quinta-feira, 21 de julho de 2016

Jantar Maritávora

Mais um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, desta vez no restaurante Casa da Dízima que apresentou uma ementa à altura dos acontecimentos e um serviço de vinhos, sob a batuta do Pedro Batista, de 5 estrelas.
Mas a maior surpresa, para mim, foi a alta qualidade dos vinhos brancos Maritávora, apresentados pelo produtor Manuel Gomes Mota e pelo enólogo Jorge Serôdio Borges, quando na minha memória apenas estavam presentes os tintos. Foram apresentados 5 brancos, tendo o único tinto ficado entalado entre eles. Poderia ter sido um evento exclusivamente de brancos, pois do tinto não rezará muito a história. Acrescente-se que, a partir de 2012, a produção passou a ser considerada biológica.
E eles foram:
.Branco 2014 - com base nas castas tradicionais do Douro, complementadas com a Alvarinho; muito fresco e aromático, notas tropicais e uma bela acidez. Excelente relação preço/qualidade. Nota 16,5+.
Foi o vinho de boas vindas e acompanhou algumas tapas, servidas na imperdível esplanada, onde também se pode refeiçoar.
.Grande Reserva Branco 2013 (previamente decantado) - com base nas castas Códega do Larinho, Rabigato e Viosinho de uma vinha velha com mais de 100 anos e a 500 metros de altitude, estagiou 6 meses em barricas novas de carvalho francês; nariz austero, acidez e mineralidade, notas salgadas, alguma gordura e volume. Nota 17,5.
Foi acompanhado por pastéis de caranguejo real e sapateira.
.Reserva Branco 2009 - muito fresco e floral, belíssima acidez e complexidade, notas apetroladas, alguma gordura e volume, final muito longo. Foi, para mim, o branco da noite e só não é um Grande Reserva porque, até 2010, não se usava tal terminologia. Nota 18.
.Grande Reserva Branco 2010 - em tudo semelhante ao anterior, embora com menos complexidade; também me pareceu que o álcool anunciado (12,5 % vol , em todos os brancos) não correspondia à realidade. Nota 17,5+.
Estes 2 brancos maridaram muito bem com polvo corado, puré de batata doce e grelos.
.Reserva Tinto 2012 (decantado previamente) - com base nas castas T. Nacional, Tinta Roriz e T. Franca, foi vinificado com pisa a pé e estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; aroma exuberante, ainda com muita fruta, alguma acidez, taninos domesticados, volume e final de boca médios. Há que esperar por ele mais 3/4 anos. Nota 17.
Harmonizou com lombinho de porco, batata gratinada e legumes salteados.
.Reserva Branco 2008 - nariz neutro, acidez incrível, ainda com muita juventude, mas sem a complexidade do 2009 nem a do 2010, algum volume mas desaparece rápido da boca. Nota 17+.
Acompanhou um queijo amanteigado de Fornos de Algodres com figo pingo de mel.
Uma grande jornada gastronómica com excelentes brancos, mas que se arrastou demasiado.

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