terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Delidelux : mais um espaço de restauração

A Delidelux abriu um 2º espaço (R. Alexandre Herculano,15A), cujo subtítulo é "Mercearia Charcutaria Cafetaria". Mas, em boa verdade, à semelhança do Descobre, é um restaurante com uma componente de garrafeira e produtos gourmet (chás, conservas, compotas,...) ou uma garrafeira com uma componente de restauração.
Este novo espaço não é muito confortável, com as mesas ao longo do corredor e em duas salas minúsculas. As mesas estão despojadas, nada tendo em cima do tampo de pedra, mas com guardanapos de pano. Uma contradição!
A mais valia poderá ser no tempo mais quente, ao usufruir-se da esplanada no exterior.
O menú disponibiliza 10 saladas, 4 tártaros, 5 pratos e 4 sobremesas, tudo para o caro.
Quanto a vinhos, a sua componente de garrafeira permite uma escolha ampla, cobrando a Delidelux 5,50 € por garrafa escolhida. Também se pode optar por vinho a copo, estando disponíveis 2 espumantes, 1 champanhe, 6 brancos, 4 tintos, 1 rosé, 5 Portos e 2 Moscatéis, mas lamentavelmente nenhum está datado, o que é uma discrepância. Óh senhores da Delidelux, corrijam lá isso!
Bebi um copo do branco Lua Cheia em Vinhas Velhas 2015 (4 €) - fresco e frutado, presença de citrinos e maçã verde, acidez no ponto, algum volume e final de boca agradável. Uma boa surpresa. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo Schott e em boa quantidade. A temperatura dos tintos está controlada, graças à presença de armários térmicos.
O vinho acompanhou um saboroso caril de gambas e sapateira.
Uma agradável nota final: quando do pagamento da conta, oferecem um talão de desconto no valor de 2 €, que pode ( e deve, digo eu) ser aproveitado em compras no local.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Próximos eventos a não perder : Portugal Restaurant Week e Mercado Gourmet Campo Pequeno

1.Portugal Restaurant Week
Começou no dia 23 para clientes Millennium, mas democratiza-se no período de 2 a 12 de Março com cerca de 60 restaurantes aderentes na Grande Lisboa (Lisboa, Cascais e Sintra).
Por 20 € pode comer-se em restaurantes caros, com direito a entrada, prato e sobremesa, ficando de fora as bebidas. Reserva obrigatória no site do The Fork, a entidade organizadora.
Mais informações em www.fork.pt.
2.Mercado Gourmet no Campo Pequeno
Decorrerá de 3 a 5 de Março, na Praça de Touros, custando 2 € cada entrada, dedutíveis em compras num dos 160 expositores (vinhos, cervejas artesanais, azeites, queijos, charcutaria e outros produtos de mercearia fina).
Mais informações em www.campopequeno.com.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Vinhos em família (LXXVIII) : 3 tintos 2011 e 1 Colheita

Mais 4 vinhos (3 tintos de 2011 e 1 Colheita de 1997) provados em casa e com os rótulos à vista, todos a portarem-se bem. E eles foram:
.Foz Torto Vinhas Velhas - nariz contido, alguma fruta vermelha, notas de esteva, acidez no ponto, especiado, taninos domesticados, volume médio e final de boca longo. Resultado de uma parceria de dois Tavares da Silva, o Abílio (produtor) e a Sandra (enóloga) que, curiosamente, nada são um ao outro. Beber nos próximos 3/4 anos. Nota 17.
.Telhas - com base nas castas Syrah e Viognier, estagiou 24 meses em barrica; aromático, ainda com fruta, notas de lagar e pimenta, acidez equilibrada, taninos firmes e civilizados, algum volume e final de boca. Complexo e uma grande surpresa vinda do Alentejo. No ponto óptimo de consumo. Nota 18.
.Mouchão (95 pontos no Parker) - com base na casta Alicante Bouschet, estagiou 24 meses em carvalho português e 36 meses em garrafa; alguma fruta, aromas terciários, notas de lagar, acidez q.b., taninos vigorosos, volume e final de boca assinaláveis. A meio caminho entre a frescura e a potência, evoluirá bem nos próximos 4/5 anos. Nota 18.
.Qtª do Crasto Colheita 1997 (engarrafada em 2016) - com base em vinhas velhas, envelheceu cerca de 18 anos em pipos de carvalho nacional de 550 litros; muita fruta vermelha, aromas terciários, frutos secos, a meio caminho entre um 10 anos e um 20, alguma complexidade, acidez e volume, final de boca persistente. Nota 17+.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Jantar Olho no Pé

