quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Jantar Jorge Moreira

Antes de entrar no desenvolvimento do jantar, dois apontamentos sobre este evento:
1º - Só se realizou porque o Jorge Moreira, uma grande referência no mundo do vinho, tem um sentido das responsabilidades muito apurado. Eu digo isto porque ele sofreu, na véspera, um grande e aparatoso acidente que praticamente lhe destruiu o carro. Podia ter ficado a descansar tranquilamente em casa, mas não o fez.
2º - Chamaram-lhe "Jantar de Vinhos - Quinta de La Rosa", mas rigorosamente não o foi, pois foram provados 2 vinhos Passagem que não são daquele produtor, mas sim resultantes de uma parceria da família Bergqvist com o Jorge Moreira.
Voltando ao evento, este foi organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas e decorreu na sala nova da Casa do Bacalhau (um dos espaços mais bonitos que conheço em Lisboa), que já nos habituou a uma boa gastronomia, ritmo adequado, temperaturas correctas e copos Riedel, embora o serviço de vinhos esteja abaixo do da equipa do Via Graça.
Desfilaram:
.Qtª de La Rosa Porto Branco Extra Dry - serviu de bebida de boas vindas, cumpriu a sua função, mas não ficou na memória.
Acompanhou amendoas torradas.
.Passagem Reserva 2017 branco - com base em vinhas velhas a 400 metros de altitude, onde predominam as castas Viosinho, Gouveio, Rabigato e Códega do Larinho, estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês usadas; fresco e mineral, equilibrio entre a acidez e a gordura, volume e final de boca médios (13 % vol.). A conselhado para acompanhar entradas simples ou para beber a solo. Nota 16,5+.
Ligou bem com uns pastéis de bacalhau.
.Tim Grande Reserva 2015 branco (2500 garrafas produzidas) - 93 pontos na Wine Enthusiast; com base nas castas Viosinho, Gouveio e Arinto, esatgiou 6 meses em barricas de carvalho francês e 18 em garrafa; aromático e complexo, presença de citrinos e fruta cozida, acidez no ponto, notas amanteigadas, volume e final de boca assinaláveis (13 % vol.). Gastronómico, acompanha entradas mais pesadas ou peixe no forno. Melhor daqui a 4/5 anos. Nota 17,5+.
Maridou com um prato de pataniscas e arroz de tomate.
.Passagem Reserva 2016 tinto - 93 pontos na Wine Enthusiast; com base nas castas Touriga Nacional (70 %), Touriga Franca (25 %) e Sousão (5 %), estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; muito frutado, notas vegetais (eucalipto?), acidez equilibrada, taninos civilizados, algum volume e final de boca persistente (14,5 %). Demasiado jovem, há que esperar por ele. A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 17,5.
.La Rosa Reserva 2016 tinto - com base nas castas Touriga Nacional e Touriga Franca, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; muito floral e fresco, acidez no ponto, especiado, taninos presentes mas civilizados, volume notável e final de boca muito longo (14,5 %). Ainda muito novo, vai melhorar com o tempo. A beber nos próximos 10 a 12 anos. Nota 18.
Estes 2 tintos armonizaram com bacalhau de cura  de 10 meses assado com batatas a murro.
.Qtª de La Rosa Tawny 30 Anos - é a estreia em tawnies com esta idade e foi lançado agora para comemorar os 30 anos da empresa; com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz de letra A e provenientes dos patamares mais antigos; presença de frutos secos, mel, alguma acidez e gordura, volume e final de boca assinaláveis. Engarrafado e armazenado no Douro. Nota 18.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Eating Bear : um espaço contraditório - 3*

