terça-feira, 25 de outubro de 2016

Enoturismo no Dão (V) : Quinta Madre de Água

A visita à Qtª Madre de Água, um espaço praticamente desconhecido da maioria dos enófilos, foi um sucesso, não tanto pelos vinhos que ainda não atingiram um desejável patamar alto, mas sobretudo pelo restaurante e o meio ambiente que a rodeia, ou seja, as vinhas, as ovelhas, a queijaria, os cavalos, o picadeiro, os cães, etc. Uma grande surpresa para a maioria do grupo.
Eu já conhecia este espaço, pois já lá tinha ficado hospedado no hotel rural e usufruído de algumas refeições, uma das quais no âmbito do M80 (evento gastronómico em parceria com a Revista de Vinhos), onde brilhou o jóvem chefe António Batista. Sobre estas minhas experiências, publiquei as crónicas "Rescaldo da ida ao Douro (V) : a Quinta Madre de Água, a fechar com chave de ouro" e "Rescaldo das férias (I)", em 2/10/2015 e 24/7/2014, respectivamente.
Nesta ida ao Dão, o grupo foi recebido pelo director de Marketing, Vitor Hugo Mendes de seu nome, que orientou uma visita guiada à quinta. Entre cães, cavalos e ovelhas, passámos por vários talhões de vinha, nomeadamente Encruzado, Sémillon, Jaen, Tinta Roriz, Cabernet Sauvignon, Merlot e a indispensável Touriga Nacional. Resta acrescentar que o enólogo consultor é o Paulo Nunes, um dos técnicos mais consistentes a trabalhar no Dão.
Antes do jantar, tivemos a ocasião de provar o Rosé 2014 (a bebida de boas vindas) - com base nas castas Touriga Nacional e Tinta Roriz; nariz neutro, alguma acidez, simples e agradável, cumpriu a sua missão. Nota 14,5.
O jantar foi no restaurante, onde estavam outros clientes. Mesas muito bem aparelhadas, com 1 copo adequado a cada um dos vinhos. A ementa, devidamente impressa, denominava-se "Jantar Vindimas 2016". Não houve, portanto, qualquer discriminação quanto ao grupo, o que se saúda vivamente.
Bebemos e comemos:
. Encruzado 2014 - aromas presos, alguma fruta e acidez, volume médio e final curto. Esperava mais. Nota 15.
Acompanhou uma degustação de produtos Madre de Água (saladinha de frescos da horta, queijo de cabra, queijo de ovelha DOP Serra da Estrela, pesto, doces de abóbora e de uva. Tudo produzido na quinta. Uau!
.Perpetuum 2014 - com base nas castas Encruzado e Gouveio; pouco acrescenta ao branco anterior, a não ser um final de boca mais consistente. Nota 15,5.
Maridou com um excelente folhado de queijo Madre de Água, rúcula selvagem, frutos secos e mel de urze.
.Touriga Nacional 2012 - nariz exuberante, alguma acidez, especiado, taninos muito presentes a precisarem de mais tempo de garrafa, volume e final de boca apreciáveis. Vai melhorar com o tempo e daqui a meia dúzia de anos poderá atingir a qualidade do excelente 2011. Nota 17,5+.
Este tinto foi servido a uma temperatura acima do aconselhável mas, perante o meu reparo, trouxeram de imediato outra garrafa à temperatura correcta. Muito bem!
O vinho fez um bom casamento com um arroz de pato de muita qualidade, frutos secos e toucinho de porco ibérico fumado.
.Rosé 2014 (o mesmo que foi servido nas boas vindas).
Não ligou com a belíssima sobremesa de ensopado de laranja com creme de baunilha e crocante de citrinos. Para  quando um colheita tardia? A casta Sémillon já lá está...
Serviço feminino, em geral, eficiente e simpático, mas a precisar de uma reciclagem quanto ao serviço de vinhos. Com excepção do tinto, todos os outros chegaram à mesa depois de a comida já estar nos pratos. Um pormenor que pode ser corrigido e que não manchou o magnífico jantar servido no restaurante da Quinta Madre de Água.
Recomendo esta quinta para comer e ficar. Vale a pena!

