terça-feira, 31 de maio de 2016

Provar vinhos com o Rui Reboredo Madeira (RRM)

Pela 1ª vez participei numa "Grande Prova Anual Rui Reboredo Madeira" que foi a sua 3ª edição e decorreu no Hotel Altis Belém. O autor, simultaneamente produtor e enólogo, saíu do projecto familiar (a CARM) e está a correr por conta própria.
Estavam em prova 44 vinhos (2 espumantes, 16 brancos, 18 tintos, 2 rosés e 6 fortificados (Porto, obviamente) que representavam 8 marcas (by Rui Madeira, Castello d´Alba, Beyra, Qtª da Pedra Escrita, Qtª de Fafide, Qtª da Cassa, Qtª do Côa e Espírito do Côa). A maior parte era Douro, mas a Beira Interior também estava representada, tendo a região dos Vinhos Verdes uma quantidade residual.
Destes 44, só consegui provar 14, pois o meu palato saturou-se demasiado rápido, talvez porque, como disse o Rui Miguel no blogue "pingas no copo", a propósito dos vinhos Ermelinda Freitas, alguns dos vinhos do RRM eram demasiado parecidos uns com os outros, um perigo para quem faz um número excessivo de referências, algumas perfeitamente dispensáveis, como é o caso.
De qualquer modo destaco, no âmbito dos vinhos provados, o by Rui Reboredo Madeira Alvarinho 2013 e os tintos by Rui Reboredo Madeira 2013 (amostra de casco), Beyra Superior 2012 e Qtª do Côa Reserva 2013. E logo a seguir o branco Qtª da Pedra Escrita 2014 e os tintos Beyra Superior e Reserva 2013.
Quanto à organização, a sala era ampla mas os tintos estavam à temperatura ambiente, o que os prejudicou. Mais, desejo ao Rui Reboredo Madeira os maiores êxitos e apelo que reduza a quantidade de referências, separando o trigo de algum joio.

sábado, 28 de maio de 2016

Vinhos em família (LXXII) : continuando com a colheita 2008

Mais 4 vinhos (2 brancos 2013 e 2 tintos 2008) degustados sossegadamente em casa, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. Dois confirmaram a expectativa que tinha sobre eles e os outros dois ficaram aquém do esperado. Ei-los:
.Inspirações Reserva 2013 - lançado para comemorar os 25 anos do Clube 1500 da Sogrape, com base nas castas Arinto (60 %) e Viosinho (40 %); estagiou 12 meses em barricas e mais de 1 ano em garrafa; aroma austero, alguma acidez e secura a fazer lembrar alguns brancos da Andaluzia, notas de fruta de caroço, madeira ainda por casar, volume considerável, mas pouco equilibrado de momento. Esperava mais. Nota 16.
.Morgado Stª Catherina Reserva 2013 (91 pontos na Wine Enthusiast) - um festival de aromas de citrinos e algum tropical, acidez própria da casta Arinto, notas amanteigadas, madeira bem casada, volume e final de boca consideráveis. Excelente relação preço/qualidade. Nota 17,5+.
.Charme 2008 - nariz contido, fresco e elegante, taninos suaves, volume e final de boca médios. Muito ao estilo borgonhês e longe do nosso palato, a beber nos próximos 6/7 anos. Omisso quanto a castas utilizadas e tempo de estágio em barrica e na garrafa (não tem contra-rótulo, uma mania do Dirk que não se entende). Nota 17.
.DODA 2008 - classificado como vinho de mesa (burocracias do IVV que, também, não entendo); nariz presente, frutado e especiado, acidez no ponto, fino e elegante, taninos sedosos, volume e final de boca apreciáveis. Em forma mais 6/7 anos. Nota 18.
Vale a pena ver o rótulo e o que dizem do vinho os seus autores Álvaro de Castro ("fino, expressivo e complexo") e Dirk van Niepoort ("encorpado, rico e taninoso").
De notar que à excepção do Morgado (com 14 % vol de álccol), todos os outros se ficaram pelos 13,5 % vol de álcool, o que é de louvar.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Pap' açorda : do Bairro Alto para o Mercado da Ribeira