Mais um jantar vínico em que participei, organizado pela Néctar das Avenidas. Desta vez foi no restaurante Sem Dúvida e com a presença do Tiago Sampaio, produtor e enólogo dos vinhos Olho no Pé. Na sua intervenção inicial, apraz-me registar uma referência muito simpática aos fundadores da extinta loja Coisas do Arco do Vinho (o Juca e eu) e aos seus primeiros contactos que teve connosco.
O Sem Dúvida é um espaço de restauração muito simpático, onde se come bem e se usufrui de um serviço impecável, estando o dono, Sérgio de seu nome, sempre presente.
Os vinhos foram chegando à mesa sempre antes da comida e num ritmo de aplaudir. Os copos eram Ridel e Schott, uma mais valia. O único senão, foi o facto de haver em simultâneo clientes do restaurante que, apesar da separação física, fizeram muito ruído.
Mas vamos ao mais importante, os vinhos:
.Uivo Rabigato 2015 (o único que não adotou o nome Olho no Pé) - aroma discreto, fruta cítrica, fresco e equilibrado, acidez no ponto, notas amanteigadas, volume e final de boca médios. Boa relação preço/qualidade. Nota 16,5.
Acompanhou empadinhas de aves.
.Olho no Pé Pinot Noir Reserva 2011- estagiou 30 meses em barrica; aberto na cor, fruta "light", fresco e elegante, taninos de veludo, volume e final de boca discretos. A beber nos próximos 4/5 anos. Nota 17.
Casou mal com aumônière (não haverá um termo em português?) de alheira e grelos.
.Olho no Pé Reserva Vinhas Velhas 2014 branco - com base nas castas Viosinho, Rabigato e Gouveio,  em vinhas com mais de 80 anos, estagiou 12 meses em barricas; aroma intenso e complexo, fruta madura, acidez equlibrada, alguma gordura, madeira bem casada, volume e final de boca notáveis. Gastronómico e com uma excelente relação preço/qualidade. Nota 18.
Casou bem com uma saborosa tranche de garoupa e arroz de lingueirão, demasiado "al dente". Também aguentava o prato anterior.
.Olho no Pé Reserva Vinhas Velhas 2011 tinto - vinificado em lagar com pisa a pé, estagiou 40 meses em barricas usadas; fruta vermelha, fresco e elegante, especiado, notas de chocolate e café, taninos sofisticados, algum volume e final de boca longo. Mais um vinho com uma excelente relação preço/qualidade. Em forma mais 5/6 anos. Nota 18.
Harmonizou com cachaço de porco e batata recheada.
.Olho no Pé Colheita Tardia 2012 - estagiou 30 meses em barrica; casca de laranja e tangerina, notas de mel, alguma acidez e gordura, volume notável e muito equilibrado. Nota 17,5.
Ligou bem com carpaccio de ananás com gelado de limão.
De registar com muito agrado o equilibrio da componente vínica com 2 brancos, 2 tintos e 1 colheita tardia, todos com teor alcoólico e preço contidos.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Curtas (LXXXV) : o enólogo do ano, a Essência do Vinho e o mercado do CCB

