sábado, 31 de dezembro de 2016

Vinhos em família (LXXVII) : grandes tintos e brancos de inverno, a fechar o ano

Mais uma série de vinhos, todos no patamar da excelência, provados em família e com os rótulos à vista. Um conjunto excepcional para fechar o ano, apesar da ausência de fortificados de eleição. E eles foram:
.Qtª dos Roques Encruzado 2014 - frutado com os citrinos a imporem-se, notas florais, boa acidez e alguma mineralidade, algum amanteigado, volume médio e final de boca com alguma persistência. Elegante, harmonioso e gastronómico. Incompreensível o facto de o contra-rótulo estar todo escrito em inglês! Um dos favoritos do meu amigo Rui (Pingas no Copo). Nota 17,5+.
.Vinha Formal Cercial Parcela Cândido 2015 - na senda da colheita de 2014 que a Revista de Vinhos (RV) classificou com 18,5, a nota mais alta dada a um branco; fruta de caroço, notas florais, acidez e gordura no ponto, algum volume e final de boca muito longo, elegante e gastronómico. Um bom exemplar de um branco de inverno. Estava melhor quando bebido no dia seguinte. Aconselha-se decantação prévia. Nota 18.
.Qtª da Pellada Primus 2013 - Prémio Excelência atribuído pela RV; com base em vinhas velhas; aroma intensamente floral, acidez equilibrada, notas amanteigadas, volumoso e final de boca persistente. Gastronómico, precisa de comida por perto. Outro notável exemplar de branco de inverno. Nota 18.
.Qtª do Vallado Touriga Nacional 2008 - 94 pontos atribuídos pela Wine Spectator e 92 pelo Parker; estagiou 16 meses em meias pipas de carvalho francês; ainda com fruta, notas florais acentuadas, bela acidez, algo especiado, taninos civilizados, volume considerável e final de boca muito longo. A consumir nos próximos 6/7 anos. Nota 18,5.
.Marquês de Borba Reserva 2011 - Prémio Excelência atribuído pela RV; nariz discreto, aromas terciários, acidez equilibrada, notas de lagar e alguma pimenta, taninos de veludo, algum volume e final de boca. Perfil aristocrata, foi prejudicado por ter sido provado ao lado do Pai Abel, melhor no dia seguinte bebido a solo. Nota 18.
.Pai Abel 2011 (comprado em primor) - nariz exuberante, presença de frutos pretos, notas florais, especiado, acidez no ponto, taninos vigorosos, volume notável e final de boca muito longo. Grande complexidade. Ainda demasiado jóvem, há que esperar por ele, podendo ser bebido daqui a 9/10 anos. Nota 18,5+.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Palácio Chiado : um mini Mercado da Ribeira

Fui conhecer o muito badalado Palácio do Chiado (Rua do Alecrim,70), uma espécie de Mercado da Ribeira (MR) em formato reduzido, mas com mesas mais confortáveis e sem turistas (por enquanto). Música demasiado alta e correntes de ar, não o tornam muito apetecível nesta altura do ano. À semelhança do MR, o cliente é avisado electronicamente quando a comida pedida está pronta. A novidade é, quando se chega, receber um cartão tipo MB, onde ficam gravadas todas as despesas a pagar à saída.
Escolhi a banca "Bacalhau Lisboa", onde optei por umas belíssimas pataniscas de bacalhau Riberalves (finíssimas) com arroz de feijão e grelos. Um prato delicioso!
Há, também, um chamado Menú à Barão (prato, bebida e café), a valer 10,90 €, que ainda não experimentei.
Quanto a vinhos, inventariei 1 espumante (também a copo), 2 champanhes, 2 rosés, 13 brancos (todos a copo), 13 tintos (idem) e 3 Portos (idem). Têem, ainda, a sugestão do mês (1 branco, 1 tinto e 1 rosé), a copo ou à garrafa.
Bebi um copo do tinto Qtª das Hidrângeas 2013 (5 €) - muita fruta vermelha, notas florais, alguma acidez, volume e final de boca médios. Equilibrado, mas sem entusiasmar. Nota 16.
A garrafa veio à mesa, mas não foi dado a provar. Servido a olho num bom copo, com a temperatura nos limites.
Vale a pena conhecer o Palácio Chiado, construido no século XVIII, quanto mais não seja para ver o seu interior repleto de frescos e vitrais maravilhosos.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Garrett 47 : mais uma parceria com a Sogrape

