quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Colheita de 2006 : o painel da Revista de Vinhos e as minhas provas

A RV publicou, no seu último numero, os resultados de uma interessante avaliação anual dos tintos com 10 anos, sob o título "Tintos 2006 - boas surpresas de uma vindima difícil", à semelhança do que tem vindo a fazer nos últimos anos. Foram provados 23 vinhos (menos 10, se comparado com a prova da colheita 2005), referindo que lhes foram enviados apenas 70 % dos vinhos solicitados, "O que espelha as dúvidas de diversos produtores face aos vinhos que tinham em casa (...)". Pena é que não tivessem divulgado quais os 30 % em falta. Fica a curiosidade não satisfeita.
Consultados os meus registos, encontrei 10 vinhos (algumas referências com mais de 1 garrafa) que foram incluídos no painel da RV e mais 6 que não constam e talvez fizessem parte dos solicitados e não submetidos à prova da RV.
Obviamente que os resultados, do painel e das minhas provas, não são comparáveis, pois os meus foram sendo registados ao longo de uma série de anos.
Respeitando a ordem dos resultados do painel, passo a indicar as notas atribuídas por mim, a maioria em provas cegas, mas também algumas com o rótulo à vista. Entre parêntesis indico a nota do painel da RV.
.Carrocel - 17,5/18/18,5+/17,5 (18,5 no painel)
.Escultor - 14 (17,5)
.Qtª dos Roques Reserva - 16+ (17,5)
.Scala Coeli - 17,5 (17,5)
.Pintas - 17/16,5+/17,5+/16,5+/17+ (17)
.Qtª das Marias T.Nacional - 16,5 (17)
.Qtª Vale Meão - 18/18,5/17+ (17)
.Encosta do Sobral - 16 (16,5)
.Passadouro Reserva - 17/16,5 (16,5)
.Anima - 16,5/17+ (16)
Vinhos provados por mim, mas omissos no painel da RV:
.CV - 18/18/17,5+
.Charme - 16,5+
.Aneto Grande Reserva - 18,5/18,5/17
.Poeira - 18,5/16,5+/18/17,5/16,5/17,5
.Qtª do Crasto Vinhas Velhas - 18/17
.Qtª do Mouro Rótulo Dourado - 18,5
De referir:
.a irregularidade de garrafa para garrafa, nalgumas referências (por exemplo, o Poeira)
.o declínio de alguns vinhos, inicialmente com boas pontuações, mas que depois se foram abaixo das "canetas" (caso do Vale Meão e do Aneto)
.não haver discrepâncias acentuadas, entre as notas do painel e as minhas, com excepção do vinho Escultor (o que teria acontecido à minha garrafa?).  

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Grupo dos 3 (48ª sessão) : um branco surpreendente, um tinto de eleição e um Madeira clássico

Desta vez os vinhos sairam da garrafeira do Juca, 1 branco de 2012, 2 tintos de 2005 e 1 Madeira, que escolheu o restaurante As Colunas, no dia de cozido com carnes de porco preto. Desfilaram:
.Terroir Velho Mundo XII - com base num lote de castas tradicionais da Qtª Casa Amarela e outro de Alvarinho da Qtª do Regueiro; cristalino, presença de citrinos, belíssima acidez, notas fumadas, alguma gordura, volume notável e bom final de boca. É um grande branco, mas que ainda não mereceu a atenção da crítica especializada. Nota 17,5+ (noutra situação também 17,5+).
Acompanhou pasteis de massa tenra, omolete de espargos e uma belíssima perdiz de escabeche em pão torrado.
.Qtª de Bageiras Garrafeira 2005 - aroma intenso, notas vegetais e metálicas, algo rústico e agressivo, volume médio e final de boca prolongado. É dos vinhos mais irregulares que conheço, podendo oscilar desde o muito bom até ao vulgar. Nota 15,5 (noutras 15/17/16,5/18,5/18+/17+/17,5).
.Kompassus Private Seleccion 2005 - aroma ainda exuberante, sofisticado e elegante, especiado, notas de chocolate e tabaco, volume apreciável e grande persistência. Dá-me sempre muito prazer beber este Bairrada que, ao contrário do anterior, mosta sempre uma grande regularidade. Nota 18,5 (noutras 18,5/18,5+/18,5/18/18,5+/18,5/18,5/18,5+).
Foram acompanhados pelo cozido já acima referido.
.Blandy Sercial 1966 (engarrafado em 2004) - aroma intenso, frutos secos, notas de iodo e caril, taninos ainda por domar, algum volume e considerável final de boca. Fechou com chave de ouro este repasto. Nota 18,5 (noutra 18,5+).
Serviço profissional por parte da Joana, uma recém licenciada que ainda não conseguiu arranjar emprego.
Mais uma boa sessão deste trio da linha dura. Obrigado Juca!