1.O enólogo do ano
Finalmente, fez-se justiça!
A Revista de Vinhos acabou por atribuir ao Jorge Serôdio Borges o prémio especial de enólogo do ano 2016. Sobre este "esquecimento" já me tinha pronunciado em "Revista de Vinhos : 15 anos de prémios" e "Rescaldo dos prémios 2011 da Revista de Vinhos", crónicas publicadas em 28/1/2013 e 12/2/2012, respectivamente.
Mais vale tarde que nunca...
2.A Essência do Vinho
Vai decorrer no Palácio da Bolsa no Porto, de 23 a 26 de Fevereiro, mais uma edição deste evento vínico organizado pela revista Wine que contará com a presença de 350 produtores. Para além das provas habituais abertas ao público participante, estão previstas 3 provas comentadas.
3.O mercado do CCB
Já aqui referido em "Curtas (LI) : livros, mercados, (...)" e "Curtas (LX) : O Mercado do CCB (...)", crónicas publicadas em 17/2/2015 e 9/6/2015, continua a realizar-se no 1º domingo de cada mês. É lá que me abasteço e recomendo as seguintes bancas, algumas das quais mencionadas nas crónicas acima indicadas:
.Doces da Paulinha (coelho vilão, conserva de cogumelos e chutney de cebola)
.Susana Cavaco  (paté de fígado e chutneys)
.Portney (chutneys diversos)
.Serra da Estrela (queijos e biscoitos)
.Bolos & Bolachas (farinha torrada e biscoitos)
.Tudo à porta (azeite e enchidos)
.Tradições do campo (azeitonas, alheiras e outros enchidos)
.Mother bio (frescos, empadas e queijos)
.Manjericos no quintal (produtos da terra)
.Guli (chamussas)
.Sr. Mel Cavalheiro (meles)
Boas compras!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Jantar Qtª Vale D.Maria

Mais um evento organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas em que participei. Este jantar vínico decorreu no restaurante do Real Palácio e teve a participação da Francisca van Zeller, filha do Cristiano e que deu a cara pelo produtor.
Diga-se já que achei a oferta vínica algo desequilibrada, com a quase omnipresença dos tintos (4) e 1 fortificado. Fez mesmo muita falta um branco para acompanhar os canapés, pois o tinto Rufo 2014 não conseguiu casar com os ditos. Foi mais um divórcio...
Seguiram-se:
.Qtª Vale D.Maria Três VVV Valley 2014 - aroma intenso, muito frutado, alguma acidez, ligeiramente especiado, taninos suaves, volume e final de boca médios. Boa relação preço/qualidade. Nota 17+.
Não ligou com um estaladiço de queijo de cabra em cama de rúcula e mel.
.Qtª Vale D.Maria 2014 - nariz positivo, muita fruta vermelha, acidez equilibrada, especiado, taninos intensos mas civilizados, algum volume e final de boca longo. Este vinho sempre me deu muito prazer bebê-lo e tenho registado a boa prestação das colheitas 1997, 1998, 2000, 2001 (a mais bebida), 2002, 2003, 2004, 2005 (talvez a melhor), 2006, 2007, 2010 e 2011 (também muito boa). Nota 18.
Harmonizou bem com vitela branca grelhada com risotto de portobello.
.Qtª Vale D.Maria Vinha da Francisca 2014 - neste momento muito semelhante ao vinho anterior, não se justificando a diferença abismal de preços. Passados uns dias, o João disse-me que o voltou a provar 24 horas depois e que tinha evoluido muito bem. Acredito, mas de qualquer modo estes 2 tintos ainda estão demasiado jovens para serem devidamente apreciados. Nota 18.
Bebido a solo.
.Qtª Vale D.Maria Vintage 2014 - muita fruta, muita doçura, taninos de veludo. Mais próximo de um bom LBV. Nota 16,5.
Ligou bem com um brownie de chocolate e sorbet de cereja.
O jantar decorreu com bom ritmo, os copos eram bons, o serviço esforçado, mas os primeiros 2 vinhos foram servidos a uma temperatura acima do desejável.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Almoço com Bual 1920 e outras pingas de eleição

