quinta-feira, 31 de março de 2016

Grupo dos 3 (49ª sessão) : quando um branco ultrapassa dois tintos Prémio Excelência

Mais uma sessão deste núcleo duro de enófilos, tendo sido eu a levar os vinhos (1 branco, 2 tintos de 2009 e 1 fortificado) e a escolher o restaurante, que foi o Faz Gostos (R. Nova da Trindade,11). Este projecto nasceu em Olhão e passou por Castro Marim e Faro, antes de aparecer em Lisboa, pela mão do mentor, Duval Pestana de seu nome. Mas, neste momento, a gestão do Faz Gostos está entregue à sua mulher, Elisabete Pires, responsável pela cozinha, e à sua filha, Ana Pestana, que impera na sala.
O restaurante está muito bem entregue, com a gastronomia à altura e a gestão da sala, nomeadamente o serviço de vinhos, deveras profissional, enquanto o Duval gere um novo projecto em São Paulo.
Todos os vinhos foram provados às cegas, tendo sido previamente decantados. Desfilaram:
.Qtª dos Carvalhais Branco Especial - com base nas castas Encruzado, Gouveio e Sémillon e origem nas colheitas de 2005 e 2006, foi engarrafado em 2015 (!), tendo envelhecido 10 anos em barricas de carvalho; linda côr palha, grande complexidade aromática, frutos secos, notas florais e fumadas, belíssima acidez, alguma gordura, volume e final de boca notáveis. Apesar dos seus 14,5 % vol. não se sente o álcool. Um branco de classe mundial. Nota 18,5.
Maridou bem com as entradas (polvo laminado à galega e triologia de salgados - rissol de berbigão, pastel de massa tenra e croquete de vitela).
.Qtª dos Carvalhais Único (Prémio Excelência 2012 da RV) - 100 % Touriga Nacional; ainda com alguma fruta, acidez equilibrada, notas florais, algum especiado, fino e elegante, bom volume e final muito longo. Era a garrafa nº 1211. Pode-se esperar por ele mais 6/7 anos. Nota 18.
.Adega Mayor Siza (Prémio Excelência 2014 da RV) - 100 % Alicante Bouschet; notas de lagar, couro e tabaco, acidez fabulosa, algum volume e final de boca; mais subtileza do que potência. Em forma mais 3/4 anos. Nota 17,5.
Estes 2 tintos foram provados em simultâneo e bem acompanhados com um prato de peixe (filetes de peixe galo com arroz de lingueirão)  e um de carne (lombinhos de porco recheado com alheira de caça).
.Carcavelos Qtª do Barão Última Reserva - frutos secos, algum vinagrinho, volume e final de boca médios. Meio seco, apresenta um perfil com algumas semelhanças a um Porto tawny. Foi o elo mais fraco do almoço. Nota 17+.
Acompanhou um belíssimo toucinho do céu.
Foi mais uma boa jornada, com um branco excepcional a impor-se aos tintos. ambos Prémio Excelência, atribuído pela Revista de Vinhos. Resta dizer que os copos Schott e Walter-Glas, os decantadores e as temperaturas dos vinhos estiveram à altura dos acontecimentos.

