terça-feira, 29 de novembro de 2016

Jantar Qtª do Vallado : nota alta para a colheita de 2008

Mais um evento da Garrafeira Néctar das Avenidas, desta vez no restaurante do Henrique Mouro, o Bagos Chiado. O Francisco Ferreira desceu até à capital e apresentou, muito pedagogicamente, os seus vinhos mais recentes e outros já feitos, para se perceber como eles podem evoluir no bom caminho. Muito simpaticamente, o Francisco Ferreira referiu-se , em termos elogiosos, aos antigos donos e animadores das Coisas do Arco do Vinho, presentes no jantar. Obrigado, Francisco!
Quanto aos vinhos, com enologia dos dois Franciscos (Olazabal e Ferreira) desfilaram:
.Qtª do Vallado Reserva 2015 - com base nas castas Arinto, Gouveio, Rabigato e Viosinho, estagiou 7 meses em barricas de carvalho francês; presença de citrinos, fresco e mineral, acidez q.b., notas amanteigadas, madeira bem casada, algum volume e bom final de boca. Valeu 94 pontos no Parker e 18 valores na Revista de Vinhos. Gostaria de o voltar a provar daqui a mais uns anos. Nota 17,5+.
Acompanhou arroz de pato num croquete.
.Vallado Superior 2014 - com base nas castas Touriga Nacional (60 %) e Touriga Franca (40 %) da Qtª do Orgal, em produção biológica, estagiou 16 meses em barricas de carvalho francês; aroma intenso, notas florais, acidez equilibrada, taninos de veludo, encorpado e final de boca médio. Ainda com pouca complexidade, precisa de mais 5/6 anos. Nota 17.
.Qtª do Vallado 2008 (em garrafa de 5 litros) - aroma complexo, ainda com alguma fruta, notas especiadas, acidez equilibrada, taninos presentes, algum volume e bom final de boca. Equilibrado e elegante, evoluiu muito bem. Nota 17,5.
Estes 2 vinhos foram servidos com um pampo no forno, com o segundo tinto a harmonizar melhor que o primeiro.
.Qtª do Vallado Sousão 2014 - fruta preta, alguma acidez e taninos, volume médio e final persistente. Está muito novo e unidireccional, faltando-lhe complexidade, mas não sei se a idade a trará. Esta casta não faz a minha felicidade. Nota 16,5+.
Maridou bem com leitão assado, bagos e batata doce.
.Qtª do Vallado Reserva 2014 - arma complexo, muito frutado, acidez equlibrada, taninos domesticados, algum volume e bom final de boca. Ainda muito jóvem, vai melhorar daqui por mais 5/6 anos. Nota 17,5+.
.Qtª do Vallado Reserva 2008 - alguma fruta, notas florais e terciárias, acidez no ponto, especiado, algum chocolate e tabaco, taninos afirmativos mas civilizados, volume e final de boca assinaláveis. Muito elegante e harmonioso. O Vallado no seu melhor. Nota 18,5.
Estes 2 tintos acompanharam lebre com espuma de feijoca e cenoura.
.Qtª do Vallado 20 Anos - frutos secos, acidez equilibrada, algum iodo, taninos presentes, complexidde, algum volume e final muito longo. Nota 18.
Casou bem com um folhado de marmelada e arroz doce.
Foi, ainda, servido um surpreendente 10 Anos.
Quanto ao serviço, nada fácil com os participantes dispersos em 2 salas, correu com bom ritmo, apesar da equipa reduzida, onde brilhou a Ana, uma profissional de 5 estrelas.

sábado, 26 de novembro de 2016

Crónicas em atraso, mais uma vez

Não consigo acompanhar o ritmo frenético das actividades vínicas em que tenho participado, faltando "cronicar" ainda:
.Jantar Qtª do Vallado
.Encontro Vinhos e Sabores 2016 e Painel da Imprensa
.Almoço do grupo dos Madeiras
.Vertical de vinhos Meruge
.Vinhos em família
.Apresentação do Periquita António Zambujo
.Jantar Qtª das Bageiras
Uf! Só espero que o mês de Dezembro seja mais calmo.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Grupo dos 3 (54ª sessão) : um Madeira de excepção

