terça-feira, 16 de outubro de 2018

Novo Formato+ (32ª sessão) : uma jornada inesquecível nos Sabores d' Itália

Esta sessão foi da nossa responsabilidade (casal Bety/Francisco), tendo adoptado como "nossa" casa o restaurante Sabores d' Itália, nas Caldas da Rainha, do qual somos fãs há uma série de anos e não nos cansamos de o visitar. A comandar os tachos a chefe Maria João e na sala o Norberto (os donos).
Os vinhos (4 brancos, 2 tintos, 1 Madeira e 1 Porto Colheita) eram da minha garrafeira e, com excepção dos fortificados, foram provados às cegas.
Desfilaram:
.Blandy Solera Verdelho - muito aromático, presença de frutos secos, notas de caril e brandy, algum vinagrinho e volume e final de boca muito longo. Fino e elegante. Nota 18,5+ (noutra situação 19).
Este fortificado serviu de bebida de boas vindas e, no final do almoço, encerrou o repasto.
.Regueiro Alvarinho Barricas 2015 (13 % vol.) - garrafa nº 536/1976; cítrico e mineral, boa acidez, notas amanteigadas, madeira bem integrada, algum volume e final de boca. Nota 17,5 (noutras 17,5+/17,5+).
.Adega Mãe 221Alvarinho 2015 (12,5 % vol.) - garrafa nº 316/2703; a partir de um lote de Monção e Lisboa; mais fresco e mineral, acidez vibrante, alguma elegância, volume e final médios. Nota 17 (noutra 17,5+).
Estes 2 brancos acompanharam o couvert, profiterole de tártaro de salmão e um saborosíssimo carpaccio de atum vermelho.
.Quinta dos Carvalhais Branco Especial (14,5 % vol.) - engarrafado em 2015; grande complexidade aromática, fresco e elegante, equilibrio entre a acidez e a gordura, muito estruturado e final de boca extenso. É, para mim, o melhor branco (este engarrafamento) produzido em Portugal. Nota 18,5+ (noutras 17,5/18,5/18,5/18/18, sem distinção de datas de engarrafamento).
.Porta dos Cavaleiros Reserva Seleccionada 1985 (13 % vol) - nariz austero, alguma oxidação nobre, fruta madura, acidez pronunciada, algum volume e final de boca persistente. Um branco com alguma idade e ainda cheio de saúde, mas que teve o azar de ter sido provado ao lado do Especial. Nota 17,5+ (noutra também 17,5+).
Estes 2 brancos harmonizaram com o fabuloso arroz de sapateira com coentros, um dos pratos ex-libris da casa.
.Qtª do Noval Touriga Nacional 2011 (13,5 % vol.) - ainda com fruta, notas florais, bela acidez, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis. A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 17,5.
,Qtª de Lemos Touriga Nacional 2011 (14 % vol.) - muita fruta presente e nuances florais, acidez bem presente, mais especiado e complexo que o anterior, algum volume e final de boca muito persistente. Ainda vai crescer nos próximos 7/8 anos. Nota 18 (noutra também 18).
Estes 2 tintos maridaram com peito de pato com molho de Porto e batata salteada.
.Barros Colheita 1963 (engarrafado em 1987) - nariz exuberante, presença de citrinos, frutos secos e mel, taninos elegantes, algum volume e final de boca muito longo. Uma raridade. Nota 18,5.
Este  Colheita acompanhou muito bem uma excelente sobremesa (tarte de amêndoa caramelizada e crepe de figo com gelado de Moscatel).
Uma palavra final para o serviço de vinhos, a cargo do proprietário/chefe de sala Norberto, a merecer 5 estrelas. Ritmo adequado, com os vinhos a chegarem à mesa antes dos pratos, temperaturas correctas, copos de qualidade (Riedel, Schott e Spigelau) e decantadores Schott fabulosos, como ainda não vi em qualquer outro restaurante.
Mais uma grande sessão de convívio, com comeres e beberes à altura dos acontecimentos. Bingo!

domingo, 14 de outubro de 2018

Curtas (CIV) : The Fork Fest, Mercado de Vinhos, Taylor's no Mercado da Ribeira e uma nova loja gourmet

1.The Fork Fest
Já começou para os utentes do Millennium (até ao dia 16) e vai continuar para o público em geral (17 a 28 de Outubro). Os restaurantes aderentes, cerca de 100, praticam um desconto de 50 % em toda a carta, excepto bebidas (obrigatória a marcação via net).
É a grande oportunidade de comer nos restaurantes mais caros, como é o caso de À Justa, Akla, Ânfora, Arola, Café São Bento, Lawrence Hotel, Miguel Laffan ou O Nobre.

2.Mercado de Vinhos no Campo Pequeno
Em 19 (15/21h), 20 (12/21h) e 21 de Outubro (12/20h) volta a realizar-se no Campo Pequeno, com o subtítulo "Pequenos produtores, Grandes descobertas", sendo a aposta deste ano na Região Demarcada do Dão.
Mais informações em www.facebook.com/mercadode vinhos.

3.Taylor's no Mercado da Ribeira
Esta prestigiada marca de Vinho do Porto abriu, muito recentemente, uma banca no concorrido Mercado da Ribeira, onde se podem provar uns tantos vinhos daquela casa.
Faço votos para que esta seja a 1ª de uma série de marcas de vinhos fortificados.

4.A_Mar_Terra
É o nome de uma nova loja gourmet, situada em Alvalade (Rua Marquesa de Alorna,20), que tem uma grande oferta de conservas, doçaria, queijos e enchidos, num espaço fabuloso. Também tem vinhos, mas a sua grande vocação é para produtos de mercearia fina.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Grupo dos 3 (61ª sessão) : o pleno do Kompassus

Esta última sessão deste grupo de enófilos da linha dura decorreu no Nunes Real Marisqueira (Rua Bartolomeu Dias,112 em Belém), com vinhos da minha garrafeira.
Este espaço de restauração, uma das melhores, senão a melhor marisqueira de Lisboa, sob a batuta  do proprietário, Miguel Nunes de seu nome, apresenta mesas bem aparelhadas, guardanapos de pano, pratos personalizados e copos Riedel, um luxo! Sala cheia a rebentar pelas costuras, mas sem interferência no ritmo e na qualidade do serviço.
A minha aposta foi nos vinhos Kompassus (com a excepção óbvia do fortificado), tendo levado 2 brancos e 1 tinto. Desfilaram:
.Alvarinho 2015 (12,5 % vol.) - enologia de Anselmo Mendes; estagiou 7 meses em barricas usadas, tendo sido engarrafado em Julho 2016; fresco e mineral, acidez equilibrada, volume e final médios. Polido e austero, é o único Alvarinho produzido na Bairrada. Nota 17,5 (noutra situação, também 17,5).
Acompanhou bem o couvert, salgados e a casquinha de santola.
.Private Collection 2014 branco (12,5 % vol.) - enologia de Anselmo Mendes; com base nas castas Arinto (70 %) e Cercial (30 %), estagiou 7 meses em barricas novas e usadas; presença de citrinos e fruta de caroço, equilibrio entre a acidez e a gordura, volume assinalável e final de boca longo. Gastronómico e cheio de personalidade. Nota 18.
Maridou com uma belíssima garoupa no forno.
.Private Collection 2011 tinto (15 % vol) - com base na casta Baga (100 %), estagiou 22 meses em barricas de carvalho francês novas e usadas; complexidade olfactiva, acidez no ponto, especiado, taninos civilizados, volume considerável e final de boca muito extenso. Embora com um teor alcoólico excessivo, não se dá por ele. A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5+ (noutras 18,5/18,5+).
Harmonizou com um bacalhau no forno.
.Sandeman 30 Anos (engarrafado em 2017) - cor brilhante, nariz discreto, notas de frutos secos e especiarias, acidez equilibrada, algum volume e final de boca. Elegância e complexidade. Nota 18,5.
A sobrema foi à lista e eu acompanhei este belo tawny com uma saborosa tarte de gila.
Uma nota final para o serviço de vinhos, muito bem desempenhado por um jovem empregado, João Palrinhas de seu nome, apesar do muito movimento na sala com a lotação esgotada.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Almoçar em hotéis (V) : mais uma (des)ilusão

Depois das experiências desastrosas em hotéis (Aviz e Zenit), aqui referidas em "Almoçar em hotéis : a grande (des)ilusão (I)" e "Almoçar em hotéis : a grande (des)ilusão (II)", publicadas em 27 e 28/4/2012, tive mais uma recentemente.
Desta vez foi no Hotel Santa Justa Lisboa (Rua dos Correeiros,204). Logo que entrei na sala, por volta das 13 horas, não estava rigorosamente ninguém, nem clientes nem empregados. Passado um bom bocado, apareceu um que mal falava português e não nos entendemos. Veio outro e questionado pelo menu do dia não conseguiu encontrar a versão em português, apenas em inglês. Pelos vistos, é um restaurante só para turistas...
Mesas bem aparelhadas, guardanapos de pano e televisão ligada (para quê?)
O menu do dia comporta o couvert (pão, azeite, manteiga e queijo creme), 1 prato à escolha (entre 5 ou 6) e 1 sobremesa (entre 3 ou 4) e custa 13 € (bebidas à parte). Um bom preço num sítio janota.
Do menu escolhi:
.choquinhos com batatas (dose enorme, mas com os choquinhos demasiado "aldente")
.salada de frutas (que demorou muito tempo a chegar à mesa, ainda por cima gelada)
Quanto à componente vínica, a lista vem em suporte electrónico, o que não dá muito jeito, e a oferta a copo é a suficiente.
Optei pelo Colinas Chardonnay 2016 (6 €, uma exorbitância) - equilibrio entre a acidez e a gordura, gastronómico, volume e final de boca acima da média. Nota 17.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo e uma quantidade servida a olho.
Podia ser uma boa solução para quem esteja na Baixa, mas o serviço atabalhoado e pouco atento, afasta qualquer cliente. A demora a levantar os pratos é indesculpável (eu era o único cliente na sala e na esplanada, apenas um casal de turistas) e não houve, no decorrer do almoço, uma palavra simpática (gostou, não gostou?).
A esquecer!

sábado, 6 de outubro de 2018

Histórias com Vinho, segundo o João Paulo Martins (JPM)

Acabou de sair o livro "Mais Histórias com Vinho & novos condimentos" (295 páginas), da autoria do JPM, que vem na sequência do "Histórias com Vinho & outros condimentos" (234), publicado há 2 anos e referido aqui em "Livros para o Natal", crónica publicada em 3/12/2016.
A editora é a mesma Oficina do Livro, o formato é diferente e a capa também. Enquanto na edição anterior a capa contempla a fotografia do JPM, esta última apresenta uma ilustração (má, por sinal) onde o autor aparece com um garrafão de 5 litros na mão. Ou eu não tenho nenhum sentido de humor, ou aquilo é mesmo piroso.
Com base em crónicas publicadas na Revista de Vinhos (a antiga), Vinho Grandes Escolhas, Expresso, Público e DN, de 1996 a 2018, algumas delas acrescidas de comentários actuais, este último livro divide-se em 5 partes:
1ª - Com Amor e com Afecto
2ª - As Terras e os Produtores
Na crónica "E a crítica de vinhos começou assim...", presta uma justa homenagem ao José António Salvador, com quem o JPM deu os primeiros passos como crítico de vinhos. Transcrevo: "Há claramente um antes e um depois do Salvador. Com enormes virtudes e outros tantos defeitos, não deixou sempre de dizer o que pensava (...)".
Em "Das fitas para a adega", o JPM relata um jantar no Porto de Santa Maria, na sequência do Festival de Cinema do Estoril, onde participou o famoso Francis Coppola, um homem do cinema mas também do vinho. O JPM conseguiu surpreendê-lo ao levá-lo a provar Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2008, Qtª do Crasto Vinha Maria Teresa 2006 e Burmester Colheita 1955. Bingo!
Mais à frente em "Memórias de um Senhor do Vinho", dedicada a Luiz Costa, o grande e saudoso senhor das Caves São João, referia "(...) ao solicitar informação sobre um branco de 1985 de que gostei muito, fiquei a saber que nas Caves existiam 7000 garrafas do mesmo. Para vender como? A quem? (...)". Se é o vinho que eu penso, o Porta dos Cavaleiros Reserva 1985, está ainda em grande forma (o JPM provou-o em 2012) e vende-se na Garrafeira Néctar das Avenidas, passe a publicidade.
Ainda nesta 2ª parte, na crónica "Madeira Blandy chega aos 200 anos", depois de se referir às castas nobres, menciona que a mais plantada é a Negra Mole ou Tinta Negra. Só que, ao que averiguei, são 2 castas diferentes, imperando a Tinta Negra na Madeira e a Negra Mole no Algarve. Tenciono voltar a este tema em crónica futura.
3ª - Controvérsias, Provocações e Outras Questões
Na crónica "A lição dos mestres", o JPM começa por referir "O país é pequeno e sabe pouco da matéria. Por isso convém ouvir o que os doutores têm ensinar aqui ao pessoal (...)", isto a propósioto de alguns MW (Master Wine) que por cá passam e mandam umas bocas, sem terem tempo de provar e perceber os nossos vinhos. Toda a crónica é hilariante (o JPM no seu melhor)e não dá para a transcrever. Comprem o livro. Só para lerem este bocado vale a pena.
4ª - As Provas e as Críticas, pois claro
5ª - Várias Histórias e Muitos Lugares
Em "Amor como o primeiro? Não, obrigado...", o JPM conta que há muitos anos atrás, ainda era professor algures numa escola da Graça, no caminho parava numa mercearia onde comprava, de quando e quando, uma garrafa de vinho, uma das quais foi Vinha Grande 1960. A garrafa, anos mais tarde e já vazia, aterrou na Sogrape que não tinham nenhuma no seu museu e, mais grave, nem sequer sabiam que existia aquela colheita.
A terminar, vale a pena ler este último livro do JPM a quem desejo boas vendas.
Numa próxima edição, há que ter em conta:
.a história passada com o Qtª do Estanho Colheita 1927 é contada por 2 vezes (páginas 200 e 212)
.a prova do Ferreirinha Reserva Especial 1996 em Junho de 1996 (uma impossibilidade, página 232).