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Bistrô4 : um cheirinho a Madeira

O Bistrô4 é o restaurante do Hotel Porto Bay Liberdade (R. Rosa Araújo,6-8), sendo a equipa parcialmente madeirense ou vinda expressamente da Madeira, com destaque para o chefe executivo João Espírito Santo e o escanção Victor Jardim, sendo consultor o estrelado Benoît Sinthon. Fazendo alguma analogia com o mundo do vinho, o chefe residente é o que trabalha (já aqui o referi na crónica "A Madeira em Lisboa", publicada em 8/12/2015, quando da apresentação das novidades da Blady), deixando ao consultor os louros do projecto.
Sala ampla e confortável, mesas afastadas, toalhas e guardanapos de pano, cozinha aberta. No verão acresce uma bela esplanada interior. De 2ª a 6ª feira, ao almoço, têm um menú executivo, ou seja, pode-se comer por 22 € uma refeição completa (couvert, entrada, prato, sobremesa e café), o que não é caro para um restaurante de hotel.
Nesta minha 1ª visita tive a oportunidade de comer:
.salada de cavala fumada com batata e endro (saborosa, mas em quantidade mínima)
.filete de peixe com puré de batata, alcaparras e manjericão (o peixe era skray, mas questionados alguns dos empregados não souberam explicar, o que não entendo; resta dizer que estava delicioso)
.mousse de chocolate (normal, nada acrescentando à que se encontra em centenas de outros restaurantes)
Quanto a vinhos, inventariei (entre parêntesis a oferta a copo) 6 espumantes (3 a copo), 12 champanhes (2), 1 cava, 51 brancos (6), 4 rosés (2), 95 tintos (6). De registar, ainda, a oferta de fortificados, a copo e à garrafa: 10 Vinhos da Madeira da Blandy (entre os quais Terrantez 1976, Verdelho 1977 e Bual 1969) e Vinhos do Porto. É obra!
Resta acrescentar que os anos de colheita não foram esquecidos e os preços são altos (por exemplo, o copo de branco custou 7 €, uma exorbitância).
Achei curiosa a inclusão na carta de vinhos de frases de personalidades históricas, como por exemplo uma do Gustav Mahler ("Um copo de vinho vale mais que todas as riquezas da terra"). Depende do vinho, digo eu!
Bebi um copo do branco Dona Maria 2014 - presença de citrinos, notas fumadas, acidez equilibrada, alguma gordura e volume. Foi uma boa surpresa e acompanhou bem a refeição. Nota 17.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado aprovar num copo aceitável e servido a olho. Quanto aos tintos, constatei que este espaço tem o cuidado de os manter a uma temperatura controlada.
Serviço atencioso e eficaz, de um modo geral, destacando a Ana Larguinho que, naquele dia, estava no cargo de chefe de sala, na ausência do Victor Jardim.


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Curtas (LXXII) : o próximo LRW, a Mexicana e outras visitas

