terça-feira, 24 de maio de 2016

Jantar Malhadinha & CARM

Mais um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas que escolheu o restaurante Faz Gostos, cujas responsáveis são mãe (Elisabete Pires, na cozinha) e filha (Ana Pestana, na sala). Apresentaram os vinhos a Filipa Silva (Malhadinha) e o João Paulo Reboredo (CARM), tendo ainda participado o Celso Madeira, o expoente máximo da CARM.
A gastronomia, exceptuando o polvo (as batatas não ajudaram), estava francamente boa e o serviço de vinhos, com um copo para cada néctar e temperaturas adequadas, esteve à altura dos acontecimentos. Pena foi que repasto se tivesse prolongado para além do razoável, por ventura consequência do número reduzido de pessoas envolvidas no serviço.
Na mesa o excelente azeite CARM Grande Escolha Bio. Quanto aos vinhos provados, desfilaram:
.Monte da Peceguina 2015 Rosé - com base nas castas Touriga Nacional e Aragonês e 12,5 % vol de álcool; muito frutado e aromático, acidez equilibrada, final de boca ligeiramente adocicado. Nota 15+.
Cumpriu a sua função de bebida de boas vindas e harmonizou bem com os rissóis de berbigão (excelentes, por sinal).
.Verdelho da Peceguina 2015 Branco - 13 % vol de álcool; nariz austero, presença de citrinos, notas vegetais acentuadas, alguma acidez e final de boca amargo. Abaixo das expectativas. Nota 15.
Acompanhou uma bela sopa de ameijoas.
.CARM Maria de Lourdes 2011 Branco - com base em uvas biológicas e 13 % vol de álcool; aromático, citrinos e fruta madura (melão e pêssego), muito fresco e mineral, alguma gordura e volume, final de boca extenso. Se provado às cegas, não teria acertado com o ano de colheita. Uma boa surpresa! Nota 17,5+.
Maridou com um polvo de Santa Luzia com batata doce, que não esteve à altura muito por culpa das batatas meio enresinadas.
.Malhadinha 2013 - com 14,5 % vol de álcool, foi vinificado em lagares com pisa a pé e estagiou 14 meses em barricas novas de carvalho francês; muito frutado e vinoso, acidez equilibrada, taninos vigorosos mas civilizados, algum volume e final de boca adocicado; perfil muito alentejano, vai melhorar com a idade. Nota 17.
Harmonizou bem com uma excelente perna de cordeiro assada.
.CARM Maria de Lourdes 2011 - com base nas castas T. Nacional (70 %) e T. Franca (30 %) e 15 % vol de álcool (algo excessivo); aroma intenso, fruta ainda presente, notas de esteva, tabaco e couro, acidez nos mínimos, taninos afirmativos, bom volume e final de boca persistente. Nota 18.
Ligação arriscada com um queijo de ovelha amanteigado, passou no exame.
.Malhadinha Colheita Tardia 2012 -  com 11,5 % vol; nariz austero, notas de laranja, déficite de acidez, volume assinalável mas algo pastoso. Perfil muito afastado da maioria dos colheitas tardias que conheço, foi uma desilusão. Péssima relação preço/qualidade. Nota 14,5.
Fez companhia a um bolo fofo de chocolate com nozes.
Resumindo e concluindo, foi um bom evento vínico sendo de destacar os dois Maria de Lourdes 2011, o branco e o tinto. Teria sido mesmo excelente, não fora o evento ter acabado já no dia seguinte...

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