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Almoço com Vinhos Fortificados (30ª sessão) : uma jornada muito didáctica

Depois de uma grande jornada em Porto Covo, este Grupo dos Madeiras teve outra em S. Francisco da Serra, "chez" Juca. O anfitrião foi acolitado pela filha (Mila), responsável pelo arroz de polvo, e pelo genro (Pedro) no serviço de vinhos.
O vinho de boas vindas foi um espumante Soalheiro, a cumprir a sua função. Já com os participantes sentados, desfilaram:
.Vinha da Urze Reserva 2014 - produzido pela CARM, a partir das castas Rabigato (45 % ), Códega do Larinho (45 %) e Gouveio (10 %), 13 % vol.; nariz contido, presença de citrinos, equilibrio entre a acidez e a gordura, volume e final de boca a ter em consideração. Gastronómico, excelente relação preço/qualidade e uma boa surpresa para mim que o não conhecia. Nota 17,5.
Este branco e o espumante acompanharam uma série de entradas (queijo fresco,cacholeira, presunto com figos, ovos de codorniz, perdiz desfiada,etc.
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2014 magnum - cor doirada e brilhante, nariz exuberante, cítrico, notas tropicais e amanteigadas, boa acidez e complexidade, algum volume e final de boca persistente. Um belo alvarinho a evoluir muito bem. Nota 18 (noutras situações 17,5+/17,5/18).
Casou bem com um saboroso arroz de polvo.
Artur Barros e Sousa Sercial 1980 - muito seco, algum vinagrinho e iodo, taninos dóceis, algum volume e final de boca longo. "Low" profile. Nota 17,5+.
Este Madeira serviu para limpar o palato.
Seguiu-se uma vertical do Qtª do Crasto Reserva Vinhas Velhas, muito pedagógica e bem conseguida. Na ausência de notas de prova, limito-me a indicar as minhas pontuações:
.2007 - 18 (noutras situações 17/17,5/17,5+/17,5+/17,5/18)
.2008 - 18 (noutra 18,5)
.2009 - 17,5+
.2010 - 17 (noutra 17,5+)
.2011 - 18,5 (noutras 17,5+/18,5/18/18)
Surpreenderam-me, pela positiva o 2009 e 2007 e pela negativa o 2010. Confirmaram o 2008 e 2011.
Estes 5 tintos maridaram com um excelente rabo de boi estufado com puré de batata, um dos ex-libris do anfitrião.
.Artur Barros e Sousa Terrantez 1981 - nariz expressivo, frutos secos, notas de caril e brandy, boa acidez, taninos firmes, bem estruturado e final de boca muito longo. Nota 18,5 (noutra também 18,5).
.Dow's Qtª do Bonfim Vintage 1987 - ainda com muita fruta, acidez equilibrada, taninos de veludo, volume e final de boca médios. Demasiado discreto. Nota 17.
Estes 2 fortificados acompanharam uma tábua de queijos, bolo de Santiago, uma marmelada feita pelo Juca, etc.
Foi mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes e deveras didáctica.
Obrigado, Juca!

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Setembro 2010 : o que se passou aqui há 8 anos?

Das 14 crónicas publicadas no decorrer de Setembro 2010, destaco estas 3:

1."Núcleo Duro (58ª Prova) com os Douro Boys", no dia 23
Que eu saiba, este Núcleo Duro é o grupo de prova português mais antigo e consistente, objecto de uma crónica publicada há anos pelo Duarte Calvão na antiga página "Boa Vida" do DN.
Foi o meu último jantar/prova de vinhos, com este grupo de amigos, na minha qualidade de membro efectivo. Como convidado ainda participei em mais 2 encontros.
Esta 58ª prova decorreu no restaurante do CCB (A Commenda), com vinhos da minha garrafeira. O tema incidiu nos vinhos dos Douro Boys, colheita de 2007 (Redoma Reserva, Vallado Adelaide, Vale Meão, CV e Maria Teresa) a que juntei 2 fortificados (Fonseca Vintage 1994 e Blandy Malvasia 1985).
Uma sessão memorável mas que, lamentavelmente, não conseguiu emocionar todos os provadores. Mistérios insondáveis...

2."Grupo de Prova dos 3 (6ª sessão). Confronto Portugal-Espanha", no dia 29
Sessão organizada pelo João Quintela, com vinhos da sua garrafeira, que pôs em confronto o Aalto PS 2005 e o Maria Teresa 2005. Ganhou a Espanha. Azar o nosso...
O final do repasto, com os vinhos fortificados, já não houve confronto (aqui ganhariam os tugas) e acabou em beleza, ao serem bebidos o FMA Bual 1964 e o Bastardinho 30 Anos.

3.Prova e Jantar Sogevinus. O pleno do nosso grupo", no dia 30
Organizada pelo Rui Lourenço Pereira (Blogue Quinta Wine Guide), no Clube dos jornalistas, uma prova com uma dúzia de vinhos do Porto, orientada pelo enólogo Pedro Sá, a que se seguiu um jantar, destacando-se:
.Kopke Colheita 1960 (18,5)
.Burmester Colheita 1937 (18,5+)
.Burmester Colheita 1955 (19)
.Burmester Tordiz 40 Anos (18,5)
Foi uma sessão inesquecível, mas que poderia ter sido um fiasco, por falta de participantes. E só não foi porque os clientes e amigos das CAV  se mobilizaram.

domingo, 30 de setembro de 2018

Curtas (CIII) : Vinhos do Alentejo em Lisboa e novas Enotecas

1.Rota dos Vinhos e Petiscos do Alentejo (29/9 a 13/10)
Já começou esta Rota de Vinhos e Petiscos em Lisboa, organizada pela CVRAlentejo.
Por 4,50 € pode-se comer um petisco acompanhado por um copo de vinho alentejano. Aderiram 14 espaços de restauração, entre os quais o By the Wine, Carnalentejana, Chutnify e TOPO Belém.
Mais informações no site da CVRA.

2.Vinhos do Alentejo em Lisboa
Apresentação e Prova de Vinhos do Alentejo no CCB, sendo os dias 13 e 14/10 destinados ao público em geral e o dia 15 aos profissionais do sector.
Ainda se desconhece o horário de abertura e fecho.

3.111 Vinhos (Rua da Sociedade Farmecêutica,20A)
Esta recente enoteca foi criada pelos donos da distribuidora com o mesmo nome. Em visita recente, fiquei com a impressão que ainda se estão a instalar (a fabulosa esplanada interior ainda não funciona) e que não vão para além dos produtos que representam. Aqui se pode provar e petiscar.
A surpresa agradável foi ter conhecido uma enóloga que faz parte da equipa (não recordo o nome) e já trabalhou com o Carlos Lucas e a Qtª da Pontepedrinha. Tem uma excelente memória e lembrava-se de ter participado num dos jantares organizados pelas CAV (já vão uns tantos anos!).

4.Mundo do Vino (Rua de São Bento,15)
Ao contrário da anterior, esta enoteca está a funcionar em pleno e nela se podem encontrar, provar, beber ou comprar cerca de 500 referências (220 tintos, 180 brancos, 70 fortificados e mais alguns espumantes e champanhes). O espaço contempla 2 salas espaçosas, onde se incluem 5 máquinas térmicas com controlo de temperatura e capacidade para 8 vinhos cada. Mediante a introdução de um cartão tipo MB, é possível extrair vinho para o copo (2; 7,5 e 12,5 cl), esta última quantidade manifestamente insuficiente. À semelhança da anterior também se pode petiscar queijos e charcutaria.
Os donos e animadores deste recente espaço são o Francisco Oliveira e a Rosy Ninkovic.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Espaços de restauração : algumas surpresas (III)

4.Geographia (Rua do Conde,1) - 4,5*
A minha última "descoberta" e uma boa surpresa foi este espaço, muito próximo do Museu Nacional de Arte Antiga, que tem como subtítulo "Comida que fala português" e se inspirou nas várias cozinhas das antigas colónias portuguesas.
O Geographia dispõe de 50 lugares à mesa, espalhados pelas suas 2 salas. As toalhas foram substituídas por uns originais toalhetes de napa, com um espaço para os talheres. Os guardanapos são de papel resistente, com o logo da casa, o célebre rinoceronte desenhado por Albrecht Durer, omnipresente no restaurante.
Provei/comi, nesta minha 1ª visita, e soube-me muito bem:
.bogés (farinha de grão e cebola) com chutney de coentros e hortelã (receita de Goa)
.a sapateira que queria ser casquinha de siri (Portugal/Brasil)
.sopa de peixe com maionese de garam (Portugal/Goa)
.salada morna timorense (Timor Leste)
.bebinca de 7 camadas com gelado (Goa)
Quanto à componente vínica, a lista, da responsabilidade do Miguel Júdice, um dos 3 sócios envolvidos neste projecto, é deveras original e bem estruturada, mas sem datas de colheita e a oferta a copo limitada ao "Santos da Casa", branco e tinto. Dois aspectos a rever (à atenção do Miguel Júdice).
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo Schott.
Gostei francamente, recomendo e tenciono voltar.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Melhor blogue do ano (2018) : o enófilo militante no TOP 10 pela 7ª vez consecutiva

1.Estão a ser publicados, no site do Anibal Coutinho, os nomeados para os Prémios W 2018 em dezenas de categorias, todas elas relacionadas com o mundo vínico. Os "Nomeados para Melhor  Blog de Vinho do Ano em 2018" foram, por ordem alfabética (entre parêntesis o nº de presenças total e assinalando com * os estreantes):
.Comer Beber Lazer (5)
.Contra Rótulo (3)
.Desarrolhar *
.Enófilo Militante (7)
.Joli (3)
.Mesa Marcada (3)
.No Meu Palato *
.Os Vinhos (7)
.O Vinho em Folha (3)
.Vinho Porto Vintage (2)
De registar:
.continuam no TOP 10 os 2 eternos totalistas, de 2012 a 2018: Os Vinhos (Pedro Barata) e o Enófilo Militante (eu próprio)
.não foram incluídos os vencedores dos anos anteriores, estando alguns em actividade (Copo de 3, Bebes.Comes, Avinhar e Pingas no Copo) e outros parados (E Tudo o Vinho Levou e Air Diogo num Copo)
.não se entende a inclusão do blogue Mesa Marcada (que muito prezo, diga-se), o qual é 99 % dedicado à componente gastronómica.

2.Em relação ao meu blogue, considero pertinente referir que:
.nunca publiquei, nem publicarei, qualquer foto alusiva aos textos, em contramão com o que é habitual na blogosfera
.as crónicas publicadas abrangem apreciações de vinhos, mas também de restaurantes (ponto tónico na componente vínica, ou seja, as cartas, oferta de vinhos a copo, copos, temperaturas e serviço propriamente dito) e livros especializados
.as minhas críticas tanto abrangem os aspectos positivos como os negativos do mundo vínico, não me amedrontando quando os visados são instituições públicas consagradas ou individualidades conceituadas
.a  apreciação de vinhos incide no que vou bebendo da minha garrafeira, em espaços de restauração, em eventos vínicos, em visitas a produtores ou no âmbito dos diversos grupos de provas a que pertenço (Grupo dos 3, Grupo dos 6, Novo Formato+, FJF e Madeiras), recusando desde sempre o envio de amostras por parte dos produtores.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Grupo FJFJ (5ª sessão) : 1 Douro italiano e 1 Madeira de subir aos céus

Mais um encontro vínico destes F (Frederico e Francisco) e J (João e José) que decorreu no Magano, com a gastronomia e o serviço de vinhos a confirmar a excelência deste espaço de restauração.
Desfilaram:
.Quanta Terra 2011 (levado pelo Frederico) - com base nas castas Gouveio e Viosinho, estagiou 6 anos em barricas de carvalho francês; nariz contido, oxidação nobre, excelente acidez, gordura e complexidade, algum volume e final de boca. 14 % vol. Preço desajustado. Nota 17,5+.
Não ligou com as entradas habituais, mas harmonizou com os filetes de polvo e arroz do mesmo.
.Vietti Castiglione Falleto 2004 (levado pelo J.Rosa) - 90 pontos na Wine Spectator e 92 na Wine Advocate (Parker); DOC Barolo; com base na casta Nebbiolo, estagiou 30 meses em barrica; nariz exuberante, acidez equilibrada, especiado, taninos presentes, boa estrutura e final de boca muito longo. Fresco e elegante, apresenta-se com um perfil duriense (às cegas é um Douro autêntico). Longe da reforma, a beber nos próximos 6 a 8 anos. 14 % vol. Nota 18,5.
.Qtª da Leda 2004 (levado pelo João) - com base nas castas Touriga Franca, Touriga Nacional e Tinta Roriz; acidez no ponto, notas terrosas e de esteva, algum chocolate e especiarias, volume médio, final de boca persistente e algo adocicado. A beber nos próximos 4/5 anos. 13,5 % vol. Nota 18 (noutras situações 17,5/18).
Estes 2 tintos acompanharam costoletas de borrego e grelos salteados.
.FEM Verdelho Muito Velho (levado por mim) - nariz intenso, presença de frutos secos, notas de brandy, iodo e caril, vinagrinho equilibrado, taninos em conta, complexidade, estrutura e final de boca interminável. A Madeira no seu melhor! Nota 19,5 (esta foi a 14ª garrafa que tive a oportunidade de provar).
Acompanhou a tradicional tarte de amêndoa.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Espaços de restauração : algumas surpresas (II)

2.Mestrias Nova Tasca (Largo da Paz,22B à Ajuda) - 4*
Este restaurante ocupou o espaço do A Paz, mais conhecido pela casa do Eusébio e outros futebolistas.
Agora é um restaurante de petiscos e de alguns pratos emblemáticos que não se encontram noutros lados, como é o caso do arroz de choco com sua tinta. Divinal! Na ementa constam 10 petiscos (doses avantajadas), 9 pratos e 4 sobremesas e, ainda, um aviso aos clientes: "nem sempre há de tudo e às vezes há coisas novas".
Tudo o que comi ou provei tinha qualidade. Para além do citado arroz, nota alta para as moelas, os cogumelos e a mousse de alfarroba.
As mesas, despojadas, são de pedra e os guardanapos de papel. No exterior, uma bela esplanada. Serviço eficiente, nada atascalhado, e simpático.
Quanto à componente vínica, inventariei 1 espumante, 8 brancos (4 a copo), 3 rosés (1) e 10 tintos (4). Na lista constam os anos de colheita, o que não acontece na maioria dos restaurantes que conheço, mas lamentavelmente os tintos estão à temperatura ambiente, ou seja, quentes!
Optei por um copo do branco Lua Cheia em Vinhas Velhas 2017 (15,5+). A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo e servido por 2 vezes, a pedido.
Vale a pena conhecer este Mestrias, quanto mais não seja para comer o arroz de choco.

