sábado, 21 de julho de 2018

Restaurante "2 a 8" versus "Manuelino"

O título desta crónica pode enganar. Não, não foi um confronto de restaurantes. O Manuelino (Rua dos Jerónimos,12) entra aqui porque, depois de ter feito uma reserva para almoço, através da plataforma The Fork, bati com o nariz na porta. Inacreditável e cartão vermelho ao Manuelino! A The Fork teve uma atitude correcta, ao pedir-me desculpas pelo que aconteceu e creditar-me 10 € na minha conta (a descontar num restaurante aderente).
Em alternativa, fui ao 2 a 8 (Rua de Belém,2), onde tudo correu da melhor maneira. Começou por uma simpática surpresa, o facto de o dono estar ocasionalmentge presente e ter-me reconhecido (era cliente das Coisas do Arco do Vinho).
Estávamos a almoçar com um casal amigo e já tinhamos na mesa uma garrafa de Esporão Reserva 2016 branco, quando, por iniciativa do dono, aterrou na mesa um surpreendente Qtª do Rol 2006 (nota 17,5+) que o abafou completamente. Um branco já com 12 anos, nada badalado, mas que se veio juntar ao 5ª de Mahler 2000 nas minhas preferências por este tipo de vinhos.
Para que conste, estes brancos acompanharam:
.Ameijoas à Bulhão Pato
.Pastéis de bacalhau com arroz de tomate
.Gelado artesanal de chocolate
Gastronomia de qualidade e serviço profissional e simpático, por parte do chefe de sala.
A voltar, seguramente.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Confraria do Periquita 2018 : convívio, vinhos e fado na JMF

Participei, no passado 31 de Maio, na qualidade de Confrade do Periquita, no XXIII Grande Capítulo desta confraria da José Maria da Fonseca.
Após o convívio inicial e a escolha da respectiva capa e chapéu, seguiu-se a "entronização" de mais 27 membros, entre confreiras e confrades. Destaco os nomes do Aníbal Coutino e do João Sá, como os mais mediáticos.
Na sequência da cerimónia, foi apresentado e provado o último Periquita tinto (colheita 2017), saído de uma monumental garrafa de 9 litros, dita "salmanasar".
Depois da indispensável foto família, já passava das 21h30 quando os 131 confreiras/confrades participantes iniciaram o repasto, que voltou a ser servido pela Casa da Comida e teve lugar na Adega dos Teares Novos, no meio dos tonéis.
Para memória futura, aqui se regista o que se bebeu e comeu:
.Colecção Privada Domingos Soares Franco Verdelho 2017 - muito fresco e mineral, presença de citrinos, algum floral, acidez equilibrada, volume e final de boca médios. Nota 16.
Acompanhou a tradicional sopa de ervilhas à Soares Franco.
.Periquita Superyor 2015 - com base na casta Castelão Francês em vinhas velhas, estagiou 12 meses em cascos de carvalho francês; muito frutado, acidez no ponto, algum especiado, taninos suaves, volume médio e final de boca adocicado. Para beber novo. Nota 17.
Harmonizou com uma empada de caça, cogumelos do bosque, chips de batata doce e legumes.
.Hexagon 2009 - com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Syrah, Trincadeira, Tinto Cão e Tannat; ainda com fruta, fresco e elegante, acidez q.b., notas especiadas, alguma complexidade, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis. No ponto óptimo de consumo. Nota 18.
Servido com queijo de Azeitão, não ligou (seria preferível acompanhá-lo com um Pasmados branco).
.Moscatel Alambre 20 Anos (sem data de engarrafamento visível) - presença de tangerina e casca de laranja, acidez no ponto, notas glicerinadas, taninos evidentes, algum volume e final de boca extenso. Nota 17,5.
Maridou com um Bolo de São Roque e gelado de framboesa.
Com o café foi servida a Aguardente Espírito (não bebi nenhum deles).
Comida bem confeccionada, bons copos e temperaturas correctas.
A fechar o encontro, tivemos direito a uma sessão com a fadista Diamantina, a que se juntou a confreira Fafá de Belém.
Resta agradecer à família Soares Franco este convívio e a magnum Periquita, devidamente assinada pelo Domingos. Muito obrigado, pela minha parte!
E, daqui a 2 anos, há mais...

terça-feira, 17 de julho de 2018

Grupo FJF (3ª sessão) : 1 branco, 1 tinto e 1 fortificado de excepção

O Grupo FJF, novamente reforçado pelo J(uca), reuniu no Magano que dispensa apresentações (gastronomia e serviço de vinhos de qualidade).
Voltou a ser provado:
.Messias Dry Old (a mesma garrafa que foi levada para o almoço, no âmbito do Grupo dos 3, referida na crónica do dia 10) - achei-o mais complexo, com a componente iodo mais presente. Nota 17,5 (na outra situação 17).
Desfilaram, às cegas:
.Mapa Vinha dos Pais 2015 (12,5 % vol.; levado por mim) - com base nas castas Rabigato, Viosinho, Arinto e Gouveio, estagiou 12 meses em barrica; nariz francamente positivo, presença de citrinos, fresco e mineral, acidez fabulosa, volume e final de boca assinaláveis. Complexo e gastronómico, ainda não atingiu o patamar do 2013, um dos grandes brancos portugueses, mas para lá caminha. Nota 17,5+.
Acompanhou as entradas habituais. Voltei a prová-lo no final do repasto com os queijos. Ligação perfeita!
.Qtª da Vacariça Tonel 23 Terroir da Cardosa Garrafeira 2011 (12,8 % vol.; levado pelo Frederico) - um dos Baga Friends; 100 % Baga, estagiou 18 meses em barrica; aroma intenso, boa acidez, notas vegetais e de lagar, volume médio e final de boca persistente. De momento algo desequlibrado, há que esperar por ele mais 10/20 anos. Nota 17.
.Vinha Othon Reserva 2008 (14 % vol.; levado pelo João) - com base nas castas Touriga Nacional, Jaen e Tinta Roriz, estagiou em cascos de carvalho francês; ainda com fruta, acidez equilibrada, especiado e complexo, taninos civilizados, volume apreciável e final de boca persistente. A beber nos próximos 9/10 anos. Nota 18,5 (noutra situação, também 18,5).
Estes 2 tintos maridaram com um joelho de vitela e batata no forno.
.FMA Bual 1964 (da garrafeira do Juca) - presença de frutos secos, notas de iodo, caril e brandy, vinagrinho no ponto, volume notável e final de boca interminável. Foi a 20ª garrafa que provei deste grande Madeira! Nota 19.
Foi mais uma bela jornada no Magano, ao nível dos enófilos mais exigentes.

domingo, 15 de julho de 2018

Prova - Enoteca Restelo revisitada

Já aqui referida no ponto 4 de "Curtas (XCIX)", crónica publicada em 29/5, chegou a vez de abancar para almoço na Prova - Enoteca Restelo, o que ainda não tinha feito.
Não sendo bem um restaurante, nem uma petisqueira, nem uma tasca, antes um local diferente onde se pode comer, tive recentemente a oportunidade de ali almoçar.
Gostei, francamente, tendo provado:
.pão ainda quente, com azeite Qtª dos Murças Bio
.salada de ovas de bacalhau
.tiborna de cavala com pesto
.pastel de Tentúgal
A copo têm 2 espumantes, 6 brancos, 5 tintos, 1 rosé, 4 fortificados e 4 cervejas artesanais.
Optei pelo branco Apelido 2016 (Qtª do Mouro) - muito fresco e mineral, presença de citrinos, boa acidez, algum amanteigado, volume e final de boca. Uma boa surpresa. Nota 16,5+.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo Schott, com a quantidade (15 cl) devidamente assinalada.
Serviço profissional e simpático por parte dos donos deste espaço.
Em confronto com a Loja das Conservas, objecto da crónica de ontem, embora as gastronomias não sejam comparáveis, a componente vínica da Prova - Enoteca Restelo vence indiscutivelmente.
Aprovado e recomendo (mas não vão todos ao mesmo tempo, pois o espaço é diminuto).

sábado, 14 de julho de 2018

Restaurante da Loja das Conservas

Movido pela curiosidade, depois de ter lido nalguma imprensa (Time Out, Evasões, Diário de Notícias, Correio da Manhã e Epicur) e na blogosfera (Comer Beber Lazer e Mesa do Chef) referências muito positivas a este novo projecto, os restaurantes da Loja de Conservas, com ementas criadas pelos chefes André Palma e Tiago Neves, não resisti e fui poisar no da Rua da Assunção,81 (o outro fica na Rua do Cotovelo, junto à Loja da Rua do Arsenal).
Espaço simpático, com mesas despojadas, guardanapos de pano e parte das cadeiras desconfortáveis (a pedido trocaram-me o assento).
Na ementa constam 15 petiscos com base em conservas, que podem ser compradas na loja ao lado sem ser preciso sair para a rua.
Na minha visita provei:
.couver (pão e azeite aromatizado)
.Chamuças de atum com caril (deliciosas)
.Morcela de sangacho (surpreendente mas desequilibrado, a pedir uns grelos a fazerem-lhe companhia)
.Sardinha em tempura com molho de iogurte (saborosa)
Por aqui tudo bem, o pior é a componente vínica, um autêntico desastre (lista curta, omissão de anos de colheita e nem um único vinho do Douro!). Segundo me explicaram, estão amarrados a um acordo com a Global Wines (uma desculpa esfarrapada, pois a Global Wines também produz vinhos no Douro). Também não têm cervejas artesanais e os tintos estavam à temperatura ambiente. Só desgraças!
Inventariei 3 espumantes, 3 brancos, 1 rosé e 5 tintos, todos a copo.
Optei pelo branco Cabriz Reserva 2017 (4,50 €, um exagero) - com base na casta Encruzado; fresco e mineral, algum vegetal, volume e final médios. Nota 16.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo, servido a olho.
Perante as minhas críticas à componente vínica, muito simpaticamente não cobraram o copo. Aliás, do serviço só tenho a dizer bem, pois quem me atendeu (percebi ser o chefe de sala, mas não retive o nome), fê-lo com profissionalismo e simpatia. Ainda, por cima, estava a trabalhar por três (na sala, na esplanada e na loja!), o que se reflectiu necessariamente no tempo de espera.
Embora tenha apreciado a parte gastronómica, não aconselho enquanto não corrigirem a componente vínica.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Almoço com vinhos fortificados (28ª sessão) : uma jornada memorável em Azeitão

A convite dos anfitriões, o casal Carlota/Adelino, o auto denominado Grupo dos Madeiras, reforçado com um dos F (Frederico Oom), participou numa grande e memorável jornada em Azeitão, onde foram provados/bebidos 9 vinhos (1 espumante, 2 brancos, 2 tintos e 4 fortificados), todos da garrafeira do Adelino.
Com os rótulos à vista, desfilaram:
.Verdelho o original by António Maçanita 2014 em magnum (garrafa nº 8/90) - fresco e mineral, presença de citrinos, boa acidez, volume e final de boca médios. Um branco açoriano deveras original. Nota 17,5.
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2008 - simultaneamente fresco e com gordura, acidez equilibrada, volume e final de boca assinaláveis. Complexo e gastronómico, a evoluir muito bem. Nota 18 (noutras situações 16,5/17/17).
.Espumante Qtª das Bageiras 2004 (não cheguei a provar).
Estes brancos acompanharam frutos secos, salgados, presunto e choco frito.
.Qt Vale Meão 2011 - ainda com muita fruta, acidez no ponto, especiado, taninos presentes mas civilizados, volume assinalável e final de boca muito extenso. Imponente e complexo, a beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5+ (noutra 18,5).
.Ferreirinha Reserva Especial 2001 - aroma não muito agradável, notas vegetais e metálicas. Está na curva descendente ou era uma garrafa avariada? Quem o provou recentemente, que o diga.
Estes tintos harmonizaram com espetadas de carne barrosã (deliciosa), fruta e abóbora.
.Noval Vintage 1968 - ainda com fruta, notas de frutos secos, alguma acidez, taninos presentes, algum volume e final de boca. Perfil próximo de um tawny. Nota 17,5.
Acompanhou com queijo de ovelha amanteigado.
.Moscatel 1900 José Maria da Fonseca - presença de frutos secos e citrinos, acidez equilibrada, taninos macios, estrutura e final de boca assinaláveis. Grande complexidade de um Moscatel com mais de 100 anos. Nota 18,5.
.Niepoort Garrafeira 1938 (engarrafado em 1943 e decantado em 1977) - presença de frutos secos, iodo e caril, acidez no ponto, algum volume e final de boca interminável. Perfil próximo de um Madeira. Nota 19.
Estes fortificados acompanharam frutos secos e doces diversos.
.Artur Barros e Sousa Boal 1860 - ainda muito fresco, presença de frutos secos e vinagrinho, notas de caril, iodo e brandy, taninos civilizados, volume apreciável e final de boca interminável. Complexo e sublime, um dos vinhos da minha vida! Nota 19,5.
Foi uma grande e excepcional sessão de convívio, gastronomia e, muito especialmente, vinhos que não estarão acessíveis à maioria dos enófilos.
No final, cada um dos participante levou para casa um Porto Vintage Taylor's, inesperada e muito simpática oferta do anfitrião. Roam-se de inveja, enófilos de todo o mundo!
Obrigado, Carlota! Duplamente obrigado (pela jornada e pela oferta), Adelino!

terça-feira, 10 de julho de 2018

Grupo dos 3 (60ª sessão) : 1 tinto e 1 Madeira de eleição

Esta sessão foi da responsabilidade do Juca que escolheu o restaurante As Colunas e pôs à prova 2 tintos e 2 fortificados da sua garrafeira. Nos tachos pontificou a Fátima (saborosíssimo empadão de lebre!) e na sala a Joana.
Servidos em copos Riedel, foram provados às cegas:
.Messias Dry Old - nariz contido, presença de frutos secos e tangerina, acidez curta, volume e final médios. Equilibrado e elegante. Nota 17.
Não ligou muito bem com queijo fresco, pastéis de bacalhau e de massa tenra (belissimos).
.Qtª da Pellada 49 2013 - 90 pontos no Parker; com base nas castas Touriga Nacional e Alfrocheiro, estagiou 28 meses em barricas de carvalho francês; aroma discreto, alguma fruta e acidez, notas florais, algum vegetal e lagar, taninos presentes, volume médio e final de boca persistente. A beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 17,5.
.Qtª do Crasto Touriga Nacional 2005 - 96 pontos na Wine Spectator; estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; nariz intenso, muita fruta, notas florais, acidez no ponto, especiado, taninos civilizados, grande volume e final de boca notável. Muito complexo e longe da reforma. A beber nos próximos 7/8 anos. Um grande Douro! Nota 18,5+ (a mesma nota noutra situação).
Estes 2 tintos harmonizaram bem com o empadão de lebre.
.FMA Bual 1964 - aroma intenso e complexo, presença de frutos secos, iodo e vinagrinho, notas de brandy e caril, taninos ainda muito presentes, volume notável e final de boca impressionante. Grande Madeira! Nota 19,5.
Este fortificado foi acompanhado por uma tarte de amêndoa.
Foi mais uma boa jornada de comeres e beberes. Obrigado, Juca!