domingo, 23 de outubro de 2016

Crónicas em atraso

Depois da escassez de eventos nos meses de Agosto e Setembro, este mês de Outubro foi excessivo e não consigo acompanhar este ritmo frenético, estando ainda por publicar:
.Visita ao Dão (V) : Qtª Madre d' Água
.Visita ao Dão (VI) : Qtª de Lemos
.Prova de 5 edições de Barca Velha e jantar do Clube 1500
.Vinhos em família
.Jantar Qtª Mendes Pereira/Krohn
.Grupo dos 3 (53ª sessão)
.Master Class e Jantar com Vinhos da Madeira
.Bagos Chiado revisitado
.Curtas (Dom Joaquim, Descobre, Mercantina e Vinhos do Alentejo)
Uf! Mas a curto prazo, meterei mãos à obra...

sábado, 22 de outubro de 2016

Os próximos eventos a não perder

Próximos eventos, vínicos e/ou gastronómicos, a não perder (por ordem cronológica):

1.Mercado de Vinhos do Campo Pequeno
Realiza-se de 28 a 30 de Outubro e conta com 120 produtores de vinhos e 20 de mercearia fina (queijos, enchidos, mel, compotas, etc), sendo, este ano, o Algarve a região convidada.
Mais informações em www.campopequeno.com

2.The Fork Fest
Estende-se de 2 a 13 de Novembro, sendo o período de 26/10 a 1/11 exclusivo para clientes Millennium.
Nestas datas e mediante marcação obrigatória no site The Fork, pode-se comer com 50 % de desconto (excepto bebidas) em 100 restaurantes aderentes.
Mais informações em www.thefork.pt.

3.Encontro Vinhos e Sabores (EVS 2016)
Com organização da Revista de Vinhos, decorrerá como habitualmente no Centro de Congressos de Lisboa (na Junqueira) e contará com 400 produtores, 12 provas especiais e tertúlias gastronómicas.
É, desde há alguns anos, o acontecimento do ano.
Mais informações em www.revistadevinhos.pt/eventos.

4.Wine Fest Porto
Realiza-se no dia 19 de Novembro, no Salão Nobre da Alfândega do Porto, com o apoio do Wine Club Portugal, contando com 30 produtores e 3 provas especiais.
Mais informações em www.wineclubportugal.pt.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Enoturismo no Dão (IV) : Casa da Passarella

...continuando:
Pode ler-se na brochura que nos foi distribuída pela Tryvel "A casa, datada de 1892, foi mandada construir por Joaquim Oliveira Santos Lima (...). Por cima da adega existe um centro interpretativo (...), onde se conta a história da propriedade através de fotografias e instrumentos utilizados na vinha e na adega." Mais: tivemos a oportunidade de vermos a primeira garrafa Villa Oliveira, datada de 1893!
Já não é a primeira vez que escrevo sobre este produtor, pois no passado publiquei as crónicas "Jantar Casa da Passarela" e "Novos vinhos da Casa da Passarela", respectivamente em 5/12/2012 e 4/7/2013.
Na ausência do Paulo Nunes, o enólogo da casa, naquele momento envolvido nas vindimas, algures na Bairrada, fomos recebidos pelo comercial António Simões que orientou a prova de 4 vinhos da Casa da Passarella, a saber:
.A Descoberta 2015 branco - com base nas castas Encruzado, Malvasia Fina e Verdelho; aroma intenso, muito fresco e mineral, algum volume e final de boca; todo ele muito equilibrado e com uma excelente relação preço/qualidade. Óptimo para a conversa ou a acompanhar entradas leves. Nota 17.
.Enólogo Encruzado 2014 - estagiou 4 meses em madeira usada; nariz complexo, alguma mineralidade, notas amanteigadas, volume e final de boca de alguma dimensão. Gastronómico, já pede comida por perto. Nota 17,5.
.Enxertia Jaen 2013 - estagiou 3 meses em madeira usada; aromático, fruta presente, boa acidez, taninos domesticados, algum volume e final de boca; demasiado unidireccional, a faltar-lhe alguma complexidade. Nota 16,5+.
.Oenólogo Vinhas Velhas 2012 - estagiou 12 meses em barricas, seguido de mais 12 meses na garrafa; nariz exuberante, alguma acidez e complexidade, especiado, taninos firmes, volume assinalável e final de boca longo, a pedir um prato de forno. Excepcional relação preço/qualidade. Nota 18.
Vinhos de qualidade a preços honestos. O que podemos pedir mais?
continua...