3.La Risotteria (Rua do Ouro, 265 - 1º) - 3,5*
Confesso que hesitei em incluir nas surpresas este espaço de restauração, devido à sua componente vínica que é muito fraca. Mas a qualidade das restantes componentes convenceram-me.
O espaço, situado no 1º andar de um hotel (The Lift Boutique Hotel), é acolhedor e bem decorado, com as mesas bem aparelhadas e guardanapos de pano.
Ementa à base de risottos, adequada ao nome da casa, muito originais e saborosos, mas algo pesados nesta altura do ano. A repetir a experiência com o tempo mais frio.
Serviço profissional e muito sipático.
Quanto à componente vínica, a lista é curta, muito centrada nos vinhos italianos, copos fraquitos e tintos à temperatura ambiente. A copo, só o da casa, que nem sequer o registei. A garrafa veio à mesa e dado a provar.
Tem, ainda, um menu de almoço a 12 € (couvert, entrada, prato e sobremesa), sem bebidas.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Vinhos em família (XCI) : 1 confirmação e 2 desilusões (relativas)

Mais alguns vinhos provados em família, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. Uma confirmação (o tinto) e duas desilusões (relativas, claro). E eles foram:
.Kompassus Private Colection 2011 - com base na casta Baga, estagiou 22 meses em barricas de carvalho francês novas e usadas; aroma muito fino, algo evoluído, já com aromas e sabores terciários e complexos, acidez no ponto, notas especiadas, taninos de veludo, grande estrutura e final de boca persistente. Teor alcoólico algo excessivo (15 % vol.); a beber nos próximos 3/4 anos, acompanhado de um prato no forno. Nota 18,5+ (noutra situação 18,5).
.1º Nome (Qtª do Mouro) 2016 - com base nas castas Rabigato (35 %), Gouveio (35 %), Arinto (20 %) e Alvarinho (10 %), estagiou 8 meses sobre as borras finas; nariz contido, presença de citrinos e um toque de maçãs, alguma acidez e gordura, volume e final de boca médios. Gastronómico. 12,5 % vol. Alguma desilusão (relativa). Nota 16,5
.Soulmate Grande Reserva (Cortes do Tua Wines) 2016 (garrafa nº 2069/2400) - 18 pontos na Grandes Escolhas e na Revista de Vinhos; com base nas castas tradicionais do Douro, estagiou 8 meses em barricas novas de carvalho francês; presença de citrinos e maçãs, notas florais e apetroladas, alguma acidez e gordura; algum volume e final de boca. 14 % vol. Precisa de tempo para se mostrar e crescer. Alguma desilusão  (relativa) depois das altas notas atribuídas. Nota 17,5.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Espaços de restauração : algumas surpresas (I)

1.Saraiva's (R. Engº Canto Resende,3 entre as avenidas Antº Augusto Aguiar e Sidónio Pais) - 4*
Recentemente o Saraiva's foi tema de conversa da revista Vinho - Grandes Escolhas e do gastrónomo Virgílio Gomes, no respectivo site, para o qual tenho um link. Este espaço, completamente remodelado, mudou de mãos e agora pertence aos mesmos donos da Tágide.
Sala confortável e luminosa, mesas despojadas, mas com guardanapos de pano.
Na ementa actual, curta mas deveras original, constam "À Mão" (6 referências), "Começamos?" (8), "Carne" (4), "Do Mar" (3) e "Goludices" (5).
Nesta visita comi:
.couvert ("flat bread", focaccia, pasta de alho francês e chops de banana)
.tortilha de cachaço de porco preto
.ovos rotos (destes também o professor gostava**)
Quanto à componente vínica, a lista também é curta, mas a escolha criteriosa. Inventariei 2 espumantes, 8 brancos (3 a copo), 10 tintos (3) e 2 rosés, lamentavelmente sem os anos de colheita.
Optei por um copo do tinto Casal Santa Maria Touriga Nacional/Merlot 2014 (3,80 €) - estagiou 14 meses em barricas de carvalho francês; nariz contido, notas florais e vegetais, alguma acidez, taninos suaves, magro na boca e persistência média. Nota 15,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo e temperatura adequada.
Resumindo, boa gastronomia e serviço eficiente e simpático. Uma boa surpresa!
** - este à parte na ementa tem a haver com uma polémica com o restaurante Bel Canto sobre a paternidade dos ovos à professor, que parece ter tido a sua origem no antigo restaurante bar Lorde.

sábado, 1 de setembro de 2018

Curtas (CII) : Néctar das Avenidas, Cerveja Artesanal e o blogue de férias

1.A Garrafeira Néctar das Avenidas tem nova morada
Já é oficial, a Néctar das Avenidas vai passar-se de armas e bagagens para outro espaço, com melhores condições. Fica na Av. Pinheiro Chagas,50 na esquina com a Luis Bivar, a 100 metros da morada actual.
A inauguração está prevista para o próximo dia 4 de Setembro. A partir das 17 h, um copo e um petisco esperam pelos clientes e amigos desta garrafeira.

2.A cerveja artesanal deu um tiro no pé
Vejo com espanto e perplexidade que o Continente editou um Guia de Cervejas, anunciando uma feira com as ditas, onde aparecem algumas artesanais de referência, como é o caso da Sovina, Nortada, Letra, Maldita, Vadia, Oitava Colina, Dois Corvos, Musa e +351, entre outro tipo de cervejas.
As cervejas artesanais deviam limitar-se às cervetecas (em Lisboa, já há umas tantas), lojas gourmet e garrafeiras. Ao entrarem num hipermercado, estão a dar um tiro no pé!

3.O blogue vai de férias
No decorrer da próxima semana, o enófilo militante estará longe do computador.
Fica por publicar "Espaços de restauração : algumas boas surpresas".
Até ao meu regresso...

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Agosto 2010 : o que se passou aqui há 8 anos?

Das 20 crónicas publicadas em Agosto 2010, destaco estas 3:

."O Grupo Pestana retalia", no dia 13
Depois de ter sido autorizado a levar vinho comigo para o restaurante Cozinha Velha (Pousada de Queluz), mediante o pagamento da respectiva taxa de rolha, alguém que não consegui identificar, melindrado com a minha crónica "Almoço na Cozinha Velha", publicada em 21/6/2010, e com mau perder, telefonou para minha casa, na véspera à noite, a cancelar a autorização anterior. Inqualificável!
Anos mais tarde voltei lá e constatei que, lamentavelmente, se mantinha tudo o que escrevi anteriormente (ver o ponto 2 da crónica "Curtas (IV)", publicada em 23/1/2013.

."Como vamos de vinhos nos Museus?", no dia 20
Este escrito veio na sequência de uma visita ao Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), onde almocei na respectiva cafetaria.
Este espaço e, se calhar, todos os outros ligados à museologia, visitado por milhares de turistas, estrangeiros ou nacionais, merecia uma melhor atenção à componente vínica que é uma autêntica vergonha, perante a passividade e ignorância dos políticos.
Em visita recente ao MNAA, constatei que, lamentavelmente, está tudo na mesma.
À atenção do Ministro da Cultura, do 1º Ministro e do PR.

."Almoço na Maria Pimenta", no dia 22
Uma crítica minha à componente vínica e outros aspectos deste restaurante, situado na antiga Fábrica da Pólvora em Barcarena, com o apoio da Câmara Municipal de Oeiras, provocou por parte de uma senhora (a dona ou amiga dos donos?) alguns comentários mal dispostos, desajustados e revelando uma iliteracia confrangedora, que mereceram respostas adequadas por parte de outros seguidores.
Esta crónica é de longe a mais lida, vá lá perceber-se porquê...
Serão os mistérios insondáveis da blogosfera!

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Espaços de restauração : algumas decepções (III)

continuando...

5.Tapas Bar 47 (Rua do Alecrim,47A) - 2,5*
Este espaço fica dentro da Garrafeira Imperial (GI) ou será ao contrário, a Garrafeira é que fica dentro deste Tapas Bar? Confesso que não entendi, até porque o site da GI não lhe faz qualquer referência.
Diga-se que já conhecia a GI, onde, quando em quando, compro algum vinho que dificilmente se encontra noutros locais, a preços honestos.
E só tenho a dizer bem do atendimento, por parte da Maristela Lima (infelizmente de férias quando da minha visita ao Tapas Bar).
Como andava curioso já há algum tempo, recentemente resolvi testar o Tapas Bar, mas esta experiência foi um desastre, como explicarei adiante.
O Tapas Bar tem um menú de almoço (14,90 €), com direito a couver, entrada (a escolher entre 3), prato (idem), bebida e café. Optei pelo coelho de escabeche (ainda vinha morno e de escabeche pouco ou nada) e pelo entrecosto com favas (era à base de enchidos, entrecosto quase nada e favas praticamente desfeitas).
Quanto à bebida escolhi um copo de tinto que já veio servido (!?) e a garrafa nem sequer foi mostrada (nem quando perguntei que vinho era e repectivo ano de colheita). Nem no mais modesto restaurante fariam tal coisa. Lamentável!
Acabei por saber que o vinho era Casa Santos Lima Touriga Franca 2015 (16,5+) que veio a uma temperatura, copo e quantidade aceitáveis.
O serviço, dividido entre a garrafeira e as duas salas deste espaço de restauração, mostrou-se desatento e desorganizado. Depois de ter comido, estive à espera 20 (vinte!) minutos que me levantassem os pratos da mesa e eu pudesse pedir o café. Lamentável...
Mais, fuma-se tanto no Tapas Bar como na própria GI, o que de todo não entendo.

domingo, 26 de agosto de 2018

Espaços de restauração : algumas decepções (II)

continuando...

3.Restaurante da Adega - 3*
Este espectacular espaço é pertença do produtor Ribafreixo Wines, localizado na Vidigueira. Com uma vista panorâmica para as vinhas, dispõe de uma sala ampla mas confortável, mesas bem aparelhadas, guardanapos de pano, pratos Vista Alegre e bons copos italianos.
A ementa é curta e os pratos especiais só por encomenda. Comemos uma açorda de espinafres com bacalhau, queijo e ovo, uma dose para 2 pessoas, muito bem apresentada numa telha, embora pouco saborosa e longe da receita tradicional.
Vinhos disponíveis, apenas os do produtor, como seria de esperar. Carta de vinhos muito didáctica, incluindo a descrição, notas de prova e harmonizações, para cada um deles.
Escolhemos o topo de gama da casa, o Gaudio Reserva 2013 - com base nas castas Alicante Bouschet (80 %) e Touriga Nacional (20%), estagiou 13 meses em barricas novas de carvalho francês e mais 16 meses em garrafa, o que é de aplaudir. Perfil e estrutura adequada à cozinha alentejana. Nota 17,5.
Só que a garrafa veio à mesa a uma temperatura acima (bastante) do recomendável. Chamada à atenção, a empregada explicou que era assim mesmo que se provava um vinho!!!???
Perante a nossa insistência, acabou por ir buscar uma manga e nós tivemos que esperar uma boa meia hora para que a temperatura baixasse uns graus!
Isto na casa do produtor, o que é indesculpável. Cartão amarelo à Ribafreixo!
Ó Paulo Laureano (o enólogo consultor ) dê lá formação ao pessoal do restaurante, que bem precisa!

4.Bem Haja (Rua Marcos Portugal,5 à Praça das Flores) - 3,5 *
Depois de ter estado em Nelas e abancado no Bem Haja (ver crónica "Rescaldo das férias (II) - Bem Haja e Mesa de Lemos", publicada em 26/7/2018), tive a curiosidade de poisar no Bem Haja original, da Isabel Raposo que o trouxe para Lisboa (primeiro em Campolide e agora na Praça das Flores, no mesmo espaço onde esteve o Castro Flores).
Sala acolhedora, mesas bem aparelhadas e guardanapos de pano. Pedi o mesmo prato que comi em Nelas, o entrecosto com arroz de carqueja. O entrecosto estava saborosíssimo, mas o arroz era requentado e da carqueja nem o rasto.
Quanto à componente vínica, a lista é razoável, mas omite os anos de colheita e a copo só da casa (o Grão Vasco 2016). A garrafa veio à mesa, a uma temperatura adequada e dado a provar num bom copo.
Quanto ao serviço, foi tudo excessivamente demorado, pois a empregada (uma boa profissional, diga-se) estava a atender clientes, em simultâneo, na sala e na esplanada (cheia), enquanto que na cozinha, o seu filho, sem qualquer ajuda, fazia autênticos milagres.
A dona acabou por aparecer, já nós estavamos a terminar o almoço. Perante as nossas queixas, ofereceu a sobremesa, Vá lá...
Mas este Bem Haja não ganha ao de Nelas. Outra desilusão.
continua...