Fui recentemente "descobrir" o novo Pap' açorda que se instalou no 1º piso do Mercado da Ribeira. Quando se entra, directamente para a sala dos não fumadores, depois de se ter de fazer alguma força para a grande porta se abrir, é-se agredido pela música de fundo, o que só apetece voltar para trás. Manteve-se assim, mesmo depois de ter solicitado para a baixarem, durante algum tempo, só acalmando já eu ia a meio do almoço. Francamente!
Este restaurante tem uma ementa alargada, mantendo-se parte dos pratos do Bairro Alto e avançando com algumas novidades. Fixei-me nos petiscos, tendo pedido um pastel de massa tenra (2,50 €), um croquete de vitela (2 €), pezinhos de coentrada (5,50 €) e torricado de enchidos (4,50 €), antecedidos de um bom couver (3 tipos de pão, azeitonas e 1 mini pastel de massa tenra, tudo por 2,50 €). Nota alta para os pastéis e, sobretudo, para os pezinhos que estavam uma delícia.
Quanto a vinhos, o Pap' açorda apostou forte num espaço climatizado  para cerca de 500 garrafas (!), bons copos e uma selecção criteriosa, com especial incidência no Douro e Alentejo.
Inventariei  3 espumantes (2 a copo), 8 champanhes (3), 32 brancos (12), 4 rosés (2) e 37 tintos (8). Os vinhos verdes estão separados dos brancos, o que não se entende. Mais: os fortificados não constam na lista, tendo sido desterrados para a carta do bar a qual também inclui colheitas tardias.
A ignorância dos empregados no que toca a vinhos é gritante, pois não me souberam responder a perguntas tais como a capacidade e a que temperatura estava o espaço térmico. Lá me empurraram para um senhor que sabia essas coisas mas, quando o questionei quanto à omissão dos vinhos fortificados, fez um ar espantado, perguntando-me o que era isso. Fiquei esclarecido!
Optei pelo tinto Assobio 2014 (4,90 €, uma exorbitância, mas barato se comparado com os outros vinhos a copo!) - muito frutado, alguma acidez, muita juventude e alguma agressividade, volume e final de boca médios. Pouco interessante. Nota 15.
 A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num copo sofrível (que trocaram pelo bom copo que estava na mesa. Temperatura e quantidade correctas.
Serviço, além de ignorante no que toca a vinhos, distante e impessoal. Estamos conversados...e não tenciono voltar.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Jantar Malhadinha & CARM

Mais um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas que escolheu o restaurante Faz Gostos, cujas responsáveis são mãe (Elisabete Pires, na cozinha) e filha (Ana Pestana, na sala). Apresentaram os vinhos a Filipa Silva (Malhadinha) e o João Paulo Reboredo (CARM), tendo ainda participado o Celso Madeira, o expoente máximo da CARM.
A gastronomia, exceptuando o polvo (as batatas não ajudaram), estava francamente boa e o serviço de vinhos, com um copo para cada néctar e temperaturas adequadas, esteve à altura dos acontecimentos. Pena foi que repasto se tivesse prolongado para além do razoável, por ventura consequência do número reduzido de pessoas envolvidas no serviço.
Na mesa o excelente azeite CARM Grande Escolha Bio. Quanto aos vinhos provados, desfilaram:
.Monte da Peceguina 2015 Rosé - com base nas castas Touriga Nacional e Aragonês e 12,5 % vol de álcool; muito frutado e aromático, acidez equilibrada, final de boca ligeiramente adocicado. Nota 15+.
Cumpriu a sua função de bebida de boas vindas e harmonizou bem com os rissóis de berbigão (excelentes, por sinal).
.Verdelho da Peceguina 2015 Branco - 13 % vol de álcool; nariz austero, presença de citrinos, notas vegetais acentuadas, alguma acidez e final de boca amargo. Abaixo das expectativas. Nota 15.
Acompanhou uma bela sopa de ameijoas.
.CARM Maria de Lourdes 2011 Branco - com base em uvas biológicas e 13 % vol de álcool; aromático, citrinos e fruta madura (melão e pêssego), muito fresco e mineral, alguma gordura e volume, final de boca extenso. Se provado às cegas, não teria acertado com o ano de colheita. Uma boa surpresa! Nota 17,5+.
Maridou com um polvo de Santa Luzia com batata doce, que não esteve à altura muito por culpa das batatas meio enresinadas.
.Malhadinha 2013 - com 14,5 % vol de álcool, foi vinificado em lagares com pisa a pé e estagiou 14 meses em barricas novas de carvalho francês; muito frutado e vinoso, acidez equilibrada, taninos vigorosos mas civilizados, algum volume e final de boca adocicado; perfil muito alentejano, vai melhorar com a idade. Nota 17.
Harmonizou bem com uma excelente perna de cordeiro assada.
.CARM Maria de Lourdes 2011 - com base nas castas T. Nacional (70 %) e T. Franca (30 %) e 15 % vol de álcool (algo excessivo); aroma intenso, fruta ainda presente, notas de esteva, tabaco e couro, acidez nos mínimos, taninos afirmativos, bom volume e final de boca persistente. Nota 18.
Ligação arriscada com um queijo de ovelha amanteigado, passou no exame.
.Malhadinha Colheita Tardia 2012 -  com 11,5 % vol; nariz austero, notas de laranja, déficite de acidez, volume assinalável mas algo pastoso. Perfil muito afastado da maioria dos colheitas tardias que conheço, foi uma desilusão. Péssima relação preço/qualidade. Nota 14,5.
Fez companhia a um bolo fofo de chocolate com nozes.
Resumindo e concluindo, foi um bom evento vínico sendo de destacar os dois Maria de Lourdes 2011, o branco e o tinto. Teria sido mesmo excelente, não fora o evento ter acabado já no dia seguinte...