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Enoturismo no Dão (III) : Casa da Ínsua

...continuando:
Pode ler-se na brochura distribuída pela Tryvel: "A Casa da Ínsua encontra-se rodeada de belos jardins e vinhas, e é um dos mais interessantes locais de Enoturismo do Dão (...)". De facto, para além das vinhas e da adega, na Casa da Ínsua pode ainda conhecer-se o hotel de charme, o restaurante, os jardins, o núcleo museológico e a queijaria. Uma espécie de 5 em 1 que é indispensável conhecer-se. Aqui fica a recomendação.
Resta dizer que a Casa da Ínsua é propriedade da Visabeira, com interesses em Moçambique, onde possui hotéis e vinhas e para onde exporta cerca de 50 % dos seus vinhos. Para além dos vinhos, apostou forte no queijo e na maçã bravo esmolfe.
A visita do grupo começou junto à adega, onde o responsável pela enologia, José Matias de seu nome, nos apresentou os seguintes vinhos Casa da Ínsua:
.Branco 2015 - com base nas castas Encruzado, Malvasia Fina e Sémillon - fresco e mineral, com algumas notas vegetais. Correcto, sem entusiasmar. Nota 15,5.
.Rosé 2015 - com base nas castas Touriga Nacional e Tinta Roriz; acidez e frescura nos mínimos, doçura excessiva, logo enjoativo. Poderá ter os seus admiradores, que não eu pessoa. Nota 12.
.Tinto 2012 - servido à temperatura ambiente, mostrou-se com alguma acidez, notas herbáceas, taninos demasiado dóceis, volume médio e final curto. Uma desilusão face às 2 medalhas de ouro, obtidas em concursos internacionais! Nota 15.
Uma pena a Casa da Ínsua não apostar em vinhos de maior qualidade, descansando no mercado moçambicano que, imagino, não deve ser muito exigente. E poderia produzir um colheita tardia, uma vez que cultiva a casta apropriada para este tipo de vinho, a Sémillon. Parece que ainda fizeram 2 tentativas, mas que desistiram rapidamente.
Após uma interessante visita à casa e ao núcleo museológico, seguiu-se o jantar num anexo e não no restaurante, como seria expectável. A propósito, eu já conhecia o restaurante e publiquei aqui, em 16/7/2105, uma referência sobre o mesmo: "No rescaldo da visita à Real Companhia Velha (...)".
O serviço de vinhos foi lamentável, com a água no copo maior e o branco e tinto (este servido à temperatura ambiente), já provados anteriormente, nos copos mais pequenos! Parece que ainda estão no século XIX!
No dia seguinte, para compensar, foi-nos servido um pequeno almoço de luxo.
E termino como comecei: recomendo uma visita à Casa da Ínsua, ao seu restaurante, jardins, museu, etc. Imperdível!
continua...

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Grupo dos 3 (52ª sessão) : brancos em alta no Bagos Chiado

