quinta-feira, 25 de maio de 2017

Provar vinhos com a Adega Cooperativa da Vidigueira

1.Introdução
Por convite da Adega Cooperativa da Vidigueira, Cuba & Alvito (ACV), tive a oportunidade de provar uma série de vinhos VDG (1 espumante e 7 brancos) e, ainda, 2 tintos e 1 licoroso, a maioria posta no mercado muito recentemente. A prova, seguida de almoço, decorreu no restaurante Espelho de Água, bem junto ao Tejo.
A ACV fez-se representar por uns tantos elementos da direcção e não só, tendo a prova sido orientada pelo enólogo da casa, Luis Leão de seu nome, já meu conhecido dos tempos da Herdade do Pinheiro, onde ele ainda colabora. Segundo percebi, de cada um dos monocastas apresentados foram produzidas 3333 garrafas, ao preço recomendado de venda ao público entre os 7 e os 8 €.
Quanto aos participantes, percebi que a blogosfera estava representada, bem como alguma imprensa especializada e generalista. Lamentavelmente, foi-me prometido que me enviariam a respectiva listagem, sem que o tivessem feito até esta data. Mas já me habituei a promessas não cumpridas.
Uma nota simpática: aos participantes foi-lhes oferecida 1 garrafa de Vidigueira Antão Vaz, acompanhada por uma manga e um saca-rolhas. Os meus agradecimentos.
2.A prova dos primeiros vinhos
Foram provados os primeiros VDG (1 espumante e 3 brancos) na varanda exterior ao restaurante, sem um mínimo de condições, debaixo de um calor insuportável que nem os chapéus de sol conseguiram amenizar. Era deveras complicado segurar o copo numa mão, a caneta e o caderno na outra, já não falando na necessidade de uma mão extra para pegar nos canapés que iam passando.
O espumante, fresco e com notas de pão cozido, era da colheita de 2015 e funcionou bem como bebida de boas vindas.
Seguiram-se os monocastas brancos de 2016, a saber: Vermentino (uma casta italiana, com uma desagradável componente vegetal que não traz nenhum valor acrescentado, antes pelo contário; nota 14,5), Verdelho (o branco vencedor deste primeiro confronto, muito equilibrado entre a fruta e a acidez, notas amanteigadas e um perfil deveras gastronómico; 16,5+) e Viognier (fresco com um toque tropical; 16).
3.O almoço e prova dos restantes vinhos
Com a entrada (salada de verduras e queijo fresco) foram provados:
.Antão Vaz - notas tropicais, fruta madura e algum vegetal, boa acidez, volume consistente e alguma persistência; gastronómico, ficaria melhor com o prato de peixe. Nota 16,5+.
.Alvarinho - presença de citrinos e fruta tropical, notas vegetais, volume e final de boca médios; também não traz nenhum valor acrescentado ao Alentejo, pois esta casta perde muito, se retirada do seu berço. Nota 15.
Com o prato de peixe (lombo de bacalhau com crosta de azeitona preta):
.Chardonnay - fruta madura, notas tropicais e amanteigadas, volume e final de boca apreciáveis. Gastronómico, ligou bem com o lombo de bacalhau. Nota 16,5.
.Arinto - presença de citrinos e notas vegetais, bela acidez, sofisticado e longevo, vai melhorar nos próximos 2/3 anos. Não ligou com o bacalhau, iria melhor com a salada. Nota 16,5+.
Com o prato de carne (entrecôte com esmagada de batata):
.Grande Escolha 2014 - com base nas castas Trincadeira e Alicante Bouschet, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês e americano; aroma intenso, muita fruta vermelha, bela acidez, taninos presentes mas civilizados, algum volume e final de boca. Muito harmonioso, tem uma relação preço (7,50)/qualidade excepcional. Foi o vinho que mais me encantou. Nota 17,5.
.Reserva 2015 - com base na casta Syrah, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; nariz contido, muita fruta vermelha, acidez bem equilibrada, volume e final de boca médios, precisa de mais algum tempo para se mostrar. Nota 16,5.
Estes 2 tintos chegaram à mesa quentes, o que é indesculpável. Alertado o enólogo, as garrafas foram rapidamente refrigeradas. Não havia necessidade...
Com a sobremesa (creme de queijo e natas com compota de goiaba):
.Licoroso 2013 - com base nas castas Trincadeira e Tinta Grossa; presença de fruta preta, taninos redondos, doçura apreciável, volume e final médios. Nota 15,5.