Em boa hora o Frederico Oom, cliente da Garrafeira Néctar das Avenidas, decidiu partilhar com um grupo de enófilos militantes uma garrafa de Madeira Blandy's Bual 1920, um fortificado badalado nas principais revistas especializadas de todo o mundo.
O João Quintela assumiu a organização do evento, escolheu o Via Graça para o repasto, combinou as harmonizações com o João Bandeira (prestigiado chefe e proprietário deste espaço e da Casa do Bacalhau) e fez os convites.
Cada um dos sortudos trouxe consigo uma garrafa de um vinho de referência, a saber:
.Terrantez do Pico by António Maçanita 2015 (garrafa nº 1084/1413, levada pelo Adelino de Sousa) - frutado, fresco e mineral, notas florais, elegante e sofisticado. Pode ser bebido ainda por alguns anos. Nota 17,5.
Acompanhou croquetes e pasteis de bacalhau.
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2011 (magnum trazida pelo João Quintela) - belíssima cor, aromas terciários, fruta madura, notas amanteigadas, alguma oxidação, acidez fabulosa, volume notável e final de boca adocicado. No ponto óptimo de consumo, já não vale a pena guardar mais. Nota 18 (noutras situações 17,5+/17,5/17,5/18).
Maridagem perfeita com sável frito e açorda de ovas do mesmo.
.Qtª da Falorca Garrafeira 2007 (da garrafeira do Juca) - aroma intenso, notas florais, elegante e fresco, especiado, notas de chocolate, taninos de veludo, volume apreciável e final de boca persistente. Ainda muito longe da reforma, pode ser bebido daqui por 8/10 anos. Nota 18,5.
Perfeito com um excelente robalo da costa no pão, também acompanhado pelo alvarinho anterior.
.CV-Curriculum Vitae 2007 (levado por mim) - aroma intenso, especiado, notas de tabaco, acidez equilibrada, taninos civilizados, algum volume e final de boca; álcool excessivo (15,5 %). A beber nos próximos 2/3 anos. Nota 18 (noutras 18/18,5/18/18).
.Robustus 2007 (trazido pelo José Rosa) - aroma complexo, ainda com fruta, acidez nos mínimos, taninos "light", volume e final de boca médios. Pouco robusto, está no ponto para ser bebido. Nota 17,5 (noutra 18).
Estes 2 tintos maridaram com bochechas de vitela e risotto de cogumelos, que não apreciei devidamente, pois já estava mais que almoçado.
.Blandy Bual 1920 (sem data de engarrafamento) - frutos secos, vinagrinho, notas de iodo e brandy, taninos evidentes, vilume notável e final de boca interminável, ficando o aroma a pairar na sala uns tempos. Nota 19 (noutras 19,5/19,5/19/19,5).
Fez-lhe companhia uma sobremesa de leite creme e gelado de café.
Grande sessão, com boa gastronomia, vinhos de excepção, um serviço à altura e vistas de cortar a respiração. Obrigado Frederico! Obrigado João!

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Lampreia e Sável no Hotel Mundial