Foi a 52ª prova cega com este núcleo duro, sendo da minha responsabilidade os vinhos (2 brancos de 2013, 1 tinto e 1 Porto) e a escolha do restaurante. Optei pelo Bagos Chiado, já aqui referido em "Curtas (LXXX)", cujo 1º ponto era dedicado ao regresso do chefe Henrique Mouro. Foi o 18º espaço de restauração escolhido por mim, até agora sempre diferentes, mas cada vez mais dificil encontrar restaurantes com boa gastronomia e serviço de vinhos, em simultâneo. Desfilaram:
.Niepoort Qtª de Baixo Vinhas Velhas - 93 pontos na revista do Parker; com base nas castas Bical e Maria Gomes; presença de citrinos, frescura e mineralidade, algum volume e bom final de boca; 11 % vol, equilibrio, elegância e complexidade. Uma grande surpresa vinda da Bairrada. Nota 18.
Acompanhou com uma saborosa entrada de lascas de leitão, queijo da ilha, laranja e agrião. Bela harmonização.
.Mapa Vinha dos Pais (uma das 1000 garrafas produzidas) - 18 valores na Revista de Vinhos; com base nas castas Rabigato, Viosinho Arinto e Gouveio a 450  metros de altitude, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; fruta madura, frutos secos, um toque de mel, acidez equilibrada, alguma gordura, madeira bem casada, acentuado volume e bom final de boca. Um grande branco do Douro que pouca gente conseguiu provar. Muito gastronómico. Nota 18,5 (noutra situação 18).
Casou bem com uma entrada de bacalhau com um excelente arroz de berbigão.
.Casa de Saima Garrafeira 2008 (engarrafado em 2012) - nariz contido, bela acidez, taninos evidentes e um pouco rugosos, algo rústico, volume médio e bom final de boca. Ainda muito jóvem há que esperar por ele mais 5/6 anos. Nota 17,5.
Maridou com chambão em vinho, cherovias e cenouras.
.Dalva Colheita 1985 (engarrafado em 2014) - 92 pontos na revista do Parker; belíssima acidez, frutos secos, iodo acentuado, notas de caril, taninos presentes, volume e final de boca interminável. Um perfil muito madeirense que pode enganar muito enófilo. Nota 18,5.
Boa gastronomia, boas harmonizações e serviço de sala e vinhos eficiente e simpático.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Enoturismo no Dão (II) : Paço dos Cunhas de Santar

...continuando:
Pode ler-se na brochura distribuída pela Tryvel "Construido no início do século XVII, e com mais de quatrocentos anos de tradição na produção de vinhos, o Paço dos Cunhas de Santar é um edifício imponente rodeado de vinhas (...)". Com efeito, logo à entrada, está um pendão a dizer "desde 1609 400 Anos de História Paço dos Cunhas".
O grupo foi recebido pela simpática e dinâmica Relações Públicas deste produtor, Ana Paula Teixeira de seu nome, tendo-nos sido servido o vinho de boas vindas, o espumante Cabriz 2013. Com base nas castas Bical, Malvasia e Encruzado, mostrou-se fresco, aromático, bolha fina e notas de pão acabado de cozer.
Na adega esperava-nos o Osvaldo Amado, enólogo da casa, já meu conhecido desta e de outras paragens, que fazia anos nesse dia mas fez questão em estar presente, para receber o grupo e conduzir a prova. Um grande profissional!
Claro que teve direito à tradicional cantiga de parabéns, mais ou menos desafinada.
Em bons copos Schott, provámos:
.Cabriz Reserva 2015 branco - 100 % Encruzado, embora não conste no rótulo; fresco e frutado, boa acidez e mineralidade, um bom exemplar desta belíssima casta que origina alguns dos melhores brancos portugueses. Nota 16,5+.
.Paço dos Cunhas Nature 2013 - um vinho biológico, com base nas castas Touriga Nacional e Aragonês (o enólogo adoptou o nome alentejano da Tinta Roriz); aromático, frutos vermelhos, alguma acidez e taninos de veludo, mas a faltar-lhe alguma consistência. Nota 16,5.
.Casa de Santar Reserva 2012 - com base nas castas Touriga Nacional, Aragonês e Alfrocheiro; aroma mais complexo que o anterior tinto, acidez e taninos equilibrados, bom volume e final de boca; todo ele muito harmonioso e com muitos anos à sua frente. Nota 17,5.
Seguiu-se o almoço numa sala, aliás imponente e majestática, anexa ao restaurante. Mesas bem aparelhadas, azeite Cabriz nas mesas, copos Schott e armários térmicos para controlo das temperaturas de serviço. Muito bem.
Comemos e bebemos:
.entrada - alheira crocante com creme de espinafres (muito aceitável), com o espumante Cabriz que já tinhamos provado à chegada.
.prato - naco de porco (muito seco) com arroz de cogumelos (saborosíssimo), com o tinto Casa de Santar 2013 - nariz discreto, alguma acidez, pouca complexidade, volume e final médios. Merecíamos melhor. Nota 15,5.
.sobremesa - pudim de laranja com gelado (melhor o gelado que o pudim), com o Moscatel do Douro Conde de Sabugal 2009 - demasiado "light" para o meu gosto, embora elegante e equilibrado. Nota 15,5.
Serviço profissional, embora muito demorado,
Este almoço ficou abaixo das minhas expectativas, pois quando lá fiz uma refeição há 2 anos, considerei excelente o restaurante e escolhi-o para o meu Top, como se depreende das minhas crónicas "Rescaldo das férias" e "2014 : na hora do balanço : 10 espaços de restauração", publicadas em 26/7/2014 e 10/1/2015, respectivamente.
No final, visita aos belos jardins e à loja do produtor (não vislumbrei o preçário, o que não se entende).
Mas, críticas àparte, é obrigatório conhecer este produtor e o seu restaurante.
continua...