terça-feira, 23 de maio de 2017

Pigmeu : uma original e agradável "porcaria"

Movido pela curiosidade fui conhecer o Pigmeu (Rua 4 de Infantaria, 68), um original espaço de restauração, exclusivamente dedicado ao porco, cuja ementa contempla 9 petiscos da estação, 4 sandes, 5 acompanhamentos e 4 de garfo e faca.
Nesta minha 1ª visita fiquei-me pelos petiscos, tendo escolhido "tibornas de porco com tomate", "croquetes de bochecha de porco bísaro" e "rabinhos de porco com molho agridoce". Tudo provado e aprovado.
A contrastar, a componente vínica é fraca. Sem lista de vinhos, referiram-me 2 ou 3 a copo, estando os tintos à temperatura ambiente. Uma desgraça!
Optei, então, pela cerveja artesanal "Lx Beer", modalidade "Rye Ipa" (uma das quatro existentes), a portar-se muito bem. Um desabafo: cada vez gosto mais das artesanais e menos das industriais.
Sempre que possível, marco o restaurante  através da plataforma The Fork. Assim vou acumulando pontos e, ao fim de 10 reservas, fico com um crédito de 10 € para descontar num dos diversos restaurantes aderentes.
Foi o caso do Pigmeu, onde constatei à chegada, agradavelmente surpreendido, ter a mesa marcada com o meu nome numa ardósia onde se podia ler "de tudo um porco...". A boa disposição e sentido de humor abunda por ali, podendo ler-se numa das paredes "Porco em construção".
Falta dizer que as mesas se limitam a toalhete e guardanapo de papel e a música, embora a meu gosto, estava demasiado alta. Quanto ao serviço, considero-o rápido, prestável e deveras simpático.
Aconselho o Pigmeu e tenciono voltar.

sábado, 20 de maio de 2017

Jantar Qtª do Noval

Mais um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, cabendo o protagonismo à Qtª do Noval, aqui representada pela Rute Monteiro, directora de marketing e comercial, relações públicas, enfim um pouco de tudo. Já era minha conhecida dos tempos das Coisas do Arco do Vinho e ficou-me registado na memória a forma como nos recebeu na Qtª do Noval quando a visitámos com um grupo de clientes e amigos. Também esteve presente o Nuno Quina, distribuidor da marca, também meu conhecido, e que nos acompanhou (a mim e á minha mulher) numa visita memorável àquela quinta. Momentos inesquecíveis!
Voltando a este evento, que teve lugar no Via Graça, após termos sido recebidos por um Porto Branco Extra Dry, a funcionar muito bem como bebida de boas vindas, desfilaram:
.Cedro do Noval 2015 branco - com base nas castas Gouveio e Viosinho; fresco e mineral, presença de citrinos, notas vegetais e florais, acidez no ponto, algum volume e final de boca médio. Nota 16,5.
.Cedro do Noval 2013 tinto - com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Syrah; nariz discreto, alguma fruta vermelha e acidez, taninos presentes ainda por domesticar, algum volume e final de boca assinalável. Nota 16,5+.
Estes 2 vinhos acompanharam uma massada de cogumelos selvagens com garoupa cozinhada em baixa temperatura, muito saborosa mas com massa a mais para o meu gosto. Preferível a ligação com o branco.
.Qtª do Noval 2008 - aroma intenso, ainda com fruta, acidez no ponto, especiado, taninos intensos mas civilizados, grande volume e final de boca persistente. Complexo e sofisticado, ainda em forma mais 7/8 anos. O Douro no seu melhor! Nota 18,5+.
.Qtª do Noval 2014 - com base maioritariamente na casta Touriga Nacional, a que se juntaram a Touriga Franca e Tinto Cão, estagiou cerca de 18 meses em cascos de carvalho francês; nariz algo contido, muita fruta vermelha e preta, acidez equilibrada, taninos presentes e redondos, volume e final de boca consideráveis. Ainda em construção, é melhor esperar por ele 5 a 7 anos, mas não estou crente que atinja o nível do 2008. Nota 17,5.
Estes tintos harmonizaram bem com um saboroso raspado de cabrito assado com chalotas e batatas.
.Qtª do Noval Colheita 2003 (engarrafado em 2017) - ainda com a cor muito carregada, notas de frutos secos, ginja e mel, volume médio, mas final de boca interminável. Nota 17,5+.
Servido com doce de amêndoa e ovos com espuma de canela.
.Qtª do Noval Vintage 2003 - incrivelmente jóvem, taninos bem presentes mas civilizados, doçura equilibrada, volume médio e final de boca persistente. Há que esperar por ele 10 a 12 anos. Nota 17,5 (provisória).
Acompanhou um queijo de Serpa.
Foi uma pena que estes 2 fortificados não tivessem sido servidos em simultâneo. Teria sido mais didáctico, para os participantes perceberem bem as suas diferenças.
Foi um grande jantar, embora se tivesse arrastado para o dia seguinte, com vinhos de qualidade apreciável (destaque para o Qtª do Noval 2008), bem acompanhados pelos pratos do João Bandeira e o serviço profissional a que nos habituaram.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Eatfish : uma experiência para esquecer

