domingo, 31 de dezembro de 2017

Francisco Albuquerque : injustiçado uma vez mais (aditamento)

Na minha última crónica sobre o Francisco Albuquerque (FA), onde inventariei as ocasiões em que esteve presente em Lisboa, para apresentar vinhos da Madeira Wine, não cheguei a referir a que decorreu em 24 de Novembro no Hotel Porto Bay Liberdade. Neste evento também esteve o Chris Blandy que teve uma referência elogiosa ao Adelino de Sousa, enófilo madeirense que esteve na origem do nosso grupo de prova de vinhos fortificados.
O FA apresentou 3 Vinhos Madeira Blandy's (1 Colheita e 2 Frasqueiras), recentemente lançados no mercado, a saber:
.Verdelho 2000 - estagiou 16 anos em "canteiro"; muito fresco, salinidade evidente, frutos secos, notas de caril e iodo, algum vinagrinho, volume médio e final de boca longo. Nota 17,5.
.Sercial Vintage 1968 - muito complexo, presença de frutos secos e vinagrinho, notas de iodo, caril e brandy, taninos evidentes, volume considerável e final de boca seco e muito longo. Impressionante! Nota 18,5+.
.Bual Vintage 1957 - complexo e equilibrado, frutos secos, vinagrinho, notas especiadas e balsâmicas, taninos de veludo, volumoso e final de boca muito persistente. Perfeito! Nota 18,5.
Foi mais uma grande sessão, orientada pelo Francisco Albuquerque e com a presença do Chris Blandy.
Esta foi a 1230ª crónica e a última do ano. Ficam por publicar, em 2018:
.Almoço com Vinhos Fortificados (27ª sessão)
.Descobre, Peixe na Avenida e Chutify (curtas)
.O cartaz publicitário da AEVP (curtas)
.Rescaldo das festas 2017/2018

sábado, 30 de dezembro de 2017

Corte Inglês : uma grande aposta enogastronómica

O Corte Inglês apostou forte numa nova área situada no piso 7, que se estende ao longo de 5000 metros quadrados (mais 1000 na esplanada exterior!).
Ali pode encontrar a garrafeira (o Club del Goumet, que veio lá de baixo) que agora ocupa todo o espaço central do 7º piso. Neste momento, deve ser o maior espaço em Portugal na sua componente garrafeira/loja gourmet e com a maior oferta em vinhos de qualidade e produtos de mercearia fina. Tudo boas notícias. A má, é que também os preços estão em consonância.
À semelhança da Time Out, no Mercado da Ribeira, também o Corte Inglês convidou alguns chefes de nomeada para abrirem ali novas antenas dos seus projectos. E eles são:
.José Avillez - Tasca Chic e Jacaré
.Henrique Sá Pessoa - Balcão
.Kiko Martins - O Poke
.Roberto Ruiz - Cascabel (cozinha mexicana)
.Pepe Solla - Atlântico (cozinha galega)
.Aitor Ansorena - Imanol (cozinha basca)
Não entendo porque não convidaram mais um chefe prestigiado (e temos mais uns tantos), em vez de terem dado 2 espaços ao José Avillez. Ele não precisa!
Para além destes espaços gourmet, também se pode usufruir do Wine Bar (vinhos a copo) e de The G Bar (outras bebidas a copo) e dos produtos das marcas de referência (com balcão próprio) Alcôa (doçaria), Godiva (chocolates), Landeau (chocolates), Nannarella (gelados artesanais), La Gondola (conservas), Dammann (chás) e Cigar World (charutos).
Este novo projecto do Corte Inglês, comparado com o Mercado da Ribeira, é mais ambicioso, elitista e, por enquanto, está livre da invasão turística. Mas, por outro lado, prevejo que o acesso ao 7º piso possa ser um inferno, pois o Corte Inglês só dispõe de 2 elevadores para tal.
Logo que possa, irei testar o funcionamento dos novos balcões gastronómicos, tal como fiz no Mercado da Ribeira. Ver para crer.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

O regresso ao Magano : o Douro no seu melhor

Tive a oportunidade de regressar ao Magano, a convite de 2 amigos que fazem parte do Grupo dos 6. Os vinhos eram apenas dois (1 branco e 1 tinto em magnum), mas estiveram num patamar de excelência. E eles foram:
.Maçanita Os Canivéis 2015 (garrafa nº 479/866 levada por mim) - produzido pelos irmãos e enólogos Joana e António Maçanita, com base em vinhas velhas (mais de 60 anos) a 600 metros de altitude, tendo estagiado 9 meses em barricas novas; muita fruta, notas florais, acidez notável, um toque de verniz, notas amanteigadas, volume e final de boca assinaláveis. Uma raridade dificil de encontrar. Complexo e gastronómico. Nota 18.
Acompanhou mini empadas, salada de polvo e torresmos.
Voltou a ser bebido no final da refeição, com queijadas de requeijão.
.Qtª da Leda 1999 em magnum (levada pelo João Quintela e Frederico Oom) - com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, estagiou 12 a 18 meses em barricas novas de carvalho francês; aromas e sabores terciários, alguma fruta e notas vegetais, acidez no ponto e especiado, taninos civilizados, bom volume e final de boca persistente. Fresco, equilibrado e elegante, ainda longe da reforma. Nota 18,5.
Harmonizou com um excelente cabrito no forno, arroz de miúdos e grelos.
No final do repasto, o dono ainda teve a amabilidade de nos dar a provar um surpreedente Vinho Velho do Douro 1965 (Garrafeira Particular do engº José Montenegro Teixeira Leal) - muito complexo, taninos poderosos e final interminável. Servido em balão, comporta-se como um (bom) conhaque.
Acompanhou uma tarte de amêndoa.
Grande sessão, com a gastronomia e o serviço de vinhos à altura dos acontecimentos.
Resta acrescentar que numa das paredes do Magano, está um quadro com um poema da Florbela Espanca (O Meu Alentejo) e uma aguarela, pintada em 2010 pelo arquitecto que transformou o espaço (lamentavelmente escapou-me o seu nome).

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

CR 7 Corner : um golo e outros tantos perdidos

O CR 7 Corner é um simpático espaço de restauração junto à recepção do hotel Pestana CR 7 (Rua do Comércio,54), uma parceria entre o grupo Pestana e o nosso Cristiano Ronaldo.
Fui experimentar o almoço executivo, disponível de 2ª a 6ª feira. Por 11,50 € tem-se direito a comer o couver, sopa/entrada, prato principal, sobremesa, água aromatizada e café, um muito bom preço para um restaurante de hotel. Comi creme de grão com espinafres, polvo assado com batata doce e cappuccino de pastel de nata, tudo com qualidade acima da média.
Mesas despojadas, na onda da moda mas nada higiénico e, em contradição, guardanapos de pano. Serviço simpático, mas demorado e com algumas falhas. Os empregados são, em simultâneo, recepcionistas, bagageiros e responsáveis pelo serviço das mesas, uma espécie de 3 em 1, dando prioridade aos hóspedes do hotel.
Quanto a vinhos, inventariei 1 espumante (era  Gancia, francamente...), 3 champanhes, 8 brancos (os verdes estão à parte), 6 tintos (à temperatura ambiente) e 2 rosés, todos (exceptuando os champanhes) a copo. Lamentavelmente, os anos de colheita estão omissos.
Na carta do bar constam, ainda, 8 vinhos do Porto, 1 Madeira e 12 cervejas. Esqueceram-se dos Moscatéis, no entanto.
Uma agradável experiência, com um golo do Ronaldo, mas alguns remates ao lado!

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Francisco Albuquerque : injustiçado uma vez mais (II)

...continuando:
Nesta 2ª parte, procurarei inventariar as ocasiões em que o Francisco Albuquerque (FA) esteve presente na apresentação de vinhos da Madeira Wine, nas quais participei e referi oportunamente neste mesmo blogue. Ficam por relatar mais umas tantas em que não estive (por exemplo, na Garrafeira Nacional e no restaurante Via Graça) ou que nem sequer tive conhecimento.
Ei-las:
."Jantar no Corte Inglês", crónica publicada em 9/5/2010, onde o FA pôs à prova os Blandy's Malvasia 1992 e o grande Bual 1948.
."O Francisco não merecia isto!", em 15/7/2010, onde se fala de uma apresentação de 5 Colheitas e 3 Frasqueiras (Bual 1980,Terrantez 1976 e Bual 1968), seguida de jantar. Este evento foi organizado pelo Rui Lourenço Pereira (Qtª Wine Guide) e decorreu no restaurante do Clube dos Jornalistas.
."Blandy e Francisco Albuquerque : os incompreendidos", em 12/7/2011, onde se refere um jantar na Commenda (na altura o restaurante de referência do CCB) comemorativo dos 200 anos da Blandy, contando também com a presença do Chis Blandy. Este evento contou com a presença de 60 participantes da Tertúlia Madeirense e 40 antigos amigos e clientes das Coisas do Arco do Vinho, tendo o Adelino de Sousa, ao pertencer simultaneamente aos 2 grupos, sido o grande impulsionador.
No decorrer do mesmo o FA apresentou 13 (treze!) vinhos Madeira, dos quais 5 eram 40 Anos (Cercial, Verdelho, Terrantez, Bual e Malvasia). Foram ainda servidos 6 Frasqueiras, o que incluiu o Bual 1920, a jóia da coroa da Madeira Wine. Bingo!
A equipa da Maria João Almeida, que também esteve presente neste irrepetível evento, entrevistou o FA, o Chris e o Adelino.
."Um jantar com o Francisco Albuquerque", em 22/5/2014, onde se refere um jantar que decorreu no Real Palácio, desta vez com a presença de uma série de responsáveis por pontos de venda e representantes de órgãos da imprensa especializada (Revista de Vinhos e Wine Passion) e generalista. Foram apresentados alguns colheitas de 1998, mas a estrela da noite foi o lançamento nacional do Blany's Frasqueira Malvasia 1988.
."Curtas (LVIII) : as novidades da Blandy (...)", em 5/5/2015, onde se fala numa apresentação de vinhos Madeira no Hotel Porto Bay Liberdade, mais uma vez com o FA.
."A Madeira em Lisboa", em 8/12/2015, onde se refere uma nova apresentação no Porto Bay, que contou também com a presença do Chris Blady, tendo o FA apresentado 1 Colheita e 5 Frasqueiras, com destaque para o fabuloso Terrantez 1977.
."Vinhos da Madeira em Lisboa : Barbeito, Blandy's e Borges", em 10/11/2016. Este evento, um dos acontecimentos do ano 2016, foi organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas (João e Sara Quintela) e decorreu na sala nova do restaurante Casa do Bacalhau, totalmente lotada. Para além da presença do FA que apresentou 4 vinhos Madeira, também estiveram o Ricardo Diogo (Barbeito) e o Ivo Couto (Borges) com mais outros tantos.
Resta dizer que o grupo de prova de vinhos Madeira, do qual faço parte, já participou em 27 almoços ou jantares, onde em todos eles se provam/bebem néctares daquela ilha.
Mas, por  ter sido muito especial, realço o jantar na Casa da Dízima, por iniciativa do Adelino e com a presença do FA, onde também participaram, como nossos convidados, a Sandra Tavares da Silva e o Jorge Serôdio Borges. Este evento deu origem à crónica "678 anos de vinhos fortificados (...)", publicada em 15/12/2015.
A lista vai longa, mas creio que chega para confirmar que o Francisco Albuquerque teria merecido ser referido pelo Pedro Garcias no artigo da Fugas citado na 1ª parte desta crónica.
 

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Francisco Albuquerque : injustiçado uma vez mais (I)

O Francisco Albuquerque, reputado enólogo da Madeira Wine, foi injustiçado mais uma vez. A primeira tem a haver com o facto de o seu valor ser reconhecido lá fora (foi nomeado o melhor enólogo do mundo por mais de uma vez), enquanto por cá tardaram em lhe fazer justiça.
Para memória futura, recordo algumas das crónicas que publiquei na altura, nomeadamente "Francisco Albuquerque mais uma vez injustiçado" em 21/2/2011, "Blandy e Francisco Albuquerque : os incompreedidos", em 12/7/2011 e "Rescaldo dos Prémios 2011 da Revista de Vinhos", em 12/2/2012.
Vem isto a propósito de um artigo de opinião do Pedro Garcias, publicado há cerca de 2 meses (21/10) na Fugas, referindo-se ao vinho da Madeira "(...) nos últimos anos, este vinho fortificado tem vindo a ser descoberto pelos portugueses, graças, acima de tudo, a uma pessoa: Ricardo Diogo, da casa Barbeito. (...) popularizando-o, sobretudo, entre os enófilos e as novas gerações de enólogos. (...)".
Não tenho nada contra o Ricardo Diogo, mas acho de uma grande injustiça o Pedro Garcias não ter mencionado o Francisco Albuquerque, para mim e para o meu grupo de militantes dos vinhos da Madeira (à cabeça dos quais está o Adelino de Sousa, advogado madeirense radicado em Lisboa, grande conhecedor destes vinhos e já elogiado publicamente pelo Chris Blandy, CEO da Madeira Wine), o grande difusor dos néctares de excelência da Madeira Wine.
Esclareça-se que também nada tenho contra o Pedro Garcias, crítico de vinhos na Fugas e produtor no Douro (considero o seu branco Mapa Vinha dos Pais, um dos melhores que se fazem por cá), antes pelo contrário. Já me referi a ele, abonatoriamente, por mais de uma vez, nomeadamente nas crónicas "Pedro Garcias, um crítico emergente", em 22/8/2010, "Vinhos Fortificados : as minhas preferências", em 16/6/2012, e "Confronto de revistas de vinhos e a Fugas"), em 16/5/2017 (no ponto 2."A Fugas : uma pedrada no charco").
Em próxima crónica, procurarei inventariar as diversas acções de divulgação, em Lisboa (naturalmente não serão todas, pois de algumas não tive conhecimento), por parte do Francisco Albuquerque.
continua...