terça-feira, 29 de março de 2016

Viagens no Reino de Baco : regresso ao passado e a propósito do José A. Salvador

1.Ainda não o tinha referido, mas cheguei a ter uma coluna no extinto vespertino A Capital, que saía aos sábados, sob o título "Viagens no Reino de Baco", a convite da directora Helena Sanches Osório.
A 1ª crónica, "Quinta do Tarrio : uma bela surpresa", saíu em 1 de Agosto de 1998 e a 42ª e última, "Tapada de Coelheiros 1996 : o desejado", em 19 de Junho de 1999, coincidindo com o falecimento da directora. O novo director, certamente abstémio, reestruturou o jornal e acabou com algumas colaborações, incluindo a minha.
Disse na minha estreia "Inicio hoje o contacto com os leitores de A Capital com esta primeira crónica sobre vinhos e as coisas que com eles se relacionam. Não sou jornalista mas, muito simplesmente um militante do vinho de há longa data. (...)".
Vem isto a propósito do malogrado José António Salvador (JAS), sobre o qual publiquei aqui, neste blogue, em 2/2/2016, a crónica "José António Salvador : o mundo do vinho ficou mais pobre". Também, nas Viagens..., a ele, ainda vivo, já me tinha referido no escrito "José António Salvador : pioneirismo, rigor e isenção", publicado em 9 de Janeiro de 1999.
2.Afirmei na crónica "O livro do Fortunato e outras divagações", publicada em 16/2/2016, que o AJS foi o único jornalista, que eu saiba, que se preocupou verdadeiramente com o serviço de vinhos na restauração, pontuando-os em conformidade.
Inspirado por ele, também entrei nessa onda, pontuando de 1 a 5 (de fraco a excepcional) as componentes lista de vinhos, copos e serviço propriamente dito (temperatura, abertura da garrafa e o modo de servir).
A título de exemplo, referi na coluna Viagens...:
.depois de zurzir em 2 restaurantes da moda, o "Espelho de Água" e o "Armazém f", entretanto já desaparecidos, referi o serviço exemplar do "Chafariz do Vinho" e do "Isaura", este já desaparecido (29 de Agosto de 1998)
.as discrepâncias de outro restaurante da moda, o São Jerónimo, já encerrado, pontuando a lista de vinhos com 4, o serviço com 3, mas os copos com 1! (já não me lembro, mas deviam ser miseráveis).

quinta-feira, 24 de março de 2016

Curtas (LXXIV) : Peixe em Lisboa, Wine Fest, um novo espaço e a RTP3

1.Peixe em Lisboa 2016
A 9ª edição deste evento, organizada pela Essência do Vinho, em parceria com o Turismo de Lisboa, cuja face mais visível é o Duarte Calvão, vai decorrer no Pátio da Galé, de 7 a 17 de Abril.
Serão 10 os restaurantes presentes: Chapitô à Mesa, Ibo, Ritz Four Seasons (estes 3 são estreantes), Nobre, Ribamar, Taberna da Rua das Flores e os espaços dos chefes Arola, José Avillez, Kiko Martins e Vitor Sobral. Para além da restauração, este evento contará com dezenas de expositores, onde podem ser provados e comprados vinhos, azeites, enchidos, queijos, conservas e doçaria tradicional.
A entrada custa 15 €, mas se for durante a 2ª feira ou de 3ª a 6ª (das 12 às 15 h), tem-se direito a 2 degustações de 5 €, 2 bebidas de 1,50 € e ao copo de prova.
Mais informações em www.peixeemlisboa.com.
2.Wine Fest 2016
Evento organizado pelo Wine Clube Portugal, clube de vinhos online, cujo fundador e responsável principal é o Luis Gradíssimo (blogue "avinhar"), que decorrerá no Salão Nobre do Hotel Ritz Four Seasons (entrada pela Rua Castilho) entre as 15 e as 20 h do dia 16 de Abril. A entrada custa 10 €, com direito a copo para as provas.
Para além da presença de 30 produtores, haverá 3 provas especiais (20 €, cada):
.Colares: passado e presente
.Castelão: a tradição da Península de Setúbal (com o produtor e enólogo António Saramago)
.O Vinho da Madeira e a Tinta Negra (com responsáveis da casa Barbeito).
3.The Wine Cellar
Abriu recentemente na zona do Cais Sodré (Rua São Paulo,49) o The Wine Cellar, que é o segundo espaço do Grapes & Bites, situado no Bairro Alto, considerado pela Revista de Vinhos o melhor Wine Bar do ano.
4.A RTP3
Já aqui anunciado a RTP3 transmite aos domingos às 14h45 (já foi às 14h15), um programa da responsabilidade de Essência do Vinho, dedicado ao mundo do vinho e da gastronomia. O último transmitido foi com o Pedro Araújo, da Qtª do Ameal, o qual ainda pode ser visto.
Mas, por exemplo, no domingo anterior não deu, embora tivesse sido anunciado. E não foi a primeira vez. O aspecto negativo disto é que os enófilos interessados neste tipo de programa, acabam por desistir de o ver, tantas têm sido as alterações.