1.Lisboa Restaurant Week (LRW)
Começa hoje, exclusivamente para clientes do Millennium, mais uma edição do LRW. O restante "povão" só pode participar de 25 de Fevereiro a 6 de Março.
Mais informações em www.thefork.pt ou em //restaurantweek.pt.
É de aproveitar. Boas refeições!
2.Mexicana
Já reabriu de cara lavada este ícone da cidade de Lisboa e, brevemente, abrirá a Taberna da Mexicana, no piso inferior. Estou com alguma curiosidade para a visitar, logo que esteja a laborar.
A lista de vinhos do restaurante é deveras original, pois está organizada por produtores/enólogos (por exemplo, os vinhos do Dirk, do Anselmo Mendes, do Cancela de Abreu, etc). Pena é que não se tenham dado ao trabalho de incluir os anos de colheita. Quanto a vinhos a copo, só o da casa.
Comida agradável, mas serviço leeeeeento e atrapalhado, de um modo geral.
3.Honorato Chiado
Estive neste Honorato, quando da distribuição de prémios do blogue "Mesa Marcada", tendo ficado com alguma curiosidade de saber como funcionava em situação normal.Visitei-o há cerca de 1 mês.
Confirmei que é um espaço muito informal, com mesas despojadas e guardanapos de papel, frequentado maioritariamente por adultos jóvens. Mas tem uma relações públicas que encaminha os clientes para a respectiva mesa. Uhau!
Comi um croquete de alheira e uma mini picanha, ambos saborosos.
Quanto a vinhos, a copo só o da casa que já vem servido e nem sequer mostram a garrafa. Os copos são demasiado foleiros e os tintos estão à temperatura ambiente. Só desgraças!
Bebi o branco Versátil 2015 (2,90 €) - nariz neutro, acidez nos mínimos, algo pesado, volume médio e persistência nula. Nota 12,5.
Segundo me apercebi, a aposta forte da casa é no Gin, a bebida da moda.
4.deCastro Flores
Para apagar a má impressão que o Less me deixou, voltei também há cerca de 1 mês a este espaço do Miguel Castro e Silva. Partilhei com a minha cara metade uma série de petiscos (pastéis de massa tenra, xerém de ameijoas, ovos rotos com trombetas e fígados de pato com cebola confitada). A cozinha tradicional no seu melhor!
Provei 2 lotes tintos MCS 2012 (Wine & Soul e Ribeiro Santo), a custarem 3,80 e 3,50 € respectivamente. Não tomei qualquer nota, mas lembro-me que eram vinhos correctos que acompanharam muito bem a petiscaria.
5.Descobre
Voltei, uma vez mais, a este restaurante mercearia de que gosto particularmente, o qual duplicou o espaço com mais uma bela sala. A esplanada aparecerá lá mais para o verão.
Partilhámos cogumelos shiitake gratinados, pica de lulinhas e pica de moelas, acompanhadas de puré de batata doce e feijão estufado. Uma delícia.
Bebemos, a copo, o Tapada de Coelheiros Chardonnay 2011 - ligeiramente oxidado, acidez fabulosa, notas fumadas, amanteigado, volume apreciável e persistência média. Harmonizou muito bem com a comida. Nota 17,5.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O livro do Fortunato e outras divagações

Em contra-corrente com o que se passou no Natal de 2014, altura em que foram editados uns tantos livros sobre o mundo do vinho (ver crónica "Curtas : Sabores d' Itália e livros para o Natal", publicada em 11/12/2014), no último apenas me apercebi da publicação de um livro do Fortunato da Câmara, crítico gastronómico do Expresso, que dá pelo nome de "Manual para se tornar um verdadeiro Gourmet" (edição Manuscrito) *, cuja leitura se aconselha vivamente.
Pode ler-se na contracapa "(...) O objectivo deste manual é que fique mais informado, saiba fazer as suas escolhas e construa uma opinião consistente e realista sobre o mundo da gastronomia. (...)". Neste manual, dividido em 25 capítulos ("25 temas importantes para quem adora comida e restaurantes"), apenas um deles é dedicado ao mundo do vinho.
No referido capítulo, refere o autor que "(...) O problema do exercício da crítica de vinhos e de comidas, que entroncam ambos na crítica gastronómica (...)", mas , para mim, está omisso um parâmetro fundamental e indissociável da crítica gastronómica e que, na generalidade, ninguém assume: a avaliação da componente vínica, isto é, a análise da carta de vinhos (que deve incluir os fortificados), a oferta a copo (idem), a qualidade dos copos, a temperatura a que os tintos são servidos e o desempenho do empregado(a), ou seja, se levou a garrafa à mesa, se deu o vinho a provar e o modo em como o serviu (é fundamental não deixar pingar a toalha!).
Fazendo um pouco de história, houve críticos gastronómicos como o saudoso David Lopes Ramos (DLR) e o prestigiado José Quitério, já retirado de cena, que fizeram critica de comidas e de vinhos, mas em crónicas separadas. O DLR, conjuntamente com o jornalista José Nogueira Gil, publicou em 1998 o Guia do Gastrónomo, limitando-se, em cada restaurante avaliado, a referir se o mesmo apresentava uma boa garrafeira ou não.
Que eu saiba e agradeço que me corrijam, o único crítico que se preocupou com a componente vínica foi o José António Salvador (JAS), objecto de recente crónica minha. Nos "Roteiros Gastronómicos 2002/2003", da sua autoria, o JAS atribuiu a cada um dos 150 restaurantes seleccionados, a classificação à mesa e a classificação do serviço de vinhos, esta última com base na "concepção geral da respectiva carta, a sua diversidade e actualização, a qualidade dos copos, o preço e a qualidade do tratamento dos vinhos no serviço ao cliente". Como mera curiosidade, aponto os restaurantes que o JAS considerou excepcionais no serviço de vinhos: O Manjar do Marquês (Pombal), A Coudelaria (Alenquer, mas já encerrado há uma série de anos), A Travessa (Benfica, Lisboa) e O Tradicional (Almancil, também já encerrado).
* O Fortunato também publicou um interessante livro que dá pelo nome "Os Mistérios do Abade de Priscos e outras histórias curiosas e deliciosas da Gastronomia" (edição a esfera dos livros, em 2012), cuja leitura também aconselho.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Rabod' Pêxe : uma aposta nos produtos açorianos