Fui, recentemente, visitar mais um espaço de restauração que mantém uma parceria com a Sogrape, tendo os vinhos desta empresa  o exclusivo da respectiva carta, Depois do Tágide Wine & Tapas Bar, da Delfina e do Sandeman Chiado, este mesmo pertença do referido produtor, chegou a vez do restaurante wine bar Garrett 47, cujo nome identifica a sua localização.
A sala, cuja decoração aposta forte no mundo do vinho, é francamente acolhedora, embora eu tivesse sentido algum desconforto ao ser o único cliente presente no dia da minha visita (as cadeiras também não ajudam). Toalhetes e guardanapos de papel.
Quanto aos vinhos, inventariei 13 brancos (11 a copo), 16 tintos (10), 3 rosés (3), 2 espumantes (0) e 18 Portos, sendo de lamentar estarem omissos os anos de colheita. Francamente!
Também separaram os verdes dos outros brancos, incorrecção quase habitual na restauração. Enfim...
Optei por beber o Vinha Grande 2014 (4,80 €) - nariz presente, frutos vermelhos, alguma acidez, notas apimentadas, taninos civilizados, algum volume e final de boca. Nota 16,5+.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num copo de vidro demasiado grosso, em quantidade razoável e temperatura aceitável.
Acompanhou uma alheira de caça com puré de batata doce. Como sobremesa veio um minúsculo pudim Abade de Priscos que, perante a minha estupefacção, só cobraram metade do preço que constava na carta. Vá lá...
A ementa tem alguma originalidade, ao apresentar uma série de menús a que chamaram Rotas (Garrett, Douro, Estremadura e Alentejo), com preços entre os 21 e os 25 €. Para cada menú foram seleccionados 3 vinhos (mais 12 € na conta!).
Há ainda a hipótese de se degustar 12 petiscos (3 a 4,50 €), 4 pratos de peixe e de carne (12 a 21 €) e, ainda as habituais tábuas de queijos e charcutaria.
A revisitar numa próxima oportunidade.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Curtas (LXXXIII) : os vinhos do Paulo Bento, a Enoteca de Belém e Wine & Flavous Film Festival

1.Os vinhos do Paulo Bento
Este epicurista, bom garfo e bom copo, amante de vinhos da Madeira, em boa hora decidiu partilhar com quatro amigos algumas das preciosidades da sua garrafeira. O repasto teve lugar na Casa da Dízima, sobejamente conhecida pela qualidade da sua cozinha e excelência do serviço de vinhos.
Para memória futura, desfilaram:
.Pico Verdelho 1961 vinho Aperitivo da Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico (nota 17)
.Meursault Perrières 1er Cru Louis Latour 2007 (18,5) com risotto de vieiras
.Les Jardins de Babylone Jurançon Sec 2011 (17,5) com cavala gratinada
.Montes Claros T 54 (retirado por ter rolha)
.Júlio Bastos Alicante Bouschet 2012 (17,5+) com lombo de vitela
.Barca Velha 2008 (19) com lombo de vitela
.Markus Molitor Riesling Eiswein 2002 (18) com a sobremesa
.Horácio Simões Moscatel Roxo Superior Seco (16,5) idem
.Artur Barros e Sousa Moscatel Velho 1890 (18,5+) idem
Obrigado Paulo Bento pelo convite e por ter partilhado connosco estas preciosidades!
2.A Enoteca de Belém
Já algum tempo que não visitava este amigável espaço que muito aprecio. Boa gastronomia, copos Riedel e serviço de 5 estrelas.
Bebi e comi:
.Luis Pato Vinha Formal Parcela Cândido 2015 (da minha garrafeira, nota 18) com uma sopa de peixe
.Olho no Pé Vinhas Velhas Reserva 2011 (excelente relação preço/qualidade, nota 18) com lombo de novilho, batata gratinada e cogumelos Portobello
Mais, nem o chefe Ricardo Gonçalves nem o Nelson Guerreiro estavam, mas a máquina funcionou às mil maravilhas.
3.Wine & Flavours Film Festival
A 3ª edição deste evento vais realizar-se na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa (R. Saraiva de Carvalho,41) nos dias 26, 27 e 28 de Janeiro 2017, sob o tema Cinema a Copo.
Entre outras coisas, pode-se participar em almoços e jantares vínicos temáticos, na presença dos chefes Marlene Vieira, João Sá e Nuno Diniz.
Mais informações em //cinemaacopo.wixsite.com/wineandflavours.



terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Jantar Sandra e Susana : o vinho no feminino?