O Eating Bear (Rua da Madalena,62-64) que se auto intitula "Restaurante Adega Wine Bar" é um espaço que aposta forte na componente vínica, com a "Harmonização de 3 Vinhos" (9 €, com direito a provar 1 branco, 1 tinto e 1 tinto reserva) e a "Degustação Premium (12,50 € com 1 Moscatel, 1 Porto e 1 Madeira).
A ementa é demasiado extensa, as mesas despojadas, os guardanapos de papel, as cadeiras desconfortáveis e copos razoáveis.
Quanto a comida, vieram para a mesa tacos de peixe com maionese, sapateira em cama de pimento e uma sobremesa à base de chocolate. Nada  entusiasmante.
Quanto à componente vínica, inventariei 8 cocktails à base de vinho, 7 brancos (todos a copo), 10 tintos (9 a copo), 1 rosé (1), 8 Portos, 3 Moscatéis, 3 Madeiras e 6 cervejas artesanais portuguesas, além de mais algumas estrangeiras. A lista está muito centrada no Alentejo e a maior parte dos vinhos é de marcas completamente desconhecidas para mim.
Joguei pelo seguro e bebi uma bela cerveja artesanal, a Avenida Blond Ale da Dois Corvos.
Serviço simpático, mas pouco atento.
Perante as críticas altamente abonatórias na Zomato e outras plataformas, há que dar o benefício da dúvida e voltar ao Eating Bear. A minha visita pode ter calhado num mau dia, meu ou deles.

domingo, 9 de dezembro de 2018

Grupo dos 6 (12ª sessão) : grandes tintos de 2009, 1 Vintage de respeito e 1 Madeira de excepção

Nesta última sessão, este grupo de enófilos da linha dura voltou ao local do "crime", isto é, ao restaurante Via Graça, o local da 1ª sessão e onde o grupo se institucionalizou.
Desfilaram:
.Encontro 1 2013 (levado por mim) - 92 pontos no Parker e 91 na Wine Enthusiast; com base na casta Arinto (100 %), estagiou 3 meses em barrica; nariz austero, citrinos e fruta madura, bom equilibrio entre a acidez e a gordura, volume e final de boca assinaláveis. Um branco de guarda com 13,5 % vol. Nota 17,5+.
.Campolargo Bical 2015 (levado pelo João) - com base na casta Bical (100 %), estagiou em tonel (50%) e barrica (50 %); muito frutado, aromas e sabores primários, alguma acidez, volume e final de boca médios (11,5 % vol.). Nota 17.
Estes 2 brancos acompanharam o couvert (selecção de pães e patés), croquetes , salada de polvo e um excepcional robalo do mar ao sal.
.Pai Abel 2009 (levado pelo J.Rosa) - com base na casta Baga (80 %), estagiou 7/8 meses em madeira; nariz afirmativo, ainda com fruta, acidez equilibrada, especiado, volume e final de boca notáveis (14,5 % vol.). A beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5.
.Qtª da Falorca Garrafeira 2009 (levado pelo Frederico) - 95 pontos no Parker; com base em vinhas velhas, estagiou 24 meses em barrica; ainda muito fresco e frutado, acidez e complexidade, elegante e especiado, bom volume e final de boca muito longo (14 % vol.). A beber nos próximos 10 a 12 anos. Nota 18,5+.
.Villa Oliveira Touriga Nacional 2009 (levado pelo Juca, garrafa nº 26/2500) - estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; notas florais, fresco e elegante, bela acidez, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 18.
Estes 3 tintos harmonizaram com um pernil de porco no forno.
.Qtª do Noval Vintage 1970 ( saído da garrafeira do Adelino) - cor próxima de um tawny, ainda com alguma fruta, acidez no ponto, taninos de veludo, equilibrio e elegância, volume e final de boca assinaláveis. Nota 18,5.
Maridou com uma tábua de queijos (Serpa, Azeitão e Serra).
.Artur Barros e Sousa Verdelho Velho 1965 (idem) - aroma intenso, frutos secos, iodo, brandy e vinagrinho, taninos bem presentes, volume considerável e final de boca interminável. Nota 19.
Casou com doce de ovos e gelado de baunilha.
Mais uma grande sessão de convívio, boa gastronomia e grandes vinhos (todos em copos Riedel). Uma palavra final para o serviço de vinhos, a cargo do escanção e chefe de sala, Fernando Zacarias, a merecer nota alta.