Motivado pelos elogios que fui lendo na Time Out e em comentários em algumas plataformas ligadas à restauração, fui conhecer este espaço situado na zona do Cais Sodré (Tv. São Paulo,11). Mais valia não ter ido, face à experiência desastrosa.
Senão, vejamos:
.música excessivamente alta
.mesas completamente despojadas com tampos de pedra, embora com guardanapo de pano (uma contradição)
.lista de vinhos reduzida, apenas com 2 vinhos brancos e tintos a copo, sem qualquer referência a anos de colheita
.os copos já vêm servidos, tendo-me sido mostrada a garrafa só depois de a ter solicitado
.o peixe está reduzido a 3 variedades (salmão, atum e corvina) que podem vir para a mesa nas versões carpaccio (nome incorrecto, fatiado é que seria certo), tártaro e ceviche (há também lombos dos mesmos peixes)
.serviço pouco atento
Escolhi meias doses de carpaccio de corvina (que só provei, depois de ter devolvido o fatiado de atum que não pedi) e tártaro de atum. O atum em qualidade e quantidade é aceitável, mas a corvina uma fraude, pois vem para a mesa uma quantidade irrisória.
Para acompanhar, optei por um copo do branco Vale da Poupa Moscatel Galego 2016 (4,90 €, um exagero) - aroma intenso, fresco, presença de citrinos, notas vegetais, boa acidez, volume médio. Gastronómico, harmonizou bem com a comida. Nota 16,5.
O vinho já vinha servido, como acima referi, em bom copo aferido a 15 cl. Só que o nível do líquido estava abaixo da marca. Foi distração ou é sempre assim? Indesculpável, em qualquer dos casos!
Concluindo, Eatfish nunca mais!