O último jantar vínico do ano (61º) organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, teve como principais protagonistas as produtoras e enólogas Sandra Tavares da Silva e Susana Esteban, que apresentaram vinhos feitos a quatro mãos e outros a solo.
O repasto decorreu na Casa da Dízima que apresentou, mais uma vez, gastronomia de qualidade, harmonizações impecáveis e um serviço de 5 estrelas sob a batuta do Pedro Batista.
Desfilaram:
.Qtª de Chocapalha Arinto 2015 - aroma intenso, presença de citrinos, fresco, acidez vibrante, notas amanteigadas, algum volume e um bom final de boca. Estagiou em inox e vai crescer nos próximos anos, a avaliar pelo 2009, recentemente provado. Gastronómico. Nota 17,5+.
Acompanhou camarão Katafi sobre lâminas de abacaxi.
.Procura 2014 branco - estagiou em barricas usadas de carvalho francês; nariz discreto, fruta de caroço, alguma acidez e gordura; volume acentuado e bom final de boca. Também gastronómico, aguenta pratos mais pesados. No ponto óptimo de consumo. Nota 17,5.
Maridou com bochechas crocantes de bacalhau.
.Tricot 2014 (Alentejo) - com base na casta Touriga Nacional e em vinhas velhas na Serra de São Mamede; aroma intenso, fruta vermelha, notas vegetais, acidez equilibrada, taninos presentes, algum volume e final de boca médio. A consumir nos próximos 2/3 anos. Nota 17.
.Crochet 2014 (Douro) - com base nas castas Touriga Nacional e Touriga Franca; nariz poderoso, notas florais, algum especiado, acidez q.b., taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis. Elegante e harmonioso. Melhor daqui a 5/6 anos. Nota 17,5.
Estes 2 tintos harmonizaram com um lombinho de borrego, puré de míscaros e legumes.
.Procura 2013 - com base na casta Alicante Bouschet e em vinhas velhas da Serra de São Mamede, estagiou 16 meses em barricas novas de carvalho francês; aroma intenso e envolvente, frutos vermelhos, boa acidez, especiado, notas de lagar, taninos ainda por domar, algum volume e bom final de boca.
Conflituou com a tábua de queijos (o Procura branco teria maridado bem melhor).
.Pintas Vintage 2014 - com base numa vinha com mais de 80 anos; muita fruta, taninos intensos, volume e final de boca consideráveis. Pura pedofilia bebê-lo agora.
Também acompanhou a tábua de queijos.
.Pintas 10 Anos - frutado, álcool ainda muito presente, taninos afirmativos, volume e final médios.
Acompanhou um  creme brullé com ragout de laranja.
Voltando ao título desta crónica, há ou não vinho no feminino? O vinho feito por enólogas tem características que o diferenciem do vinho elaborado por enólogos? Ou não? Quem souber que responda.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Curtas (LXXXII) : o BOCA, o António Zambujo e uma nova garrafeira

1.BOCA, a última garrafa
Já mencionei este emblemático vinho por diversas vezes, com destaque para "Novo Formato+ (...) : o BOCA na maior...", crónica publicada em 31/7/2014. Volto, agora, a falar dele pois a minha última garrafa, simpática oferta do meu amigo Juca, foi-se...
Mais, aguentou-se perfeitamente ao lado do Vallado Touriga Nacional 2008 que obteve 94 pontos no Parker e 95 na Wine Spectator. É obra!
2.Periquita António Zambujo
Participei, recentemente, na apresentação desta edição especial António Zambujo 2014, no restaurante bar By the Wine da José Maria da Fonseca, pelo enólogo Domingos Soares Franco, contando com a presença do conceituado músico.
O evento começou com a degustação do Domingos Soares Franco Viognier 2015, a cumprir muito bem o seu papel de bebida de boas vindas e como companhia inicial de uma tábua de enchidos e queijos.
Seguiu-se o Periquita António Zambujo - com base nas castas Castelão (50%), Touriga Nacional (33%) e Touriga Franca (17%), estagiou 8 meses em madeira nova e usada de carvalho francês e americano; aroma fino e intenso, acidez no ponto, especiado, taninos domesticados, volume considerável e final de boca adocicado e com algum comprimento. Uma boa surpresa de um vinho que se impõe por  si próprio, independentemente do protagonismo das pessoas envolvidas. Nota 17,5+.
No final da sessão, foi oferecido a cada participante 1 garrafa e 1 CD com músicas do António Zambujo.
3.Mais uma garrafeira
Abriu no espaço do bar Tapas 47 (ex-Charcutaria Lisboa, Rua do Alecrim 47) a Garrafeira Imperial, com uma boa selecção de vinhos (excepto fortificados que são uma minoria) e preços muito simpáticos.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