Mais uma sessão às cegas deste núcleo duríssimo, tendo sido o Juca a escolher o restaurante e a trazer vinhos da sua garrafeira (1 branco, 2 tintos e 1 fortificado). A prova decorreu no Bel' Empada (Av. João XXI, 24 mesmo ao lado do Napoleão) já aqui referido em "Belmiro Jesus e suas empadas", crónica publicada em 26/4/2016.
Aqui come-se muito bem, mas a sala, além de ser de reduzidas dimensões é excessivamente ruidosa, prejudicando um pouco a concentração necessária à degustação de vinhos de qualidade. Mais, neste espaço não se pode pagar com cartões, sejam Visa ou simples MB, estratégia do proprietário que não se entende de todo.
Os vinhos em prova foram:
.Chocapalha Reserva 2009 - com base nas castas Chardonnay e Viosinho, estagiou 6 meses em barricas novas de carvalho francês; ainda muito fresco e mineral, bela acidez a prolongar-lhe a vida, presença de citrinos, alguma gordura, volume e final de boca. Nota 17,5.
Acompanhou bem empadinhas de vitela, queijo fresco e paté de figados de aves, mas colidiu com os ovos mexidos.
.Charme 2007 - aberto na cor, nariz contido, aromas e sabores terciários, discreto e elegante, algum volume e final de boca. Nota 16,5+.
Maridou bem com um pampo grelhado e grelos.
.Crochet 2011 - com base nas castas Touriga Franca e Touriga Nacional; ainda com muita fruta, acidez equilibrada, notas de tabaco  e chocolate preto, volume e final de boca assinaláveis. Nota 18.
Fez um casamento feliz com uma empada de vitela e batata frita.
.Artur Barros e Sousa Moscatel Velho 1963 - frutos secos, notas de iodo e caril, acidez q.b., taninos envolventes, volume assinalável e final muito longo. Embora não se note muito a presença da casta, é um excelente e sedutor Madeira. Nota 18,5+.
Acompanhou um belíssimo marmelo assado.
Mais uma grande sessão. Obrigado, Juca!

terça-feira, 22 de novembro de 2016

The Fork Fest (II) : restaurante Trio

O restaurante Trio (Rua Dom Francisco Manuel de Melo, 36A, a Campolide) foi o 2º espaço que visitei no âmbito do The Fork Fest, aproveitando a benesse dos 50 % de desconto. O proprietário e responsável pelos tachos é o chefe Manuel Lino, vindo do Tabik e que pratica uma cozinha de autor.
Na sala está o escanção Ricardo Cavaleiro, responsável por um serviço requintado e altamente profissional.
A carta de vinhos é original, mas um pouco confusa. No dia em que visitei este espaço, os vinhos a copo disponíveis não constavam da carta, enquanto os que lá constavam não existiam. Inventariei 1 espumante (na carta referido como sparkling!), 9 brancos (3 a copo), 2 rosés, 10 tintos (3), 2 Portos e 1 Moscatel, uma oferta nitidamente insuficiente e nada ambiciosa. Preços pouco amigáveis.
Optei por um copo do tinto Gilda 2015 (6 €) - um Bairrada, com base nas castas Castelão, Merlot e Tinta Barroca; muito frutado, alguma acidez, taninos presentes, alguma rusticidade, volume e final de boca médios. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo, em quantidade generosa medida a olho. A temperatura estava nos limites, tendo sido este problema resolvido de imediato.
Foram servidos 2 entretém de boca (brioche recheado com alheira e crocante de camarão com carapau braseado) e, aproveitando os tais 50 %, comi entrada (endívia, puré de amêndoa e morcela), prato (bacalhau com grão, porco e ovo cozido a baixa temperatura) e sobremesa (crumble de sésamo com doce de abóbora e gelado de natas). Entrada surpreendente, mas o prato não me cativou.
A sala é pequena e algo intimista. Poderia ser o espaço ideal para uma refeição romântica, mas o volume da música de fundo não o permite.