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Junho 2010 : o que se passou aqui há 8 anos?

Das 21 crónicas publicadas no decorrer de Junho 2010, destaco estas 3:
."O Solar do Vinho do Porto em Lisboa", no dia 6
Um belo e confortável espaço em S. Pedro de Alcântara, com uma boa oferta de vinhos do Porto. Pena é que as temperaturas a que estão guardados estejam no limite do recomendável.
."Procura-se assessor de vinhos para a Presidência da República. Assunto urgente.", no dia 9
Esta crónica assentou que nem uma luva no anterior inquilino de Belém, fraco entendedor em questões vínicas, ao contrário do actual a quem dediquei a crónica "Saber pegar no copo : o novo PR passou no exame.", publicada em 10/7/2016.
."Grupo 3+4. Uma (boa) avalanche de vinhos", no dia 19
Sessão decorrida no restaurante As Colunas, com vinhos do enófilo Rui Rodrigues. O tema foi a prova de 8 tintos de 2003, tendo o vinho Vinha da Ponte sido o vencedor (18,5), logo seguido do Poeira (18).
Ainda, nota alta para o fortificado Kopke Selected Old Tawny, com 50 anos de garrafa (18,5).

quarta-feira, 27 de junho de 2018

O Blogue vai de férias

O blogue vai mais uma semanita de férias, ficando longe do computador.
Ficam por publicar as seguintes crónicas:
.Junho 2010 : o que se passou aqui há 8 anos?
.Grupo dos 3 (60ª sessão)
.Grupo dos Madeiras (28ª sessão)
.Grupo FJF (3ª sessão)
.Restaurante da Loja das Conservas
.Confraria do Periquita
.Restaurante 2 a 8 versus Manuelino
.Almoço no espaço Prova Enoteca-Restelo
Até ao meu regresso...

terça-feira, 26 de junho de 2018

Novo Formato+ (31ª sessão) : 7 grandes vinhos e 1 desilusão

Este grupo de enófilos sofreu nova alteração. Lamentavelmente e para tristeza de nós todos, a Lena (Helena Azevedo) partiu. Ficaram as saudades e a dor que todos sentimos. Mas, por outro lado, temos sangue novo, o Frederico Oom, o mesmo do grupo FJF, participou nesta jornada.
Esta sessão foi da responsabilidade do casal Marieta/José Rosa, que escolheu o restaurante Casa da Dízima, já nosso conhecido, que prima pela boa comida e um serviço de vinhos de excelência, desta vez a cargo do Carlos Ferreira. Passarm pela mesa 64 bons copos Schott. É obra!
Os vinhos (3 brancos, 3 tintos e 2 fortificados) vieram da garrafeira do J. Rosa.
Antes dos vinhos terem entrado em cena, foi a vez de 3 azeites:
.CAMB Premium (Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos)
.De Prado Organic (DPAQ, Baleizão)
.Podere Forte Bio (Agricola Forte, Terra de Siena)
Muito bons, para o meu gosto, o 1º português e o italiano. Desiludiu, o 2º.
Após esta prova "azeitada", desfilaram com os rótulos à vista:
.Niepoort Qtª de Baixo Vinhas Velhas 2014 (11 % vol.) - 93 pontos no Parker; com base nas castas Bical e Maria Gomes, estagiou 20 meses em "fuders" de 1000 litros, provenientes de Mosel; fresco e mineral, fino e elegante, belíssima acidez, volume e final de boca médios. Nota 17,5.
.5ª de Mahler 2000 (o único provado às cegas) - com um perfil ligeiramente diferente das restantes garrafas que tenho provado. Nota 17,5+.
Estes 2 brancos foram provados com uma série de tapas.
.Soalheiro Reserva 2013 magnum (13 % vol.) - nariz discreto, fresco e mineral, presença de citrinos e alguma fruta tropical, bela acidez, notas amanteigadas, algum volume e final de boca. Menos interessante que outras colheitas, precisa de tempo para se mostrar. Servido muito frio, melhorou quando a temperatura subiu. Nota 17,5.
Acompanhou pera bebeda em vinho branco e queijo de Fornos de Algodres.
.Villa Oliveira 2010 (14 % vol., garrafa nº 2421/2424) - nariz intenso, fruta vermelha, notas florais, acidez no ponto, taninos domesticados, volume e final de boca assinaláveis. Harmonioso e equilibrado. A beber nos próximos 10/12 anos. Nota 18.
Maridou com um pregado com açorda de espargos e camarão.
.Pintas 2010 (14,5 % vol., uma das 5500 garrafas produzidas) - com base em vinhas velhas com cerca de 80 anos, passou pelo lagar com pisa a pé; ainda com fruta, acidez equilibrada, especiado, taninos firmes, bom volume e final de boca persistente. Um Pintas cheio de personalidade e uma grande surpresa num ano menor. A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5.
.Pintas 2011 (14,5 % vol.) - o tal dos 98 pontos na Wine Spectator; com base em vinhas velhas e com pisa a pé, tal como o 2011; perfil semelhante, mas ligeiramente mais complexo. A beber nos próximos 9/10 anos. Nota 18,5+.
Estes 2 tintos harmonizaram com veado e puré de cogumelos.
.Krohn Colheita 1966 (engarrafado em 2010) - Prémio Excelência da Revista de Vinhos; nariz exuberante, presença de frutos secos e algum mel, acidez equilibrada, taninos suaves, estrutura e final de boca assinaláveis. Um grande tawny, mais complexo que grande parte dos vintage. Foi o vinho da tarde! Nota 19.
Acompanhou um fofo de chocolate negro e gelado de amêndoa.
.Barbeito Bual 1917 (sem data de engarrafamento) - nariz discreto, frutos secos, alguma acidez e volume, final de boca amargo. Atípico e discreto, foi a desilusão do repasto. Nota 16.
Foi mais uma grande sessão de convívio, bons vinhos e bons acompanhamentos.
Obrigado Marieta! Obrigado J. Rosa!

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Vinhos em família (LXXXIX) : brancos e tintos em alta

Mais uns tantos vinhos provados em família, sossegadamente e sem a pressão da prova cega. E eles foram:
.Poço do Lobo Arinto 1995 (12 % vol.) - com base na casta Arinto (a 100 %); cor dourada e brilhante, presença de citrinos, maçãs e alperces, oxidado, belíssima acidez, notas amanteigadas, algum volume e final seco. Precisa de comida por perto. Nota 17.
.Conceito Ontem 2016 branco (11,5 % vol.) - a sul do Douro e sem direito a DOC; com base em castas brancas e tintas de vinhas velhas (80 a 100 anos) a 700 metros de altitude, estagiou em barricas de carvalho francês usadas (20 %); presença de citrinos, muito fresco e mineral, acidez evidente, alguma estrutura e final de boca. Fino e elegante, precisa de tempo para se mostrar. Acompanha bem entradas leves. Nota 17,5.
.Qtª do Perdigão Touriga Nacional 2009 (14 % vol.; garrafa nº 6419/6500); estagiou 1 ano em barricas de carvalho francês; nariz contido, alguma fruta, notas florais, acidez no ponto, algum volume e final de boca. Fino e elegante, a consumir até 6/7 anos. Nota 17,5.
.Vallado Touriga Nacional 2009 (14,5 % vol.) - 95 pontos na Wine Spectator e 92 no Parker e na Wine Enthusiast; estagiou 16 meses em meias pipas de carvalho francês; nariz exuberante, ainda com fruta vermelha, acidez equilibrada, bom volume e final de boca persistente. Concentrado e taninoso, a beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18.
.Dona Maria Grande Reserva 2011 (14,5 % vol.) - o melhor vinho do ano 2016 para a revista Wine; com base nas castas Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Petit Verdot e Syrah em vinhas velhas, estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês; frutado, carnudo, acidez no ponto, especiado, taninos sedosos, algum volume e final de boca persistente. Muito harmonioso, está no ponto óptimo de consumo. Nota 18.

sábado, 23 de junho de 2018

Grupo dos 3 (59ª sessão) : 1 branco e 1 tinto de excelência

Após um longo interregno (a 58ª sessão foi em Novembro 2017, no Lumni, com vinhos da minha garrafeira), este grupo de enófilos da linha dura reuniu-se no restaurante Via Graça. A escolha foi do João Quintela, com vinhos da sua garrafeira.
O Via Graça, já aqui referido por diversas vezes, dispensa apresentações. A comida, o serviço de vinhos, os copos e a vista, pois claro, são de primeira qualidade.
Desfilaram, às cegas:
.5ª de Mahler 2000 - com base na casta Fernão Pires; cor dourada, aromas e sabores terciários, glicerinado, acidez fabulosa, volume e final de boca apreciáveis. Complexo e gastronómico, este surpreendente branco, com uma relação preço/qualidade imbatível, é uma das minhas paixões e não me canso de o beber. Nota 18.
Acompanhou diversos patés e pastéis de bacalhau.
.Kompassus Verdelho 2015 - mais fresco e mineral, presença de citrinos, bela acidez, volume e final de boca médios. Fino e elegante. Nota 17.
Não se aguentou com um saboroso robalo com arroz cremoso de lingueirão e espuma de ostras. Este Kompassus teria harmonizado melhor com as entradas, enquanto que o primeiro branco esteve melhor com este prato.
.Vinha Othon Reserva 2008 - com base nas castas Touriga Nacional, Jaen e Tinta Roriz; aroma intenso e complexo, ainda com fruta vermelha, especiado, acidez no ponto, taninos sedosos, volume e final de boca apreciáveis. Ainda longe da reforma, a beber nos próximos 8/10 anos. Nota 18,5.
Maridou com uma costoleta de vitela grelhada.
.Porto Wine & Soul 10 Anos - muito frutado, alguma acidez e gordura, volume e final de boca médios. Foi o elo mais fraco. Nota 16,5.
Acompanhou crepes Suzete feitos à nossa frente.
Mais uma boa sessão de comeres e beberes. Obrigado João!

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Jantar Herdade do Esporão

Com organização da Garrafeira Néctar das Avenidas, decorreu no restaurante Sem Dúvida (R. Elias Garcia) mais um jantar, desta vez com vinhos da Herdade do Esporão, apresentados pela enóloga Ana Alves. Tenho com o Esporão uma relação afectiva, pois foi com este produtor que as Coisas do Arco do Vinho sairam pela 1ª vez do seu espaço de conforto, "A Commenda", no CCB, para outras paragens, concretamente para o Terreiro do Paço, restaurante a cargo da saudosa Júlia Vinagre. Foi um autêntico êxito, com a lotação completamente esgotada!
Mas voltando ao tema desta crónica, este jantar no Sem Dúvida não podia ter corrido melhor. Gastronomia de qualidade, bons copos, temperaturas adequadas, bom ritmo no serviço de sala (só abrandou no final), muito graças ao trabalho da Vanessa Gonçalves, é justo dizer, sempre com os vinhos a chegarem antes dos pratos. Tudo isto, sob a batuta do Sérgio. Mais, cada participante tinha ao seu lado uma ementa expressamente impressa para o momento.
Desfilaram:
.Espumante Herdade do Esporão 2014 Bruto - foi a bebida de boas vindas e cumpriu bem a sua função.
.Esporão BIO 2017 branco - fresco e mineral, notas florais e algum vegetal, volume e final médios. Nota 15,5.
Conflituou com um ceviche de salmão e mousse de abacate.
.Esporão Reserva 2016 branco (rótulo Duarte Belo) - com base nas castas Arinto, Roupeiro e Antão Vaz, fermentou em barricas (30 %) e estagiou 6 meses em carvalho francês; nariz positivo, presença de citrinos e fruta madura, acidez e notas amanteigadas, algum volume e final de boca. Gastronómico, porta-se sempre bem e tem uma boa relação preço/qualidade. Nota 17.
Harmonizou com uma belíssima tranche de garoupa e cremoso de lingueirão.
.Esporão Reserva 2015 tinto (rótulo Duarte Belo) - com base nas castas Aragonês, Alicante Bouschet, Trincadeira e Cabernet Sauvignon, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês e americano;  nariz discreto, fruta preta, acidez no ponto, taninos civilizados, muito ligeiramente especiado, algum volume e final de boca. Ainda muito jóvem, falta-lhe alguma complexidade. Nota 16,5.
Casou com bolinhas de cogumelos selvagens.
.Esporão Private Selection 2012 tinto (rótulo João Queirós) - Com base nas castas Aragonez, Alicante Bouschet e Syrah, estagiou 18 meses em barricas novas e usadas e mais 12 meses na garrafa; nariz exuberante, ainda com fruta vermelha, acidez equilibrada, especiado, taninos presentes mas civilizados, volume apreciável e final de boca muito longo. Complexo, a beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5.
Excelente ligação com um saboroso naco da vazia.
.Esporão Private Selection 2016 branco (rótulo Duarte Belo) - considerado o "Melhor Blend Branco do Ano" no Concurso de Vinhos de Portugal em  Maio 2018; com base na casta Sémillon, estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês e mais 6 em garrafa; aroma intenso, fruta madura, glicerinado e complexo, alguma acidez e notas amanteigadas; volume e final de boca médios. Nota 17,5.
Harmonização com uma tábua de queijos. Veio-me à memória, outro jantar com o Esporão (desta vez na Commenda), em que sugeri ao David Baverstock esta mesma ligação com os queijos. Perfeita!
.Porto Qtª dos Murças 10 Anos - presença de citrinos e frutos secos, complexidade e perfil próximo de um 20 Anos; algum volume e final de boca. Nota 17.
Acompanhou um delicioso bolo húmido de amêndoa.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Aditamento a Curtas (C) : jantar vínico