sábado, 21 de maio de 2016

Curtas (LXXVI) : de tudo um pouco

1.Fugas
O Fugas de hoje é integralmente dedicado ao vinho. Ao longo das suas 64 páginas, a par de outros artigos, desfilam figuras emblemáticas do mundo do vinho, tais como Francisco Olazabal, Rogério de Castro, Manuel Vieira, Miguel Louro  e  Margarida Cabaço.
Indesculpável não comprar o Público!
2.Rota de Tapas
Começou no dia 18 de Maio e terminará em 5 de Junho, a 7ª edição da Rota de Tapas.  Aderiram 57 espaços de restauração de Lisboa, que disponibilizam, por 3 €, uma tapa e uma cerveja Estrella Damm.
É de aproveitar!
3.Sem Dúvida revisitado
Já aqui referido por diversas vezes, entre outras em "Curtas (XLIII) ...", crónica publicada em 11/11/2014. Não me canso de elogiar, a sua componente vínica, apresentando uma carta de vinhos do melhor que conheço em Portugal, a par da oferta gastronómica. Ainda recentemente comi umas fabulosas lascas de bacalhau, acompanhadas por uma garrafa do gastronómico branco Castello d' Alba Grande Reserva Vinhas Velhas 2014, uma excelente relação preço/qualidade.
Obrigatório conhecer!


