terça-feira, 25 de outubro de 2016

Enoturismo no Dão (V) : Quinta Madre de Água

A visita à Qtª Madre de Água, um espaço praticamente desconhecido da maioria dos enófilos, foi um sucesso, não tanto pelos vinhos que ainda não atingiram um desejável patamar alto, mas sobretudo pelo restaurante e o meio ambiente que a rodeia, ou seja, as vinhas, as ovelhas, a queijaria, os cavalos, o picadeiro, os cães, etc. Uma grande surpresa para a maioria do grupo.
Eu já conhecia este espaço, pois já lá tinha ficado hospedado no hotel rural e usufruído de algumas refeições, uma das quais no âmbito do M80 (evento gastronómico em parceria com a Revista de Vinhos), onde brilhou o jóvem chefe António Batista. Sobre estas minhas experiências, publiquei as crónicas "Rescaldo da ida ao Douro (V) : a Quinta Madre de Água, a fechar com chave de ouro" e "Rescaldo das férias (I)", em 2/10/2015 e 24/7/2014, respectivamente.
Nesta ida ao Dão, o grupo foi recebido pelo director de Marketing, Vitor Hugo Mendes de seu nome, que orientou uma visita guiada à quinta. Entre cães, cavalos e ovelhas, passámos por vários talhões de vinha, nomeadamente Encruzado, Sémillon, Jaen, Tinta Roriz, Cabernet Sauvignon, Merlot e a indispensável Touriga Nacional. Resta acrescentar que o enólogo consultor é o Paulo Nunes, um dos técnicos mais consistentes a trabalhar no Dão.
Antes do jantar, tivemos a ocasião de provar o Rosé 2014 (a bebida de boas vindas) - com base nas castas Touriga Nacional e Tinta Roriz; nariz neutro, alguma acidez, simples e agradável, cumpriu a sua missão. Nota 14,5.
O jantar foi no restaurante, onde estavam outros clientes. Mesas muito bem aparelhadas, com 1 copo adequado a cada um dos vinhos. A ementa, devidamente impressa, denominava-se "Jantar Vindimas 2016". Não houve, portanto, qualquer discriminação quanto ao grupo, o que se saúda vivamente.
Bebemos e comemos:
. Encruzado 2014 - aromas presos, alguma fruta e acidez, volume médio e final curto. Esperava mais. Nota 15.
Acompanhou uma degustação de produtos Madre de Água (saladinha de frescos da horta, queijo de cabra, queijo de ovelha DOP Serra da Estrela, pesto, doces de abóbora e de uva. Tudo produzido na quinta. Uau!
.Perpetuum 2014 - com base nas castas Encruzado e Gouveio; pouco acrescenta ao branco anterior, a não ser um final de boca mais consistente. Nota 15,5.
Maridou com um excelente folhado de queijo Madre de Água, rúcula selvagem, frutos secos e mel de urze.
.Touriga Nacional 2012 - nariz exuberante, alguma acidez, especiado, taninos muito presentes a precisarem de mais tempo de garrafa, volume e final de boca apreciáveis. Vai melhorar com o tempo e daqui a meia dúzia de anos poderá atingir a qualidade do excelente 2011. Nota 17,5+.
Este tinto foi servido a uma temperatura acima do aconselhável mas, perante o meu reparo, trouxeram de imediato outra garrafa à temperatura correcta. Muito bem!
O vinho fez um bom casamento com um arroz de pato de muita qualidade, frutos secos e toucinho de porco ibérico fumado.
.Rosé 2014 (o mesmo que foi servido nas boas vindas).
Não ligou com a belíssima sobremesa de ensopado de laranja com creme de baunilha e crocante de citrinos. Para  quando um colheita tardia? A casta Sémillon já lá está...
Serviço feminino, em geral, eficiente e simpático, mas a precisar de uma reciclagem quanto ao serviço de vinhos. Com excepção do tinto, todos os outros chegaram à mesa depois de a comida já estar nos pratos. Um pormenor que pode ser corrigido e que não manchou o magnífico jantar servido no restaurante da Quinta Madre de Água.
Recomendo esta quinta para comer e ficar. Vale a pena!

2 comentários:

  1. Este Comentário surge porque participei na "Viagem ao Dão" que considero excelente e porque o enófilo militante está a fazer a suas "crónicas para memória futura".
    Concordo, na generalidade, com as apreciações que foram feitas. O sucesso da viagem em muito se deveu à organização global, mau grado os vinhos também tenham tido a sua quota parte. Realço apenas a simpática brandura na apreciação do serviço de vinhos na Quinta da Madre de Água onde há bastantes melhorias a fazer e relevo também o aspecto menos positivo que me parece ser a concentração de comercialização de vinhos da Casa da Ínsua.
    Estou "em pulgas" para ver a crónica da Mesa da Quinta de Lemos quer no que se refere à refeição quer, especialmente, quanto ao serviço de vinhos.
    Para todos os organizadores vão os meus parabéns esperando que continuem esta rota.
    Quanto ao EM endereço também os meus parabéns porque mantém o seu rigor, isenção, independência, qualidade e persistência e assim se vai manter, seguramente; o seu percurso já não lhe permite mudanças. E ainda bem.
    E Realço, ainda, a sua longa integração na lista TOP dos "bloguistas" que é inteiramente merecida.

    José Rosa


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    1. Caro José Rosa
      Muito obrigado pelas suas palavras e também lhe agradeço a vossa inestimável companhia no passeio ao Dão.
      Um grande abraço

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