terça-feira, 22 de março de 2016

Wine Not? : petiscos e vinhos Ermelinda Freitas

Abriu recentemente no Chiado (Rua Ivens,45) este espaço de petiscaria em parceria com a Casa Ermelinda Freitas, que tem o monopólio da oferta vínica. O Wine Not?, cujo subtítulo é Wine & Tapas, é um espaço simpático e só não digo muito confortável, devido à presença de alguns grandes sofás altamente desconfortáveis (almofadões para encostar as costas, precisam-se!). O ambiente, esse sim, potencia o desejo de beber um copo, face aos posters alusivos ao produtor e às 500 garrafas (vazias, claro) que fazem de candeeiros de tecto. No exterior, uma pequena esplanada para os dias soalheiros.
A aposta forte da casa é na petiscaria, podendo-se escolher entre 16 petiscos propriamente ditos e 3 tábuas de queijos/enchidos. De 2ª a 6ª feira, ao almoço, têm 2 pratos do dia (peixe e carne) a 6,90 €.
Numa das visitas fui para um dos pratos do dia, bifinhos de porco com batata salteada e molho bulhão (saboroso, mas confesso que não consegui descobrir a sabor do molho), mas noutra visita centrei-me nos petiscos, que é o que vale a pena experimentar. Vieram para a mesa uma dose de croquetes artesanais com emulsão de mostarda (3 peças, 4 €) e outra de trufas de alheira no forno com ovo de codorniz e grelos (4 peças, 5 €). Muito bem apresentados, estes petiscos estavam divinais.
Num dos dias experimentei o couvert (manteiga de azeitão, azeite esporão e azeitonas; a propósito, para onde se cospem os caroços?) e no outro uma excelente sobremesa, bolo mousse de chocolate com gelado de natas e nougat (3,50 €).
Quanto a vinhos, inventariei 2 espumantes, 4 brancos, 7 tintos, 1 rosé, 1 moscatel e 1 aguardente, uma parte das referências da Ermelinda Freitas (não têm o Leo d' Honor nem os Qtª da Mimosa). Cada vinho tem 3 preços(a copo, garrafa para consumir e garrafa para levar), aliás bem sensatos. Por exemplo, os preços praticados para a T. Nacional são 3,50/14/8 €, respectivamente.
Em cada uma das visitas provei, um vinho a copo, a saber:
.Ermelinda Freitas Touriga Nacional 2012 (3,50 €) - aroma intenso, fruta preta, notas florais, acidez equilibrada, algum volume e final de boca. Uma boa surpresa. Nota 17.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar em quantidade correcta, num bom copo Spiegelau, embora a temperatura (18º) estivesse nos limites. Era preferível que viesse a 15º/16º, pois na passagem para o copo sobe logo 1 ou 2º.
.Ermelinda Freitas Sauvignon Blanc 2014 (3,50 €) - nariz evidente, presença de citrinos e espargos não agressivos, fresco com acidez q.b., alguma gordura e volume. Outra boa surpresa. Nota 17.
A garrafa veio à mesa, mas o vinho não foi dado a provar. Disseram-me que a garrafa já tinha sido aberta e provada anteriormente. Eu percebo a idéia, mas já me aconteceu apanhar cheiro a rolha numa garrafa que já tinha sido servida a outras pessoas. Mais, a quantidade estava nos mínimos do aceitável.
O critério devia ser igual para todos os empregados, o que pareceu-me não acontecer.
Uma nota final para o dono/gerente/chefe de sala, João Ribeiro de seu nome, sempre presente e dialogando com a clientela, o que raramente acontece noutros espaços. Ponho à sua consideração os pormenores a precisarem de alguma afinação.
Resumindo e concluindo, o Wine Not? é um espaço obrigatório para os enófilos, militantes ou não, frequentarem. Recomendo e tenciono voltar.