Ao receber um convite do Hotel Mundial, veio-me à memória a minha participação em diversos jantares vínicos ali ocorridos, organizados pela Revista de Vinhos em colaboração com o Manolo Carrera, um grande profissional e um verdadeiro apaixonado pela gastronomia lisboeta. Não conseguia resistir à petisqueira alfacinha, enchendo o prato por diversas vezes.
Recentemente o Hotel Mundial convidou algumas pessoas* para um almoço de apresentação do evento da Lampreia e do Sável, presente na ementa do restaurante até 12 de Março.
Por 34 €, tem-se direito a entrada, prato, sobremesa e bebidas (vinho verde branco e tinto, água e café). Nas entradas, a opção é entre a sopa do dia ou as ovas de sável em polme de coentros e maionese de laranja, enquanto que o prato principal pode ser escolhido entre 2 referências de lampreia (à bordalesa ou à moda de Monção) e 2 de sável (frito com escabeche de presunto ou dourado com açorda de frutos do mar).
No almoço de apresentação, foram servidas as ovas de sável (francamente agradáveis), o sável dourado com açorda (que não me convenceu, pois o polme não fez falta nenhuma e a açorda não tinha as tradicionais ovas) e a lampreia à bordalesa (saborosíssima). À atenção dos militantes da dita lampreia!
Em copos Schott, foram servidos os vinhos (branco e tinto) de um produtor particular de Monção.
O branco, já da colheita de 2016, com base nas castas Alvarinho e Trajadura, apresentou-se muito fresco e frutado, com a acidez e gás natural muito equilibrados, elegante e com um final de boca ligeiramente adocicado. Nota 16,5.
Quanto ao tinto, embora tivesse uma acidez não demasiado pronunciada, exibia o tradicional gás, o que não é a minha praia. Simpaticamente o director geral do hotel, presente no almoço onde estavam mais 4 pessoas ligadas ao Mundial, mandou abrir uma garrafa do tinto Lupucinus Reserva 2013 (Douro) que se aguentou com a lampreia. Apresentou aromas primários intensos, fruta vermelha, alguma acidez, taninos de veludo, algum volume e final de boca. Nota 17.
Numa das pontas da sala, junto à janela, pode ver-se uma placa com os nomes do José Saramago e da Pilar del Rio e a data do seu primeiro encontro, a 14 de Junho (embora não conste, o ano foi 1979), que aconteceu no bar São Jorge. Segundo me explicaram, eles ficavam sempre na mesma mesa, que se situava muito próximo do local onde agora se encontra a placa comemorativa. Entre outras coisas, o Hotel Mundial respira história...
No final do almoço, tive a oportunidade de visitar a cave, onde repousam algumas relíquias (vinhos velhíssimos, alguns Madeira e Vintage de referência e, ainda a indispensável presença da colheita de 1965 de Barca Velha, entre outras).
* Vicente Themudo de Castro (crítico de gastronomia e vinhos no Oje, responsável pela área de vinhos do grupo Albatroz e antigo cliente das Coisas do Arco do Vinho), Vitor Carriço (Turismo de Liboa), João Pedro Rato e Patricia Serrado (Mutante Magazine) e eu próprio (o único representante da blogosfera).

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Testando o serviço de vinhos (IV) : Paço da Rainha, InComum e Baía do Peixe

1.Paço da Rainha
Este restaurante fica no Paço da Rainha,66 e apresenta mesas bem aparelhadas, guardanapos de pano e a televisão acesa, mas sintonizada para um canal de rádio (o Mooth) com música baixinho e a meu gosto.
Tem alguns vinhos a copo, tendo eu optado pelo branco Duque de Viseu 2014 (3,50 €), despretensioso, mas correcto e gastronómico. Nota 16,5. Acompanhou cavala marinada e folhado de bacalhau com couves, pratos bem agradáveis.
A garrafa veio à mesa, mas o vinho não foi dado a provar. Bons copos e quantidade servida correcta. Têm armários térmicos para controlo de temperatura dos tintos. Serviço atencioso e competente, com o chefe António Latas a vir às mesas. Uma mais valia.
Uma nota simpática, no final da refeição ofereceram um Porto ruby em mini copo.
Este espaço tem sido muito falado, com críticas positivas na Fugas, Evasões e Time Out.
Recomendo e tenciono voltar, até para inventariar a carta de vinhos, o que não cheguei a fazer desta primeira vez.
2.InComum
O InComum já foi aqui referido em "Testando o serviço de vinhos (II)", crónica publicada em 6/6/2015. Mantém o menú almoço de 2ª a 6ª feira que custa os mesmos 9,50 €, com direito a couvert, sopa/salada, prato, sobremesa e vinho.
Bebi o branco Caiado (o vinho da casa, como em tantos outros restaurantes), simples e correcto.
A garrafa veio à mesa, mas o vinho não foi dado a provar. Os copos são aceitáveis e o serviço simpático.
3.Baía do Peixe
Este espaço está instalado na Praça de Touros do Campo Pequeno e é uma cópia da casa mãe de Cascais. Também oferece um menú de almoço. Por 11,50 €, tem-se direito a sopa de peixe, prato de peixe e sobremesa, sendo as bebidas à parte.
A lista de vinhos é pouco imaginativa e sem os anos de colheita, mas com preços honestos.
A copo, só têm o Adega Vila Real, o que não faz sentido. Optei pelo branco 2015 (2,50 €) - aromático, muito fresco, frutado e com uma bela acidez. Uma boa surpresa. Nota 16.
A garrafa veio à mesa, mas o vinho não foi dado a provar. O copo era bom e a quantidade servida, generosa.
4.Conclusão
Em nenhum destes espaços de restauração, o vinho foi dado a provar, o que é de lamentar.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Grupo dos 3 (55ª sessão) : grandes vinhos e um serviço de luxo