Na crónica publicada hoje de manhã, faltou dizer:
As "United Wine Women", que são 23 mulheres ligadas ao mundo do vinho (produtoras, enólogas e jornalistas), entre as quais as mediáticas Francisca van Zeller, Maria Serpa Pimentel, Martta Simões, Rita Marques, Sandra T. Silva e Susana Esteban, participam num jantar vínico de solidariedade (40 € por pessoa) revertendo 50 % da receita para o Refúgio Aboim Ascensão.
O evento está marcado para o dia 19 de Junho (19h30) e decorrerá no Altis Grand Hotel (Rua Castilho), podendo as inscrições ser feitas através do e-mail unitedwinewomen@malhadinhanova.pt ou do telefone 289510460.

Curtas (C) : férias, Bairrada no CCB, garrafeira misteriosa e concorrência desleal

1.O blogue vai de férias
O blogue vai de férias e vai ficar longe do computador durante 1 semana.
Fazendo o ponto de situação, estão por publicar as seguintes crónicas:
.Jantar Herdade do Esporão (prevista para amanhã)
.Grupo dos 3 (59ª e 60ª sessões)
.Novo Formato+ (31ª sessão)
.Grupo dos Madeiras (28ª sessão)
.Grupo FJF (3ª sessão)
.Restaurante Loja das Conservas
.Confraria do Periquita
.Vinhos em família (LXXXIX)
2.Bairrada de Excelência
É já na próxima 2ª feira, dia 18 de Junho, que a Bairrada desce à capital. Organizado pela Vinho Grandes Escolhas, com o apoio da CVR, este evento decorrerá no CCB (Sala Luis Freitas Branco), das 15 às 21 h, contando já com 25 produtores confirmados.
A entrada é gratuita, mas requer inscrição prévia em inscrições@grandescolhas.com.
3.Garrafeira misteriosa
Garrafeira misteriosa é o que posso chamar à Garrafeira Fora da Caixa, aberta no ano passado na Coelho da Rocha, 66B. Há pouco mais de 1 mês e depois de um lauto almoço no Magano, fui lá dar uma espreitadela e bati com o nariz na porta. Rezava o papel afixado no interior da loja "Por motivos de força maior...blá blá...
Esta semana, depois de outro almoço no Magano, fui lá dar nova espreitadela e estava tudo na mesma.
Depois do atrevimento de terem aberto uma garrafeira nas barbas do Arlindo Santos, devem ter repensado e desistido da idéia. Mistérios...
4.Concorrência desleal
Depois do Público, agora é o Expresso que arrancou com um clube de vinhos, em clara e desleal concorrência com as garrafeiras e lojas de vinhos com porta aberta ao público. Haja decoro!

terça-feira, 12 de junho de 2018

Grupo FJF (2ª sessão) : Alvarinhos em alta

O Grupo FJF, reforçado com mais um J (de Juca), voltou a reunir-se no Magano para uma prova de alvarinhos e albariños, devidamente acompanhados por produtos do mar.
Com um serviço de sala de 5 *, a que já estamos habituados, desfilaram:
.Qtª de Santiago Rascunho Alvarinho 2015 (garrafa nº 334/600, levada por mim) - estagiado durante 9 meses sobre as borras, seguido de mais 12 meses na garrafa; presença de citrinos, fresco, acidez q.b., notas amanteigadas, muito complexo, volume e final de boca assinaláveis. Grande Alvarinho e uma grande surpresa, a demonstrar que a qualidade dos alvarinhos não se esgota no Anselmo Mendes e na Qtª de Soalheiro (13,5 % vol.). Nota 18.
.Kompassus Alvarinho 2015 (também levada por mim) - estagiou 7 meses em barricas usadas, tendo sido engarrafado em Julho de 2016; fresco e mineral, acidez equilibrada, polido e austero, volume e final de boca médios. Uma boa surpresa este Alvarinho, o único na Bairrada (12,5 % vol.). Nota 17,5.
Estes 2 alvarinhos harmonizaram com gambas de Madagascar e carabineiros com arroz.
.Soalheiro Alvarinho 2000 (levado pelo João) - nariz contido, oxidação nobre, aromas e sabores terciários, bela acidez, volume e final de boca médios (12,5 % vol.). Envelheceu muito bem. Nota 17,5.
.Granbazán Albariño 2010 (também levado pelo João) - estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês; fresco e mineral, acidez no ponto, algum volume e final de boca médio (13,5 % vol.). Nota 17.
Estes 2 brancos fizeram companhia a lulas grelhadas com grelos e batatas.
.Messias Colheita 1977 (engarrafado em 2007, foi levado pelo Frederico) - presença de frutos secos, acidez e gordura, algum volume e final de boca muito longo. Complexo e harmonioso. Nota 18,5.
Acompanhou a tradicional tarte de amêndoa.
Uma boa sessão, com uma luta desigual: 3 Alvarinhos contra 1 Albariño.

domingo, 10 de junho de 2018

Cantina Zé Avillez : o rei vai nú?

Fui conhecer um dos últimos projectos do chefe José Avillez, a sua Cantina (Rua dos Arameiros,15 entre a Rua dos Bacalhoeiros e a Rua da Alfândega, ao Campo das Cebolas), um espaço descontraido, com toalhetes e guardanapos de papel. Lá fora, uma boa esplanada que com tempo ameno é uma mais valia. A minha experiência gastronómica, neste novo espaço, foi razoável mas abaixo das expectativas criadas pela comunicação social.
Quanto ao serviço, foi um desastre completo. Comecei por pedir bacalhau às lascas, mas obtive como resposta que não havia, só bacalhau lascado!?!?. Para acompanhar o prato, pedi um dos vinhos a copo que constavam na lista. Passado algum tempo, que me pareceu excessivo, fui informado que afinal não havia!!! Mas os deslizes no serviço não pararam. Reparei que na mesa mesmo ao meu lado (as mesas estavam encostadas*, acontecendo que os nossos cotovelos, o meu e o do meu vizinho, se chocavam, uma menos valia!!!) as imperiais foram devolvidas e um dos pratos também, porque não correspondiam aos pedidos feitos!!! Isto passou-se num metro quadrado, imagine-se o que não se teria passado nas restantes mesas...
* recado para o chefe: facture um pouco menos, mas deixe os seus clientes mais confortáveis.
Quanto à componente gastronómica, inventariei 3 salgados, 2 sopas (comi a de feijão com couve lombarda, aceitável), 6 entradas, 10 pratos principais (comi o tal bacalhau lascado, com grelos, ovo, crosta de broa e alheira, razoável, mas que podia comer em qualquer restaurante das redondezas por metade do preço; custou-me 15 €), 2 saladas, 2 pregos, 2 vegan e 5 sobremesas.
Quanto à componente vínica, inventariei 13 brancos (3 a copo), 12 tintos (3, que afinal eram apenas 2), 2 Porto, 1 Madeira, 1 Moscatel, 1 Carcavelos e 1 Late Harvest (todos estes a copo). Preços altos, alguns demenciais (Soalheiro 1ª Vinhas e Qtª Vallado Reserva brancos a 46 € e Pintas Character a 52 € e, ainda, Lagoalva Alfrocheiro a 65 € *).
* recado para o chefe: reveja os preços, que não são de cantina!
Acabei por optar por um copo do tinto JA 2015 (uma parceria com a Qtª Monte d' Oiro) - frutado, notas vegetais, rústico, alguma acidez, volume e final de boca médios. Nota 15,5.
A garrafa veio à mesa e o vinhos dado a provar num bom copo, mas fiquei na dúvida se o fariam para todos os clientes.
Resumindo e concluindo, não recomendo nem tenciono voltar.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Tejo no feminino (2ª parte) : o almoço

...continuando...
3.Que vinhos? (continuação)
Dos 16 vinhos provados faltou dizer que eram 6 brancos, 1 rosé, 1 clarete, 7 tintos e 1 moscatel. De sublinhar que, em metade dos vinhos provados, a casta Touriga Nacional está presente: em 5 tintos (3 a 100 % e 2 em lote) e, ainda, no rosé. É obra. Honra e glória à Touriga Nacional!
4.O almoço
O restaurante onde decorreu a prova documentada e o almoço foi o Mãe - Cozinha com Amor (R. Dona Estefânia, 92B), propriedade de 3 ribatejanos (João Saloio na cozinha, Raimundo Ferreira na sala e Rodrigo Vieira).
Os vinhos provados na 1ª parte do evento, estavam disponíveis para o almoço, embora os tintos estivessem à temperatura ambiente, logo quentes. Seleccionei para o almoço estes dois, que foram acompanhando a ementa:
.Falcoaria Vinhas Velhas 2016 - com base na casta Fernão Pires e enologia da Joana Lopes; aroma original com notas de fruta exótica (lichias?), presença de citrinos e espargos, acidez no ponto, algum amanteigado e complexidade, volume e final de boca. Nota 17.
.Maximo's Grande Escolha 2013 - com base na casta Touriga Nacional e enologia da Alexandra Mendes; ainda com muita fruta, notas florais, acidez equilibrada, taninos firmes mas civilizados, especiado, volume e final de boca assinaláveis. Um belo tinto que ainda não está no mercado. Refresquei-o antes de o beber. Nota 18 (17,5+ na prova).
A ementa:
.tábua de queijos e enchidos
.wrap de rabo de boi
.sopa de pedra de bacalhau (uma invenção espúria que não me convenceu)
.carne de vaca (vazia e alcatra) com açorda (tudo muito saboroso)
.trio de doces
No final do repasto, tive a ocasião de consultar a lista de vinhos, o que faço sempre. Precisa de uma grande volta, pois:
.é omissa quanto a anos de colheita.
.os verdes (todos brancos) aparecem autónomos e não integrados nos brancos
.a região em causa, ainda aparece como Ribatejo!
Resumindo e concluindo, foi mais uma sessão didáctica, cujo protagonismo coube, por inteiro, às produtoras e enólogas do Tejo. Fiquei a conhecer projectos e vinhos que nem sabia que existiam.
Quanto à carta de vinhos do restaurante, peçam ajuda à CVR Tejo. Bem precisa!

terça-feira, 5 de junho de 2018

Tejo no feminino (1ª parte) : os vinhos e as autoras

1.Introdução
A convite da CVR Tejo e com organização da Joana Pratas, participei numa jornada de apresentação e prova de vinhos do Tejo, cujo elo de ligação era a presença das produtoras e/ou enólogas responsáveis pelos mesmos.
O evento compôs-se em 2 partes:
.Prova comentada de vinhos do Tejo (1 por cada uma das 16 enólogas/produtoras presentes ou representadas)
.Almoço com sabores do Tejo (no restaurante Mãe, propriedade de 3 ribatejanos)
Veio-me à memória, a propósito desta sessão, os jantares vínicos no feminino organizados pelas Coisas do Arco do Vinho, na sequência de uma ideia da produtora duriense da Qtª da Casa Amarela, Laura Regueiro de seu nome, que foi a grande animadora daqueles eventos. E já lá vão mais de 20 anos...
2.Quem esteve?
De destacar que, das 16 presentes ou representadas, 10 são enólogas (62,5 %), facto impensável há 20 anos atrás. Também me surpreendeu a presença de produtoras completamente desconhecidas, para mim pelo menos, se comparadas com a Qtª da Alorna, Casa de Cadaval, Casal Branco, Falua e Casal da Coelheira, os pesos pesados da Região Tejo.
Da parte dos participantes, estiveram presentes representantes da crítica especializada (Vinho Grandes Escolhas, Revista de Vinhos, Escanção, Paixão pelo Vinho e Maria João de Almeida), alguns meios de comunicação social generalista e a blogosfera (João à Mesa, Mendes Nunes, Moroso on Wine, Novas Krónikas Vinícolas e este Enófilo Militante).
3.Que vinhos?
Dos vinhos apresentados, ficaram-me na memória:
.Maximo's Grande Escolha 2013 tinto, apresentado pela enóloga Alexandra Mendes (nota 17,5+)*
.Marquesa de Alorna Grande Reserva 2015 branco, pela Márcia Farinha em representação da Martta Simões (17,5)
.Casal das Freiras Reserva 2015 tinto, pela produtora Rita Vidal (17,5)
.Falua Reserva Unoaked 2015 tinto, pela enóloga Antonina Barbosa (17,5)
.Falcoaria Vinhas Velhas 2016 branco, pela enóloga Joana Lopes (17)*
.Casal da Coelheira Private Collection 2015 tinto (17)
* notas de prova a incluir na 2ª parte (almoço)
De referir, ainda, o folheto elaborado pela Minoc, representada pela sua produtora e enóloga Rita Conim Pinto. Que eu saiba, foi o único. Uma acção louvável, portanto.
continua...

domingo, 3 de junho de 2018

Maio 2010 : o que se passou aqui há 8 anos?