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Pesqueiro 25 : sim, mas...

Perante tantos elogios ao Pesqueiro 25 (R. Nova do Carvalho,15-1º andar, ao Cais Sodré), não resisti à curiosidade e, recentemente, fui visitá-lo. Como não sou um grande amante de marisco, mostrei, ao empregado que me atendeu, interesse no menú de almoço do qual tive conhecimento através da net. Qual foi o meu espanto ao dizer-me que desconhecia tal facto, pois nem sequer constava na ementa. Foi um dos sócios, que se apercebeu da conversa, que me ajudou. De facto, existe mesmo um menú de almoço a 15,25 €, com direito a sopa de legumes, prego de atum, bebida "soft" e café. De lamentar que não conste da lista, nem os empregados saibam de tal coisa. Mistérios insondáveis do Pesqueiro 25...
Este espaço fica no 1º andar de um hotel, embora independente na sua gestão por parte dos sócios, dos quais faz parte o chefe João Mendes, responsável pelos tachos e fogões, que muito simpaticamente foi à minha mesa e falou comigo mais de uma vez. Mesas despojadas, como está na moda, louça e guardanapos personalizados, a contrastar. Ambiente pesado, com a predominância do negro (teto, cadeiras, algumas mesas e paredes). Como mais valia, no tempo frio, no dia em que fui estavam a inaugurar a lareira.
Em abono da verdade, tudo o que comi, tanto a sopa de legumes como o prego de atum dos Açores em bolo do caco, sucolento e avantajado, estavam muito bons. O prego, neste momento, deve ser o melhor que se pode encontrar em Lisboa.
A carta de vinhos precisa de levar uma grande volta. Os anos de colheita e os fortificados não constam, os vinhos "verdes" estão àparte e a copo só o vinho da casa. Inventariei 4 espumantes, 4 champanhes, 19 brancos (3 são colheita tardia), 8 tintos e 4 rosés. Cervejas, só as industriais, o que é uma pena num espaço que aposta forte na mariscaria.
Bebi um copo do Papa Figos 2016 - com muita fruta e a irreverência da idade, alguma acidez, taninos dóceis, algum volume e final de boca curto. Simples e correcto, é para beber novo. Nota 16.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num copo adequado e a uma temperatura aceitável.
No final, muito simpaticamente e para compensar os deslizes iniciais, não me cobraram o copo de vinho.
Pazes feitas!

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Novo Formato+ (29ª sessão) : Madeira, Alvarinho, Dão e Douro em grande

Esta última jornada foi da minha responsabilidade, tendo partilhado 8 vinhos da minha garrafeira (2 brancos de 2014, 2 tintos de 2009, 2 tintos de 2011 e 2 fortificados) com este grupo de enófilos amigos (desfalcado de um casal por motivo de doença). O repasto decorreu na sala privada da Enoteca de Belém, tendo o serviço de vinhos ficado a cargo do Nelson, escanção com provas dadas e nosso conhecido desde os tempos de A Commenda, o antigo restaurante do CCB. Com excepção dos fortificados, os restantes 6 vinhos foram provados às cegas, depois de decantados. Copos Riedel e Schott. Serviço de 5 estrelas!
O responsável pelos tachos foi o chefe Ricardo, tendo a comida, que harmonizou com os vinhos, sido empratada pelos seus ajudantes na própria sala.
Desfilaram:
.Blandy's Verdelho 1977 (engarrafado em 2004) - presença de frutos secos e casca de laranja, notas de iodo, brandy e caril, vinagrinho intenso mas não agressivo, volume considerável e final de boca muito longo. Fino, elegante e complexo. Um grande Madeira. Nota 19. 
Este vinho fortificado foi servido no início como bebida de boas vindas, acompanhado com frutos secos e, no final do repasto, com cajú crocante da "Bolos & Bolachas", comprado horas antes no imperdível mercado do CCB (1º Domingo de cada mês e, agora, também no dia 17 de Dezembro).
.Anselmo Mendes Parcela Única Alvarinho - 93 pontos no Parker e Ouro nos prémios 2017 da antiga Revista de Vinhos; estagiou 9 meses em barricas novas de carvalho francês; cítrico, fresco e mineral, notas florais, boa acidez, volume e final de boca médios. Muito elegante, pode ser bebido a solo. Uma semana depois da garrafa aberta, o vinho evoluiu muito bem. Nota 18.
.Soalheiro Reserva Alvarinho - mais exuberante e evoluido, acidez equilibrada, notas amanteigadas, mais volumoso e com final de boca mais comprido. Muito gastronómico, precisa de comida por perto. Nota 18.
Um empate técnico entre estes 2 brancos, com perfis diametralmente opostos.
Acompanharam um belíssimo atum lascado em cama de legumes.
.Qtª Falorca Noblesse Oblige (garrafa nº 2902/3733) - 94 pontos no Parker; com base na casta Touriga Nacional, 25 % estagiou em barricas novas durante 20 meses; aroma intenso, frutado, notas florais, acidez no ponto, especiado, taninos civilizados, algum volume e final de boca longo. Elegante e equilibrado. Nota 18.
.Qtª Pellada Carrocel Late Realesed - 95 pontos no Parker, 92 na Wine Spectator e 18,5 na antiga Wine; com base na casta Touriga Nacional (100 %), foi engarrafado apenas em Janeiro 2015; nariz muito presente, acidez vibrante, ainda com muita fruta e notas florais, taninos de veludo, volume e final de boca impressionantes. Nota 18,5.
Estes 2 tintos do Dão, casaram com um bom bacalhau à lagareiro, embora demasiado "light".
.Passagem Grande Reserva (garrafa nº 879) - 95 pontos no Parker e o melhor do ano 2016 na antiga Wine; com base nas castas Touriga Franca (45 %), Touriga Nacional (40 %) e Tinto Cão (15 %); ainda com muita fruta preta, acidez no ponto, especiado, volume consideràvel e final muito persistente. Fresco e elegante. Nota 18,5.
.Ferreirinha Reserva Especial - acabado de chegar ao mercado (comprei-o ao Clube 1500 da Sogrape); com base nas castas Touriga Franca (45%), Touriga Nacional (30 %), Tinta Roriz (15 %) e Tinto Cão (10 %); ainda com muita fruta vermelha, acidez equilibrada, especiado, taninos impressionantes mas não agressivos, grande volume e final de boca muito longo. Complexo, com um cheirinho a Barca Velha. Nota 18,5+.
Estes 2 tintos harmonizaram muito bem com uma presa de porco ibérico.
.Taylor's Edição Limitada do 325º Aniversário - é um blend de tawnies de 10, 20, 30 e 40 anos, lançado numa garrafa recriada a partir de um original dos finais do século XVII; frutos secos, alguma fruta vermelha, acidez nos mínimos, taninos civilizados, algum volume e final de boca. A pouca  complexidade pressupõe que a percentagem de 10 anos será maioritária. Alguma desilusão. Nota 17.
Acompanhou um excelente crumble de maçã, queijos (Manchego e São Jorge cura de 6 meses) e fruta laminada.
Foi mais uma grande sessão de convívio, embora prejudicada com as ausências referidas, vinhos de eleição, gastronomia e serviço, por parte da Enoteca, à altura dos acontecimentos.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Curtas (XCIV) : Casa de Pasto e Cervejaria Nunes, dois espaços recomendáveis

1.Casa de Pasto
Ainda não tinha ido a este espaço com a nova equipa, cujo responsável pelos pratos é o chefe Hugo Castro, vindo do Tabik. Sobre a anterior, já me tinha manifestado em "Almoço na Casa de Pasto" e no ponto 2 (Casa de Pasto revisitada) de "Curtas (XXVI)", crónicas publicadas em 4/2 e 25/3/2014.
Em visita recente, tive a oportunidade de saborear:
.rissóis de berbigão à Bolhão Pato (massa demasiado grossa) e sonhos de línguas de bacalhau (no ponto)
.mão de borrego solta à Avó Sãozinha (uma grande e saborosa dose para 2 pessoas, que ainda sobrou para um jantar em casa)
.doce da casa (divinal)
Optei por beber um dos vinhos a copo (oferta reduzida), o tinto Pedra Cancela 2015, muito fresco e frutado, com taninos civilizados, volume e final de boca médios, harmonizou com o borrego. Nota 16.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo, servido em quantidade generosa.
A voltar, seguramente.
2.Cervejaria Marisqueira Nunes
Este espaço fica a 2 passos da minha casa, já lá fui "n" vezes, mas nunca publiquei nada no blogue, uma falha minha, sem qualquer dúvida. Vou hoje redimir-me.
A Nunes é considerada, sem qualquer exagero, uma das mais conceituadas cervejarias de Lisboa, senão a melhor. Além da mariscada, também se pode comer um bom peixe. O serviço é muito profissional e a maior parte dos empregados está lá desde a inauguração, o que quer dizer alguma coisa.
Nesta última visita provei um belíssimo casco de sapateira e uns saborosos polvinhos à lagareiro, acompanhados por uma cerveja bohemia.
Quanto a vinhos a aposta é forte, com uma lista pujante, em suporte electronico, onde não faltam os néctares mais badalados.
Recomendo, sem sombra de dúvida.
Mais informações em nunesmarisqueira.pt.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Grupo dos 6 (6ª sessão) : aposta forte na colheita de 2011 e num Madeira ABS

Nesta última sessão, este grupo de enófilos militantes fez agulha para o restaurante Magano (R. Tomás da Anunciação) que eu não conhecia (uma falha no meu curriculo). O Magano pratica uma cozinha alentejana de qualidade e tem uma especial atenção para o serviço de vinhos (espaço garrafeira climatizado, carta de vinhos alargada e criteriosa e bons copos). Apoiou-nos o proprietário e simultaneamente chefe de sala, Marco Luis de seu nome.
Foi uma grande sessão, com uma selecção de vinhos de semear invejas. E eles foram:
.Champagne Les Bermonts Marguet Grand Cru 2012 (oferta do Frederico) - com base na casta Chardonnay (100 %) fez o degorgement apenas em Maio 2017; bolha fina, mas com excesso de gás e espuma, não fez a minha felicidade. A culpa é minha, pois não aprecio este estilo.
Acompanhou uma série de saborosas tapas (salada de polvo, cogumelos recheados, empadas, peixinhos da horta, carapaus fritos, presunto e torresmos).
.Soalheiro Alvarinho 2011 magnum (levado pelo João) - nariz exuberante, muito fresco e cítrico, ligeira evolução a não denunciar a idade, acidezquilibrada, notas amanteigadas, boa estrutura e final de boca apreciável. Muito longe da reforma. A casta Alvarinho no seu melhor. Nota 18.
Harmonizou com uma sopa de tomate com garoupa e ovos escalfados.
.Qtª Vale Meão 2011 (levado pelo Frederico) - pontuado com 97 em 100 pela Wine Spectator; nariz discreto, ainda com fruta vermelha, acidez no ponto, notas vegetais e especiadas, taninos presentes, volume evidente e final de boca persistente. A beber nos próximos 8/9 anos. Nota 18,5.
.Pintas 2011 (levado por mim) - pontuado com 98 em 100 pela Wine Spectator; aroma contido, fresco, ainda com fruta, boa acidez, notas especiadas, taninos civilizados, bem estruturado e final de boca muito longo. Complexo e longevo, a beber nos próximos 10/12 anos. Nota 18,5+.
.Legado 2011 (levado pelo J.Rosa) - não foi a votos na Wine Spectator, que eu saiba; nariz mais exuberante, fruta presente, acidez muito equilibrada, notas especiadas, taninos de veludo, volumoso e final de boca apreciável. Perfeito e deveras impressionante, neste momento. Embora com um estilo algo diferente, não fica a perder com o Barca Velha. A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 19.
Estes 3 tintos de eleição casaram bem com uma costela mendinha com grelos.
.Artur Barros e Sousa Sercial 1976 (levado pelo Adelino) - engarrafado em 2006; frutos secos, notas de iodo e brandy, vinagrinho, taninos dóceis, algum volume e final de boca comprido. Genuino e típico Madeira. Nota 18,5.
Muito seco, não ligou bem com as queijadas de requeijão, mas foi perfeito com uma tarte de amêndoa e nougat.
Esclareça-se que este vinho não estava previsto entrar no final do repasto, mas sim depois da sopa para pôr o palato a zeros.
Foi uma grande e inesquecível sessão. Só foi pena que o Juca, outro enófilo deste grupo, não tivesse podido participar (ele traria um Madeira FEM Muito Velho para a sobremesa).

sábado, 2 de dezembro de 2017

Vinhos em família (LXXXIII) : 4 tintos de 2011

Mais uns tantos vinhos, agora todos tintos e da famosa colheita de 2011, provados com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. Não houve desilusões, nem grandes paixões, mas com o Qtª Crasto Vinhas Velhas a impor-se.
E eles foram:
.J de José de Sousa - com base nas castas Grand Noir, Touriga Franca e Touriga Nacional, fermentou em ânforas de barro e estagiou 14 meses em meias pipas de carvalho francês; ainda com muita fruta, notas de lagar, algo especiado, acidez no ponto, taninos presentes, volume e final de boca assinaláveis. A beber nos próximos 3/4 anos. Nota 17,5+.
.Qtª Crasto Vinhas Velhas - estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; ainda com frutos vermelhos presentes mas já com aromas e sabores terciários, acidez equilibrada, notas especiadas, taninos domesticados, algum volume e final de boca bem persistente. É um vinho que, de ano para ano, mantém um padrão de qualidade sempre elevado. Um valor seguro e longe da reforma, pode ser bebido nos próximos 7/8 anos. Nota 18.
.Canameira Grande Reserva (garrafa nº 898/3000) -  muita fruta presente, fresco e elegante, notas especiadas e esteva, alguma acidez e volume e final de boca médio. É um tinto do Douro Superior pouco conhecido, mas com uma boa relação preço/qualidade. A beber nos próximos 4/5 anos. Nota 17,5.
.Olho no Pé Reserva Vinhas Velhas - estagiou 40 meses em barricas; alguma fruta preta e vermelha, notas vegetais, acidez discreta, , taninos civilizados, algum volume e final de boca. Sóbrio, fresco e elegante. A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 17.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Dom Alimado : um bufete de luxo