A Qtª das Bageiras no 5º aniversário da Garrafeira Néctar das Avenidas

Mais um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, este com um sabor muito especial, pois se tratava de comemorar o seu 5º aniversário. Os meus parabéns ao João e à Sara Quintela e votos de uma vida longa à sua garrafeira.
Coube à Qtª das Bageiras, já aqui referida por diversas vezes, nomeadamente na crónica "Jantar Qtª das Bageiras" publicada em 12/6/2014, abrilhantar esta data, não só com os vinhos mas também com a presença do produtor Mário Sérgio Nuno que os apresentou.
O evento decorreu na Casa do Bacalhau, com o seu habitual serviço exemplar de vinhos, com estes a chegarem à mesa sempre antes da comida, o que nem sempre acontece noutros espaços de restauração.
Desfilaram:
.Espumante Qtª das Bageiras 2014 Rosé, a cumprir a sua missão de bebida de boas vindas e a acompanhar pastéis e pataniscas de bacalhau.
.Avô Fausto 2015 Branco (lançamento) - com base na casta Maria Gomes, passou por madeira usada; nariz discreto, fruta de caroço, boa acidez, notas amanteigadas, volume e final de boca consideráveis. Gastronómico e austero, bem longe dos brancos muito frutados e fáceis de beber. Nota 17,5+.
Fez-se acompanhar por um arroz de línguas de bacalhau (com sal acima do habitual).
.Avô Fausto 2013 Tinto (lançamento) - nariz austero, fruta vermelha, acidez no ponto, notas vegetais, taninos ainda por domar, volume e final médios. Algo rústico e pouco harmonioso. Ainda muito jóvem, precisa de tempo para crescer. Nota 15,5.
Acompanhou com uma feijoada de sames (com sal abaixo do habitual).
.Qtª das Bageiras Garrafeira 2011 - com base em vinhas de mais de 100 anos; aroma intenso, fruta preta, acidez equilibrada, alguma especiaria, taninos presentes mas civilizados, volume assinalável e final de boca extenso. Um bom exemplar da casta Baga, ainda com muito tempo à sua frente, pode esperar mais 8/10 anos. Nota 18.
.Qtª das Bageiras Reserva 1994 - ainda com a cor muito carregada, fruta presente, acidez q.b., taninos ainda por domar, algum volume e final de boca. Os anos não passaram por ele! Nota 17.
Estes 2 tintos maridaram muito bem com bochechas de vitela e puré de batata.
.Qtª das Bageiras Abafado 2004 - frutos secos, alguma acidez e gordura, volume e final médios. Desinteressante. Nota 15,5.
Acompanhou sericaia com ameixa de Elvas.
Foi ainda servida a Aguardente Vínica Velha que não provei.
E, para o ano, espero comemorar mais um aniversário da Néctar das Avenidas!

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Meruge : do vinho à gastronomia