sábado, 19 de março de 2016

Vinhos em família (LXIX) : surpresas e uma decepção (relativa)

Mais uma série de vinhos (3 tintos e 1 Moscatel) provados em família, sem a pressão da prova cega:
.Hero da Machoca 2001 (uma marca já desaparecida, oferta do meu amigo Juca) - com base na casta Castelão, vinificado em lagar e estagiado em barricas de carvalho; aromas terciários, ainda com alguma acidez, especiado, notas de couro, taninos redondos, volume médio e bom final de boca; perdeu o fulgor da juventude, mas ganhou a sabedoria da velhice. Pena foi a rolha se ter desfeito completamente. Nota 17,5 (noutra situação 16,5+).
No rótulo consta "Lote especial e limitado do 10º aniversário das Coisas do Arco do Vinho (Setembro 2006). Muitas felicidades e continuação de um bom trabalho". Resta acrescentar que esta simpática atitude foi do produtor (Artur Oliveira), coadjuvado pelo enólogo responsável (António Saramago). Bem hajam!
.CARM CM (Celso Madeira) 2007 (garrafa nº 4628 de 4658) - com base nas castas T. Nacional (predominante), Tinta Roriz e Touriga Franca, estagiou 18 meses em barrica e 30 em garrafa (4 anos, ao todo, é obra!); o CM é o topo de gama deste produtor - nariz fechado, já sem fruta, notas vegetais/químicas, algum couro, final de boca extenso. Mais potente que elegante, está numa fase intermédia e é melhor esperar por ele mais 4/5 anos. Nota 17,5 (noutra 18,5).
.Qtª da Fronteira Selecção do Enólogo 2011 - com base nas castas T. Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; aroma floral, fresco e elegante, notas especiadas, acidez equilibrada, taninos finos, algum volume e final de boca. Excelente relação preço/qualidade. Nota 17.
.Bacalhôa Moscatel Roxo Superior 2002 (Prémio Excelência da Revista de Vinhos, em Fevereiro 2016) - envelheceu cerca de 10 anos em barris de carvalho usados na maturação de whisky de malte; frutos secos, casca de laranja, notas de mel, acidez equilibrada, alguma complexidade, gordura e volume, bom final de boca. É difícil encontrar outro moscatel com esta qualidade, a um preço abaixo dos 20 €. Nota 18.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Eu vim de longe...: hoje é o dia da 1000ª crónica

Hoje não tenho nada para dizer, nem crítica de vinhos provados, nem crítica sobre o serviço de vinhos em espaços de restauração, nem sobre jantares vínicos ou almoços com amigos, nem histórias passadas comigo quando ainda estava no activo nas Coisas do Arco do Vinho. Rien de rien...
Apenas quero referir que, entre crónicas, croniquetas ou simples notícias, cheguei hoje às 1000.
Como canta(va) o José Mário Branco:
"(...) Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei p'ra 'qui chegar (...)".
O caminho foi longo e quanto a balanços, não vale a pena acrescentar algo mais, pois há cerca de 1 ano foram publicadas 4 crónicas em 19, 21, 22 e 24 de Março de 2015, sob o título "19/3/2010 - 19/3/2015 : 5 anos a blogar", um apanhado do que fui escrevendo ao longo dos anos.