Mais uma sessão deste núcleo duro de enófilos, sendo da minha responsabilidade a escolha do restaurante e a oferta dos vinhos. Até agora tenho conseguido encontrar um novo restaurante, sempre que sou eu o anfitrião. Já são 19 os escolhidos, só que 7 já encerraram (Nariz de Vinho Tinto, A Commenda, Assinatura, Xico's, Manifesto, Avenue e BG Bar) e outro (Casa da Comida) alterou radicalmente a sua filosofia. Será que lhes dou azar?
Desta vez foi o Descobre, um espaço de restauração que gosto muito e já aqui referido em diversas crónicas. Levei 4 vinhos da minha garrafeira (1 branco, 2 tintos e 1 Moscatel) que não me deixaram ficar mal. E eles foram:
.Vinha Formal Cerceal Parcela Cândido 2015 - aroma contido, fresco e mineral, acidez bem balanceada, alguma gordura e um bom final de boca. Muito gastronómico. Nota 17,5 (noutra situação 18).
Acompanhou bem um conjunto de entradas (queijo de ovelha com doce de malagueta, pica de cogumelos com gema de ovo e pica de lulinhas).
.Nunes Barata Grande Reserva 2011 - Com base nas castas Alicante Bouschet, Syrah, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional, em vinha na zona do Cabeção (Mora, Alentejo), estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; muito frutado, alguma acidez, notas de chocolate e café, boca pujante e final de boca extenso. Um vinho praticamente desconhecido e com um perfil pouco alentejano, mas que me encantou no evento Vinhos do Alentejo 2015. Nota 18 (noutra também 18).
.Grandes Quintas Vinhas do Cerval 2011 - com base nas castas Tinto Cão, Touriga Franca, Touriga Nacional, Sousão, Alicante Bouschet e Tinta Roriz, estagiou 24 meses em barricas de carvalho francês (50 % novas e 50 % usadas); nariz discreto, acidez no ponto, notas especiadas, elegante e sofisticado, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis. Mais um belo tinto também pouco conhecido, mas o vinho que mais me impressionou no EVS 2015. Nota 18,5 (noutra também 18,5).
Estes 2 tintos harmonizaram muito bem com um cabrito no forno (o prato do dia às segundas feiras no Descobre).
.Moscatel Roxo 20 Anos (engarrafado em 1986, formato 0,75) - aromas terciários, frutos secos, algum mel, acidez presente, volume e final de boca equilibrados. Harmonioso e uma raridade. Nota 17,5+.
Este fortificado acompanhou umas tantas sobremesas (doce de ovos com sorvete de limão, mousse de chocolate negro e tarte de amêndoa).
Mais uma boa sessão, com os vinhos a portarem-se bem e uma gastronomia à altura dos acontecimentos. Nota alta para o serviço de vinhos, com os ditos decantados, bons copos e temperaturas controladas.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Dr. Wine : um espaço 3 em 1, com direito a bacharelato