quinta-feira, 19 de maio de 2016

Almoço com Quintas de Melgaço

1.Introdução
A convite do produtor Quintas de Melgaço (uma espécie de cooperativa, onde a Câmara Municipal de Melgaço tem 60 % do capital), participei num almoço que decorreu no afamado Solar dos Presuntos, tendo o Director Geral (Pedro Soares) e a enóloga residente (Virgínia Rainho) feito a apresentação de alguns vinhos do respectivo portefólio (2 espumantes e 2 vinhos tranquilos).
O universo de participantes contemplava diversos órgãos de comunicação social, nomeadamente a Revista de Vinhos (representada pelo João Paulo Martins), Enovitis Oleavitis, Escanção (Maria João Almeida), Paixão pelo Vinho, Epicur, TVI, Diário Económico, GQ Magazine, Boa Cama Boa Mesa, Hiper Super, Distribuição Hoje, Grande Consumo e o free lancer Miguel Dentinho. Quanto à blogosfera, apenas os responsáveis por 4 blogues (Avinhar, Comer Beber Lazer, Enófilo Militante e João à Mesa), uma ínfima parte deste universo, tendo ficado de fora alguns cuja leitura é obrigatória.
2.Os vinhos e os comeres
Foram apresentados os seguintes vinhos QM, todos com base na casta Alvarinho, a melhor casta branca portuguesa e que se está a espalhar por esse mundo fora:
.Espumante QM Super Reserva 2012 - bolha persistente, notas de pão cozido, acidez equilibrada, excesso de gás no primeiro embate, mas que se vai atenuando ao longo da prova. Nota 15.
Serviu de vinho de boas vindas, mas também acompanhou uma série de entradas (queijos da Ilha e Azeitão, paio, presunto, lampreia de escabeche, ameijoas e polvo à galega). Tudo com nota alta, à excepção do presunto (mal cortado) e da lampreia (com excesso de vinagre).
.QM Vinhas Velhas 2015 - nariz contido, presença de citrinos, notas vegetais, acidez equilibrada, volume médio e final curto. Acabado de engarrafar, é pura pedofilia bebê-lo agora. Nota 15,5 (a rever daqui a 2/3 anos).
Também acompanhou as entradas e fez a ponte para o prato principal.
.QM Homenagem 2014 - aroma mais presente, citrinos, notas florais, bela acidez, madeira discreta, algum volume e final de boca. Gastronómico, ainda vai melhorar com mais 3/4 anos. Um ano a mais que o vinho anterior, fez toda a diferença. Nota 17.
Maridagem perfeita com o excelente arroz de lavagante, um ex-libris da casa.
.Espumante QM Velha Reserva 2011 - aroma complexo, gás inicialmente excessivo, notas de pão a sair do forno, acidez no ponto e alguma estrutura. Nota 16.
Não harmonizou com a sobremesa (pão de ló, queijo da Ilha e fruta). Gostava de o experimentar com outro tipo de comida.
Foi pena não termos provado o QM Vindima Tardia 2014. Teria ligado bem melhor com a sobremesa, é o meu palpite.
Vale a pena navegar no site do produtor, bem concebido e atractivo. Pena que sejam pouco ambiciosos quanto à longevidade dos seus alvarinhos (2 a 4 anos para o Vinhas Velhas e 3 a 5 anos para o Homenagem, é manifestamente modesto).
3.O restaurante
Muito badalado e caro, este espaço de restauração, que começou ao nível da rua, já se espalhou por mais 2 pisos. No dia do evento, as 3 salas estavam todas lotadas. A crise não passou por aqui!
Numa mesa atrás da minha estava um grupo ruidoso, onde estava o famoso treinador Jorge Jesus, palpitando-me que estaria a comemorar, por antecipação, um campeonato que afinal não viria a ganhar.
Quanto ao serviço, o "timing" foi sistematicamente incorrecto, chegando sempre à mesa primeiro a comida, antes de os vinhos serem servidos, quando deveria ter sido precisamente o contrário. Os copos eram correctos, mas tivemos que os avinhar, pois não puseram na mesa a quantidade necessária aos 4 vinhos apresentados.
Finalmente, a sala onde almoçámos, também era para fumadores, o que não é correcto.
4.Conclusão
Apesar das falhas indicadas, valeu a pena conhecer o projecto QM.
No final do repasto, os convidados foram obsequiados com 3 vinhos do produtor (Espumante QM Super Reserva, QM Vinhas Velhas  e Astronauta Arinto). Obrigado QM, pela parte que me toca!

terça-feira, 17 de maio de 2016

Grupo dos 3 (50ª sessão) : os brancos alentejanos continuam a surpreender

Esta última sessão deste grupo de militantes da linha dura decorreu no Guarda Real, restaurante do Hotel Real Palácio, já aqui referido por diversas vezes. O espaço foi escolhido pelo João Quintela que trouxe 4 vinhos da sua garrafeira (2 brancos, 1 tinto e 1 fortificado), os quais foram provados às cegas. Gastronomia correcta, bons copos Schott e serviço de vinhos profissional.
Desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho Granit 2015 - nariz exuberante, presença de citrinos, notas tropicais atenuadas, fresco e mineral, acidez vibrante, algum volume e final de boca acentuado. Nota 17,5+ (noutra situação 17,5).
Acompanhou uma série de entradas (carpaccio de novilho, choco frito e torricado de bacalhau).
.Telhas 2010 - com base na casta Viognier; ligeira oxidação, fruta madura, acidez muito presente, alguma gordura e volume, final muito longo. Equilibrado e acentuadamente gastronómico, requer entradas consistentes ou queijo de meia cura. Este branco alentejano já me tinha surpreendido em 2013 e agora é a grande confirmação. Nota 18 (17,5+ na prova referida).
Maridou muito bem com um estaladiço com queijo de cabra e com o prato principal.
.Casa de Saima Garrafeira Baga 2000 - ainda com fruta, acidez equilibrada, fresco e elegante, notas especiadas, taninos presentes mas não agressivos, algum volume e final persistente. Nota 17,5+.
Acompanhou um naco de vitela com risotto de cogumelos e gratin de legumes.
.Moscatel JP 1988 - nariz austero, presença de citrinos, acidez nos mínimos, taninos afirmativos e final de boca extenso. Algo desequilibrado. Nota 17.
Fez companhia a uns belíssimos pastéis de nata.
Nota final: os brancos (alguns, claro) continuam a surpreender-me, como foi o caso recente do Esporão Reserva 2008 e do Pera Manca 2012 e, agora, o Telhas 2010. Excepções ou talvez não?
Obrigado João!

