quinta-feira, 23 de março de 2017

Porto Extravaganza:os Garrafeiras da Niepoort (II)

2.O jantar
O título desta crónica pode enganar, pois neste jantar em que participei no 1º dia do Porto Extravaganza os Garrafeiras ficaram de fora. Nesta segunda parte do evento que decorreu no restaurante do Palácio de Seteais, tivemos a oportunidade de provar/beber 7 vinhos da Niepoort (1 rosé, 1 branco, 3 tintos e 2 fortificados) devidamente apresentados pelo Dirk que também participou no jantar.
De um modo geral a comida ficou abaixo das expectativas, o serviço cumpriu, as temperaturas dos vinhos eram mais ou menos as correctas, mas os copos Zalto (uma marca para mim desconhecida) tiveram que ser avinhados para acudir às necessidades. Cada vez que pegava num copo, ficava com o credo na boca, pois tinham um pé extremamente fino que se podia partir em qualquer momento.
O que bebemos e comemos? Ei-los:
.Redoma 2016 rosé - aroma intenso, notas apetroladas, alguma acidez e final de boca amargo. Nota 15.
Acompanhou camarão, mexilhão e lula em caldo de Bulhão Pato.
.Conciso 2015 (Dão) branco - com base nas castas Bical, Encruzado e Malvasia Fina; presença de citrinos, fruta cozida, fresco e mineral, acidez pronunciada, madeira bem casada, elegante e equilibrado, volume e final de boca assinaláveis. Longevo e gastronómico. Nota 17,5.
.Conciso 2012 (Dão) tinto - fresco com acidez demasiado presente, notas de caruma e resina, taninos rugosos, volume médio e final de boca persistente. Desequilibrado. Nota 15,5.
Estes 2 vinhos do Dão fizeram companhia a um pregado com carolino de mexilhão e tinta de choco, mas enquanto o branco harmonizou, o tinto conflituou.
.Charme 2014 - muito fresco, elegante e sofisticado, , acidez no ponto, taninos civilizados, volume e final de boca médios. Prejudicado por ter chegado à mesa gelado (!?). Nota 17,5.
.Batuta 2013 - nariz intenso, muita fruta vermelha, acidez equilibrada, especiado, taninos vigorosos, mas elegante e harmonioso, volume e final de boca apreciáveis. Nota 18.
Estes tintos casaram bem com um magret de pato.
Quase a fechar, foram servidos uma amostra do Vintage 2015, cheio de fruta e taninos, anunciando um bom futuro e, ainda, o Colheita 1974.
Acompanharam um "feulletine" de chocolate.
No fim do repasto, foi servida com o café a Aguardente Vínica Velha que já não provei.
Como conclusão, o jantar ficou uns furos abaixo da prova dos 10 Garrafeiras da Niepoort, que chegou a um inesquecível patamar de excelência.

terça-feira, 21 de março de 2017

Porto Extravaganza : os Garrafeiras da Niepoort (I)

