sábado, 11 de fevereiro de 2017

Lampreia e Sável no Hotel Mundial

Ao receber um convite do Hotel Mundial, veio-me à memória a minha participação em diversos jantares vínicos ali ocorridos, organizados pela Revista de Vinhos em colaboração com o Manolo Carrera, um grande profissional e um verdadeiro apaixonado pela gastronomia lisboeta. Não conseguia resistir à petisqueira alfacinha, enchendo o prato por diversas vezes.
Recentemente o Hotel Mundial convidou algumas pessoas* para um almoço de apresentação do evento da Lampreia e do Sável, presente na ementa do restaurante até 12 de Março.
Por 34 €, tem-se direito a entrada, prato, sobremesa e bebidas (vinho verde branco e tinto, água e café). Nas entradas, a opção é entre a sopa do dia ou as ovas de sável em polme de coentros e maionese de laranja, enquanto que o prato principal pode ser escolhido entre 2 referências de lampreia (à bordalesa ou à moda de Monção) e 2 de sável (frito com escabeche de presunto ou dourado com açorda de frutos do mar).
No almoço de apresentação, foram servidas as ovas de sável (francamente agradáveis), o sável dourado com açorda (que não me convenceu, pois o polme não fez falta nenhuma e a açorda não tinha as tradicionais ovas) e a lampreia à bordalesa (saborosíssima). À atenção dos militantes da dita lampreia!
Em copos Schott, foram servidos os vinhos (branco e tinto) de um produtor particular de Monção.
O branco, já da colheita de 2016, com base nas castas Alvarinho e Trajadura, apresentou-se muito fresco e frutado, com a acidez e gás natural muito equilibrados, elegante e com um final de boca ligeiramente adocicado. Nota 16,5.
Quanto ao tinto, embora tivesse uma acidez não demasiado pronunciada, exibia o tradicional gás, o que não é a minha praia. Simpaticamente o director geral do hotel, presente no almoço onde estavam mais 4 pessoas ligadas ao Mundial, mandou abrir uma garrafa do tinto Lupucinus Reserva 2013 (Douro) que se aguentou com a lampreia. Apresentou aromas primários intensos, fruta vermelha, alguma acidez, taninos de veludo, algum volume e final de boca. Nota 17.
Numa das pontas da sala, junto à janela, pode ver-se uma placa com os nomes do José Saramago e da Pilar del Rio e a data do seu primeiro encontro, a 14 de Junho (embora não conste, o ano foi 1979), que aconteceu no bar São Jorge. Segundo me explicaram, eles ficavam sempre na mesma mesa, que se situava muito próximo do local onde agora se encontra a placa comemorativa. Entre outras coisas, o Hotel Mundial respira história...
No final do almoço, tive a oportunidade de visitar a cave, onde repousam algumas relíquias (vinhos velhíssimos, alguns Madeira e Vintage de referência e, ainda a indispensável presença da colheita de 1965 de Barca Velha, entre outras).
* Vicente Themudo de Castro (crítico de gastronomia e vinhos no Oje, responsável pela área de vinhos do grupo Albatroz e antigo cliente das Coisas do Arco do Vinho), Vitor Carriço (Turismo de Liboa), João Pedro Rato e Patricia Serrado (Mutante Magazine) e eu próprio (o único representante da blogosfera).

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