O Dom Alimado é o restaurante do Júpiter Lisboa Hotel (Av. República,46) que disponibiliza, no período de almoço, de 2ª a 6ª feira um bufete temático e ao Sábado um bufete de tapas, reservando o brunch, que eu bem dispenso, para o Domingo. O preço dos bufetes é de 15 € com direito a água e café. Uma excelente relação preço/qualidade, atendendo à quantidade/qualidade das ofertas em cima da mesa (uma boa dúzia de entradas diversas, saladas e sobremesas) e, ainda, meia dúzia de pratos principais. É comer até fartar.
No dia que "descobri" este restaurante, o tema do bufete era a cozinha algarvia, tendo eu provado/comido umas tantas entradas (sopa de peixe, carapaus alimados, saladas de polvo e ovas), alguns dos pratos presentes (cataplana com frutos do mar, xerém com os mesmos, corvina assada e cozido de grão com enchidos da serra) e sobremesas (fruta e doces).
Como se dizia (diz) do rancho na tropa: bom, abundante e bem confeccionado!
Quanto a vinhos, inventariei 3 espumantes (1 a copo), 4 champanhes (1), 16 brancos* (4), 11 tintos (3), e 10 fortificados (todos a copo).
* 1 era colheita tardia
A carta de vinhos, lamentavelmente, é omissa quanto a anos de colheita e tinha algumas falhas.
Optei por um copo do branco Vale da Poupa 2016 - cítrico, fresco e mineral, simples e correcto , mas delgado na boca. Nota 15,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo Schott.
Gostei, recomendo e tenciono voltar.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Jantar Jorge Moreira

Este último evento, organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas*, teve lugar na belíssima sala nobre do restaurante Casa do Bacalhau, totalmente reservada para os participantes. Gastronomia e serviço de vinhos (copos, temperaturas, ritmo,etc) à altura dos acontecimentos, como já nos habituaram.
O vinho de boas vindas foi o Pó de Poeira 2016, fresco e com alguma complexidade, cumpriu bem a sua função e acompanhou bem os pastéis de bacalhau e croquetes de vitela. Nota 16,5.
Com o produtor e enólogo presente (o Jorge Moreira que conhecemos desde os tempos das CAV), que apresentou os restantes vinhos, desfilaram:
.M.O.B. 2013 - com base nas castas Touriga Nacional, Alfrocheiro, Jaen e Baga e 12,5 % vol.; muita fruta vermelha, boa acidez, taninos presentes bem comportados, fino  e elegante, volume médio e final de boca persistente. A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 17+.
.Passagem Reserva 2015 - com base nas castas tradicionais do Douro e 14 % vol.; nariz intenso, frutado e especiado, acidez equilibrada, taninos de veludo, volume e final de boca consideráveis. Na linha do 2009, a beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18.
Estes 2 tintos acompanharam um saboroso arroz de bacalhau, tendo o M.O.B. ligado melhor do que o Passagem.
.Poeira 2014 - com 13,5 % vol. estagiou em barrica; nariz intenso e complexo, fruta vermelha e preta, acidez no ponto, taninos presentes mas civilizados, volume e final de boca marcantes. Vinho elegante, com classe e longevo. Pode ser bebido nos próximos 10/12 anos. Nota 18,5+.
Maridou bem com um apetecível prato de porco braseado com chalotas.
.M.O.B. Lote 3 2016 - com base nas castas Encruzado, Bical e Malvasia Fina e 13% vol.; nariz austero, presença de citrinos e fruta cozida, alguma acidez, notas amanteigadas, volume e final de boca médios. Nota 16.
Acompanhou queijos (Serra e Serpa).
.Qtª La Rosa Tawny 20 Anos - presença de frutos secos, mel e tangerina, acidez e taninos, notas amanteigadas, doçura, algum volume e final de boca médio. Nota 17.
Prejudicado por ter sido servido a uma temperatura acima do recomendável, a única falha do serviço de vinhos.
Harmonizou com uma inesquecível sopa fria e quente de doce de ovos.
Foi um grande jantar vínico na companhia de um grande enólogo!

* Uma semana após este evento, a Garrafeira Néctar das Avenidas comemorou o seu 6º aniversário, com uns quantos amigos e clientes, no decorrer do qual foram apresentados os últimos Poejo d' Algures (Encruzado 2016, Lisboa e Jaen 2015 e Douro 2014), tendo eu gostado francamente do Encruzado e do tinto do Douro. No final do repasto foi servido um Madeira Borges Malvasia 20 Anos, com uma relação preço/qualidade imbatíveis.
Parabéns à Néctar da Avenidas e muitos anos de vida!

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Espaços de restauração : 2 revisitas e 1 "descoberta"

1.Santa Clara dos Cogumelos
Já aqui referida por diversas vezes, a última das quais em "Tempo de revisitas : Santa Clara dos Cogumelos, (...)", crónica publicada em 9/3/2017.
Recentemente fui revisitar este imperdível espaço, situado no antigo mercado de Santa Clara, paredes meias com a Feira da Ladra. Pena é que apenas esteja aberto para almoços aos Sábados.
Comi:
.Ménage à 3 (bacalhau à "mantecato", polenta com tinta de choco e pleurotus confitado)
.Risotto Santa Clara (porcini e trombetas de morte, alecrim e nozes)
.Não-Sei-Quê de Santa Clara (brownie com gelado de boletos edulis)
Divinal! É pena não disponibilizem mais almoços e que não se transfiram para uma zona mais à mão.
Quanto à componente vínica está tudo na mesma, ou seja mal. Optei pela belíssima cerveja artesanal "Creature IPA" da Dois Corvos Cervejeira que recomendo vivamente. Depois de se entrar nas artesanais, imperiais nunca mais!
2.Expressões da Nossa Terra
Também já aqui referida em "Expressões da Nossa Terra : um curioso e original espaço 3 em 1", crónica publicada em 8/4/2017.
Continua a ter o menú de almoço a 10 €, com direito a couver, sopa ou entrada, prato principal, bebida e café, uma pechincha. Bons copos, serviço despachado e simpático.
A lista de vinhos é que continua a omitir os anos de colheita. Uma pena.
A loja está bem fornecida e ali pode comprar-se uma série de produtos de qualidade (vinhos, azeites, cerveja artesanal, queijos, enchidos, conservas e compotas).
Recomendo.
3.Luzboa
"Descobri" este espaço através da Time Out. Fica na Rua Marquês Sá da Bandeira,124, paredes meias com a Gulbenkian. A sala é pequena mas, com bom tempo, pode-se usufruir da esplanada, que tem cadeiras de café mas devidamente almofadadas.  Para se assegurar lugar, ou vai-se muito cedo ou lá para as 14 h.
Quando lá fui havia 4 pratos do dia (lulas recheadas, arroz de lingueirão, panado de novilho e salsicha crioula grelhada), uma série de petiscos algarvios (os donos são de lá) e 9 sobremesas.
Optei pelo arroz de lingueirão (excelente, por sinal) e mousse de lima (também muito boa), com os pratos muito bem apresentados.
Quanto à componente vínica, a lista é original mas sem vinhos apelativos e datas de colheita. Copos aceitáveis e serviço despachado.
Recomendo.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Passagem 2009 : aditamento à crónica anterior

Já tinha a crónica publicada quando me alertaram para a existência de 2 tintos Passagem 2009, o Reserva que levei para o almoço referido e o Grande Reserva o vinho que teve direito aos prémios citados. O seu a seu dono...
Mas, de qualquer modo, o Reserva 2009, provado às cegas no Lumni, é um grande, grande vinho!

Grupo dos 3 (58ª sessão) : vinhos e gastronomia de eleição

Após um longo interregno (a 57ª sessão foi em Junho), este grupo de enófilos da linha dura retomou as actividades vínicas. Os vinhos (1 branco, 2 tintos e 1 Porto) sairam da minha garrafeira e, para o repasto, escolhi o restaurante Numni já aqui referido em "Lumni : o novo poiso do chefe Miguel Castro e Silva", crónica publicada em 1/8/2017.
Foi um grande almoço, com o chefe Miguel Castro e Silva (MCS)* inspirado e presente ao longo de todo o repasto e o serviço de vinhos (temperaturas, copos e "timing"), a cargo do João Gomes, a correr muito bem. Resta dizer que todos os vinhos, previamente decantados, foram provados às cegas.
Desfilaram:
.Marquês de Marialva Grande Reserva 2013 (engarrafado em 2016) - enologia do Osvaldo Amado, com base na casta Arinto (100 %) estagiou 12 meses em barrica e 6 em garrafa; alguma oxidação nobre, fruta madura, acidez equilibrada, notas amanteigadas, algum volume e final de boca. Um branco austero, contra a corrente e gastronómico. "Descobri-o" no último Bairradão. Nota 17,5+.
Acompanhou o couver e a entrada de 3 peixes (atum braseado, robalo marinado e tártaro de camarão), mas passou-lhe por cima. Iria melhor com um peixe no forno (esta entrada harmonizava bem com um Alvarinho).
.Palácio da Bacalhôa 2009 - foi Prémio Excelência 2015 atribuído pela antiga Revista de Vinhos e obteve 94 pontos na Wine Enthusiast; com base nas castas Cabernet Sauvignon (68 %), Merlot (28 %) e Petit Verdot, estagiou 16 meses em barrica e 12 em garrafa; aromas terciários, acidez bem presente, especiado, taninos evidentes, algum volume e final de boca extenso. Complexo, fresco e elegante. Está no ponto óptimo de consumo. Nota 18.
Harmonizou bem com o bacalhau à Gomes de Sá com azeite da Qtª de Ventozelo.
.Passagem Reserva 2009 (uma das 2200 garrafas produzidas) - considerado pela Essência do Vinho o melhor tinto do ano (em 2016) e obteve 95 pontos no Parker; enologia do Jorge Moreira, com base nas castas Touriga Franca (45 %), Touriga Nacional (40 %) e Tinto Cão (15 %), só foi lançado em 2016!; nariz exuberante, ainda com fruta vermelha, acidez no ponto, notas especiadas, grande estrutura e final de boca muito persistente. Muito complexo e longe da reforma, pode ser bebido nos próximos 7/8 anos. O Douro no seu melhor! Nota 18,5+.
Casou bem com uma costela mendinha e risotto de sepes.
.Dalva Colheita 1985 - bem pontuado pela Jancis Robinson (18 em 20); frutos secos, casca de laranja, acidez equilibrada, notas de iodo e brandy, taninos ainda bem presentes, volume e final de boca consideráveis. Com um tawny desta qualidade, dispenso bem um vintage. Nota 18,5.
Acompanhou uma pera caramelizada com gorgonzola, o elo mais fraco de um excelente repasto.
Foi mais uma grande sessão, com vinhos e gastronomia de eleição.
* o chefe MCS, além deste Lumni, também é responsável pela gastronomia do Less (Embaixada, no Príncipe Real), cafetaria da Pollux (Rua dos Fanqueiros), cafetaria do Museu da Gulbenkian e, desde há pouco tempo, pelo Mercado (cafetaria do Hotel Lumiares).

sábado, 18 de novembro de 2017

Grandes Escolhas - Vinhos e Sabores

À semelhança dos anos transactos, participei no Grandes Escolhas - Vinhos e Sabores, mas apenas no dia 30 (2ª feira), a jornada reservada aos profissionais que decorre sempre sem grandes confusões, até porque o novo espaço, na FIL, é muito mais amplo. Organização impecável, por parte da VINHO, a antiga Revista de Vinhos.
Costumo aproveitar este evento para, além de provar vinhos, reencontrar amigos, produtores, enólogos, vendedores e antigos clientes, com os quais tive as melhores relações pessoais e institucionais nos tempos da saudosa loja/garrafeira Coisas do Arco Vinho.
Provei, neste dia 30, 71 vinhos (2 brancos, 48 tintos e 21 fortificados).
Por curiosidade provei os brancos Marquesa de Alorna Grande Reserva 2015 (o vencedor do painel da imprensa, do qual fiz parte) e o Regueiro Alvarinho Barricas 2015, um branco para beber daqui a uns anos.
Quanto aos tintos destaco, em primeiro plano, os clássicos Poeira 2014, Abandonado 2013, Domingos Alves de Sousa Reserva Pessoal 2008, Calda Bordaleza 2009, Duorum Reserva 2015, CV 2014, Qtª da Touriga Chã 2014, Júlia Kemper Touriga Nacional 2012, Qtª da Falorca Noblesse Oblige 2011, Kompassus Private Selection 2007 e 2011 e, ainda, o surpreendente Ataíde Semedo Grande Reserva 2015.
Logo a seguir, nota alta para Qtª La Rosa Reserva 2014,Vinha do Lordelo 2013, Robustus 2013, Palpite Grande Reserva 2014, Qtª Vale Meão 2015, VZ 15 Gerações 2013, Dalva Grande Reserva 2014, Qtª Ventozelo Essência 2014, Calheiros Cruz Memórias Grande Reserva 2014, Qtª Crasto Vinhas Velhas 2015 e Chryseia 2015.
Quanto aos fortificados destaque para os Portos Rozés +40 Anos, Graham's 30 Anos e Colheita 1972, Burmester Tordiz 40 Anos, Sandeman 30 Anos e Madeira Henriques e Henriques Terrantez 20 Anos. Logo a seguir, em plano alto, os Portos Messias 30 Anos e Colheita 1967, Graham's 40 Anos, Burmester Colheita 1989, Kopke Colheita 1981, Vasques de Carvalho 30 Anos (não provei o 40 Anos, porque já tinha acabado), Ramos Pinto 30 Anos, Amável Costa 40 Anos (completamente desconhecido, para mim), Madeira Henriques e Henriques Boal 15 Anos e Moscatel Alambre 20 Anos.
Grande e extenuante jornada! Para o ano há mais...