1.A prova
Começo por dizer que neste 1º dia do Porto Extravaganza, dedicado aos Garrafeiras da Niepoort e que decorreu no Palácio de Seteais (Sintra), participei numa prova irrepetível que só acontece uma vez na vida!
Superiormente organizada pelo Paulo Cruz, o dono do Bar do Binho em Sintra, teve como primeiro anfitrião o Dirk Niepoort, o grande embaixador dos vinhos portugueses e animador dos Douro Boys.
O Dirk, coadjuvado pelo José Nogueira, seu adegueiro e reputado alquimista, apresentou 10 Porto Garrafeira do mais recente (1977) ao mais antigo (1931).
Foi um momento de veneração e partilha daqueles impressionantes néctares, não dando ocasião para poder escrever as minhas impressões sobre cada um deles. Limitei-me a pontuá-los, mas, para mim, ficou claro que os últimos 5 estão num patamar superior em relação aos 5 primeiros, que vieram com uma temperatura acima do desejável. No entanto o Dirk afirmou-me que os mais recentes chegariam ao nível dos outros. Era só uma questão de tempo. Poderá ser, mas já cá não estarei para confirmar.
Em relação aos Garrafeira e para quem não saiba, a brochura editada pela Niepoort refere "A segunda geração da família, no final do século XIX, teve a feliz ideia de adquirir a uma vidreira alemã de Oldenburg cerca de 4000 garrafões (demijohns). Eduard Marius van der Niepoort, avô de Dirk, deu destino aos demijohns e engarrafou os melhores vinhos da vindima de 1931, tendo assim criado o Garrafeira Niepoort." Acrescente-se que o Garrafeira permanece alguns anos em pipas antes de envelhecer cerca de 30 anos nos referidos garrafões de vidro, o que lhe dá um perfil muito particular e único.
Para memória futura, os Garrafeira provados foram:
.1977 (dos primeiros 5, achei este o mais promissor; nota 18)
.1976 (nota 17+)
.1974 (o menos interessante; nota 17)
.1952 (17,5+)
.1950 (17,5)
.1948 (18,5)
.1940 (18,5)
.1938 (18)
.1933 (19)
.1931 (19)
A terminar, dois apontamentos:
.1º - um dos amigos com quem fui, no final da prova fez uma oportuna e justa intervenção, elogiando o trabalho desenvolvido pelo Paulo Cruz, a condução da prova por parte do Dirk e do José Nogueira e, ainda, lembrando o papel desempenhado pelo saudoso José António Salvador na divulgação do Vinho do Porto e outros fortificados (Madeira e Moscatéis);
.2º - A SIC passou uma peça no jornal da noite de Domingo, dedicada ao Porto Extravaganza, que ainda pode ser vista.
A próxima crónica será dedicada ao jantar.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Lisboa Restaurant Week (II) : almoço no Varanda de Lisboa

Voltei a aproveitar a plataforma The Fork, para almoçar no restaurante do Hotel Mundial por 19 + 1 €, com direito ao couver (o Varanda de Lisboa deve ter sido o único espaço de restauração a oferecer o couver, o que se aplaude), entrada (a escolher entre duas), prato (idem) e sobremesa (a escolher no carrinho entre diversas).
Escolhi o folhado de queijo de cabra, bochecha de bísaro à bordalesa e uma salada de frutas tropical. Gostei francamente da bochecha e não tanto do folhado.
Quanto a vinhos, a respectiva carta peca pela omissão dos anos de colheita e por separar os brancos da Região de Vinhos Verdes dos restantes, erros que lamentavelmente são comuns à maioria dos restaurantes que conheço. Mais, os tintos estavam à temperatura ambiente.
Optei por uma garrafa (éramos 4 à mesa) do tinto Quinta da Invejosa Reserva 2011 (Palmela), para mim um ilustre desconhecido - 100 % Castelão, estagiou 12 meses em pipas de carvalho; ainda com fruta, acidez equilibrada, especiado com a pimenta a impor-se, taninos civilizados, algum volume e final de boca. Uma boa surpresa. Nota 17.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar, mas rapidamente metida num vaso com água e gelo para o pôr à temperatura correcta.
Bons copos Schott e boa prestação do enólogo do hotel.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Vinhos sem Fronteiras : mais um evento a não perder

É já no dia 25 de Março (Sábado), das 15 às 22 h, que a Garrafeira Néctar das Avenidas arranca com a 1ª edição deste evento, numa das salas do Hotel Real Palácio, onde costuma decorrer o Bairradão de boa memória. A entrada é livre, só sendo necessário adquirir o copo de prova (2 €).
Estão confirmados 8 produtores de Espanha (José Pariente, Viñedos de Nieva, Bodegas Aalto, Artadi, Martué, Bodegas Maurodos, Descendientes J. Palacios e Gramona), 9 de França (Domaine Févre, Domaine du Pegau, Chateau Haute Sarpe, Gonet-Médeville, Domaine du Bel Air,  Domaine Barmés-Buecher, Trimbach, Domaine Mikael Bouges e Chateau Minuty), 3 de Itália (Pio Cesare, Rocca Delle Macie e Borgo Molino) e, ainda, representantes da China, Líbano e Síria.
Mais informações em www.garrafeiranectardasavenidas.com.