terça-feira, 15 de março de 2016

Curtas (LXXIII) : Pátio Alfacinha e Atalho revisitados

1.Páteo Alfacinha
Já foi objecto de crónica em 18/8/2015 (ver "Curtas (LXIV)...") na sua versão de verão, a dar pelo nome de Horta. Agora, no inverno, passa a ser Mercearia, um espaço coberto e confortável, onde se encontra a loja onde vendem vinho e outros produtos (nalgumas garrafas havia diferença de preços entre o expositor e a carta, certamente por lapso).
Em prato aquecido comi um delicioso arroz Calaparra de peixe e mariscos, antecedido de um agradável couvert. Serviço eficiente e atencioso (com o café vieram uns bolinhos de oferta).
Quanto a vinhos, registei um retrocesso em relação à primeira visita, pois a copo (estou a referir-me a brancos, mas o mesmo acontece com os tintos) só tinham o vinho da casa, o Montinho de São Miguel (3 €, que deve ser o preço de uma garrafa), demasiado simples e francamente desinteressante. Nota 12,5.
A reserva da mesa foi feita através do site The Fork (que comprou a Best Tables), acumulando pontos, o que dará direito a um desconto ao fim de umas tantas marcações.
2.Atalho
Também já foi referido aqui em 20/6/2015 (ver "Atalho Real..."). A música, bem por cima das nossas cabeças, estava aos berros, mas baixaram-na a pedido. Serviço simpático e super rápido.
Desta vez experimentei a picanha no prato com 2 acompanhamentos (12 €): gratin dauphinois (rodelas de batatas gratinadas, com natas e orégãos, mas que não dei por eles...) e coleslaw (couve, cenoura e maçã com molho maionese). Estava tudo bom, mas a maminha provada na primeira visita era melhor.
Quanto a vinhos, a lista é curta, sem indicação dos anos de colheita e oferece uma meia dúzia a copo.
Optei pelo tinto Palhacanas 2011 (3,50 €) - ainda com muita fruta, acidez nos mínimos, taninos de veludo, algum volume e final de boca. Nota 16,5. A escolha deste vinho foi mais por curiosidade, pois me lembrava que foi um dos vinhos mais procurados nos primeiros tempos do arranque das CAV, por ter sido elogiado num programa noticioso da BBC.
A garrafa veio à mesa, o vinho dado a provar num bom copo e servido em quantidade generosa, com a temperatura nos limites (a meio do almoço, já estava quente...).

quinta-feira, 10 de março de 2016

Jantar Qtª da Casa Amarela (edição 2016) : Laura Regueiro, a alma do negócio...

