quinta-feira, 7 de abril de 2016

Jantar Monte dos Cabaços : um elogio à Margarida Cabaço

Este jantar foi o 50º organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, o que é obra! Decorreu no restaurante Via Graça, já aqui referido por diversas vezes, sob a batuta do chefe João Bandeira. Harmonizações, em geral, felizes e um serviço de vinhos à altura dos acontecimentos, englobando aqui a qualidade dos copos e a correcção das temperaturas.
Esteve presente a Margarida Cabaço, produtora dos Monte dos Cabaços e dos Margarida, cozinheira de mão cheia e pintora nas horas vagas. Salvaguardados os diferentes anos de colheita, subscrevo o que disse na crónica "Um dia com a Margarida Cabaço : São Rosas, senhores...", publicada em 3/7/2012 : "(...) Tiro o meu chapéu a este produtor, porque só agora vai pôr à venda o 2007 no mercado, em contramão com a maioria que já tem à venda a colheita de 2010 (...)".
Passando aos beberes e comeres, desfilaram:
.Monte dos Cabaços 2013 branco - com base nas castas Antão Vaz, Arinto e Roupeiro; fresco e mineral, frutado, presença de citrinos, boa acidez e final de boca. Bom a solo, não se aguentou com o prato. Nota 16,5.
.Monte dos Cabaços 2010 tinto (servido decantado) - com base nas castas Alicante Bouschet, T. Nacional, Syrah e Cabernet; fresco, especiado, notas de couro e chocolate, taninos civilizados, algum volume e final de boca; conjunto muito equilibrado. Excepcional relação preço/qualidade, vai ainda ser lançado no mercado. Ligou muito bem com o prato. Nota 17,5.
Estes 2 vinhos acompanharam um saborosíssimo pato confitado com risotto de cogumelos selvagens.
.Margarida 2010 tinto - com base na casta Alicante Bouschet; nariz exuberante, notas de lagar, couro e fumadas, acidez nos mínimos, taninos espigados, volume e final de boca médios. Promete muito no nariz, mas a boca não acompanha. Nota 17.
Este tinto maridou com um curioso hamburguer de cabrito assado com esparregado.
.Monte dos Cabaços Reserva 2008 tinto - com base nas castas T. Nacional e Alicante Bouschet estagiou cerca de 1 ano em barricas novas de carvalho francês e 5 anos (cinco, senhores!) em garrafa; aroma exuberante, ainda com muita fruta, acidez no ponto, notas apimentadas, taninos civilizados, algum volume e final persistente; alguma complexidade e boa relação preço/qualidade. No ponto óptimo de consumo. Nota 18.
Relacionou-se maravilhosamente com um belíssimo arroz de caça (perdiz, lebre, faisão e javali).
.Margarida 2011 branco - nariz complexo, notas balsâmicas e florais, mas boca light a desaparecer rapidamente. Nota 15.
Não conseguiu harmonizar com o bolo de mousse de chocolate e gelado. Uma pena não ter havido um fortificado para encerrar esta francamente boa sessão. Ó Margarida, compre lá uma quinta no Douro, s.f.f.


Sem comentários:

Enviar um comentário