terça-feira, 14 de março de 2017

Lisboa Restaurant Week (I) : almoço no Nobre

Após marcação através da plataforma The Fork*, por 19 + 1€ (para causas sociais), com direito a sopa/entrada, prato e sobremesa, pude almoçar no Nobre (ao Campo Pequeno), local muito frequentado por gente fina.
Escolhi a clássica sopa de santola (servida na casca), espetada de garoupa e manga com arroz malandrinho de lima e coentros e, ainda, mousse de chocolate branco com iogurte grego, gelado de framboesa e lascas de abacaxi. No final da refeição, simpática oferta de mini pastéis de nata. Tudo a um apreciável nível de qualidade e um serviço eficiente, mas muito distante.
Quanto a vinhos, a lista é pujante e com uma razoável oferta a copo. No entanto, tinha muitas faltas e era omissa quanto a anos de colheita, o que se lamenta.
Optei por um copo do Prova Régia Reserva 2014 (4,50 €) - presença de citrinos e fruta cozida, notas amanteigadas, acidez no ponto, ligeira oxidação, algum volume e final de boca. Gastronómico, ligou muito bem com a sopa e o prato. Nota 17.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar em copo Schott.
Também reparei na existência de armários térmicos para controlo de temperatura dos tintos, uma mais valia.
Contrastando com os empregados correctamente ataviados, o gerente (que depois percebi ser o filho dos patrões) parecia um sem abrigo! Francamente...
* por cada reserva, acumulam-se pontos (100 de cada vez); aos 1000, tem-se direito a um desconto de 10 €, em restaurantes aderentes.

domingo, 12 de março de 2017

Próximos eventos : Peixe em Lisboa e Vinhos em Cena

1.Peixe em Lisboa
Mais uma edição deste evento anual, organizado pela ATL (Associação do Turismo de Lisboa), que decorrerá desta vez no Pavilhão Carlos Lopes, de 30 de Março a 9 de Abril. Estarão presentes os restaurantes/chefes Alma (Sá Pessoa), Arola do Penha Longa, Boi-Cavalo (Hugo Brito), Chapitô à Mesa (Bertílio Gomes), Ibo, O Talho (Kiko Martins), Rabo d' Pêxe (Paulo Morais), Ribamar (Helder Chagas), Ritz Four Seasons e Taberna da Rua das Flores (André Magalhães).
Mais informações em www.peixemlisboa.com.
2.Vinhos em Cena
Evento organizado pela UAU Espectáculos que decorrerá no Teatro Tivoli BBVA, de 23 a 26 de Março. Esta 1ª edição contará com mais de 40 produtores e, ainda, 2 workshops e 1 jantar.
Mais informações em www.uau.pt.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Tempo de revisitas : Santa Clara dos Cogumelos, Great Tastings e Bagos Chiado

1.Santa Clara dos Cogumelos
Este agradável espaço de restauração já foi aqui referido por diversas vezes, sendo a última em "Curtas (LXIX) : matar saudades...", crónica publicada em 13/12/2015.
Entre 6 Petiscos, 2 Sopas, 6 Pratos e 2 Sobremesas, todos com base em cogumelos, escolhi o petisco Ménage à Quatro (polenta, cogumelos, queijo e cebola confitada), o prato Risotto Santa Clara (porcini, trombetas, alecrim e nozes) e a sobremesa Tentações de Santa Clara.
Desta vez não fui para o vinho a copo, tendo optado pela saborosa cerveja artesanal Dois Corvos.
Como mais valia, este espaço tem agora armários térmicos para controlo de temperaturas, mas o serviço de vinhos deixa muito a desejar.
2.Great Tastings
Já o referi em "The Fork Fest (I) : restaurante Great Tastings", crónica pubicada em 19/11/2016.
Revisitei-o para testar o menu de almoço que custa 12,50 €, com direito a sopa, prato (à escolha entre 4 ou 5), sobremesa, bebida e café. Um bom preço para uma refeição completa.
Comi sopa de legumes, massada de bacalhau e sericaia com canela, menu este que acompanhei com um copo do tinto Lua Cheia em Vinhas Velhas 2014 - aromas primários, muita fruta vermelha, alguma acidez, volume e final de boca médios. Correcto e agradável, mas sem impressionar. Nota 16,5.
Por simpatia do dono, foi-me dado a provar, com a sobremesa, o Dona Maria Late Harvest 2011, correcto e simples, mas muito discreto. Nota 15,5.
3.Bagos Chiado
Também já aqui referido por diversas vezes, sendo a última em "Bagos Chiado : revisão da matéria", crónica publicada em 1/12/2016.
Optei pelo menú de 12 €, com direito à entrada (asas de frango crocantes com salada de arroz e puré de amendiom) e prato (arroz de camarão com hortelã), devidamente acompanhados por um copo do branco Vinha de Reis 2014, já mencionado e classificado numa das crónicas anteriores.
A garrafa veio à mesa, mas o vinho não foi dado a provar. Bons copos Schott, mas o serviço a baixar de qualidade. Nota-se a falta da Ana, uma profissional de 5 estrelas, que abandonou o projecto no final de 2016. Uma pena!
Quanto à lista de vinhos, com tudo datado, verifiquei que já foi corrigido o meu reparo quanto à separação dos verdes brancos dos outros. Só lhes fica bem!

