terça-feira, 21 de novembro de 2017

Grupo dos 3 (58ª sessão) : vinhos e gastronomia de eleição

Após um longo interregno (a 57ª sessão foi em Junho), este grupo de enófilos da linha dura retomou as actividades vínicas. Os vinhos (1 branco, 2 tintos e 1 Porto) sairam da minha garrafeira e, para o repasto, escolhi o restaurante Numni já aqui referido em "Lumni : o novo poiso do chefe Miguel Castro e Silva", crónica publicada em 1/8/2017.
Foi um grande almoço, com o chefe Miguel Castro e Silva (MCS)* inspirado e presente ao longo de todo o repasto e o serviço de vinhos (temperaturas, copos e "timing"), a cargo do João Gomes, a correr muito bem. Resta dizer que todos os vinhos, previamente decantados, foram provados às cegas.
Desfilaram:
.Marquês de Marialva Grande Reserva 2013 (engarrafado em 2016) - enologia do Osvaldo Amado, com base na casta Arinto (100 %) estagiou 12 meses em barrica e 6 em garrafa; alguma oxidação nobre, fruta madura, acidez equilibrada, notas amanteigadas, algum volume e final de boca. Um branco austero, contra a corrente e gastronómico. "Descobri-o" no último Bairradão. Nota 17,5+.
Acompanhou o couver e a entrada de 3 peixes (atum braseado, robalo marinado e tártaro de camarão), mas passou-lhe por cima. Iria melhor com um peixe no forno (esta entrada harmonizava bem com um Alvarinho).
.Palácio da Bacalhôa 2009 - foi Prémio Excelência 2015 atribuído pela antiga Revista de Vinhos e obteve 94 pontos na Wine Enthusiast; com base nas castas Cabernet Sauvignon (68 %), Merlot (28 %) e Petit Verdot, estagiou 16 meses em barrica e 12 em garrafa; aromas terciários, acidez bem presente, especiado, taninos evidentes, algum volume e final de boca extenso. Complexo, fresco e elegante. Está no ponto óptimo de consumo. Nota 18.
Harmonizou bem com o bacalhau à Gomes de Sá com azeite da Qtª de Ventozelo.
.Passagem Reserva 2009 (uma das 2200 garrafas produzidas) - considerado pela Essência do Vinho o melhor tinto do ano (em 2016) e obteve 95 pontos no Parker; enologia do Jorge Moreira, com base nas castas Touriga Franca (45 %), Touriga Nacional (40 %) e Tinto Cão (15 %), só foi lançado em 2016!; nariz exuberante, ainda com fruta vermelha, acidez no ponto, notas especiadas, grande estrutura e final de boca muito persistente. Muito complexo e longe da reforma, pode ser bebido nos próximos 7/8 anos. O Douro no seu melhor! Nota 18,5+.
Casou bem com uma costela mendinha e risotto de sepes.
.Dalva Colheita 1985 - bem pontuado pela Jancis Robinson (18 em 20); frutos secos, casca de laranja, acidez equilibrada, notas de iodo e brandy, taninos ainda bem presentes, volume e final de boca consideráveis. Com um tawny desta qualidade, dispenso bem um vintage. Nota 18,5.
Acompanhou uma pera caramelizada com gorgonzola, o elo mais fraco de um excelente repasto.
Foi mais uma grande sessão, com vinhos e gastronomia de eleição.
* o chefe MCS, além deste Lumni, também é responsável pela gastronomia do Less (Embaixada, no Príncipe Real), cafetaria da Pollux (Rua dos Fanqueiros), cafetaria do Museu da Gulbenkian e, desde há pouco tempo, pelo Mercado (cafetaria do Hotel Lumiares).

sábado, 18 de novembro de 2017

Grandes Escolhas - Vinhos e Sabores

À semelhança dos anos transactos, participei no Grandes Escolhas - Vinhos e Sabores, mas apenas no dia 30 (2ª feira), a jornada reservada aos profissionais que decorre sempre sem grandes confusões, até porque o novo espaço, na FIL, é muito mais amplo. Organização impecável, por parte da VINHO, a antiga Revista de Vinhos.
Costumo aproveitar este evento para, além de provar vinhos, reencontrar amigos, produtores, enólogos, vendedores e antigos clientes, com os quais tive as melhores relações pessoais e institucionais nos tempos da saudosa loja/garrafeira Coisas do Arco Vinho.
Provei, neste dia 30, 71 vinhos (2 brancos, 48 tintos e 21 fortificados).
Por curiosidade provei os brancos Marquesa de Alorna Grande Reserva 2015 (o vencedor do painel da imprensa, do qual fiz parte) e o Regueiro Alvarinho Barricas 2015, um branco para beber daqui a uns anos.
Quanto aos tintos destaco, em primeiro plano, os clássicos Poeira 2014, Abandonado 2013, Domingos Alves de Sousa Reserva Pessoal 2008, Calda Bordaleza 2009, Duorum Reserva 2015, CV 2014, Qtª da Touriga Chã 2014, Júlia Kemper Touriga Nacional 2012, Qtª da Falorca Noblesse Oblige 2011, Kompassus Private Selection 2007 e 2011 e, ainda, o surpreendente Ataíde Semedo Grande Reserva 2015.
Logo a seguir, nota alta para Qtª La Rosa Reserva 2014,Vinha do Lordelo 2013, Robustus 2013, Palpite Grande Reserva 2014, Qtª Vale Meão 2015, VZ 15 Gerações 2013, Dalva Grande Reserva 2014, Qtª Ventozelo Essência 2014, Calheiros Cruz Memórias Grande Reserva 2014, Qtª Crasto Vinhas Velhas 2015 e Chryseia 2015.
Quanto aos fortificados destaque para os Portos Rozés +40 Anos, Graham's 30 Anos e Colheita 1972, Burmester Tordiz 40 Anos, Sandeman 30 Anos e Madeira Henriques e Henriques Terrantez 20 Anos. Logo a seguir, em plano alto, os Portos Messias 30 Anos e Colheita 1967, Graham's 40 Anos, Burmester Colheita 1989, Kopke Colheita 1981, Vasques de Carvalho 30 Anos (não provei o 40 Anos, porque já tinha acabado), Ramos Pinto 30 Anos, Amável Costa 40 Anos (completamente desconhecido, para mim), Madeira Henriques e Henriques Boal 15 Anos e Moscatel Alambre 20 Anos.
Grande e extenuante jornada! Para o ano há mais...

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A chefe Felicidade : o bom e o mau

Já aqui me referi, por mais de uma vez, à Cozinha da Felicidade situada no Mercado da Ribeira, onde tive boas e más experiências. Mas diga-se, desde já, que a comida ali apresentada esteve sempre a um nível superior de qualidade. Já o mesmo não posso dizer do serviço, conforme relatei em "Curtas (LXI) : Mercados (Ribeira, Algés e CCB)", crónica publicada em 7/8/2015.
Recentemente fui conhecer o Pharmacia (R. Marechal Saldanha,1 no edifício do Museu da Farmácia), com uma espectacular esplanada exterior.
Optei por comer, em partilha com a minha companheira:
.arroz carolino de lingueirão com coentros
.polvo à lagareiro com salada algarvia e puré de batata doce
.mousse de amendoim, banana da Madeira e caramelo salgado
Nada a opor, antes pelo contrário, pois estava tudo no patamar da excelência.
Já quanto ao serviço, o que me aconteceu é inqualificável. Eu explico: pedido um dos poucos vinhos a copo, o Chocapalha Chardonnay, veio para a mesa já servido, o que acho péssimo (o copo César & Castro até era bom). Como a carta de vinhos é omissa quanto a anos de colheita, o que se lamenta, pedimos para ver a garrafa. Mas, para nosso espanto, o que me foi mostrado não era o vinho pedido. Tratava-se do branco Monopólio Chardonnay, um vinho regional do Minho!
Quantos clientes foram já enganados, por não terem pedido para verem a garrafa?
Isto é inqualificável. Uma autêntica fraude!
Quem dá o nome a um espaço de restauração, como é o caso da Susana Felicidade, tem responsabilidades, não só na cozinha como também na sala. Tem que saber o que se passa.
Cartão amarelo à chefe Felicidade!

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Novo Formato+ (28ª sessão) : bons vinhos e azeites

O último encontro deste grupo de enófilos e respectivas companheiras  foi da responsabilidade do casal Marieta/José Rosa que escolheu o restaurante Sem Dúvida, já aqui referido por diversas vezes. A comida (tradicional portuguesa) e o serviço de vinhos (copos, temperaturas, etc), debaixo da batuta do Sérgio, estiveram à altura dos acontecimentos.
Antes do repasto propriamente dito, fizemos uma prova de 4 azeites da marca Rosmaninho (Cooperativa dos Olivicultores de Valpaços). Na mesa as variedades Cobrançosa, Verdeal, Madural e, ainda, um azeite Premium resultante de um lote destas variedades (que foi aquele que eu mais gostei).
Na mesa estavam, para petiscar, charcutaria fatiada, queijos e salgados diversos, todos de qualidade.
Quanto a beberes e comeres, desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2012 - fresco e mineral, cítrico, acidez no ponto, notas amanteigadas, algum volume e final de boca assinalável. Fino, elegante e gastronómico. Nota 17,5+ (noutras situações 17,5+/17,5/18/18/18).
Ligou bem com uma entrada de polvo laminado.
.Soalheiro Alvarinho Reserva 2014 - cor com alguma evolução, nariz inicialmente muito fechado, boa acidez, cítrico e untuoso, bem estruturado e final de boca extenso. Gastronómico, precisa de mais 3/4 anos para chegar ao patamar de qualidade do Reserva 2007. Vai lá chegar! Nota 18 (noutra 18).
Harmonizou com uma tranche de garoupa com um belíssimo arroz de lingueirão.
.Charme 2008 (em magnum) - aberto na cor, fresco, bela acidez, especiado, taninos presentes mas civilizados, algum volume e final longo. Perfil borgonhês, elegante e sofisticado. Nota 18 (noutra 17).
Casou bem com um naco de vitela barrosã com couve pakshoi, batata gratinada e cogumelos selvagens.
.CF Reserva Tawny Doce (Cockburns) - frutos secos, iodo, alguma acidez e taninos, demasiado doce algo enjoativo, volume e final de boca assinaláveis. Alguma desilusão. Nota 17.
.Artur Barros e Sousa Bual Velho 1965 - muito fresco e com acidez, presença de frutos secos e notas de caril, taninos civilizados, algum volume e final de boca. Nota 17,5+.
Foi mais uma grande sessão de convívio, bons vinhos e azeites e boa gastronomia.
Obrigado Marieta e J.Rosa!

domingo, 12 de novembro de 2017

Vinhos em família (LXXXII) : ainda os brancos

Mais uns tantos vinhos provados sossegadamente em família, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. E eles são:
.Parcela Única Alvarinho 2013 - um dos grandes brancos do Anselmo Mendes, estagiou 9 meses em barricas de carvalho francês; nariz afirmativo, com sugestões cítricas, pessego e melão, alguma acidez e gordura, considerável volume e final de boca médio. Gastronómico. Nota 17,5+.
.Maçanita Malvasia Fina 2015 (Douro, uma das 1008 garrafas produzidas) - enologia dos irmãos Joana e António Maçanita; 100 % Malvasia Fina proveniente de vinhas no Baixo Corgo a 700 metros de altitude, estagiou 6 meses em inox; presença de citrinos e maçã cozida, alguma  acidez e notas amanteigadas, volume e final de boca médios. Uma curiosidade. Nota 16,5.
.Casa das Gaeiras Reserva Vinhas Velhas 2015 (DOC Óbidos) - enologia de António Ventura, com base na casta Vital em vinhas velhas, recuperadas há meia dúzia de anos; alguma evolução, notas de fruta madura e amanteigadas, acidez equilibrada, algum volume e final de boca médio. Austero e com personalidade. Nota 17,5.
.Borges Bual 15 Anos - estagiou em pipas de carvalho de 650 litros; nariz exuberante, presença de frutos secos, algum mel e uma forte componente de iodo, acidez equilibrada, volume e final médios. Nota 17,5.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Provar vinhos no CCB e no Hotel D. Pedro

1.Vinhos do Alentejo
Na tenda do CCB decorreu, mais uma vez, a grande prova anual de vinhos alentejanos, organizada pela CVR do Alentejo, sendo necessário comprar o respectivo copo ou levá-lo de casa, como eu fiz.
Tive a oportunidade de provar 36 vinhos (10 brancos e 26 tintos), uma ínfima parte dos néctares ali presentes.
Quanto aos brancos provados, de um modo geral pouco interessantes, destaco apenas o surpreendente Mamoré de Borba Reserva 2015. Já o mesmo não posso dizer do Mamoré de Borba 2016, vinificado em talha.
Quanto a tintos, muito mais interessantes, destaco num primeiríssimo plano o Herdade do Peso Ícone 2014 e o Esporão Private Selection 2012. Dois belíssimos vinhos, que não me importaria de levar para a tal ilha deserta. Logo a seguir, destaque para Malhadinha 2014, Reynolds Grande Reserva 2008, Comenda Grande Grande Reserva 2013, Herdade São Miguel Private Colection 2013, Qtª do Mouro Rótulo Dourado 2012, MR Premium 2012, Impar 2011, Couto Saramago 2015 e Júlio Bastos Private Selection 2012 ( a ordem é cronológica).
Pena é que a maioria dos tintos provados estivesse à temperatura ambiente, o que os prejudicou.
2.Decante Vinhos
Esta distribuidora, talvez a que possui o portefólio de maior qualidade, deixou o tradicional espaço do Hotel Ritz e passou-se para o Hotel D. Pedro. O espaço tinha óptimas condições e não foi preciso comprar o copo ou trazê-lo de casa. Apoio logístico exemplar, com a mais valia de se poder provar umas tapas para entreter a boca.
Nesta prova consegui degustar 42 vinhos (17 brancos, 20 tintos e 5 fortificados), em geral mais interessantes comparados com o evento anterior.
Dos brancos destaco, em grande plano, o Qtª La Rosa Tim Grande Reserva 2015 (uma grande novidade) e o clássico Soalheiro Alvarinho 2011 (ainda cheio de vida). Logo a seguir, o Poeira 2015, Vinha Paz Reserva 2015, Primus 2015 (versão sem madeira) e Nossa Calcário 2016.
Quanto a tintos, destaco em primeiro plano o surpreendente Trois Castelão Vinhas Velhas 2015 (Horácio Simões), Sidónio Sousa Garrafeira 2011 e Pintas 2015. Logo a seguir, o Zambujeiro 2013, Procura 2013, CH by Chocapalha 2013, Casa Cadaval 2013, Nossa Calcário Baga 2015, Qtª Pellada Alto 2013, Qtª Pellada Casa 2013, Qtª Pellada 2012, Carrocel 2012, Poças Reserva 2015, Talentus Grande Escolha 2014, Qtª Manoella Vinhas Velhas 2015, M.O.B. Touriga Nacional 2014 e o Poeira 2016.
Finalmente, nos fortificados, nota alta para o Poças Colheita 1967 e Borges Sercial 1990. Logo de seguida, destaque para o Moscatel Roxo Excellent Superior.
Foi um prazer, mais uma vez, provar vinhos com a Decante.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Grupo dos 6 (5ª sessão) : Alvarinhos, tintos 2011 e 1 Madeira estratosférico