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Curtas (CI) : a Sandra na RTP3 e a Comida Independente

1.A Sandra na RTP3
A RTP3 no seu programa "Grande Entrevista" deu a voz à Sandra Tavares da Silva, a mediática enóloga de reconhecidos méritos (Chocapalha, Pintas, etc).
A entrevista veio para o ar na passada 4ª feira, cerca das 23h, e quem perdeu o programa ainda pode vê-lo até à próxima 4ª feira (no canal 6 para quem tenha a NOS).
Ficam avisados, sem desculpas para esquecimentos.

2.Comida Independente (Rua Cais do Tojo, 28 em Santos)
É uma loja gourmet ou uma mercearia fina, como lhe queiram chamar, cujo lema é "Grandes Produtos - Pequenos Produtores", que arrancou há cerca de 6 meses. Ali se pode encontrar enchidos, queijos, conservas, vinho, cervejas artesanais e azeites, que não se encontram facilmente, mas também legumes e pão fresco. Uma pena ficar tão escondida.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Espaços de restauração : algumas decepções (I)

Ultimamente tive algumas decepções em espaços de restauração (alguns bem badalados na comunicação social), nomeadamente quanto ao serviço de vinhos.

1.Skora - nordic cuisine (Av. Duque d' Ávila, 45 D) - 1*
Aqui correu tudo muito mal, a saber:
.não havia ementa, tendo-me remetido para uma ardósia que está na rua à porta do restaurante
.na ementa apenas constava uns filetes de peixe, um prato de pato e uma salsicha dinamarquesa (o único prato nórdico, por sinal pouco apelativo)
.não havia lista de vinhos, apenas tinham o da casa, branco e tinto (optei por uma cerveja belga)
.quando paguei, não me entregaram a factura, dizendo que havia um problema com a impressora (prometeram enviar via email, mas não o fizeram)
.quando fui ao WC fiquei às escuras (a luz só veio quando abri a porta)
.ao lavar as mãos constatei que o contentor das toalhas de papel estava avariado, pelo que tive de me deslocar ao WC das senhoras.
Só desgraças!
Há poucos dias, decorrido cerca de 1 mês, passei por lá e estava encerrado. Fiquei com a sensação que definitivamente. Só podia...

2.Estufa Real (Jardim Botânico da Ajuda) - 2*
Frequentei uma série de vezes este espaço, no passado, sempre com boas experiências, fosse na área gastronómica, fosse na componente vínica (lembro-me, até, que a carta de vinhos fora desenhada pelo mestre de enologia Virgílio Loureiro).
Passados uns anos revisitei a Estufa Real, no âmbito do Lisboa Restaurant Week, tendo ficado desiludido, como se pode constatar na crónica "Lisboa Restaurant Week (III)", publicada em 4/10/2011.
Em má hora, revisitei este icónico espaço, tendo a desilusão sido ainda foi maior. O restaurante só abre para o brunch dos Domingos ou para casamentos e baptizados. Uma pena...
Agora, para almoços de 2ª a 6ª feira, só funciona a esplanada, com uma ementa simples, reduzida e desinteressante. Tencionava beber vinho a copo, mas quando me trouxeram os ditos copos, inqualificáveis, mandei-os para trás. Ainda perguntei se tinham alguma cerveja artesanal, mas perante a resposta negativa optei por beber água.
Estufa Real, nunca mais! Quem a viu e quem a vê...
continua...

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Grupo FJF (4ª sessão) : tudo na maior!

O Grupo FJF, reforçado com outro J (J.Rosa), reuniu novamente no Magano. Com excepção do fortificado, os 3 vinhos de mesa foram provados às cegas, com bons resultados. E eles foram:
.Muros de Magma Verdelho 2015 (levado por mim) - DO Biscoitos, com 12,5 % vol. e enologia de Anselmo Mendes, estagiou 6 meses em barricas usadas de carvalho francês; nariz exuberante, fresco, cítrico e salino, muito boa acidez, notas amanteigadas, algum volume e final de boca longo. Pura elegância. Nota 18.
Acompanhou as entradas habituais.
.Blanco Nieva Pie Franco Verdejo 2015 (levado pelo João) - DO Rueda, com 13 % vol., a partir de vinhas velhas com mais de 100 anos e sem estágio em barrica; austero, mineral e cítrico, acidez equilibrada e notas amanteigadas, bom volume e final de boca médio. Gastronómico. Nota 17,5+ (noutras situações 18/18).
Maridou com filetes de peixe com arroz.
.Conde de Vilar Seco Touriga Nacional Garrafeira 2010 (levado pelo Frederico) - garrafa nº 811/1246, produzida por Qtª da Fata, a partir da vinha que obteve o 1º prémio "A melhor vinha do Dão 2016", com 13 % vol.; com pisa a pé, estagiou em barricas de carvalho francês; ainda com fruta e notas florais, acidez no ponto, frescura e juventude, algum especiado, volume e final de boca. A beber nos próximos 10/12 anos. Nota 18,5.
Harmonizou com bochecha de vitela e grelos.
.Blandy Bual 1977 (levada pelo J.Rosa) - engarrafada em 2007, com o nº 404/1666; frutos secos, notas de iodo, brandy e caril, vinagrinho bem presente, taninos civilizados, volume considerável e final de boca interminável. Não me canso de beber esta Madeira (esta foi a 19ª garrafa que me passou pelo estreito!). Nota 19.
Acompanhou a tradicional tarte de amêndoa, a ligação perfeita.
Resta acrescentar que a gastronomia e o serviço de vinhos estiveram à altura dos acontecimentos. Nem outra coisa seria de esperar.

sábado, 18 de agosto de 2018

Almoço com Vinhos Fortificados (29ª sessão) : uma grande jornada em Porto Covo

Este grupo de enófilos militantes, também conhecido pelo Grupo dos Madeiras, rumou a Porto Covo, "chez" Natalina (nos tachos) e Modesto (nos vinhos). Diga-se desde já que o casal de anfitriões se esmerou e deu o seu melhor, tanto na gastronomia como nos vinhos (1 espumante, 2 brancos, 1 tinto e 3 Madeiras). Nota alta para o casal.
A bebida de boas vindas foi o espumante Soalheiro, a cumprir bem a sua missão. Mas também se podiam provar os brancos, a acompanhar uma série de entradas (chamuças, cogumelos recheados e uma imperdível casquinha de sapateira).
.Anselmo Mendes Curtimenta Alvarinho 2009, em versão magnum - aromas e sabores terciários, acidez bem presente, notas glicerinadas, complexo, volume e final de boca assinaláveis. Gastronómico. Nota 18.
Já com o grupo instalado à mesa, desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2015, em versão 3 litros - mais fresco e mineral, acidez no ponto, notas florais e amanteigadas, algum volume e final de boca. Nota 17,5+ (noutras situações 17,5/17,5+).
Harmonizou com a canja de garoupa, ameijoas e espinafres.
.Borges Sercial 1979 (sem data de engarrafamento visível) - presença de frutos secos e vinagrinho, notas de iodo, brandy e caril, grande complexidade, boa estrutura e final de boca interminável. Nota 19 (noutras situações 18,5/18,5/19/19/19/18+).
Serviu para preparar o palato para o prato seguinte. Um luxo!
.Vallado Reserva 2011, em versão 3 litros - com base em vinhas velhas com mais de 80 anos, estagiou 18 meses em meias pipas de carvalho francês; nariz intenso, ainda com muita fruta, bela acidez, especiado e complexo, taninos de veludo, grande volume e final de boca persistente. A beber dentro de 7/8 anos. Nota 18,5+ (noutra situação também 18,5+).
Maridou com uma feijoada de lebre.
.Artur Barros e Sousa Terrantez 1980 (engarrafado em 2011) - nariz discreto, presença de frutos secos, notas de caril e iodo, algum vinagrinho, taninos evidentes, algum volume e final de boca assinalável. Nota 18,5 (noutra situação 17,5+).
.Cossart Gordon Bual 1969 (engarrafado em 2004; nº 506/2000) - aroma exuberante, frutos secos, vinagrinho, notas de iodo e brandy, taninos vigorosos, boa estrutura e final de boca interminável. Nota 19 (noutras situações 18,5+/17,5+/18).
Estes fortificados acompanharam doces diversos, tábua de queijos e salada de frutos tropicais.
Foi mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes. Obrigado Natalina! Obrigado Modesto!

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Jantar Portal do Fidalgo

Em pleno verão e em cima das férias da maioria dos consumidores, a Garrafeira Néctar das Avenidas "atreveu-se" a realizar mais um jantar vínico, mas com o cuidado de se adaptar às circunstâncias. O produtor escolhido foi o Portal do Fidalgo que apresentou 10 Alvarinhos (1 espumante e 9 tranquilos), numa sessão muito didáctica ao colocar lado a lado vinhos com 10 anos de diferença. Com uma única excepção, os mais antigos sobrepuseram-se aos mais jovens, como seria de esperar, pois a casta Alvarinho precisa de uns anos de evolução. No seu melhor é a grande casta portuguesa que compete bem com as melhores do mundo.
O evento contou com a presença do enólogo da casa (Abel Codesso), demonstrando uma grande facilidade de comunicação, e a equipa comercial (João Marques, já meu conhecido dos bons velhos tempos das CAV, e Nuno Araújo) e decorreu na esplanada interior do Hotel Real Palácio, registando-se com agrado a boa logística e o ritmo adequado. Quanto à comida, foi a possível...
A bebida de boas vindas foi o espumante Côto de Mamoelas Bruto 2015 que cumpriu da melhor maneira a sua função. Seguiram-se (apenas com as respectivas classificações):
.Portal do Fidalgo 2007 (18) e 2017 (15,5)
com rolinhos de salmão fumado
.Portal do Fidalgo 2006 (17,5) e 2016 (16,5)
com bolinhas de vitela e, ainda, de alheira
.Contradição 2014 (17,5) e 2017 (17)
com brás de espargos e tomate seco
.Portal do Fidalgo Reserva 25 Anos 2015 (18; noutra situação também 18: ver crónica "Grupo dos 6 (11ª sessão) : um conjunto equilibrado de vinhos", publicada no dia 7)
com risotto de lima e coentros com tempura de polvo
.Portal do Fidalgo 1999 (14,5 foi o elo mais fraco, ou seja, a excepção a confirmar a regra) e 2011 (17,5+)
com torta de laranja com queijo mascarpone e citrinos
Conclusão: beber agora os vinhos de casta Alvarinho acabados de sair para o mercado é pura pedofilia; há que esperar por eles meia dúzia de anos (há colheitas antigas ainda à venda)

sábado, 11 de agosto de 2018

Cerveja artesanal versus vinho a copo

1.Uma introdução
Desde que "descobri" as cervejas artesanais, a minha escolha está feita. A velha imperial está fora de questão, já não a consigo tragar. Quando vou a um restaurante e se o mesmo tiver alguma cerveja artesanal, ou mesmo a 1927, a semi-artesanal da Super Bock (superior à Bohemia, a semi-artesanal da Sagres), não hesito. É bem melhor do que beber um vinho a copo banal, quase sempre o da casa, e mais caro.
E não é por acaso que a cerveja artesanal, além de estar na moda, despertou o interesse de alguns produtores de vinho (a Herdade do Esporão que comprou a Sovina, a Qtª La Rosa, a Qtª do Gradil e o Dirk Niepoort que já produzem as suas próprias marcas, além de parcerias avulsas com o Anselmo Mendes e Qtª do Portal) e mereceu já uma atenção esclarecida  por parte de alguma comunicação social.
No espaço de pouco mais de 1 mês, a Fugas de 30 de Junho dedicou-lhe um extenso artigo de 8 páginas, assinado por Luís Octávio Costa (LOC), jornalista do Público, e a Vinho Grandes Escolhas, saída há dias, pela pena do jornalista José Miguel Dentinho (JMD), debruçou-se sobre o mesmo tema, também ao longo de 8 páginas. Curiosamente, também na Fugas (27 de Julho), o Miguel Esteves Cardoso, muito conservador em termos vínicos e não só, fez o seu acto de contrição e aderiu à excelência da cerveja artesanal.
Na blogosfera, que eu me tivesse apercebido, apenas no "Comer Beber Lazer" e no "Joli" foram comentadas cervejas artesanais.

2.A Fugas
No artigo acima mencionado, publicado com o título "Quando a cerveja é tratada como vinho" e assinado por LOC, o autor refere "(...) Uma nova onda de produtores artesanais está a combinar cerveja e vinificação para criar cervejas únicas perfeitas para os amantes do vinho (...)". Além do artigo principal, dedica outro à cerveja "Dois Corvos" e outro ainda a "Esporão e Sovina", onde a propósito sublinha a atitude do João Roquette, em querer "fazer crescer em Portugal uma cultura da cerveja artesanal".