sábado, 14 de maio de 2016

Próximos eventos à volta do vinho

1. 5º Festival do Douro Superior
Com o apoio da Revista de Vinhos e da Câmara Municipal de Vila Nova Foz Coa, vai ter lugar em Foz Coa, de 20 a 22 de Maio, este evento que contará com colóquios, provas comentadas, concurso de vinhos do Douro superior e, ainda, um concerto ao vivo com os cantautores Sérgio Godinho e Jorge Palma. A não perder!
Mais informações em:
www.revistadevinhos.pt
www.cm-fozcoa.pt
2. 2ª Edição do Alvarinho Wine Fest Monção Melgaço
Com o apoio da Cofina Eventos, este evento de correrá dias 3 a 5 de Junho no Pátio da Galé, em Lisboa, durante o qual se poderá participar em provas comentadas e sessões showcooking. A não perder!
Mais informações em:
www.vozdemelgaco.pt
www.cm-moncao.pt (lamentavelmente esta página situa o evento no local da 1ª edição)
3. 2ª Feira do Douro
Este evento enogastronómico, realizado e animado pelos Douro Boys (Niepoort e Quintas do Crasto, Vale D. Maria,Vale Meão e Vallado), terá lugar na Qtª de Nápoles (Niepoort) nos dias 25 e 26 de Junho. Conta com 27 produtores locais, podendo-se provar e comprar os respectivos produtos. Os Douro Boys estarão presentes e orientarão as provas dos seus vinhos. Mais, foram estabelecidas parcerias com hotéis e restaurantes que farão preços especiais aos participantes. A não perder!
Mais informações em:
www.douroboys.com (em inglês)

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Novo Formato+ (23ª sessão) : 1 branco surpresa, 1 tinto e 1 Madeira de excepção

Mais uma grande e surpreendente sessão de convívio, comeres e beberes, tendo decorrido "chez" Alfredo/Ana Maria que nos proporcionaram comida e vinhos de qualidade, alguns dos quais num patamar de excelência. Não podia ter corrido melhor!
Desfilaram 6 vinhos (1 espumante, 2 brancos da colheita 2012, 2 tintos 2008 e 1 fortificado), todos provados às cegas, com excepção do último:
.Espumante Ervideira Reserva 2008 que serviu e bem de bebida de boas vindas, apresentando-se com uma bolha muito fina. Uma boa surpresa vinda do Alentejo, a cumprir a sua função da melhor maneira.
.Equinócio - nariz austero, algo pesado na boca, ainda a sentir-se a madeira, fruta madura, notas amanteigadas, volume assinalável e final de boca adocicado. Gastronómico, a pedir entradas consistentes ou queijo. Nota 17.
.Pera Manca - aroma intenso, ainda com fruta cítrica, bela acidez, fresco e com alguma gordura, fino e elegante, boa presença na boca. Gastronómico, a exigir entradas leves. Uma bela surpresa. Nota 17,5+.
Estes 2 brancos, provados às cegas, enganaram-me completamente, pois não me passou pela cabeça que pudessem ser alentejanos, especialmente o Pera Manca (o Equinócio veio por arrastamento) que maridou muito bem com os fresquíssimos  percebes, ameijoas e lambujinhas.
.Legado - ainda com fruta, boa acidez, especiado, notas de tabaco e chocolate preto, taninos civilizados, volume assinalável e final de boca muito longo; muito equilibrado e harmonioso, é um dos tais vinhos que levaria para uma ilha deserta. Em forma mais 7/8 anos. Nota 19 (noutra situação 18,5+).
.Calda Bordaleza - notas vegetais, acidez incrível, taninos vigorosos, volume médio e final de boca longo. Saíu prejudicado por ter sido provado ao lado de um vinho excepcional. A beber nos próximos 9/10 anos. Nota 17,5+ (noutras 18+/18).
Estes 2 tintos acompanharam bem um bacalhau no forno e lombinho de porco assado, ambos muito saborosos.
.Blandy Terrantez 1977 (engarrafado em 2015) - nariz discreto,levou tempo a abrir, frutos secos, notas de iodo e brandy, vinagrinho, taninos firmes, volume apreciável e final de boca interminável.
Fechou em glória esta memorável sessão. Nota 19 (noutra 19).
Teve por companhia arroz doce, bolo folhado com doce de ovos, fruta variada, etc...
Obrigado Ana Maria! Obrigado Alfredo!