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A chefe Felicidade : o bom e o mau

Já aqui me referi, por mais de uma vez, à Cozinha da Felicidade situada no Mercado da Ribeira, onde tive boas e más experiências. Mas diga-se, desde já, que a comida ali apresentada esteve sempre a um nível superior de qualidade. Já o mesmo não posso dizer do serviço, conforme relatei em "Curtas (LXI) : Mercados (Ribeira, Algés e CCB)", crónica publicada em 7/8/2015.
Recentemente fui conhecer o Pharmacia (R. Marechal Saldanha,1 no edifício do Museu da Farmácia), com uma espectacular esplanada exterior.
Optei por comer, em partilha com a minha companheira:
.arroz carolino de lingueirão com coentros
.polvo à lagareiro com salada algarvia e puré de batata doce
.mousse de amendoim, banana da Madeira e caramelo salgado
Nada a opor, antes pelo contrário, pois estava tudo no patamar da excelência.
Já quanto ao serviço, o que me aconteceu é inqualificável. Eu explico: pedido um dos poucos vinhos a copo, o Chocapalha Chardonnay, veio para a mesa já servido, o que acho péssimo (o copo César & Castro até era bom). Como a carta de vinhos é omissa quanto a anos de colheita, o que se lamenta, pedimos para ver a garrafa. Mas, para nosso espanto, o que me foi mostrado não era o vinho pedido. Tratava-se do branco Monopólio Chardonnay, um vinho regional do Minho!
Quantos clientes foram já enganados, por não terem pedido para verem a garrafa?
Isto é inqualificável. Uma autêntica fraude!
Quem dá o nome a um espaço de restauração, como é o caso da Susana Felicidade, tem responsabilidades, não só na cozinha como também na sala. Tem que saber o que se passa.
Cartão amarelo à chefe Felicidade!

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Novo Formato+ (28ª sessão) : bons vinhos e azeites

O último encontro deste grupo de enófilos e respectivas companheiras  foi da responsabilidade do casal Marieta/José Rosa que escolheu o restaurante Sem Dúvida, já aqui referido por diversas vezes. A comida (tradicional portuguesa) e o serviço de vinhos (copos, temperaturas, etc), debaixo da batuta do Sérgio, estiveram à altura dos acontecimentos.
Antes do repasto propriamente dito, fizemos uma prova de 4 azeites da marca Rosmaninho (Cooperativa dos Olivicultores de Valpaços). Na mesa as variedades Cobrançosa, Verdeal, Madural e, ainda, um azeite Premium resultante de um lote destas variedades (que foi aquele que eu mais gostei).
Na mesa estavam, para petiscar, charcutaria fatiada, queijos e salgados diversos, todos de qualidade.
Quanto a beberes e comeres, desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2012 - fresco e mineral, cítrico, acidez no ponto, notas amanteigadas, algum volume e final de boca assinalável. Fino, elegante e gastronómico. Nota 17,5+ (noutras situações 17,5+/17,5/18/18/18).
Ligou bem com uma entrada de polvo laminado.
.Soalheiro Alvarinho Reserva 2014 - cor com alguma evolução, nariz inicialmente muito fechado, boa acidez, cítrico e untuoso, bem estruturado e final de boca extenso. Gastronómico, precisa de mais 3/4 anos para chegar ao patamar de qualidade do Reserva 2007. Vai lá chegar! Nota 18 (noutra 18).
Harmonizou com uma tranche de garoupa com um belíssimo arroz de lingueirão.
.Charme 2008 (em magnum) - aberto na cor, fresco, bela acidez, especiado, taninos presentes mas civilizados, algum volume e final longo. Perfil borgonhês, elegante e sofisticado. Nota 18 (noutra 17).
Casou bem com um naco de vitela barrosã com couve pakshoi, batata gratinada e cogumelos selvagens.
.CF Reserva Tawny Doce (Cockburns) - frutos secos, iodo, alguma acidez e taninos, demasiado doce algo enjoativo, volume e final de boca assinaláveis. Alguma desilusão. Nota 17.
.Artur Barros e Sousa Bual Velho 1965 - muito fresco e com acidez, presença de frutos secos e notas de caril, taninos civilizados, algum volume e final de boca. Nota 17,5+.
Foi mais uma grande sessão de convívio, bons vinhos e azeites e boa gastronomia.
Obrigado Marieta e J.Rosa!

domingo, 12 de novembro de 2017

Vinhos em família (LXXXII) : ainda os brancos

Mais uns tantos vinhos provados sossegadamente em família, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. E eles são:
.Parcela Única Alvarinho 2013 - um dos grandes brancos do Anselmo Mendes, estagiou 9 meses em barricas de carvalho francês; nariz afirmativo, com sugestões cítricas, pessego e melão, alguma acidez e gordura, considerável volume e final de boca médio. Gastronómico. Nota 17,5+.
.Maçanita Malvasia Fina 2015 (Douro, uma das 1008 garrafas produzidas) - enologia dos irmãos Joana e António Maçanita; 100 % Malvasia Fina proveniente de vinhas no Baixo Corgo a 700 metros de altitude, estagiou 6 meses em inox; presença de citrinos e maçã cozida, alguma  acidez e notas amanteigadas, volume e final de boca médios. Uma curiosidade. Nota 16,5.
.Casa das Gaeiras Reserva Vinhas Velhas 2015 (DOC Óbidos) - enologia de António Ventura, com base na casta Vital em vinhas velhas, recuperadas há meia dúzia de anos; alguma evolução, notas de fruta madura e amanteigadas, acidez equilibrada, algum volume e final de boca médio. Austero e com personalidade. Nota 17,5.
.Borges Bual 15 Anos - estagiou em pipas de carvalho de 650 litros; nariz exuberante, presença de frutos secos, algum mel e uma forte componente de iodo, acidez equilibrada, volume e final médios. Nota 17,5.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Provar vinhos no CCB e no Hotel D. Pedro

1.Vinhos do Alentejo
Na tenda do CCB decorreu, mais uma vez, a grande prova anual de vinhos alentejanos, organizada pela CVR do Alentejo, sendo necessário comprar o respectivo copo ou levá-lo de casa, como eu fiz.
Tive a oportunidade de provar 36 vinhos (10 brancos e 26 tintos), uma ínfima parte dos néctares ali presentes.
Quanto aos brancos provados, de um modo geral pouco interessantes, destaco apenas o surpreendente Mamoré de Borba Reserva 2015. Já o mesmo não posso dizer do Mamoré de Borba 2016, vinificado em talha.
Quanto a tintos, muito mais interessantes, destaco num primeiríssimo plano o Herdade do Peso Ícone 2014 e o Esporão Private Selection 2012. Dois belíssimos vinhos, que não me importaria de levar para a tal ilha deserta. Logo a seguir, destaque para Malhadinha 2014, Reynolds Grande Reserva 2008, Comenda Grande Grande Reserva 2013, Herdade São Miguel Private Colection 2013, Qtª do Mouro Rótulo Dourado 2012, MR Premium 2012, Impar 2011, Couto Saramago 2015 e Júlio Bastos Private Selection 2012 ( a ordem é cronológica).
Pena é que a maioria dos tintos provados estivesse à temperatura ambiente, o que os prejudicou.
2.Decante Vinhos
Esta distribuidora, talvez a que possui o portefólio de maior qualidade, deixou o tradicional espaço do Hotel Ritz e passou-se para o Hotel D. Pedro. O espaço tinha óptimas condições e não foi preciso comprar o copo ou trazê-lo de casa. Apoio logístico exemplar, com a mais valia de se poder provar umas tapas para entreter a boca.
Nesta prova consegui degustar 42 vinhos (17 brancos, 20 tintos e 5 fortificados), em geral mais interessantes comparados com o evento anterior.
Dos brancos destaco, em grande plano, o Qtª La Rosa Tim Grande Reserva 2015 (uma grande novidade) e o clássico Soalheiro Alvarinho 2011 (ainda cheio de vida). Logo a seguir, o Poeira 2015, Vinha Paz Reserva 2015, Primus 2015 (versão sem madeira) e Nossa Calcário 2016.
Quanto a tintos, destaco em primeiro plano o surpreendente Trois Castelão Vinhas Velhas 2015 (Horácio Simões), Sidónio Sousa Garrafeira 2011 e Pintas 2015. Logo a seguir, o Zambujeiro 2013, Procura 2013, CH by Chocapalha 2013, Casa Cadaval 2013, Nossa Calcário Baga 2015, Qtª Pellada Alto 2013, Qtª Pellada Casa 2013, Qtª Pellada 2012, Carrocel 2012, Poças Reserva 2015, Talentus Grande Escolha 2014, Qtª Manoella Vinhas Velhas 2015, M.O.B. Touriga Nacional 2014 e o Poeira 2016.
Finalmente, nos fortificados, nota alta para o Poças Colheita 1967 e Borges Sercial 1990. Logo de seguida, destaque para o Moscatel Roxo Excellent Superior.
Foi um prazer, mais uma vez, provar vinhos com a Decante.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Grupo dos 6 (5ª sessão) : Alvarinhos, tintos 2011 e 1 Madeira estratosférico

Mais uma sessão deste grupo de enófilos militantes, desta vez na sua máxima força, que decorreu no Via Graça, onde esteve presente o chefe João Bandeira, apoiado na serviço de vinhos pelo escanção Fernando Zacarias. Em prova 2 Alvarinhos, 3 tintos 2011 e 1 Madeira.
Desfilaram:
.Curtimenta Alvarinho 2012 (levado pelo J.Rosa) - produção e enologia do Anselmo Mendes; nariz exuberante, presença de citrinos, acidez, notas amanteigadas, bom volume e final de boca. No ponto para ser bebido, mas ainda longe da reforma. Nota 18.
.Adega Mãe 221 2015 (levado por mim) - o 221 significa 2 enólogos (Anselmo Mendes e Diogo Lopes), 2 proveniências (Monção e Lisboa) e 1 casta (Alvarinho); nariz contido, fresco e cítrico, bela acidez, algum volume e final de boca; elegante e equilibrado. Uma boa surpresa, mas que vai melhorar nos próximos 2/3 anos. Nota 17,5+.
Estes 2 Alvarinhos, em curioso confronto, acompanharam bem rissóis, croquetes, caldo verde desconstruído e massada de robalo.
.Duas Quintas Reserva 2011 (levado pelo Juca) - fresco, fino e elegante, acidez equilibrada, ainda com fruta e especiado, taninos civilizados, algum volume e final persistente. Muito harmonioso, a beber nos próximos 4/5 anos. Nota 18.
.Qtª das Bageiras Garrafeira 2011 (levado pelo João) - nariz contido, muito fresco, bela acidez, taninos de veludo, algum volume e final de boca. A beber nos próximos 5/6 anos. Prejudicado por ter sido provado ao lado do Pai Abel do mesmo ano. Nota 17,5+.
.Pai Abel 2011 (levado pelo Frederico) - aroma discreto, acidez equilibrada, notas fumadas, especiado, taninos bem presentes mas civilizados, estruturado e final de boca longo. Grande potencial, a precisar de mais uma meia dúzia de anos em garrafa. Nota 18,5+.
Estes 3 tintos maridaram com uma saborosíssima lebre com feijão.
.Borges Malvasia 1907 (levado pelo Adelino) - belíssima cor, frutos secos, algum vinagrinho, notas de brandy e caril, taninos bem presentes, grande volume e final interminável. Uma raridade do princípio do século XX. Nota 19,5 (o meu amigo Rui Massa que me desculpe, mas este está quase nos 20!).
Casou bem com uma bela tarte de amêndoa com gelado de baunilha.
Foi mais uma grande sessão, com a gastronomia e o serviço de vinhos (temperaturas, copos Riedel, etc,) à altura dos acontecimentos.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Próximos eventos vínicos e gastronómicos

1.Dão Capital
Mostra de vinhos e iguarias, a decorrer em 3 e 4 de Novembro (das 15 às 23 h) no Mercado da Ribeira. Para além das degustações estão previstas 8 provas comentadas, com livre acesso.
Apoio da VINHO - Grandes Escolhas. Mais informações em www.cvrdao.pt.
2.Tejo Gourmet
O 8º Concurso de Iguarias e Vinhas do Tejo realiza-se de 4 de Novembro a 3 de Dezembro e conta com mais de 50 restaurantes aderentes que apresentarão menús harmonizados com vinhos do Tejo.
Em Lisboa, estão inscritos: Dom Alimado (restaurante do Hotel Júpiter), Páteo Alfacinha, Sala de Corte e Viva Lisboa.
Apoio da VINHO - Grandes Escolhas. Mais informações em www.confrariadotejo.pt.
3.Encontro com Vinhos e Sabores (EVS 2017)
Organizado pela Revista de Vinhos - A Essência do Vinho, de 10 a 13 de Novembro, no Centro de Congressos (à Junqueira), com conta com cerca de 300 marcas e 17 Provas Comentadas. Em simultâneo decorre o Congresso Nacional dos Cozinheiros.
Mais informações em www.essenciadovinho.com.
4.Wine Fest Porto
A 2ª edição deste evento decorrerá no Salão Nobre da Alfândega do Porto, dia 18 de Novembro. Prevista a presença de 33 produtores e a realização de 3 Provas Especiais.
Organização do colega bloguista Luis Gradíssimo.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Jantar Paulo Laureano