terça-feira, 16 de maio de 2017

Confronto de revistas de vinhos e a Fugas

1.Confronto de revistas de vinhos
Aí estão à venda a nova Revista de Vinhos (Revista de Vinhos - Essência do Vinho), saída em Abril, e a antiga (VINHO - Grandes Escolhas), acabada de chegar com o nº de Maio.
Enquanto que a nova RV tem 130 páginas, das quais 34 são de publicidade (26 % do total), a Vinho já vai nas 208, das quais 78 contêm publicidade (37,5 %). É bom para elas, mas cansativo para o leitor.
Uma curiosidade: se viradas ao contrário são rigorosamente iguais, pois em ambas as contracapas se encontra a mesma publicidade das Caves da Murganheira (bem com deus e com o diabo?).
A nova RV dedicou algumas páginas ao Dirk Niepoort, Bruno Prats, Murganheira/Raposeira e Bacalhôa (Moscatéis), enquanto que a Vinho se centrou no Esporão, Douro e suas sub-regiões, castas portuguesas no mundo, Bacalhôa (Enoturismo), Rosés e Porto Extravaganza (a nova RV, no nº de Maio, apenas se referiu a uma das 3 jornadas).
Quanto a painéis de prova, a nova RV ficou-se pelos vinhos de supermercado, ao passo que a VINHO se dedicou aos vinhos tintos até aos 10 €.
Mas a grande diferença, na minha óptica, centra-se nos leques de provadores no que diz respeito às Escolhas do Mês (nova RV) e aos Vinhos do Mês (VINHO). Enquanto que esta última conta com um sólido e prestigiado painel (Luis Lopes, João Paulo Martins, João Afonso e Nuno Garcia), a nova RV, perdido o Rui Falcão para outros voos, fica-se por uns tantos pouco ou nada conhecidos, dos quais ressalvo o Manuel Moreira, com provas dadas como escanção.
É claro, para mim, o resultado do confronto : VINHO - Grandes Escolhas,1 - Revista de Vinhos - Essência do Vinho,0. Ao apostar claramente na VINHO declaro-me insuspeito, até porque no passado tive algumas divergências com a antiga Revista de Vinhos e alguns dos seus colaboradores. Mas, apesar de tudo, é a minha gente!
Aguardo com expectativa os próximos encontros de Vinhos e Sabores, a terem lugar no Pavilhão de Congressos (nova RV em Novembro, curiosamente no espaço habitual da antiga RV) e na FIL (VINHO em Outubro). Por qual se decidirão os produtores? Ou vão a todas? A ver vamos...
2.A Fugas : uma pedrada no charco
Leio na última Fugas de 13 de Maio, um corajoso e desassombrado artigo do jornalista Pedro Garcias, crítico e também produtor de vinhos (Mapa, cujo Vinha dos Pais 2013 considero um dos grandes brancos portugueses), onde afirma, a propósito do Adega Mãe Terroir 2013 branco, classificado na nova RV com 14,5, depois de lhe terem sido atribuidos 18 valores na antiga RV e 91 pontos na Fugas, que esta disparidade tem a haver "(...) com o facto de o director da Revista de Vinhos (a nova, entenda-se) estar incompatibilizado com Anselmo Mendes, um dos dois enólogos que fazem o vinho.(...) Este caso é muito mais que uma guerrinha pessoal, pois sabe-se que o novo director da Revista de Vinhos avocou o poder de modificar as notas finais dos seus provadores (...)".
Assino por baixo e dou o meu apoio incondicional ao Pedro Garcias!

sábado, 13 de maio de 2017

Tapiscando...

Fui conhecer o tão badalado Tapisco (Rua D. Pedro V, 81), uma aposta do chefe Sá Pessoa nos petiscos e tapas ibéricas. A ementa contempla 12 Tapiscos, 5 Ovos, 5 Brasas e 5 Tachinhos, a preços nada meigos.
As mesas e os lugares ao balcão, onde me sentei com vista para a cozinha aberta, encontram-se despojados, apenas com toalhetes de papel onde se pode ler a ementa e guardanapos de pano, uma contradição. Ao todo, na sala e na cozinha, estavam 15 empregados, o que denota uma louvável preocupação com o serviço do cliente.
Quanto à componente vínica, inventariei na lista portuguesa 3 espumantes (1 a copo), 16 brancos (3), 18 tintos (4), 1 rosé (1), 4 Portos e 1 Madeira, enquanto que na espanhola constam 2 cavas (1), 6 brancos (1), 8 tintos (1), 1 rosé (1) e 5 Jerez, uma oferta mais que suficiente. Lamentavelmente os anos de colheita estavam omissos.
Optei por um copo do branco Nieva Verdejo 2014 - nariz austero, presença de citrinos e fruta madura, alguma acidez, gordura, volume e final de boca. Nota 16,5+.
Muito gastronómico, acompanhou bem a "Esqueixada de Bacalao" (com o bacalhau cru, tipo ceviche) e "La Bomba de Lisboa" (2 avantajados croquetes ligeiramente picantes, com puré de batata).
A garrafa veio à mesa, o vinho dado a provar num belo copo Riedel (modelo Bordeaux) e servido em quantidade generosa.
Serviço rápido, eficiente e simpático.
Apesar das contradições apontadas, recomendo e tenciono voltar, até porque fiquei vidrado numa fabulosa posta de bacalhau Riberalves, que passou por mim enquanto eu comia.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Eventos a não perder