sábado, 8 de outubro de 2016

Enoturismo no Dão (I) : uma jornada inesquecível

Participei, recentemente, numa grande jornada eno gastronómica no Dão, organizada pela agência Tryvel, prioritariamente orientada para o turismo cultural. Rui Nobre, consultor para este tipo de turismo e já meu conhecido de outras agências, tinha o sonho de organizar passeios no âmbito do enoturismo. E o sonho passou à realidade quando convenceu a Maria João de Almeida *, jornalista e crítica de vinhos, com alguns livros publicados, entre os quais destaco o "Guia do Enoturismo em Portugal" (Ed. Zest Books), que serviu de base a este 1º passeio enoturístico. Mais, já está organizado um passeio ao Alentejo, estando previstas para 2017 visitas ao Douro e Rioja.
Durante um fim de semana alargado (sexta, sábado e domingo), visitámos os produtores de vinhos Paço dos Cunhas de Santar (onde almoçámos), Casa da Ínsua (onde jantámos e dormimos), Casa da Passarella, Qtª Madre d' Água (onde jantámos) e Qtª de Lemos (onde almoçámos), tendo ainda o grupo passado uma noite na Pousada de Viseu.
No total provámos 12 vinhos e bebemos às refeições outros 13, sendo de realçar como o grupo, de um modo geral pouco conhecedor de vinhos, foi recebido nos locais visitados. Correu praticamente tudo muito bem, graças aos locais criteriosamente escolhidos e ao entusiasmo, simpatia e alegria contagiante da Maria João, uma excelente comunicadora.
A Tryvel distribuiu uma pequena brochura a cada um dos 26 participantes, que incluia o programa, informação sobre o alojamento, conselhos úteis e uma história resumida de cada local visitado. Remeto para o livro da Maria João, que aconselho, o desenvolvimento das histórias de cada produtor e demais informações úteis.
O único ponto menos feliz desta viagem, foi o almoço no tradicional restaurante "O Júlio", em Gouveia, o qual parou no tempo. Está reduzido a um único vinho, o chamado da casa que deve ser de garrafão. Mais, mesmo se houvesse mais oferta, os copos são impróprios e afugentam qualquer enófilo que se preze.
Em próximas crónicas, desenvolverei a visita a cada um dos produtores citados.
* tenho um link para o seu site

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Provar vinhos com a Santos & Seixo