Mais uma sessão deste grupo de enófilos militantes, desta vez na sua máxima força, que decorreu no Via Graça, onde esteve presente o chefe João Bandeira, apoiado na serviço de vinhos pelo escanção Fernando Zacarias. Em prova 2 Alvarinhos, 3 tintos 2011 e 1 Madeira.
Desfilaram:
.Curtimenta Alvarinho 2012 (levado pelo J.Rosa) - produção e enologia do Anselmo Mendes; nariz exuberante, presença de citrinos, acidez, notas amanteigadas, bom volume e final de boca. No ponto para ser bebido, mas ainda longe da reforma. Nota 18.
.Adega Mãe 221 2015 (levado por mim) - o 221 significa 2 enólogos (Anselmo Mendes e Diogo Lopes), 2 proveniências (Monção e Lisboa) e 1 casta (Alvarinho); nariz contido, fresco e cítrico, bela acidez, algum volume e final de boca; elegante e equilibrado. Uma boa surpresa, mas que vai melhorar nos próximos 2/3 anos. Nota 17,5+.
Estes 2 Alvarinhos, em curioso confronto, acompanharam bem rissóis, croquetes, caldo verde desconstruído e massada de robalo.
.Duas Quintas Reserva 2011 (levado pelo Juca) - fresco, fino e elegante, acidez equilibrada, ainda com fruta e especiado, taninos civilizados, algum volume e final persistente. Muito harmonioso, a beber nos próximos 4/5 anos. Nota 18.
.Qtª das Bageiras Garrafeira 2011 (levado pelo João) - nariz contido, muito fresco, bela acidez, taninos de veludo, algum volume e final de boca. A beber nos próximos 5/6 anos. Prejudicado por ter sido provado ao lado do Pai Abel do mesmo ano. Nota 17,5+.
.Pai Abel 2011 (levado pelo Frederico) - aroma discreto, acidez equilibrada, notas fumadas, especiado, taninos bem presentes mas civilizados, estruturado e final de boca longo. Grande potencial, a precisar de mais uma meia dúzia de anos em garrafa. Nota 18,5+.
Estes 3 tintos maridaram com uma saborosíssima lebre com feijão.
.Borges Malvasia 1907 (levado pelo Adelino) - belíssima cor, frutos secos, algum vinagrinho, notas de brandy e caril, taninos bem presentes, grande volume e final interminável. Uma raridade do princípio do século XX. Nota 19,5 (o meu amigo Rui Massa que me desculpe, mas este está quase nos 20!).
Casou bem com uma bela tarte de amêndoa com gelado de baunilha.
Foi mais uma grande sessão, com a gastronomia e o serviço de vinhos (temperaturas, copos Riedel, etc,) à altura dos acontecimentos.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Próximos eventos vínicos e gastronómicos

1.Dão Capital
Mostra de vinhos e iguarias, a decorrer em 3 e 4 de Novembro (das 15 às 23 h) no Mercado da Ribeira. Para além das degustações estão previstas 8 provas comentadas, com livre acesso.
Apoio da VINHO - Grandes Escolhas. Mais informações em www.cvrdao.pt.
2.Tejo Gourmet
O 8º Concurso de Iguarias e Vinhas do Tejo realiza-se de 4 de Novembro a 3 de Dezembro e conta com mais de 50 restaurantes aderentes que apresentarão menús harmonizados com vinhos do Tejo.
Em Lisboa, estão inscritos: Dom Alimado (restaurante do Hotel Júpiter), Páteo Alfacinha, Sala de Corte e Viva Lisboa.
Apoio da VINHO - Grandes Escolhas. Mais informações em www.confrariadotejo.pt.
3.Encontro com Vinhos e Sabores (EVS 2017)
Organizado pela Revista de Vinhos - A Essência do Vinho, de 10 a 13 de Novembro, no Centro de Congressos (à Junqueira), com conta com cerca de 300 marcas e 17 Provas Comentadas. Em simultâneo decorre o Congresso Nacional dos Cozinheiros.
Mais informações em www.essenciadovinho.com.
4.Wine Fest Porto
A 2ª edição deste evento decorrerá no Salão Nobre da Alfândega do Porto, dia 18 de Novembro. Prevista a presença de 33 produtores e a realização de 3 Provas Especiais.
Organização do colega bloguista Luis Gradíssimo.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Jantar Paulo Laureano

Mais uma iniciativa da Garrafeira Néctar das Avenidas, este jantar vínico com o Paulo Laureano que esteve presente e explicou os seus vinhos, 4 brancos e 2 tintos. O evento decorreu no Via Graça, onde também interviu o seu proprietário e chefe João Bandeira.
Diga-se já que o serviço de vinhos esteve impecável como já nos habituaram (temperaturas controladas, os vinhos a chegarem à mesa antes das iguarias, bons copos Riedel e alguns Schott, etc).
Bom ritmo, só desacelerando na altura de ser servida a sobremesa.
A única nota negativa foi o barulho que vinha de outras mesas próximas das nossas e, mais condenável, as conversas de alguns dos clientes presentes que não estavam inclinados para as explicações do Paulo Laureano. Mais valia que tivessem ficado em casa e dado lugar a outros mais interessados.
Quanto a comeres e beberes, desfilaram:
.Paulo Laureano Vinhas Velhas 2016 branco - foi o vinho de boas vindas, cumprindo a sua missão, mas sem entusiasmar.
Acompanhou os tradicionais rissóis de camarão e croquetes de vitela.
.Paulo Laureano Vinhas Velhas Private Selection 2016 branco - estagiou 4 meses em barricas de carvalho francês; alguma acidez e mineralidade, presença de fruta madura, notas amanteigadas, volume e final de boca médios. Gastronómico. Nota 16,5+.
Desarmonizou com o ceviche de garoupa com maçã verde, desequilibrado e agressivo. Teria sido melhor o branco que veio a seguir.
.Maria Teresa Laureano Verdelho 2015 - mais frutado e cítrico que o anterior, fresco e com boa acidez, volume e final de boca médios. Nota 16,5.
Também não gostei da ligação ao bacalhau (a puxar para o salgado) recheado com sapateira e puré de batata. Um prato do Via Graça menos conseguido. A esquecer.
.Miguel Maria Laureano Alfrocheiro 2014 - muita fruta, alguma acidez, fino e elegante, taninos discretos, bem estruturado e final de boca médio. Nota 17,5.
.Paulo Laureano Tinta Grossa Selection 2013 - mais vegetal, acidez nos mínimos, notas de lagar, taninos agressivos, volume e final de boca algo assinaláveis. Falta-lhe harmonia. Nota 17.
Estes tintos maridaram com umas excelentes e saborosíssimas bochechas de vitela com risotto de cogumelos selvagens.
.Dolium Escolha 2006 branco - com base na casta Antão Vaz, fermentou em barricas novas de carvalho francês a que se seguiram 8 meses de "bâtonnage"; oxidado e evoluído, mas com uma boa acidez, notas de fruta cozida, volume e final de boca médios. Já teve melhores dias. Nota 15,5.
Fez companhia a uma agradável tarte de requeijão com gelado de citrinos e verduras.
Resumindo e concluindo, este evento esteve uns furos abaixo daquilo que a Néctar das Avenidas nos tem habituado.

sábado, 28 de outubro de 2017

Curtas (XCIII) : o evento, os premiados, o vinho e o filme

1.O Evento
O evento do ano, obviamente "Grandes Escolhas - Vinhos e Sabores 2017", a decorrer na FIL até dia 30 (começou ontem), teve a assinatura da equipa da antiga Revista de Vinhos, com provas dadas nos anos em que decorreu no Pavilhão de Congressos (na Junqueira).
Esta nova versão, a 1ª a ser realizada na FIL, onde podem ser provados mais de 2000 vinhos, conta com 232 expositores de vinhos (em 2016 eram 226), 36 de sabores (eram 28) e 12 de acessórios (eram 10), para além de uma dúzia de grandes provas.
Tenciono estar presente no dia 30, data reservada aos profissionais. Disso darei conta oportunamente.
2.Os Premiados
No âmbito deste evento, foi previamente organizado o 1º Concurso de Vinhos "Grandes Escolhas", herdeiro do "Escolha da Imprensa", cujos 48 jurados (fiz parte do painel, como responsável do blogue enófilo militante) avaliaram 403 vinhos às cegas, durante uma longa manhã, no espaço do restaurante de Montes Claros, muito bem organizado e com uma logística perfeita.
Seguiu-se uma finalíssima entre os 3 melhores de cada uma das categorias (à excepção dos rosés), saídos dos 88 vinhos com as notas mais altas e que também tiveram direito a um prémio Grandes Escolhas.
E os vencedores foram:
.Espumantes - Murganheira Blanc de Noirs Touriga Nacional 2009 (entre 14 Grandes Escolhas)
.Brancos - Marquesa de Alorna Grande Reserva 2015 (entre 21)
.Tintos - Cortes de Cima Touriga Nacional 2014 (entre 34)
.Fortificados/Licorosos - Vasques de Carvalho 40 Anos (entre 13)
3.O Vinho
Luis Sottomayor, enólogo principal da Sogrape, acabou de enunciar o próximo lançamento do Casa Ferreirinha Reserva Especial 2009, que já vai na 17ª edição.
Este Reserva Especial foi vinificado com base nas castas Touriga Franca (45 %), Touriga Nacional (30 %), Tinta Roriz (15 %) e Tinto Cão (10 %) das vinhas da Qtª da Leda, tendo sido engarrafado em 2011.
Segundo o enólogo "Estamos perante um vinho de recorte clássico, rico e complexo, que honra em plenitude os pergaminhos de qualidade excepcional próprios de um Reserva Especial (...)".
O P.V.P. recomendado é de 175 €. A ver vamos...
4.O Filme
Estreou-se na 5ª feira o filme "Aquilo que nos une", do realizador francês Cédric Klapish, que decorre no mundo do vinho de uma família francesa e que, segundo alguém escreveu, "Podia ser a história de qualquer família vinícola em Portugal".
Ainda não o vi, mas não o posso nem devo perder.
Enófilos, todos ao cinema!

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Enoturismo no Minho (VI) : Palácio da Brejoeira e Qtª do Prazo

continuando...
1.Palácio da Brejoeira
No último dia deste passeio enoturístico pelo Minho, fomos visitar o Palácio da Brejoeira, monumento nacional desde 1910, cuja última proprietária foi a D. Hermínia Paes, até ser constituída uma SA em 1999, tendo ficado como gestor o Emílio Magalhães, antigo braço direito do José Casais na Vinalda.
Curiosamente, enquanto andei profissionalmente pelo mundo do vinho, não consegui visitar este Palácio, o qual só abriu a visitas em 2010. Surgiu agora a oportunidade, através da Tryvel, de conhecer este imperdível espaço, não só o Palácio, como também o bosque e os jardins.
A 1ª colheita do Palácio da Brejoeira Alvarinho data de 1976. Já lá vão mais de 40 anos!
A título de curiosidade e para memória futura, o primeiro Alvarinho a ser objecto de crítica e classificação foi o da colheita de 1987 e consta no 1º guia de vinhos publicado em Portugal , o Guia de Vinhos Portugueses 1990, mais conhecido pelo Guia da Comporta, cujos autores Ponte Fernandes e Nelson Heitor o classificaram com 6 copos (num máximo de 7). Não consta mais nenhum Alvarinho de nomeada.
Continuando a pesquisa, no 1º guia do saudoso José A. Salvador, o Roteiro de Vinhos Portugueses 1991, a colheita de 1988 mereceu 4 estrelas (em 5). Também não consta mais nenhum Alvarinho de topo.
Finalmente, no 1º guia do João Paulo Martins, o Vinhos de Portugal 1995, a colheita de 1993 foi classificada com Bom+ (a 5ª nota mais alta numa escala de 8). Neste guia já aparece o Soalheiro Alvarinho 1993 com a nota máxima (Excelente). Os vinhos do Anselmo Mendes ainda estavam para nascer.
2.Qtª do Prazo
Após a visita ao Palácio da Brejoeira que me vai ficar na memória, rumámos à Qtª do Prazo para almoçarmos antes do regresso a Lisboa. Eu já conhecia o restaurante e tinha uma memória dele que não era de paixão. Agora foi a confirmação. A proprietária e chefe Amaya Guterres, Garfo de Ouro do Boa Cama Boa Mesa em 2013, está neste momento mais vocacionada para multidões em casamentos, baptizados e outras festas. Uma pena...
O que comemos e bebemos:
.uma série de salgados, uns melhores que outros
.lampreia de escabeche, pouco consensual
.javali com favinhas e puré de castanhas
.bolo de chocolate  com gelado de amêndoa e mel
acompanhados pelos vinhos
.QM Alvarinho 2016 (fresco e agradável)
.Entre 2 Mares Alvarinho (acidez e gás em excesso)
.Cistus 2015 tinto (imbebível, pois foi servido à temperatura ambiente)
Por simpatia do Paulo Fonseca, marido da Amaya, gestor e chefe de sala deste espaço, perante a minha insatisfação para com os vinhos servidos, abriu uma garrafa do QM Vinhas Velhas Alvarinho 2016, este já num nível de qualidade apreciável.
Serviço atrapalhado, com os vinhos a serem servidos já a comida estava na mesa, e copos apenas aceitáveis.
De espantar o diploma "Serviço de qualidade em vinho a copo", atribuído em 2013 pela ViniPortugal, de que, passados 4 anos, já não serão merecedores.
Resumindo e concluindo, este passeio enogastronómico pelo Douro teve uma qualidade mais que evidente, com alguns momentos muito altos, tendo sido a Qtª do Prazo o elo mais fraco.
O Rui Nobre e a Maria João Almeida estão de parabéns!
Como costumam dizer as agências de viagem: fim dos meus serviços...