sábado, 8 de dezembro de 2018

Dão Capital no Mercado da Ribeira

O Dão desceu até Lisboa e esteve presente numa mostra de vinhos e iguarias que decorreu no 1º andar do Mercado da Ribeira, nos dias 23 e 24 Novembro. Aderiram 32 produtores, entre pequenos, médios e grandes. As provas comentadas, a cargo dos críticos da revista Grandes Escolhas, foram conduzidas à vista e ao ouvido de quem andava ali só para provar vinhos, com todos os inconvenientes para ambas as partes. À atenção da organização, a CVR Dão.
Provei 30 brancos, dos quais 15 eram da colheita 2017, 1 de 2012, 2 de 2014, 6 de 2015 e outros 6 de 2016.
A grande supresa, para mim, apesar da juventude, foi o Qtª da Bica 2017. Destaco, ainda, o Chão do Vale Vinhas Velhas 2017(Lafões), Ribeiro Santo Vinha da Neve 2016, Qtª da Alameda Reserva 2016, Vale Divino 2012, Varanda da Serra 2014 (em magnum), Adega de Penalva Cerceal 2015, Qtª Mendes Pereira Reserva Encruzado e Malvasia 2015 e Villa Oliveira Encruzado 2015.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Almoço com Vinhos Fortificados (31ª sessão) : vertical Vale Meão e Madeiras séc. XIX e XX

Este último encontro do Grupo dos Madeiras desenrolou-se na Casa da Dízima, já nossa conhecida, com um serviço de vinhos de 5 estrelas (66 copos Schott na mesa, é obra!) e onde se come bem. Os anfitriões foram o casal Marieta/José Rosa que trouxeram os vinhos e algumas iguarias.
Desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2014 - muito fresco, cítrico e mineral, complexo, acidez vibrante, algum volume e final de boca. Nota 17,5+.
Fez boa companhia a uma série de entradas (bochechas crocantes de bacalhau, gambas de Moçambique em massa katafi, vieiras frescas e presunto pata negra) e queijos (Reggiano 24 meses de cura, cabra curado de Castelo Branco e ovelha amanteigado de Celorico da Beira).
.Il Cavaliere Diplomate d' Impire Cuvé Collection (engarrafado em 2014 e com capacidade de 3 litros) - aromas e sabores terciários, com notas de frutos secos e fruta desidratada, bela acidez e algo amnteigado. Vinho branco algo estranho, não se assemelhando a qualquer vinho que eu tivesse provado. Nota 17.5.
Acompanhou um creme aveludado de espargos e um belo risotto de carabineiros selvagens. Voltei a prová-lo com queijo de pasta mole e deu boa conta de si.
.Blandy Terrantez 1976 - frutos secos, caril e vinagrinho, alguma gordura, taninos super afinados, bom volume e final de boca muito longo. Complexo, fresco, equilibrado e elegante. Nota 18,5+.
Deu-nos muito prazer e serviu para limpar o palato.
.Vale Meão 2008 - nariz inicialmente contido, foi abrindo ao longo da prova, fresco, frutado, notas florais, especiado, bela acidez, taninos presentes e civilizados, bom volume e final de boca muito longo. Um bom exemplar da colheita 2008, a beber nos próximos 10/12 anos. Nota 19.
.Vale Meão 2009 - nariz exuberante, muita fruta e notas vegetais, acidez equilibrada, especiado, taninos bem comportados, volume e final de boca assinaláveis. Uma grande surpresa, a beber nos próximos 6/8 anos. Nota 18,5.
.Vale Meão 2010 - nariz contido, alguma fruta, um toque vegetal, acidez no ponto, taninos evidentes, algum volume e final de boca médio. Alguma desilusão, a beber nos próximos 4/5 anos. Nota 17,5+.
Estes 3 tintos maridaram com um saboroso lombinho de veado em molho de LBV e puré de trufa negra.
.P J L Bual 1880 (P J L são as iniciais de Pedro José Lomelino, avô do Artur e do Edmundo Barros e Sousa) - frutos secos, notas de brandy, iodo e caril, vinagrinho excessivo, taninos intensos, algum volume e final de boca interminável. Algumas semelhanças com aguardentes velhas, Conhaque ou Armanhaque. Entra "soft" e adocicado e e sai violento. Seguramente não é um Madeira para principiantes. Nota 18,5.
Acompanhou um bolo de chocolate, mas não gostei da harmonização.
Foi uma grande jornada, muito didáctica (vertical Vale Meão) e com 2 fortificados nada fáceis de encontrar.
Obrigado Marieta e José Rosa. Ficaram bem na fotografia!