A convite da Santos & Seixo (Alzira Santos e Pedro Seixo), participei na apresentação da marca Rotas de Portugal e das novas colheitas Santos da Casa, que teve lugar no Hotel Nau Palácio do Governador (em Belém). A prova foi feita numa das salas do hotel, sem o mínimo de condições, tendo ficado alguns dos intervenientes entre portas, pois não cabiam naquele espaço (disseram-me que o evento fora previsto para o exterior, mas que o tempo adverso o teria impedido).
A introdução foi feita pela Rita Matos (responsável pelo Marketing da empresa), tendo a orientação da prova ficado nas mãos experientes do Manuel Moreira (crítico da revista Wine e conceituado escanção), um excelente comunicador.
Entre os participantes, alguns ligados à restauração e outros à imprensa generalista, estava a Revista de Vinhos (Luis Antunes e João Geirinhas) e uma representação mínima da blogosfera (o Elias Macovela e eu!?).
Os vinhos apresentados, da responsabilidade do enólogo Paulo Nigra que veio substituir o Helder Cunha, foram:
.Santos da Casa  Alentejo 2015 branco - aroma intenso, frutado (citrinos evidentes), alguma acidez e gordura, volume e final de boca médios. Simples e correcto, para acompanhar entradas leves. Nota 16.
.Santos da Casa Douro 2015 branco - mais complexo que o anterior, notas florais, acidez e gordura equilibradas, volume e final de boca médios. Pode acompanhar entradas um pouco mais elaboradas. Nota 16,5.
.Rotas de Portugal Alentejo 2015 tinto - muito frutado, mas algo rústico e com taninos agressivos. Pareceu-me com sulfuroso em excesso. Sem nota.
.Santos da Casa Douro 2014 - estagiou 9 meses em barricas de carvalho francês e americano; alguma fruta, frescura e acidez, ligeiramente especiado, volume e final de boca médios. Nota 16.
.Santos da Casa Reserva Douro 2013 - estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês e americano - aroma algo exuberante, fruta vermelha, alguma acidez e complexidade, taninos domesticados, algum volume e final seco. Nota 16,5+.
.Santos da Casa Grande Reserva Douro 2013 - com origem em vinhas velhas, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês e americano; neste momento está muito semelhante ao anterior. Custa praticamente o dobro, um exagero, mas só o tempo dirá se a diferença de qualidade o vai merecer. Nota 17.
No final da prova o produtor, muito simpaticamente, ofereceu aos participantes 1 embalagem com 3 dos seus vinhos (Santos da Casa Douro 2015 branco e 2103 tinto e, ainda, Rotas de Portugal Alentejo 2015).

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Azeites e Vinhos do Alentejo no CCB

Os azeites e vinhos do Alentejo vão estar à prova no CCB dias 14 (16 às 21h) e 15 (15 às 21h) de Outubro, evento que é organizado pela Essência do Vinho, com apoio da CVR Alentejo e da Casa do Azeite. Entrada livre.
Estão previstas 4 provas comentadas pelos críticos Rui Falcão e Aníbal Coutinho e, ainda, as habituais conversas sobre o vinho, desta vez com o Manuel Moreira.
A não perder!

Melhor blogue do ano (2016) : o enófilo militante está, uma vez mais, no Top 10

Estão a ser publicados os nomeados para os prémios W 2016, iniciativa louvável do crítico Aníbal Coutinho, que este ano contempla 31 categorias (em 2015 eram 23), sendo a lista dos blogues a seguinte (ordem alfabética, ficando entre parêntesis o nº de presenças e assinalando com * os estreantes):
.avinhar (2)
.bebes ponto comes (3, sendo o vencedor em 2015)
.clube de vinhos portugueses (2)
.comer beber lazer (3)
.contra rótulo *
.enófilo militante (5)
.joli (2)
.os vinhos (5)
.o vinho em folha *
.pingas no copo (4)
De registar:
.há apenas 2 totalistas (presenças de 2012 a 2016): os vinhos (Pedro Barata) e o enófilo militante (eu, próprio)
.a surpreendente (e, para mim, injusta) não inclusão do blogue copo de 3 (João Pedro Carvalho), um dos dinossauros da blogosfera e vencedor em 2012
.o desaparecimento de alguns dos vencedores de anos passados (e tudo o vinho levou, em 2013, e air diogo num copo, em 2014)
No que me diz respeito, confesso que não estava à espera de ficar neste Top, depois da polémica com os nomeados de 2015. Mas, obviamente, fico muito satisfeito e honrado por ser um dos 2 totalistas.
É mais um incentivo para continuar!