Das 16 crónicas publicadas no decorrer de Maio de 2010, destaco estas 3:
."Jantar no Corte Inglês", em 9/5
Com a presença dos enólogos/produtores Paulo Laureano, Mota Capitão e Francisco Albuquerque, e ainda de António Beleza, em representação da distribuidora Portfólio, decorreu no restaurante principal do Corte Inglês um jantar vínico de apresentação de uma série de vinhos das respectivas marcas, a fechar com o Blandy Bual 1948 (engarrafado em 2004), a cereja em cima do bolo.
De destacar que 15 dos 40 participantes eram do núcleo de amigos e clientes das Coisas do Arco do Vinho (CAV).
."Jantar no Gspot", em 14/5
Com vinhos dos Lavradores de Feitoria, decorreu um jantar no Gspot, em Sintra, entretanto já encerrado. É oportuno lembrar quem eram os protagonistas deste interessante e  badalado projecto, o Manuel Moreira na sala e, ainda, o João Sá e o André Simões na cozinha, estes na altura em princípio de carreira.
Mais uma vez o núcleo das CAV esteve em maioria, com 8 participantes em 14.
."As contradições do grupo Pestana", em 27/5
A contradição do grupo Pestana, referida naquela crónica, baseia-se no facto de terem posto à venda um estojo que incluía a brochura Pousadas de Portugal e uma meia garrafa de espumante Moet Chandom, em vez de um vinho português de prestígio internacional, como é o caso do Porto ou Madeira.
Imperdoável!

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Grupo dos 6 (10ª sessão) : grandes tintos de 2007 e raridades de excepção

Mais uma sessão deste grupo de enófilos, desfalcado de um dos seus elementos. Desta vez aterrámos na Enoteca de Belém que, embora sem as presenças do Ricardo na cozinha e do Nelson na sala, continua num patamar alto quanto às iguarias e ao serviço de vinhos.
Desfilaram:
.Covela Escolha 2014 (levado pelo João) - com base nas castas Avesso e Chardonnay; nariz exuberante, presença de citrinos e maçãs, boa acidez, notas amanteigadas, volume e final de boca médios (13 % vol.). Uma boa surpresa com uma boa relação preço/qualidade. Nota 17,5.
.Covela Reserva 2014 (levado por mim) - com base nas castas Avesso, Chardonnay e Arinto, estagiou em barricas de carvalho francês; nariz austero, fruta fresca, belíssima acidez, especiado e complexo, fino e elegante, algum volume e final de boca persistente (13,5 % vol.). Nota 17,5+.
Estes 2 brancos acompanharam ceviche de atum, presunto de pato e lascas de bacalhau com puré de alho francês.
.Qtª do Ribeirinho Baga Pé Franco 2007 (da garrafeira do Frederico) - aroma intenso, sabores terciários, bela acidez, fino e elegante, algo especiado, taninos civilizados, algum volume e final de boca persistente. Álcool contido (13 % vol.). A beber nos próximos 9/10 anos. Nota 18,5.
.Vinha da Ponte 2007 (da garrafeira do J. Rosa) - nariz discreto, alguma fruta e acidez, especiado e complexo, taninos de veludo, grande volume e final de boca assinalável. Álcool excessivo (15,5 % vol.). A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5+.
Estes 2 tintos harmonizaram com lombinho de porco confitado e legumes teriyaki.
.Burmester Rio Torto 1900 (da garrafeira do Adelino, tal como o Madeira que se indica a seguir) - cor límpida e brilhante, nariz positivo, frutos secos, grande frescura, taninos civilizados, estruturado e final de boca muito longo. Fino e elegante, uma preciosidade. Nota 19.
.Artur Barros e Sousa V V lote Bual e Malvasia - com cerca de 80 anos, frutos secos, notas de caril e brandy, vinagrinho, especiarias, algum volume e final de boca interminável. Outra preciosidade. Nota 18,5+.
Estes 2 fortificados acompanharam uma tábua de queijos, crumble de abóbora e fruta laminada.
Mais uma grande sessão deste grupo de privilegiados com acesso a autênticas raridades saídas da garrafeira do Adelino.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Curtas (XCIX) : Bairradão, Hello Summer, Brut Experience e Prova-Enoteca

1.Rescaldo do Bairradão
Terminada esta 5ª edição do Bairradão, resultante de um trabalho hercúleo dos proprietários e animadores da Garrafeira Néctar das Avenidas (Sara e João Quintela), resta-me dizer que dos 32 brancos por mim provados, destaco em primeiríssimo lugar o Encontro 1 2013, um grande vinho construído pelo enólogo Osvaldo Amado.
Ainda em 1º plano, O Fugitivo Vinhas Centenárias 2016, Frei João Clássico 2015, Casa de Saima Garrafeira 2015, Giz Vinhas Velhas 2016, Ataíde Semedo Reserva 2017, Pai Abel 2015 e Campolargo Verdelho Barricas 2014.
Logo a seguir, Caminhos Cruzados Family Edition 2015, M Marquês Marialva Grande Reserva Arinto 2014, Casa de Saima Vinhas Velhas 2017, Aequinotium Grande Reserva 2014, Kompassus Verdelho 2015, Qtª Bageiras Garrafeira 2016, Regateiro Reserva 2016, Vadio 2016, Bical De Sempre 2015, Sidónio Sousa Reserva 2016 e M.O.B. 2016.
E, para o ano, há mais. Assim o espero.
2.Hello Summer Wine Party (4ª edição)
Organizado pela revista Paixão pelo Vinho, este evento decorrerá nos jardins do Lisbon Marriott Hotel, das 17 às 23 h do dia 8 de Junho, podendo ser degustados mais de 200 vinhos. Estão, ainda, previstas 3 Provas Especiais.
3.Brut Experience (1ª edição)
Com organização de Luís Gradíssimo (blogue Avinhar) e do jornalista José Miguel Dentinho, vai decorrer uma prova alargada de espumantes no Lisbon Marriott Hotel, no dia 16 de Junho, entre as 15 e as 20 h.
Mais informações em www.brutexperience.pt.
4.Prova-Enoteca (R. Duarte Pacheco Pereira,9 Restelo)
Aberta há bem pouco tempo, nesta enoteca e loja gourmet pode-se petiscar, mas também fazer uma refeição ligeira. A oferta em vinhos não é muito extensa (cerca de 80 referências), mas criteriosa (já lá comprei, por exemplo, uma garrafa do Conceito Ontem, nada fácil de encontrar). Foi constituída com o apoio do escanção Manuel Moreira, uma mais valia.
A componente loja gourmet é francamente apetecível. Já lá comprei uma belíssima codorniz em escabeche (Bela Cozinha) e conservas de cavala e de carapaus, em frasco de vidro (Saboreal). Para os indefectíveis das ditas, há ostras fresquíssimas. Etc...
Recomendo, vivamente!

domingo, 27 de maio de 2018

Grupo FJF (1ª sessão) : a voz aos brancos

Esta foi a 1ª sessão deste conjunto de amigos que se auto denominaram Grupo F (Frederico Oom) J (João Quintela) F (Francisco, eu próprio). O repasto decorreu no Magano e o tema foi "vinhos brancos originais e pouco ou nada vistos", proposta do Frederico e com brancos da sua garrafeira.
Desfilaram:
.5ª de Mahler 2000 (12,5 % vol.) - já referido por mim em "Vinhos em família (LXXXIV) : surpresas e desilusões", crónica publicada em 1/2/2018. Continua em grande forma. Nota 18.
.Qtª Carvalhais Branco Especial (14 % vol.) - com base nas castas Encruzado, Gouveio e Sémillon, com 10 anos de barrica, foi engarrafado em 2017; nariz contido, alguma frescura, frutos secos, acidez e notas amanteigadas, complexidade, volume e final de boca assinaláveis. Nota 18.
.Villa Oliveira 1ª Edição Lote 2010-2015 (13 % vol.) - garrafa nº 11/1610; com base na casta Encruzado e outras em vinhas velhas; nariz intenso, presença de citrinos e fruta madura, belíssima acidez, algum volume e final de boca persistente. Fresco, complexo e elegante, está num patamar muito alto. Nota 18,5.
Para além das habituais virtualhas, estes brancos foram servidos com um saboroso pargo no forno.
Provámos, também, por simpatia do dono do Magano:
.Barão de Villar Kaputt 1ª Edição (13 % vol.) - enologia de Álvaro van Zeller; com base nas castas Dona Branca, Gouveio e Donzelinho em vinhas velhas, estagiou 6 anos em barricas usadas, 2 em cuba e 19 meses em garrafa; maioritariamente da colheita 2008, loteada com vinhos de 2009, 2010, 2013 e 2015. Original e muito interessante.
E, ainda, sobras de um vinho bebido na véspera pelo João, que nos pareceu um branco muitíssimo velho ou, mesmo, um tawny. Afinal era um tinto, o Garrafeira CB (Cova da Beira) 1973 da José Maria da Fonseca! Ele há coisas...
A fechar, com a tradicional tarte de amêndoas:
.Moscatel JP Vinhos 1989 (levado pelo João) - aroma intenso, presença de laranja e tangerina, bela acidez, volume e final médios. Fino e elegante. Nota 17,5.
Resumindo e concluindo, foi uma curiosa e didáctica sessão com brancos pouco ou nada vistos. Obrigado, Frederico!


.........................EM CONSTRUÇÃO............................................

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Enoturismo na Bairrada (VIII) : o Palace Hotel do Buçaco

...continuando...
11.Palace Hotel do Buçaco
Foi onde almoçámos no último dia e a grande desilusão desta jornada. Este requintado e histórico hotel que vem ainda do século XIX merecia um restaurante melhor, não só na componente gastronómica, mas também na vínica. Um hotel de 5 * tem a obrigação de ter uma cozinha e um serviço de sala irrepreensíveis, mas, lamentavelmente, está muito longe disso.
Mesas muito bem aparelhadas, mas apenas com pão e manteiga que se podem encontrar em qualquer modesto espaço de restauração.
Com o grupo já espalhado por diversas mesas, avançaram:
.Buçaco Reservado 2015 branco - com base nas castas Bical, Maria Gomes (da Bairrada) e Encruzado (do Dão); nariz intenso, presença de citrinos e fruta madura, bela acidez, notas amanteigadas, bem estruturado e final de boca assinalável. Grande branco, muito original e pleno de personalidade. Nota 17,5+.
Fez-se acompanhar por uma banal quiche de legumes. Merecia melhor!
.Buçaco Reservado 2013 tinto - com base nas castas Baga (Bairrada) e Touriga Nacional (Dão); nariz exuberante, muita fruta vermelha, notas florais, acidez no ponto, especiado, taninos presentes mas civilizados, algum volume e final de boca persistente. Está ainda muito novo e pode ser bebido daqui a 15/20 anos. Nota 18.
Estas notas de prova referem-se a uma 2ª garrafa, pedida por mim, pois a 1ª estava à temperatura ambiente, ou seja, quente, com o álcool a sobrepor-se. Esclareça-se que a garrafa foi trocada, mas o chefe de sala fê-lo contrariado, pois acha que o vinho tinto não deve ser servido à temperatura correcta (16 a 18º).
Como companhia foi servido pargo (mal) assado com legumes.
Cartão amarelo ao Hotel do Buçaco!
Salvou-se a sobremesa, bolo de chocolate com gelado de tangerina.
Estava prevista uma visita às caves e relíquias vínicas do Buçaco, mas o hotel não se disponibilizou, com a desculpa esfarrapada que não tinha ninguém para nos acompanhar, o que lhe valeu uma reclamação escrita por parte da Tryvel.
Por meu lado, novo cartão amarelo e um vermelho, por acumulação de cartões!
Para terminar, não resisto a mencionar um livro do saudoso José A. Salvador, publicado em 1993 com o título "Roteiro de Vinhos da Bairrada", em cujo primeiro capítulo "Bussaco, a Catedral da Bairrada" escreveu "(...) A cave do Palace Hotel do Bussaco é um autêntico templo báquico, onde sobressai o rigor do cerimonial enófilo ditado por mestre José dos Santos. Director do hotel (...) é autor e educador dos melhores vinhos brancos e tintos desta região, que consagram esta casa, situada no coração da mata do Bussaco, como a verdadeira catedral da Bairrada (...)".
Fim dos meus serviços...

terça-feira, 22 de maio de 2018

Enoturismo na Bairrada (VII) : Qtª das Bageiras e Caves São Domingos

...continuando...
9.Qtª das Bageiras
Na manhã do último dia desta viagem tivemos a oportunidade de visitar a Qtª das Bageiras, na Fogueira e bem perto do restaurante Mugasa, onde fomos recebidos pelo produtor Mário Sérgio Nuno, talvez aquele que melhor simboliza a Bairrada clássica. Ele intitula-se um "vigneron", ou seja, um viniviticultor que só trabalha com vinhas próprias.
O Mário Sérgio, que eu conheço há mais de 20 anos, pertence ao grupo dos "Baga Friends", protagonizado pelos grandes defensores da casta Baga, e foi nomeado "Produtor do Ano" pela Revista de Vinhos (em 2012) e pela Wine (em 2014). Mais, no 10 de Junho de 2014, foi-lhe atribuída pelo Presidente da República a "Ordem do Mérito Empresarial (Classe Mérito Agrícola)".
Entre as diversas crónicas publicadas neste blogue e em que ele é citado, destaco a dedicada ao "Jantar Qtª das Bageiras", publicada em 12/6/2014.
Mas, voltando à nossa visita, é de referir mais uma lição sobre os espumantes, por parte do Mário Sérgio, grande defensor do bruto natural (zero de açúcar), e uma prova de 3 vinhos, em copos Riedel borgonheses:
.Qtª das Bageiras Bruto Natural Rosé 2015 (100 % Baga)
.Avô Fausto 2016 branco
.Pai Abel 2015 branco (o topo de gama em brancos)
No final da visita, ainda fomos obsequiados com uma garrafa do excelente vinagre gourmet Qtª das Bageiras, elaborado a partir de bons vinhos.
Obrigado Mário Sérgio, pela parte que me toca!
10.Caves São Domingos
Esta foi a última visita do grupo que, inicialmente, não estava prevista (o  almoço no Buçaco fica para uma próxima e última crónica). Fomos recebidos pelo director comercial, Alexandrino Amorim de seu nome, pertencendo via matrimonial à família dos proprietários.
A começar, mais uma lição sobre espumantes (aqui faltou alguma coordenação, por parte da organização), visita à adega e prova orientada de alguns vinhos das Caves São Domingos, acompanhados por conservas e Amores da Curia (bolo regional):
.espumante Elpídio 1980
.espumante Lopo de Freitas 2012
.Volúpia 2017 branco
.São Domingos Grande Escolha 2011 tinto
continua...