sábado, 19 de novembro de 2016

The Fork Fest (I) : restaurante Great Tastings

O Great Tastings (R. Passos Manuel, 91A) foi um dos 2 restaurantes com 50 % de desconto na lista que tive a oportunidade de visitar. Este espaço, à semelhança do Descobre, é um 3 em 1, isto é, desdobra-se em restaurante, mercearia e garrafeira. Como sub-título, pode ler-se "eat drink share live", o que define o espírito da casa.
O proprietário, Pedro Gato de seu nome, apostou fortemente na componente vínica, permitindo que qualquer vinho possa ser servido a copo, incluindo Barca Velha ou Pera Manca. As garrafas têm 2 preços, sendo um para levar para casa e o outro acrescido de 8 €, se consumido na mesa.
A selecção é francamente positiva, com um leque de vinhos alargado nas gamas alta e média alta. Inventariei 15 espumantes, 47 brancos (1 é colheita tardia), 94 tintos, 2 rosés, 10 Portos, 4 Madeiras e 3 Moscatéis. Mais, na carta constam os anos de colheita, coisa que muitos restaurante se esquecem de incluir. O Great Tastings parece ser um caso único na nossa restauração e, daqui, tiro o meu chapéu aos responsáveis por este projecto.
Mas também é um espaço de contradições, pois alterna cadeiras e bancos pouco confortáveis com um serviço irrepreensivelmente profissional, os copos Riedel com os guardanapos de papel, a música demasiado alta com a excelente apresentação dos pratos e os preços acessíveis dos vinhos à garrafa com os preços do vinho a copo algo exagerados. Nada que não possa ser corrigido.
Optei por um copo do Qtª do Portal Grande Reserva 2011 (11 €) - ainda com muita fruta, acidez no ponto, especiado, notas de chocolate e tabaco, taninos presentes mas domesticados, grande volume e final de boca. O Douro no seu melhor! Nota 18,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo, mas com a temperatura nos limites do recomendável.
O vinho acompanhou uma açorda de ameijoas e uma deliciosa chanfana à moda de Coimbra.
Resta dizer que se pode almoçar de 3ª a 6ª feira por 12,50 € (entrada, prato, sobremesa, bebida e café), um preço mais que razoável para uma refeição completa, num restaurante como este.
Tenciono voltar e recomendo este espaço a todos os enófilos, militantes ou não.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Provar vinhos no CCB e no Ritz

O mês de Outubro foi fértil quanto à apresentação e provas de vinhos, tendo eu participado em:
1.Azeites e Vinhos do Alentejo (14 e 15 de Outubro)
Na tenda do CCB decorreu, mais uma vez, a grande prova de vinhos e azeites alentejanos, com organização da Essência do Vinho e apoio da CVR do Alentejo.
Tive a ocasião de provar 30 vinhos, sendo 19 brancos e 11 tintos, uma ínfima parte dos néctares presentes.
Quanto aos brancos provados, de um modo geral pouco interessantes, destaco o Herdade Grande Reserva 2014 e o Plansel Select Verdelho 2015.
Quanto a tintos, apesar de ter provado poucos, dava para perceber que estávamos em presença de vinhos mais interessantes. Destaco o Mouchão 2011, Reynolds Grande Reserva 2007 e Grou 2009 e, logo a seguir, o Rubrica 2013, Herdade das Servas Reserva Vinhas Velhas 2012, Procura 2013 e Selectio Tinta Grossa 2012.
De referir que a maioria dos tintos foram degustados a temperaturas acima do recomendável e que a prova decorreu, parte do tempo, debaixo de uma música ao vivo demasiado agressiva. Não havia necessidade!
2.Decante Vinhos (23 e 24 de Outubro)
No Hotel Ritz, também mais uma vez, teve lugar a apresentação do novo catálogo da distribuidora Decante Vinhos que muito prezo e com a qual tive as melhores relações profissionais e pessoais, quando do tempo das CAV.
Foi um evento muito mais interessante que o anterior, tendo conseguido provar 37 vinhos, sendo 29 tintos e 8 brancos.
Quanto a brancos, destaco o Qtª do Ameal Loureiro 2005 (a grande surpresa da prova) e o Soalheiro Alvarinho Reserva 2015, logo seguidos do Poeira 2014, Lacrau Garrafeira 2011 e Talentus Grande Escolha 2014.
Quanto a tintos, destaque para o Carrocel 2011, Passagem Grande Reserva 2009, Poeira Ímpar 2009, Pintas 2014, Qtª da Manoella Vinhas Velhas 2014 e Aalto PS2014. Logo a seguir o PAPE 2012, Passadouro Reserva 2014, Dona Maria Grande Reserva 2011, Zanbujeiro 2012, Vinha Paz Reserva 2011, Vinha Othon Reserva 2011, Incógnito 2012, Marquesa de Cadaval 2012, CH by Chocapalha 2012, Horácio Simões Grande Reserva 2013 e Mauro VS 2012.
Aqui não havia música aos gritos e a sala era mais ampla que nas sessões do passado.
Foi um prazer, esta prova!