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Provar vinhos com a OnWine

1.Introdução
Estive recentemente num anexo do Hotel Myriad Lisboa (Parque das Nações), onde participei no evento Terroir Experience, que contemplou 2 provas especiais, a convite da OnWine Distribuição Nacional, uma nova distribuidora que representa 9 produtores nacionais e alguns outros estrangeiros.
Nas provas especiais participaram revistas da especialidade (Luis Antunes e Nuno Garcia pela Revista de Vinhos, Manuel Moreira pela Wine e Augusto Lopes pela Paixão pelo Vinho), imprensa generalista (Correio da Manhã, Jornal Económico e Observador) e a blogosfera (Luis Gradíssimo do blogue Avinhar, Carlos Janeiro do Comer Beber Lazer, João Pedro Carvalho do Copo de 3, Miguel Pires do Mesa Marcada e eu do Enófilo Militante). De elogiar a postura da OnWine ao convidar a blogosfera em pé de igualdade com a imprensa especializada.
2.Prova Comparada da Casta Alvarinho
Orientaram a prova os produtores André Miranda (Casal de Ventozela), Rita Marques (Conceito) e James Frost (Qtª de Sant' Ana), já meus conhecidos, com excepção do André Miranda. Os vinhos apresentados foram:
.Casal de Ventozela Alvarinho 2015 (sub-região Vale do Ave) - alguma frescura e mineralidade, mas com poucas semelhanças se comparado com os alvarinhos de referência da sub-região Monção/Melgaço. Nota 16,5.
.Conceito Alvarinho 2015 - um Alvarinho genuíno (Monção/Melgaço), mas de um produtor do Douro; fresco, acidez muito equilibrada, alguma gordura e volume acentuado. Nota 17,5.
.Qtª de Sant' Ana Alvarinho 2015 - um Alvarinho da região de Lisboa, com enologia de António Maçanita, tendo estagiado 7 meses em barricas de 3º ano; frutado, notas tropicais, acidez no ponto e alguma gordura. Nota 17.
Esta prova e a seguinte não se fizeram nas melhores condições, pois é preciso muito equilíbrio ou mais uma mão, para segurar no copo, no caderno e na caneta, em simultâneo. À atenção da organização.
3.Prova de vinhos icónicos e colheitas antigas
Apresentaram os seus vinhos especiais os produtores Alison Luiz Gomes (Azamor), Raquel Mendes Pereira (Qtª Mendes Pereira), Jorge Alves (Quanta Terra), Rita Marques (Conceito), Domingos Alves de Sousa (Vinha do Lordelo), todos meus conhecidos dos tempos das Coisas do Arco Vinho, com excepção da Raquel.
E eles foram:
.Azamor Icon 2004 - com base nas castas Syrah (45 %), Alicante Bouschet (45 %) e Touriga Franca (10 %); ainda com alguma acidez, especiado, notas de chocolate e tabaco, taninos presentes mas suaves; volume e final de boca assinaláveis. Ainda longe da reforma, mas no ponto para ser bebido. Nota 18.
.Qtª Mendes Pereira 2004 - com base nas castas Touriga Nacional e Tinta Roriz; fresco e elegante, um toque floral, acidez equilibrada, volume médio e bom final de boca. A beber nos próximos 2/3 anos. Nota 17+.
.Quanta Terra 2007 - ainda com fruta e acidez, levemente especiado, taninos vibrantes, algum volume e final de boca; ainda pode ser bebido com prazer nos próximos 3/4 anos. Nota 17,5.
.Conceito 2007 - nariz exuberante, acidez q.b., fresco, especiado, taninos ainda presentes, algum volume e acentuado final de boca. Nota 17,5+.
.Qtª da Gaivosa Vinha do Lordelo 2007 - ainda com fruta, acidez equilibrada, especiado, taninos presentes mas domesticados, volume e final de boca assinaláveis. Estrutura e personalidade. A beber com prazer nos próximos 5/6 anos. Nota 18,5.
Estes tintos foram provados a uma temperatura nos limites do tolerável. À atenção da organização.
4.Provas individuais
Para além dos produtores indicados, estavam ainda as bancas da Herdade do Mouchão com 2 fortificados (interessante o Licoroso 2011, com um perfil próximo de um LBV, e da Krohn com 3 (Tawny 10 Anos, Colheita 2005 e Vintage 1967).
Dos 25 vinhos provados (13 brancos, 8 tintos e 4 fortificados) destaco, em 1ª linha, Branco da Gaivosa Reserva 2006, Qtª da Gaivosa 2011 e o Krohn Vintage 1967 e, logo a seguir, Vértice 2013 branco, Conceito 2008 branco, Conceito 2012, Quanta Terra 2011 e Qtª de Sant' Ana Riesling 2015 (um surpreendente Colheita Tardia).
Em conclusão, foi uma grande prova patrocinada por uma distribuidora que tem pés para andar. Os maiores êxitos, são os meus votos.