Este original espaço, situado na Av. Duque d' Avila, 42 (entre as avenidas da República e 5 de Outubro) não é um restaurante de comida açoriana, como o nome pode fazer crer, mas antes uma aposta no peixe e na carne vindas dos Açores.
É um espaço moderno onde a maior parte das mesas, algumas demasiado em cima de outras, não permitindo qualquer privacidade, está concentrada numa magnífica esplanada interior. Logo à entrada encontram-se umas quantas bancas, onde se pode escolher o peixe ou marisco. A ementa tem ainda, para além de pratos de peixe, carne e sushi, uma outra categoria que dá pelo curioso nome de "surf and turf", uma mistura de peixe e carne. Resta informar que o responsável pela cozinha é o chefe Filipe Rodrigues, que esteve na base do projecto Sea Me.
Visitei este espaço já por 2 vezes, tendo escolhido pota com milho frito mais novilho com lingueirão (na 1ª visita) e cavala fumada mais tártaro de novilho (numa 2ª visita), tudo saborosíssimo e bem apresentado. Serviço, em geral, desembaraçado, super simpático, mas por vezes demasiado familiar.
Quanto a vinhos, inventariei 7 espumantes, 3 champanhes, 37 brancos, 6 rosés e 40 tintos, oferta mais do que suficiente. A lista não contempla vinhos fortificados, mas não cheguei a perguntar se os tinham (alguns restaurantes optam por os colocar na carta do bar). Fiquei, portanto, na dúvida.
O Rabod' Pêxe possui uma dependência climatizada para tintos, cuja temperatura (18º) é excessiva. Para apoio imediato, dispõem de armários térmicos "La Sommelière", com 2 temperaturas (5º e 12º), o que não faz muito sentido.
A copo só consta o vinho da casa, mas facilitam ao cliente abrir uma ou outra garrafa mais do seu gosto. Em qualquer das 2 visitas, optei pelo Adega Mãe Chardonnay 2013 (4,50 €) - presença de citrinos, acidez equlibrada, notas fumadas intensas, alguma gordura e volume assinalável. Muito bem construido e gastronómico, ligou muito bem com os pratos escolhidos. Nota 17,5.
A garrafa veio à mesa, dado a provar num bom copo Spiegelau e servida uma quantidade correcta (+- 15 cl), embora a olho.
Tenciono voltar e recomendo este original espaço, garantindo a qualidade da matéria prima, quase toda ela açoriana.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Almoço com vinhos fortificados (23ª sessão) : brancos de eleição, 1 tinto em grande forma, 1 Madeira de luxo e 1 Porto de 100 pontos