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Novembro 2010 : o que se passou aqui há 8 anos

Entre as 22 crónicas publicadas em Novembro 2010, estas 6 merecem ser relembradas:

."Garrafeiras em queda e concorrência mais ou menos desleal", no dia 10
Passados 8 anos mantém-se esta situação, com garrafeiras e lojas gourmet a abrirem um pouco por todo o lado e outras a fecharem.
Quanto à concorrência desleal idem, por parte de alguma comunicação social, como é o caso lamentável do Expresso e do Público.

."Grupo de Prova dos 3+4 (4ª sessão)", no dia 11
Um encontro de enófilos na saudosa enoteca de Belém, lamentavelmente encerrada recentemente, com vinhos da minha garrafeira. Apresentei nesta sessão 2 brancos de 2007, 4 tintos da complicada colheita de 2006 e, ainda, o Porto Vintage Graham's 1994 e o Blandy Bual 1977.

."Guia de Vinhos 2011, do Rui Falcão", no dia 15
Uma referência no mundo do vinho, a deste crítico que acompanhou de perto o projecto das Coisas do Arco do Vinho e chegou a fazer parte do nosso painel de prova.
É bom lembrá-lo, agora que anda mais ou menos desaparecido.

As 3 crónicas que se seguem, publicadas todas no dia 25, resultam de uma visita à Bairrada organizada pelo João Quintela, ainda antes da Garrafeira Néctar das Avenidas ter sido inaugurada.
É a minha leitura dos vinhos, produtores e enólogos bairradinos, feita há 8 anos mas que se mantém actual, segundo me parece.

."Campolargo : a Bairrada moderna"

."Luis Pato : a ponte entre o clássico e o moderno"

.Sidónio de Sousa, Caves São João e Qtª das Bageiras : a Bairrada clássica"

sábado, 1 de dezembro de 2018

Almoço na Academia Time Out

Na minha última incursão no Mercado da Ribeira estava quase a desistir, ao ver que os lugares sentados estavam praticamente todos ocupados pela invasão de turistas, quando me apercebi que o espaço da Academia, o Chef 's Table Experience, com 24 lugares sentados à mesa, estava vazio. E assim ficou, pois além de mim apenas um casal aproveitou a oportunidade. Uma frustação para quem está ali a trabalhar.
Aproveitei a oportunidade, pois claro.
Por 12,50 € tem-se direto a couvert (pão e azeite), prato (nesse dia, arroz cremoso de bacalhau com ervas frescas), sobremesa (foi mousse de chocolate) e bebida. Mais, assiste-se ao empratamento e alguma finalização dos pratos, feita à vista do cliente.
Quanto à bebida optei por um copo de vinho. Sem alternativa, foi-me servido o branco Monte Baixo 2017 (Adega Cooperativa Ponte de Lima) - fresco e frutado, ligeiramente adocicado, não ligou com o prato de bacalhau. Está mais indicado para acompanhar marisco ou entradas muito leves. Nota 15,5.
Não faz sentido não haver uma alternativa que ligue com o prato do dia. À atenção dos repnsáveis pela Academia.
A garrafa veio à mesa e o vinho a provar. Serviço eficiente e simpático.
A finalizar: mais uma vez, um dos WC tinha os urinóis entupidos. Ó senhores da Time Out, vejam lá isso. Não é só facturar!

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Curtas (CVI) : Adegga, lojas de azeites, uma nova garrafeira e o Grupo dos 3

1.Adegga WineMarket
Com organização de André Ribeirinho, André Cid e Daniel Matos,  o evento Adegga WineMarket Lisboa 2018, decorrerá em Marvila (Armazém 16), já no dia 1 de Dezembro, das 14 às 21 h, contando com 70 produtores que porão à prova cerca de 500 vinhos. A Região convidada é a Tejo e o animador das provas comentadas será o Fernando Melo.
Mais informações em \\pt.adegga.com.