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Enoturismo no Minho (V) : Qtª do Ameal, A Cozinha Velha e o Hotel InLima

continuando...
1.Qtª do Ameal
Sempre tive a melhor das relações pessoais e profissionais com o Pedro Araújo, produtor e proprietário da Qtª do Ameal, que começaram no ano 2000, se a memória não me atraiçoa. O nosso conhecimento foi quando o Pedro Araújo nos contactou nas Coisas do Arco do Vinho, com a finalidade de nos dar a conhecer o seu primeiro vinho, um varietal da casta Loureiro da colheita de 1999, construído sob a batuta do enólogo Anselmo Mendes. Ainda me lembro de lhe ter dito que era um belíssimo branco, qualquer que fosse a sua região de origem.
Situada em Refóios do Lima, nos arredores de Ponte do Lima, a Quinta do Ameal abriu-se recentemente ao enoturismo e os seus vinhos estão espalhados pelo mundo e constam das cartas de mais de 30 restaurantes com estrelas Michelin.
Sob a orientação do Pedro Araújo, provámos o Ameal Loureiro 2016, o Ameal Solo Único 2016 e o Qtª do Ameal Escolha 2015, o seu topo de gama. Este último, mais complexo que os anteriores, após 6 meses de barrica, apresentou-se com boa acidez, notas amanteigadas, boa estrutura e final de boca persistente (nota 17,5+).
No final da prova, tivemos direito a uma visita guiada, conduzida pelo seu anfitrião, nesta agradável quinta.
2.A Cozinha Velha
A Cozinha Velha é um modesto restaurante em Caminho da Oliveirinha, Arcozelo, nos arredores de Ponte de Lima, vocacionado para a boa cozinha regional portuguesa, com destaque para o cabrito e leitão assados em forno de lenha.
Começámos por uma autêntica girândola de petiscos (orelha, sonhos de bacalhau, pimentos padrón, cogumelos, alheira, salsichão, queijos, etc) e continuámos com bacalhau no forno com broa, leitão assado e leite de creme. Um autêntico banquete!
Dos vinhos postos na mesa, todos brancos e sem grande critério, provei os menos interessantes Loureiro da Adega Cooperativa de Ponte de Lima 2016 (nota 15) e Vil' Antiga Loureiro 2016 (nota 14), mas fiquei surpreendido pela positiva com o Casa das Buganvílias Reserva 2016 (nota 16,5) que fui bebendo ao longo do repasto.
No final do jantar, os donos (o Carlos na sala e a Céu na cozinha) foram-nos apresentados e muito elogiados.
À saída, reparei numa arca repleta de vinhos fortificados, todos ao molho e fé em deus e à temperatura ambiente. Quantos estarão ainda bebíveis? Uma pena...
3.Hotel InLima
Ficámos no InLima Hotel & SPA, situado no centro de Ponte de Lima, um simpático e pequeno hotel (30 quartos) de 4 estrelas com uns belíssimos e espaçosos quartos e um bom pequeno almoço. Óptimo para recuperar forças.
continua...


domingo, 22 de outubro de 2017

2º Aditamento a "O Vinho que Lisboa tem"

Na crónica "O Vinho que Lisboa tem : prós e contras", publicada em 22/8/2017, referi a existência de 30 garrafeiras em Lisboa, mais 20 que a lista da autora.
No entanto, vou-me lembrando de outros espaços que também funcionam como garrafeiras, sendo de inteira justiça mencioná-los, como é o caso de:
.Pão de Açucar Gourmet (no C.C.Amoreiras), com uma grande mas seleccionada oferta de vinhos
.Sala Ogival de Lisboa (o espaço da ViniPortugal no Terreiro do Paço), onde se pode comprar os vinhos que estão em prova e outros
.Mesa do Bairro (restaurante garrafeira no bairro Arco do Cego)
.Great Tastings (restaurante garrafeira na Pascoal de Melo)
.Descobre (restaurante mercearia em Belém)
Volto a fazer um apelo aos seguidores habituais deste blogue, mas também aos leitores de ocasião, que se manifestem quanto a outros espaços que não constem das listas e que mereçam estar presentes.
Obrigado!

sábado, 21 de outubro de 2017

Enoturismo no Minho (IV) : Qtª da Aveleda e Ferrugem

continuando...
1.A Qtª da Aveleda
O 2ª dia deste passeio enoturístico começou na Qtª da Aveleda (que eu já conhecia), há mais de 300 anos nas mãos da família Guedes.
Obrigatório visitar os seus parques e jardins, que lhe valeram em 2011 o prémio internacional "Best of Wine Tourism", na categoria "Arquitectura, Parques e Jardins". Foi o que fizemos, superiormente guiados pela Chantal Guilhonato, a responsável pelo enoturismo, simpática e acertiva e que vestiu bem a camisola da Qtª da Aveleda.
Ainda nos foi mostrado um fabuloso painel de azulejos, pintados em 1922 pelo mestre Colaço (o mesmo artista dos famosos painéis da Estação de São Bento, no Porto).
Seguiu-se uma prova de alguns vinhos, orientada pelo enólogo Pedro Costa que nos apresentou, em bons copos Schott:
.Qtª da Aveleda Alvarinho/Loureiro 2016 - nariz exuberante, fresco e cítrico, acidez bem presente, volume e final de boca médios (nota 16).
.Aveleda Colheita Seleccionada 2016 - também exuberante no aroma, fresco e mineral, acidez no ponto, notas amanteigadas, algum volume e final de boca (nota 16,5).
.Aveleda Alvarinho Reserva da Família 2015 - cor mais evoluída, presença de citrinos e fruta de caroço, estruturado e mais complexo que os vinhos anteriores (nota 17).
A prova foi acompanhada por alguns dos queijos produzidos na quinta, que podem ser comprados na respectiva loja (talvez a melhor que conheço nestes moldes), para além dos vinhos, compotas e outros produtos, todos a bons preços.
Resumindo, foi uma visita imperdível!
2.O restaurante Ferrugem
O restaurante Ferrugem, que eu já conhecia mas numa outra fase, fica situado numa aldeia (Portela) nas proximidades de V.N. Famalicão. É nesta aldeia que é possível apreciar uma notável cozinha de autor, cujo responsável é o chefe Renato Cunha, Garfo de Oiro no Guia Boa Cama Boa Mesa, entre outros meritórios prémios.
O chefe estava presente e foi ele que apresentou os pratos e os vinhos. Desfilaram:
.Muros de Melgaço 2016 - fresco, acídulo, cítrico, elegante, equilibrado e gastronómico (nota 16,5).
Acompanhou:
 .manteigas de sardinha com flor de sal e de polvo com ovas secas do mesmo
 .caldo verde desconstruído com broa torrada (servido num copo sem pé e que se bebe sem colher)
 .bacalhau com todos, também algo desconstruído (servido em prato de cerâmica)
.Covela Escolha 2014 - com base nas castas Avesso e Chardonnay; cor evoluída, fruta madura, acidez equilibrada, notas amanteigadas, bom volume e final de boca, muito gastronómico (nota 17,5).
Harmonizou com uma perna de pato com arroz cremoso do mesmo.
.Soalheiro Allo 2016 - com base nas castas Alvarinho e Loureiro; fresco, mineral e acídulo, corpo e final de boca discretos (nota 15,5).
Fez companhia a gel de maracujá com espuma de lichias.
Cozinha moderna com base em produtos tradicionais, boas harmonizações com os vinhos, bons copos Schott, serviço eficiente e profissional. O que se pode pedir mais?
continua...

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Enoturismo no Minho (III) : Qtª da Lixa e Hotel Monverde

continuando...
1.Qtª da Lixa
Ainda no 1º dia da viagem ao Minho rumámos à Qtª da Lixa ou, mais rigorosamente, à Qtª de Sanguinhedo, onde se situa parte do seu núcleo principal e o Hotel Monverde. Esclareça-se que este produtor ainda se estende pela Qtª da Lixa propriamente dita, Qtª da Corredoura, Qtª do Souto, Qtª Nova e Qtª dos Lagareiros.
Fomos simpaticamente recebidos por um conjunto de concertinas e uma bebida de boas vindas, o espumante extra dry "O tal da Lixa".
De seguida avançámos para a "Adega dos Tonéis", onde assistimos a um vídeo institucional de apresentação do projecto Qtª da Lixa, que incluiu as quintas, as castas cultivadas, os vinhos produzidos, os prémios alcançados e o Hotel Monverde.
Seguiu-se o programa "Seja enólogo por 1 dia", uma brincadeira muito didáctica, onde tivemos a oportunidade de provar 5 vinhos monocastas de 2016 (Alvarinho, Avesso, Arinto, Trajadura e Loureiro), com a possibilidade de se engarrafar o lote escolhido e rotulá-lo. A casta Loureiro foi a que mais me impressionou e entrou com 50 % no meu lote, tendo-lhe acrescentado Alvarinho (30 %) e Arinto (20 %).
2.Monverde Wine Experience Hotel
Foi neste moderno e impressionante hotel, situado no meio dos vinhedos, que jantámos e ficámos alojados.
No jantar, cujo menu se encontrava no lugar de cada um de nós, o chefe Carlos Silva preparou os pratos para harmonizarem com os vinhos elaborados pelo enólogo da casa, Carlos Teixeira de seu nome, todos classificados como Vinho Regional Minho. Desfilaram:
. Alvarinho Pouco Comum 2016 - perfumado, muito fresco, floral e acídulo, volume e final de boca médios (nota 16,5).
Acompanhou bem uma entrada de bacalhau envolto em massa kataffi, sobre puré de chalotas e molho de tomate seco.
.Alvarinho Reserva 2014 - fermentou em barricas novas de carvalho francês (60 %) e americano (40 %); aromaticamente estranho, floral e acídulo, notas amanteigadas, algum volume e final de boca curto (nota 16). Estava à espera de mais.
Conflituou com um excelente naco de vitela sobre legumes salteados e redução de vinho tinto.
.Sweet Creations 2016 - muito aromático, fresco e elegante, presença de citrinos, ligeiramente adocicado, delgado de corpo e final de boca mediano (nota 16).
Fez companhia a um cremoso de maracujá (uma delícia), mas preferia bebê-lo como aperitivo.
No final do repasto, foi-nos oferecida uma meia garrafa de "O tal vinho da Lixa" de ano de colheita desconhecido. O nosso muito obrigado!
É, ainda, de referir:
.a sala do restaurante, além de bonita, é muito acolhedora
.serviço eficiente e simpático
.pequeno almoço de luxo
.a incomodidade de os quartos ficarem distantes do restaurante, onde são servidos os pequenos almoços, o que obriga a um constante vai e vem de pequenos carros para o transporte dos clientes.
continua... 


terça-feira, 17 de outubro de 2017

Enoturismo no Minho (II) : Casa da Calçada

Neste primeiro dia, após algumas horas de viagem num incómodo autocarro, que seria substituido no dia seguinte, poisámos no Largo do Paço, o restaurante da Qtª da Calçada, com direito a uma estrela Michelin, onde na cozinha pontifica o chefe Tiago Bonito, com provas dadas no Lisboeta (restaurante da Pousada de Lisboa).
Fomos recebidos na acolhedora esplanada do hotel e obsequiados com uma bebida de boas vindas que, no meu caso, foi o espumante Qtª da Calçada Bruto servido em flute Riedel.
Já na magnífica e requintada sala do restaurante, tivemos direito a um almoço de excelência que foi, para mim, o ponto mais alto desta incursão no Minho. Na mesa, no lugar de cada um, estava um folheto com a  ementa do repasto, embora sem referência aos vinhos que iriamos beber.
O enólogo responsável pelos vinhos da Qtª da Calçada é o João Maria Cabral de Almeida, de cujo portefólio provámos/bebemos o Loureiro/Alvarinho 2016 - muito fresco, cítrico e acídulo, elegante e harmonioso, volume e final de boca médios (nota 16,5).
Gastronómico, harmonizou bem com as belíssimas tapas iniciais (ravioli com ostra e sapateira, chip de batata recheada e outra que já não recordo) e uma saborosa entrada de carpaccio de polvo, pimento fumado, azeitona e terrincho.
Seguiu-se o tinto Terras do Grifo 2013 - com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão e Sousão; aroma intenso, muita fruta preta, acidez equilibrada, notas especiadas, volume e final de boca assinaláveis (nota 17). Lamentavelmente, a temperatura estava acima do recomendável, mas veio de imediato uma 2ª garrafa com a temperatura correcta.
Acompanhou um excelente borrego de leite, cenoura, açafrão e molho do assado.
Quanto à sobremesa, foi-nos servida castanha assada, jeropiga (em gelado) e erva doce. Bingo!
De louvar, ainda, os seguintes aspectos altamente positivos:
.copos Riedel na mesa
.os vinhos chegaram à mesa antes da comida
.os pratos, além da muita qualidade, estavam muito bem apresentados
.serviço profissional, com destaque para o escanção (só faltou mesmo as luvas brancas...)
.garrafeira climatizada com capacidade para mais de 1000 garrafas!
.no final do repasto, o chefe e a equipa da cozinha (uma dúzia, bem contada) vieram à sala
Em Amarante ainda tive a ocasião de visitar o Museu Municipal Amadeu Sousa Cardoso e a imperdível Garrafeira Casa da Villa (R. 31 de Janeiro,43), com um excelente portefólio e preços amigáveis.

