curiosidade de experimentar o Bufete Bacalhau e o Bufete Cozido, ambos a 10 € ou a 12,50 €, se lhes acrescentarmos bebida e sobremesa, que são servidos noutro espaço, o Real Restaurante. Pode ser que aí, o serviço de vinhos seja melhor. Haja esperança...

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Bairro do Avillez : o que ainda não foi dito

O chefe José Avillez continua de conquista em conquista, aumentando o seu império, tendo sido a última a abertura do Bairro do Avillez (Rua Nova da Trindade nº 18, praticamente ao lado da Trindade e em frente ao Faz Gostos). Já aqui me referi a quase todos os seus espaços, faltando a joia da coroa, o Belcanto que, por razões orçamentais, ainda não tive a oportunidade de visitar.
Para os mais curiosos, eis as crónicas dedicadas ao império Avillez:
."José Avillez ao quadrado" (Pizzaria Lisboa e Cantinho do Avillez), em 18/10/2014
."Almoço no Café Lisboa : o bloco central do chefe José Avillez", em 29/10/2013
."Empadaria do Chef : nem tudo o que parece, é...", em 28/12/2011
."Almoço no Cantinho do Avillez", em 10/9/2011
Voltando ao tema da crónica de hoje, muito se tem escrito sobre o Bairro do Avillez, nomeadamente na Fugas, na Evasões e, ainda, nos blogues Mesa Marcada e Mesa do Chef, para os quais tenho links, nomeadamente sobre o espaço e a componente gastronómica. Falta falar sobre a componente vínica e é o que pretendo fazer nesta crónica.
A carta de vinhos pareceu-me bem construida, com alguma originalidade, anos de colheita presentes, mas com uma série de vinhos a preços demenciais, como por exemplo o Soalheiro 1ª Vinhas 2015 (51 €), Qtª Carvalhais 2014 (48 €), Callabriga 2013 (54 €), Meandro 2013 (42 €) e Papa Figos (22 €)!
Inventariei 2 Espumantes (os 2 a copo), 22 Brancos (7), 1 Rosé (1), 24 Tintos (7), 4 Portos (3 a copo, incluindo 1 Vintage, o que não se entende). Quanto a Madeiras e Moscatéis, zero, o que também não se percebe.
Optei por um copo do branco Casa da Passarella à Descoberta 2015 (4 €) - nariz neutro, algo fresco e mineral, frutado, acidez equilibrada, volume e final médios. Simples, correcto e agradável. Nota 16.
A garrafa veio à mesa, o vinho dado a provar, servido num copo razoável, a olho, uma quantidade correcta. Não testei a temperatura dos tintos, mas informaram-me que os tinham em armários térmicos. Fica para uma próxima.
Para terminar:
.cheguei alguns minutos antes das 13h, mas quem chegue depois desta hora arrisca-se a ter que esperar por mesa, tal é a procura
.comi no espaço Taberna, umas desinteressantes"pipocas" de coirato picantes, uma surpreendente saladinha de "orelha de morcego", uns saborosos pezinhos de porco de coentrada e um sucolento prego do lombo com manteiga de mostarda
.as mesas, com tampo de pedra, estão 100 % despojadas, tendo apenas sido colocado o curioso "estojo ferramentas" (talheres e guardanapo de papel)
.serviço, de um modo geral, eficiente, mas com alguma descoordenação
.o WC dos homens não se fechava por dentro, o que me fez lembrar uma cena passada há alguns anos num restaurante de bairro, onde apanhei um polícia de trânsito fardado, sentado de sanita...
Pesando os prós e contras, é de conhecer este espaço, onde tenciono voltar.

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