3.Grandes Escolhas
No nº de Agosto desta revista o jornalista JMD assina 3 artigos, sendo o 1º "Criatividade e Paixão", uma introdução ao tema onde refere "São já quase uma centena as marcas de cervejas criadas por pequenos produtores, dando corpo à categoria a que se convencionou chamar cerveja artesanal. Um nome apropriado, já que em cada copo destas cervejas está um pouco do empenho, da paixão e da capacidade de quem a produz". O 2º "Esporão aposta no sector cervejeiro" (a compra da Sovina pela Herdade do Esporão) e o 3º "Do vinho à cerveja artesanal" (a propósito da produção da Qtª La Rosa, já com 2 cervejas e uma 3ª na forja).

4.Uma conclusão (a minha)
Que eu saiba (e corrijam-me se estiver enganado), o único ponto de venda de vinhos de prestígio que aderiu às cervejas artesanais é o novo espaço da loja gourmet do Corte Inglês. Uma pena que não haja mais lojas ou garrafeiras de referência a cavalgar esta nova e desafiante onda.
Atrevo-me a afirmar que este fenómeno da cerveja artesanal veio atrasado 10 anos ou mais, pois se fosse no tempo da saudosa e emblemática Coisas do Arco do Vinho, as suas portas estariam abertas a esta nova aposta.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Vinhos em família (XC) : brancos de qualidade

A crónica de hoje é dedicada aos últimos vinhos que bebi em família, todos brancos e todos com qualidade, o que seria impensável há uns anos atrás. Aliás, vou bebendo brancos ao longo de todo o ano, enquanto que nos dias mais quentes os tintos não são tão apelativos e ficam à espera de melhor oportunidade.
Ei-los, os últimos 5:
.Kompassus Reserva 2015 (12 % vol.) - enologia de Anselmo Mendes; com base nas castas Arinto (70 %) e Bical (30 %), estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês (60 % novas e 40 % usadas); muito fresco e mineral, presença de citrinos, acidez q.b., volume e final de boca médios. Fino e elegante, acompanha bem entradas leves. Nota 17.
.Anselmo Mendes Beira Interior 2014 (12,5 % vol.) - com base na casta Síria em vinhas velhas, estagiou 9 meses em barricas novas de carvalho francês seguido de 24 meses em garrafa; muito floral, alguma frescura e notas amanteigadas, algum volume e final de boca. Nota 17,5.
.Regueiro Alvarinho Barricas 2015 (13 % vol.; garrafa nº 548/1976) - estagiou em barricas de carvalho francês; presença de citrinos e fruta madura, bela acidez e algum amanteigado, volume e final de boca consistentes. Potencial de envelhecimento e gastronómico. Nota 17,5+.
.Qtª do Ameal Escolha 2015 (11,5% vol.) - com base nas castas Loureiro (90 %) e Arinto (10 %), estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês usadas; muito fresco, mineral e cítrico, acidez no ponto, algum amanteigado, volume e final de boca médios. Elegante, acompanha bem marisco, peixe grelhado ou entradas leves. Nota 17,5.
.Terrenus Reserva Vinhas Velhas 2015 (13 % vol.) - 92 pontos no Parker; com base em vinhas velhas com mais de 90 anos, plantadas a 700 metros de altitude na Serra São Mamede, estagiou 12 meses em cubas de cimento e mais 12 em garrafa; presença de fruta de caroço, alguma acidez e gordura, volume e final de boca médios. Gastronómico. Nota 17.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Grupo dos 6 (11ª sessão) : um conjunto equilibrado de vinhos

Este grupo de enófilos da linha dura (Adelino, Juca, João, J.Rosa, Frederico e eu) reuniu, uma vez mais, no restaurante Magano (boa comida e serviço de vinhos exemplar, sempre!) para provar 6 vinhos (2 brancos, 3 tintos e 1 Madeira).
E eles foram:
.Portal do Fidalgo Alvarinho Reserva 25 Anos 2015 (levado pelo J.Rosa) - Prémio de Excelência 2017 atribuído pela Revista de Vinhos; aromático, presença de citrinos e fruta madura, acidez equilibrada, algum amanteigado, volume considerável e final de boca persistente. Elegância e personalidade. 13 % vol. Nota 18.
Acompanhou as habituais entradas.
.Maritávora Grande Reserva Vinhas Velhas 2011 (levado pelo Frederico) - com base nas castas Códega do Larinho, Rabigato e Viosinho, em vinhas velhas com mais de 100 anos, estagiou 6 meses em barrica; nariz contido, alguma oxidação nobre, madeira bem integrada, fruta madura, acidez nos mínimos, algum volume e final de boca adocicado. Já atingiu o seu ponto óptimo de consumo. 12,5 % vol. Nota 17,5.
Maridou bem com um bife de atum e grelos.
.Herdade das Servas Parcela V 2011 (1 das 1000 garrafas produzidas, levada por mim) - com base em vinhas velhas com mais de 70 anos, estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês, seguido de mais 36 meses em garrafa; ainda com alguma fruta preta, fresco, acidez no ponto, taninos presentes mas civilizados, alguma complexidade e volume, final de boca muito extenso. No pico da forma. Nota 17,5+.
.Qtª da Falorca Garrafeira 2011 (levado pelo Juca) - 95 pontos no Parker; estagiou 24 meses em barricas de carvalho francês e mais 30 meses em garrafa; frutado, notas florais, acidez equilibrada, taninos presentes, volume e final de boca consideráveis. Muito elegante e complexo. A beber daqui até 7/8 anos. Nota 18,5.
.Qtª de Saes Reserva Estágio Prolongado 2011 (levado pelo João) - com base em vinhas velhas, estagiou em barricas 14 meses e mais uns tantos em garrafa; ainda com muita fruta vermelha, fresco e floral, bela acidez, volume e final de boca médios. A beber já ou nos próximos 4/5 anos. Nota 17,5.
Estes 3 tintos harmonizaram com vitela assada no forno.
.Artur Barros e Sousa Malvasia 1965 (levado pelo Adelino) - muito fresco, presença de frutos secos, iodo, brandy e vinagrinho, taninos civilizados, algum volume e final de boca extenso. Muito equilibrado. Nota 18,5.
Acompanhou tarte de amêndoa (excelente ligação) e pão de ló.
Foi uma sessão muito equilibrada e sem desilusões, sendo justo destacar o Qtª da Falorca e o Madeira.

sábado, 4 de agosto de 2018

Julho 2010: o que se passou aqui há 8 anos?

Das 15 crónicas publicadas no decorrer de Julho 2010, destaco estas 3:

."O Francisco não merecia isto!", no dia 15
Apresentação e prova de vinhos Madeira, orientada pelo Francisco Albuquerque, seguida de jantar, no Clube dos Jornalistas.
Não fora a militância do núcleo duro das Coisas do Arco do Vinho, o Francisco tinha ficado praticamente a falar sozinho.

."Impressões de Paris, 2ª parte - Lavinia, o deslumbramento", no dia 18
Quando um lojista tuga (eu próprio) se sente esmagado por uma garrafeira de outra galáxia...

."Jantar no Assinatura", no dia 21
Um dos jantares temáticos ("Cascas e Pinças") em que participei, concebidos pelo chefe Henrique Mouro, no auge da sua carreira e antes de se ter eclipsado.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Rescaldo das férias (V) : Paço dos Cunhas e O Tachinho

continuando...

9.Paço dos Cunhas de Santar (Santar) - 3*
Este espaço é mais um restaurante da Global Wines (o outro aqui referido é o Qtª de Cabriz), tendo sido já objecto da crónica "Enoturismo no Dão (II) : Paço dos Cunhas de Santar", publicada em 11/10/2016, e feito parte do meu TOP 10 espaços de restauração, em 2014.
Mas, em contramão, esta última visita foi uma desilusão, embora o espaço seja confortável, as mesas bem aparelhadas, os copos Schott tenham qualidade e continuem, muito simpaticamente, a oferecer, à chegada, um flute de espumante (desta vez foi o Qtª do Encontro Bruto).
Primeiro aspecto negativo: sem direito a ementa, foi-nos dito que durante a semana só serviam o menu do dia (ovos mexidos com farinheira e enchidos, arroz de polvo e arroz doce).
Segundo: o vinho que acompanhava era o tinto Cabriz Colheita Seleccionada 2015 (16,5), a garrafa veio à mesa e servido de imediato, sem ter sido dado a provar. Mais, a temperatura não era a adequada, e o copo foi rejeitado. Veio um 2º, menos mal, mas acima do recomendável.
Com a sobremesa foi provado o Moscatel do Douro Palestra (15,5).
Serviço a cumprir os mínimos, mas mais preocupado com as mesas onde comiam estrangeiros.
Paço dos Cunhas, quem o viu e quem o vê!

10.O Tachinho (Seia) - 4*
"Descoberto" na net, foi uma das surpresas destas férias. Afastado do centro, não é fácil lá chegar (só com GPS, que não tenho, ou ouvindo via telefone as explicações duma empregada, que foi o nosso caso). Ambiente familiar, sala espaçosa e iluminada (naturalmente), toalhas de papel, mas guardanapos de pano. Atendimento eficiente e muito simpático.
Veio para a mesa, de comer e chorar por mais:
.joelho de porco assado no forno, com legumes e arroz de feijão
.arroz de entrecosto de javali
Quanto à componente vínica, a lista estava toda datada (atenção , restaurantes com pretensões mas que omitem os anos de colheita, ponham os olhos neste modesto espaço), centrada no Dão, mas com algumas falhas e sem vinhos a copo (só o da casa).
Optei por uma garrafa Dão Alvaro de Castro 2011 (17,5+) que foi dada a provar num bom copo (a pedido). A temperatura não era a mais adequada, mas prontamente resolveram a questão.
Bebemos metade da garrafa e o resto marchou no jantar no hotel.
Recomendo, sem hesitar!

Fim dos nossos serviços...

terça-feira, 31 de julho de 2018

Rescaldo das férias (IV) : Taberna da Adega e Petz Bar

continuando...

7.Taberna da Adega (Nelas) - 4,5*
A Taberna da Adega é o espaço de restauração da Lusovini Vinhos de Portugal, uma mistura de restaurante, enoteca e tasca fina. A sala é confortável e toda ela virada ao vinho, a começar por 2 das paredes repletas de garrafas e uma outra com os nomes das castas da região e não só. Mesas aparelhadas com toalhetes e guardanapos de papel.
À chegada e antes de nos ser destinada mesa é-nos oferecido um flute com o espumante Aplauso Rosé que faz parte do portefólio da Lusovini. Começamos bem.
Na mesa optámos pelo menu do dia (9,90 €), com direito a :
.couver (broa, manteiga de cabra e azeite Pedra Cancela)
.robalo escalado com legumes
.bebida
.café
Quanto à componente vínica, a lista está bem elaborada, inclui os anos de colheita, mas limita-se ao portefólio da Lusovini (um reparo: os verdes estão erradamente separados dos outros vinhos). O vinho branco do menu era o Pedra Cancela Selecção do Enólogo 2017 (16,5+). A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num copo Riedel (um luxo!) e servido por 2 vezes para não aquecer no copo.
No final do almoço comeu-se, extra menu, um pudim de queijo da serra, devidamente acompanhado por um copo de Andresen Porto Branco 20 Anos (18). Uma delícia...
Em conclusão, bom ambiente onde se respira vinho, gastronomia de qualidade, bons preços e serviço profissional com muita simpatia à mistura.
Imperdível!

8.Petz Bar (Laceiras, Cabanas de Viriato) - 2,5*
Sala muito barulhenta (estava praticamente cheia) e algo desconfortável. Serviço simpático, mas atabalhoado. Fomos empurrados para os pratos do dia, sem sequer termos visto a ementa. Lá vieram uns filetes de pescada sem história, acompanhados por um arroz de tomate razoável.
Quanto à componente vínica, com base na região do Dão, sem anos de colheita e sem vinhos a copo (excepto o da casa), mas com preços honestos, optámos por uma garrafa de Qtª das Marias Encruzado 2016 (17) que não foi dada a provar. Os copos, a pedido, foram trocados por outros aceitáveis, mas desiguais! Bebemos metade da garrafa e levámos o resto para o hotel.
Acredito que se coma bem no Petz Bar, que nos foi recomendado por um grande amigo, mas só se se for ou muito cedo ou muito tarde. À hora de ponta não dá.
continua...

domingo, 29 de julho de 2018

Rescaldo das férias (III) : Restaurante Real, Zé Pataco e Qtª de Cabriz

continuando...

4.Restaurante Real (Urgeiriça) - 3*
O Restaurante Real, aberto ao público, fica no Hotel da Urgeiriça e é um espaço espectacular "very british", que disponibiliza um menú almoço (couver, entrada, prato e sobremesa) por 17 €. A entrada (uma salada de tomate com queijo) não tinha história, mas o bacalhau à lagareiro era francamente bom.
Quanto à componente vínica, imperava a falta de imaginação na escolha dos vinhos, os anos de colheita estavam omissos, os tintos estavam à temperatura ambiente e os copos eram francamente maus (a pedido, vieram outros, aceitáveis). Só desgraças!
A garrafa veio à mesa e mergulhada num recipiente com água e gelo. O vinho, meia garrafa de Cabriz Colheita Seleccionada 2016 (16,5), foi dado a provar. Vá lá!
Este belo espaço parou no tempo, uma pena. À saída, deparei com um recorte de jornal (Comércio do Porto de 21/4/1985) sobre o hotel, devidamente emoldurado, onde se podia ler "Foi o paraíso de amor para Salazar e muitos outros". Está tudo dito...