2.Lojas de azeites
Já abriu há algum tempo a loja Loa (Calçada do Galvão, 45A), dedicada aos azeites de qualidade e produtos com base neles, como sejam as conservas ou até chocolates e biscoitos.
Tem um site muito apelativo e pedagógico, mas é pena que esteja tão mal localizada.
Mais informações em www.loa.pt

Ao contrário, abriu recentemente na baixa lisboeta a loja o' live by Oliveira da Serra (Rua da Prta,237), exclusivamente dedicada à marca. Também tem um portal apelativo e está muito bem localizada.
Mais informações em www.oliveiradaserra.pt.

3.Evolve: uma nova garrafeira
Abriu muito recentemente a nova garrafeira do Estoril, a Evolve (Avenida de Nice,142 A), cujo lema é "Entre, Prove, Evolua". É um espaço muito bonito, com uma oferta criteriosa a preços honestos. Para ficar perfeita, só falta apostarem com mais ambição nos vinhos Madeira de topo.
Mais informações em www.evolvewineshop.com.

4.Grupo dos 3 (62ª sessão)
A título excepcional incluo aqui o último almoço deste grupo de enófilos da linha dura (Juca, João Quintela e eu) e não o autonomizo, apenas porque participei com uma grande "carraspana" e um nariz impróprio para consumo.
Mas, para memória futura, fica aqui registado. A sessão decorreu no restaurante do Hotel Real Palácio, com vinhos do João. E eles foram:
.Basília 2017 branco (Douro) - 16,5
.Qtª Monte d' Oiro Petit Verdot 2012 - 18 (uma grande surpresa)
.Qtª Monte d' Oiro Ex-Aequo 2015 - 17,5 (precisa de tempo para se mostrar)
.Baden Antiqua Beerenauslese 2000 (um late harvest alemão) - sem nota

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Jantar Dona Maria

Quase em cima do seu 8º aniversário, a Garrafeira Néctar das Avenidas organizou mais um jantar vínico. Desta vez desceu ao Alentejo e o produtor contemplado foi o Júlio Bastos (vinhos Dona Maria), bem representado pela sua enóloga Sandra Gonçalves que, em vez de estar em casa à espera do momento para ir para a maternidade, assumiu o seu papel e ali esteve connosco a conversar sobre os vinhos do jantar. Louve-se o seu esforço, os seus conhecimentos e a sua grande simpatia. Neste momento em que escrevo já deve ter sido mãe e faço votos para que estejam, mãe e filho (ou filha?) bem.
O restaurante escolhido foi o Vila Graça que já nos habituou a uma gastronomia de qualidade e a um serviço de vinhos de 5 estrelas, com copos Riedel, temperaturas adequadas e os vinhos a chegarem à mesa antes da comida. Nota alta, ainda, para o ritmo do jantar, sem pontos mortos e a acabar a horas apropriadas.
Desfilaram:
.Dona Maria rosé 2017 - com base nas castas Aragonês (60 %) e Touriga Nacional (40 %); cor salmonada, austero, alguma acidez e secura, volume e final de boca médios. Muito gastronómico é uma boa surpresa e um dos rosés mais interessantes que tenho provado ultimamente. Nota 16,5.
Acompanhou o couvert (pães, patés e azeite) e harmonizou muito bem com um delicioso creme de cogumelos com camarão da costa.
.Amantis Viognier Reserva 2015 - estagiou em barricas; nariz contido, fruta madura de caroço, equilibrio entre a acidez e a gordura, algum volume e final de boca médio (14 % vol.). Gastronómico.
Nota 17.
Casou bem com robalo do mar e risotto de lingueirão.
.Dona Maria Petit Verdot 2015 - estagiou 1 ano em barricas novas de carvalho francês; aroma intenso, muita fruta vermelha, acidez bem presente, algo especiado,taninos firmes e civilizados, algum volume e final de boca (14,5 % vol.). A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 17,5+.
.Dona Maria Touriga Nacional 2015 - estagiou 1 ano em barricas novas de carvalho francês; nariz mais discreto, notas florais e alguma fruta vermelha, acidez no ponto, taninos de veludo, volume e final de boca assinaláveis (14,5 % vol.). A beber nos próximos 4/5 anos. Nota 17,5.
Estes 2 tintos acompanharam um porco preto de bolota com arroz basmati cremoso (demasiado caldoso para o meu gosto).
.Dona Maria Grande Reserva 2013 - com base nas castas Alicante Bouschet (50 %), Syrah, Petit Verdot e Touriga Nacional, fermentou em lagares de mármore e estagiou 1 ano em barricas novas de carvalho francês; frutado e muito fresco, acidez equilibrada, especiado, taninos presentes mas civilizados, volume apreciável e final de boca persistente (14,5 % vol.). A beber nos próximos 10/12 anos. Nota 18.
Gastronómico, é uma das jóias da coroa do produtor, tendo ficado em 1º lugar (ex-aequo com mais 3 vinhos) no último grande painel da Vinho Grandes Escolhas, dedicado aos vinhos do Alentejo.
Harmonizou com um lombinho de vitela.
.Dona Maria Colheita Tardia 2011 - com base na casta Sémillon, estagiou 1 ano em barricas novas de carvalho francês; presença de marmelos, citrinos e algum fruto seco, mel, equilibrio entre a acidez e a gordura, algum volume e final de boca curto. Nota 17.
Acompanhou um crocante de maçã e gelado de baunilha.
Este foi, seguramente, um dos melhores jantares vínicos organizados pela Néctar das Avenidas, não só pela gastronomia e ritmo de toda a refeição, como também pela qualidade dos vinhos apresentados, quase todos para mim desconhecidos, o que me surpreendeu pela positiva.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Sála - 4,5* : a aposta do chefe João Sá