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Curtas (LXXXI) : Dom Joaquim, Mercantina e Descobre

1.Dom Joaquim
Não conhecia este restaurante situado em Évora. Em recente visita fiquei deveras agradado, pois tem uma cozinha alentejana bem sólida, da responsabilidade do Joaquim Almeida, proprietário e a alma do negócio, uma boa carta de vinhos centrada no Alentejo e no Douro, a preços sensatos, bons copos, armários térmicos e um serviço simpático e eficiente. Que mais se pode pedir?
Comi o arroz de lebre, um dos pratos emblemáticos da casa, acompanhado pelo tinto Tiago Cabaço Vinhas Velhas 2012 (nota 17,5). Quanto a sobremesas, é também um ponto forte deste espaço mas, lamentavelmente, não registei o que comi.
Recomendo e tenciono voltar.
2.Mercantina
Visitei a Mercantina do Chiado, que nasceu depois da badalada Mercantina de Alvalade. É a antítese do Dom Joaquim. A lista de vinhos está demasiado centrada no Sul, tendo inventariado 2 espumantes (1 a copo),7 brancos (4), 7 tintos (4), 2 rosés (1), 4 Portos, 1 Moscatel do Douro e 8 italianos.
Os anos de colheita estão omissos, os brancos da região dos Vinhos Verdes separados dos outros brancos, os tintos estão à temperatura ambiente e os vinhos a copo já vêm servidos para a mesa. Só desgraças!
Música de fundo muito alta e guardanapos de papel nas mesas...
Aos almoços de 2ª a 5ª feira, este espaço tem uma sugestão do dia que custa 9,80 €, com direito ao prato (que era uma banal spaghetti com almondegas e mozzarella fundida), a bebida (exclui vinho!?) e café. Já não me lembro o que bebi, mas deve ter sido água...
Não aconselho, nem tenciono voltar!
3.Descobre
Já me referi a este original espaço por diversas vezes, tendo sido a mais desenvolvida ""Descobre", mais uma vez", crónica publicada em 8/9/2013.
Depois das obras que lhe acrescentaram mais uma sala e a esplanada, ainda ficou mais apelativo. Continua com uma ementa original, uma boa selecção de vinhos (que também vendem para fora), , bons copos, armários térmicos e serviço eficiente e simpático.
Na minha última visita optei pelo cabrito no forno, o prato das 2ª feiras que estava uma delícia.
Acompanhou o tinto Qtª da Mimosa Reserva 2011 - ainda com fruta, bela acidez, especiado, notas de chocolate e café, taninos presentes mas domesticados, algum volume e final de boca. Nota 17,5.
Recomendo e tenciono voltar, sempre!

domingo, 13 de novembro de 2016

Grupo dos 3 (53ª sessão) : um branco surpreendente

A última sessão deste núcleo duro de enófilos foi da responsabilidade do João Quintela que escolheu o Real Restaurante, num dia de bufete de bacalhau. Os vinhos (1 branco, 2 tintos e 1 fortificado) vieram da sua garrafeira. E eles foram:
.Poejo d' Algures 2015 branco (Dão) - enologia de Paulo Nunes e selecção de João Quintela e Pedro Garcia, com base nas castas Encruzado, Malvasia e Viosinho; muito frutado, fresco e mineral, acidez no ponto, complexidade, volume e final de boca assinaláveis. Uma grande surpresa e excelente relação preço/qualidade (exclusivo da Garrafeira Néctar das Avenidas). Gostava de o provar daqui a meia dúzia de anos. Nota 18.
Acompanhou pastéis e pataniscas de bacalhau, ovas e outras entradas que não registei.
.Pegos Claros Grande Escolha 2012 (Palmela) - com base na casta Castelão em vinhas velhas, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês e americano; aroma intenso, acidez equilibrada, um toque adocicado que acabou por desaparecer, taninos domesticados, algum volume e um bom final de boca. Nota 17,5.
.Andreza Reserva 2014 (Douro) - com base nas castas Touriga Franca, Touriga Nacional e Tinta Roriz; nariz contido, alguma acidez, taninos ainda por domar, volume e final médios, a faltar-lhe complexidade. Nota 16,5+.
Estes 2 tintos acompanharam uma série de pratos de bacalhau, lamentavelmente não identificados e alguns não muito entusiasmantes.
.Carcavelos Villa Oeiras - nariz neutro, presença de citrinos e frutos secos, alguma acidez e iodo; final seco e curto. Nota 16,5.
Maridou com pastéis de nata (muito bons), tarte de amêndoas e queijos.
Em relação às falhas apontadas, perdoam-se  pois, por 10 € (uma pechincha!), não se pode exigir mais.
Obrigado João e parabéns por este surpreedente branco!