Mais uma iniciativa da Garrafeira Néctar das Avenidas, este jantar vínico com o Paulo Laureano que esteve presente e explicou os seus vinhos, 4 brancos e 2 tintos. O evento decorreu no Via Graça, onde também interviu o seu proprietário e chefe João Bandeira.
Diga-se já que o serviço de vinhos esteve impecável como já nos habituaram (temperaturas controladas, os vinhos a chegarem à mesa antes das iguarias, bons copos Riedel e alguns Schott, etc).
Bom ritmo, só desacelerando na altura de ser servida a sobremesa.
A única nota negativa foi o barulho que vinha de outras mesas próximas das nossas e, mais condenável, as conversas de alguns dos clientes presentes que não estavam inclinados para as explicações do Paulo Laureano. Mais valia que tivessem ficado em casa e dado lugar a outros mais interessados.
Quanto a comeres e beberes, desfilaram:
.Paulo Laureano Vinhas Velhas 2016 branco - foi o vinho de boas vindas, cumprindo a sua missão, mas sem entusiasmar.
Acompanhou os tradicionais rissóis de camarão e croquetes de vitela.
.Paulo Laureano Vinhas Velhas Private Selection 2016 branco - estagiou 4 meses em barricas de carvalho francês; alguma acidez e mineralidade, presença de fruta madura, notas amanteigadas, volume e final de boca médios. Gastronómico. Nota 16,5+.
Desarmonizou com o ceviche de garoupa com maçã verde, desequilibrado e agressivo. Teria sido melhor o branco que veio a seguir.
.Maria Teresa Laureano Verdelho 2015 - mais frutado e cítrico que o anterior, fresco e com boa acidez, volume e final de boca médios. Nota 16,5.
Também não gostei da ligação ao bacalhau (a puxar para o salgado) recheado com sapateira e puré de batata. Um prato do Via Graça menos conseguido. A esquecer.
.Miguel Maria Laureano Alfrocheiro 2014 - muita fruta, alguma acidez, fino e elegante, taninos discretos, bem estruturado e final de boca médio. Nota 17,5.
.Paulo Laureano Tinta Grossa Selection 2013 - mais vegetal, acidez nos mínimos, notas de lagar, taninos agressivos, volume e final de boca algo assinaláveis. Falta-lhe harmonia. Nota 17.
Estes tintos maridaram com umas excelentes e saborosíssimas bochechas de vitela com risotto de cogumelos selvagens.
.Dolium Escolha 2006 branco - com base na casta Antão Vaz, fermentou em barricas novas de carvalho francês a que se seguiram 8 meses de "bâtonnage"; oxidado e evoluído, mas com uma boa acidez, notas de fruta cozida, volume e final de boca médios. Já teve melhores dias. Nota 15,5.
Fez companhia a uma agradável tarte de requeijão com gelado de citrinos e verduras.
Resumindo e concluindo, este evento esteve uns furos abaixo daquilo que a Néctar das Avenidas nos tem habituado.

sábado, 28 de outubro de 2017

Curtas (XCIII) : o evento, os premiados, o vinho e o filme

1.O Evento
O evento do ano, obviamente "Grandes Escolhas - Vinhos e Sabores 2017", a decorrer na FIL até dia 30 (começou ontem), teve a assinatura da equipa da antiga Revista de Vinhos, com provas dadas nos anos em que decorreu no Pavilhão de Congressos (na Junqueira).
Esta nova versão, a 1ª a ser realizada na FIL, onde podem ser provados mais de 2000 vinhos, conta com 232 expositores de vinhos (em 2016 eram 226), 36 de sabores (eram 28) e 12 de acessórios (eram 10), para além de uma dúzia de grandes provas.
Tenciono estar presente no dia 30, data reservada aos profissionais. Disso darei conta oportunamente.
2.Os Premiados
No âmbito deste evento, foi previamente organizado o 1º Concurso de Vinhos "Grandes Escolhas", herdeiro do "Escolha da Imprensa", cujos 48 jurados (fiz parte do painel, como responsável do blogue enófilo militante) avaliaram 403 vinhos às cegas, durante uma longa manhã, no espaço do restaurante de Montes Claros, muito bem organizado e com uma logística perfeita.
Seguiu-se uma finalíssima entre os 3 melhores de cada uma das categorias (à excepção dos rosés), saídos dos 88 vinhos com as notas mais altas e que também tiveram direito a um prémio Grandes Escolhas.
E os vencedores foram:
.Espumantes - Murganheira Blanc de Noirs Touriga Nacional 2009 (entre 14 Grandes Escolhas)
.Brancos - Marquesa de Alorna Grande Reserva 2015 (entre 21)
.Tintos - Cortes de Cima Touriga Nacional 2014 (entre 34)
.Fortificados/Licorosos - Vasques de Carvalho 40 Anos (entre 13)
3.O Vinho
Luis Sottomayor, enólogo principal da Sogrape, acabou de enunciar o próximo lançamento do Casa Ferreirinha Reserva Especial 2009, que já vai na 17ª edição.
Este Reserva Especial foi vinificado com base nas castas Touriga Franca (45 %), Touriga Nacional (30 %), Tinta Roriz (15 %) e Tinto Cão (10 %) das vinhas da Qtª da Leda, tendo sido engarrafado em 2011.
Segundo o enólogo "Estamos perante um vinho de recorte clássico, rico e complexo, que honra em plenitude os pergaminhos de qualidade excepcional próprios de um Reserva Especial (...)".
O P.V.P. recomendado é de 175 €. A ver vamos...
4.O Filme
Estreou-se na 5ª feira o filme "Aquilo que nos une", do realizador francês Cédric Klapish, que decorre no mundo do vinho de uma família francesa e que, segundo alguém escreveu, "Podia ser a história de qualquer família vinícola em Portugal".
Ainda não o vi, mas não o posso nem devo perder.
Enófilos, todos ao cinema!

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Enoturismo no Minho (VI) : Palácio da Brejoeira e Qtª do Prazo

continuando...
1.Palácio da Brejoeira
No último dia deste passeio enoturístico pelo Minho, fomos visitar o Palácio da Brejoeira, monumento nacional desde 1910, cuja última proprietária foi a D. Hermínia Paes, até ser constituída uma SA em 1999, tendo ficado como gestor o Emílio Magalhães, antigo braço direito do José Casais na Vinalda.
Curiosamente, enquanto andei profissionalmente pelo mundo do vinho, não consegui visitar este Palácio, o qual só abriu a visitas em 2010. Surgiu agora a oportunidade, através da Tryvel, de conhecer este imperdível espaço, não só o Palácio, como também o bosque e os jardins.
A 1ª colheita do Palácio da Brejoeira Alvarinho data de 1976. Já lá vão mais de 40 anos!
A título de curiosidade e para memória futura, o primeiro Alvarinho a ser objecto de crítica e classificação foi o da colheita de 1987 e consta no 1º guia de vinhos publicado em Portugal , o Guia de Vinhos Portugueses 1990, mais conhecido pelo Guia da Comporta, cujos autores Ponte Fernandes e Nelson Heitor o classificaram com 6 copos (num máximo de 7). Não consta mais nenhum Alvarinho de nomeada.
Continuando a pesquisa, no 1º guia do saudoso José A. Salvador, o Roteiro de Vinhos Portugueses 1991, a colheita de 1988 mereceu 4 estrelas (em 5). Também não consta mais nenhum Alvarinho de topo.
Finalmente, no 1º guia do João Paulo Martins, o Vinhos de Portugal 1995, a colheita de 1993 foi classificada com Bom+ (a 5ª nota mais alta numa escala de 8). Neste guia já aparece o Soalheiro Alvarinho 1993 com a nota máxima (Excelente). Os vinhos do Anselmo Mendes ainda estavam para nascer.
2.Qtª do Prazo
Após a visita ao Palácio da Brejoeira que me vai ficar na memória, rumámos à Qtª do Prazo para almoçarmos antes do regresso a Lisboa. Eu já conhecia o restaurante e tinha uma memória dele que não era de paixão. Agora foi a confirmação. A proprietária e chefe Amaya Guterres, Garfo de Ouro do Boa Cama Boa Mesa em 2013, está neste momento mais vocacionada para multidões em casamentos, baptizados e outras festas. Uma pena...
O que comemos e bebemos:
.uma série de salgados, uns melhores que outros
.lampreia de escabeche, pouco consensual
.javali com favinhas e puré de castanhas
.bolo de chocolate  com gelado de amêndoa e mel
acompanhados pelos vinhos
.QM Alvarinho 2016 (fresco e agradável)
.Entre 2 Mares Alvarinho (acidez e gás em excesso)
.Cistus 2015 tinto (imbebível, pois foi servido à temperatura ambiente)
Por simpatia do Paulo Fonseca, marido da Amaya, gestor e chefe de sala deste espaço, perante a minha insatisfação para com os vinhos servidos, abriu uma garrafa do QM Vinhas Velhas Alvarinho 2016, este já num nível de qualidade apreciável.
Serviço atrapalhado, com os vinhos a serem servidos já a comida estava na mesa, e copos apenas aceitáveis.
De espantar o diploma "Serviço de qualidade em vinho a copo", atribuído em 2013 pela ViniPortugal, de que, passados 4 anos, já não serão merecedores.
Resumindo e concluindo, este passeio enogastronómico pelo Douro teve uma qualidade mais que evidente, com alguns momentos muito altos, tendo sido a Qtª do Prazo o elo mais fraco.
O Rui Nobre e a Maria João Almeida estão de parabéns!
Como costumam dizer as agências de viagem: fim dos meus serviços...

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Enoturismo no Minho (V) : Qtª do Ameal, A Cozinha Velha e o Hotel InLima

continuando...
1.Qtª do Ameal
Sempre tive a melhor das relações pessoais e profissionais com o Pedro Araújo, produtor e proprietário da Qtª do Ameal, que começaram no ano 2000, se a memória não me atraiçoa. O nosso conhecimento foi quando o Pedro Araújo nos contactou nas Coisas do Arco do Vinho, com a finalidade de nos dar a conhecer o seu primeiro vinho, um varietal da casta Loureiro da colheita de 1999, construído sob a batuta do enólogo Anselmo Mendes. Ainda me lembro de lhe ter dito que era um belíssimo branco, qualquer que fosse a sua região de origem.
Situada em Refóios do Lima, nos arredores de Ponte do Lima, a Quinta do Ameal abriu-se recentemente ao enoturismo e os seus vinhos estão espalhados pelo mundo e constam das cartas de mais de 30 restaurantes com estrelas Michelin.
Sob a orientação do Pedro Araújo, provámos o Ameal Loureiro 2016, o Ameal Solo Único 2016 e o Qtª do Ameal Escolha 2015, o seu topo de gama. Este último, mais complexo que os anteriores, após 6 meses de barrica, apresentou-se com boa acidez, notas amanteigadas, boa estrutura e final de boca persistente (nota 17,5+).
No final da prova, tivemos direito a uma visita guiada, conduzida pelo seu anfitrião, nesta agradável quinta.
2.A Cozinha Velha
A Cozinha Velha é um modesto restaurante em Caminho da Oliveirinha, Arcozelo, nos arredores de Ponte de Lima, vocacionado para a boa cozinha regional portuguesa, com destaque para o cabrito e leitão assados em forno de lenha.
Começámos por uma autêntica girândola de petiscos (orelha, sonhos de bacalhau, pimentos padrón, cogumelos, alheira, salsichão, queijos, etc) e continuámos com bacalhau no forno com broa, leitão assado e leite de creme. Um autêntico banquete!
Dos vinhos postos na mesa, todos brancos e sem grande critério, provei os menos interessantes Loureiro da Adega Cooperativa de Ponte de Lima 2016 (nota 15) e Vil' Antiga Loureiro 2016 (nota 14), mas fiquei surpreendido pela positiva com o Casa das Buganvílias Reserva 2016 (nota 16,5) que fui bebendo ao longo do repasto.
No final do jantar, os donos (o Carlos na sala e a Céu na cozinha) foram-nos apresentados e muito elogiados.
À saída, reparei numa arca repleta de vinhos fortificados, todos ao molho e fé em deus e à temperatura ambiente. Quantos estarão ainda bebíveis? Uma pena...
3.Hotel InLima
Ficámos no InLima Hotel & SPA, situado no centro de Ponte de Lima, um simpático e pequeno hotel (30 quartos) de 4 estrelas com uns belíssimos e espaçosos quartos e um bom pequeno almoço. Óptimo para recuperar forças.
continua...


domingo, 22 de outubro de 2017

2º Aditamento a "O Vinho que Lisboa tem"

Na crónica "O Vinho que Lisboa tem : prós e contras", publicada em 22/8/2017, referi a existência de 30 garrafeiras em Lisboa, mais 20 que a lista da autora.
No entanto, vou-me lembrando de outros espaços que também funcionam como garrafeiras, sendo de inteira justiça mencioná-los, como é o caso de:
.Pão de Açucar Gourmet (no C.C.Amoreiras), com uma grande mas seleccionada oferta de vinhos
.Sala Ogival de Lisboa (o espaço da ViniPortugal no Terreiro do Paço), onde se pode comprar os vinhos que estão em prova e outros
.Mesa do Bairro (restaurante garrafeira no bairro Arco do Cego)
.Great Tastings (restaurante garrafeira na Pascoal de Melo)
.Descobre (restaurante mercearia em Belém)
Volto a fazer um apelo aos seguidores habituais deste blogue, mas também aos leitores de ocasião, que se manifestem quanto a outros espaços que não constem das listas e que mereçam estar presentes.
Obrigado!

