quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Os 25 anos do projecto João Portugal Ramos (JPR) - 2ª parte

continuando...
3.O início da comemoração
As comemoração dos 25 anos do projecto JPR desenrolaram-se no magnífico Palácio da Cidadela de Cascais, visitável mediante inscrição no Museu da Presidência da República. Uma visita imperdível!
Participaram cerca de 140 pessoas, parte considerável ligada ao universo JPR incluindo a respectiva família, mas também a comunicação social especializada e generalista e, ainda, representantes da blogosfera.
A concentração dos convidados fez-se na esplanada exterior do Palácio, com uma vista espectacular para a baía de Cascais, mas prejudicada por um frio de rachar que se fez sentir naquele final de tarde. Para aquecer os corpos e as almas foi servido o espumante Alvarinho Reserva 2014 Bruto, fresco e elegante, acompanhado pela belíssima voz da Diana Castro apoiada pelo Luis Roquete.
Foi o momento de convívio quente e frio, após o qual os participantes passaram para o local onde se ia jantar.
Já com as pessoas nas mesas, foi projectado um vídeo comemorativo da efeméride. Seguiram-se as intervenções do anfitrião e do ministro da economia.
4.O jantar
O repasto foi servido pela empresa "As Olguinhas" (Teresa e Luisa Roquete), sendo de aplaudir o facto de os vinhos terem sido decantados previamente, servidos com temperaturas controladas e em copos Riedel. Um luxo!
O JPR pregou-nos uma partida, pois no menú não constavam os nomes dos vinhos, tendo sido servidos às cegas, o que originou alguns palpites errados e discrepâncias nas avaliações de cada um. Foi o próprio JPR que, no final do repasto, fez as respectivas descodificações.
O vinho branco era o Vila Santa Reserva 2016, com base nas castas Arinto, Alvarinho e Sauvignon Blanc e fermentação parcial em barricas novas de carvalho francês, apresentou-se muito fresco e mineral, harmonizando muito bem com uma entrada de ceviche de robalo e manga. O perfil apresentado não me pareceu nada alentejano e baralhou-me as contas.
Foi com a maior das surpresas que fiquei a saber que o vinho tinto era o Marquês de Borba Reserva 2011, pois não me passou pela cabeça que pudesse ser da colheita de 2011, tal a juventude apresentada. Até comentei aos meus parceiros de mesa que era pedofilia pura estar a beber aquele vinho e que se deveria esperar mais 5 ou 6 anos. Mais um vinho a baralhar-me as contas. Com base nas castas Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon e Trincadeira, estagiou 12 meses em meias pipas de carvalho francês. Apresentou-se com os taninos algo violentos, um grande volume e final de boca longo. Com uma boa acidez, especiado e complexo, é um vinho claramente de guarda e mereceu um dos Prémios de Excelência atribuídos pela Revista de Vinhos (a antiga). Quem diz que os tintos alentejanos são para beber novos? Este,não!
Passou um pouco por cima do prato, um lombo de vaca "au poivre" com batata e espargos gratinados.
Seguiu-se-lhe  o Vinho do Porto que era o Duorum Vintage 2007. Também este achei que era pedofilia bebê-lo nesta altura, pois pareceu-me bastante mais novo. Com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca eTinta Roriz, apresenta-se com muita fruta preta, muito estruturado e com grande longevidade. Também é melhor esperar por ele mais 10 a 12 anos.
Não casou muito bem com a sobremesa, uma pinha de avelã. Um bolo à base de chocolate ligaria muito melhor.
5.O que faltou dizer
5.1.Quando fui responsável pela coluna "Viagens no Reino de Baco" no extinto vespertino A Capital, a minha 2ª crónica, publicada em 8/8/1998, foi dedicada ao JPR e intitulada "João Portugal Ramos : os vinhos de autor" e começava assim "Dificilmente este nome deixará indiferente o leitor. O engº João Ramos é,seguramente, o enólogo responsável pelo maior número de vinhos de qualidade que se produzem no nosso país, de Norte a Sul.(...)".
5.2.Contaram-me há anos que, quando foi produzida a 1ª edição do Anima pela Herdade Portocarro, o JPR às cegas, não conhecendo o vinho em prova, identificou de imediato a casta San Giovese. Bingo!

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