domingo, 15 de outubro de 2017

Enoturismo no Minho (I) : Introdução

Esta incursão na Região Demarcada dos Vinhos Verdes, vem na sequência das viagens ao Dão (1ª crónica, publicada em 8/10/2016, de uma série "Enoturismo no Dão") e ao Douro (1ª crónica, publicada em 14/4/2017, de uma série "Enoturismo no Douro"), todas elas organizadas pela agência cultural Tryvel. Mais uma vez, os responsáveis por mais uma inesquecível jornada foram a dupla Rui Nobre (o promotor destas viagens enoturísticas) e a Maria João Almeida (jornalista, crítica de vinhos, autora do livro "Guia do Enoturismo em Portugal" e a animadora no terreno). Remeto para o livro da Maria João, cuja 2ª edição já está no mercado e que recomendo, o desenvolvimento das histórias de cada produtor e demais informações úteis.
A Tryvel tem ainda previstas viagens à Bairrada e à Madeira. Estejamos atentos. Mais informações em tryvel.pt/trywine.
Num fim de semana alargado (sábado, domingo e 2ª feira) tivemos a oportunidade de visitar a Qtª da Lixa, a Qtª da Aveleda, a Qtª do Ameal e o imperdível Palácio da Brejoeira. Almoços no Largo do Paço (Hotel Casa da Calçada, em Amarante), Ferrugem (Portela de V.N.Famalicão) e Qtª do Prazo (Valença). Jantares no Hotel Monverde (onde ficámos na 1ª noite) e em A Cozinha Velha (Ponte de Lima), tendo o grupo ficado no Hotel InLima (na 2ª noite).
Provámos, no decorrer desta viagem 13 vinhos brancos e bebemos às refeições mais 14 brancos e 2 tintos. No total 29 vinhos. É obra!
Foi uma espécie de ditadura dos brancos desta região, pois dos tintos (salvo raríssimas excepções) não reza a história.
Em próximas crónicas, que poderão não ser consecutivas, desenvolverei as minhas impressões sobre os locais citados.
continua...

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Qtª Nova Nossa Sra do Carmo : 10 anos de Grande Reserva

Tive, recentemente, a oportunidade de participar numa prova vertical, organizada pela Qtª Nova Nossa Sra do Carmo, cujas faces visíveis eram a Luisa Amorim (a produtora), a Paula Sousa (o braço direito) e o Jorge Alves (o enólogo, sócio do Celso Pereira no projecto Quanta Terra e meu conhecido desde os tempos das Coisas do Arco do Vinho). Também colaborou, no apoio logístico, o Giscard Muller (escanção, braço direito do Manuel Moreira em diversos projectos).
O universo da grande maioria dos participantes era o da restauração, não tendo vislumbrado qualquer elemento ligado à comunicação social ou à blogosfera.
Havia 2 mesas com vinhos do produtor à prova (Qtª Nova, Mirabilis, Grainha, Pomares, Porto Vintage e Porto LBV) e, ainda, uma mesa com enchidos (Ibéricos Montellano) e outra com queijos (Casa Matias).
Mas, o mais importante neste evento foi a prova vertical dos Grande Reserva, tendo-se destacado, para o meu gosto, o 2005 (fino e elegante, balsâmico e especiado, aromas e sabores terciários, volume e final de boca assinaláveis) a merecer-me a nota 18,5. Um tinto perfeito e no ponto óptimo para ser bebido. Logo a seguir o 2011 (grande potencial, taninos evidentes mas civilizados, uma bela estrutura e final de boca, a pedir mais uns anos de garrafa), nota 18+.  A completar o trio dos meus eleitos, o 2015 (exuberante, com muita fruta, taninoso e volumoso, ainda a dar os seus primeiros passos), nota 18.
Noutro plano o 2007 (17,5+), 2008 (17,5), 2012 (17+) e 2013 (17). E, finalmente, as desilusões: 2006 e 2009, nota 16,5.
Em conclusão, uma prova vertical bem organizada, a mostrar bem o potencial da maioria dos Grande Reserva. É pena que o 2005 e o 2011 já não se encontrem no mercado.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Curtas (XCII) : TheFork Fest, o Guia do JPM e os comentários anónimos

1.TheFork Fest
À semelhança do ano passado, a plataforma TheFork organiza este evento gastronómico que possibilita fazer uma refeição num bom restaurante por metade do preço. São 50 % de desconto em toda a carta, excepto as bebidas.
Enquanto que a 1ª semana (11 a 17 deste mês) é exclusiva dos clientes do Millennium, a semana oficial (18 a 29) estará aberta a todo o mundo.
Mais informações, nomeadamente os restaurantes aderentes, em www.thefork.pt.
2.O Guia do João Paulo Martins  (JPM)
Já está no mercado a 23ª edição de "Vinhos de Portugal 2018", um guia incontornável que passou a publicar-se de 2 em 2 anos. Refere o autor que este guia está muito mais magro, mas mesmo assim tem 582 páginas!
Estive presente no lançamento do livro, muito animado por sinal, onde tive a ocasião de rever alguns produtores e enólogos, que estimei no decurso dos 16 anos e meio da saudosa Coisas do Arco do Vinho, como foi o caso do Carlos Campolargo, Domingos Soares Franco, Jorge Serôdio Borges, Manuel Vieira, Maria Emília Campos, Nuno Cancella de Abreu, Sérgio Nuno, Susana Esteban e Tomás Roquete.
Foram servidas tapas e provados alguns dos vinhos premiados pelo JPM.
3.Comentários anónimos no blogue
Tenho deixado passar alguns comentários anónimos a crónicas por mim publicadas, mas vou deixar de o fazer. Comentário anónimo será devidamente rejeitado.
Isto vem a propósito da crónica "Aditamento a "O Vinho que Lisboa tem"", publicada em 25/8/2017, onde alguém referiu ter saído uma 2ª edição do livro que teria acrescentado algumas garrafeiras omissas na 1ª edição. Contactado o editor, este referiu que apenas existe uma edição. Temos, assim, um anónimo mentiroso!

terça-feira, 3 de outubro de 2017

"Vinho" azul : no melhor pano cai a nódoa!

A polémica criada à volta desta bebida aromatizada à base de vinho, nasceu em Espanha com o lançamento do Gik, uma bebida doce e azul, cuja equipa era composta por jóvens sem qualquer tradição no vinho  e sem experiências anteriores. Já neste ano, a Gik foi multada pelo Ministério da Agricultura de Espanha, por comercializar "vinho" azul, produto não autorizado pelas leis de nuestros hermanos, tendo sido obrigada a mudar os rótulos e a composição daquela bebida.
Por cá, com 2 anos de atraso, um produtor português, a Bacalhôa, foi atrás da polémica e lançou o Casal Mendes Blue, podendo ler-se no respectiva página "A marca Casal Mendes nasce em Portugal na sequência do sucesso do vinho verde e rosé na restauração portuguesa. Agora, em 2016 decidimos inovar e apresentar uma variante moderna e irreverente - Casal Mendes Blue". Mais um tiro no pé do Comendador e um cartão amarelo!
Mais grave, o IVV deu protecção a este negócio, disponibilizando o respectivo selo, que apenas deveria legalizar e proteger o vinho, o que não é o caso, pois se trata apenas de uma bebida aromatizada à base de vinho, com um final adocicado, inspirada na aventura espanhola. Cartão vermelho!
De lamentar, ainda, que uma loja prestigiada, como é a Garrafeira Nacional, o tenha incluído no seu portefólio, alinhando na onda da irreverência. Cartão amarelo!

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Os 25 anos do projecto João Portugal Ramos (JPR) - 2ª parte

continuando...
3.O início da comemoração
As comemoração dos 25 anos do projecto JPR desenrolaram-se no magnífico Palácio da Cidadela de Cascais, visitável mediante inscrição no Museu da Presidência da República. Uma visita imperdível!
Participaram cerca de 140 pessoas, parte considerável ligada ao universo JPR incluindo a respectiva família, mas também a comunicação social especializada e generalista e, ainda, representantes da blogosfera.
A concentração dos convidados fez-se na esplanada exterior do Palácio, com uma vista espectacular para a baía de Cascais, mas prejudicada por um frio de rachar que se fez sentir naquele final de tarde. Para aquecer os corpos e as almas foi servido o espumante Alvarinho Reserva 2014 Bruto, fresco e elegante, acompanhado pela belíssima voz da Diana Castro apoiada pelo Luis Roquete.
Foi o momento de convívio quente e frio, após o qual os participantes passaram para o local onde se ia jantar.
Já com as pessoas nas mesas, foi projectado um vídeo comemorativo da efeméride. Seguiram-se as intervenções do anfitrião e do ministro da economia.
4.O jantar
O repasto foi servido pela empresa "As Olguinhas" (Teresa e Luisa Roquete), sendo de aplaudir o facto de os vinhos terem sido decantados previamente, servidos com temperaturas controladas e em copos Riedel. Um luxo!
O JPR pregou-nos uma partida, pois no menú não constavam os nomes dos vinhos, tendo sido servidos às cegas, o que originou alguns palpites errados e discrepâncias nas avaliações de cada um. Foi o próprio JPR que, no final do repasto, fez as respectivas descodificações.
O vinho branco era o Vila Santa Reserva 2016, com base nas castas Arinto, Alvarinho e Sauvignon Blanc e fermentação parcial em barricas novas de carvalho francês, apresentou-se muito fresco e mineral, harmonizando muito bem com uma entrada de ceviche de robalo e manga. O perfil apresentado não me pareceu nada alentejano e baralhou-me as contas.
Foi com a maior das surpresas que fiquei a saber que o vinho tinto era o Marquês de Borba Reserva 2011, pois não me passou pela cabeça que pudesse ser da colheita de 2011, tal a juventude apresentada. Até comentei aos meus parceiros de mesa que era pedofilia pura estar a beber aquele vinho e que se deveria esperar mais 5 ou 6 anos. Mais um vinho a baralhar-me as contas. Com base nas castas Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon e Trincadeira, estagiou 12 meses em meias pipas de carvalho francês. Apresentou-se com os taninos algo violentos, um grande volume e final de boca longo. Com uma boa acidez, especiado e complexo, é um vinho claramente de guarda e mereceu um dos Prémios de Excelência atribuídos pela Revista de Vinhos (a antiga). Quem diz que os tintos alentejanos são para beber novos? Este,não!
Passou um pouco por cima do prato, um lombo de vaca "au poivre" com batata e espargos gratinados.
Seguiu-se-lhe  o Vinho do Porto que era o Duorum Vintage 2007. Também este achei que era pedofilia bebê-lo nesta altura, pois pareceu-me bastante mais novo. Com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca eTinta Roriz, apresenta-se com muita fruta preta, muito estruturado e com grande longevidade. Também é melhor esperar por ele mais 10 a 12 anos.
Não casou muito bem com a sobremesa, uma pinha de avelã. Um bolo à base de chocolate ligaria muito melhor.
5.O que faltou dizer
5.1.Quando fui responsável pela coluna "Viagens no Reino de Baco" no extinto vespertino A Capital, a minha 2ª crónica, publicada em 8/8/1998, foi dedicada ao JPR e intitulada "João Portugal Ramos : os vinhos de autor" e começava assim "Dificilmente este nome deixará indiferente o leitor. O engº João Ramos é,seguramente, o enólogo responsável pelo maior número de vinhos de qualidade que se produzem no nosso país, de Norte a Sul.(...)".
5.2.Contaram-me há anos que, quando foi produzida a 1ª edição do Anima pela Herdade Portocarro, o JPR às cegas, não conhecendo o vinho em prova, identificou de imediato a casta San Giovese. Bingo!

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Os 25 anos do projecto João Portugal Ramos (JPR) - 1ª parte

1.Eu e o JPR
Ao longo da minha vida de enófilo, primeiro como um dos responsáveis pela loja Coisas do Arco do Vinho (CAV) e, posteriormente, como autor deste blogue, cruzei-me por diversas vezes com o JPR. Ele esteve presente em diversos eventos, provas e jantares vínicos organizados pelas CAV, com os seus conceituados néctares, sendo de destacar as apresentações nacionais do Conde de Vimioso Reserva 2000 (a sua 1ª edição), Marquês de Borba Reserva 1999 e Qtª Foz de Arouce Vinhas Velhas 2003.
Também me ficou na memória uma sessão memorável na sua casa, onde fomos (eu, o meu sócio e respectivas companheiras) recebidos pelos anfitriões (a Tété, sua esposa e ele próprio) e presenteados com um almoço de perdizes (provenientes das suas caçadas) deliciosamente confeccionadas, regadas com alguns dos seus vinhos de eleição.
O JPR, para além de prestigiado enólogo, com provas dadas no Alentejo (Marquês de Borba, Vila Santa, monocastas, etc), Ribatejo (Conde de Vimioso) e Beiras (Qtª Foz de Arouce), é um apaixonado pela caça e um grande conversador, detentor de vasto repertório de histórias e anedotas.
Já na minha actual fase de bloguista, publiquei as crónicas:
."João Portugal Ramos e a Blogosfera", em 3/6/2012, onde destaquei alguns dos vinhos bebidos durante o almoço: os brancos Vila Santa Reserva 2008 (nota 17,5+) e 2009 (nota 17,5) e os tintos Marquês de Borba Reserva 1997 (nota 18) e 2000 (nota 18,5).
."Os vinhos do João e os vinhos do José", em 2/5/2013, um jantar com a presença do JPR e do seu amigo e sócio José Maria Soares Franco, durante o qual foram apresentados vários vinhos tintos de topo e, ainda, o seu 1º Alvarinho, um sonho antigo.
2.O mistério da magnum João Portugal Ramos 25 Anos
No final do jantar comemorativo dos 25 anos do projecto JPR, do qual me referirei em próxima crónica, foi oferecida aos participantes uma garrafa magnum, numa discreta mas bonita embalagem.
No interior da embalagem pode ler-se:
"(...) Passaram-se 25 anos, e sem poder resumir o projecto de uma vida numa garrafa, reuni neste vinho comemorativo a soma daquilo que duas das mais emblemáticas regiões do nosso país - o Alentejo e o Douro - nos podem oferecer.
(...) Acredito que a paixão de criar vinhos já nasceu comigo e que tenho a felicidade de fazer aquilo que gosto, mas o maior privilégio continua a ser o de poder partilhar consigo esta paixão em cada vinho que faço."
Assinado, João Portugal Ramos.
Obrigado JPR, pela oferta!
Mas, nisto de vinhos gosto de saber o que vou beber. Para além da indicação que este vinho era constituído por lotes do Alentejo e Douro, a garrafa não me diz mais nada, nem no rótulo nem no contra-rótulo.
Qual o ano de colheita? Em parcelas do Alentejo e do Douro teve origem? Quais as castas? Onde estagiou? Quanto tempo? Tudo isto para perceber quando devo abrir esta garrafa.
Curiosamente, pondo as minhas legítimas interrogações à empresa, não consegui obter qualquer resposta concreta. Mistérios insondáveis da magnum João Portugal ramos 25 Anos!
continua...