1.A propósito da presença da Laura Regueiro
Participei em mais um jantar com a Qtª da Casa Amarela *, organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, com a presença da produtora Laura Regueiro, que tem sido, ao longo dos anos, a alma do negócio. Muito simpaticamente referiu-se à estreita ligação que teve com as CAV e seus donos (o Juca e eu, que ficámos sentados ao seu lado, por deferência dos organizadores).
Este evento decorreu, da melhor maneira, no restaurante Sem Dúvida, no qual votei para o TOP 10 restaurantes, no âmbito da iniciativa do blogue Mesa Marcada. Gastronomia correcta e serviço de vinhos exemplar, sob orientação do Sérgio (o dono do espaço?).
Ao longo dos 6 anos de existência do blogue enófilo militante, referi a nossa (do Juca e minha) ligação institucional e de amizade pessoal com a Laura Regueiro, uma mulher dinâmica e hiper activa, tendo-a citado em diversas crónicas publicadas aqui:
.as nossas visitas à Qtª da Casa Amarela, já depois de nos termos reformado das CAV, concretamente em "Rescaldo da ida ao Douro (V)" (22/7/2011) e "Matar saudades..." (16/5/2012)
.a participação da Laura Regueiro numa das nossas sessões de provas de vinhos, que ocorreu chez Juca/Lena, em "Novo Formato+ (6ª sessão)" (26/6/2012)
.a propósito de uma das edições do "Vinho no Feminino", das quais a Laura Regueiro foi a grande impulsionadora, em "Um dia com a Margarida Cabaço" (3/7/2012)
.por ter feito um depoimento na brochura comemorativa do nosso 10º aniversário **, em "Lembrando o 10º aniversário das CAV" (15/10/2012).
2.O jantar, propriamente dito
Depois desta longa, mas oportuna introdução, vamos aos comes e bebes. Desfilaram:
.Qtª da Casa Amarela 2015 rosé - austero e gastronómico, foi a bebida de boas vindas e acompanhou, na perfeição, uns bolinhos de carne e peixinhos da horta.
.II Terroir 2014 - com base num lote de castas tradicionais do Douro e noutro com Alvarinho da Qtª do Regueiro; fresco e mineral, frutado, notas fumadas, algum volume e final de boca; é um branco original cheio de personalidade, mas que só se mostra plenamente ao fim de 3/4 anos. Curiosamente, foi o vinho mais votado pelos participantes. Nota 17,5.
Harmonizou bem com um robalo estaladiço com molho de lima e puré de ervilhas.
.Qtª da Casa Amarela Km 12 Selection 2012 - com base maioritariamente na casta Touriga Nacional, estagiou 6/7 meses em barricas novas (50 %) e usadas (50 %); notas vegetais, acidez no ponto, alguma elegância, taninos civilizados, volume médio e final curto. Nota 16.
.Qtª da Casa Amarela Reserva 2013 - com base nas castas Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinto Cão, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; fruta presente, acidez equilibrada, notas especiadas, taninos espigados, volume e final médios; gastronómico, precisa de comida por perto; ainda na força da juventude, há que esperar por ele. Nota 17.
Estes 2 tintos acompanharam uma vazia de novilho estufada com redução de vinho tinto, mas só o Reserva se aguentou com o prato. O Km 12 passou por baixo...
.PL/LR Velho Mundo 2009 - com base num lote alentejano de Alicante Bouschet e dum lote duriense com as castas do Reserva, num conjunto dominado pelo primeiro lote; aroma intenso, notas florais e alguma fruta, um toque a garrafa, acidez equilibrada, algo especiado e adstringente, volume e final de boca apreciáveis. No ponto para ser bebido. Nota 17,5.
Conflituou com a tábua de queijos.
.Qtª da Casa Amarela 10 Anos - frutos secos, notas de iodo, acidez correcta, taninos presentes, algum volume e final de boca; com um estilo mais próximo de um 20 Anos, foi prejudicado por ter sido servido com uma temperatura acima do recomendável. Nota 17,5+.
Ligou muito bem com tarte de amêndoa crocante.
Foi com este vinho que as CAV iniciaram uma longa e profícua parceria com a Qtª da Casa Amarela.
Notas:
* - o primeiro foi objecto da crónica "Jantar Qtª Casa Amarela" (edição 2014), publicada em 8/3/2014
** - foi com esta versalhada, o depoimento  da Laura Regueiro:

Quem pode sentir descanso
Sem gozar desta ventura
De lembrar ao pensamento
Aniversários com ternura.

Na CAV há uns "senhores"
Que queremos felicitar
Pelas coisas que no Arco
Do Vinho souberam criar.

Profissionais de gabarito
Num espaço d' encantar
Um é grande, outro é pequeno
Mas sempre os dois a girar.

Conhecê-los foi um prazer
Dos prazeres que a vida tem
Mas tenham cuidado com eles
Que discutem ao vintém...

Jorra vinho com amor
Em discurso de paixão
Num copo de mil sabores
Onde reina a gratidão.

terça-feira, 8 de março de 2016

Lisboa Restaurant Week : Reserva by Olivier, prós e contras...