5.Zé Pataco (Canas de Senhorim) - 4,5*
O restaurante Zé Pataco é um espaço amplo, algo barulhento, com toalhetes e guardanapos de papel, que aposta, e bem, na cozinha tradicional portuguesa.
Comi um excelente ensopado de enguias, do melhor que me passou pelo estreito, seguido de uma Delícia da Casa, à base de mousse de chocolate, que é mesmo uma delícia.
Quanto à componente vínica, embora sem os anos de colheita, a lista é surpreendente, centrada no Dão, mas com vinhos de referência de outras regiões (Barca Velha, entre outros). Mais, os tintos estão em armários térmicos e os copos C & S (Chef & Sommelier) são francamente bons.
Optei por uma meia garrafa de Pedra Cancela Reserva Malvasia Fina e Encruzado 2016 (16,5), com um logotipo praticamente igual ao da Qtª de Lemos (quem teria copiado quem?). A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar.
A visita a este Zé Pataco foi um dos pontos altos das minhas férias. Grande surpresa!

6.Quinta de Cabriz (Carregal do Sal) - 4*
É um dos restaurantes geridos pela Global Wines, detentora da marca Qtª de Cabriz. Sala acolhedora, com uma das paredes transformada em expositor de garrafas do respectivo portefólio, mesas aparelhadas e guardanapos de pano.
Atendimento muito profissional e simpático, a começar pela oferta de um amuse bouche (moelas guizadas) e de um flute com o espumante Qtª do Encontro Rosé.
Comi umas ameijoas asiáticas fraquinhas seguidas de um cabrito no forno, algo seco, com um delicioso arroz de feijão. A terminar, uma tarte de amêndoa.
Quanto à componente vínica, a lista está bem construída, inclui os anos de colheita e uns tantos vinhos a copo a preços tentadores, mas só com as marcas do grupo.
Bebi, a copo:
.Casa de Santar Reserva 2015 branco (16,5+)
.Casa de Santar Reserva 2013 tinto (17,5)
As garrafas vieram à mesa e os vinhos dados a provar em bons copos Schott, a temperaturas correctas (o restaurante possui armários térmicos).
Gostei francamente do espaço, que já conhecia de outra visita, e do serviço, mas fiquei com dúvidas sobre a componente gastronómica.
continua...

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Rescaldo das férias (II) : Bem Haja e Mesa de Lemos

continuando...

2.Bem Haja (Nelas) - 3,5*
Já não ia ao Bem Haja, uma referência em Nelas, há uma série de anos, mas desta vez não me apaixonou. Sei que as pessoas são outras e que a dona do original trouxe-o para Lisboa (Praça das Flores). Tenciono visitá-lo na primeira oportunidade.
Em Nelas, comi um saboroso entrecosto, acompanhado com um arroz de carqueija que não deixou saudades.
Quanto à componente vínica, a lista é longa, mas com oferta a copo reduzida e omissão dos anos de colheita. Optei por um copo do tinto Pedra Cancela Reserva 2014 (nota 17).
A garrafa veio à mesa e o vinho dar a provar num bom copo e à temperatura correcta.
Em conclusão, esta tardia revisita, foi uma relativa desilusão.

3.Mesa de Lemos (Quinta de Lemos, Silgueiros) - 5*
O Mesa de Lemos, já aqui referido e louvado em "Enoturismo no Dão (VI) : Quinta de Lemos", crónica publicada em 1/11/2016, é seguramente o melhor restaurante da região e um dos melhores em Portugal. Conforto, prazer à mesa, bons vinhos e serviço requintado e personalizado, são as principais características deste surpreendente espaço de restauração.
Como mais valia, a loiça (Vista Alegre) e os talheres estão personalizados com o logo da Qtª de Lemos e os copos são Zwiesel (o topo de gama da Schott).
Nesta revisita optei pelo Menu Mesa de Lemos (40 €, acrescidos de 15 € do suplemento de vinhos). Também se podem escolher o Menu Lemos (80 + 25 €) ou o Menu do Chefe (105 + 40 €), mas o primeiro é mais que suficiente e ninguém fica com fome.
O repasto foi composto por 4 momentos, a saber:
.1º - 3 "mimos" do chefe ("ovo", servido num ovo de vidro, "leguminosas" e pastel de massa tenra com barriga de atum)
.2º - da Islândia o Bacalhau
.3º - do Montado Alentejano o Porco
.4º - da Nossa Horta o Kiwi
Entre o 1º e o 2º momentos, foi servido o couver (pão feito na casa, manteiga dos Açores, sal de Castro Marim e azeite da Qtª de Lemos).
Diga-se desde já que tudo o que veio para a mesa era de grande qualidade e na cozinha estava a Inês Beja, já nossa conhecida. O maior elogio: não demos pela ausência do chefe Diogo Rocha.
Quanto ao suplemento de vinhos, todos da Qtª de Lemos, com excepção do espumante, provei/bebi:
.Ribeiro Santo Bruto
.Manuela Rosé 2015
.Dona Paulette Encruzado 2015 (16,5+)
.Dona Santana 2012 tinto (17,5+)
.Fortificado sem rótulo, estilo LBV com base na casta Touriga Nacional (uma boa surpresa).
O serviço continua requintado, com os empregados a pegar nos copos ou nos talheres com luvas apropriadas.
É de inteira justiça referir, para além da Inês, a Andreia (Relações Públicas) que nos recebeu e acompanhou numa visita às instalações e o escanção Ricardo que apresentou e serviu os vinhos com muito profissionalismo.
Foi uma grande jornada e o ponto mais alto destas férias. Todos os enófilos que se prezam deviam conhecer esta Mesa de Lemos. Obrigatório!
continua...

terça-feira, 24 de julho de 2018

Rescaldo das férias (I) : Manjar do Marquês

Uma semana e meia de férias termais, "obrigou-me" a frequentar 10 restaurantes (1 no caminho e 9 na zona) para almoçar. Dessas experiências, umas já minhas conhecidas e outras não, darei fé no decorrer das próximas crónicas, com referência ao que comi, ao que bebi e como me trataram. A cada espaço de restauração, será atribuída uma classificação (1 a 5 *) que será o reflexo ponderado de um conjunto de factores, nomeadamente o ambiente, a gastronomia e, muito especialmente, a componente vínica (carta, oferta a copo, copos, temperaturas e serviço propriamente dito).
A classificação, baseada numa única visita, poderá ser injusta ou benévola, mas penso que não estará muito afastada da realidade. Quem conhecer estes restaurantes, poderá ajuizar os meus critérios.

1.Manjar do Marquês (Pombal) - 4,5*
Já publiquei alguma crónicas onde refiro este imperdível espaço de restauração, sendo a última "Rescaldo da ida ao Douro (II) : Manjar do Marquês e B & W", em 24/9/2015, com um link para uma outra e dessa para outra, etc.
Nesta paragem, a caminho das termas, apenas tomei nota telegráfica dos vinhos que o Paulo Graça, muito simpaticamente, abriu para provarmos:
.Champagne Egly-Ouriet V. P. Extra Brut Grand Cru - com base nas castas Chardonnay e Pinot Noir, estagiou 75 meses em cave, tendo o dégorgement ocorrido em Outubro 2015.
.Bouisson Renard 2012 Domaine Didier Dagueneau (Appellation Pouilly Fumé) - com base na casta Sauvignon, estagiou 12 meses em barrica.
Com estes 2 memoráveis vinhos, comemos uns belíssimos e originais jaquinzinhos com o clássico arroz de tomate.
No final do repasto, ainda nos ofereceram uma colecção de 10 guaches pintados pelo artista Jorge Ramos, natural de Pombal.
Obrigado Paulo Graça, por todas estas atenções. Até sempre!
continua...

sábado, 21 de julho de 2018

Restaurante "2 a 8" versus "Manuelino"

O título desta crónica pode enganar. Não, não foi um confronto de restaurantes. O Manuelino (Rua dos Jerónimos,12) entra aqui porque, depois de ter feito uma reserva para almoço, através da plataforma The Fork, bati com o nariz na porta. Inacreditável e cartão vermelho ao Manuelino! A The Fork teve uma atitude correcta, ao pedir-me desculpas pelo que aconteceu e creditar-me 10 € na minha conta (a descontar num restaurante aderente).
Em alternativa, fui ao 2 a 8 (Rua de Belém,2), onde tudo correu da melhor maneira. Começou por uma simpática surpresa, o facto de o dono estar ocasionalmentge presente e ter-me reconhecido (era cliente das Coisas do Arco do Vinho).
Estávamos a almoçar com um casal amigo e já tinhamos na mesa uma garrafa de Esporão Reserva 2016 branco, quando, por iniciativa do dono, aterrou na mesa um surpreendente Qtª do Rol 2006 (nota 17,5+) que o abafou completamente. Um branco já com 12 anos, nada badalado, mas que se veio juntar ao 5ª de Mahler 2000 nas minhas preferências por este tipo de vinhos.
Para que conste, estes brancos acompanharam:
.Ameijoas à Bulhão Pato
.Pastéis de bacalhau com arroz de tomate
.Gelado artesanal de chocolate
Gastronomia de qualidade e serviço profissional e simpático, por parte do chefe de sala.
A voltar, seguramente.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Confraria do Periquita 2018 : convívio, vinhos e fado na JMF

Participei, no passado 31 de Maio, na qualidade de Confrade do Periquita, no XXIII Grande Capítulo desta confraria da José Maria da Fonseca.
Após o convívio inicial e a escolha da respectiva capa e chapéu, seguiu-se a "entronização" de mais 27 membros, entre confreiras e confrades. Destaco os nomes do Aníbal Coutino e do João Sá, como os mais mediáticos.
Na sequência da cerimónia, foi apresentado e provado o último Periquita tinto (colheita 2017), saído de uma monumental garrafa de 9 litros, dita "salmanasar".
Depois da indispensável foto família, já passava das 21h30 quando os 131 confreiras/confrades participantes iniciaram o repasto, que voltou a ser servido pela Casa da Comida e teve lugar na Adega dos Teares Novos, no meio dos tonéis.
Para memória futura, aqui se regista o que se bebeu e comeu:
.Colecção Privada Domingos Soares Franco Verdelho 2017 - muito fresco e mineral, presença de citrinos, algum floral, acidez equilibrada, volume e final de boca médios. Nota 16.
Acompanhou a tradicional sopa de ervilhas à Soares Franco.
.Periquita Superyor 2015 - com base na casta Castelão Francês em vinhas velhas, estagiou 12 meses em cascos de carvalho francês; muito frutado, acidez no ponto, algum especiado, taninos suaves, volume médio e final de boca adocicado. Para beber novo. Nota 17.
Harmonizou com uma empada de caça, cogumelos do bosque, chips de batata doce e legumes.
.Hexagon 2009 - com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Syrah, Trincadeira, Tinto Cão e Tannat; ainda com fruta, fresco e elegante, acidez q.b., notas especiadas, alguma complexidade, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis. No ponto óptimo de consumo. Nota 18.
Servido com queijo de Azeitão, não ligou (seria preferível acompanhá-lo com um Pasmados branco).
.Moscatel Alambre 20 Anos (sem data de engarrafamento visível) - presença de tangerina e casca de laranja, acidez no ponto, notas glicerinadas, taninos evidentes, algum volume e final de boca extenso. Nota 17,5.
Maridou com um Bolo de São Roque e gelado de framboesa.
Com o café foi servida a Aguardente Espírito (não bebi nenhum deles).
Comida bem confeccionada, bons copos e temperaturas correctas.
A fechar o encontro, tivemos direito a uma sessão com a fadista Diamantina, a que se juntou a confreira Fafá de Belém.
Resta agradecer à família Soares Franco este convívio e a magnum Periquita, devidamente assinada pelo Domingos. Muito obrigado, pela minha parte!
E, daqui a 2 anos, há mais...

terça-feira, 17 de julho de 2018

Grupo FJF (3ª sessão) : 1 branco, 1 tinto e 1 fortificado de excepção

O Grupo FJF, novamente reforçado pelo J(uca), reuniu no Magano que dispensa apresentações (gastronomia e serviço de vinhos de qualidade).
Voltou a ser provado:
.Messias Dry Old (a mesma garrafa que foi levada para o almoço, no âmbito do Grupo dos 3, referida na crónica do dia 10) - achei-o mais complexo, com a componente iodo mais presente. Nota 17,5 (na outra situação 17).
Desfilaram, às cegas:
.Mapa Vinha dos Pais 2015 (12,5 % vol.; levado por mim) - com base nas castas Rabigato, Viosinho, Arinto e Gouveio, estagiou 12 meses em barrica; nariz francamente positivo, presença de citrinos, fresco e mineral, acidez fabulosa, volume e final de boca assinaláveis. Complexo e gastronómico, ainda não atingiu o patamar do 2013, um dos grandes brancos portugueses, mas para lá caminha. Nota 17,5+.
Acompanhou as entradas habituais. Voltei a prová-lo no final do repasto com os queijos. Ligação perfeita!
.Qtª da Vacariça Tonel 23 Terroir da Cardosa Garrafeira 2011 (12,8 % vol.; levado pelo Frederico) - um dos Baga Friends; 100 % Baga, estagiou 18 meses em barrica; aroma intenso, boa acidez, notas vegetais e de lagar, volume médio e final de boca persistente. De momento algo desequlibrado, há que esperar por ele mais 10/20 anos. Nota 17.
.Vinha Othon Reserva 2008 (14 % vol.; levado pelo João) - com base nas castas Touriga Nacional, Jaen e Tinta Roriz, estagiou em cascos de carvalho francês; ainda com fruta, acidez equilibrada, especiado e complexo, taninos civilizados, volume apreciável e final de boca persistente. A beber nos próximos 9/10 anos. Nota 18,5 (noutra situação, também 18,5).
Estes 2 tintos maridaram com um joelho de vitela e batata no forno.
.FMA Bual 1964 (da garrafeira do Juca) - presença de frutos secos, notas de iodo, caril e brandy, vinagrinho no ponto, volume notável e final de boca interminável. Foi a 20ª garrafa que provei deste grande Madeira! Nota 19.
Foi mais uma bela jornada no Magano, ao nível dos enófilos mais exigentes.