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O Café de São Bento no Mercado da Ribeira

Já ando há mais de 3 anos a blogar sobre o Mercado da Ribeira, suas bancas e seus chefes. Senão, vejamos:
.08/06/2014 - Marlene Vieira
.01/07/2014 - Vitor Claro
.16/08/2014 - Henrique Sá Pessoa
.28/09/2014 - Alexandre Silva
.23/10/2014 - Miguel Castro e Silva
.12/12/2014 - Sea Me
.31/01/2015 - Cozinha da Felicidade
.24/02/2015 - Monte Mar
.21/05/2015 - Miguel Laffan
.03/03/2016 - O Prego da Peixaria
.26/05/2016 - Pap' Açorda
.12/07/2016 - Academia Time Out
.19/07/2016 - Balcão da Esquina
.15/01/2017 - Time Out Bar
.11/07/2017 - Surf & Turf
Chegou agora a vez do Café de São Bento (o melhor bife de Lisboa, segundo a Time Out), com lugares ao balcão e situado na ala esquerda do mercado, sem aquela confusão do bloco central, ocupado, quase em exclusivo, pelos turistas que se apaixonaram por Lisboa.
Tudo o que comi estava francamente delicioso:
.Camarões Al Ajillo (com um molho fabuloso)
.Prego Mediterrânico em pão chapata (embora, erradamente, lhe chamem baguete): bife do lombo grelhado, pesto de manjericão, rúcula, tomate seco e lascas de parmesão
Comi-o médio/mal passado e considero-o ao nível do prego servido no By the Wine, o melhor de Lisboa, segundo a minha bitola.
Tencionava acompanhá-lo com uma cerveja artesanal, inexistente neste balcão. Aconselharam-me a ir à banca da cerveja, o que fiz. Só que teria que a beber em copo de plástico! Francamente...
É claro que não aceitei e optei por beber um copo do branco Três Bagos 2016 (2,90 €) - fresco e cítrico, notas vegetais, simples mas agradável, volume e final de boca médio/curto. Nota 15.
A garrafa foi-me mostrada, o vinho dado a provar num bom copo e servida uma quantidade bem generosa.
Serviço atencioso e eficiente. Uma boa surpresa este balcão.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Melhor blogue do ano (2017) : o enófilo militante no Top 10 pela 6ª vez consecutiva

Estão a ser publicados os nomeados para os Prémios W 2017, louvável iniciativa do crítico (entre outras profissões) Aníbal Coutinho, que contempla 31 categorias, sendo a lista dos blogues eleitos a seguinte (por ordem alfabética, ficando entre parêntesis o nº de presenças e assinalando com * os estreantes):
.Clube de Vinhos Portugueses (3)
.Comer Beber Lazer (4)
.Contra Rótulo (2)
.Drinked In *
.Enófilo Militante (6)
.Grão Duque Sambrasense (2)
.Os Vinhos (6)
.O Vinho em Folha (2)
.Pingas no Copo (5)
.Vinho Porto Vintage *
De registar:
.continua a haver 2 totalistas no Top 10 de 2012 a 2017: Os Vinhos (Pedro Barata) e Enófilo Militante (eu próprio)
.os vencedores dos anos anteriores não foram incluidos, estando alguns em actividade (Copo de 3, Bebes.Comes e Avinhar) e outros parados (E Tudo o Vinho Levou e Air Diogo num Copo)
.a injusta não inclusão do blogue Joli.
Pela minha parte fico satisfeito e honrado por ter sido incluído, pela 6ª vez consecutiva, na lista dos nomeados. Um incentivo para continuar!

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Almoço com Vinhos Fortificados (26ª sessão) : o regresso a Porto Covo

Passados 2 anos (ver crónica "Almoço com Vinhos Fortificados (19ª sessão) ...", publicada em 28/7/2015) este grupo de enófilos militantes, também conhecido pelo Grupo dos Madeiras, voltou a Porto Covo, "chez" Natalina (nos tachos)/Modesto (nos vinhos, todos da sua garrafeira).
A bebida de boas vindas foi o espumante Qtª Poço do Lobo 2013, muito polivalente, pois tanto pode ser servido a solo, como a acompanhar comida. Neste caso, foi acompanhado por alguns aperitivos e tapas (frutos secos, melão com presunto, cogumelos recheados, chamuças,...). Fresco e com algum volume esteve à  altura das ciscunstâncias.
Já com o grupo instalado à mesa, desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2015 (em magnum) - nariz exuberante, presença de citrinos, fresco e complexo, bela acidez, notas amanteigadas, algum volume e final de boca persistente. Nota 17,5+ (noutra situação 17,5).
Harmonizou com a já tradicional sopa de garoupa e ameijoas.
.Qtª Monte d' Oiro Reserva 2012 - aromático, ainda com muita fruta vermelha, acidez equilibrada, especiado, grande volume e final de boca notável. Elegante e complexo. Um grande vinho que ainda irá crescer nos próximos 4/5 anos. Óptimo para acompanhar pratos de forno. Nota 18,5.
.Incógnito 2001 - cor desmaiada, aromas terciários, belíssima acidez, taninos ainda presentes mas civilizados, volume e final de boca médios. Fino e elegante. Pede pratos não muito fortes. Na fase descendente, mas uma boa surpresa para um vinho alentejano com mais de 15 anos. Nota 17,5+.
Estes 2 tintos maridaram com uma saborosa lebre com grão (ainda foi aberta uma garrafa de Qtª Mouro Rótulo Dourado 2007, mas que não cheguei a provar).
.Qtª Crasto Vinha da Ponte 2004 - com base em vinhas velhas com mais de 90 anos, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; aromas terciários, fruta preta ainda presente, acidez no ponto, especiado, taninos ainda presentes, volume assinalável e final de boca interminável. Um monstro de complexidade. No ponto óptimo de consumo, mas ainda em forma mais 6/7 anos. Nota 19+ (noutras situações 16,5/17/18/18,5+; tem vindo sempre a crescer e bebe-lo jóvem é pura pedofilia).
Foi acompanhado por uma tábua de queijos.
.FMA Bual 1964 - notas de frutos secos, iodo, brandy e caril, vinagrinho presente, grande volume e final de boca. Complexidade e sofisticação. A Madeira no seu melhor. Nota 19 (esta foi a 19ª garrafa por mim provada e a 5ª a merecer esta nota).
Acompanhou uma tarte de maçã e salada de frutas tropical.
Grande sessão de convívio, comeres e beberes (mais uma). Obrigado Natalina! Obrigado Modesto!

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Taberna Criativa : uma surpresa em Sintra

Este espaço de restauração, com pouco mais de 1 ano, situa-se em Sintra (Av. Heliodoro Salgado,26) e tem como proprietário e responsável pelos tachos o chefe Vitor Rocha (ex-Hotel Costa da Caparica, Eleven, Panorama e Monte Rei Golf).
No menú, apenas disponível ao jantar constam 6 petiscos criativos/entradas, 5 pratos principais e 5 sobremesas. Para quem não tiver problemas de orçamento, pode desfrutar o Menú Degustação (48 €).
Ao almoço apenas o Menú Executivo (12 €), com direito a couver, sopa/entrada, prato, sobremesa, bebida e café, um bom preço considerando a qualidade da comida, o espaço e a presença do chefe.
Comi creme de ervilhas com presunto crocante, bacalhau fresco com brás de legumes e bolo de bolacha.
Quando o chefe foi à nossa mesa, o que é de aplaudir, manifestei-lhe a minha frustação em não poder provar a sobremesa "Tributo ao pastel de nata com gelado de caramelo e nuances de canela", da qual me tinham tecido os maiores elogios. Como resposta, percebi que só estaria disponível ao jantar.
Mas o chefe fez-nos a grande surpresa de nos servir com o café, já depois de comida a sobremesa do menú, o tal tributo ao pastel de nata, simplesmente divinal.
Louve-se a sua atitude. É assim que se conquistam os clientes!
Quanto à componente vínica, inventariei 1 espumante, 1 champanhe, 25 brancos (2 eram colheita tardia), 20 tintos, 3 rosés e 6 Porto. Lamentavelmente, os anos de colheita estão omissos na carta que contém algumas incorrecções.
O vinho do menú era Castelo d' Alba Reserva, tendo optado pelo branco da colheita 2016, agradável mas sem grandes rasgos. A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar em copo aceitável.
Cozinha semi aberta, ambiente acolhedor e serviço profissional e simpático.
Uma grande surpresa em Sintra, a repetir com toda a certeza. Recomendo!

domingo, 10 de setembro de 2017

Curtas (XCI) : Qtª La Rosa, enólogos/enófilos e Vinhos do Alentejo

1.Qtª La Rosa no Boa Cama Boa Mesa
O apontamento semanal do Boa Cama Boa Mesa (SIC Notícias, 6ª feira 9h45) foi dedicado à Qtª La Rosa nas suas vertentes alojamento, restaurante e adega, incluindo uma entrevista à produtora Sophia Bergqvist.
Este programa ainda pode ser visto até à próxima 5ª feira.
2.Enólogos e enófilos: a confusão da Time Out
Pode ler-se na última Time Out (página 35, patrocinada pela Uber), a propósito do Chafariz do Vinho, "(...) O milagre da transformação da água em vinho deu-se em 1998, e a ideia partiu da Câmara Municipal de Lisboa e da EPAL, que desafiaram um grupo de enólogos a ocupar o chafariz.".
Afinal os enólogos eram enófilos (o João Paulo Martins e associados)! A confusão entre enólogos e enófilos só pode ser por ignorância (da Time Out? da Uber?). Podiam ter feito o trabalho de casa...
A propósito, eu estive na cerimónia de posse (na qualidade de responsável pela área dos vinhos da saudosa Coisas do Arco do Vinho, a convite do João Paulo Martins, tendo levado para o efeito um Porto Branco da Churchill, muito balado na altura), presidida pelo João Soares, o então presidente da Câmara Municipal de Lisboa.
3.Vinhos do Alentejo
Já foi anunciada o próximo evento "Vinhos do Alentejo", que irá decorrer, uma vez mais no CCB, nos dias 13 (das 16 às 21h) e 14 de Outubro (das 15 às 21h). A não perder.
Mais informações em www.vinhosdoalentejo.pt.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Infame : uma mais valia no Intendente

O Infame é o nome do restaurante do 1908 Lisboa Hotel, situado no Intendente, um local mal frequentado no passado, mas que agora está na moda. Pratica uma cozinha de fusão imaginativa e de qualidade, debaixo da batuta do chefe Nuno Bandeira de Lima, num espaço moderno e acolhedor. Mesas mais ou menos despojadas, mas com os irritantes guardanapos de papel.
Para além da lista, ao almoço está disponível um menú executivo (12,50 €) com direito a entrada, prato, sobremesa, bebida e café. Optei pela apelativa lista, tendo degustado o bife tártaro como entrada e o Sol Nascente (bacalhau com xerém de camarão, algas e ovas tobiko) como prato principal. Pratos de grande qualidade e primorosamente apresentados.
Quanto à componente vínica inventariei 3 espumantes (1 a copo), 5 champanhes, 34 brancos (5), 40 tintos (2) e 9 rosés (1). E, ainda, 11 fortificados (8 Portos, 1 Madeira e 2 Moscatéis), todos a copo.
Boas escolhas de um modo geral, mas sem os anos de colheita e com alguns preços demenciais. Os brancos da Região Vinhos Verdes estavam separados dos restantes, um erro comum à maioria dos restaurantes. Mais: na carta de vinhos aparece um 1908 Vintage mas, quando vi a garrafa, afinal estava-se na presença de um 20 Anos! Por simpatia do empregado, provei este Porto tawny cujo perfil apontava para um simples 10 Anos. Ignorância ou oportunismo?
Bebi uma Musa IPA, uma belíssima cerveja artesanal, uma bebida que "descobri" há pouco tempo, mas que me tem apaixonado.
Serviço eficiente e super simpático.
Recomendo e tenciono voltar, fazendo votos para que as imprecisões e inverdades da lista de vinhos sejam corrigidas.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Vinhos em família (LXXXI) : lugar aos brancos