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Enoturismo na Bairrada (VI) : Restaurante Vidal

...continuando...
8.Restaurante Vidal (Aguada de Cima, Águeda Sul)
Foi neste clássico da Bairrada que fizemos a nossa 3ª refeição de leitão, em sala reservada para o efeito. O dono, José Vidal de seu nome, apareceu no final do repasto e ainda nos fez companhia.
Nas mesas toalhas e guardanapos de pano e, para trincar, salgados, queijos e enchidos.
Antes de chegar a entrada (miúdos de leitão estufados), foi correctamente servido o espumante da casa, cujo produtor engarrafador aparece apenas com um nº de código (houve quem afirmasse que era das Caves São João, mas não consegui confirmar). Penso que é um espumante de entrada de gama, simples e correcto, com alguma acidez, frescura e bolha fina, a cumprir bem a sua missão.
Entretanto apareceu o indispensável leitão, acompanhado com batata frita, salada e laranja cortada, muito bom, mas sem ultrapassar o do Mugasa. A pedido de alguém, tive a oportunidade de provar uma garrafa do tinto Frei João 2011, num bom momento de forma.
Como sobremesa, comi uma belíssima salada de frutas, feita na hora, uma mais valia (na maioria dos restaurantes servem-nas já feitas há alguns dias, super geladas e sem qualquer sabor).
Ao longo das paredes, podem ler-se uma série de críticas abonatórias do restaurante, destacando eu a do José Quitério e a do saudoso David Lopes Ramos.
Como curiosidade, o portal www.aveirolovers.pt/leitao-a-bairrada refere o resultado de uma votação entre os seguidores do respectivo face book, sendo os 3 primeiros a Casa Vidal, a Casa dos Leitões e o Mugasa, tendo o gestor do portal acrescentado o Rei dos Leitões. Bingo!
continua...

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Enoturismo na Bairrada (V) : Caves São João

...continuando...
7.Caves São João
Na visita às Caves São João, empresa familiar fundada em 1920 e a mais antiga na Bairrada, à beira de comemorar o seu 100º aniversário, fomos recebidos e acompanhados pela Célia Alves, a sua face mais visível e uma mulher de armas. Para além de responsável pelas áreas comercial e marketing dá, ainda, uma mão na enologia, tendo sido designada recentemente presidente da Confraria dos Enófilos da Bairrada, cargo nunca antes atribuído a uma mulher. Está, pois, de parabéns!
Nas galerias subterrâneas, repousam milhares e milhares de garrafas, das diversas marcas detidas pelas Caves (Frei João, Porta dos Cavaleiros, São João e Qtª Poço dos Lobos), cobrindo as Regiões da Bairrada e do Dão. A título de curiosidade, a colheita mais antiga de vinho tinto é de 1959 e a de branco remonta a 1966.
No decorrer da visita, tivemos a oportunidade de provar:
.Espumante Poço do Lobo Baga Bairrada 2015 (com 22 meses de estágio, bolha fina, fresco e elegante, notas de pão cozido)
.São João Lote Especial 2014 branco (com base nas castas Maria Gomes, Chardonnay e Sauvignon Blanc; citrinos e maçãs, boa acidez, notas amanteigadas, algum volume e final de boca)
.São João Lote Especial 2014 tinto (com base nas castas Baga, Touriga Nacional, Syrah e Cabernet Sauvignon, estagiou 6 meses em barricas de carvalho; nariz discreto, muita fruta vermelha, acidez equilibrada, algo especiado, taninos civilizados, volume e final de boca médios)
.Qtª Poço dos Lobos Reserva Cabernet Sauvignon 1996 (ainda com alguma fruta, notas herbáceas, taninos rugosos, volume e final de boca médios, ainda longe da reforma)
Fora da prova, numa mesa ao lado, estavam algumas sobras de uma outra degustação ocorrida horas antes. É claro que não desperdicei a oportunidade de provar estas preciosidades, que passaram ao lado da maior parte do grupo:
.Porta dos Cavaleiros Reserva 1985 branco (oxidação nobre, acidez impressionante, volume notável e grande complexidade; um branco com mais de 30 anos, cheio de personalidade!)
.Porta dos Cavaleiros Reserva Seleccionada 1984 branco (ainda cheio de saúde e frescura, longe da reforma, com um perfil semelhante mas sem a complexidade do vinho anterior)
.Poço do Lobo Arinto 1995 branco (algo oxidado, belíssima acidez, notas amanteigadas, algum volume e final seco).
.Frei João Reserva 1980 tinto (evolução nobre, aromas e sabores terciários, fino e elegante; pura souplesse, a deste vinho com quase 40 anos).
Só para provar estas relíquias, valeu a pena vir à Bairrada. Obrigado, Célia!
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terça-feira, 15 de maio de 2018

Enoturismo na Bairrada (IV) : Caves Aliança e Mugasa

...continuando...
5.Caves Aliança
Começámos por visitar a Aliança Underground Museum, inaugurada em 2010, onde estão alojadas as diversas colecções do Joe Berardo. Pasmo como é que este senhor, envolvido em várias polémicas, conseguiu coleccionar tantas obras de arte, algumas das quais que devem ter custado um balúrdio. Mistérios insondáveis do Comendador...
Polémicas àparte, este museu enterrado, com mais de 1 km de galerias subterrâneas, merece uma visita às suas 8 colecções (Arqueológica, Arte Etnográfica Africana, Escultura Contemporânea do Zimbabué, Minerais, Fósseis, Estanhos, Azulejos e Cerâmica das Caldas), sendo uma delas (Arqueológica?) património mundial da Unesco.
A visita foi conduzida pela Joana Castilho, responsável pelo enoturismo, que ainda dissertou sobre o mundo dos espumantes (foi a 2ª explicação sobre esta matéria, tendo sido a 1ª feita pelo Osvaldo Amado).
Acabada a visita, passámos para as mãos do Francisco Antunes, enólogo das Caves Aliança, que conduziu uma prova com pedagogia e uma voz bem colocada a sobrepor-se ao barulho de um outro grupo, mesmo ali ao nosso lado.
Vinhos Aliança provados:
.espumante Baga Bairrada Reserva Bruto 2015
.branco Bairrada Reserva 2016, com Maria Gomes e Bical (50 % cada)
.tinto Bairrada Reserva 2016, com Baga (70 %), Tinta Roriz (15 %) e Touriga Nacional (15 %)
O nosso agradecimento ao Francisco Antunes que fez um louvável esforço para estar presente, apesar de compromissos profissionais que o poderiam ter impedido de comparecer.
6.Mugasa
Este restaurante é um dos clássicos da Bairrada, embora situado fora do eixo habitual. Fica na Fogueira, paredes meias com a Qtª das Bageiras.
Toalhas de pano, guardanapos de papel, pratos Vista Alegre personalizados, copos aceitáveis e TV ligada (não havia necessidade). Na parede um curioso quadro alusivo ao leitão e ao espumante, assinado por Virgílio Metrogos, um pintor regional.  Na mesa pão, azeitonas, salgados diversos,...
Ainda sem o vinho chegar às mesas, avançou um agradável prato de arroz de miúdos de leitão.
Finalmente chegaram os vinhos, um obrigatório espumante Qtª do Valdoeiro Baga e Chardonnay e um branco Qtª do Valdoeiro 2016, a pedido de um participante avesso a borbulhas - nariz afirmativo, presença de citrinos, acidez no ponto, notas amanteigadas, algum volume e final de boca assinalável. Uma boa surpresa, a harmonizar muito bem com o leitão. Nota 17.
Um dos donos, Ricardo Nogueira de seu nome e cortador afamado, apareceu com 3 fabulosos leitões acabados de saír do forno e, mesmo ali, trinchados à nossa frente. Vieram para a mesa com salada de alface, batatas fritas e cozidas. Uma delícia (depois de uma refeição desastrosa há já alguns anos, pazes feitas com o Mugasa!). Por votação do grupo (e minha também), no final da viagem, o Mugasa iria vencer o concurso do melhor leitão, em confronto com o Rei dos Leitões e o Vidal.
Nos finalmentes, arroz doce, aletria pudim flan e fruta laminada.
À saída, reparei que num dos frigoríficos, repletos de espumantes, lá poisavam algumas garrafas do famigerado vinho azul (ver a minha crónica ""Vinho azul" : no melhor pano cai a nódoa", publicada em 3/10/2017). Não havia necessidade...
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sábado, 12 de maio de 2018

Vinhos em família (LXXXVIII) : 2 brancos do Tomaz Vieira da Cruz e 2 tintos de 2011

Interrompo hoje a série dedicada ao Enoturismo na Bairrada, para debitar algo sobre 4 vinhos que já bebi há algum tempo, em família e com os rótulos à vista, sem a pressão da prova cega. E eles são:
.Mouchão 2011 - 95 pontos no Parker; com base na casta Alicante Bouschet loteada com a Trincadeira, estagiou 24 meses em tonéis de 5000 litros e outro tanto em garrafa; ainda com fruta vermelha, fresco e elegante, acidez no ponto, algo especiado, taninos civilizados, algum volume e final persistente. Tem tudo no sítio, mas falta-lhe alma. Nota 17,5 (noutra situação 18).
.Pintas Character 2011 - 94 pontos na Wine Spectator de 22/1/2014; com base em vinhas velhas, foi vinificado em lagar com pisa a pé e engarrafado em 2013; ainda com fruta preta, alguma acidez e especiarias, notas fumadas, taninos presentes mas educados, potência de boca e final extenso. Nota 18.
.Terra Larga 2013 (3150 garrafas;12,5 % vol.) - enologia do Tomaz Vieira da Cruz (TVC), um surpreendente criador de vinhos contra a corrente, a começar por pôr na rolha informação que é normal vir no contra-rótulo, como é o caso da data de engarrafamento (21/5/2014) e das castas que compõem o vinho (Fernão Pires, Arinto, Sémillon e Alvarinho); cor palha dourada, aroma contido, citrinos e fruta madura, oxidação nobre, acidez no ponto, notas amanteigadas, volume assinalável e final de boca médio/curto. Gastronómico. Nota 17,5.
Posto no mercado apenas em Julho 2017, fico com a idéia que foi "envelhecido" propositadamente para ficar com um perfil parecido com o surpreendente 5ª de Mahler 2000, já aqui referido em "À volta da casta Fernão Pires (1ª parte : a prova didáctica)" e "Vinhos em família (LXXXIV) : surpresas e desilusões", crónicas publicadas em 3/4/2018 e 1/2/2018, respectivamente.
Mais, diz o contra-rótulo que "(...) Para saber as castas que o compõem, saque a rolha e divirta-se tanto a bebê-lo como nós nos divertimos a fazê-lo e a guardá-lo para o beber no momento certo. Haja saúde!".
.Areias Gordas 2015 (12 % vol.) - com base nas castas Sémillon e Alvarinho; nariz austero, fruta madura, notas florais, alguma acidez e gordura, volume e final de boca médios. Gastronómico e, talvez, o branco menos irreverente do TVC. A voltar a provar daqui a alguns anos. Rolha, desta vez, anónima. Nota 16,5 (noutra situação 17).