1.Introdução
Por iniciativa dos Lavradores de Feitoria, já aqui referidos em diversas crónicas, a última das quais "Provar vinhos com os Lavradores de Feitoria" publicada em 6/8/2016, participei numa sessão temática que teve como principais figurantes Meruge vinho e meruge erva silvestre gastronómica.
O evento que teve como base a Taberna das Flores, desdobrou-se em:
.prova vertical de Meruge branco (2010, 2011, 2012, 2013 e 2015) e tinto (2003, 2007, 2009, 2010 e 2014), orientada por Olga Martins e Paulo Ruão, já meus conhecidos desde há anos
.almoço com base na erva meruge num menú concebido pelo chefe André Magalhães, também proprietário do restaurante
.conversa sobre ervas silvestre com interesse gastronómico, animada por Graça Soares (empresa Ervas Finas)
2.A prova vertical
Os brancos provados tinham todos como base a casta Viosinho, estagiaram 6 a 8 meses em barricas de carvalho português e apresentarm-se com alguma homogeniedade, tendo sido o meu eleito a colheita de 2010 - muito fresco e mineral, presença de citrinos e alguma gordura, volume e final de boca acima da média; harmonioso e gastronómico. Nota 17,5+.
Seguiram-se as colheitas 2013, 2015 (ambos com 17,5), 2011 e 2012 (ambos com 17).
Os tintos eram baseados maioritariamente na casta Tinta Roriz, loteada com outras, nomeadamente a Touriga Franca, estagiaram 12 a 18 meses em barricas de carvalho francês e apresentaram-se pouco homogéneos.
O meu preferido foi o 2010 - muito aromático e fresco, belíssima acidez, notas especiadas, taninos delicados, volume e final de boca assinaláveis; elegância e complexidade. Nota 18.
Seguiram-se as colheitas 2007 (17,5), 2003 (17), 2009 (16,5+) e 2014 (16,5).
Curiosamente, os meus eleitos eram ambos do mesmo ano, a colheita de 2010.
3.O almoço
A Taberna das Flores está na moda, mas não tem as condições desejáveis para uma prova como esta, pois estávamos muito apertados e desconfortáveis. Os copos (Schott), certamente alugados, estiveram à altura. Quanto ao serviço, muito esforçado, nem sempre conseguiu servir o vinho antes da comida chegar à mesa.
No entanto, para compensar, é justo dizer que a gastronomia brilhou, estando o chefe André Magalhães e a sua equipa de parabéns.
Para memória futura, comemos:
.chouriças e alheiras com molho vinagrete de meruges, para começar
.covilhetes com salada de meruges (entrada)
.caldo de urtigas com salpicão (sopa)
.bacalhau com feijocas (peixe)
.postinha de vitela com arroz de repolgas e castanhas (carne)
.marmelada em cama de flores, creme de medronhos e queijos transmontanos (sobremesa)
Acompanhei com os meus vinhos preferidos, o Meruge 2010 branco e tinto.
4.Os convidados
Esta sessão foi praticamente exclusiva para meios de comunicação social (Revista de Vinhos, Jornal Económico, Vida Económica, Sábado, Vida Rural, Rádio Comercial, Correio da Manhã e Boa Cama Boa Mesa), blogosfera (Abram a Boca..., Copo de 3, Enófilo Militante, Joli Wine & Food, Moroso on Wine e My Wine Tours) e, ainda, alguns sites na área da gastronomia como é o caso do Virgílio Gomes e o José Miguel Dentinho.
Uma palavra final de agradecimento para a Joana Pratas, sempre muito simpática e incansável em tudo o que se relacione com os eventos que organiza, este e muitos outros.



domingo, 11 de dezembro de 2016

Vinhos em família (LXXVI) : a vez dos tintos

Mais uns tantos vinhos provados descontraidamente em família e com os rótulos à vista. Desta vez, em contramão com a LXXV, foram contemplados 5 tintos (1 Dão, 1 Bairrada e 3 alentejanos), todos a portarem-se bem.
E eles foram:
.Qtª de Lemos Touriga Nacional 2009 - muito aromático, frutos vermelhos bem presentes, notas florais e especiadas, alguma acidez e volume e um bom final de boca. Elegante e harmonioso, ainda tem muitos anos à frente. Nota 18.
.Qtª das Bageiras Garrafeira 2010 (garrafa nº 4135/6896) - Prémio Excelência da Revista de Vinhos; com base na casta Baga em vinhas velhas, fermentou sem desengace; nariz contido, boa acidez, especiado, taninos presentes mas domesticados, elegante, volume e final de boca apreciáveis. Melhor daqui a 5/6 anos. Nota 18.
.Dona Maria Grande Reserva 2010 - com base nas castas Alicante Bouschet (50 %), Petit Verdot e Syrah em vinhas velhas, estagiou 1 ano em barricas novas de carvalho francês; nariz exuberante e complexo, fruta preta, acidez equilibrada, notas de chocolate e tabaco, taninos de veludo, volume notável e final de boca muito longo. Uma grande surpresa vinda do Alentejo, pode ser consumido nos próximos 2/3 anos. Nota 18,5.
.Poejo d' Algures 2011 - com base nas castas Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Syrah e Cabernet Sauvignon, estagiou em barricas de carvalho francês de 2º ano; produção de Monte dos Cabaços e enologia de Margarida Cabaço e Susana Esteban, selecção de Pedro Garcia e João Quintela; nariz afirmativo, ainda com fruta, alguma acidez, notas especiadas, taninos macios, volume médio e bom final de boca. Está no ponto óptimo de consumo. Exclusivo da Garrafeira Néctar das Avenidas. Nota 17+.
.Reguengos Reserva dos Sócios 2012 - com base nas castas Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet; nariz austero, presença de frutos vermelhos, alguma acidez, notas de chocolate, taninos domesticados, algum volume e final de boca. Também pronto a ser bebido. Nota 17+.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Almoço com Vinhos Fortificados (25ª sessão) : 2 Madeiras do séc XIX de arrasar