Mais 4 vinhos brancos provados descontraidamente em casa, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega.
E eles foram:
.Kompassus Reserva 2013 (13 % vol.) - valeu 18 na antiga RV; enologia de Anselmo Mendes, com base nas castas Arinto e Bical, estagiou em barricas de carvalho francês; nariz exuberante, muito fresco e frutado, acidez fabulosa, notas amanteigadas, algum volume e final de boca. Grande surpresa e excepcional relação qualidade/preço. Nota 17,5+.
.Qtª Bageiras Garrafeira 2014 (13,5 % vol.) - a antiga RV atribui-lhe 17,5 valores; garrafa nº 310/3115, com base nas castas Maria Gomes e Bical; alguma fruta, componente floral a impor-se, fresco, mas com notas gordas, volume e final de boca médios. Nota 16,5.
.Qtª Ameal Loreiro 2015 (11,5 %) - 94 pontos no Parker!; com base nas castas Loureiro (90 %) e Arinto (10 %); nariz exuberante, muito fresco e cítrico, acidez equilibrada (sem os excessos da maioria dos vinhos verdes), elegante e harmonioso, volume e final de boca médios. Um belo branco que, por acaso, é da Região Vinhos Verdes. Nota 17.
.Casal Santa Maria Malvasia 2015 (12 % vol.) - com base na casta Malvasia (100 %) em chão rijo de Colares ( no contra-rótulo afirma-se que as uvas eram provenientes da "exploração vitivinícola mais ocidental da Europa, perto do Cabo da Roca"); aromático, muito fresco, cítrico e mineral, acidez no ponto, algum volume e final de boca médio. Nota 17.

sábado, 2 de setembro de 2017

Casta 85 : uma surpresa em Alenquer

O "85" tem a haver com a data de nascimento do chefe João Simões (Bica do Sapato, Ritz, Altis Belém e Bistrô 100 Maneiras), responsável pelos tachos e um dos donos deste agradável espaço. A cozinha é aberta, as mesas despojadas e os guardanapos de pano.
A aposta gastronómica é na cozinha tradicional, mas com um toque moderno, apresentando 18 petiscos, 5 canjas e cremes, 7 entradas, 7 pratos de peixe, 6 pratos de carne e umas tantas sobremesas.
Em recente visita escolhi 2 petiscos (salada caldosa de duas orelhas de porco e camarão salteado com alho, coentros e limão) e a canja de bacalhau com ovo escalfado, torricado e poejo. A terminar, a tarte de limão merengado com sorvete e macarron de limão, hortelã e lima. Tudo com muita qualidade, bem apresentado e em doses generosas.
Quanto à componente vínica, inventariei 5 espumantes, 3 champanhes, 1 cava, 62 brancos (dos quais 17 da Região Lisboa), 58 tintos (dos quais 14 da Região Lisboa), 6 rosés e, ainda, 9 colheitas tardias, 16 vinhos estrangeiros, 3 Madeiras e 2 Moscatéis (não encontrei nenhum Porto, o que é estranho), na generalidade datados. Os verdes estão separados dos restantes brancos, um erro usual na restauração.
É uma oferta, à partida, de louvar. Mas, no entanto e lamentavelmente, as falhas (não assinaladas na carta) são mais que muitas, o que é indesculpável, pois algumas são de vinhos de produtores mesmo ali ao pé.
Por outro lado, não apostaram no vinho a copo. Nas visitas que fiz, optei por mandar vir uma garrafa e levar as sobras para casa.
Nesta última escolhi o Qtª Lagar Novo Viognier Reserva 2015 (na carta ainda constava o 2013) - estagiou 9 meses em barrica, que ainda está muito presente; pouco frutado, acidez equilibrada, notas balsâmicas e amanteigadas, algum volume e final de boca adocicado. Gastronómico, a precisar de comida por perto. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar em bom copo. Serviço eficiente e simpático.
Em conclusão, uma boa surpresa em Alenquer, com o chefe João Simões inspiradíssimo. Pena é que a componente vínica não esteja, ainda, à altura.
Uma curiosidade final: uma das paredes do WC masculino está forrada, de cima a baixo, com rolhas das garrafas, enquanto que no WC feminino são botões. Desigualdade de género?

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Novo Formato+ (sessão especial) : brancos e tintos de 2011 e 1 Moscatel da Madeira

Esta sessão especial deste grupo de enófilos militantes não estava agendada mas, por iniciativa do João Quintela, que levou as entradas e o caril de frango, realizou-se "chez" Lena/Juca, em São Francisco da Serra. Foi uma espécie de assalto, mas bem intencionado.
Com excepção da bebida de boas vindas, os restantes vinhos (2 brancos levados pelo João, 2 tintos levados por mim e, ainda, um Moscatel da Madeira levado pelo José Rosa) foram da responsabilidade dos "convidados". Desfilaram:
.Espumante Qtª Poço do Lobo Baga 2014, o vinho de boas vindas que cumpriu bem a sua missão.
Acompanhou enchidos e requeijão.
.Soalheiro Alvarinho 2011 - ligeira oxidação, fruta madura, notas de melão, boa acidez, alguma complexidade, volume e final de boca assinaláveis. Cheio de saúde, ainda aguenta mais 2/3 anos. Nota 17,5.
.Portal do Fidalgo Alvarinho 2011 - citrinos mais evidentes, acidez q.b., menos complexo que o anterior, volume e final de boca médios. No ponto para ser consumido. Nota 16,5.
Estes 2 brancos maridaram com crepes recheados e massa folhada.
.Legado 2011 - nariz exuberante, muito frutado, fresco e elegante, acidez no ponto, notas especiadas, taninos civilizados, volume considerável e final muito longo. Muito fino e harmonioso, em forma mais 8/9 anos. Um dos grandes vinhos portugueses de nível internacional. Levava-o para a tal ilha deserta. Nota 19.
.Aalto PS 2011 - com base em vinha velhas, estagiou 22 meses em barricas novas de carvalho francês; também muito exuberante, mais floral e especiado, acidez equilibrada, taninos bem comportados, volume e final de boca assinaláveis. Conjunto harmonioso. A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 18,5+.
Estes 2 tintos harmonizaram com a carilada.
Artur Barros e Sousa Moscatel 1963 - aroma complexo e exuberante, presença de mel e frutos secos, algum iodo, notas amanteigadas, acidez q.b., grande volume e final persistente. Mais Madeira que Moscatel. Nota 18,5.
Acompanhou pastéis de nata.
Mais uma grande jornada de convívio, bons comeres e beberes em alta.
Obrigado João pela iniciativa!

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Aditamento a "O Vinho que Lisboa tem"

Para quem não conheça o livro, a autora seleccionou as seguintes 10 garrafeiras:
.Estado d' Alma
.Garrafeira de Santos
.Garrafeira Imperial
.Mercearia do Vinho
.Manuel Tavares
.Garrafeira Nacional
.Napoleão
.Garrafeira da Sé
.Garrafeira Campo de Ourique
.Wines 9297

terça-feira, 22 de agosto de 2017

O Vinho que Lisboa tem : prós e contras

1.Introdução
Tomei conhecimento, ao ler a última revista VINHO Grandes Escolhas que lhe dedica uma página, da saída do livro"O Vinho que Lisboa tem", elaborado pela jornalista Ana Cristina Marques e editado pela Caminho das Palavras.
Pode ler-se na contra-capa que "Este guia pretende levar o leitor a conhecer as quintas produtoras de vinho, com valência de enoturismo, na Região de Lisboa, mas também os wine bars onde se serve vinho a copo e os petiscos tradicionais chegam à mesa. Ao todo, estão contempladas 16 quintas, 26 wine bars e ainda 10 garrafeiras".
2.Prós
É uma obra meritória que veio ocupar um espaço ainda não preenchido.
Na 1ª parte, para cada uma das quintas inventariadas, foi elaborada uma ficha onde consta uma pequena história e informação indispensável para quem as queira visitar (contactos, horários, preços,...).
Na 2ª parte, a autora pretendeu ser exaustiva, mas ficaram de fora, pelo menos 2 wine bars:
.Lisbon Winery (no Bairro Alto) que faz parte dos nomeados para os Prémios W 2017, a atribuir pelo crítico Aníbal Coutinho, na categoria "Melhor Bar de Vinho".
.Nova Wine Bar (no Chiado) com boas classificações nas plataformas internacionais Zomato e Tripadvisor.
3.Contras
É na 3ª e última parte, dedicada às garrafeiras de Lisboa, que a autora não fez o trabalho de casa, ao inventariar apenas 10 garrafeiras, quando há pelo menos 30, algumas delas tão ou mais merecedoras que as indicadas.
Mais, se esta selecção da autora pretende ser um Top 10, há 2 ou 3 que não merecem tal honroso lugar, em minha opinião.
Caso a autora esteja a pensar numa 2ª edição, passo a inventariar as garrafeiras olvidadas:
.Néctar das Avenidas (na Luis Bivar), talvez a garrafeira de Lisboa que melhor trata o vinho e a única que organiza regularmente jantares vinicos, visitas a produtores e o evento Bairradão. Indesculpável esta omissão!
.Empor Spirits & Wine (na Castilho), outra garrafeira que periodicamente organiza provas de vinhos
.Delidelux (em Santa Apolónia e Alexandre Herculano), mais uma a organizar sessões vínicas
.Loja Gourmet do El Corte Inglês, uma referência
.Casa Macário ( na Baixa), um clássico
.Mercado da Praça da Figueira (na Baixa), com uma boa oferta de fortificados
.Vinhos de Selecção (na Baixa)
.Dom Pedro (na Baixa)
.Sister's Gourmet (na Baixa)
.Garrafeira de Lisboa (no campo Pequeno), ainda recentemente objecto de reportagem na revista VINHO Grandes Escolhas
.Charcutaria Moy (no Principe Real)
.Garrafeira Internacional (no príncipe Real)
.Garrafeira São João (em Benfica)
.Garrafeira da Luz (na Estrada da Luz)
.Wine Company (na Barão de Sabrosa)
.Living Wine (na Avenida de Roma)
.Wine Guest (em Belém)
.Portugal Wine Room (em Alvalade)
.Agrovinhos (em Alcântara)
.La Pétillante (em Campo de Ourique)
E, ainda mais:
.Quando refere que a Estado d'Alma tem 3 lojas, não menciona a do CCB que veio a ocupar o espaço da mediática Coisas do Arco do Vinho
.Também não identifica as restantes lojas da Garrafeira Nacional e do Napoleão
.Quando explica como se deve guardar um vinho fortificado em casa, afirmando que devem estar em pé, esqueceu-se de esclarecer que isto não se aplica aos vinhos que evoluem na garrafa, como é o caso do Porto Vintage e até de LBVs.
Finalmente, um apelo aos seguidores deste blogue: a lista das garrafeiras poderá estar incompleta. Querem acrescentar mais alguma?

sábado, 19 de agosto de 2017

Sem Dúvida revisitado

O Sem Dúvida, já aqui referido várias vezes, é um dos restaurantes de Lisboa que mais aprecio. Boa comida, embora sem arriscar, carta de vinhos à altura (240 referências), com mais de 60 a copo, e serviço profissional e simpático, sob a batuta do Sérgio, o responsável pelo espaço.
Recentemente tive a ocasião de o revisitar na companhia de 2 amigos. Bebemos e comemos:
.Frei João 1995 branco (em meia garrafa) - aromas terciários, alguma oxidação, bela acidez, algum volume e final de boca. Para um branco com mais de 20 anos não se pode exigir mais. Nota 17.
Acompanhou umas tapas diversas.
.Blanco Nieva Pie Franco Verdejo 2015 (Rueda) - com base em vinhas velhas com mais de 100 anos; muito frutado com notas florais, acidez equilibrada e notas amanteigadas, algum volume e final longo. Uma boa surpresa, este branco cheio de personalidade e com uma relação preço/qualidade imbatível. Nota 18.
Maridou bem com um arroz de conquilhas.
.Qtª Monte d' Oiro Syrah Reserva 2000 - aroma muito fino, notas florais, bela acidez, equilibrado e elegante, algum volume e final de boca. No ponto para ser bebido. Nota 18.
Harmonizou com um prato de secretos, lagartos, grelos e batatas a murro.
.Krohn Colheita 1976 (já referido na última crónica "Vinhos em família")
Acompanhou uma saborosa tarte de amêndoa.



terça-feira, 15 de agosto de 2017

Curtas (XC) :Foodies, Travel, La Rosa IPA e novos eventos

1.Foodies by Imperdíveis
O Imperdíveis do Porto Canal lançou há pouco tempo o "Foodies", programa exclusivamente dedicado à restauração. Os 3 críticos gastronómicos deste canal visitam regularmente restaurantes, uns mais badalados e outros fora do nosso radar. Em cada programa, com cerca de 15 minutos, são apresentados e criticados 3 restaurantes, sendo quase sempre 1 em Lisboa, 1 no Porto e o terceiro no norte do país. Os pratos vão sendo degustados e comentados, sendo no final atribuída ao restaurante uma nota. Pena é que a componente vínica não seja abordada. Mas vale a pena ver.
Este Foodies  passa em vários dias e horas, sendo mais prático pô-lo a gravar.
2.Enoturismo by Travel
Depois desta agência cultural ter organizado visitas enoturísticas ao Dão, Alentejo, Douro, Açores e Rioja, anunciou recentemente uma ida à Região Demarcada dos Vinhos Verdes, prevista para o fim de semana de 7 a 9 de Outubro.
Esta viagem incluirá a Casa da Calçada, Hotel Monverde (Qtª da Lixa), Qtª da Aveleda, Restaurante Ferrugem, Qtª do Ameal, Hotel Inlima, Palácio da Brejoeira e Qtª do Prazo. Imperdível!
Mais informações em tryvel.pt/tour/vinho-verde.
3.La Rosa IPA
La Rosa IPA é o nome da primeira cerveja artesanal elaborada por um produtor de vinho, a Qtª de La Rosa pois claro. O enólogo Jorge Moreira passou a acrescentar ao seu CV o título de cervejeiro!
Esta cerveja é um exclusivo da casa, sendo vendida na respectiva loja e podendo ser provada na Cozinha da Clara, o restaurante da quinta.
4.Bairrada Vinhos & Sabores
Previsto para 8 a 10 de Setembro no Velódramo Nacional em Sangalhos, este evento é promovido Comissão Vitivinícola da Bairrada, Município da Anadia e Turismo do Centro.
A organização estará a cargo da revista "Vinho grandes escolhas" e contará com Provas Comentadas e Jantares Temáticos.
5.Bye bye Summer Wine Party
Irá decorrer dia 8 de Setembro no jardim do Marriott Hotel. Organizado pela revista Paixão pelo Vinho, contará com cerca de 300 referências em prova, entre vinhos e cervejas artesanais, e incluirá 3 Provas Especiais.