terça-feira, 10 de maio de 2016

Colares à Mesa (II) : o almoço vínico

Após o "welcome cocktail", onde foram servidos o espumante rosé Stanley 2010 (não provado) e o Casal Stª Maria Malvasia 2013, fomos para a mesa onde nos serviram uma ementa preparada pelo chefe António Escudeiro que se inspirou em menus antigos, ficando a harmonização com os vinhos de Colares a cargo do Anibal Coutinho. Desfilaram:
.Arenae (Adega Regional de Colares) 2006 branco (11,5 % vol.) - cativante côr palha, futa madura, belíssima acidez, algum volume e final de boca; gastronómico. Uma boa surpresa, embora não tivesse tido um copo à altura. Nota 17+.
Acompanhou um saboroso "Creme Diplomata" (menu de 1935).
.Viúva Gomes tinto 1969 (11 % vol.) - aromas terciários, acidez equilibrada, taninos ainda presentes mas civilizados, volume e final de boca médios. Ainda longe da reforma. Nota 17.
Não me pareceu ter harmonizado bem com um pouco entusiasmante "Surpresas de Linguado com Molho Camarão" (menu 1937). Nota 17.
.Colares Chitas tinto 1996 (12 % vol.) - nariz intenso, alguma fruta e acidez, notas especiadas, algum volume e final de boca. Todo ele muito fino, gostei francamente. Nota 17,5.
Maridou bem com "Vitela Assada à Moda de Sintra" (menu 1938).
.Villa Oeiras vinho Carcavelos fez companhia à agradável sobremesa  "Os clássicos" (Travesseiro de Sintra, Queijada e nozes de Calamares), mas apagou-se naquele copo minúsculo.
Aliás o serviço de vinhos em Seteais ainda é muito à antiga, pois o copo mais alto foi destinado a água, o que está mais que ultrapassado.
A gastronomia não me entusiamou, pois tive no passado uma experiência em Seteais bem mais interessante, aqui descrita em "Lisboa Restaurant Week", crónica publicada em 15/3/2014.
De qualquer modo, o saldo final é positivo, tendo eu ficado rendido aos brancos. Quanto aos tintos, salvo algumas (raras) excepções, passo...