Aqui há uns tantos anos, num jantar com vinhos dos Lavradores de Feitoria, que decorreu no saudoso Gspot, em Sintra, sob a batuta do Manuel Moreira, tive o prazer de conhecer o João Sá, um dos responsáveis pelos tachos (ver a crónica "Jantar no Spot", publicada em 14/5/2010). Tinha ele 23 anos.
Depois de ter passado pelo emblemático Assinatura, aberto um restaurante fora de portas com a mulher (Marlene Vieira) e dado aulas em escolas hoteleiras, eis que o chefe finalmente tem um restaurante seu, em plena baixa de Lisboa, concretamente na Rua dos Bacalhoeiros.
Sala acolhedora, mesas despojadas mas com os talheres arrumados dentro de um estojo de couro, concebido para o efeito, guardanapos de pano, armários térmicos para controlo de temperaturas e copos Spieglau.
Serviço feminil, muito profissional e atencioso. Só pena que a música de fundo estivesse demasiado alta para o meu gosto.
A lista é curta, apenas 13 referências entre entradas e pratos que aparecem propositadamente misturados, a preços acessíveis (a conselho do chefe, que veio à nossa mesa por mais de uma vez, a quantidade ideal é de 3 peças por cabeça).
Comi, com satisfação:
.couvert (pão feito na casa, pasta vegetal e manteiga do Pico)
.cavala, mostarda, cenoura em pickles
.couve coração, pimentão, sarraceno
.corvina, caril, beldroegas
.figos, alfarrobas, requeijão
Os pratos, muito bem apresentados, foram explicados por uma das empregadas, uma mais valia.
Quanto à componente vínica, a lista é deveras original, tendo inventariado 3 espumantes (2 a copo), 16 brancos (3), 2 rosés (1), 13 tintos (4), 1 colheita tardia, 1 Porto branco, 1 LBV, 1 Madeira, 1 Moscatel e 1 Carcavelos (este tipo de fortificado raramente se encontra na restauração), estes últimos 6 todos a copo. Há ainda, 1 cerveja artesanal. Bingo!
Optei por um copo de Casal Stª Maria Malvasia 2016 (Colares) - muito cítrico, salinidade e acidez vibrantes, a dar-lhe vida, alguma gordura e volume, final de boca persistente. Gostava de o voltar a provar daqui a 4/5 anos. Nota 17,5+.
A escanção, Lynn de seu nome e uma mais valia do Sála, explicou o vinho em pormenor. A garrafa veio à mesa, o vinhos dado a provar e servido numa quantidade abaixo do esperado, um pormenor a corrigir.
Este restaurante tem, ainda, um menu de degustação (4 pratos e 1 sobremesa) a 42 €.
Gostei, recomendo e desejo a esta aposta do João Sá muitos anos de vida.