O núcleo duro dos Vinhos da Madeira e outros fortificados voltou a reunir-se, mas desta vez na Enoteca de Belém. Este almoço foi a meu convite e, na sua quase totalidade, com os vinhos da minha garrafeira (3 brancos 2012, 4 tintos 2008 e 2 Madeiras). Este lote foi reforçado com a inclusão de 2 Porto Vintage trazidos pelo nosso amigo Adelino, a quem estou muito grato.
A bebida de boas vindas foi o espumante Qtª das Bageiras Rosé 2013, uma simpática oferta da casa que cumpriu bem a sua função. Na sequência do repasto, desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho Reserva - muito equilibrado e elegante, notas florais, alguma gordura, acidez no ponto e algum volume. Nota 17,5+ (noutras situações 17,5/18).
.Secretum - é um Douro 100 % Arinto; muito fresco, acidez q.b., notas fumadas, alguma gordura, volume e final consideráveis. Pouco conhecido em Portugal, é possuidor de um invejável palmarés (17 pontos atribuídos pela Jancis Robinson, 90 na Wine Enthusiast e 90 pelo Mark Squires, o braço direito do Parker). Nota 17,5+ (noutras 17,5/18).
.Pai Abel - acidez assinalável, fruta presente, alguma gordura, simultaneamente elegante e volumoso, complexidade q.b. Nota 18 (noutras 18/18).
Estes 3 brancos acompanharam uma entrada de pampo em escabeche, agradável mas sem impressionar (o melhor do repasto estava, ainda, para vir).
.Borges Sercial 1979 - frutos secos, vinagrinho no ponto, notas de iodo e brandy, alguma gordura, elegância, volume notável e final impressionante. Foi o melhor dos vinhos desta jornada. Impressionante! Nota 19 (noutras 18,5/18,5/19/19).
Fez a limpeza do palato e foi acompanhado por um saborosíssimo puré de castanhas com cogumelos e nozes.
.Calda Bordaleza - ainda com fruta, elegante e especiado, belíssima acidez, todo ele muito equilibrado, bom volume e final de boca. Para mim, o melhor Calda Bordaleza desde sempre. Nota 18 (noutra 18+).
.Qtª das Bageiras Garrafeira - austero, demasiado rústico para o meu gosto, taninos algo agressivos e demasiado adstringente. Foi a decepção da jornada. Nota 16,5 (nunca o tinha provado anteriormente).
Acompanharam um robusto lombo de bacalhau.
.Antónia Adelaide Ferreira - arma exuberante, ainda com muita fruta e juventude, notas florais, bela acidez, especiado, volume pronunciado e muito persistente. Em forma mais 5/6 anos. Nota 18,5+ (noutras 18,5/17,5+/18/18,5/18,5/18).
.Pintas - nariz contido, notas florais, fino e elegante, acidez no ponto, volume médio e alguma persistência. Esta colheita está uns furos abaixo do que seria de esperar. A beber nos próximos 2/3 anos. Nota 17,5+ (noutra 17).
Estes 2 tintos maridaram muito bem com uma excelente empada de pato.
.Taylor's 1994 - ainda com fruta e juventude, taninos firmes, algum volume e complexidade, final de boca muito longo. É um dos poucos que mereceu 100 pontos na Wine Spectator. Nota 18,5.
.Burmester 1970 - muito redondo e adocicado, alguma acidez e persisteência. Nota 17,5 (noutra 16,5).
Foram acompanhados por queijos (S.Jorge e Manchego).
.JBF Bual 1900 - cheio de saúde, frutos secos, vinagrinho, notas de iodo e brandy, algum volume e final interminável. A beber com todo o respeito. Nota 18,5+ (noutra 18,5).
Fizeram-lhe companhia bolo de mel da Madeira e um belissimo bolo de noz feito na Enoteca.
Foi mais uma grande jornada de convívio, comeres e beberes, também graças à equipa da casa, com o Ricardo nos tachos e o Nelson na sala. Serviço de vinhos 5 estrelas com copos Riedel e temperaturas rigorosas.
A propósito, a Enoteca de Belém foi destinguida o "Melhor Wine Bar do Ano" pelo Aníbal Coutinho e o Nelson foi um dos nomeados para o prémio do melhor escanção, atribuído pela revista Wine. Parabens à equipa!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Comemorar os 50 anos (versão 2016)