domingo, 8 de maio de 2016

Colares à Mesa (I) : as provas

1.Introdução
A convite do Tivoli Palácio de Seteais, participei no dia 3 do corrente nas provas e almoço de arranque da 4ª edição da Semana Histórica da Gastronomia e Vinhos de Colares, a decorrer de 4 a 13 de Maio, tendo tido este evento o apoio da Câmara Municipal de Sintra e da Comissão Vitivinícola Regional de Lisboa, cujo presidente Vasco d' Avillez esteve presente.
Segundo o convite, este evento combina "a melhor cozinha portuguesa, a muito apreciada tradição vinícola de Colares e a arte gastronómica do Tivoli Palácio de Seteais".
2.A prova
A prova de vinhos (6 brancos, 6 tintos e 1 fortificado) foi orientada pelo multifacetado Anibal Coutinho que, vinho a vinho, dava a palavra ao respectivo produtor, o qual fazia uma breve apresentação do néctar em prova e respectivo preço (alguns a valores demenciais, senhores!), quase todos ainda não lançados no mercado.
Como participantes nesta prova, entre outros, estava a Revista de Vinhos (João Paulo Martins e Nuno Garcia) e alguns bloguistas (Carlos Janeiro, Luis Gradíssimo, Olga Cardoso e eu próprio).
A prova prosseguiu em ritmo algo acelerado, o que não me permitiu uma 2ª volta comparativa para acerto de notas, como eu gosto de fazer.
Começando pelos brancos, todos com base na casta Malvasia de Colares, foram provados:
.Colares Chitas 2012
.Viúva Gomes 2012
.Casal Stª Maria 2013
.Fundação Oriente 2013
.Monte Cascas 2013
.Arenae (Adega Regional de Colares) 2013
De um modo geral, apresentaram alguma fruta, salinidade, notas amanteigadas, equilibrio e uma bela acidez, o que faz prever alguma longevidade. Notas provisórias entre 17 e 17,5 (com excepção do último que me pareceu algo pesado).
Passando aos tintos, com base na tradicional casta Ramisco, apresentaram-se:
.Viúva Gomes 2007
.Casal Stª Maria 2007
.Arenae (Adega Regional de Colares) 2007
.Fundação Oriente 2010
.Monte Cascas 2011
.Colares Chitas 2011
Para o meu gosto, estes vinhos estiveram uns furos abaixo dos brancos. Abertos de côr, delgados de corpo, agressivos nos taninos, com acidez presente a prolongar-lhes a vida, mas algo desequilibrados. E aqui, a idade pouco influenciou pois achei mais interessantes os 3 últimos. Notas provisórias entre 14 e 17,5.
Enquanto a prova dos brancos me deu prazer, a dos tintos nem por isso. Foi mesmo algo penosa, talvez porque o meu palato está algo formatado para os (bons) vinhos do Douro e conflitua com a Ramisco, uma casta que não faz a minha felicidade.
Finalmente, o Villa Oeiras 2004 - estagiou 11 anos em barricas de carvalho português e francês; frutos secos, algum mel, acidez discreta, algo desequilibrado ainda com a aguardente vínica (da Lourinhã) a notar-se. Nota provisória 16.
(continua...)



quinta-feira, 5 de maio de 2016

Vinhos em família (LXXI) : tintos de 2008 a imporem-se

Mais uns tantos vinhos, todos tintos, provados em sossego e com os rótulos à vista, sem a pressão da prova cega. Foram 3 da colheita de 2011 e 2 de 2008, com estes a imporem-se, numa luta desigual, uma vez que se situavam num patamar mais alto. E eles foram:
.Maritávora nº 4 Reserva 2011 - com base nas castas T. Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, fermentou em lagares com pisa a pé e estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; fruta preta, acidez no ponto, especiado, algum couro e rusticidade, taninos macios, volume e final de boca médios. Álcool excessivo (15 % vol.). Nota 17+.
.São Matias Reserva 2011 (garrafa nº 623 de 2934) - estagiou em barricas de carvalho francês, sendo sendo o contra rótulo omisso quanto ao tempo de permanência; nariz discreto, notas florais, fresco e elegante, acidez equilibrada, taninos civilizados, volume médio mas bom final de boca. Álcool equilibrado (13,5 % vol.). Nota 17,5.
.S V Santa Vitória Grande Reserva 2011 - com base nas castas T. Nacional, Cabernet Sauvignon e Syrah, estagiou 13 meses em barricas novas de carvalho francês e 1 ano em garrafa; nariz austero, alguma fruta, acidez q.b., alguma especiaria e lagar, taninos finos, volume médio e final persistente. Um perfil pouco alentejano. Nota 17+.
.Qtª da Leda 2008 - fruta vermelha, notas florais e apimentadas, acidez equilibrada, especiado, elegante, taninos domados, volume apreciável e final de boca extenso. Em forma mais 6/7 anos. Álcool equilibrado (13,5 % vol.). Nota 18.
.Legado 2008 - aroma intenso, alguma fruta e notas florais, acidez no ponto,  muito fino e elegante, especiado, com a pimenta a impor-se, taninos firmes mas civilizados, volume apreciável e final muito longo. Mais um grande Douro, a beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5+.