sábado, 21 de outubro de 2017

Enoturismo no Minho (IV) : Qtª da Aveleda e Ferrugem

continuando...
1.A Qtª da Aveleda
O 2ª dia deste passeio enoturístico começou na Qtª da Aveleda (que eu já conhecia), há mais de 300 anos nas mãos da família Guedes.
Obrigatório visitar os seus parques e jardins, que lhe valeram em 2011 o prémio internacional "Best of Wine Tourism", na categoria "Arquitectura, Parques e Jardins". Foi o que fizemos, superiormente guiados pela Chantal Guilhonato, a responsável pelo enoturismo, simpática e acertiva e que vestiu bem a camisola da Qtª da Aveleda.
Ainda nos foi mostrado um fabuloso painel de azulejos, pintados em 1922 pelo mestre Colaço (o mesmo artista dos famosos painéis da Estação de São Bento, no Porto).
Seguiu-se uma prova de alguns vinhos, orientada pelo enólogo Pedro Costa que nos apresentou, em bons copos Schott:
.Qtª da Aveleda Alvarinho/Loureiro 2016 - nariz exuberante, fresco e cítrico, acidez bem presente, volume e final de boca médios (nota 16).
.Aveleda Colheita Seleccionada 2016 - também exuberante no aroma, fresco e mineral, acidez no ponto, notas amanteigadas, algum volume e final de boca (nota 16,5).
.Aveleda Alvarinho Reserva da Família 2015 - cor mais evoluída, presença de citrinos e fruta de caroço, estruturado e mais complexo que os vinhos anteriores (nota 17).
A prova foi acompanhada por alguns dos queijos produzidos na quinta, que podem ser comprados na respectiva loja (talvez a melhor que conheço nestes moldes), para além dos vinhos, compotas e outros produtos, todos a bons preços.
Resumindo, foi uma visita imperdível!
2.O restaurante Ferrugem
O restaurante Ferrugem, que eu já conhecia mas numa outra fase, fica situado numa aldeia (Portela) nas proximidades de V.N. Famalicão. É nesta aldeia que é possível apreciar uma notável cozinha de autor, cujo responsável é o chefe Renato Cunha, Garfo de Oiro no Guia Boa Cama Boa Mesa, entre outros meritórios prémios.
O chefe estava presente e foi ele que apresentou os pratos e os vinhos. Desfilaram:
.Muros de Melgaço 2016 - fresco, acídulo, cítrico, elegante, equilibrado e gastronómico (nota 16,5).
Acompanhou:
 .manteigas de sardinha com flor de sal e de polvo com ovas secas do mesmo
 .caldo verde desconstruído com broa torrada (servido num copo sem pé e que se bebe sem colher)
 .bacalhau com todos, também algo desconstruído (servido em prato de cerâmica)
.Covela Escolha 2014 - com base nas castas Avesso e Chardonnay; cor evoluída, fruta madura, acidez equilibrada, notas amanteigadas, bom volume e final de boca, muito gastronómico (nota 17,5).
Harmonizou com uma perna de pato com arroz cremoso do mesmo.
.Soalheiro Allo 2016 - com base nas castas Alvarinho e Loureiro; fresco, mineral e acídulo, corpo e final de boca discretos (nota 15,5).
Fez companhia a gel de maracujá com espuma de lichias.
Cozinha moderna com base em produtos tradicionais, boas harmonizações com os vinhos, bons copos Schott, serviço eficiente e profissional. O que se pode pedir mais?
continua...

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Enoturismo no Minho (III) : Qtª da Lixa e Hotel Monverde

continuando...
1.Qtª da Lixa
Ainda no 1º dia da viagem ao Minho rumámos à Qtª da Lixa ou, mais rigorosamente, à Qtª de Sanguinhedo, onde se situa parte do seu núcleo principal e o Hotel Monverde. Esclareça-se que este produtor ainda se estende pela Qtª da Lixa propriamente dita, Qtª da Corredoura, Qtª do Souto, Qtª Nova e Qtª dos Lagareiros.
Fomos simpaticamente recebidos por um conjunto de concertinas e uma bebida de boas vindas, o espumante extra dry "O tal da Lixa".
De seguida avançámos para a "Adega dos Tonéis", onde assistimos a um vídeo institucional de apresentação do projecto Qtª da Lixa, que incluiu as quintas, as castas cultivadas, os vinhos produzidos, os prémios alcançados e o Hotel Monverde.
Seguiu-se o programa "Seja enólogo por 1 dia", uma brincadeira muito didáctica, onde tivemos a oportunidade de provar 5 vinhos monocastas de 2016 (Alvarinho, Avesso, Arinto, Trajadura e Loureiro), com a possibilidade de se engarrafar o lote escolhido e rotulá-lo. A casta Loureiro foi a que mais me impressionou e entrou com 50 % no meu lote, tendo-lhe acrescentado Alvarinho (30 %) e Arinto (20 %).
2.Monverde Wine Experience Hotel
Foi neste moderno e impressionante hotel, situado no meio dos vinhedos, que jantámos e ficámos alojados.
No jantar, cujo menu se encontrava no lugar de cada um de nós, o chefe Carlos Silva preparou os pratos para harmonizarem com os vinhos elaborados pelo enólogo da casa, Carlos Teixeira de seu nome, todos classificados como Vinho Regional Minho. Desfilaram:
. Alvarinho Pouco Comum 2016 - perfumado, muito fresco, floral e acídulo, volume e final de boca médios (nota 16,5).
Acompanhou bem uma entrada de bacalhau envolto em massa kataffi, sobre puré de chalotas e molho de tomate seco.
.Alvarinho Reserva 2014 - fermentou em barricas novas de carvalho francês (60 %) e americano (40 %); aromaticamente estranho, floral e acídulo, notas amanteigadas, algum volume e final de boca curto (nota 16). Estava à espera de mais.
Conflituou com um excelente naco de vitela sobre legumes salteados e redução de vinho tinto.
.Sweet Creations 2016 - muito aromático, fresco e elegante, presença de citrinos, ligeiramente adocicado, delgado de corpo e final de boca mediano (nota 16).
Fez companhia a um cremoso de maracujá (uma delícia), mas preferia bebê-lo como aperitivo.
No final do repasto, foi-nos oferecida uma meia garrafa de "O tal vinho da Lixa" de ano de colheita desconhecido. O nosso muito obrigado!
É, ainda, de referir:
.a sala do restaurante, além de bonita, é muito acolhedora
.serviço eficiente e simpático
.pequeno almoço de luxo
.a incomodidade de os quartos ficarem distantes do restaurante, onde são servidos os pequenos almoços, o que obriga a um constante vai e vem de pequenos carros para o transporte dos clientes.
continua... 


terça-feira, 17 de outubro de 2017

Enoturismo no Minho (II) : Casa da Calçada

Neste primeiro dia, após algumas horas de viagem num incómodo autocarro, que seria substituido no dia seguinte, poisámos no Largo do Paço, o restaurante da Qtª da Calçada, com direito a uma estrela Michelin, onde na cozinha pontifica o chefe Tiago Bonito, com provas dadas no Lisboeta (restaurante da Pousada de Lisboa).
Fomos recebidos na acolhedora esplanada do hotel e obsequiados com uma bebida de boas vindas que, no meu caso, foi o espumante Qtª da Calçada Bruto servido em flute Riedel.
Já na magnífica e requintada sala do restaurante, tivemos direito a um almoço de excelência que foi, para mim, o ponto mais alto desta incursão no Minho. Na mesa, no lugar de cada um, estava um folheto com a  ementa do repasto, embora sem referência aos vinhos que iriamos beber.
O enólogo responsável pelos vinhos da Qtª da Calçada é o João Maria Cabral de Almeida, de cujo portefólio provámos/bebemos o Loureiro/Alvarinho 2016 - muito fresco, cítrico e acídulo, elegante e harmonioso, volume e final de boca médios (nota 16,5).
Gastronómico, harmonizou bem com as belíssimas tapas iniciais (ravioli com ostra e sapateira, chip de batata recheada e outra que já não recordo) e uma saborosa entrada de carpaccio de polvo, pimento fumado, azeitona e terrincho.
Seguiu-se o tinto Terras do Grifo 2013 - com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão e Sousão; aroma intenso, muita fruta preta, acidez equilibrada, notas especiadas, volume e final de boca assinaláveis (nota 17). Lamentavelmente, a temperatura estava acima do recomendável, mas veio de imediato uma 2ª garrafa com a temperatura correcta.
Acompanhou um excelente borrego de leite, cenoura, açafrão e molho do assado.
Quanto à sobremesa, foi-nos servida castanha assada, jeropiga (em gelado) e erva doce. Bingo!
De louvar, ainda, os seguintes aspectos altamente positivos:
.copos Riedel na mesa
.os vinhos chegaram à mesa antes da comida
.os pratos, além da muita qualidade, estavam muito bem apresentados
.serviço profissional, com destaque para o escanção (só faltou mesmo as luvas brancas...)
.garrafeira climatizada com capacidade para mais de 1000 garrafas!
.no final do repasto, o chefe e a equipa da cozinha (uma dúzia, bem contada) vieram à sala
Em Amarante ainda tive a ocasião de visitar o Museu Municipal Amadeu Sousa Cardoso e a imperdível Garrafeira Casa da Villa (R. 31 de Janeiro,43), com um excelente portefólio e preços amigáveis.

domingo, 15 de outubro de 2017

Enoturismo no Minho (I) : Introdução

Esta incursão na Região Demarcada dos Vinhos Verdes, vem na sequência das viagens ao Dão (1ª crónica, publicada em 8/10/2016, de uma série "Enoturismo no Dão") e ao Douro (1ª crónica, publicada em 14/4/2017, de uma série "Enoturismo no Douro"), todas elas organizadas pela agência cultural Tryvel. Mais uma vez, os responsáveis por mais uma inesquecível jornada foram a dupla Rui Nobre (o promotor destas viagens enoturísticas) e a Maria João Almeida (jornalista, crítica de vinhos, autora do livro "Guia do Enoturismo em Portugal" e a animadora no terreno). Remeto para o livro da Maria João, cuja 2ª edição já está no mercado e que recomendo, o desenvolvimento das histórias de cada produtor e demais informações úteis.
A Tryvel tem ainda previstas viagens à Bairrada e à Madeira. Estejamos atentos. Mais informações em tryvel.pt/trywine.
Num fim de semana alargado (sábado, domingo e 2ª feira) tivemos a oportunidade de visitar a Qtª da Lixa, a Qtª da Aveleda, a Qtª do Ameal e o imperdível Palácio da Brejoeira. Almoços no Largo do Paço (Hotel Casa da Calçada, em Amarante), Ferrugem (Portela de V.N.Famalicão) e Qtª do Prazo (Valença). Jantares no Hotel Monverde (onde ficámos na 1ª noite) e em A Cozinha Velha (Ponte de Lima), tendo o grupo ficado no Hotel InLima (na 2ª noite).
Provámos, no decorrer desta viagem 13 vinhos brancos e bebemos às refeições mais 14 brancos e 2 tintos. No total 29 vinhos. É obra!
Foi uma espécie de ditadura dos brancos desta região, pois dos tintos (salvo raríssimas excepções) não reza a história.
Em próximas crónicas, que poderão não ser consecutivas, desenvolverei as minhas impressões sobre os locais citados.
continua...

