terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O livro do Fortunato e outras divagações

Em contra-corrente com o que se passou no Natal de 2014, altura em que foram editados uns tantos livros sobre o mundo do vinho (ver crónica "Curtas : Sabores d' Itália e livros para o Natal", publicada em 11/12/2014), no último apenas me apercebi da publicação de um livro do Fortunato da Câmara, crítico gastronómico do Expresso, que dá pelo nome de "Manual para se tornar um verdadeiro Gourmet" (edição Manuscrito) *, cuja leitura se aconselha vivamente.
Pode ler-se na contracapa "(...) O objectivo deste manual é que fique mais informado, saiba fazer as suas escolhas e construa uma opinião consistente e realista sobre o mundo da gastronomia. (...)". Neste manual, dividido em 25 capítulos ("25 temas importantes para quem adora comida e restaurantes"), apenas um deles é dedicado ao mundo do vinho.
No referido capítulo, refere o autor que "(...) O problema do exercício da crítica de vinhos e de comidas, que entroncam ambos na crítica gastronómica (...)", mas , para mim, está omisso um parâmetro fundamental e indissociável da crítica gastronómica e que, na generalidade, ninguém assume: a avaliação da componente vínica, isto é, a análise da carta de vinhos (que deve incluir os fortificados), a oferta a copo (idem), a qualidade dos copos, a temperatura a que os tintos são servidos e o desempenho do empregado(a), ou seja, se levou a garrafa à mesa, se deu o vinho a provar e o modo em como o serviu (é fundamental não deixar pingar a toalha!).
Fazendo um pouco de história, houve críticos gastronómicos como o saudoso David Lopes Ramos (DLR) e o prestigiado José Quitério, já retirado de cena, que fizeram critica de comidas e de vinhos, mas em crónicas separadas. O DLR, conjuntamente com o jornalista José Nogueira Gil, publicou em 1998 o Guia do Gastrónomo, limitando-se, em cada restaurante avaliado, a referir se o mesmo apresentava uma boa garrafeira ou não.
Que eu saiba e agradeço que me corrijam, o único crítico que se preocupou com a componente vínica foi o José António Salvador (JAS), objecto de recente crónica minha. Nos "Roteiros Gastronómicos 2002/2003", da sua autoria, o JAS atribuiu a cada um dos 150 restaurantes seleccionados, a classificação à mesa e a classificação do serviço de vinhos, esta última com base na "concepção geral da respectiva carta, a sua diversidade e actualização, a qualidade dos copos, o preço e a qualidade do tratamento dos vinhos no serviço ao cliente". Como mera curiosidade, aponto os restaurantes que o JAS considerou excepcionais no serviço de vinhos: O Manjar do Marquês (Pombal), A Coudelaria (Alenquer, mas já encerrado há uma série de anos), A Travessa (Benfica, Lisboa) e O Tradicional (Almancil, também já encerrado).
* O Fortunato também publicou um interessante livro que dá pelo nome "Os Mistérios do Abade de Priscos e outras histórias curiosas e deliciosas da Gastronomia" (edição a esfera dos livros, em 2012), cuja leitura também aconselho.

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