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Vinhos da Madeira em Lisboa : Barbeito, Blandy's e Borges

1.Introdução
A Garrafeira Néctar das Avenidas, no seu 58º evento, cometeu a proeza de trazer a Lisboa as principais marcas de Vinhos da Madeira, agora que a Artur Barros e Sousa saíu de cena.
Na nova sala do restaurante Casa do Bacalhau e com a presença de responsáveis das marcas Barbeito (Ricardo Diogo), Blandy's (Francisco Albuquerque) e Borges (Ivo Couto), decorreu uma "master class", seguida de um jantar, cuja ementa foi harmonizada exclusivamente com fortificados daquelas casas. Na sequência, o chefe João Bandeira foi elogiado, pois não é nada fácil encontrar os pratos mais adequados aos vinhos servidos.
Também é de elogiar a logística do restaurante, ao disponibilizar cerca de 800 copos para o evento!
2.A prova
Sob a orientação dos responsáveis já indicados, provámos por ordem sequencial (não tendo sido fácil tomar notas, limito-me a atribuir as respectivas classificações):
.Barbeito Sercial 20 Anos (17)
.Barbeito Tinta Negra 20 Anos (17+)
.Borges Verdelho 20 Anos (18,5)
.Blandy's Terrantez 20 Anos (18,5)
.Borges Bual 15 Anos (17,5+)
.Borges Malvasia 15 Anos (17,5+)
À margem desta "master class", o João Quintela pregou-nos uma partida que nos surpreendeu completamente, pondo à prova um lote constituído pelos 10 Anos da Borges (Sercial, Verdelho, Bual e Malvasia) que bateria toda a concorrência, acaso fosse válido!
Quanto às intervenções, a do Francisco Albuquerque foi muito pedagógica e equilibrada no tempo despendido, ao passo que a do Ricardo Diogo foi demasiado extensa e muito polémica, ao colocar a casta Tinta Negra (Negra Mole) no mesmo patamar das restantes (Sercial, Verdelho, Terrantez, Bual e Malvasia). O meu total desacordo!
3.O jantar
Em bom ritmo, apenas abrandando no final, bebemos e comemos:
.Barbeito Tinta Negra 1998 (16,5)
.Borges Verdelho 20 Anos
Estes 2 desiguais fortificados maridaram bem com um ceviche de atum e maionese de Vinho da Madeira.
.Borges Sercial 1990 (18)
Conflituou com um delicioso bacalhau num aveludado de caril com risotto de espargos.
.Blandy's Verdelho 1979 (18,5+)
Acompanhou com alguma dificuldade um confit de canard com laranja e puré de citrinos.
.Blandy's Bual 30 Anos (18)
Ligou bem com queijo da ilha de São Jorge.
.Blandy's Malvasia 1999 (17,5)
Fez um casamento feliz com um belíssimo chocolate belga, crumble de laranja e soro de Vinho da Madeira e, ainda, queijadas de Sintra e bolo de mel da Madeira.
Ainda provámos o Barbeito Malvasia Vó Vera 30 Anos (17,5+).
4.Acerca deste evento
.Foi, seguramente, um dos acontecimentos do ano! Os meus parabéns ao João e à Sara Quintela.
.A Blandy's confirmou que continua a ser uma grande marca, a produzir grandes vinhos.
.A Borges é a grande aposta na relação preço/qualidade e a oportunidade de se adquirirem bons Vinhos da Madeira, sem arruinar o orçamento de cada um.
.A Barbeito tem uma péssima relação preço/qualidade e a casta Tinta Negra não me convenceu.
.A Casa do Bacalhau também está de parabéns pela sua heróica logística.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Jantar Qtª Mendes Pereira (Dão) e Porto Krohn

