terça-feira, 1 de novembro de 2016

Enoturismo no Dão (VI) : Quinta de Lemos

...continuando:
Esta é a última crónica desta viagem ao Dão, a fechar com chave de ouro. Eu não conhecia a quinta, mas sim alguns dos vinhos deste original produtor, a quem tirei o meu chapéu em "Provar vinhos com a Quinta de Lemos", escrito publicado em 4/8/2016, ao colocar só agora no mercado a colheita de 2011. Um caso raro na produção nacional, sendo de louvar a postura do proprietário, Celso de Lemos, de seu nome.
A intenção é dada logo à entrada da adega, onde se pode ler que "Aqui começa uma viagem pelo mundo dos vinhos do Dão (...)", onde fomos recebidos pelo adegueiro Pedro Figueiredo, o braço direito do enólogo Hugo Chaves. Por ele ficámos a saber que nas vinhas impera a Touriga Nacional (60 % das tintas), seguida da Tinta Roriz (20 %), Alfrocheiro e Jaen (10 % de cada). Quanto a castas brancas, a Encruzado tem o exclusivo. Soubemos, ainda, que 50 % das uvas são esmagadas nos tradicionais lagares com pisa a pé e 70 % dos vinhos são exportados.
Alguns dos nomes atribuídos aos vinhos são uma homenagem às mulheres familiares do produtor, como é o caso da Dona Paulette (mulher), Dona Louise (sogra), Dona Santana (avó) ou Dona Georgina (mãe).
Seguiu-se o almoço no restaurante da quinta, o Mesa de Lemos, muito badalado ultimamente. Em pouco tempo falaram dele a Fugas em 8 de Outubro (texto da Alexandra Prado Coelho), a Evasões  em 23 de Setembro (com a fotografia do chefe Diogo Rocha na capa) e a Revista de Vinhos de Outubro (texto de Luis Antunes). O chefe não estava (apareceu no fim só para cumprimentar o grupo), mas a sub-chefe Inês Beja portou-se à altura.
O restaurante fica no meio das vinhas, com vista para as mesmas e demais espaço envolvente, através da parede envidraçada que se estende por algumas dezenas de metros, podendo também os comensais observar o trabalho da equipa na cozinha aberta.
De realçar o serviço altamente profissional e requintado da chefe de sala e escanção (Emília Craveiro) e sua equipa. Pegar nos copos ou nos talheres, só de luvas brancas calçadas! Mais, a escanção antes de servir o vinho tinto, avinhou os 28 copos Schott do grupo, copo a copo! Nunca tinha visto este trabalho em sítio algum. Só para os ver trabalhar vale a pena a deslocação.
A ementa estava impressa, o que se regista com agrado, embora tivesse sido omitido o ano de colheita dos vinhos servidos.
Bebemos e comemos:
.Espumante Geraldine (penso ser o nome de uma filha) Touriga Nacional 2015 - fresco, boa acidez e bolha fina, cumpriu a sua missão de bebida de boas vindas. É, ainda, um ensaio.
Fez companhia a quatro amuse bouche: gema de ovo e beringela (uma harmonização arriscada), sardinha chamuscada com creme de pimentos, trio de feijão com salada e pastel de massa tenra de bacalhau.
Um pormenor, o couvert só veio para a mesa após terem sido servidas as diversas versões do amuse bouche. É mesmo assim ou foi esquecimento?
.Dona Paulette Encruzado 2014 - fruta madura, acidez abafada pelo protagonismo da madeira, notas amanteigadas, algum volume e bom final de boca. Gastronómico. Nota 16,5.
Acompanhou uma entrada à base de queijo da serra, tomate fresco e seco, manjericão e gelado de limão.
.Dona Santana 2007 - ainda com fruta, acidez equilibrada, especiado, madeira bem integrada , taninos de veludo, volume e final de boca assinaláveis. Todo ele elegante e harmonioso. Nota 18.
Maridou com uma excelente vitela de Lafões com creme de cenoura e favas.
.Generoso (ainda sem nome) 2015 - nariz neutro, fruta exuberante, taninos ainda por domar, acidez no ponto, volume médio e bom final de boca. Uma curiosidade que pode enganar os menos avisados. Nota 16,5.
Não ligou com a sobremesa, um creme queimado de limão.
Este almoço no surpreendente Mesa de Lemos foi, de facto, o ponto mais alto nesta visita ao Dão. O restaurante, agora com um horário decente (jantar de 3ª feira a Sábado e almoço apenas ao Sábado) merece ser visitado (961158503 ou reservas@mesadelemos.com). Boa gastronomia e serviço de 5 estrelas. Aqui fica o desafio!

2 comentários:

  1. Caro Francisco,

    Como eu estava "em pulgas" para ler esta crónica, cá estou a fazer um breve comentário porque não há muito a acrescentar.
    Antes de mais direi que, por motivos imprevistos, não pude visitar a Adega e assistir ás explicações que, nestes casos, são sempre preciosas.
    Quanto ao restaurante, começo por dizer que, num primeiro momento, a ementa me pareceu minimalista, embora impressa e com muito boa apresentação. Dela constavam três pontos:queijo da serra, vitela de Lafões e creme queimado...com os devidos acompanhamentos. Pareceria saber a pouco.
    Todavia, antes de se entrar no menu, foram-nos servidos "mimos" vários (4/5) que inverteram claramente a leitura inicial e constituíram um ponto muito alto da jornada.
    Quanto ao resto, a descrição feita, como habitual, é perfeita, faltando apenas uma fotografia para confirmar a escrita.
    Tudo muito bom (bela vitela). Realço, apesar de tudo, o serviço de vinhos que foi digno de ser visto por quem aprecia.
    Dito isto, está obrigado a continuar com estas excelentes crónicas "para que conste".

    Abraço.

    J.Rosa

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    1. Mais uma vez o meu obrigado pelos seus comentários.
      Um abraço

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