quinta-feira, 14 de abril de 2016

Almoço com vinhos fortificados (24ª sessão) : brancos de 2008 a surpreenderem

Esta última sessão esteve a cargo do João e da Paula que escolheram a Casa do Bacalhau para um lauto repasto, bem acompanhado por vinhos da garrafeira do João (4 brancos e 1 tinto, todos na versão magnum e, ainda, 1 Porto e 2 Madeiras), reforçados com 1 tinto (em magnum) e 1 fortificado trazidos pelos convidados (o João Rosa, vindo de Londres e o João Bandeira, proprietário e chefe do restaurante). O evento decorreu na sala nova, com uma mesa em quadrado, artisticamente aparelhada (não esquecendo a oferta de uma flor para a componente feminina), mas que dificultava a conversação devido à distância que separava a maioria dos convivas.
Quanto aos vinhos apresentados, a qualidade geral era a esperada mas, para mim, a grande surpresa foram os brancos da colheita de 2008, todos a impressionarem pela saúde que ainda apresentavam. Desfilaram:
.Soalheiro Granit 2015 - nariz exuberante, presença de citrinos e notas tropicais, casta bem presente, fresco e com algum volume. Um bom Soalheiro, mas que nada acrescenta ao portefólio deste produtor, bem ancorado no Colheita, no 1ª Vinhas e no Reserva. Nota 17,5.
Serviu de vinho de boas vindas e fez companhia ao requeijão.
.Tiara 2008 - alguma oxidação nobre, fruta madura, notas tostadas, alguma acidez, gordura e volume. Era o mais evoluido dos brancos. Nota 17+.
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2008 - nariz contido, ainda muito fresco, belíssima acidez, fino e elegante, boca complexa e final longo. Nota 18.
.Esporão Reserva 2008 - nariz presente, ainda com fruta, boa acidez, madeira bem integrada, alguma gordura e volume. Este branco alentejano foi a grande surpresa entre as surpresas. Nota 17,5+.
Estes 3 brancos acompanharam pastéis de bacalhau e mini pataniscas de qualidade e, ainda, um arroz de línguas de bacalhau saboroso mas algo "light".
.Chateau Lynch de Bages Pauillac 2004 (um vinho de Bordéus trazido pelo João Rosa) - nariz complexo, fruta e frescura, balsâmico, especiado, taninos civilizados, estruturado e final persistente. Um grande tinto, muito equilibrado e harmonioso. Nota 18,5.
.Pintas Character 2005 - ainda com fruta, acidez q.b., algo especiado, volume e final médios, taninos ainda pouco civilizados. Foi um confronto desigual com o Bordéus. Nota 17.
Estes 2 tintos fizeram companhia a um lombo de bacalhau à Zé do Pipo e a uma feijoada de samos, pratos de muita qualidade.
.Taylor´s Vargelas Vintage 1995 - nariz austero, alguma fruta e acidez, álcool demasiado evidente, volume e final médios. Um Vintage de 2ª linha de um ano menos bom. Nota 17.
.D' Oliveiras Sweet 1957 - frutos secos, iodo, acidez nos mínimos, um pouco de caramelo e final de boca muito longo. Uma curiosidade, com base na casta Malvasia, mas sem direito ao nome no rótulo.
Nota 17+.
.Blandy Bual 1977 -  frutos secos, vinagrinho, notas de iodo, brandy e caril, taninos vigorosos sem agressividade, volume apreciável e final longo. Todo ele muito complexo, não me canso de o beber. Nota 18,5+.
.JBF Verdelho 1900 (oferta do João Bandeira) - provado com todo o respeito, mas já com o nariz e boca mais ou menos anestesiados.
Estes fortificados maridaram com diversas gostosas sobremesas (crocante de maçã, gelado de pera rocha, mousse dolce de leite,...).
Mais uma grande sessão de convívio destes 7 casais privilegiados e convidados, num espaço emblemático, com vinhos de qualidade, algumas surpresas e gastronomia à altura dos acontecimentos.
Obrigado João! Obrigado Paula!

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