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Enoturismo na Bairrada (III) : Museu do Vinho, Dóri e Curia Palace

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3.Museu do Vinho da Bairrada
O grupo foi recebido pelo director deste museu, inaugurado em 2003 e tutelado pela Câmara Municipal de Anadia, que fez uma interessante e oportuna visita guiada à exposição permanente intitulada "Percursos do Vinho" e, ainda, à exposição temporária sobre a obra do pintor Júlio Resende (1917-2011).
Numa das paredes, citando o Decreto-Lei nº 301/2003 de 4 de Dezembro, consta como uma das castas autorizadas na Bairrada a Fernão Pires, cujo sinónimo nesta Região é a Maria Gomes que foi ignorada pelo escriba da lei, sabe-se lá porquê.
4.Restaurante Dóri
Fica na Costa Nova e é muito conhecido pela sua oferta de peixe e marisco. Com uma bela vista sobre a ria, nas mesas toalhas e guardanapos de pano, copos Schott Zwiesel, pão, azeitonas e patés industriais.
Chegaram aos nossos pratos:
.camarões grelhados, choco e lulinhas fritas
.peixes fritos com arroz de lingueirão (bem servido, mas com pouco sabor)
.peixe com massinha
.ovos moles e fruta fatiada
Resumindo, uma boa oferta mas algo desequilibrada, com excesso de fritos
Tudo isto com a companhia do branco Qtª das Bageiras 2017 (a mim coube-me a garrafa nº 877 de 16025) - com base nas castas Maria Gomes, Bical e Cerceal; muito simples, correcto e frutado, notas cítricas, acidez no ponto, volume médio e final curto. Nota 15,5.
5.Curia Palace Hotel
É um hotel de 4* inaugurado em 1926 e remodelado recentemente, embora os quartos continuem a ser demasiado antiquados. Ainda se respira história por aqui...
No entanto, as partes comuns medernizaram-se, pois possui piscina exterior, SPA e golfe.
A gastronomia e o serviço não foram testados, pois não fizemos ali nenhuma das refeições principais. O pequeno almoço, esse, era francamente bom.
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terça-feira, 8 de maio de 2018

Enoturismo na Bairrada (II) : o Rei dos Leitões e a Qtª do Encontro

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1.O Rei dos Leitões
O 1º momento desta viagem enoturística foi a paragem no Rei dos Leitões (Av. da Restauração, Mealhada), bem no centro da Bairrada. Propriedade do casal Licínia Ferreira e Paulo Rodrigues, que nos receberam, o restaurante foi remodelado há pouco tempo e galardoado com um "Garfo de Ouro" pelo Guia Boa Cama Boa Mesa, distinguindo-se pela sua cozinha de grande qualidade, para além do tradicional leitão, serviço e garrafeira. A gastronomia está a cargo do Carlos Fernandes, chefe que veio da Global Wines.
O almoço do grupo decorreu numa sala reservada, inaugurada há apenas 2 anos. Nas mesas pratos Vista Alegre personalizados, pão, azeite, queijos, rissóis, presunto, sapateira, etc, para entreter o palato, enquanto não chegava o leitão (bom, abundante e bem confeccionado). Fez-se acompanhar pelo espumante São João Reserva Bruto 2015 - discreto, fresco, agradável e com a bolha fina, a cumprir bem a sua missão.
A fechar, um bufete de sobremesas (Morgado do Buçaco com gelado de nozes, queijo e fruta), explicado pela chefe pasteleira, dita "doceira do Rei".
Serviço de qualidade, sendo de salientar o facto de o empregado ter calçado luvas brancas para colocar na mesa os talheres para a sobremesa.
2.A Qtª do Encontro
A belíssima adega da Qtª do Encontro, pertença da Global Wines (ex-Dão Sul), foi projectada pelo arquitecto Pedro Mateus e é uma referência, não só na Bairrada, como também no país.
A prova de vinhos e a visita ficaram a cargo, mais uma vez, do enólogo Osvaldo Amado, que já estivera connosco no Dão (e comigo num jantar vínico, relatado na crónica "Jantar Osvaldo Amado", publicada em 24/4).
Com um discurso muito didáctico, apresentou 5 vinhos em bons copos Schott: Qtª do Encontro Bical 2017 (nota 16), Encontro 1 2013 (100% Arinto, nota 17,5+), Qtª do Encontro Merlot Baga 2014 (nota 16,5), Qtª do Encontro Preto e Branco 2014 (40 % Baga, 40 % TN e 20% Bical, nota 17+) e Qtª do Encontro Baga 2012 (amostra de casco, nota 18).
Foi uma boa sessão com um prestigiado enólogo, sempre disponível e simpático com toda a gente.
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quinta-feira, 3 de maio de 2018

Enoturismo na Bairrada (I) : Introdução

Foi mais uma boa incursão enoturística, desta vez na Região Demarcada da Bairrada, depois de termos visitado outras Regiões (ver "Enoturismo no Dão", a 1ª de uma série de crónicas, publicada em 8/10/2016, "Enoturismo no Douro", a 1ª em 14/4/2017, e "Enoturismo no Minho", a 1ª em 15/10/2017). Previstas, ainda em 2018, viagens à Madeira e a Bordéus, com a mesma temática.
Estas incursões foram da responsabilidade da dupla Rui Nobre (o representante da agência Tryvel) e a Maria João de Almeida (MJA) (jornalista, crítica de vinhos, autora do livro "Guia do Enoturismo em Portugal" * e a animadora no terreno). Remeto para este livro da MJA, o desenvolvimento das histórias de cada produtor e demais informações úteis.
Num fim de semana alargado, tivemos a oportunidade de visitar a Qtª do Encontro, Qtª das Bageiras, Caves Aliança, Caves São João, Caves São Domingos e o Museu do Vinho, almoçar no Rei dos Leitões, no Mugasa e no Hotel Palace Buçaco, jantar no Dori (Costa Nova) e no Vidal, pernoitar e tomar o pequeno almoço no Hotel Curia Palace.
Provámos, no decorrer desta viagem  8 espumantes, 7 vinhos brancos e 6 tintos, e bebemos nas refeições mais 3 espumantes, 3 brancos e 3 tintos, num total de 29 vinhos provados/bebidos. Foi a ditadura do leitão e do espumante. Mas, ditaduras destas, podem vir mais!
Como balanço da viagem, posso dizer que correu tudo às mil maravilhas, com excepção do almoço no Buçaco, para esquecer. Em próximas crónicas, que poderão não ser consecutivas, desenvolverei as minhas impressões sobre os locais visitados.

* A MJA acabou de lançar mais um livro, "Vinho à Mesa - Treze Chefes, Treze Regiões, 265 Vinhos", com prefácios de Duarte Calvão (jornalista, crítico gastronómico e responsável pelo Peixe em Lisboa) e Frederico Falcão (enólogo de profissão, actualmente Presidente do IVV).
A ligação Chefe - Região foi sorteada, apresentando cada um deles um menu (uma entrada, dois pratos principais e uma sobremesa) e respectivas receitas, harmonizando-o com vinhos, escolhidos a partir de uma selecção da responsabilidade da autora.
O final de cada capítulo é ilustrado com uma humorada e descontraida banda desenhada alusiva aos temas ali tratados.
Resta dizer que já o li e o recomendo vivamente.
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terça-feira, 1 de maio de 2018

Abril 2010 : o que se passou aqui há 8 anos?

Das 24 crónicas publicadas em Abril 2010, destaco:
."O grupo dos 3. Nova jornada.", em 8/4
Esta jornada decorreu no restaurante principal do Corte Inglês, com vinhos da garrafeira do João Quintela. Entre outros vinhos provados, nota alta para o Qtª dos Roques Touriga Nacional 2005 e o Bual 1920 da Blandy's.
."Partilhar os meus vinhos com os amigos", em 12/4
Entre outros néctares de grande qualidade, destaque para o branco Soalheiro Alvarinho Reserva 2007, o tinto Niepoort Robustus 2004, o Madeira FEM Verdelho Muito Velho e o Moscatel Roxo Superior 1971. Esta crónica, na altura, provocou alguns comentários "invejosos", como foi o caso dos meus amigos Rui Miguel Massa (blogue Pingas no Copo) e Nuno Garcia (blogue Saca a Rolha).
."Críticos e divulgadores de vinhos", em 20/4
Nesta crónica referi o saudoso José António Salvador e o João Paulo Martins (JPM), os críticos e divulgadores mais antigos, com uma série de guias e outras obras publicadas. Mas, também, o Rui Falcão que considerei estar na linha sucessória do JPM, e ainda os blogues acima referidos, o Pingas no Copo e o Saca a Rolha.
Se fosse hoje, acrescentaria a Maria João de Almeida, o Pedro Garcias e o Manuel Carvalho.
."Nova jornada do grupo dos 3+4", em 23/4
Foi uma prova fabulosa, com vinhos do amigo e enófilo Raul Matos, que pôs à prova topos de gama da Qtª do Crasto (2 Maria Teresa e 4 Vinha da Ponte), com o Maria Teresa 2005 a bater a "concorrência" fraterna. E ainda houve espaço para se provar 2 fortificados, destacando-se o Qtª do Noval Colheita 1971.
."As Horas do Douro", em 30/4
Nesta crónica refiro a estreia, na Culturgest e no âmbito do 7º Festival Internacional de Cinema Independente, do filme "As Horas Do Douro", com realização da cineasta Joana Pontes e argumento do sociólogo António Barreto (cliente das Coisas do Arco do Vinho e autor do prefácio da brochura comemorativa do 10º aniversário daquela garrafeira).

sábado, 28 de abril de 2018

Curtas (XCVIII) : Bairradão, Ânfora, Zazah e Garrafeira Internacional

1.Bairradão (5ª edição)
Organizada pela Garrafeira Néctar das Avenidas, a 5ª edição do Bairradão - a Bairrada e o Dão em Lisboa, está agendada para 12 de Maio, das 15 às 20 h, no Hotel Real Palácio.
Por 5 €, com direito a copo e a uma dedução de 2 € em compras, podem-se provar vinhos de cerca de 40 produtores daquelas 2 Regiões. Por mais 10 € (cada), pode-se participar em Provas Especiais, orientadas pelo escanção Manuel Moreira.
2.Restaurante Ânfora
Este espaço de restauração pertence ao hotel de charme Palácio do Governador, antigo palacete do Governador da Torre de Belém, magnificamente restaurado há já alguns anos, podendo ver-se uma série de vestígios da época romana. Uma maravilha.
Mas a minha experiência foi deveras frustante, desde a comida sem qualquer sabor ao serviço de vinhos, desadequado a um hotel de 5 *. Optando pelo vinho a copo, este nem sequer é dado a provar, está tudo dito.
Cartão amarelo ao Ânfora!
3.Restaurante Zazah
O Zazah, aberto recentemente, está a ser muito badalado e já foi elogiado pela Time-Out, Evasões, etc.
A ementa está exposta no exterior mas, depois de analisada, presta-se a grandes confusões. Com efeito, estão duas lado a lado, em línguas diferentes e com preços também diferentes. Uma grande confusão.
Questionada uma das empregadas, explicou-me que uma era a do almoço (em português) e a outra, em inglês e com preços mais baixos (ou mais altos?) era a do jantar. Ou era ao contrário? A do almoço em inglês e a do jantar em português com preços mais altos? Ou era ao contrário? Já estou confuso...
Como não percebi rigorosamente nada, fui almoçar (ou jantar? já não sei...) a outro lado.
Que grande confusão e cartão amarelo ao Zazah!
4.Garrafeira Internacional
Estranhando ver os expositores com todas as referências da Casa Santos Lima (e são largas dezenas), indaguei o empregado que me elucidou que a Garrafeira Internacional tinha sido adquirida, há já algum tempo, por aquela empresa produtora de vinhos.
Ao contrário da explicação anterior, esta percebi!

quinta-feira, 26 de abril de 2018

25 de Abril, a Blogosfera e 25 de Novembro

1.25 de Abril 2018
À semelhança de anos anteriores, comemorei esta data histórica ao almoçar no restaurante da Associação 25 de Abril, da qual sou sócio desde a sua criação, com alguns camaradas e amigos, tendo depois, de cravo ao peito, descido a Avenida da Liberdade.
Este ano, infelizmente, não tive qualquer oportunidade de provar/beber um vinho de 1974, mas recordo aqui:
.Porta dos Cavaleiros Reserva Colheita Seleccionada 1974 branco, mencionado em "25 de Abril, sempre!", crónica publicada em 17/4/2014;
.Barros Colheita 1974, referido em "Novo Formato+ (21ª sessão) : um grande Colheita para comemorar Abril", crónica publicada em 30/4/2015.

2.Blogosfera
É com grande satisfação da minha parte que menciono aqui 2 crónicas publicadas no dia 25 de Abril, que podem ser lidas através dos links que tenho para aqueles blogues:
."Barros Colheita 1974", publicada pelo João Pedro Carvalho no "Copo de 3";
."44 do 25", publicada pelo tuguinho e pelo kroniketas, os diletantes revolucionários, em "Novas Krónicas Viníkolas".