1.Festival do Vinho do Douro Superior (6ª edição)
Realiza-se no Centro de Exposições de Vila Nova de Foz Côa, de 19 a 21 de Maio, com o apoio da respectiva Câmara e coordenação da nova revista Vinho - Grandes Escolhas. Incluirá:
.Concurso de Vinhos do Douro Superior
.Mostra de Vinhos (69 produtores) e de Sabores (9 produtores)
.Provas Comentadas (vinhos brancos, tintos e Porto e, ainda, azeites)
A inauguração oficial será no dia 19, pelas 18 h.
2.Bairradão (4ª edição)
Organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, este evento terá lugar no Hotel Real Palácio no dia 27 de Maio. das 15 às 20 h, estando já confirmadas as presenças dos seguintes produtores:
.Bairrada (Adega de Cantanhede, Campolargo, Casa de Saima, Caves São Domingos, Caves São João, Qtª das Bageiras, Qtª do Encontro, Qtª do Valdoeiro e Sidónio de Sousa)
.Dão (Caminhos Cruzados, Casa da Passarella, Casa de Santar, Qtª de Cabriz, Qtª do Carvalhão Torto, Qtª do Cerrado, Qtª da Falorca, Qtª da Pellada, Qtª do Penedo, Qtª do Perdigão, Qtª da Ponte Pedrinha, Qtª dos Roques, São Matias, Vinha de Reis e Vinícola de Nelas).
Prevista, ainda, uma Prova Especial de vinhos Qtª Poço do lobo.
3.Hello Summer Wine Party
Organizada pela revista Paixão pelo Vinho, esta festa vínica decorrerá nos jardins do Lisbon Marriott Hotel, no dia 9 de Junho das 17 às 23 h, contando com 50 produtores e 3 provas especiais.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Vinhos em família (LXXIX) : um grande branco e um tinto de referência

Mais 5 vinhos (3 brancos, 1 tinto e 1 Madeira) provados em família, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. E eles foram:
.Qtª do Síbio 2015 (Real Companhia Velha) - com base em vinhas velhas, presença de citrinos e fruta cozida, notas amanteigadas, volume e final de boca médios. Gastronómico pede entradas fortes ou comida de tacho. Nota 16,5.
.Mirabilis Grande Reserva 2015 (Qtª Nova N. Srª do Carmo) - fresco e mineral, notas de fruta madura, acidez equilibrada, alguma complexidade, volume e final médios. Esperava mais. Nota 16,5+.
.Casa das Gaeiras Reserva Vinhas Velhas 2015 - com base na casta Vital em vinhas velhas; nariz contido, presença de citrinos, melão e fruta cozida, excelente acidez, notas fumadas e amanteigadas, algum volume e final de boca. Complexo e cheio de personalidade. Um grande branco que pode ser guardado ainda alguns anos. Nota 18.
De referir que o João Paulo Martins lhe dedicou uma página na revista E do Expresso. Este vinho está na mesma linha da colheita 2013, que incluí no meu TOP 10 de brancos 2014 e referi na crónica "Grupo dos 3 : (...) 1 branco surpreendente", publicada em 27/1/2015.
.CARM CM 2007 (garrafa nº 2252/4658) - com base nas castas Touriga Nacional (predominante), Touriga Franca e Tinta Roriz, vinificou em lagares com pisa a pé e estagiou 18 meses em barrica e 30 em garrafa; ainda com alguma fruta vermelha, aromas terciários, boa acidez, notas especiadas, complexidade, taninos presentes, corpo envolvente e final de boca extenso. Nota 18,5.
.Borges Malvasia 15 Anos (sem data de engarrafamento) - frutos secos, casca de laranja, ligeira acidez, notas discretas de caril e brandy, algum caramelo, taninos civilizados, volume e final de boca médios. Boa relação preço/qualidade. Nota 17,5.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Jantar Campolargo

