sábado, 22 de julho de 2017

O blogue vai de férias

Mais uma semana, a última até ao final do ano, sem computador.
Ficam por publicar as crónicas:
.Vinhos em família (LXXX)
.Lumni, o novo poiso do Miguel Castro e Silva
.As recentes novidades da Qtª de Cidrô
.Novo Formato (27ª sessão)
Boas pingas e até ao meu regresso.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Curtas (LXXXIX) : maldades francesas, as conservas do Público e a garrafeira do José Casais

1.Maldades francesas (I)
Em férias recentes passadas no sul de França (entre Marselha e Nice), tive a ocasião de constatar como os franceses tratam mal os seus visitantes. Nos diversos jantares em hotéis de 4 estrelas, os copos postos na mesa eram francamente maus, os vinhos imbebíveis (não só pela má qualidade, como também pela temperatura a que eram servidos) e os talheres não eram trocados (aqueles que eram utilizados na entrada tinham que ficar para o prato principal!). Em boa verdade, o único local onde trocaram os talheres foi num hotel de 3 estrelas. Uma honrosa excepção.
2.Maldades francesas (II)
No filme francês "Duas Mulheres, um Encontro", ainda em cartaz e realizado por Martin Provost em 2017, as protagonistas (uma delas a Catherine Déneuve) beberam um Porto em flutes! Francamente, ninguém em França sabe aconselhar devidamente os responsáveis pelo filme? E nenhuma entidade portuguesa se insurgiu?
Curiosamente, um dia após ter visto este filme, visionei em casa o clássico "Morangos Silvestres", realizado pelo mestre Ingmar Bergman em 1957, onde também aparece uma cena em que se bebe Porto. Só que aqui houve o cuidado de o servir em cálices. Isto na Suécia 60 anos antes!
3.As conservas do Público
Com a periocidade semanal e sempre à  quinta feira , o Público está a vender (3,20 €) uma colecção de 14 conservas*, intitulada "Mar Português conservas de chef". Por exemplo, a receita da conserva que saiu hoje, "Biqueirão com lima e gengibre", é da chefe Marlene Vieira.
A produção é da fábrica A Poveira (Póvoa de Varzim) e o azeite virgem extra da Casa Anadia.
* também podem ser adquiridas nalgumas lojas Continente.
4.A garrafeira do José Casais
Abriu em 2016 a Garrafeira de Lisboa (Av. Sacadura Cabral,45A), nas antigas instalações da Vinalda.
O seu proprietário é o José Casais, o antigo patrão daquela distribuidora.
É um bonito e impressionante espaço onde se podem encontrar algumas (muitas) raridades vínicas que podem fazer as delícias de alguns coleccionadores, embora seja algo arriscado apostar nestas "velharias", a par de algumas novidades (poucas).
Este fabuloso espaço está um pouco desaproveitado e é pena não terem pensado num wine bar, pois boas condições não faltam.