domingo, 15 de julho de 2018

Prova - Enoteca Restelo revisitada

Já aqui referida no ponto 4 de "Curtas (XCIX)", crónica publicada em 29/5, chegou a vez de abancar para almoço na Prova - Enoteca Restelo, o que ainda não tinha feito.
Não sendo bem um restaurante, nem uma petisqueira, nem uma tasca, antes um local diferente onde se pode comer, tive recentemente a oportunidade de ali almoçar.
Gostei, francamente, tendo provado:
.pão ainda quente, com azeite Qtª dos Murças Bio
.salada de ovas de bacalhau
.tiborna de cavala com pesto
.pastel de Tentúgal
A copo têm 2 espumantes, 6 brancos, 5 tintos, 1 rosé, 4 fortificados e 4 cervejas artesanais.
Optei pelo branco Apelido 2016 (Qtª do Mouro) - muito fresco e mineral, presença de citrinos, boa acidez, algum amanteigado, volume e final de boca. Uma boa surpresa. Nota 16,5+.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo Schott, com a quantidade (15 cl) devidamente assinalada.
Serviço profissional e simpático por parte dos donos deste espaço.
Em confronto com a Loja das Conservas, objecto da crónica de ontem, embora as gastronomias não sejam comparáveis, a componente vínica da Prova - Enoteca Restelo vence indiscutivelmente.
Aprovado e recomendo (mas não vão todos ao mesmo tempo, pois o espaço é diminuto).

sábado, 14 de julho de 2018

Restaurante da Loja das Conservas

Movido pela curiosidade, depois de ter lido nalguma imprensa (Time Out, Evasões, Diário de Notícias, Correio da Manhã e Epicur) e na blogosfera (Comer Beber Lazer e Mesa do Chef) referências muito positivas a este novo projecto, os restaurantes da Loja de Conservas, com ementas criadas pelos chefes André Palma e Tiago Neves, não resisti e fui poisar no da Rua da Assunção,81 (o outro fica na Rua do Cotovelo, junto à Loja da Rua do Arsenal).
Espaço simpático, com mesas despojadas, guardanapos de pano e parte das cadeiras desconfortáveis (a pedido trocaram-me o assento).
Na ementa constam 15 petiscos com base em conservas, que podem ser compradas na loja ao lado sem ser preciso sair para a rua.
Na minha visita provei:
.couver (pão e azeite aromatizado)
.Chamuças de atum com caril (deliciosas)
.Morcela de sangacho (surpreendente mas desequilibrado, a pedir uns grelos a fazerem-lhe companhia)
.Sardinha em tempura com molho de iogurte (saborosa)
Por aqui tudo bem, o pior é a componente vínica, um autêntico desastre (lista curta, omissão de anos de colheita e nem um único vinho do Douro!). Segundo me explicaram, estão amarrados a um acordo com a Global Wines (uma desculpa esfarrapada, pois a Global Wines também produz vinhos no Douro). Também não têm cervejas artesanais e os tintos estavam à temperatura ambiente. Só desgraças!
Inventariei 3 espumantes, 3 brancos, 1 rosé e 5 tintos, todos a copo.
Optei pelo branco Cabriz Reserva 2017 (4,50 €, um exagero) - com base na casta Encruzado; fresco e mineral, algum vegetal, volume e final médios. Nota 16.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo, servido a olho.
Perante as minhas críticas à componente vínica, muito simpaticamente não cobraram o copo. Aliás, do serviço só tenho a dizer bem, pois quem me atendeu (percebi ser o chefe de sala, mas não retive o nome), fê-lo com profissionalismo e simpatia. Ainda, por cima, estava a trabalhar por três (na sala, na esplanada e na loja!), o que se reflectiu necessariamente no tempo de espera.
Embora tenha apreciado a parte gastronómica, não aconselho enquanto não corrigirem a componente vínica.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Almoço com vinhos fortificados (28ª sessão) : uma jornada memorável em Azeitão

A convite dos anfitriões, o casal Carlota/Adelino, o auto denominado Grupo dos Madeiras, reforçado com um dos F (Frederico Oom), participou numa grande e memorável jornada em Azeitão, onde foram provados/bebidos 9 vinhos (1 espumante, 2 brancos, 2 tintos e 4 fortificados), todos da garrafeira do Adelino.
Com os rótulos à vista, desfilaram:
.Verdelho o original by António Maçanita 2014 em magnum (garrafa nº 8/90) - fresco e mineral, presença de citrinos, boa acidez, volume e final de boca médios. Um branco açoriano deveras original. Nota 17,5.
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2008 - simultaneamente fresco e com gordura, acidez equilibrada, volume e final de boca assinaláveis. Complexo e gastronómico, a evoluir muito bem. Nota 18 (noutras situações 16,5/17/17).
.Espumante Qtª das Bageiras 2004 (não cheguei a provar).
Estes brancos acompanharam frutos secos, salgados, presunto e choco frito.
.Qt Vale Meão 2011 - ainda com muita fruta, acidez no ponto, especiado, taninos presentes mas civilizados, volume assinalável e final de boca muito extenso. Imponente e complexo, a beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5+ (noutra 18,5).
.Ferreirinha Reserva Especial 2001 - aroma não muito agradável, notas vegetais e metálicas. Está na curva descendente ou era uma garrafa avariada? Quem o provou recentemente, que o diga.
Estes tintos harmonizaram com espetadas de carne barrosã (deliciosa), fruta e abóbora.
.Noval Vintage 1968 - ainda com fruta, notas de frutos secos, alguma acidez, taninos presentes, algum volume e final de boca. Perfil próximo de um tawny. Nota 17,5.
Acompanhou com queijo de ovelha amanteigado.
.Moscatel 1900 José Maria da Fonseca - presença de frutos secos e citrinos, acidez equilibrada, taninos macios, estrutura e final de boca assinaláveis. Grande complexidade de um Moscatel com mais de 100 anos. Nota 18,5.
.Niepoort Garrafeira 1938 (engarrafado em 1943 e decantado em 1977) - presença de frutos secos, iodo e caril, acidez no ponto, algum volume e final de boca interminável. Perfil próximo de um Madeira. Nota 19.
Estes fortificados acompanharam frutos secos e doces diversos.
.Artur Barros e Sousa Boal 1860 - ainda muito fresco, presença de frutos secos e vinagrinho, notas de caril, iodo e brandy, taninos civilizados, volume apreciável e final de boca interminável. Complexo e sublime, um dos vinhos da minha vida! Nota 19,5.
Foi uma grande e excepcional sessão de convívio, gastronomia e, muito especialmente, vinhos que não estarão acessíveis à maioria dos enófilos.
No final, cada um dos participante levou para casa um Porto Vintage Taylor's, inesperada e muito simpática oferta do anfitrião. Roam-se de inveja, enófilos de todo o mundo!
Obrigado, Carlota! Duplamente obrigado (pela jornada e pela oferta), Adelino!

terça-feira, 10 de julho de 2018

Grupo dos 3 (60ª sessão) : 1 tinto e 1 Madeira de eleição

Esta sessão foi da responsabilidade do Juca que escolheu o restaurante As Colunas e pôs à prova 2 tintos e 2 fortificados da sua garrafeira. Nos tachos pontificou a Fátima (saborosíssimo empadão de lebre!) e na sala a Joana.
Servidos em copos Riedel, foram provados às cegas:
.Messias Dry Old - nariz contido, presença de frutos secos e tangerina, acidez curta, volume e final médios. Equilibrado e elegante. Nota 17.
Não ligou muito bem com queijo fresco, pastéis de bacalhau e de massa tenra (belissimos).
.Qtª da Pellada 49 2013 - 90 pontos no Parker; com base nas castas Touriga Nacional e Alfrocheiro, estagiou 28 meses em barricas de carvalho francês; aroma discreto, alguma fruta e acidez, notas florais, algum vegetal e lagar, taninos presentes, volume médio e final de boca persistente. A beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 17,5.
.Qtª do Crasto Touriga Nacional 2005 - 96 pontos na Wine Spectator; estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; nariz intenso, muita fruta, notas florais, acidez no ponto, especiado, taninos civilizados, grande volume e final de boca notável. Muito complexo e longe da reforma. A beber nos próximos 7/8 anos. Um grande Douro! Nota 18,5+ (a mesma nota noutra situação).
Estes 2 tintos harmonizaram bem com o empadão de lebre.
.FMA Bual 1964 - aroma intenso e complexo, presença de frutos secos, iodo e vinagrinho, notas de brandy e caril, taninos ainda muito presentes, volume notável e final de boca impressionante. Grande Madeira! Nota 19,5.
Este fortificado foi acompanhado por uma tarte de amêndoa.
Foi mais uma boa jornada de comeres e beberes. Obrigado, Juca!

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Junho 2010 : o que se passou aqui há 8 anos?

Das 21 crónicas publicadas no decorrer de Junho 2010, destaco estas 3:
."O Solar do Vinho do Porto em Lisboa", no dia 6
Um belo e confortável espaço em S. Pedro de Alcântara, com uma boa oferta de vinhos do Porto. Pena é que as temperaturas a que estão guardados estejam no limite do recomendável.
."Procura-se assessor de vinhos para a Presidência da República. Assunto urgente.", no dia 9
Esta crónica assentou que nem uma luva no anterior inquilino de Belém, fraco entendedor em questões vínicas, ao contrário do actual a quem dediquei a crónica "Saber pegar no copo : o novo PR passou no exame.", publicada em 10/7/2016.
."Grupo 3+4. Uma (boa) avalanche de vinhos", no dia 19
Sessão decorrida no restaurante As Colunas, com vinhos do enófilo Rui Rodrigues. O tema foi a prova de 8 tintos de 2003, tendo o vinho Vinha da Ponte sido o vencedor (18,5), logo seguido do Poeira (18).
Ainda, nota alta para o fortificado Kopke Selected Old Tawny, com 50 anos de garrafa (18,5).

quarta-feira, 27 de junho de 2018

O Blogue vai de férias

O blogue vai mais uma semanita de férias, ficando longe do computador.
Ficam por publicar as seguintes crónicas:
.Junho 2010 : o que se passou aqui há 8 anos?
.Grupo dos 3 (60ª sessão)
.Grupo dos Madeiras (28ª sessão)
.Grupo FJF (3ª sessão)
.Restaurante da Loja das Conservas
.Confraria do Periquita
.Restaurante 2 a 8 versus Manuelino
.Almoço no espaço Prova Enoteca-Restelo
Até ao meu regresso...

terça-feira, 26 de junho de 2018

Novo Formato+ (31ª sessão) : 7 grandes vinhos e 1 desilusão

Este grupo de enófilos sofreu nova alteração. Lamentavelmente e para tristeza de nós todos, a Lena (Helena Azevedo) partiu. Ficaram as saudades e a dor que todos sentimos. Mas, por outro lado, temos sangue novo, o Frederico Oom, o mesmo do grupo FJF, participou nesta jornada.
Esta sessão foi da responsabilidade do casal Marieta/José Rosa, que escolheu o restaurante Casa da Dízima, já nosso conhecido, que prima pela boa comida e um serviço de vinhos de excelência, desta vez a cargo do Carlos Ferreira. Passarm pela mesa 64 bons copos Schott. É obra!
Os vinhos (3 brancos, 3 tintos e 2 fortificados) vieram da garrafeira do J. Rosa.
Antes dos vinhos terem entrado em cena, foi a vez de 3 azeites:
.CAMB Premium (Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos)
.De Prado Organic (DPAQ, Baleizão)
.Podere Forte Bio (Agricola Forte, Terra de Siena)
Muito bons, para o meu gosto, o 1º português e o italiano. Desiludiu, o 2º.
Após esta prova "azeitada", desfilaram com os rótulos à vista:
.Niepoort Qtª de Baixo Vinhas Velhas 2014 (11 % vol.) - 93 pontos no Parker; com base nas castas Bical e Maria Gomes, estagiou 20 meses em "fuders" de 1000 litros, provenientes de Mosel; fresco e mineral, fino e elegante, belíssima acidez, volume e final de boca médios. Nota 17,5.
.5ª de Mahler 2000 (o único provado às cegas) - com um perfil ligeiramente diferente das restantes garrafas que tenho provado. Nota 17,5+.
Estes 2 brancos foram provados com uma série de tapas.
.Soalheiro Reserva 2013 magnum (13 % vol.) - nariz discreto, fresco e mineral, presença de citrinos e alguma fruta tropical, bela acidez, notas amanteigadas, algum volume e final de boca. Menos interessante que outras colheitas, precisa de tempo para se mostrar. Servido muito frio, melhorou quando a temperatura subiu. Nota 17,5.
Acompanhou pera bebeda em vinho branco e queijo de Fornos de Algodres.
.Villa Oliveira 2010 (14 % vol., garrafa nº 2421/2424) - nariz intenso, fruta vermelha, notas florais, acidez no ponto, taninos domesticados, volume e final de boca assinaláveis. Harmonioso e equilibrado. A beber nos próximos 10/12 anos. Nota 18.
Maridou com um pregado com açorda de espargos e camarão.
.Pintas 2010 (14,5 % vol., uma das 5500 garrafas produzidas) - com base em vinhas velhas com cerca de 80 anos, passou pelo lagar com pisa a pé; ainda com fruta, acidez equilibrada, especiado, taninos firmes, bom volume e final de boca persistente. Um Pintas cheio de personalidade e uma grande surpresa num ano menor. A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5.
.Pintas 2011 (14,5 % vol.) - o tal dos 98 pontos na Wine Spectator; com base em vinhas velhas e com pisa a pé, tal como o 2011; perfil semelhante, mas ligeiramente mais complexo. A beber nos próximos 9/10 anos. Nota 18,5+.
Estes 2 tintos harmonizaram com veado e puré de cogumelos.
.Krohn Colheita 1966 (engarrafado em 2010) - Prémio Excelência da Revista de Vinhos; nariz exuberante, presença de frutos secos e algum mel, acidez equilibrada, taninos suaves, estrutura e final de boca assinaláveis. Um grande tawny, mais complexo que grande parte dos vintage. Foi o vinho da tarde! Nota 19.
Acompanhou um fofo de chocolate negro e gelado de amêndoa.
.Barbeito Bual 1917 (sem data de engarrafamento) - nariz discreto, frutos secos, alguma acidez e volume, final de boca amargo. Atípico e discreto, foi a desilusão do repasto. Nota 16.
Foi mais uma grande sessão de convívio, bons vinhos e bons acompanhamentos.
Obrigado Marieta! Obrigado J. Rosa!