Nesta edição do LRW, estava inscrito em 2 restaurantes, o Faz Gostos e este Reserva by Olivier. Só que uma arreliadora sinusite, que me obrigou a tomar um antibiótico, fez-me cancelar a ida ao Faz Gostos e inibiu-me de beber vinho no segundo espaço. Mas ficam aqui as minhas impressões (prós e contras) do Reserva by Olivier.
Ambiente informal mas, simultaneamente, algo requintado. Mesas completamente despojadas, mas com guardanapos de pano. Portas de acesso à varanda a ficarem abertas com muita frequência, provocando incómodas correntes de ar a quem estava na sala. Só se resolveu quando uma empregada mais inteligente resolveu fechar uma das portas interiores, mesmo junto à mesa onde me encontrava.
Começando pelo menú, tanto a entrada (trilogia: alheira de caça, salada Waldorf e salmão curado) como a sobremesa (toucinho do céu, que foi substituído por petit gateau com gelado, sem que tivesse sido alterada a ementa) não tinham alternativa. Apenas no prato prato principal se podia optar entre o folhado de garoupa, gambas e espinafres e o linguini de trufa e parmesão. Em má hora, escolhi este prato vegetariano que não tinha qualquer sabor. Mas quem escolheu o folhado também não o elogiou.
Resumindo, a gastronomia do Reserva by Olivier não é o seu ponto forte.
O que me surpreendeu fortemente foi a aposta no sector vínico. Inventariei 9 brancos, 45 tintos e 3 rosés, numa carta que lamentavelmente não inclui os anos de colheita. A copo, a oferta é mais que generosa, pois pode-se escolher entre os 48 vinhos que se encontram nas 6 máquinas Enomatic, cujas temperaturas (15º e 7º) são as adequadas aos tintos e brancos, respectivamente.
Para a mesa vieram 2 copos do tinto Passagem Reserva 2012 (tinham dito que era de 2013, mas afinal não era!), a valerem 5 € cada, um preço justo atendendo ao espaço.
Ainda mais surpreendente é a aposta nos grandes formatos, onde se encontram disponíveis 12 magnum, 4 de 3 litros e 3 de 5 litros. É obra!
Mas, por outro lado, os espumantes e os fortificados (quando questionado o empregado, não sabia o significado desta expressão!) só constam na lista do bar, o que inviabiliza a hipótese de se acompanhar a refeição com um espumante. Mais uma contradição deste Olivier.
O serviço é deveras simpático (substituiram uma das sobremesas, a pedido), mas algo descoordenado (só cobraram os vinhos, depois de termos chamado a atenção para essa omissão).
Como nota final, verifiquei que a maioria dos clientes presentes ou eram turistas ávidos de sol (e estavam na varanda) ou eram nacionais do tipo que estavam ali para serem vistos (e estavam na sala).
Concluindo, este Reserva é um espaço de prós e contras, que tanto pode cair para o lado bom como descambar para o outro lado.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Mercado da Ribeira : matar saudades de vez em quando


O Mercado da Ribeira é um dos meus refúgios, onde abanco quando estou disponível e sem compromissos para visitar outros espaços. E isto, apesar de alguma incomodidade provocada pelas correntes de ar nesta altura do ano, problema que a Time Out ainda não conseguiu resolver. Últimas visitas:
1.Marlene Vieira
Há já algum tempo, fui matar saudades na banca da Marlene Vieira, onde comi um inesquecível e excelente arroz cremoso de berbigão à Bulhão Pato com tataki de espadarte rosa (10 €).
A sobremesa, fui buscá-la à Cozinha da Felicidade, uma saborosa tarte de alfarroba (2 €).
Quanto à bebida, abasteci-me no Bar da Odete, tendo optado por um copo de Prova Régia Reserva 2014 (2,50 €) - muito frutado e fresco, notas minerais, boa acidez, algum amanteigado e persistência final. Excelente relação preço/qualidade e servida uma boa quantidade. Nota 16,5.
2.O Prego da Peixaria
Nunca tinha abancado aqui e tinha alguma curiosidade, até porque não conheço a casa mãe no Príncipe Real. Escolhi o Rockabilly (8,50 €) e batatas onduladas a que chamam Marilyn (1,50 €). Este prato é à base de carne do lombo, queijo de Azeitão (só se vislumbra com uma lupa...), compota de cebola e moscatel, tudo em bolo do caco. Agradável, mas sem deslumbrar.
Quanto ao vinho, fui mais uma vez ao Bar da Odete, onde optei por um copo do tinto Prazo de Roriz 2012 (4 €) - alguma fruta e acidez, rusticidade q.b., taninos bem presentes, volume e final de boca médios. Deverá afinar com a idade. Nota 16.
A sobremesa foi um apetitoso pastel de nata (1,50 €), comprado na recente Padaria do Mercado.
3.Outros
Quando me desloco ao Mercado da Ribeira, aproveito para comprar e levar para casa os fabulosos croquetes da Croqueteria que vão servir de base ao meu jantar. O tradicional e o de alheira (1,50 € cada) são os meus preferidos. Na última visita, também levei o de perdiz com cogumelos do bosque (2 €), mas a diferença na qualidade não justifica o preço.
Mais recentemente, experimentei provar uma viruta (1,50 €) na Manteigaria Silva. É uma agradável tostinha com presunto, muito procurada pelos turistas que, cada vez mais, enxameiam o Mercado da Ribeira.
4.Skrei Fest
Até ao final de Abril, este bacalhau da Noruega pode ser provado nalgumas bancas do Mercado da Ribeira, com pratos especialmente preparados pelos respectivos chefes, nomeadamente no Alexandre Silva, Asian Lab, Confraria do Sushi, Henrique Sá Pessoa, Marlene Vieira, Miguel Castro e Silva, Sea Me e Tartar-ia.