Mais um evento, organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, em que participei. Desta vez foi no Lisboète, um restaurante de que gosto particularmente e já aqui referido em "Almoçar no Lisboète" e "Lisboa Restaurante Week (I) : Lisboète, a confirmação", crónicas publicadas em 1/3/2015 e 3/11/2015, respectivamente. A sala foi objecto de uma recente intervenção que a melhorou, mantendo-se o nível alto de qualidade da gastronomia e do serviço de sala.
Os vinhos foram apresentados pela produtora Raquel Mendes Pereira (o enólogo António Narciso não esteve presente) e por João Alves, responsável pela distribuição da marca Krohn. E eles foram:
.Espumante Maestro 100 % Baga - fresco, bolha fina, notas de pão cozido, consistente e com algum volume, a precisar de comida por perto. Nota 17.
Ligou bem com um profiterole com atum em escabeche.
.Qtª Mendes Pereira 2012 - nariz neutro, alguma acidez, volume e final médios. No ponto para ser consumido. Nota 16+.
Não se aguentou com um risotto de aves com cogumelos.
.Qtª Mendes Pereira Encruzado Reserva 2012 - aroma discreto, fruta madura, acidez equilibrada, madeira bem casada, notas amanteigadas, algum volume e final de boca. Harmonioso e gastronómico. Nota 17,5.
Fez uma excelente maridagem com um prato de bacalhau, lula, crocante de alheira de caça com migas de tomate.
.Qtª Mendes Pereira Touriga Nacional Reserva 2010 - nariz exuberante, ainda com muita fruta, notas florais, acidez no ponto, alguma complexidade, taninos por domar, boca poderosa e final longo; fresco e elegante, mas ainda muito jóvem. Melhor daqui por 7/8 anos. Nota 18.
O prato, magret de pato com puré de aipo e pêra braseada, não aguentou este vinho.
.Krohn LBV 2011 - muita fruta preta, taninos bem presentes mas domesticados, algum volume e final de boca doce. Nota 17.
Ligou bem com um queijo de colher e broa de Avintes.
.Krohn Colheita 1976 (engarrafado em 2016) - frutos secos, acidez q.b., iodo, notas de mel e brandy, taninos envolventes, volume notável e final de boca muito longo; grande complexidade e "finesse". O vinho da noite e a Krohn no seu melhor! Nota 19.
Foi lindamente com uma dacquoise com creme de ginja e frutos do bosque.
Mais uma bela jornada de convívio, beberes e comeres. Só para provar o Krohn 1976, tinha valido a pena participar neste evento.

sábado, 5 de novembro de 2016

Uma prova vertical de Barca Velha : evento excepcional e irrepetível

O Clube Reserva 1500 da Sogrape, com a presença do seu director Manuel Guedes, decidiu comemorar o seu 25º aniversário da melhor maneira: uma prova vertical de Barca Velha (1965, 1982, 1985, 1991 e 2000), orientada pelo seu enólogo Luis Sottomayor, na casa há 30 anos, seguida de jantar, onde o Legado foi estrela. O evento, com 3 edições (Porto, Algarve e agora em Lisboa) foi exclusivamente reservado para um número limitado de sócios (40 de cada vez), sendo eu um dos sortudos. Quem se atrasou na marcação ficou de fora. Azar! A edição de Lisboa decorreu no restaurante da Sogrape, Sandeman Chiado, já aqui referido em "The Sandeman Chiado : a Sogrape em Lisboa", crónica publicada em 21/6/2016.
Sobre estas 5 versões deste icónico vinho, humildemente transcreverei algumas notas de prova do Luis Sottomayor, limitando-me eu a classificá-los, de acordo com o meu gosto e as sensações que me provocaram.
.1965 - "(...) Na boca é muito elegante, com boa acidez, taninos bem envolvidos mas ainda perceptíveis, aromas a especiarias a pimenta e trufas e com um final de excelente elegância e harmonia". Digo eu: achei este 1965 ainda muito fresco, com alguma acidez e fragilidade, sendo necessário tratá-lo com pinças. Foi, para mim, a surpresa da prova. Nota 18+.
.1982 - "(...) Na boca é muito equilibrado, com boa acidez e taninos bem envolvidos (...). O final é surpreendente para um vinho com esta idade, devido à sua persistência, harmonia e complexidade". Digo eu: nariz mais intenso que o anterior, notas salgadas, especiado e elegante. Nota 18.
.1985 - "(...) Equilibrado, tem um final persistente e estruturado, característica essa que lhe proporciona uma lenta e equilibrada evolução". Digo eu: mais neutro no nariz e na boca que os anteriores, apresenta algumas notas vegetais. O facto de ter sido a colheita de Barca Velha com a maior produção (mais de 40000 garrafas), pode estar na origem de o considerar a decepção (relativa, claro) da noite. Nota 17,5+.
.1991 - "(...) Uma das suas grandes características é o corpo e a estrutura que apresenta, o que lhe mantém ainda a capacidade de evolução em garrafa e uma grande longevidade". Digo eu: um volume e final de boca excepcionais. O Barca Velha que mais gostei. Puro prazer! Nota 19.
.2000 - "(...) Um vinho opulento que revela um final extremamente longo, poderoso, complexo e harmonioso". Digo eu: nariz intenso, ainda com muita fruta, acidez e notas especiadas. Ainda longe da reforma. Nota 18,5.
Seguiu-se o jantar, no decorrer do qual provámos/bebemos:
.Qtª dos Carvalhais Reserva 2012 - com base nas castas Encruzado, Bical e Verdelho; aromático, presença de citrinos, acidez no ponto, notas vegetais, alguma gordura, volume e final de boca; ainda longe da reforma e muito gastronómico. Nota 17,5+.
Fez companhia a uma entrada de pregado com caril Thai.
.Legado 2009 - aroma intenso, notas florais, acidez equilibrada, especiado, taninos ainda por domar, volume apreciável e final de boca longo. Melhor daqui a 6/7 anos, está ao nível do Barca Velha, embora apresente um perfil diferente. Nota 18,5.
Maridou muito bem com um excelente bife do lombo com molho de cogumelos.
.Sandeman 20 Anos (engarrafado em 2016) - frutos secos, notas de mel, algum iodo, boa acidez, taninos envolventes, volume e um bom final de boca. Nota 17,5+.
Acompanhou pão de ló, queijo da Serra, doce de ovos e gelado de canela.
.Ferreira Vintage 1991 - nariz contido, notas de passas, figos secos e ginja, taninos envolventes e final de boca persistente. Elegante e harmonioso. Nota 18.
Harmonizou bem com uma tábua de queijos (Ilha, Serra e Alcains).
Resta dizer que o jantar decorreu na sala do 1º andar, com mesas despojadas, mas com guardanapos de pano, bons copos Riedel e serviço à altura dos acontecimentos. Só foi pena ter-se arrastado demasiado e começado muito tarde.
Em conclusão, um evento excepcional que acontece uma vez na vida. Obrigado, Clube 1500!