domingo, 18 de novembro de 2018

A propósito dos vinhos Ilha e da casta Tinta Negra

Na sequência de uma operação de marketing muito bem montada, os vinhos madeirenses Ilha, branco, tinto e rosé, com base exclusiva na casta Tinta Negra, estiveram nas bocas do mundo. Apresentados com pompa e circunstância pela madeirense Diana Silva, produtora destes vinhos e que chegou a trabalhar como escanção no Manifesto do chefe Luís Baena, tiveram direito a notícias desenvolvidas nas páginas do Expresso (João Paulo Martins), Fugas (Pedro Garcias) e Evasões (Fernando Melo).
Movido pela curiosidade provei o branco (garrafa nº 455/3626) - transparente e discreto, fresco e salino, alguma acidez, magro de boca e final curto. Louve-se a coragem e ousadia da produtora. Nota 16.
A Tinta Negra, também chamada Tinta Negra Mole por alguns ou confundida com a Negra Mole, por outros, aguçou-me a curiosidade e fui à procura de outras opiniões. Nos 3 críticos acima mencionados, apenas o Pedro Garcias é perentório em afirmar "(...) Durante muito tempo, a Tinta Negra foi também chamada de Tinta Negra Mole, suscitando equívocos que tardam em desaparecer, dada a existência de uma outra variedade com o nome de Negra Mole. Tinta Negra e Negra Mole são duas castas diferentes.(...)"
No livro "Mais Histórias com Vinho & novos condimentos" referido aqui em "Histórias com Vinho, segundo o João Paulo Martins (JPM)", crónica publicada em 6/10/2018, o autor dá a entender que a Tinta Negra e a Negra Mole são a mesma casta, a propósito dos 200 anos da Madeira Blandy (pág. 114).
Mas a confusão vai aumentando à medida que vamos lendo o que as instituições oficiais ou não, opinam sobre esta problemática das castas.
.O IVV publicou, sem data, o livrinho "Castas Aptas à Produção de Vinho em Portugal - Nomenclatura", onde a Negra Mole (casta da Madeira) aparece como sinónimo da Tinta Negra.
Já no respectivo portal, aparecem em separado a Negra Mole (sem nenhum sinónimo) e a Tinta Negra (sinónimos Molar e Saborinho).
.No portal da Infovini - Vinhos de Portugal, que tem o apoio financeiro do IVV, aparece a Tinta Negra, Negra Mole ou Tinta Negra Mole, como casta da Madeira e Algarve.
.A Wikipédia, com base na Infovini, refere as castas Negra Mole e Tinta Negra(sinónimo Negra Mole)
.No portal da Enoteca, aparece a Tinta Negra ou Negra Mole, como casta da Madeira e Algarve.
.No portal Wines of Portugal, apenas aparece a Tinta Negra, como casta da Madeira.
.O INIAV (Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária) refere a Portaria nº 380/2012 de 12 Novembro que actualiza a lista de castas aptas à produção de vinho: a Negra-Mole (com hífen, para baralhar) e a Tinta Negra (sinónimos Molar e Saborinho)
.No livro "Guide to Wine Grapes" (ediçao de 1996) a master wine Jancis Robinson refere a Tinta Negra Mole como casta da Madeira e a Negra Mole como casta do Algarve (Negramoll em Espanha)
.Finalmente, o livro "A Vinha e o Vinho na História da Madeira" de Alberto Vieira e editado em 2003 pela Secretaria Regional do Turismo e Cultura da Madeira refere que, de acordo com o Estatuto da Vinha e do Vinho, aprovado em 1985, as castas do vinho Madeira distribuem-se em castas recomendadas (Tinta da Madeira e Negra Mole) e autorizadas (Tinto Negro). E mais à frente, em novo capítulo ("Os diversos tipos de Vinho Madeira"), refere a casta Tinta negra-mole.
Que grande confusão! Alguém que queira desbaralhar? Aqui fica o meu apelo.

sábado, 17 de novembro de 2018

Aditamento a "Jantar e leilão na José Maria da Fonseca (JMF)"

Aí está o primeiro ponto de vendas a anunciar o badalado Moscatel Roxo Superior 1918: é a Garrafeira Nacional pelo "módico" preço de 999 €!