terça-feira, 18 de julho de 2017

Soberba by Igor Martinho : um dia para esquecer

Embalado pela crítica gastronómica e pelo prestígio do Igor Martinho, chefe cozinheiro do ano em 2009, rumei ao Soberba arrastando comigo a minha companheira e um casal de amigos que gostam de comer e beber com qualidade. A respectiva reserva, que incluia um desconto de 30 % (bebidas à parte), foi feita através da plataforma The Fork.
Em má hora o fiz, pois correu quase tudo mal.
A carta normal não estava disponível, ficando a clientela "obrigada" a comer o menú do dia. Fiquei sem saber exactamente porquê, pois 2 dos empregados deram-me razões diferentes. A minha vontade foi zarpar dali, mas já passava das 13h30 e não tinha qualquer alternativa ali próximo. Mais, o menú de almoço poderia ter algumas propostas interessantes, entre os diversos pratos da autoria do chefe. Mas não. Salmão, frango, carapaus (a entrada também era com carapaus!) e bifanas eram as apostas do Soberba. Francamente, encontro melhor em qualquer tasca de Lisboa e arredores!
O restaurante está pessimamente localizado, a sala é ampla, mas ruidosa e com a música de fundo demasiado alta. Mesas bem aparelhadas, mas com guardanapos de papel, uma contradição.
Quanto à componente vínica, a lista é interessante e com alguma originalidade e preços decentes, os copos são bons e têm armários térmicos para controlo de temperaturas. Serviço eficiente e simpático.
Escolhemos o branco Olho no Pé Grande Reserva Vinhas Velhas 2011, um vinho que gosto particularmente. Azar, o vinho estava demasiado oxidado e imbebível. Veio uma 2ª garrafa, também ela oxidada, mas nos limites do bebível. Para não levantar mais problemas, foi aceite embora com alguma relutância. Sugeri ao empregado que retirassem o vinho da lista e pedissem ao produtor que o trocasse por outra colheita. Consultado hoje o site do Soberba, o vinho em causa ainda lá consta. Francamente...
Finalmente, a factura que veio para a mesa era muito confusa, pois aparecia um desconto que, só em casa, percebi que era falso, pois o preço do menú foi ampliado (dos 12,90 € da tabela, passaram para mais de 16 €). Feita a reclamação ao The Fork, acabei de ser compensado através da minha conta de cliente assíduo. Uma sentença salomónica!
Enquanto me lembrar do sucedido, Soberba by Igor Martinho nunca mais!

sábado, 15 de julho de 2017

Grupo dos 6 (4ª sessão) : Alvarinho, tintos de 2010 e 1 Madeira de excepção

Ainda desfalcado de um dos seus fundadores, este grupo de enófilos militantes reuniu na Casa da Dízima, restaurante de Paço d' Arcos muito badalado em diversas plataformas gastronómicas e nalguns blogues, incluindo o presente. Come-se muito bem por aqui e não é de mais elogiar o seu serviço de vinhos. O gerente deste espaço não estava (Pedro Batista que só apareceu no final para cumprimentar o grupo), mas a equipa, com o Carlos à cabeça, funcionou muito bem.
Quanto aos vinhos, levámos 1 branco em garrafa magnum, 3 tintos de 2010 e 1 fortificado. E eles foram:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2010 (levado pelo João Quintela) - bonita cor, ligeira oxidação, aromas terciários, algum floral, notas amanteigadas, acidez equilibrada, volumoso e final de boca persistente. Original e pleno de personalidade. Nota 18.
Acompanhou muito bem as duas entradas (vieiras com tártaro de atum e risotto de caranguejo real).
.Qtª do Mouro Rótulo Dourado (levado pelo Frederico Oom) - nariz contido, sabores terciários com predominância de especiarias, acidez no ponto, taninos civilizados, algum volume e final de boca longo. Está no ponto óptimo de consumo. Nota 18.
.Qtª Manoella Vinhas Velhas (levado pelo José Rosa) - aromas discretos, alguma fruta e especiarias, acidez q.b., taninos presentes, algum volume e final de boca. Prejudicado por um ligeiro toque de rolha. Acabou por desiludir. Nota 17.
.Kopke Vinhas Velhas (levado por mim) - enologia de Ricardo Macedo; com base nas castas Touriga Nacional e Sousão, estagiou 16 meses em barricas de carvalho francês; nariz exuberante, ainda com fruta, boa acidez, notas especiadas, taninos bem presentes, volume e final de boca assinaláveis. Elegante e sofisticado, ainda está longe da reforma, podendo ser bebido ainda nos próximos 6/7 anos. Um grande Douro, mas ainda longe da ribalta. Nota 18,5.
Estes 3 tintos acompanharam bochecha confitada com puré de favas.
.FMA Bual 1964 (levado pelo Juca) - frutos secos, notas de iodo e caril, vinagrinho bem presente, algum volume e final de boca interminável. Elegante e sofisticado. Um belo Madeira e um grande vinho em qualquer parte do mundo. Nota 19.
Acompanhou um creme queimado.
Grande sessão!