3.25 de Novembro 1975
Não, não é um contraponto ao 25 de Abril. Refere-se ao livro "O 25 de Novembro e os media estatizados - Uma história por contar", lançado em finais do ano passado, da autoria do jornalista Ribeiro Cardoso que, em determinada altura, esclarece ao que vem, para que não haja dúvidas: "(...) Ao cair do pano daquele dia (obviamente o 25/11/1975), na execução de uma estratégia muito antes gizada por sectores político-militares, 152 trabalhadores da comunicação social estatizada de Lisboa foram afastados impiedosa e ilegalmente.(...)".São histórias de vida de alguns dos jornalistas injustiçados.
Este é um livro de leitura obrigatória.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Uma achega sobre o BOCA

O blogue Marca de Homem, da autoria do meu filho Bruno, publicou um artigo sobre o vinho BOCA que merece ser visto. Vamos a isto, então!

terça-feira, 24 de abril de 2018

Jantar Osvaldo Amado

O último jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, em que estive presente, foi com o Osvaldo Amado, enólogo galardoado pela Revista de Vinhos (a antiga),  responsável há uma série de anos pelos vinhos da Global Wines (ex Dão Sul) e um senhor do vinho que eu muito prezo.
O evento decorreu no restaurante Refúgio (em Algés), dos mesmos donos do Frade dos Mares. É um espaço acolhedor e situado numa zona sossegada, mas nada vocacionado para este tipo de eventos. A comida tinha qualidade e vinha muito bem apresentada, os copos eram bons, mas o serviço de vinhos foi um desastre (troca de vinhos, esquecerem-se de servir alguns dos vinhos a todos os participantes,...). O ritmo foi bom até quase ao final, mas depois travou, com a sobremesa a ser servida já era Sábado...
Foram apresentados os seguintes néctares, a maioria esmagadora do Dão:
.Espumante Qtª de Cabriz Bruto 2013 em garrafa magnum - foi a bebida de boas vindas e cumpriu a sua missão, acompanhando uns tantos canapés.
.Casa de Santar Vinha dos Amores Encruzado 2014 - fresco, presença de citrinos e maçãs, notas florais e amanteigadas, algum volume e final de boca. Gastronómico. Nota 16,5.
Harmonizou com uma deliciosa dourada com arroz de bibalves.
.Paço dos Cunhas Vinha do Contador 2014 (garrafa nº 2925/4472) - mais mineral que o anterior, fruta cítrica, belíssima acidez, volume médio e final de boca longo. Fino e elegante. Nota 17.
Acompanhou coelho com puré de ervilhas.
.Casa de Santar Vinha dos Amores Touriga Nacional 2011 - aroma intenso, ainda com fruta vermelha, notas florais e especiadas, acidez equilibrada, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis. Um belíssimo Touriga de um ano excepcional. Boa relação preço/qualidade. A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 18.
.Vinha do Contador Grande Júri 2011 (garrafa nº 1853/5200) * - com base nas castas Touriga Nacional, Aragonez e Alfrocheiro, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; submetido a um júri nacional e internacional obteve 95,3 pontos, ficando com direito a constar no rótulo a menção Grande Júri; nariz contido, ainda muito frutado, acidez q.b., taninos redondos, alguma complexidade, estruturado e final de boca persistente. A beber nos próximos 4/5 anos. Relação preço/qualidade desfavorável (custa praticamente 4 vezes mais que o Touriga). Nota 18.
Estes 2 tintos maridaram com rabo de boi e puré de batata.
.Encontro 1 2013 (Bairrada) - presença de citrinos e fruta madura, acidez no ponto, notas amanteigadas, complexidade, volume e final de boca notáveis para um branco. Nota 17,5+.
Acompanhou uma tábua de queijos. A  ligação perfeita!
.Outono de Santar Colheita Tardia 2012 - com base na casta Encruzado; notas de mel e passas, alguma acidez e gordura, bem estruturado e final de boca médio. Nota 16,5+.
Acompanhou leite creme de ouriço (confesso que não percebi esta do ouriço!).
* Este vinho não estava previsto ser provado neste jantar mas, por simpatia do Osvaldo Amado, algumas das 1000 garrafas que ficaram em Portugal vieram para a nossa mesa.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Um trio maravilha (2ª parte) : Prado e Enoteca de Belém

2.Prado (Tv. Pedras Negras,2 à Sé)
Este espaço é, seguramente, uma das grandes novidades em Lisboa. A criatividade do António Galapito, um jovem de 27 anos e ex braço direito do Nuno Mendes, chefe estrelado em Londres, é deveras surpreendente e é obrigatório conhecê-lo, mesmo aqueles que não sejam adeptos da cozinha de autor.
O Prado apresenta mesas despojadas, guardanapos de pano, cadeiras desconfortáveis, bons copos e armários térmicos para controlo de temperaturas. Na mesa pão de trigo barbela, fornecido pela Gleba, a padaria da moda (R. Prior do Crato), uma mais valia.
A ementa é curta, dela constando 9 pratos para partilhar, em doses um tanto reduzidas, e 3 individuais.
Escolhemos, para partilhar:
.berbigão, acelgas, coentros e pão frito
.tártaro de arouquesa e couve galega grelhada
.cavala, salsa e levístico
.tainha do mar, nabiças e nabos
.gelado de cogumelos, dulse e caramelo
Aposta ganha, estava tudo de 5 estrelas, fosse a apresentação, fossem os sabores.
Quanto à componente vínica, inventariei, entre vinhos nacionais e estrangeiros, 3 espumantes (1 a copo), 15 brancos (5) e 14 tintos (6).
Mas, para variar, optei pela belíssima cerveja artesanal Avenida Blonde Ale, da cervejeira Dois Corvos.
Serviço simpático, mas algo desatento.
Resumindo e concluindo, recomendo e tenciono voltar.

3.Enoteca de Belém
A Enoteca dispensa apresentações e continua com uma equipa de 5 estrelas na sala e uma cozinha de qualidade. Em Novembro 2017 foi considerada, pela Revista de Vinhos, o Restaurante com Melhor Serviço de Vinhos do Ano.
Recentemente, tive a oportunidade de comer:
.amuse bouche (tártaro de atum)
.bisque
.corvina braseada com arroz de berbigão
.crumble de abóbora
A conselho do escanção Nelson Guerreiro, tive a ocasião de provar o surpreendente branco Anselmo Mendes Beira Interior 2014 - com base na casta Síria em vinhas velhas, estagiou em barricas de carvalho francês; alguma oxidação nobre, acidez equilibrada, notas amanteigadas, boa estrutura e final de boca assinalável. Gastronómico e cheio de personalidade. Uma grande surpresa. Nota 17,5+.
A voltar, sempre! 

terça-feira, 17 de abril de 2018

Um trio maravilha (1ª parte) : Lugar Marcado

Esta e a próxima crónica são dedicadas a 3 espaços de restauração que me cativaram, dos quais um é a confirmação (Enoteca de Belém) e os outros dois (Prado e Lugar Marcado) surpresas apaixonantes.
Começo pelo
1.Lugar Marcado (Rua do Regedor,7 ao Largo do Caldas)
Este espaço, restaurante e garrafeira cuja proprietária, gestora e chefe de sala, é a Fátima Rodrigues (ex-sócia do Descobre) já aqui citada, é pequeno (apenas 25 lugares), muito confortável, bem decorado e não aderiu a modas, pois todas as mesas têm direito a toalhas e guardanapos de pano, o que é de louvar.
O conceito deste novo espaço tem alguma coisa a haver com o Descobre, nomeadamente quanto ao menú e à garrafeira disponível a clientes e a não clientes (mas no Lugar Marcado os preços são sempre os mesmos, quer se consuma a garrafa na altura ou se leve para casa).
Os copos são Schott, com a marca dos 15cl bem visível, e os vinhos são servidos à temperatura correcta, pois o restaurante dispõe de armários térmicos, uma mais valia. Mas nem tudo é perfeito, pois a lista dos vinhos a copo (2 espumantes, 5 brancos, 3 tintos, 2 rosés, 10 fortificados e 2 cervejas artesanais) é omissa quanto a anos de colheita. Um aspecto a corrigir.
Nas comidas é possível escolher entre 7 tábuas, 20 petiscos, 6 peixes, 5 carnes, 8 sobremesas, 11 acompanhamentos e 3 pratos vegetarianos, uma oferta mais que suficiente.
Escolhi empadinhas, berbigão à Bolhão Pato, petisco de alheira com maçã caramelizada, polvo marinado e gelado de alfarroba, tudo de grande qualidade e em doses generosas para partilhar.
Quanto a vinhos optei pelo Qtª Stº António Encruzado 2014 (4,50 € o copo) - nariz intenso, fresco e mineral, presença de citrinos e maçãs, acidez no ponto e notas amanteigadas, algum volume e final de boca. Gastronómico. Uma boa surpresa. Nota 17.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar.
Resumindo e concluindo, foi uma bela jornada. Recomendo e tenciono voltar.
A 2ª parte desta crónica será dedicada ao Prado (novidade) e à Enoteca de Belém (confirmação).



quinta-feira, 12 de abril de 2018

Grupo dos 6 (9ª sessão) : fortificados raros e nunca vistos

Mais uma sessão deste grupo de enófilos da linha dura (embora desfalcado de um dos seus elementos) que decorreu no Magano, com a qualidade gastronómica e um serviço de vinhos que já nos habituaram, tendo-se batido com 2 brancos, 2 tintos e 2 fortificados.
Desfilaram:
.Villa Oliveira Vinha do Províncio 2012 (garrafa nº 798/1238, levada pelo Frederico) - estagiou 9 meses em barricas, tendo sido lançado em Outubro 2015; simultaneamente fresco e untuoso, bela acidez, grande complexidade, volume e final de boca assinaláveis. Ainda longe da reforma. Nota 18.
.Sidecar 2016 (garrafa nº 1434/1700, levada pelo J.Rosa) - Prémio Excelência 2017 da Revista de Vinhos; presença de citrinos e algum vegetal, acidez contida, volume e final de boca médios. Apagou-se ao lado do anterior. Com má relação preço/qualidade, precisa de tempo para se mostrar. Nota 16,5.
Estes 2 brancos acompanharam as entradas habituais e uma belíssima barriga de atum braseada com grelos.
.Qtª Leda 2009 (levado pelo João) - com base nas castas T. Nacional (50 %), T. Franca (40 %) e Tinta Roriz (10 %), estagiou 1 ano em barricas de carvalho (50 % novas); nariz discreto, ainda com alguma fruta vermelha, acidez equilibrada, algum especiado, taninos presentes civilizados, algum volume e final de boca extenso. a beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18.
.Ferreirinha Reserva Especial 2009 (levado por mim) - aroma discreto, ainda com fruta, acidez fabulosa, especiado e complexo, taninos evidentes, grande estrutura e final de boca muito persistente.
A meio caminho entre a potência e a "finesse". A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5.
Estes 2 tintos maridaram com um  saboroso arroz de pombo bravo.
.Krohn Vintage 1931 (levado pelo Adelino) - nariz contido, frutos secos, notas de iodo e caril, acidez no ponto, fresco e complexo, taninos suaves, estrutura e final de boca interminável. Uma raridade com um perfil muito próximo de um tawny velho. Nota 18,5+.
.Artur Barros e Sousa Malvasia da Fajã 1934 (também levado pelo Adelino) - aromático, presença de frutos secos, citrinos, iodo e caril, vinagrinho e taninos evidentes, algum volume e final de boca muito persistente. Uma raridade, ainda longe da reforma. Nota 19.
Estes 2 fortificados harmonizaram com bolo de chocolate, sericaia e tarte de amêndoa.
Foi uma grande e irrepetível sessão, com 1 surpreendente branco ( o outro desiludiu), 2 tintos de respeito e 2 fortificados raros e (quase) nunca vistos!

terça-feira, 10 de abril de 2018

Gourmet Experience (III) : o Atlántico de Pepe Solla e o Poke do Kiko

1.Atlántico
O chefe galego Pepe Solla, já agraciado pelo Guia Michelin pelo seu restaurante em Pontevedra, abriu um espaço no 7º piso do Corte Inglês, essencialmente dedicado ao peixe.
Na curtíssima ementa constam apenas 3 pratos "desde o mar até à mesa" e 2 "somos mais que o mar",  todos a preços altos, tendo eu optado por uma deslumbrante "merluza de Celeiro", o topo de gama da pescada a nivel mundial.
Quanto a vinhos, 8 brancos e 7 tintos a copo, mas sem indicação dos anos de colheita.
Escolhi o Dão Alvaro de Castro 2016 (4,50 €) - fresco, presença de citrinos, notas florais, acidez no ponto, volume e final de boca médios, ligou bem com a pescada. Nota 16.
Mesas despojadas, mas com o talher protegido dentro do guardanapo de papel, e serviço desatento.
A sobremesa foi um pampilho, comprado no balcão do Alcôa.

2.Poke
A moda do Poke veio do Havai e o chefe Kiko Martins já a adoptou.
A oferta não é muito alargada, mas entre uma dezena destes pratos, escolhi o Poke puro à base de atum, algas, sésamo e abacate. Uma explosão de sabores!
Quanto à componente vínica inventariei 1 espumante (também a copo), 1 champanhe, 8 brancos (1 a copo), 2 rosés, 4 tintos (1), 1 Porto e 1 Moscatel (estes fortificados a copo). A oferta a copo, como se constata, é demasiado curta.
Optei pelo branco A Cevicharia 2017 (uma parceria com a Qtª Monte d' Oiro, 4,80 €) - muito aromático, fresco e mineral, cítrico, fino e elegante, volume e final de boca médios. Ligou bem com o prato. Nota 16.
Fiquei ao balcão, onde se pode acompanhar o que se passa na cozinha.
Mesas despojadas, vinhos tintos à temperatura ambiente e serviço desatento.
Quanto à sobremesa, voltei ao Alcôa e marchou um belíssimo pastel de nata.

Resumindo e concluindo, boas apostas gastronómicas, preços altos e serviços desatentos.

domingo, 8 de abril de 2018

À volta da casta Fernão Pires (2ª parte) : o almoço

...continuando:

3.O almoço
O repasto decorreu na Taberna Ó Balcão, no centro de Santarém, com o Rodrigo Castelo, chefe e proprietário deste espaço, a harmonizar as suas iguarias com os vinhos servidos, todos com base na casta Fernão Pires, a rainha da festa.ça
Desfilaram:
.Companhia das Lezírias Tyto Alba 2016 (terroir Charneca) - com um pouco de Arinto; presença de citrinos, acidez e algum vegetal, volume e final de boca médios. Nota 15,5.
Acompanhou tábuas de queijos e enchidos e, ainda, 3 surpreendentes e deliciosos petiscos (coscorão do rio até ao mar, croquete de toiro bravo e bucha de capado).
.João Barbosa Ninfa Maria Gomes 2016 (terroir Bairro; não entendo a lógica deste produtor, ao colocar no rótulo o nome bairradino da Fernão Pires) - aromático, fresco e mineral, acidez equilibrada, notas vegetais, algum volume e final de boca curto. Nota 16.
Servido com achegã (peixe demasiado neutro) e uma fabulosa açorda de ovas de barbo, o vinho passou por baixo.
.Casal Branco Falcoaria Fernão Pires Vinhas Velhas 2016 (terroir Charneca) - vencedor do último Concurso de Vinhos do Tejo; aroma complexo, presença de citrinos e fruta de caroço, acidez no ponto, notas amanteigadas, estruturado e final de boca persistente. Nota 17,5.
Aguentou-se com acém de toiro maturado, puré de inhame e legumes grelhados.
.Qtª da Alorna Abafado 5 Anos - fresco, simples e agradável, cumpriu a sua função. Nota 16.
.Qtª da Lagoalva Abafado 1964 - muito mais complexo, gordo, alguma acidez e boa estrutura. Uma raridade. Nota 17,5
Estes vinhos finais foram servidos com algumas sobremesas da casa.
De louvar:
.a criatividade do chefe e o facto de ter vindo às mesas
.os copos Riedel para todos os vinhos (que também foram utilizados na prova didáctica, o que, por lapso, não referi na 1ª parte da crónica)
De criticar:
.os vinhos chegaram sempre atrasados à mesa, já os pratos lá estavam, quando deveria ser ao contrário. Um aspecto a corrigir.