terça-feira, 1 de março de 2016

Novo Formato+ (22ª sessão) : 1 Madeira de excepção e quando os brancos ultrapassam os tintos

Após um longo interregno, ocasionado por problemas de saúde de alguns dos participantes, este grupo de enófilos voltou a reunir-se. Os anfitriões foram o casal Juca/Lena que disponibilizaram os vinhos (1 espumante, 2 brancos, 3 tintos de 2008 e 1 Madeira) e escolheram o restaurante principal do Corte Inglês para a função.
Este restaurante, quando do balanço de 2015, fez parte do meu TOP 10 espaços de restauração, tendo ainda sido incluido na minha lista dos melhores, no âmbito da votação organizada pelo blogue Mesa Marcada. A gastronomia esteve a cargo do chefe Luis Filipe e o serviço de vinhos, inexcedível de profissionalismo, foi da responsabilidade do João Alferes. Eu, por mim, promovia-o já a tenente ou graduava-o em capitão!
O vinho de boas vindas foi o espumante Soalheiro Alvarinho 2014, muito fresco e de bolha finíssima, a portar-se à altura dos acontecimentos. Em seguida desfilaram:
.Pai Abel 2010 branco - fresco e mineral, presença de citrinos, notas fumadas, acidez equilibrada e muito elegante. Nota 17,5+ (noutras situações 18/17,5+/17,5/16,5+/17,5).
.Qtª da Sequeira Grande Reserva 2011 branco - ligeiramente oxidado, acidez presente, alguma gordura, volume e complexidade. Nota 18 (noutras 18/17,5+/18).
O Pai Abel ligou na perfeição com um robalo marinado e ovas de salmão, enquanto que o Qtª da Sequeira brigou com este prato (estava perfeito para fazer companhia a um pargo no forno ou a um queijo no final da refeição).
.Solar dos Lobos Grande Escolha - 1º Prémio da Confraria dos Enófilos do Alentejo; com base nas castas Alicante Bouschet e T. Nacional; algo mineral, acidez no ponto, taninos ainda presentes, algum volume e final de boca. Nota 17,5+ (noutras, também, 17,5+/17,5+).
.Leo d' Honor - com base na casta Castelão, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; acidez equilibrada, especiado, algumas notas animais, taninos adocicados, algum volume e final de boca. Nota 17,5 (não encontrei qualquer registo de outras provas).
.Vallado Reserva - estagiou 17 meses em barricas de carvalho francês; nariz não muito limpo, excelente acidez, algo rústico, algum volume e final longo. Um Vallado atípico. Nota 17,5 (noutras 18+/17,5+).
Estes 3 tintos, que não entusiasmaram, acompanharam um cachaço de novilho estufado.
Finalmente, o repasto fechou com chave de ouro, com o FMA Bual 1964, um Madeira que eu levaria para uma ilha deserta. Dispensa apresentações. Nota 19 (das 17 garrafas que já provei, 3 tiveram 19, 6 chegaram aos 18,5+ e outras tantas 18, ainda 1 com 18+ e outra a ficar-se nos 17,5, presumindo que nesse dia eu estivesse deveras mal disposto!).
Grande jornada de convívio, comeres e beberes. Obrigado Lena! Obrigado Juca!