domingo, 13 de agosto de 2017

Provar vinhos com a Real Companhia Velha (RCV)

Há cerca de 1 mês tive a oportunidade de participar na apresentação e prova de alguns vinhos da RCV, concretamente da Qtª de Cidrô, que teve lugar no espaço "Le Consulat" (Pç Luis de Camões,22 - 1º andar) e que contou com Pedro Silva Reis (o produtor), Jorge Moreira (o enólogo) e Rui Soares (o viticultor), uma equipa de luxo.
O grupo de participantes foi desdobrado em 2 turnos (16h e 18h), tendo-me calhado o primeiro. Como éramos poucos, a logística da prova correu muito bem, devido ao facto de estarmos sentados à mesa, o que é muito mais fácil se comparado com a prova em pé, situação em que faz sempre falta mais uma mão para pegar no copo, na caneta, no caderno, etc. Mais, os copos eram Riedel, uma mais valia.
Orientada pelo Jorge Moreira, a prova contemplou (por ordem cronológica):
.Alvarinho 2016 - fresco e floral, notas vegetais, acidez alta e perfil duriense muito contido. Nota 16.
.Sauvignon 2016 - fresco, presença de citrinos e espargos, acidez equilibrada, fino e persistente. Nota 16.
.Chardonnay 2016 - mais intenso que os anteriores, mantendo a componente vegetal, volume de boca considerável. Nota 17.
.Rosé 2016 - com base em castas nacionais, nariz preso, algo frutado, notas de alcatrão, gastronómico. Nota 15.
.Pinot Noir 2014 - aberto de cor, muito fino e elegante, fruta vermelha ainda presente, taninos suaves, volume e final de boca médios. Nota 16,5+.
.Touriga Nacional 2015 - nariz intenso, muito frutado, notas florais, acidez no ponto, especiado, taninos presentes mas civilizados, volume e final de boca assinaláveis. Foi o vinho da prova. Nota 18.
.Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2008 - ainda com a cor muito carregada e muita fruta, toque vegetal pronunciado, acidez equilibrada, taninos de veludo, algum volume e final de boca. Nota 17,5.
.Gewurztraminer 2016 - aroma intenso, muito floral, fresco e elegante, acidez q.b., subtis notas amanteigadas, final de boca persistente. Original e algo surpreendente. Nota 17,5.
Uma boa prova, mas que me deixa uma dúvida. Com tantas castas tradicionais no Douro, porque é que a RCV não aposta nelas? Dos 4 brancos apresentados, só um se baseou numa casta nacional que, ainda por cima, nada tem a haver com a região.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Pastel de bacalhau com queijo da Serra : oportunismo e ignorância

Há cerca de 2 anos assistiu-se a uma grande polémica na blogosfera, na sequência de uma declaração da gastrónoma Maria de Lourdes Modesto (MLM), grande defensora da cozinha tradicional portuguesa e com obra temática publicada. A polémica estalou após o blogue Mesa Marcada ter dado eco à indignação da MLM ao referir-se ao controverso pastel de bacalhau com queijo da Serra como  "(...) Duas das mais queridas e conseguidas espeficidades da nossa gastronomia numa pornográfica e ridícula figura (...)". Daqui resultou um incontrolável incêndio nas chamadas redes sociais, uns defendendo e outros atacando, quase sempre com um gritante déficite de argumentação.
Recentemente a Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau, "inventora" desta improvável e gritante ligação, acrescentou um terceiro elemento, o Vinho Madeira (servido em cálice de vidro acrílico, segundo me pareceu). Mas o que é que este fortificado tem a haver com o pastel de bacalhau? Que eu saiba, nada!
Só que se esqueceram de dar um mínimo de formação ao pessoal da linha da frente que atende o público. À minha questão "qual a idade deste vinho?", obtive como resposta que era de 1870! Perante o meu pasmo e mostrada a garrafa, percebi que o ano 1870 fora o da criação da Justino's como empresa familiar. Só então é que foram "lá dentro" perguntar, tendo-me sido dito que, afinal, o Vinho Madeira servido com o pastel de bacalhau e queijo da Serra, não era de facto do século XIX tendo apenas 3 anos de idade.
Mais, nos cartazes que estão expostos com fotografias de Vinho Madeira, aparecem garrafas antigas, uma referente a Malvasia 1904 e outra a Bual 1957, lançando a confusão nos clientes menos informados.  
Oportunismo e ignorância, pois!

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Vinhos em família (LXXX) : 4 brancos e 1 Krohn Colheita

Mais uns tantos vinhos provados tranquilamente em família com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. E eles foram:
Qtª de Baixo Gonçalves Faria 2013 (garrafa nº 493/2006) - é um Vinho Regional Beira Atlântico, com base nas castas Bical e Maria Gomes em vinhas velhas; engarrafado em Junho 2015 com a chancela da Niepoort; muito fresco e mineral, presença de citrinos e algum floral, acidez muito pronunciada a pronunciar uma longa vida, volume e final de boca médios. Baixo teor alcoólico (10,5 % vol.). Nota 16,5+.
.Olho no Pé Vinhas Velhas Reserva 2014 - com base nas castas Viosinho, Rabigato e Gouveio em vinhas velhas, estagiou 12 meses nas borras finas; presença de citrinos e alguma fruta cozida, acidez equilibrada, notas vegetais e algum amanteigado, final de boca médio. Nota 16,5+.
.Morgado Stª Catherina Reserva 2015 - com base na casta Arinto (100 %) em vinhas velhas, estagiou 10 meses em barricas de carvalho francês; presença de citrinos e alguma fruta madura, acidez no ponto, madeira bem casada, algum volume e final de boca médio. Teor alcoólico 14 % vol. Excelente relação preço/qualidade. Nota 17,5.
.Qtª Monte d' Oiro Madrigal Viognier 2013 - 90 pontos na Wine Enthusiast; ligeira oxidação, presença de citrinos, notas de melão e fruta cozida, alguma acidez, notas balsâmicas, volumoso e gastronómico. Teor alcoólico 14 % vol. Nota 17+.
.Krohn Colheita 1976 (engarrafado em 1996) - presença de frutos secos, notas iodadas, algum floral, acidez equilibrada, volume notável e final de boca longo. Complexo, elegante e harmonioso. Mais um Krohn Colheita em grande estilo! Nota 18,5.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Novo Formato+ (27ª sessão) : um banquete em S.Francisco da Serra

Esta última sessão deste grupo denominado Novo Formato duplicou o nº de participantes, pois reuniu à mesa 16 pessoas em vez das 8 habituais. O repasto decorreu em S. Francisco da Serra, "chez" Lena/Juca, sendo a gastronomia e os vinhos da sua responsabilidade. Diga-se, desde já, que o Juca estava inspirado e que tudo o que saiu das suas mãos estava 5 estrelas. Promovo-o a "chefe"!
Quanto aos vinhos (1 espumante, 1 branco, 3 tintos, 1 Moscatel e 2 Madeiras), desta vez provados com os rótulos à vista, desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho Bruto 2015 - foi o vinho de boas vindas e cumpriu bem a sua função, acompanhando frutos secos, charcutaria, ovos de codorniz, tapas de queijo com tomate seco, etc...
.Soalheiro Alvarinho 2015 magnum - aroma intenso, frutado e algo tropical, acidez no ponto, notas amanteigadas, algum volume e final de boca.Gastronómico. Nota 17.
Maridou com uma saborosa sopa rica de peixe.
.Borges Verdelho 20 Anos - serviu para limpar o palato.
.Diga? 2009 magnum - com base na casta Petit Verdot; ainda com muita fruta vermelha, acidez equilibrada, notas especiadas, taninos presentes mas não agressivos, algum volume e acentuado final de boca. Ainda longe da reforma. Nota 17,5+.
Harmonizou com o tradicional rabo de boi com puré de batata. Belíssimo! Como é possivel não gostar deste prato?
.Aalto 2014 magnum - aroma afirmativo, muito frutado, acidez no ponto, taninos afirmativos mas civilizados, algum volume e final de boca; ainda demasiado jóvem, mas com grande potencial, precisa de uma meia dúzia de anos para se complexizar. Nota 18 (provisória).
.Pintas 2011 magnum - o vinho tinto português mais classificado na Wine Spectator (98 pontos); aroma fino, ainda com fruta vermelha e com nuances terciárias, acidez equilibrada, mas com um desagradável toque químico; taninos vigorosos, volumoso e final de boca longo; ainda pode esperar mais 7/8 anos. Nota 18 (também provisória).
Acompanhou uma tábua de queijos, com destaque para o Terrincho Velho.
.Moscatel Roxo 20 Anos José Maria da Fonseca (engarrafado em 1983) - presença de frutos secos e mel, notas iodadas, acidez nos mínimos, algum volume e final de boca muito doce. Nota 17,5.
Servido com uma série de doces e salada de frutas.
.Artur Barros e Sousa Verdelho Reserva Velha (engarrafado em 2007) - notas iodadas bem presentes, frutos secos, vinagrinho, taninos firmes, bom volume e final de boca interminável. Fino, elegante, harmonioso e complexo. A Madeira no seu melhor! Nota 19.
Foi uma grande jornada de convívio, comeres e beberes. Os anfitriões esmeraram-se. Obrigado Lena! Obrigado Juca!

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Lumni : o novo poiso do chefe Miguel Castro e Silva

O conceituado chefe Miguel Castro e Silva que trocou a Invicta pela Capital, fechou o Castro Flores (onde se instalou o Bem Haja, vindo da Rua de Campolide) e instalou-se no 5º piso do Hotel The Lumiares (R. Diário de Notícias, 142), onde gere o "Lumni restaurante & bar".
O restaurante desdobra-se numa aconchegada sala interior (onde se pode ver a cozinha, semi-aberta) e numa alargada esplanada com vistas para a cidade. Este espaço permite uma série de escolhas, desde o serviço à lista, até a um menú de degustação de 7 pratos (55 €). Mas o mais interessante, pareceu-me o menú de almoço com as suas 3 modalidades, todas ela incluindo o couvert e água:
.20 € - entrada/sopa + prato
.24 € - entrada/sopa + prato + sobremesa
.28 € - sopa + entrada + prato + sobremesa
A escolha incide entre 6 entradas/sopas, 6 pratos e 4 sobremesas, tendo eu optado por comer a sopa rica do mar (belíssima) e, ainda, lulas e camarão com puré de batata (tudo saboroso, mas com as lulas demasiado al dente).
Mesas despojadas, mas guardanapos de pano, bons copos Schott e armários térmicos para controlo de temperaturas.
Quanto à componente vínica, inventariei 3 espumantes (1 a copo), 1 champanhe, 24* brancos (3), 27 tintos (4), 2 rosés (1) e 9 fortificados (7 Portos, 1 Madeira e 1 Moscatel, todos a copo).
* 1 era colheita tardia
Escolhi o branco Qtª Ventozelo Viosinho 2014 - fresco e mineral, um toque vegetal, acidez equilibrada, notas amanteigadas, volume e final médios. Gastronómico, acompanhou bem toda a refeição. Nota 16,5+.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo, mas em quantidade nada generosa.
Serviço profissional e simpático.
Em conclusão, recomendo e tenciono voltar.


sábado, 22 de julho de 2017

O blogue vai de férias

Mais uma semana, a última até ao final do ano, sem computador.
Ficam por publicar as crónicas:
.Vinhos em família (LXXX)
.Lumni, o novo poiso do Miguel Castro e Silva
.As recentes novidades da Qtª de Cidrô
.Novo Formato (27ª sessão)
Boas pingas e até ao meu regresso.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Curtas (LXXXIX) : maldades francesas, as conservas do Público e a garrafeira do José Casais

1.Maldades francesas (I)
Em férias recentes passadas no sul de França (entre Marselha e Nice), tive a ocasião de constatar como os franceses tratam mal os seus visitantes. Nos diversos jantares em hotéis de 4 estrelas, os copos postos na mesa eram francamente maus, os vinhos imbebíveis (não só pela má qualidade, como também pela temperatura a que eram servidos) e os talheres não eram trocados (aqueles que eram utilizados na entrada tinham que ficar para o prato principal!). Em boa verdade, o único local onde trocaram os talheres foi num hotel de 3 estrelas. Uma honrosa excepção.
2.Maldades francesas (II)
No filme francês "Duas Mulheres, um Encontro", ainda em cartaz e realizado por Martin Provost em 2017, as protagonistas (uma delas a Catherine Déneuve) beberam um Porto em flutes! Francamente, ninguém em França sabe aconselhar devidamente os responsáveis pelo filme? E nenhuma entidade portuguesa se insurgiu?
Curiosamente, um dia após ter visto este filme, visionei em casa o clássico "Morangos Silvestres", realizado pelo mestre Ingmar Bergman em 1957, onde também aparece uma cena em que se bebe Porto. Só que aqui houve o cuidado de o servir em cálices. Isto na Suécia 60 anos antes!
3.As conservas do Público
Com a periocidade semanal e sempre à  quinta feira , o Público está a vender (3,20 €) uma colecção de 14 conservas*, intitulada "Mar Português conservas de chef". Por exemplo, a receita da conserva que saiu hoje, "Biqueirão com lima e gengibre", é da chefe Marlene Vieira.
A produção é da fábrica A Poveira (Póvoa de Varzim) e o azeite virgem extra da Casa Anadia.
* também podem ser adquiridas nalgumas lojas Continente.
4.A garrafeira do José Casais
Abriu em 2016 a Garrafeira de Lisboa (Av. Sacadura Cabral,45A), nas antigas instalações da Vinalda.
O seu proprietário é o José Casais, o antigo patrão daquela distribuidora.
É um bonito e impressionante espaço onde se podem encontrar algumas (muitas) raridades vínicas que podem fazer as delícias de alguns coleccionadores, embora seja algo arriscado apostar nestas "velharias", a par de algumas novidades (poucas).
Este fabuloso espaço está um pouco desaproveitado e é pena não terem pensado num wine bar, pois boas condições não faltam.