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Qtª Nova Nossa Sra do Carmo : 10 anos de Grande Reserva

Tive, recentemente, a oportunidade de participar numa prova vertical, organizada pela Qtª Nova Nossa Sra do Carmo, cujas faces visíveis eram a Luisa Amorim (a produtora), a Paula Sousa (o braço direito) e o Jorge Alves (o enólogo, sócio do Celso Pereira no projecto Quanta Terra e meu conhecido desde os tempos das Coisas do Arco do Vinho). Também colaborou, no apoio logístico, o Giscard Muller (escanção, braço direito do Manuel Moreira em diversos projectos).
O universo da grande maioria dos participantes era o da restauração, não tendo vislumbrado qualquer elemento ligado à comunicação social ou à blogosfera.
Havia 2 mesas com vinhos do produtor à prova (Qtª Nova, Mirabilis, Grainha, Pomares, Porto Vintage e Porto LBV) e, ainda, uma mesa com enchidos (Ibéricos Montellano) e outra com queijos (Casa Matias).
Mas, o mais importante neste evento foi a prova vertical dos Grande Reserva, tendo-se destacado, para o meu gosto, o 2005 (fino e elegante, balsâmico e especiado, aromas e sabores terciários, volume e final de boca assinaláveis) a merecer-me a nota 18,5. Um tinto perfeito e no ponto óptimo para ser bebido. Logo a seguir o 2011 (grande potencial, taninos evidentes mas civilizados, uma bela estrutura e final de boca, a pedir mais uns anos de garrafa), nota 18+.  A completar o trio dos meus eleitos, o 2015 (exuberante, com muita fruta, taninoso e volumoso, ainda a dar os seus primeiros passos), nota 18.
Noutro plano o 2007 (17,5+), 2008 (17,5), 2012 (17+) e 2013 (17). E, finalmente, as desilusões: 2006 e 2009, nota 16,5.
Em conclusão, uma prova vertical bem organizada, a mostrar bem o potencial da maioria dos Grande Reserva. É pena que o 2005 e o 2011 já não se encontrem no mercado.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Curtas (XCII) : TheFork Fest, o Guia do JPM e os comentários anónimos

1.TheFork Fest
À semelhança do ano passado, a plataforma TheFork organiza este evento gastronómico que possibilita fazer uma refeição num bom restaurante por metade do preço. São 50 % de desconto em toda a carta, excepto as bebidas.
Enquanto que a 1ª semana (11 a 17 deste mês) é exclusiva dos clientes do Millennium, a semana oficial (18 a 29) estará aberta a todo o mundo.
Mais informações, nomeadamente os restaurantes aderentes, em www.thefork.pt.
2.O Guia do João Paulo Martins  (JPM)
Já está no mercado a 23ª edição de "Vinhos de Portugal 2018", um guia incontornável que passou a publicar-se de 2 em 2 anos. Refere o autor que este guia está muito mais magro, mas mesmo assim tem 582 páginas!
Estive presente no lançamento do livro, muito animado por sinal, onde tive a ocasião de rever alguns produtores e enólogos, que estimei no decurso dos 16 anos e meio da saudosa Coisas do Arco do Vinho, como foi o caso do Carlos Campolargo, Domingos Soares Franco, Jorge Serôdio Borges, Manuel Vieira, Maria Emília Campos, Nuno Cancella de Abreu, Sérgio Nuno, Susana Esteban e Tomás Roquete.
Foram servidas tapas e provados alguns dos vinhos premiados pelo JPM.
3.Comentários anónimos no blogue
Tenho deixado passar alguns comentários anónimos a crónicas por mim publicadas, mas vou deixar de o fazer. Comentário anónimo será devidamente rejeitado.
Isto vem a propósito da crónica "Aditamento a "O Vinho que Lisboa tem"", publicada em 25/8/2017, onde alguém referiu ter saído uma 2ª edição do livro que teria acrescentado algumas garrafeiras omissas na 1ª edição. Contactado o editor, este referiu que apenas existe uma edição. Temos, assim, um anónimo mentiroso!

terça-feira, 3 de outubro de 2017

"Vinho" azul : no melhor pano cai a nódoa!

A polémica criada à volta desta bebida aromatizada à base de vinho, nasceu em Espanha com o lançamento do Gik, uma bebida doce e azul, cuja equipa era composta por jóvens sem qualquer tradição no vinho  e sem experiências anteriores. Já neste ano, a Gik foi multada pelo Ministério da Agricultura de Espanha, por comercializar "vinho" azul, produto não autorizado pelas leis de nuestros hermanos, tendo sido obrigada a mudar os rótulos e a composição daquela bebida.
Por cá, com 2 anos de atraso, um produtor português, a Bacalhôa, foi atrás da polémica e lançou o Casal Mendes Blue, podendo ler-se no respectiva página "A marca Casal Mendes nasce em Portugal na sequência do sucesso do vinho verde e rosé na restauração portuguesa. Agora, em 2016 decidimos inovar e apresentar uma variante moderna e irreverente - Casal Mendes Blue". Mais um tiro no pé do Comendador e um cartão amarelo!
Mais grave, o IVV deu protecção a este negócio, disponibilizando o respectivo selo, que apenas deveria legalizar e proteger o vinho, o que não é o caso, pois se trata apenas de uma bebida aromatizada à base de vinho, com um final adocicado, inspirada na aventura espanhola. Cartão vermelho!
De lamentar, ainda, que uma loja prestigiada, como é a Garrafeira Nacional, o tenha incluído no seu portefólio, alinhando na onda da irreverência. Cartão amarelo!

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Os 25 anos do projecto João Portugal Ramos (JPR) - 2ª parte

continuando...
3.O início da comemoração
As comemoração dos 25 anos do projecto JPR desenrolaram-se no magnífico Palácio da Cidadela de Cascais, visitável mediante inscrição no Museu da Presidência da República. Uma visita imperdível!
Participaram cerca de 140 pessoas, parte considerável ligada ao universo JPR incluindo a respectiva família, mas também a comunicação social especializada e generalista e, ainda, representantes da blogosfera.
A concentração dos convidados fez-se na esplanada exterior do Palácio, com uma vista espectacular para a baía de Cascais, mas prejudicada por um frio de rachar que se fez sentir naquele final de tarde. Para aquecer os corpos e as almas foi servido o espumante Alvarinho Reserva 2014 Bruto, fresco e elegante, acompanhado pela belíssima voz da Diana Castro apoiada pelo Luis Roquete.
Foi o momento de convívio quente e frio, após o qual os participantes passaram para o local onde se ia jantar.
Já com as pessoas nas mesas, foi projectado um vídeo comemorativo da efeméride. Seguiram-se as intervenções do anfitrião e do ministro da economia.
4.O jantar
O repasto foi servido pela empresa "As Olguinhas" (Teresa e Luisa Roquete), sendo de aplaudir o facto de os vinhos terem sido decantados previamente, servidos com temperaturas controladas e em copos Riedel. Um luxo!
O JPR pregou-nos uma partida, pois no menú não constavam os nomes dos vinhos, tendo sido servidos às cegas, o que originou alguns palpites errados e discrepâncias nas avaliações de cada um. Foi o próprio JPR que, no final do repasto, fez as respectivas descodificações.
O vinho branco era o Vila Santa Reserva 2016, com base nas castas Arinto, Alvarinho e Sauvignon Blanc e fermentação parcial em barricas novas de carvalho francês, apresentou-se muito fresco e mineral, harmonizando muito bem com uma entrada de ceviche de robalo e manga. O perfil apresentado não me pareceu nada alentejano e baralhou-me as contas.
Foi com a maior das surpresas que fiquei a saber que o vinho tinto era o Marquês de Borba Reserva 2011, pois não me passou pela cabeça que pudesse ser da colheita de 2011, tal a juventude apresentada. Até comentei aos meus parceiros de mesa que era pedofilia pura estar a beber aquele vinho e que se deveria esperar mais 5 ou 6 anos. Mais um vinho a baralhar-me as contas. Com base nas castas Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon e Trincadeira, estagiou 12 meses em meias pipas de carvalho francês. Apresentou-se com os taninos algo violentos, um grande volume e final de boca longo. Com uma boa acidez, especiado e complexo, é um vinho claramente de guarda e mereceu um dos Prémios de Excelência atribuídos pela Revista de Vinhos (a antiga). Quem diz que os tintos alentejanos são para beber novos? Este,não!
Passou um pouco por cima do prato, um lombo de vaca "au poivre" com batata e espargos gratinados.
Seguiu-se-lhe  o Vinho do Porto que era o Duorum Vintage 2007. Também este achei que era pedofilia bebê-lo nesta altura, pois pareceu-me bastante mais novo. Com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca eTinta Roriz, apresenta-se com muita fruta preta, muito estruturado e com grande longevidade. Também é melhor esperar por ele mais 10 a 12 anos.
Não casou muito bem com a sobremesa, uma pinha de avelã. Um bolo à base de chocolate ligaria muito melhor.
5.O que faltou dizer
5.1.Quando fui responsável pela coluna "Viagens no Reino de Baco" no extinto vespertino A Capital, a minha 2ª crónica, publicada em 8/8/1998, foi dedicada ao JPR e intitulada "João Portugal Ramos : os vinhos de autor" e começava assim "Dificilmente este nome deixará indiferente o leitor. O engº João Ramos é,seguramente, o enólogo responsável pelo maior número de vinhos de qualidade que se produzem no nosso país, de Norte a Sul.(...)".
5.2.Contaram-me há anos que, quando foi produzida a 1ª edição do Anima pela Herdade Portocarro, o JPR às cegas, não conhecendo o vinho em prova, identificou de imediato a casta San Giovese. Bingo!

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Os 25 anos do projecto João Portugal Ramos (JPR) - 1ª parte

1.Eu e o JPR
Ao longo da minha vida de enófilo, primeiro como um dos responsáveis pela loja Coisas do Arco do Vinho (CAV) e, posteriormente, como autor deste blogue, cruzei-me por diversas vezes com o JPR. Ele esteve presente em diversos eventos, provas e jantares vínicos organizados pelas CAV, com os seus conceituados néctares, sendo de destacar as apresentações nacionais do Conde de Vimioso Reserva 2000 (a sua 1ª edição), Marquês de Borba Reserva 1999 e Qtª Foz de Arouce Vinhas Velhas 2003.
Também me ficou na memória uma sessão memorável na sua casa, onde fomos (eu, o meu sócio e respectivas companheiras) recebidos pelos anfitriões (a Tété, sua esposa e ele próprio) e presenteados com um almoço de perdizes (provenientes das suas caçadas) deliciosamente confeccionadas, regadas com alguns dos seus vinhos de eleição.
O JPR, para além de prestigiado enólogo, com provas dadas no Alentejo (Marquês de Borba, Vila Santa, monocastas, etc), Ribatejo (Conde de Vimioso) e Beiras (Qtª Foz de Arouce), é um apaixonado pela caça e um grande conversador, detentor de vasto repertório de histórias e anedotas.
Já na minha actual fase de bloguista, publiquei as crónicas:
."João Portugal Ramos e a Blogosfera", em 3/6/2012, onde destaquei alguns dos vinhos bebidos durante o almoço: os brancos Vila Santa Reserva 2008 (nota 17,5+) e 2009 (nota 17,5) e os tintos Marquês de Borba Reserva 1997 (nota 18) e 2000 (nota 18,5).
."Os vinhos do João e os vinhos do José", em 2/5/2013, um jantar com a presença do JPR e do seu amigo e sócio José Maria Soares Franco, durante o qual foram apresentados vários vinhos tintos de topo e, ainda, o seu 1º Alvarinho, um sonho antigo.
2.O mistério da magnum João Portugal Ramos 25 Anos
No final do jantar comemorativo dos 25 anos do projecto JPR, do qual me referirei em próxima crónica, foi oferecida aos participantes uma garrafa magnum, numa discreta mas bonita embalagem.
No interior da embalagem pode ler-se:
"(...) Passaram-se 25 anos, e sem poder resumir o projecto de uma vida numa garrafa, reuni neste vinho comemorativo a soma daquilo que duas das mais emblemáticas regiões do nosso país - o Alentejo e o Douro - nos podem oferecer.
(...) Acredito que a paixão de criar vinhos já nasceu comigo e que tenho a felicidade de fazer aquilo que gosto, mas o maior privilégio continua a ser o de poder partilhar consigo esta paixão em cada vinho que faço."
Assinado, João Portugal Ramos.
Obrigado JPR, pela oferta!
Mas, nisto de vinhos gosto de saber o que vou beber. Para além da indicação que este vinho era constituído por lotes do Alentejo e Douro, a garrafa não me diz mais nada, nem no rótulo nem no contra-rótulo.
Qual o ano de colheita? Em parcelas do Alentejo e do Douro teve origem? Quais as castas? Onde estagiou? Quanto tempo? Tudo isto para perceber quando devo abrir esta garrafa.
Curiosamente, pondo as minhas legítimas interrogações à empresa, não consegui obter qualquer resposta concreta. Mistérios insondáveis da magnum João Portugal ramos 25 Anos!
continua...

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O Café de São Bento no Mercado da Ribeira

Já ando há mais de 3 anos a blogar sobre o Mercado da Ribeira, suas bancas e seus chefes. Senão, vejamos:
.08/06/2014 - Marlene Vieira
.01/07/2014 - Vitor Claro
.16/08/2014 - Henrique Sá Pessoa
.28/09/2014 - Alexandre Silva
.23/10/2014 - Miguel Castro e Silva
.12/12/2014 - Sea Me
.31/01/2015 - Cozinha da Felicidade
.24/02/2015 - Monte Mar
.21/05/2015 - Miguel Laffan
.03/03/2016 - O Prego da Peixaria
.26/05/2016 - Pap' Açorda
.12/07/2016 - Academia Time Out
.19/07/2016 - Balcão da Esquina
.15/01/2017 - Time Out Bar
.11/07/2017 - Surf & Turf
Chegou agora a vez do Café de São Bento (o melhor bife de Lisboa, segundo a Time Out), com lugares ao balcão e situado na ala esquerda do mercado, sem aquela confusão do bloco central, ocupado, quase em exclusivo, pelos turistas que se apaixonaram por Lisboa.
Tudo o que comi estava francamente delicioso:
.Camarões Al Ajillo (com um molho fabuloso)
.Prego Mediterrânico em pão chapata (embora, erradamente, lhe chamem baguete): bife do lombo grelhado, pesto de manjericão, rúcula, tomate seco e lascas de parmesão
Comi-o médio/mal passado e considero-o ao nível do prego servido no By the Wine, o melhor de Lisboa, segundo a minha bitola.
Tencionava acompanhá-lo com uma cerveja artesanal, inexistente neste balcão. Aconselharam-me a ir à banca da cerveja, o que fiz. Só que teria que a beber em copo de plástico! Francamente...
É claro que não aceitei e optei por beber um copo do branco Três Bagos 2016 (2,90 €) - fresco e cítrico, notas vegetais, simples mas agradável, volume e final de boca médio/curto. Nota 15.
A garrafa foi-me mostrada, o vinho dado a provar num bom copo e servida uma quantidade bem generosa.
Serviço atencioso e eficiente. Uma boa surpresa este balcão.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Melhor blogue do ano (2017) : o enófilo militante no Top 10 pela 6ª vez consecutiva

Estão a ser publicados os nomeados para os Prémios W 2017, louvável iniciativa do crítico (entre outras profissões) Aníbal Coutinho, que contempla 31 categorias, sendo a lista dos blogues eleitos a seguinte (por ordem alfabética, ficando entre parêntesis o nº de presenças e assinalando com * os estreantes):
.Clube de Vinhos Portugueses (3)
.Comer Beber Lazer (4)
.Contra Rótulo (2)
.Drinked In *
.Enófilo Militante (6)
.Grão Duque Sambrasense (2)
.Os Vinhos (6)
.O Vinho em Folha (2)
.Pingas no Copo (5)
.Vinho Porto Vintage *
De registar:
.continua a haver 2 totalistas no Top 10 de 2012 a 2017: Os Vinhos (Pedro Barata) e Enófilo Militante (eu próprio)
.os vencedores dos anos anteriores não foram incluidos, estando alguns em actividade (Copo de 3, Bebes.Comes e Avinhar) e outros parados (E Tudo o Vinho Levou e Air Diogo num Copo)
.a injusta não inclusão do blogue Joli.
Pela minha parte fico satisfeito e honrado por ter sido incluído, pela 6ª vez consecutiva, na lista dos nomeados. Um incentivo para continuar!