4.O senhor Fernão Pires
Achei curioso recordar o que o saudoso José António Salvador (JAS) escreveu no seu livro "16 Castas Portuguesas", edição do Jornal de Notícias em 2005. Para cada uma das 16 castas seleccionadas, o autor nomeou um enólogo representativo e um vinho da sua autoria, tendo escolhido para a casta Fernão Pires o actual presidente do IVV, Frederico Falcão (FF) de seu nome, na altura enólogo na Companhia das Lezírias. O vinho seleccionado foi o Companhia das Lezírias Fernão Pires 2003, considerado pelo JAS uma obra-prima.
Entre outras perguntas e respostas, destaco esta:
"JAS - Considera a casta Fernão Pires de nível qualitativo semelhante à Alvarinho, Encruzado ou Arinto?
FF - Sem duvida. Considero a Fernão Pires uma grande casta e uma das que tem mais potencial entre as castas brancas nacionais. Estou convencido que o Ribatejo já aprendeu a trabalhar esta casta devidamente e surgem já no mercado grandes vinhos de Fernão Pires. Respeite-se a casta e a sua acidez natural e vamos confirmar que é uma casta de grande potencial vinícola.".

5.Conclusões
A CVR Tejo está de parabéns ao organizar, com o apoio da Joana Pratas, este didáctico evento à volta da casta Fernão Pires.
A prova das amostras pode ter sido cansativa, mas foi largamente compensada com a prova de alguns vinhos mais antigos (e foi pena que não tivessem sido mais), que comprovaram que a Fernão Pires, se bem tratada, pode proporciar-nos brancos apaixonantes, como foi o caso do 5ª de Mahler 2000 e do Falcoaria 1994.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Próximos eventos : Peixe em Lisboa, Vinho à Mesa e Enophilo Wine Fest

1.Peixe em Lisboa
Organizada pela ATL (Associação do Turismo de Lisboa, cuja face mais visível é o Duarte Calvão) a 11ª edição deste evento arranca hoje às 18h no Pavilhão Carlos Lopes, estende-se até ao dia 15, sempre com início às 12h, e conta com os seguintes espaços de restauração e chefes:
.Ribamar (Helder Chagas)
.Ibo
.Loco (Alexandre Silva)
.Paulo Morais
.Kiko Martins
.Arola by Penha Longa
.Varanda - Ritz Four Seasons
.Taberna Fina (André Magalhães)
.O Mariscador (Rodrigo Castelo)
.Casa do Bacalhau (João Bandeira)

2.Vinho à Mesa
O último livro da Maria João Almeida, "Vinho à Mesa. Treze Chefes, Treze Regiões, 265 Vinhos" vai ser apresentado dia 12 de Abril, também no Pavilhão Carlos Lopes, pelo gastrónomo Duarte Calvão (blogue Mesa Marcada) e pelo enólogo Frederico Falcão (presidente do IVV).

3.Enophilo Wine Fest
Com organização do Luís Gradíssimo (blogue Avinhar), irá decorrer no Salão Nobre do Hotel Ritz a 4ª edição deste evento que contará com 3 Provas Especiais e prova livre de cerca de 200 vinhos de 40 produtores.

terça-feira, 3 de abril de 2018

À volta da casta Fernão Pires (1ª parte : a prova didáctica)

1.Introdução
A convite da CVR Tejo, um grupo de enófilos participou numa interessantíssima prova didáctica sobre a casta Fernão Pires (Maria Gomes, na Bairrada). Tendo como pano de fundo uma vista espectacular do Tejo, fomos recebidos pelo presidente da CVR (Luís de Castro) e pelo director geral (João Silvestre) que explicou a casta e respectivos "terroirs", onde ela se desenvolve, ou seja, o Bairro a norte do rio (mais apropriado a tintos), a Charneca a sul e o Campo/Lezíria do Tejo, entalado entre ambos, onde a Fernão Pires melhor se revela. Se bem tratada, produz vinhos longevos e de grande personalidade.
As principais revistas especializadas (Vinho Grandes Escolhas, Revista de Vinhos, Escanção e Paixão pelo Vinho), alguma imprensa generalista (Público, Sábado, Observador e Correio da Manhã) e a blogosfera (Avinhar, Comer Beber Lazer, Gastrossexual, Joli e este enófilo militante) estiveram presentes.
2. A prova
Com orientação dos enólogos Martta Simões (Qtª Alorna) e Diogo Campilho (Qtª Lagoalva) desfilaram uma série de vinhos base representativos da casta Fernão Pires, oriundos dos diversos "terroirs", saídos das cubas e cujo destino final, ou como mono-casta ou para lote, ainda não está definido.A prova foi algo penosa para o meu palato dado que, na maior parte, os vinhos ainda não estavam feitos.
Mas a situação alterou-se quando passámos a provar brancos da casta Fernão Pires já com alguma idade, como foi o caso do Qtª S.João Baptista 2003 (oxidado, mas com uma boa acidez a suportá-lo), do surpreendente e original Terra Larga 5ª de Mahler 2000 (já aqui referido em "Vinhos em família (LXXXIV) : surpresas e desilusões", crónica publicada em 1/2/2018), do Casal Branco Falcoaria 1994 (ainda do tempo do João Portugal Ramos, cheio de saúde e personalidade) e do Caves Dom Teodósio Garrafeira Particular 1983 (este em agonia lenta).
Para fechar esta 1ª parte, provaram-se os colheitas tardias Qtª Alorna 2012, Bridão 2016 e Falcoaria 2014, o mais entusiasmante.
continua...

domingo, 1 de abril de 2018

O que se passou aqui há 8 anos (Março 2010)?

Podemos encontar em meios de comunicação social uma coluna de efemérides, recordando notícias de há 10 ou 100 anos. Aqui vai ser diferente, nem 100 nem 10, apenas 8 anos.
Foi em Março de 2010 que passámos (eu e o meu sócio e amigo de longa data, Oliveira Azevedo, mais conhecido pelo Juca),para outras mãos, a loja/garrafeira Coisas do Arco do Vinho (CAV). Mas não me desliguei destas coisas do vinho, pois em 19 de Março estava a publicar a minha 1ª crónica neste blogue.
No final de cada mês mencionarei o que mais interessante, na minha óptica, aconteceu no enófilo militante há 8 anos atrás. Hoje é o dia dedicado às crónicas publicadas no decorrer de Março 2010.
Entre as 13 crónicas publicadas, seleccionei estas:
."Núcleo Duro", em 19/3
Foi a 52ª prova cega em que participei com este grupo de 7 amigos, criado pelo Rui Massa (blogue Pingas no Copo) e Jorge Sousa. Os restantes participantes eram o Juca, João Quintela (um dos donos da Néctar das Avenidas), Paula Costa, Pedro Brandão e eu.
Entre outros vinhos, foram provados 6 tintos 2004 do Douro, tendo eu eleito vencedor o Abandonado, logo seguido pelo Pintas e o BOCA (um CARM, cujo lote foi criado pelo Juca e por mim, em Almendra).
."Almoço no Q.B.", em 22/3
Esta crónica sobre este restaurante na Beloura, mereceu um comentário do João Paulo Martins.
."O Anti-Jantar", em 25/3
Aconteceu no Faz Figura, com vinhos da Herdade de Cadouços. entretanto desaparecida. Aconteceu tudo ao contrário do que deve ser um jantar vínico.
."Grupo de prova dos 3", em 30/3
Foi a 1ª sessão deste grupo de prova (Juca , João Quintela e eu) que decorreu no restaurante Nariz de Vinho Tinto, na Rua do Conde, entretanto encerrado.
Os vinhos eram da minha garrafeira, os Scala Coeli 2008 branco e 2007 tinto e, ainda, o Blandy Malvasia 1990.
Este grupo ainda funciona e já vai na 58ª sessão.
."Prova dos 3+4", em 30/3
Foi um almoço, no restaurante As Colunas (na Venda Nova), com um grupo mais alargado, pois aos já mencionados 3 juntaram-se mais 4 antigos amigos e clientes das CAV (Paula Costa, Raul Matos, Carlos Borges e Rui Rodrigues).
Entre outros, foram provados às cegas os Aalto 2004, 2005 e 2006 (este, de longe, o melhor), saídos da garrafeira do João. Marchou, ainda, um Blandy Bual 1948!

quinta-feira, 29 de março de 2018

Vinhos em família (LXXXVII) : brancos em alta

Mais uns tantos vinhos provados em família (3 brancos e 1 tinto), com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. E eles foram:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2014 (13 % vol.) - 90 pontos na Wine Spectator; ligeira oxidação nobre, presença de citrinos e fruta de caroço, acidez equilibrada, notas amanteigadas, algum volume e final de boca extenso. Boa evolução, elegância e complexidade. Nota 18 (noutras situações 17,5+/17,5).
.Primus 2014 (13,5 % vol.) - 92 pontos no Parker; com base em vinhas velhas, maioritariamente Encruzado; fresco e mineral, cítrico, boa acidez, alguma gordura e complexidade, volume e final de boca assinaláveis. Gastronómico. Nota 17,5+.
.Qtª do Alqueve Tradicional 2013 (13 % vol.) - produzido por Pinhal da Torre, Alpiarça; com base na casta Fernão Pires; nariz discreto, presença de citrinos e fruta de caroço, acidez no ponto, volume e final de boca médios. Um branco de outono/inverno com uma relação preço/qualidade imbatível. Nota 16.
.Chocapalha Vinha Mãe 2011 (14,5 %) - com base nas castas Touriga Nacional (60 %), Syrah (30 %) e Tinta Roriz (10 %), estagiou 22 meses em barricas de carvalho francês; aroma vibrante, ainda com muita fruta vermelha, alguma acidez e notas de lagar, taninos civilizados, algum volume e final de boca. Elegante. Nota 17,5.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Revisitando o Crôa pela enésima vez

O Crôa é o meu restaurante preferido na Praia Grande e arredores (Praia das Maçãs e etc). Porque está bem localizado, tem sempre peixe fresco, os preços são acessíveis e porque sim.
Dele já falei em "Curtas (VII)" e "Curtas XXXVIII", crónicas publicadas em 7/5/2013 e 18/9/2014, respectivamente.
Desta vez comemos ameijoas à Bolhão Pato, dourada grelhada com batatas e legumes e, ainda, a belíssima tarte de maçã com gelado. Tudo no ponto.
Na componente vínica é que é o desastre. A  lista é curta, os anos de colheita estão omissos e os copos que estão na mesa uma desgraça. A pedido, vieram copos aceitáveis.
Para compensar, fomos atendidos por um empregado que fez um serviço de 5 estrelas, o que não é habitual num espaço de restauração como este.
Optei por uma garrafa de Catarina 2016 - com base nas castas Fernão Pires, Chardonnay e Arinto; presença de citrinos e fruta madura, acidez nos mínimos, algum verniz e madeira discreta, notas amanteigadas, volume médio e final curto. Gastronómico. Nota 16. O vinho foi dado a provar.
Tem uma boa relação preço/qualidade e é uma boa defesa na restauração. Esta garrafa custou-me 10 € e levei para casa a metade que sobrou.

sábado, 24 de março de 2018

Champanheria do Largo (Av. Liberdade) : uma sombra do passado

Passados 4 anos voltei à Champanheria do Largo (ver "Borbulhas na Champanheria do Largo", crónica publicada em 20/2/2014) e saí de lá com uma grande frustação. É, de facto, uma sombra do passado.
Chegámos mais ou menos em cima das 13 h. A sala estava praticamente vazia, com a clientela, à base de turistas, a ocupar a esplanada exterior. Pedimos 2 pratos emblemáticos, a meia desfeita de bacalhau e os lombinhos de porco ibérico. Afinal nem um nem o outro! Já acabaram, foi a desculpa esfarrapada da empregada. Como é possível não haver bacalhau, património gastronómico nacional?!
Plano B:
.creme de caldo verde (saboroso, mas nada tem a haver com o tradicional)
.da memória portuguesa, os torricados (mexilhão, bacalhau e sardinha, altamente escabechados e sabendo todos ao mesmo, também nada têm a haver com os tradicionais).
Para piorar as coisas, o serviço foi excessivamemte demorado.
Quanto à componente vínica e segundo informação retirada da plataforma Zomato:
.13 champanhes (2 a copo), 8 espumantes (3), 9 brancos (9), 12 tintos (9), 2 Porto (2) e 2 Moscatéis (2), oferta a copo mais do que suficiente
.os brancos verdes estão separados dos outros brancos, um erro
.lamentavelmente, os anos de colheita estão omissos
Resumindo e concluindo, a Champanheria de hoje está apenas vocacionada para o turismo e não respeita os clientes nacionais, nem sequer a nossa gastronomia.
Cartão vermelho!