À semelhança dos anos anteriores fiz, no decorrer de Janeiro, uma pesquisa pelas garrafeiras da baixa, em demanda de vinhos de 1966 com que se possa comemorar o 50º aniversário de qualquer coisa, seja de nascimento, casamento, divórcio, o ano em que o Belenenses (o meu clube) foi campeão nacional ou outro pretexto. Aqui vão os resultados da minha pesquisa:
1.Garrafeira Nacional
.Barros Colheita - 124 €
.Dalva Colheita - 159 €
.Kopke Colheita - 174 €
.Krohn Colheita - 250 €
.Constantino Vintage - 250 €
.Blandy Cerceal - 215 €
.D' Oliveiras Verdelho - 149 €
2.Casa Macário
.Barros Colheita - 220 €
.Dalva Colheita - 195 €
.Kopke Colheita - 215 €
.Krohn Colheita - 340 €
.Qtª Noval Colheita - 270 €
.Croft Vintage - 330 €
3.Manuel Tavares
.Barros Colheita - 200 €
.Krohn Colheita - 218 €
4.Napoleão
.Messias Colheita - 220 €
.D' Oliveiras Verdelho - 177 €
5.Mercado Praça da Figueira
.Kopke Colheita - 174 €
6.Rei do Bacalhau
.Barros Colheita - 110 €
7.Ruao Wines
.Barros Colheita 105 €
Comentários:
.A Garrafeira Nacional e a Casa Macário continuam a ser as grandes referências para compras de vinhos mais antigos
.Há grandes discrepâncias nos preços praticados, chegando a haver uma diferença de mais de 100 €, num caso ou outro
.A garrafeira Ruao deve ter fechado (o preço é da garrafa que está na montra)
.Quanto ao Solar do Vinho do Porto, que deveria ser uma montra de tudo o que há no mundo do Vinho do Porto, mais uma vez, nada tinha do ano em causa.
Comemoremos, então, a qualquer coisa, pois a oferta é muita!
Para o ano, cá estaremos com a colheita de 1967.
Nota final - não fui às garrafeiras mais recentes ou mais afastadas do centro, daí a sua omissão.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

José António Salvador (JAS) : o mundo do vinho ficou mais pobre

O José António Salvador deixou-nos! Conheci o JAS durante o chamado PREC e ficámos amigos para sempre. Ele não tinha telhados de vidro, embora fosse, por vezes, algo fundamentalista nas suas sinceras opiniões, criando-lhe alguns inimigos.
 Além de biógrafo do Zeca Afonso, foi crítico e divulgador de vinhos, tendo publicado 13 Roteiros de Vinhos Portugueses de 1991 a 2003, 2 ou 3 Roteiros Gastronómicos e outras obras de maior fôlego. Em 20/4/2010 publiquei a crónica "Críticos e divulgadores de vinhos", onde se podem encontrar referências mais pormenorizadas à sua obra.
Começou no semanário "O Jornal", coordenando a separata "Vinhos & Gastronomia", precisamente onde o João Paulo Martins se iniciava neste mundo do vinho, tendo na introdução ao guia "Vinhos de Portugal 2014" referido "(...) José A. Salvador com quem demos os primeiros passos nesta aventura dos vinhos, de quem sempre recebi o incentivo para ir em frente (...)". Continuou na SIC e, nestes últimos anos, fazia crítica de vinhos na Visão.
Foi, ainda, o primeiro a enaltecer a excelência dos vinhos do Buçaco e, também, os da Madeira, produzidos pela empresa familiar Artur Barros e Sousa.
Em relação às Coisas do Arco do Vinho, o JAS foi uma das personalidades do mundo do vinho que nós (o Juca e eu) contactámos quando da preparação do nosso projecto. Quando abrimos a loja, o nosso portefólio de vinhos não contemplava qualquer vinho estrangeiro, o que viemos a corrigir na sequência de algumas críticas fundamentadas sobre essa lacuna, nomeadamente formuladas pelo JAS.
Termino com o título do 1º capítulo do 1º Roteiro do JAS: "O vinho é um copo de amizade". Bebamos, então, à sua memória!