Mais um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, o 67º segundo percebi. O repasto decorreu na Casa do Bacalhau, que já nos habituou a uma boa gastronomia e a um serviço de 5 estrelas, com temperaturas controladas, bons copos e os vinhos a chegarem à mesa antes da comida. Esteve presente o produtor Carlos Campolargo, já nosso conhecido dos tempos das CAV. Estivemos a relembrar o nosso primeiro encontro, que se traduziu numa prova dos seus vinhos no restaurante conhecido por "Orelhas", no qual participou o saudoso David Lopes Ramos.
Depois da bebida de boas vindas, o espumante Campolargo 2013, com base nas castas Bical, Arinto e Cerceal, já sentados em mesas rectangulares para 10 pessoas, uma inovação que nos permitiu falar todos uns com os outros, desfilaram:
.Espumante Clarete 2013 - com base nas castas Baga e Alvarelhão, mas que não me convenceu.
Acompanhou pastéis e pataniscas de bacalhau (estas venceram a prova organizada no âmbito do Peixe em Lisboa, a cujo júri presidiu o gastrónomo Virgilio Gomes).
.Campolargo Bical Barrica 2015 - nariz discreto, fresco e mineral, notas vegetais e amanteigadas, algum volume e final de boca. Gastronómico. Nota 16,5.
Maridou bem com meia desfeita de bacalhau.
.Campolargo Vinha das Cerejas 2013 tinto - uma incursão do Campolargo no Dão, com base nas castas Touriga Nacional (60 %), Alfrocheiro (20 %) e Tinta Roriz (20 %); alguma fruta vermelha, notas florais, acidez equilibrada, taninos presentes, algum volume e final algo persistente. Nota 17.
Acompanhou o pernil de porco com batata assada.
.Diga? 2009 (em magnum) - com base na casta Petit Verdot; muita fruta ainda presente, acidez no ponto, notas especiadas, taninos evidentes mas não agressivos, algum volume e acentuado final de boca. Complexo, sofisticado e ainda longe da reforma. Nota 18.
Casou com barriga de leitão confitado com puré de batata.
.Campolargo 2009 (apresentado como branco velho surpresa) - aromas terciários, notas florais, ligeira oxidação, acidez presente, volume e final de boca médios. Um branco gastronómico que evoluiu muito bem. Nota 17.
Acompanhou queijo curado com compota de abóbora.
Resumindo e concluindo, este jantar, no que se refere à componente vínica, ficou abaixo das minhas expectativas. Esperava mais.
A fechar, os meus parabéns ao João Bandeira pelo prémio das melhores pataniscas de Lisboa!

terça-feira, 2 de maio de 2017

Enoturismo no Douro (VI) : Quinta do Portal

...continuando:
Após uma visita à aldeia histórica de Provesende, classificada em 2001 como "aldeia vinhateira do Douro", seguimos para a Qtª do Portal onde fomos recebidos pelo Paulo Coutinho, responsável pela enologia que, com um discurso muito pedagógico, nos fez uma visita guiada aos vários pisos da nova adega desenhada pelo Siza Vieira. No decorrer da visita, tivemos a ocasião de provar:
.Portal Moscatel Galego 2016 (fresco, mineral, notas florais e acídulo)
.Portal Moscatel do Douro Reserva 2004 (muito fresco, presença de citrinos e doçura contida)
.Portal LBV 2011 (93 pontos no Parker, está tudo dito).
Seguimos para o restaurante Quinta do Portal, aberto ao público em 2014 e já recomendado na publicação Boa Cama Boa Mesa onde, no terraço com vistas para a vinha, provámos o Portal Tónico, uma refrescante bebida à base de Moscatel a que se adiciona lima, hortelã e água tónica, acompanhada por algumas tapas.
Foi uma boa introdução ao almoço que se lhe seguiu, com uma ementa escrita e preparada pelo jovem chefe Milton Ferreira. Desfilaram:
.Portal 2015 branco - aroma fino, presença de citrinos, notas vegetais e acídulas, volume e final de boca discretos. Nota 15,5.
Acompanhou bem o creme de ervilhas.
.Portal Grande Reserva 2009 - ainda com nariz intenso e muita fruta vermelha, alguma acidez e frescura, notas especiadas, taninos domados, algum volume e final de boca persistente. Nota 17,5.
É importante dizer que a colheita seguinte (2011) obteve o prémio "Melhor Vinho do Ano", no Concurso Vinhos Portugal 2016.
Harmonizou muito bem com o polvo assado com migas.
.Portal 10 Anos - nariz discreto, frutos secos, casca de laranja, alguma acidez e complexidade para a idade. Nota 16,5.
Maridou com arroz doce.
No final do repasto, pudémos contemplar uma enorme tela de 2 * 3,5 metros, da autoria do pintor belga Daniel Hompesh, radicado na Póvoa de Varzim e recentemente falecido. Tem o sugestivo título "La fête à Bachus dans le Douro".
A terminar esta bela jornada, o responsável pelo enoturismo, Januário de seu nome, guiou-nos pela Casa das Pipas, o pequeno mas simpático hotel da Qtª do Portal, altamente recomendável.
Com esta crónica dou por terminado o relato desta viagem ao Douro, fazendo votos para que a Tryvel  e a Maria João Almeida organizem mais com outras quintas.