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Vinhos em família (LXXV) : ainda os brancos

Mais uns tantos vinhos (4 brancos do Douro e 1 fortificado açoreano) provados em família, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. E eles foram:
.Passagem Reserva 2015 - enologia de Jorge Moreira, considerado o melhor branco em prova no Concurso dos Vinhos do Douro Superior, organizado pela Revista de Vinhos; nariz intenso, muito frutado, prevalecendo os citrinos, boa acidez, alguma gordura, volume e final de boca; elegante e gastronómico. Nota 17,5+.
.La Rosa Reserva 2015 - também enologia de Jorge Moreira; com base na casta Viosinho (60 %) e em vinhas velhas (40 %), estagiou em barricas de carvalho francês (50 %) e em inox (50 %); aroma exuberante, frescura e mineralidade, notas florais, acidez equlibrada, volume e final de boca médios. Nota 17.
.Meruge 2014 - enologia de Paulo Ruão, classificado com 90 pontos na Wine Spectator; com base na casta Viosinho em vinhas velhas, estagiou em barricas de carvalho francês; notas de casca de laranja e fruta de caroço, acidez no ponto, gordura, algum volume e final de boca. Gastronómico. Nota 17,5.
.Mirabilis Grande Reserva 2014 (garrafa nº 4087 de 6000) - enologia de Jorge Alves, obteve 92 pontos na Wine Enthusiast e foi o branco vencedor do TOP 10 Vinhos Portugueses da revista Wine; com base nas castas Viosinho, Gouveio e em vinhas velhas, estagiou 9 meses em barricas de carvalho francês e húngaro; aromático, presença de citrinos e maçã, acidez equilibrada, madeira bem casada, alguma mineralidade, volume e final de boca médios. Nota 17 (apesar do curriculo).
.Czar Superior 2009 Doc Pico (garrafa nº 1094 de 2400) - produzido por Fortunato Garcia; com base nas castas Verdelho, Arinto dos Açores e Terrantez do Pico, a partir de ums vinha centenária, estagiou 4 anos em cascos de carvalho francês; frutos secos, notas de brandy e iodo, alguma acidez, volume e final de boca. Embora no rótulo conste como meio doce, é um desastre com sobremesas. É, antes, meio seco e serve perfeitamente como aperitivo. Nota 17,5.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Enoturismo no Dão (VI) : Quinta de Lemos