terça-feira, 7 de março de 2017

Vinhos em família (LXXIX) : Barca Velha e outros

Mais uns tantos néctares provados em família e com amigos, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. Correspondendo todos às minhas expectativas, foram:
.Pêra-Manca 2013 branco - com base nas castas Antâo Vaz e Arinto, estagiou 12 meses nas borras finas e 6 meses em garrafa; presença de citrinos e fruta madura, notas abaunilhadas, acidez equilibrada, boca envolvente e muito gastronómico. Precisa de comida por perto... Nota 17,5.
.Barca Velha 2008 (garrafa nº 4935/18150) - aroma fino, ainda com muita fruta vermelha, notas florais e balsâmicas, acidez no ponto, especiado, taninos de veludo, notável estrutura e final de boca longo. Harmonioso, elegante e sofisticado, será talvez o melhor Barca Velha de sempre. Em forma mais 10/12 anos. Nota 19 (noutra situação, também 19).
.Qtª Vale Meão 2008 - aromas terciários, alguma fruta, acidez equilibrada, especiado, notas de tabaco e chocolate, taninos civilizados, algum volume e final de boca persistente. Está no ponto óptimo de consumo, mas pode ser bebido nos próximos 4/5 anos (noutra 17,5+).
.Moscatel de Setúbal 25 Anos (engarrafado em 1973) - frutos secos, casca de laranja, notas de brandy e mel, doçura compensada por uma bela acidez, volume e final de boca assinaláveis. Uma raridade! Nota 18.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Provar vinhos com a Garcias

A convite da Garcias, tive a oportunidade de participar no evento "Vinhos e Amigos" que decorreu no Hotel Ritz, onde foram apresentados os novos produtos das marcas nacionais e estrangeiras representadas por este distribuidor. A sala era ampla e tinha boas condições para se andar ali de copo na mão.
Provei 25 vinhos (11 brancos, 8 tintos e 6 fortificados), uma reduzida quantidade do que por lá se encontrava.
Destes néctares, ficaram-me na memória, os brancos CV 2015, Cheda Reserva 2015 (grande surpresa!), seguidos do Mapa Vinha dos Pais 2015 (não fez esquecer o excepcional 2013) e do Fonte do Ouro Dão Nobre 2015 (de tão badalado, acabou por ser uma relativa desilusão).
Quanto aos tintos, destaque para o Fonte do Ouro Grande Reserva 2014, seguido do Qtª São Sebastião Reserva 2013 (mais outra grande surpresa!), CV 2014, Mapa Reserva Especial 2014 e Paulo Laureano Inventum 2014. Provei, ainda, o Valbuena 5º 2011 e o Pintia 2011, mas não deu para formar uma opinião, pois a quantidade posta no copo era ridiculamente ínfima. Assim, não!
A fechar as provas em beleza, foi a vez dos Madeiras da Henriques & Henriques, a começar por um excepcional Terrantez 20 Anos, seguido por um surpreendente Tinta Negra 50 Anos e os belíssimos Verdelho 20 Anos e Bual 20 Anos.
Foi um evento deveras agradável e mais fora se não tivesse contado com um saxofonista, metido a martelo, que por vezes dificultava o diálogo com os responsáveis pelos vinhos em prova. Não havia necessidade...