Esta última sessão foi da responsabilidade do casal Marieta/José Rosa que ofereceu ao chamado Grupo dos Madeiras, reforçado com o seu filho João Rosa, vindo expressamente de Londres para o efeito, um almoço na Casa da Dízima, com vinhos da sua garrafeira.
Começámos com o branco Bouchard Pére & Fils Meursault Premier Cru Genevrières 2007 Domaine de Beaune, Côte d' Or Magnum (uf!, que nome tão comprido...) - nariz muito atractivo, bela acidez, fruta de caroço e citrinos, sedoso na boca, volume e final de boca consistentes. Nota 18+.
Acompanhou queijos (Azeitão, QtªMadre de Água, Fornos de Algodres e Castelo Branco), bacalhau fumado, presunto Joselito grande reserva e paio da presa).
Seguiu-se:
.Soalheiro Alvarinho Reserva 2010 Magnum - aroma intenso e complexo, fruta madura, belíssima acidez, notas amanteigadas, bom volume e final de boca longo. Muito complexo e um belo exemplar desta reputada marca. Nota 18+.
Maridou com uma série de tapas (crocante de farinheira de porco preto, biqueirão em vinagrete, terrina de fois gras, lombo de cachaço e lascas de bacalhau fumados e, ainda, diversos queijos) e uma excelente entrada de risotto de vieiras frescas em manteiga de lavagante.
.Soalheiro Alvarinho Reserva 2013 - mais fresco e mineral que o anterior, presença de citrinos, alguma acidez e volume de boca, persistência acentuada. Nota 18.
Também acompanhou o risotto.
.Henriques & Henriques Sercial Solera 1898 - frutos secos, vinagrinho, notas de iodo, caril e brandy, taninos ainda muito presentes, acentuado volume e final de boca muito longo. Complexo e sofisticado. A Madeira no seu melhor: tanta idade e tanta juventude. Inacreditável! Nota 19.
Este Sercial foi bebido com todo o respeito e pôs o palato a zeros.
.Qtª Vale Meão 2010 Magnum - aroma intenso e muito fino, acidez equilibrada, notas balsâmicas, taninos impressionantes, volume e final de boca notáveis. Ainda está para durar, mais uns tantos anos. Nota 18,5.
.Qtª Vale Meão 2009 - ainda com muita fruta e alguma acidez, menos complexo que o anterior, taninos mais discretos, bom volume e final de boca. Nota 18.
Estes 2 tintos fizeram um bom casamento com uma excelente bochecha de vitela, cozinhada a baixa temperatura, com chalotas, castanhas e ervilhas tortas.
.JPL Boal 1880 (Madeira do avô do Francisco Albuquerque) - aroma intenso, vinagrinho acentuado, notas de iodo e brandy, taninos intensos, volume acentuado e final de boca extenso. Todo ele de grande complexidade. Nota 19.
Este fortificado harmonizou muito bem com uns saborosíssimos brownies de batata doce e de alfarroba com gelado.
.Artur Barros e Sousa Bual Velha Reserva 1958 - nariz afirmativo, frutos secos, notas de vinagrinho e brandy, taninos suaves, volume e final de boca assinaláveis. Menos complexo que os seus irmãos mais velhos. Nota 18.
Boa comida, bons copos e temperaturas, serviço de 5 estrelas, a cargo da equipa conduzida pelo Pedro Batista. Só foi pena que o nosso amigo Adelino, mentor deste grupo, não pudesse estar presente, por motivos de saúde.
Mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes. Obrigado Marieta e José Rosa!