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Vinhos em família (LXXXIX) : brancos e tintos em alta

Mais uns tantos vinhos provados em família, sossegadamente e sem a pressão da prova cega. E eles foram:
.Poço do Lobo Arinto 1995 (12 % vol.) - com base na casta Arinto (a 100 %); cor dourada e brilhante, presença de citrinos, maçãs e alperces, oxidado, belíssima acidez, notas amanteigadas, algum volume e final seco. Precisa de comida por perto. Nota 17.
.Conceito Ontem 2016 branco (11,5 % vol.) - a sul do Douro e sem direito a DOC; com base em castas brancas e tintas de vinhas velhas (80 a 100 anos) a 700 metros de altitude, estagiou em barricas de carvalho francês usadas (20 %); presença de citrinos, muito fresco e mineral, acidez evidente, alguma estrutura e final de boca. Fino e elegante, precisa de tempo para se mostrar. Acompanha bem entradas leves. Nota 17,5.
.Qtª do Perdigão Touriga Nacional 2009 (14 % vol.; garrafa nº 6419/6500); estagiou 1 ano em barricas de carvalho francês; nariz contido, alguma fruta, notas florais, acidez no ponto, algum volume e final de boca. Fino e elegante, a consumir até 6/7 anos. Nota 17,5.
.Vallado Touriga Nacional 2009 (14,5 % vol.) - 95 pontos na Wine Spectator e 92 no Parker e na Wine Enthusiast; estagiou 16 meses em meias pipas de carvalho francês; nariz exuberante, ainda com fruta vermelha, acidez equilibrada, bom volume e final de boca persistente. Concentrado e taninoso, a beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18.
.Dona Maria Grande Reserva 2011 (14,5 % vol.) - o melhor vinho do ano 2016 para a revista Wine; com base nas castas Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Petit Verdot e Syrah em vinhas velhas, estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês; frutado, carnudo, acidez no ponto, especiado, taninos sedosos, algum volume e final de boca persistente. Muito harmonioso, está no ponto óptimo de consumo. Nota 18.

sábado, 23 de junho de 2018

Grupo dos 3 (59ª sessão) : 1 branco e 1 tinto de excelência

Após um longo interregno (a 58ª sessão foi em Novembro 2017, no Lumni, com vinhos da minha garrafeira), este grupo de enófilos da linha dura reuniu-se no restaurante Via Graça. A escolha foi do João Quintela, com vinhos da sua garrafeira.
O Via Graça, já aqui referido por diversas vezes, dispensa apresentações. A comida, o serviço de vinhos, os copos e a vista, pois claro, são de primeira qualidade.
Desfilaram, às cegas:
.5ª de Mahler 2000 - com base na casta Fernão Pires; cor dourada, aromas e sabores terciários, glicerinado, acidez fabulosa, volume e final de boca apreciáveis. Complexo e gastronómico, este surpreendente branco, com uma relação preço/qualidade imbatível, é uma das minhas paixões e não me canso de o beber. Nota 18.
Acompanhou diversos patés e pastéis de bacalhau.
.Kompassus Verdelho 2015 - mais fresco e mineral, presença de citrinos, bela acidez, volume e final de boca médios. Fino e elegante. Nota 17.
Não se aguentou com um saboroso robalo com arroz cremoso de lingueirão e espuma de ostras. Este Kompassus teria harmonizado melhor com as entradas, enquanto que o primeiro branco esteve melhor com este prato.
.Vinha Othon Reserva 2008 - com base nas castas Touriga Nacional, Jaen e Tinta Roriz; aroma intenso e complexo, ainda com fruta vermelha, especiado, acidez no ponto, taninos sedosos, volume e final de boca apreciáveis. Ainda longe da reforma, a beber nos próximos 8/10 anos. Nota 18,5.
Maridou com uma costoleta de vitela grelhada.
.Porto Wine & Soul 10 Anos - muito frutado, alguma acidez e gordura, volume e final de boca médios. Foi o elo mais fraco. Nota 16,5.
Acompanhou crepes Suzete feitos à nossa frente.
Mais uma boa sessão de comeres e beberes. Obrigado João!

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Jantar Herdade do Esporão

Com organização da Garrafeira Néctar das Avenidas, decorreu no restaurante Sem Dúvida (R. Elias Garcia) mais um jantar, desta vez com vinhos da Herdade do Esporão, apresentados pela enóloga Ana Alves. Tenho com o Esporão uma relação afectiva, pois foi com este produtor que as Coisas do Arco do Vinho sairam pela 1ª vez do seu espaço de conforto, "A Commenda", no CCB, para outras paragens, concretamente para o Terreiro do Paço, restaurante a cargo da saudosa Júlia Vinagre. Foi um autêntico êxito, com a lotação completamente esgotada!
Mas voltando ao tema desta crónica, este jantar no Sem Dúvida não podia ter corrido melhor. Gastronomia de qualidade, bons copos, temperaturas adequadas, bom ritmo no serviço de sala (só abrandou no final), muito graças ao trabalho da Vanessa Gonçalves, é justo dizer, sempre com os vinhos a chegarem antes dos pratos. Tudo isto, sob a batuta do Sérgio. Mais, cada participante tinha ao seu lado uma ementa expressamente impressa para o momento.
Desfilaram:
.Espumante Herdade do Esporão 2014 Bruto - foi a bebida de boas vindas e cumpriu bem a sua função.
.Esporão BIO 2017 branco - fresco e mineral, notas florais e algum vegetal, volume e final médios. Nota 15,5.
Conflituou com um ceviche de salmão e mousse de abacate.
.Esporão Reserva 2016 branco (rótulo Duarte Belo) - com base nas castas Arinto, Roupeiro e Antão Vaz, fermentou em barricas (30 %) e estagiou 6 meses em carvalho francês; nariz positivo, presença de citrinos e fruta madura, acidez e notas amanteigadas, algum volume e final de boca. Gastronómico, porta-se sempre bem e tem uma boa relação preço/qualidade. Nota 17.
Harmonizou com uma belíssima tranche de garoupa e cremoso de lingueirão.
.Esporão Reserva 2015 tinto (rótulo Duarte Belo) - com base nas castas Aragonês, Alicante Bouschet, Trincadeira e Cabernet Sauvignon, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês e americano;  nariz discreto, fruta preta, acidez no ponto, taninos civilizados, muito ligeiramente especiado, algum volume e final de boca. Ainda muito jóvem, falta-lhe alguma complexidade. Nota 16,5.
Casou com bolinhas de cogumelos selvagens.
.Esporão Private Selection 2012 tinto (rótulo João Queirós) - Com base nas castas Aragonez, Alicante Bouschet e Syrah, estagiou 18 meses em barricas novas e usadas e mais 12 meses na garrafa; nariz exuberante, ainda com fruta vermelha, acidez equilibrada, especiado, taninos presentes mas civilizados, volume apreciável e final de boca muito longo. Complexo, a beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5.
Excelente ligação com um saboroso naco da vazia.
.Esporão Private Selection 2016 branco (rótulo Duarte Belo) - considerado o "Melhor Blend Branco do Ano" no Concurso de Vinhos de Portugal em  Maio 2018; com base na casta Sémillon, estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês e mais 6 em garrafa; aroma intenso, fruta madura, glicerinado e complexo, alguma acidez e notas amanteigadas; volume e final de boca médios. Nota 17,5.
Harmonização com uma tábua de queijos. Veio-me à memória, outro jantar com o Esporão (desta vez na Commenda), em que sugeri ao David Baverstock esta mesma ligação com os queijos. Perfeita!
.Porto Qtª dos Murças 10 Anos - presença de citrinos e frutos secos, complexidade e perfil próximo de um 20 Anos; algum volume e final de boca. Nota 17.
Acompanhou um delicioso bolo húmido de amêndoa.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Aditamento a Curtas (C) : jantar vínico

Na crónica publicada hoje de manhã, faltou dizer:
As "United Wine Women", que são 23 mulheres ligadas ao mundo do vinho (produtoras, enólogas e jornalistas), entre as quais as mediáticas Francisca van Zeller, Maria Serpa Pimentel, Martta Simões, Rita Marques, Sandra T. Silva e Susana Esteban, participam num jantar vínico de solidariedade (40 € por pessoa) revertendo 50 % da receita para o Refúgio Aboim Ascensão.
O evento está marcado para o dia 19 de Junho (19h30) e decorrerá no Altis Grand Hotel (Rua Castilho), podendo as inscrições ser feitas através do e-mail unitedwinewomen@malhadinhanova.pt ou do telefone 289510460.

Curtas (C) : férias, Bairrada no CCB, garrafeira misteriosa e concorrência desleal

1.O blogue vai de férias
O blogue vai de férias e vai ficar longe do computador durante 1 semana.
Fazendo o ponto de situação, estão por publicar as seguintes crónicas:
.Jantar Herdade do Esporão (prevista para amanhã)
.Grupo dos 3 (59ª e 60ª sessões)
.Novo Formato+ (31ª sessão)
.Grupo dos Madeiras (28ª sessão)
.Grupo FJF (3ª sessão)
.Restaurante Loja das Conservas
.Confraria do Periquita
.Vinhos em família (LXXXIX)
2.Bairrada de Excelência
É já na próxima 2ª feira, dia 18 de Junho, que a Bairrada desce à capital. Organizado pela Vinho Grandes Escolhas, com o apoio da CVR, este evento decorrerá no CCB (Sala Luis Freitas Branco), das 15 às 21 h, contando já com 25 produtores confirmados.
A entrada é gratuita, mas requer inscrição prévia em inscrições@grandescolhas.com.
3.Garrafeira misteriosa
Garrafeira misteriosa é o que posso chamar à Garrafeira Fora da Caixa, aberta no ano passado na Coelho da Rocha, 66B. Há pouco mais de 1 mês e depois de um lauto almoço no Magano, fui lá dar uma espreitadela e bati com o nariz na porta. Rezava o papel afixado no interior da loja "Por motivos de força maior...blá blá...
Esta semana, depois de outro almoço no Magano, fui lá dar nova espreitadela e estava tudo na mesma.
Depois do atrevimento de terem aberto uma garrafeira nas barbas do Arlindo Santos, devem ter repensado e desistido da idéia. Mistérios...
4.Concorrência desleal
Depois do Público, agora é o Expresso que arrancou com um clube de vinhos, em clara e desleal concorrência com as garrafeiras e lojas de vinhos com porta aberta ao público. Haja decoro!

terça-feira, 12 de junho de 2018

Grupo FJF (2ª sessão) : Alvarinhos em alta

O Grupo FJF, reforçado com mais um J (de Juca), voltou a reunir-se no Magano para uma prova de alvarinhos e albariños, devidamente acompanhados por produtos do mar.
Com um serviço de sala de 5 *, a que já estamos habituados, desfilaram:
.Qtª de Santiago Rascunho Alvarinho 2015 (garrafa nº 334/600, levada por mim) - estagiado durante 9 meses sobre as borras, seguido de mais 12 meses na garrafa; presença de citrinos, fresco, acidez q.b., notas amanteigadas, muito complexo, volume e final de boca assinaláveis. Grande Alvarinho e uma grande surpresa, a demonstrar que a qualidade dos alvarinhos não se esgota no Anselmo Mendes e na Qtª de Soalheiro (13,5 % vol.). Nota 18.
.Kompassus Alvarinho 2015 (também levada por mim) - estagiou 7 meses em barricas usadas, tendo sido engarrafado em Julho de 2016; fresco e mineral, acidez equilibrada, polido e austero, volume e final de boca médios. Uma boa surpresa este Alvarinho, o único na Bairrada (12,5 % vol.). Nota 17,5.
Estes 2 alvarinhos harmonizaram com gambas de Madagascar e carabineiros com arroz.
.Soalheiro Alvarinho 2000 (levado pelo João) - nariz contido, oxidação nobre, aromas e sabores terciários, bela acidez, volume e final de boca médios (12,5 % vol.). Envelheceu muito bem. Nota 17,5.
.Granbazán Albariño 2010 (também levado pelo João) - estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês; fresco e mineral, acidez no ponto, algum volume e final de boca médio (13,5 % vol.). Nota 17.
Estes 2 brancos fizeram companhia a lulas grelhadas com grelos e batatas.
.Messias Colheita 1977 (engarrafado em 2007, foi levado pelo Frederico) - presença de frutos secos, acidez e gordura, algum volume e final de boca muito longo. Complexo e harmonioso. Nota 18,5.
Acompanhou a tradicional tarte de amêndoa.
Uma boa sessão, com uma luta desigual: 3 Alvarinhos contra 1 Albariño.