terça-feira, 11 de julho de 2017

Surf & Turf : mais um chefe no Mercado da Ribeira

O chefe Kiko Martins (O Talho, A Cevicheria e O Asiático) abriu, já há alguns meses, o Surf & Turf no Mercado da Ribeira. Este novo espaço situa-se no corredor lateral, com bancos ao balcão, fora da grande confusão da zona central, apresentando alguns dos pratos emblemáticos dos seus restaurantes. A ementa é curta (4 pratos frios, 4 quentes e 2 sobremesas), mas o pessoal é mais do que suficiente (contei 8 empregados). Serviço eficiente e simpático.
Em recente visita, deliciei-me com o risotto do mar de quinoa e croquetes de cachaço, uma adaptação de um  prato que já conhecia da Cevicheria e referido em "Cevichando em Lisboa", crónica publicada em 24/5/2015.
Quanto a vinhos inventariei 1 espumante (1 a copo), 1 champanhe, 2 brancos (1), 2 tintos (1) e 1 rosé. Lista curta e sem qualquer ano de colheita, o que é de lamentar.
Optei pelo branco A Cevicheria 2015, um vinho de Lisboa resultante de uma parceria do Kiko com o produtor Bento dos Santos - aromático, muito frutado e fresco, presença de citrinos e notas de melão, algum volume e final de boca. Uma boa surpresa. Nota 16,5+.
A garrafa veio à mesa, o vinho dado a provar num bom copo e servida uma quantidade generosa.
Os tintos estavam uns à temperatura ambiente e outros com a temperatura controlada. Confesso que não percebi o critério.
Como sobremesa, marchou uma saborosa queijada na banca "Recordações de Sintra", uma novidade no Mercado.
No WC, a cena repete-se: urinóis entupidos, torneira em falta e secadores de mãos avariados.
Ó senhores da Time Out, tenham atenção a estas situações. Não é só facturar!

domingo, 2 de julho de 2017

O Blogue vai de férias

Mais uma semanita sem computador. Ficam por publicar as crónicas:
.Surf & Turf no Mercado da Ribeira
.Grupo dos 6 (4ª sessão)
.Soberba by Igor Martinho
.Vinhos em família (LXXX)
Boas pingas e até ao meu regresso.

sábado, 1 de julho de 2017

Paralelo 45 : uma aposta vínica falhada

Tinha muita curiosidade em conhecer este Paralelo 45 (R. Castilho, 27B), cujo sub-título é Wine Lounge & Delicatessen, aberto em finais de 2016 e já altamente badalado numa série de revistas, sites e comentários de embevecidos clientes.
A aposta nos vinhos é fortíssima, a começar pelo nome. Paralelo 45 significa a linha de latitude ideal para a plantação de vinhas. Tem uma boa selecção de vinhos portugueses, mas também alguns franceses, italianos e de outros países.
Inventariei 4 espumantes (2 a copo), 3 champanhes (1), 1 Prosecco (1), 26 brancos (8), 32 tintos (9), 4 rosés (3) e 9 fortificados (5 Porto e 4 Madeira, mas zero Moscatéis), oferta mais que suficiente.
No entanto tem 2 falhanços incompreensíveis e lamentáveis, para quem aposta nos vinhos.
1º falhanço: os anos de colheita estão omissos.
2º falhanço: os tintos estão à temperatura ambiente.
Em relação a este último, o empregado ainda tentou dar-me a volta, dizendo que as temperaturas eram aceitáveis. Para provar a sua afirmação foi buscar um termómetro eléctrico, mas que não funcionou por falta de pilhas! Acabou por ser o 3º falhanço.
Este espaço tem, pelo menos à hora do almoço, um menú com direito a entrada ou sopa, prato, bebida e café, a troco de 14 €.
O vinho a copo foi o Vinha da Foz 2015 - fresco e mineral, acídulo, volume e final médios. Nota 15,5. Optei pelo branco, pois o tinto estava quente.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar em copo razoável.
A sala está bem decorada e o espaço é requintado, embora com toalhetes e guardanapos de papel, uma contradição. O serviço, eficiente e simpático, está reduzido aos mínimos, com uma empregada sénior atrás de um balcão e um único empregado (muito jóvem e inexperiente) na sala. Em caso de eventual enchente, deve ser o caos.
Faço votos para que os falhanços apontados sejam corrigidos, pois o espaço merece-o.