terça-feira, 18 de julho de 2017

Soberba by Igor Martinho : um dia para esquecer

Embalado pela crítica gastronómica e pelo prestígio do Igor Martinho, chefe cozinheiro do ano em 2009, rumei ao Soberba arrastando comigo a minha companheira e um casal de amigos que gostam de comer e beber com qualidade. A respectiva reserva, que incluia um desconto de 30 % (bebidas à parte), foi feita através da plataforma The Fork.
Em má hora o fiz, pois correu quase tudo mal.
A carta normal não estava disponível, ficando a clientela "obrigada" a comer o menú do dia. Fiquei sem saber exactamente porquê, pois 2 dos empregados deram-me razões diferentes. A minha vontade foi zarpar dali, mas já passava das 13h30 e não tinha qualquer alternativa ali próximo. Mais, o menú de almoço poderia ter algumas propostas interessantes, entre os diversos pratos da autoria do chefe. Mas não. Salmão, frango, carapaus (a entrada também era com carapaus!) e bifanas eram as apostas do Soberba. Francamente, encontro melhor em qualquer tasca de Lisboa e arredores!
O restaurante está pessimamente localizado, a sala é ampla, mas ruidosa e com a música de fundo demasiado alta. Mesas bem aparelhadas, mas com guardanapos de papel, uma contradição.
Quanto à componente vínica, a lista é interessante e com alguma originalidade e preços decentes, os copos são bons e têm armários térmicos para controlo de temperaturas. Serviço eficiente e simpático.
Escolhemos o branco Olho no Pé Grande Reserva Vinhas Velhas 2011, um vinho que gosto particularmente. Azar, o vinho estava demasiado oxidado e imbebível. Veio uma 2ª garrafa, também ela oxidada, mas nos limites do bebível. Para não levantar mais problemas, foi aceite embora com alguma relutância. Sugeri ao empregado que retirassem o vinho da lista e pedissem ao produtor que o trocasse por outra colheita. Consultado hoje o site do Soberba, o vinho em causa ainda lá consta. Francamente...
Finalmente, a factura que veio para a mesa era muito confusa, pois aparecia um desconto que, só em casa, percebi que era falso, pois o preço do menú foi ampliado (dos 12,90 € da tabela, passaram para mais de 16 €). Feita a reclamação ao The Fork, acabei de ser compensado através da minha conta de cliente assíduo. Uma sentença salomónica!
Enquanto me lembrar do sucedido, Soberba by Igor Martinho nunca mais!

sábado, 15 de julho de 2017

Grupo dos 6 (4ª sessão) : Alvarinho, tintos de 2010 e 1 Madeira de excepção

Ainda desfalcado de um dos seus fundadores, este grupo de enófilos militantes reuniu na Casa da Dízima, restaurante de Paço d' Arcos muito badalado em diversas plataformas gastronómicas e nalguns blogues, incluindo o presente. Come-se muito bem por aqui e não é de mais elogiar o seu serviço de vinhos. O gerente deste espaço não estava (Pedro Batista que só apareceu no final para cumprimentar o grupo), mas a equipa, com o Carlos à cabeça, funcionou muito bem.
Quanto aos vinhos, levámos 1 branco em garrafa magnum, 3 tintos de 2010 e 1 fortificado. E eles foram:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2010 (levado pelo João Quintela) - bonita cor, ligeira oxidação, aromas terciários, algum floral, notas amanteigadas, acidez equilibrada, volumoso e final de boca persistente. Original e pleno de personalidade. Nota 18.
Acompanhou muito bem as duas entradas (vieiras com tártaro de atum e risotto de caranguejo real).
.Qtª do Mouro Rótulo Dourado (levado pelo Frederico Oom) - nariz contido, sabores terciários com predominância de especiarias, acidez no ponto, taninos civilizados, algum volume e final de boca longo. Está no ponto óptimo de consumo. Nota 18.
.Qtª Manoella Vinhas Velhas (levado pelo José Rosa) - aromas discretos, alguma fruta e especiarias, acidez q.b., taninos presentes, algum volume e final de boca. Prejudicado por um ligeiro toque de rolha. Acabou por desiludir. Nota 17.
.Kopke Vinhas Velhas (levado por mim) - enologia de Ricardo Macedo; com base nas castas Touriga Nacional e Sousão, estagiou 16 meses em barricas de carvalho francês; nariz exuberante, ainda com fruta, boa acidez, notas especiadas, taninos bem presentes, volume e final de boca assinaláveis. Elegante e sofisticado, ainda está longe da reforma, podendo ser bebido ainda nos próximos 6/7 anos. Um grande Douro, mas ainda longe da ribalta. Nota 18,5.
Estes 3 tintos acompanharam bochecha confitada com puré de favas.
.FMA Bual 1964 (levado pelo Juca) - frutos secos, notas de iodo e caril, vinagrinho bem presente, algum volume e final de boca interminável. Elegante e sofisticado. Um belo Madeira e um grande vinho em qualquer parte do mundo. Nota 19.
Acompanhou um creme queimado.
Grande sessão!

terça-feira, 11 de julho de 2017

Surf & Turf : mais um chefe no Mercado da Ribeira

O chefe Kiko Martins (O Talho, A Cevicheria e O Asiático) abriu, já há alguns meses, o Surf & Turf no Mercado da Ribeira. Este novo espaço situa-se no corredor lateral, com bancos ao balcão, fora da grande confusão da zona central, apresentando alguns dos pratos emblemáticos dos seus restaurantes. A ementa é curta (4 pratos frios, 4 quentes e 2 sobremesas), mas o pessoal é mais do que suficiente (contei 8 empregados). Serviço eficiente e simpático.
Em recente visita, deliciei-me com o risotto do mar de quinoa e croquetes de cachaço, uma adaptação de um  prato que já conhecia da Cevicheria e referido em "Cevichando em Lisboa", crónica publicada em 24/5/2015.
Quanto a vinhos inventariei 1 espumante (1 a copo), 1 champanhe, 2 brancos (1), 2 tintos (1) e 1 rosé. Lista curta e sem qualquer ano de colheita, o que é de lamentar.
Optei pelo branco A Cevicheria 2015, um vinho de Lisboa resultante de uma parceria do Kiko com o produtor Bento dos Santos - aromático, muito frutado e fresco, presença de citrinos e notas de melão, algum volume e final de boca. Uma boa surpresa. Nota 16,5+.
A garrafa veio à mesa, o vinho dado a provar num bom copo e servida uma quantidade generosa.
Os tintos estavam uns à temperatura ambiente e outros com a temperatura controlada. Confesso que não percebi o critério.
Como sobremesa, marchou uma saborosa queijada na banca "Recordações de Sintra", uma novidade no Mercado.
No WC, a cena repete-se: urinóis entupidos, torneira em falta e secadores de mãos avariados.
Ó senhores da Time Out, tenham atenção a estas situações. Não é só facturar!

domingo, 2 de julho de 2017

O Blogue vai de férias

Mais uma semanita sem computador. Ficam por publicar as crónicas:
.Surf & Turf no Mercado da Ribeira
.Grupo dos 6 (4ª sessão)
.Soberba by Igor Martinho
.Vinhos em família (LXXX)
Boas pingas e até ao meu regresso.

sábado, 1 de julho de 2017

Paralelo 45 : uma aposta vínica falhada

Tinha muita curiosidade em conhecer este Paralelo 45 (R. Castilho, 27B), cujo sub-título é Wine Lounge & Delicatessen, aberto em finais de 2016 e já altamente badalado numa série de revistas, sites e comentários de embevecidos clientes.
A aposta nos vinhos é fortíssima, a começar pelo nome. Paralelo 45 significa a linha de latitude ideal para a plantação de vinhas. Tem uma boa selecção de vinhos portugueses, mas também alguns franceses, italianos e de outros países.
Inventariei 4 espumantes (2 a copo), 3 champanhes (1), 1 Prosecco (1), 26 brancos (8), 32 tintos (9), 4 rosés (3) e 9 fortificados (5 Porto e 4 Madeira, mas zero Moscatéis), oferta mais que suficiente.
No entanto tem 2 falhanços incompreensíveis e lamentáveis, para quem aposta nos vinhos.
1º falhanço: os anos de colheita estão omissos.
2º falhanço: os tintos estão à temperatura ambiente.
Em relação a este último, o empregado ainda tentou dar-me a volta, dizendo que as temperaturas eram aceitáveis. Para provar a sua afirmação foi buscar um termómetro eléctrico, mas que não funcionou por falta de pilhas! Acabou por ser o 3º falhanço.
Este espaço tem, pelo menos à hora do almoço, um menú com direito a entrada ou sopa, prato, bebida e café, a troco de 14 €.
O vinho a copo foi o Vinha da Foz 2015 - fresco e mineral, acídulo, volume e final médios. Nota 15,5. Optei pelo branco, pois o tinto estava quente.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar em copo razoável.
A sala está bem decorada e o espaço é requintado, embora com toalhetes e guardanapos de papel, uma contradição. O serviço, eficiente e simpático, está reduzido aos mínimos, com uma empregada sénior atrás de um balcão e um único empregado (muito jóvem e inexperiente) na sala. Em caso de eventual enchente, deve ser o caos.
Faço votos para que os falhanços apontados sejam corrigidos, pois o espaço merece-o.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Provar vinhos Mont'Alegre

Há cerca de 1 mês tive a oportunidade de provar vinhos Mont'Alegre, numa sessão orientada pelo produtor e simultaneamente o enólogo deste projecto transmontano, Francisco Gonçalves de seu nome, que decorreu no Panorama Bar, localizado no 26º andar do Hotel Sheraton.
Os vinhos Mont'Alegre têm tido origem em uvas compradas a produtores da região e situadas a mais de 650 metros de altitude. No futuro, o produtor passará a ter vinha própria que será a mais alta de Portugal, qualquer coisa como 1025 metros!
Foram provados 3 brancos, 3 tintos e 1 clarete:
.Clássico 2016 branco - com base nas castas Rabigato, Bical e Gouveio; fresco e mineral, presença de citrinos, acidez no ponto, volume e final médios. Nota 15,5+.
.Vinhas Velhas 2016 branco - com base em vinhas velhas com mais de 40 anos; fresco, fruta cozida, notas amanteigadas, boa acidez, algum volume e final de boca. Gastronómico. Nota 16,5.
.Reserva 2015 branco - fresco e mineral, presença de citrinos, boa acidez, fino e elegante, volume e final médios. mais complexo que os anteriores. Nota 16,5+.
.Clássico 2015 tinto - com base nas castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinta Amarela; fruta vermelha, alguma acidez e frescura, taninos suaves, volume e final de boca médios. Nota 16.
.Vinhas Velhas 2015 tinto - alguma fruta, acidez e complexidade, taninos redondos, algum volume e final de boca. Nota 16,5+.
.Reserva 2014 tinto - ainda com muita fruta, alguma acidez e complexidade, taninos presentes mas civilizados, algum volume e final de boca longo. Nota 17.
.Clarete 2016 - com base em 90 % de castas tintas e 10 % de brancas; nariz neutro, presença de morangos, algo chato na boca. Destoa do conjunto. Nota 14,5.
De salientar que, de um modo geral, estes Mont'Alegre se mostraram frescos e elegantes, com um teor alcoólico civilizado, um estilo de acordo com as actuais tendências de mercado.
Boa logística (copos, temperaturas e serviço).

terça-feira, 27 de junho de 2017

Grupo dos 6 (3ª sessão) : tintos de 2009, um branco de eleição e um Madeira de excelência

Este grupo, já formalmente apresentado na crónica "Almoço com Bual 1920 e outras pingas de eleição", publicada em 14/2/2017, temporáriamente reduzido a 5, reuniu-se no restaurante Comendador Silva para apreciar 2 brancos de referência, 2 tintos de 2009 e o sublime Blandy Bual 1977.
Desfilaram:
.Marquês de Almeida Grande Reserva 2015 (levado pelo Juca) - um Beira Interior produzido pela CARM, com base nas castas Síria (45 %), Fonte Cal (30 %) e Arinto (25 %), fermentou em barricas de carvalho francês, seguido de "batonnage" durante 8 meses: cor dourada, presença de citrinos, fruta madura, acidez no ponto, notas amanteigadas, algum volume e final de boca considerável. Uma boa surpresa. Nota 17,5.
.Terrenus Vinha da Serra 2014 (levado por mim) - com base nas castas Arinto, Fernão Pires, Bical, Roupeiro, Malvasia e Tamarez, em vinhas velhas situadas na Serra de São Mamede, a 750 metros de altitude, fermentou em cubas de cimento e estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês; Prémio Excelência 2016 atribuído pela antiga RV; mais fresco e mineral que o anterior, bela acidez, alguma gordura, elegante e sofisticado, volume e final de boca notáveis. Uma das 1000 garrafas produzidas e ainda longe da reforma. Um grande branco! Nota 18.
Estes 2 brancos acompanharam sopa de peixe e marisco e, ainda, massa folhada com pica pau de novilho.
Paço dos Cunhas Vinha do Contador (levado pelo Frederico) - estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; nariz intenso, ainda com muita fruta, fresco, algo especiado, taninos imponentes, volume e final de boca assinaláveis, ainda cheio de juventude, pode beber-se nos próximos 6/7 anos. Nota 18.
.Villa Oliveira (levado pelo João) - nariz austero, alguma fruta, notas terciárias, algum volume e final de boca; mais evoluído que o anterior, está no ponto óptimo de consumo. Nota 17,5.
Estes 2 tintos maridaram com massa fresca com gambas (este prato teria ligado melhor com os brancos) e magret de pato (boa ligação).
.Blandy Bual 1977 (levado pelo J.Rosa) - engarrafado em 2007; frutos secos, vinagrinho bem presente, notas de iodo e caril, volume assinalável e final de boca interminável. Complexo, elegante e sofisticado. Nota 19.
Bom serviço de vinhos, copos e temperaturas à altura. Pena é que continuem com os televisores ligados, embora sem som. Não trazem nenhum valor acrescentado. Só por teimosia dos responsáveis.