...continuando:
Esta é a última crónica desta viagem ao Dão, a fechar com chave de ouro. Eu não conhecia a quinta, mas sim alguns dos vinhos deste original produtor, a quem tirei o meu chapéu em "Provar vinhos com a Quinta de Lemos", escrito publicado em 4/8/2016, ao colocar só agora no mercado a colheita de 2011. Um caso raro na produção nacional, sendo de louvar a postura do proprietário, Celso de Lemos, de seu nome.
A intenção é dada logo à entrada da adega, onde se pode ler que "Aqui começa uma viagem pelo mundo dos vinhos do Dão (...)", onde fomos recebidos pelo adegueiro Pedro Figueiredo, o braço direito do enólogo Hugo Chaves. Por ele ficámos a saber que nas vinhas impera a Touriga Nacional (60 % das tintas), seguida da Tinta Roriz (20 %), Alfrocheiro e Jaen (10 % de cada). Quanto a castas brancas, a Encruzado tem o exclusivo. Soubemos, ainda, que 50 % das uvas são esmagadas nos tradicionais lagares com pisa a pé e 70 % dos vinhos são exportados.
Alguns dos nomes atribuídos aos vinhos são uma homenagem às mulheres familiares do produtor, como é o caso da Dona Paulette (mulher), Dona Louise (sogra), Dona Santana (avó) ou Dona Georgina (mãe).
Seguiu-se o almoço no restaurante da quinta, o Mesa de Lemos, muito badalado ultimamente. Em pouco tempo falaram dele a Fugas em 8 de Outubro (texto da Alexandra Prado Coelho), a Evasões  em 23 de Setembro (com a fotografia do chefe Diogo Rocha na capa) e a Revista de Vinhos de Outubro (texto de Luis Antunes). O chefe não estava (apareceu no fim só para cumprimentar o grupo), mas a sub-chefe Inês Beja portou-se à altura.
O restaurante fica no meio das vinhas, com vista para as mesmas e demais espaço envolvente, através da parede envidraçada que se estende por algumas dezenas de metros, podendo também os comensais observar o trabalho da equipa na cozinha aberta.
De realçar o serviço altamente profissional e requintado da chefe de sala e escanção (Emília Craveiro) e sua equipa. Pegar nos copos ou nos talheres, só de luvas brancas calçadas! Mais, a escanção antes de servir o vinho tinto, avinhou os 28 copos Schott do grupo, copo a copo! Nunca tinha visto este trabalho em sítio algum. Só para os ver trabalhar vale a pena a deslocação.
A ementa estava impressa, o que se regista com agrado, embora tivesse sido omitido o ano de colheita dos vinhos servidos.
Bebemos e comemos:
.Espumante Geraldine (penso ser o nome de uma filha) Touriga Nacional 2015 - fresco, boa acidez e bolha fina, cumpriu a sua missão de bebida de boas vindas. É, ainda, um ensaio.
Fez companhia a quatro amuse bouche: gema de ovo e beringela (uma harmonização arriscada), sardinha chamuscada com creme de pimentos, trio de feijão com salada e pastel de massa tenra de bacalhau.
Um pormenor, o couvert só veio para a mesa após terem sido servidas as diversas versões do amuse bouche. É mesmo assim ou foi esquecimento?
.Dona Paulette Encruzado 2014 - fruta madura, acidez abafada pelo protagonismo da madeira, notas amanteigadas, algum volume e bom final de boca. Gastronómico. Nota 16,5.
Acompanhou uma entrada à base de queijo da serra, tomate fresco e seco, manjericão e gelado de limão.
.Dona Santana 2007 - ainda com fruta, acidez equilibrada, especiado, madeira bem integrada , taninos de veludo, volume e final de boca assinaláveis. Todo ele elegante e harmonioso. Nota 18.
Maridou com uma excelente vitela de Lafões com creme de cenoura e favas.
.Generoso (ainda sem nome) 2015 - nariz neutro, fruta exuberante, taninos ainda por domar, acidez no ponto, volume médio e bom final de boca. Uma curiosidade que pode enganar os menos avisados. Nota 16,5.
Não ligou com a sobremesa, um creme queimado de limão.
Este almoço no surpreendente Mesa de Lemos foi, de facto, o ponto mais alto nesta visita ao Dão. O restaurante, agora com um horário decente (jantar de 3ª feira a Sábado e almoço apenas ao Sábado) merece ser visitado (961158503 ou reservas@mesadelemos.com). Boa gastronomia e serviço de 5 estrelas. Aqui fica o desafio!