O Dr. Wine (Rua da Assunção,82) é um espaço 3 em 1 (Wine Bar, Tapas & Restaurante), cuja filosofia está bem expressa num cartaz que diz "Primeiro comemos, depois fazemos tudo o resto". Tem toalhas de pano, mas guardanapos de papel e televisão acesa, Contradições, enfim...
A aposta nos vinhos é forte, com uma carta pujante e didáctica, embora os preços não sejam meigos. Possui ainda armários térmicos para os tintos, com a temperatura aferida para os 18º, nos limites do aceitável.
Inventariei 8 champanhes, 6 espumantes (3 a copo), 37 brancos (25), 47 tintos (21), 9 rosés (7), 18 Portos, 7 Madeiras e 3 Colheitas Tardias (todos a copo), não tendo sido esquecidos os anos de colheita.
Os dois primeiros vinhos a copo pedidos não tinham a temperatura controlada, pelo que foram rejeitados. Em sequência, vieram 2 garrafas dadas a provar para eu escolher uma.
Optei pelo tinto Herdade Myrtus Reserva 2011 - ainda com muita fruta, alguma acidez, notas especiadas, estruturado e final de boca médio. Nota 16,5+.
Este vinho acompanhou 3 agradáveis tapas (tiborna de lombo de bacalhau, risotto trufado com cogumelos selvagens e foi gras e, ainda, croquete de presunto ibérico), quantidade mais que suficiente.
O Dr. Wine disponibiliza um menú executivo, de 2ª a 6ª feira ao almoço. Por 9,60 € tem-se direito a prato, entrada ou sobremesa, bebida e café. Uma proposta honesta para uma refeição completa.
Serviço atencioso e eficiente.
Embora se fique pelo bacharelato, tenciono voltar.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Comemorar os 50 anos (versão 2017)

À semelhança dos anos anteriores, fiz um levantamento da oferta de fortificados de 1967, com incidência nas garrafeiras da baixa de Lisboa, deixando de lado as mais recentes e quase todas as mais afastadas.
Para quem quiser comemorar o 50º aniversário do nascimento, casamento, divórcio ou qualquer outro pretexto, tem o trabalho facilitado. É só escolher, entre estes:
1.Garrafeira Nacional
.Dalva Colheita - 159 €
.Kopke Colheita - 175
.Kronh Colheita - 237,50
.Taylor´s Single Harvest - 324,80
.Krohn Vintage - 290
.Noval Nacional Vintage - 857,50
.Real Companhia Velha Vintage - 249
2.Casa Macário
.Barros Colheita - 218
.Dalva Colheita - 270
.Kopke Colheita - 195
.Krohn Colheita - 330
.Poças Colheita - 190
.Krohn Vintage - 370
3.Manuel Tavares
.Barros Colheita - 198
.Krohn Colheita - 287
.Niepoort Colheita - 430
.Niepoort Garrafeira - 890
4.Napoleão
.Messias Colheita - 199,95
5.Mercado Praça da Figueira
.Kopke Colheita - 165
.Krohn Colheita - 208
6.Vinhos de Selecção (ex-Ruao Wines)
.Barros Colheita - 122,50
7.Estado d' Alma
.Barros Colheita - 132,95
.Dalva - 145
.Poças - 110
8.Garrafeira São João
.Barros Colheita - 90,85
De referir:
.A Garrafeira Nacional e a Casa Macário continuam a ser as grandes referências para compras de vinhos mais antigos.
.Há grandes discrepâncias nos preços praticados, chegando a haver diferenças de mais de 100 € para o mesmo vinho, num caso ou noutro.
.O Solar do Vinho do Porto, que deveria ser uma montra de tudo o que se relacione com este fortificado, mais uma vez nada tinha do ano em causa.
Comemoremos, então, a qualquer coisa, pois a oferta é muita!
E, para o ano, cá estaremos com a colheita de 1968.