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Almoço com Vinhos Fortificados (26ª sessão) : o regresso a Porto Covo

Passados 2 anos (ver crónica "Almoço com Vinhos Fortificados (19ª sessão) ...", publicada em 28/7/2015) este grupo de enófilos militantes, também conhecido pelo Grupo dos Madeiras, voltou a Porto Covo, "chez" Natalina (nos tachos)/Modesto (nos vinhos, todos da sua garrafeira).
A bebida de boas vindas foi o espumante Qtª Poço do Lobo 2013, muito polivalente, pois tanto pode ser servido a solo, como a acompanhar comida. Neste caso, foi acompanhado por alguns aperitivos e tapas (frutos secos, melão com presunto, cogumelos recheados, chamuças,...). Fresco e com algum volume esteve à  altura das ciscunstâncias.
Já com o grupo instalado à mesa, desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2015 (em magnum) - nariz exuberante, presença de citrinos, fresco e complexo, bela acidez, notas amanteigadas, algum volume e final de boca persistente. Nota 17,5+ (noutra situação 17,5).
Harmonizou com a já tradicional sopa de garoupa e ameijoas.
.Qtª Monte d' Oiro Reserva 2012 - aromático, ainda com muita fruta vermelha, acidez equilibrada, especiado, grande volume e final de boca notável. Elegante e complexo. Um grande vinho que ainda irá crescer nos próximos 4/5 anos. Óptimo para acompanhar pratos de forno. Nota 18,5.
.Incógnito 2001 - cor desmaiada, aromas terciários, belíssima acidez, taninos ainda presentes mas civilizados, volume e final de boca médios. Fino e elegante. Pede pratos não muito fortes. Na fase descendente, mas uma boa surpresa para um vinho alentejano com mais de 15 anos. Nota 17,5+.
Estes 2 tintos maridaram com uma saborosa lebre com grão (ainda foi aberta uma garrafa de Qtª Mouro Rótulo Dourado 2007, mas que não cheguei a provar).
.Qtª Crasto Vinha da Ponte 2004 - com base em vinhas velhas com mais de 90 anos, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; aromas terciários, fruta preta ainda presente, acidez no ponto, especiado, taninos ainda presentes, volume assinalável e final de boca interminável. Um monstro de complexidade. No ponto óptimo de consumo, mas ainda em forma mais 6/7 anos. Nota 19+ (noutras situações 16,5/17/18/18,5+; tem vindo sempre a crescer e bebe-lo jóvem é pura pedofilia).
Foi acompanhado por uma tábua de queijos.
.FMA Bual 1964 - notas de frutos secos, iodo, brandy e caril, vinagrinho presente, grande volume e final de boca. Complexidade e sofisticação. A Madeira no seu melhor. Nota 19 (esta foi a 19ª garrafa por mim provada e a 5ª a merecer esta nota).
Acompanhou uma tarte de maçã e salada de frutas tropical.
Grande sessão de convívio, comeres e beberes (mais uma). Obrigado Natalina! Obrigado Modesto!

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Taberna Criativa : uma surpresa em Sintra

Este espaço de restauração, com pouco mais de 1 ano, situa-se em Sintra (Av. Heliodoro Salgado,26) e tem como proprietário e responsável pelos tachos o chefe Vitor Rocha (ex-Hotel Costa da Caparica, Eleven, Panorama e Monte Rei Golf).
No menú, apenas disponível ao jantar constam 6 petiscos criativos/entradas, 5 pratos principais e 5 sobremesas. Para quem não tiver problemas de orçamento, pode desfrutar o Menú Degustação (48 €).
Ao almoço apenas o Menú Executivo (12 €), com direito a couver, sopa/entrada, prato, sobremesa, bebida e café, um bom preço considerando a qualidade da comida, o espaço e a presença do chefe.
Comi creme de ervilhas com presunto crocante, bacalhau fresco com brás de legumes e bolo de bolacha.
Quando o chefe foi à nossa mesa, o que é de aplaudir, manifestei-lhe a minha frustação em não poder provar a sobremesa "Tributo ao pastel de nata com gelado de caramelo e nuances de canela", da qual me tinham tecido os maiores elogios. Como resposta, percebi que só estaria disponível ao jantar.
Mas o chefe fez-nos a grande surpresa de nos servir com o café, já depois de comida a sobremesa do menú, o tal tributo ao pastel de nata, simplesmente divinal.
Louve-se a sua atitude. É assim que se conquistam os clientes!
Quanto à componente vínica, inventariei 1 espumante, 1 champanhe, 25 brancos (2 eram colheita tardia), 20 tintos, 3 rosés e 6 Porto. Lamentavelmente, os anos de colheita estão omissos na carta que contém algumas incorrecções.
O vinho do menú era Castelo d' Alba Reserva, tendo optado pelo branco da colheita 2016, agradável mas sem grandes rasgos. A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar em copo aceitável.
Cozinha semi aberta, ambiente acolhedor e serviço profissional e simpático.
Uma grande surpresa em Sintra, a repetir com toda a certeza. Recomendo!

domingo, 10 de setembro de 2017

Curtas (XCI) : Qtª La Rosa, enólogos/enófilos e Vinhos do Alentejo

1.Qtª La Rosa no Boa Cama Boa Mesa
O apontamento semanal do Boa Cama Boa Mesa (SIC Notícias, 6ª feira 9h45) foi dedicado à Qtª La Rosa nas suas vertentes alojamento, restaurante e adega, incluindo uma entrevista à produtora Sophia Bergqvist.
Este programa ainda pode ser visto até à próxima 5ª feira.
2.Enólogos e enófilos: a confusão da Time Out
Pode ler-se na última Time Out (página 35, patrocinada pela Uber), a propósito do Chafariz do Vinho, "(...) O milagre da transformação da água em vinho deu-se em 1998, e a ideia partiu da Câmara Municipal de Lisboa e da EPAL, que desafiaram um grupo de enólogos a ocupar o chafariz.".
Afinal os enólogos eram enófilos (o João Paulo Martins e associados)! A confusão entre enólogos e enófilos só pode ser por ignorância (da Time Out? da Uber?). Podiam ter feito o trabalho de casa...
A propósito, eu estive na cerimónia de posse (na qualidade de responsável pela área dos vinhos da saudosa Coisas do Arco do Vinho, a convite do João Paulo Martins, tendo levado para o efeito um Porto Branco da Churchill, muito balado na altura), presidida pelo João Soares, o então presidente da Câmara Municipal de Lisboa.
3.Vinhos do Alentejo
Já foi anunciada o próximo evento "Vinhos do Alentejo", que irá decorrer, uma vez mais no CCB, nos dias 13 (das 16 às 21h) e 14 de Outubro (das 15 às 21h). A não perder.
Mais informações em www.vinhosdoalentejo.pt.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Infame : uma mais valia no Intendente

O Infame é o nome do restaurante do 1908 Lisboa Hotel, situado no Intendente, um local mal frequentado no passado, mas que agora está na moda. Pratica uma cozinha de fusão imaginativa e de qualidade, debaixo da batuta do chefe Nuno Bandeira de Lima, num espaço moderno e acolhedor. Mesas mais ou menos despojadas, mas com os irritantes guardanapos de papel.
Para além da lista, ao almoço está disponível um menú executivo (12,50 €) com direito a entrada, prato, sobremesa, bebida e café. Optei pela apelativa lista, tendo degustado o bife tártaro como entrada e o Sol Nascente (bacalhau com xerém de camarão, algas e ovas tobiko) como prato principal. Pratos de grande qualidade e primorosamente apresentados.
Quanto à componente vínica inventariei 3 espumantes (1 a copo), 5 champanhes, 34 brancos (5), 40 tintos (2) e 9 rosés (1). E, ainda, 11 fortificados (8 Portos, 1 Madeira e 2 Moscatéis), todos a copo.
Boas escolhas de um modo geral, mas sem os anos de colheita e com alguns preços demenciais. Os brancos da Região Vinhos Verdes estavam separados dos restantes, um erro comum à maioria dos restaurantes. Mais: na carta de vinhos aparece um 1908 Vintage mas, quando vi a garrafa, afinal estava-se na presença de um 20 Anos! Por simpatia do empregado, provei este Porto tawny cujo perfil apontava para um simples 10 Anos. Ignorância ou oportunismo?
Bebi uma Musa IPA, uma belíssima cerveja artesanal, uma bebida que "descobri" há pouco tempo, mas que me tem apaixonado.
Serviço eficiente e super simpático.
Recomendo e tenciono voltar, fazendo votos para que as imprecisões e inverdades da lista de vinhos sejam corrigidas.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Vinhos em família (LXXXI) : lugar aos brancos

Mais 4 vinhos brancos provados descontraidamente em casa, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega.
E eles foram:
.Kompassus Reserva 2013 (13 % vol.) - valeu 18 na antiga RV; enologia de Anselmo Mendes, com base nas castas Arinto e Bical, estagiou em barricas de carvalho francês; nariz exuberante, muito fresco e frutado, acidez fabulosa, notas amanteigadas, algum volume e final de boca. Grande surpresa e excepcional relação qualidade/preço. Nota 17,5+.
.Qtª Bageiras Garrafeira 2014 (13,5 % vol.) - a antiga RV atribui-lhe 17,5 valores; garrafa nº 310/3115, com base nas castas Maria Gomes e Bical; alguma fruta, componente floral a impor-se, fresco, mas com notas gordas, volume e final de boca médios. Nota 16,5.
.Qtª Ameal Loreiro 2015 (11,5 %) - 94 pontos no Parker!; com base nas castas Loureiro (90 %) e Arinto (10 %); nariz exuberante, muito fresco e cítrico, acidez equilibrada (sem os excessos da maioria dos vinhos verdes), elegante e harmonioso, volume e final de boca médios. Um belo branco que, por acaso, é da Região Vinhos Verdes. Nota 17.
.Casal Santa Maria Malvasia 2015 (12 % vol.) - com base na casta Malvasia (100 %) em chão rijo de Colares ( no contra-rótulo afirma-se que as uvas eram provenientes da "exploração vitivinícola mais ocidental da Europa, perto do Cabo da Roca"); aromático, muito fresco, cítrico e mineral, acidez no ponto, algum volume e final de boca médio. Nota 17.

sábado, 2 de setembro de 2017

Casta 85 : uma surpresa em Alenquer

O "85" tem a haver com a data de nascimento do chefe João Simões (Bica do Sapato, Ritz, Altis Belém e Bistrô 100 Maneiras), responsável pelos tachos e um dos donos deste agradável espaço. A cozinha é aberta, as mesas despojadas e os guardanapos de pano.
A aposta gastronómica é na cozinha tradicional, mas com um toque moderno, apresentando 18 petiscos, 5 canjas e cremes, 7 entradas, 7 pratos de peixe, 6 pratos de carne e umas tantas sobremesas.
Em recente visita escolhi 2 petiscos (salada caldosa de duas orelhas de porco e camarão salteado com alho, coentros e limão) e a canja de bacalhau com ovo escalfado, torricado e poejo. A terminar, a tarte de limão merengado com sorvete e macarron de limão, hortelã e lima. Tudo com muita qualidade, bem apresentado e em doses generosas.
Quanto à componente vínica, inventariei 5 espumantes, 3 champanhes, 1 cava, 62 brancos (dos quais 17 da Região Lisboa), 58 tintos (dos quais 14 da Região Lisboa), 6 rosés e, ainda, 9 colheitas tardias, 16 vinhos estrangeiros, 3 Madeiras e 2 Moscatéis (não encontrei nenhum Porto, o que é estranho), na generalidade datados. Os verdes estão separados dos restantes brancos, um erro usual na restauração.
É uma oferta, à partida, de louvar. Mas, no entanto e lamentavelmente, as falhas (não assinaladas na carta) são mais que muitas, o que é indesculpável, pois algumas são de vinhos de produtores mesmo ali ao pé.
Por outro lado, não apostaram no vinho a copo. Nas visitas que fiz, optei por mandar vir uma garrafa e levar as sobras para casa.
Nesta última escolhi o Qtª Lagar Novo Viognier Reserva 2015 (na carta ainda constava o 2013) - estagiou 9 meses em barrica, que ainda está muito presente; pouco frutado, acidez equilibrada, notas balsâmicas e amanteigadas, algum volume e final de boca adocicado. Gastronómico, a precisar de comida por perto. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar em bom copo. Serviço eficiente e simpático.
Em conclusão, uma boa surpresa em Alenquer, com o chefe João Simões inspiradíssimo. Pena é que a componente vínica não esteja, ainda, à altura.
Uma curiosidade final: uma das paredes do WC masculino está forrada, de cima a baixo, com rolhas das garrafas, enquanto que no WC feminino são botões. Desigualdade de género?