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Encontro com o Vinho e Sabores (EVS) 2016

Estive presente em mais um EVS, o 17º, o acontecimento vínico do ano, sem qualquer dúvida. Este último estava organizado com mais de 450 produtores, 226 stands de vinho, 28 de sabores e 10 de acessórios. Contou, ainda, com 13 provas especiais e 12 sessões, entre tertúlias e demonstrações culinárias. É obra!
Participei apenas na 2ª feira, o dia destinado aos profissionais e o mais calmo, se comparado com o fim de semana. É a grande oportunidade de matar saudades e trocar 2 dedos de conversa com amigos, antigos clientes, produtores, enólogos e outros agentes do vinho. Quanto a vinhos, tive a oportunidade de provar 70 referências, 1 branco (o Teixuga 2013, por curiosidade), 59 tintos e 10 fortificados, uma ínfima amostragem do que se encontrava por lá, mas que chegou para me anestesiar o nariz e neutralisar o palato.
Quanto aos tintos, o que mais me impressionou foi o Kompassus Private Selection 2011, logo seguido de Qtª de Bageiras Garrafeira 2011, Vale de Ancho Reserva 2011, Esporão Private Selection 2012, Calda Bordaleza 2008, Diga? 2008, Qtª da Gricha 2012, António Saramago Superior 2010, Villa Oliveira Touriga Nacional 2011 e o 2221 Terroir Cantanhede 2011. Também me ficaram na memória Qtª dos Murças Reserva 2011, Aguia Moura Garrafeira 2011, Buçaco Reservado 2013, Qtª da Alameda Reserva Especial 2012, Campolargo 2011, Luis Pato Vinhas Velhas 2012, Vinha dos Amores Touriga Nacional 2011 e Qtª de Lemos Touriga Nacional 2010. De destacar a presença da excepcional colheita de 2011, com 9 vinhos eleitos num total de 18.
Quanto aos fortificados, o meu grande destaque vai para o Burmester 40 Anos e Vallado 30 Anos, seguidos do surpreendente e, para mim, totalmente desconhecido Blackett 30 Anos, Calém 40 Anos e Vasques Carvalho 40 Anos. Nota alta, ainda, para Messias 40 Anos, Blackett 20 Anos e Qtª do Noval Colheita 2003.
Acabei por almoçar no local, stand Abre Latas que se intitula pomposamente "eating house & catering". Em má hora o fiz, pois comprei 2 doses já preparadas, uma de bacalhau com grão e outra de polvo com feijão preto, só que embora saborosas, tanto o bacalhau como o polvo, tinham metido dispensa. Só à lupa! Para compensar bebi um copo de um desconhecido, surpreendente e gastronómico branco que dá pelo nome de Kelman Enruzado 2013 (Dão).
O EVS 2016 contou, ainda com a habitual Escolha da Imprensa, de cujo painel de prova cega, por simpático convite da Revista de Vinhos, fiz parte.
E, para o ano, há mais!

sábado, 3 de dezembro de 2016

Livros para o Natal

1.Para enófilos, militantes ou não
Para este universo, aconselho vivamente o livro do João Paulo Martins (JPM), "Histórias com Vinho & outros condimentos" (Ed. Oficina do Livro), com base em crónicas publicadas na Revista de Vinhos e em diversas outras publicações, algumas delas acrescidas de comentários do autor actuais.
Esta publicação divide-se em 3 partes:
1ª - Ao sabor da História (bem regada)
Aqui o JPM faz jus à sua formação base (História), informando o leitor que "A literatura portuguesa sobre vinho tem alguns nomes incontornáveis. Um deles é Rui Fernandes, autor que viveu em Lamego no séc. XVI e nos legou uma descrição pormenorizada sobre o Douro e o vinho". Sabiam disto? Eu, não. Também ficamos a saber que Cincinato da Costa, um estudioso da nossa agricultura e autor da monumental obra "O Portugal Vinícola", publicda em 1900, referiu em 1906, numa das revistas "A Vinha Portuguesa", que a vinha do Poceirão seria a maior do mundo (!), extendendo-se desde o Pinhal Novo até à estação do Poceirão. Também não sabia.
2ª - Tirar o vinho do sério
A veia humorística do JPM, está bem expressa nesta parte do livro, contando-nos umas tantas histórias hilariantes, algumas reais, outras imaginadas. Numa delas, "Os vinhos da Presidência portuguesa", engendra no Jornal à Mesa, em Março de 1992, uma situação surrealista à volta da concepção do Centro Cultural de Belém, brincando com o facto de o arquitecto Gregotti não ter previsto uma garrafeira no CCB. Comentou agora que afinal sempre abriu a tal garrafeira, Coisas do Arco Vinho, cujos proprietários (o Juca e eu) usaram o seu texto para promoverem a loja. De facto, a propósito deste artigo do JPM, escrevi no discurso do 1º ano das CAV, parcialmente publicado na brochura comemorativa do nosso 10º aniversário que a ficção se teria transformado em realidade.
3ª - A batalha da mesa
Num dos capítulos desta última parte, refere o autor que, a propósito dos restaurantes, "Normalmente pouco se fala dos vinhos e ainda menos sobre o seu serviço. E por serviço devemos ter em conta coisa muito simples como os copos, a temperatura do vinho e a sua eventual decantação, no caso de ter sido necessária". Assino por baixo e considero-me um enochato, quando o serviço de vinhos na restauração não tem o mínimo de qualidade.
Noutro capítulo, o JPM volta à carga, referindo que "(...) as cartas de vinho são uma miséria, e o serviço uma desgraça. Ressalvo aqui uma excepção que me vem sempre à memória e nunca é demais referir: o Manjar do Marquês, em Pombal (...)". Também assino por baixo e já o escrevi mais de uma vez em crónicas aqui publicadas.
2.Para principiantes
."O Vinho na Ponta da Língua", de Maria João de Almeida (Ed. Saída de Emergência)
."Especialista de Vinhos em 24 Horas", de Jancis Robinson (Ed. Casa das Letras)
."Branco ou Tinto?", de Joana Maçanita (Ed. Manuscrito)
."Guia Popular de Vinhos 2017", de Aníbal Coutinho (Ed. Presença)
A propósito, alguém deu pela saída do Guia do JPM?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Bagos Chiado : revisão da matéria

No espaço de 2 meses, visitei este restaurante 5 vezes (a solo, com a companheira, com o Grupo dos 3, com um casal amigo e no jantar Qtª do Vallado), tendo-o referido aqui nas crónicas "Curtas (LXXX) : Bagos Chiado (...)", "Grupo dos 3 : brancos em alta no Bagos Chiado" e "Jantar Qtª do Vallado (...)", publicadas em 27/9/2016, 13/10/2016 e 29/11/2016, respectivamente e que não esgotaram o que há para dizer sobre este espaço.
A lista de vinhos tem alguma originalidade, fugindo da "chapa 5" da maioria dos restaurantes, a preços sensatos. Inventariei 4 espumantes (1 a copo), 26 brancos (3), 34 tintos (3), 2 rosés (1), 3 Portos, 2 Madeiras, 2 Moscatéis e 1 Licoroso, podendo ser bebidos a copo todos os fortificados. A única crítica a fazer é que os vinhos da Região dos Vinhos Verdes foram colocados separadamente dos restantes brancos, o que não faz sentido. Nas cervejas, nota-se a ausência das artesanais que agora estão na moda e pelas melhores razões: é que depois de ter provado uma destas, acho intragáveis as industriais.
Quanto a vinhos bebidos neste espaço, para além dos referidos nas crónicas indicadas registei:
.Vinha de Reis 2014 branco - com base nas castas Encruzado, Bical e Malvasia; bom equilíbrio entre a acidez, os citrinos e a estrutura. Gastronómico. Nota 17,5.
.Vicentino 2014 tinto - aroma discreto, fruta vermelha, razoável acidez, volume e final médios. Nota 17.
Quanto a comeres na lista, curta, constam 6 entradas, 5 peixes, 4 carnes e 5 sobremesas que incluem arroz. Entre outros pratos, registei e comi com muito prazer:
.caldo de legumes com cogumelos e massa de arroz
.costoleta de borrego com salada de pera e farinha de arroz
.carolino de carne de porco com lingueirão e coentros (divinal!)
De registar que de 3ª feira a sábado, ao almoço, se pode comer por
.12 € (entrada ou sobremesa e prato) ou
.15 € (entrada, prato e sobremesa)
Finalmente, o Bagos Chiado já foi objecto de críticas muito favoráveis em:
.Expresso (Fortunato da Câmara) - "O Bagos Chiado junta a nossa cozinha de arrozes a um dos melhores cozinheiros nacionais"
.Time Out (Alfredo Lacerda) - atribuiu 4 estrelas no máximo de 5.