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Jantar e leilão na José Maria da Fonseca (JMF)

1.O Moscatel Roxo Superior 1918
Este Moscatel foi apresentado na JMF no passado dia 25 de Outubro, com um jantar e leilão, cuja finalidade principal foi homenagear os 100 anos do nascimento de Fernando Soares Franco, grande defensor desta casta e pai dos actuais responsáveis pela empresa, Domingos e António Soares Franco, a 6ª geração, e mas também assinalar os seus 184 anos (da JMF).
Foram leiloadas 100 garrafas deste 1918, para além de outras, como referirei quando falar sobre o leilão. Foi uma grande operação de marketing, bem planeada e melhor executada. Com todo o respeito que merece este centenário Moscatel, parece-me algo exagerada a pontuação que lhe foi atribuída pelas revistas da especialidade (20 numa e 19,5 noutra), em contraponto com as opiniões dos amigos que estavam comigo no jantar, o nosso Grupo dos 6, parte dos quais prova moscatéis e outros vinhos fortificados há uma série de anos, e que o classificou com  notas de 16,5 a 17,5.
Pela parte que me toca, consultados os meus registos encontrei notas referentes a "n" moscatéis DSF, Setúbal 20 Anos e Roxo 20 Anos, mas também o 25 Anos, Roxo Superior 1900, 1960, 1971 e 1979, Setúbal 1918, 1931, 1939, 1945, 1952, 1954, 1955, 1962, 1965, 1967, 1973, 1975 e 1979 (aqui não destrincei os Superior dos outros), e ainda Bastardinho 20 Anos, 30 Anos e 1927.

2.O Jantar
O jantar comemorativo e que antecedeu o leilão aconteceu na Adega dos Teares Novos, no meio dos tonéis e já minha conhecida quando dos jantares da Confraria do Periquita, da qual faço parte.
Estavam 120 convivas e o jantar correu animado até ao início do leilão, já passava das 23h.
Para memória futura bebemos e comemos:
.Colecção Privada DSF Sauvignon Blanc 2017 (nota 16), com uma excelente sopa de crustáceos, o ponto alto do jantar
.Hexagon 2009 tinto (nota 17,5+), com um fraco peito de perú, com recheio de carne e frutos secos,...
.Moscatel Roxo 20 Anos, engarrafado em 2016 (nota 18), com trufa de chocolate, carpaccio de morangos,...
.Moscatel Roxo Superior 1918 (17,5) - gordo em excesso, falta-lhe frescura; seria óptimo para entrar no Trilogia em lote com vinhos mais novos e frescos.
Os copos eram Schott, as temperaturas e o ritmo de serviço os adequados.
Resumindo e concluindo, este jantar no respeitante ao menu esteve uns furos abaixo dos jantares da Confraria, a que estou habituado.

3.O Leilão
A cargo do Palácio do Correio Velho, começou tarde mas foi muito bem conduzido e em pouco mais de meia hora depacharam os 35 lotes. Bingo!
Para além das 100 garrafas de Moscatel Roxo Superior 1918, já referidas, entraram em lotes (concretamente em 33), mais 13 Moscatel Superior (1902, 1904, 1905, 1906, 1907, 1911, 1930, 1944, 1955, 1960 e 1963, alguns com mais de 1 garrafa) e mais 11 outras bebidas (Trilogia, Alambre 20 Anos, Roxo 20 Anos, Colecção Privada DSF, Bastardinho 40 Anos, Aguardente Velha Reserva 1964 e Aguardente Espírito, também algumas com mais de 1 garrafa). Em lotes isolados, foram licitadas 1 garrafa de Torna Viagem (por 2200 €) e 1 garrafa de Apothéose Bastardinho (por 4500 €!).
Resta dizer que este leilão rendeu 67200 €, ficando o valor médio dos 33 lotes em 1833 € e o valor médio da cada garrafa do Moscatel Roxo Superior 1918, licitadas em lotes sem outros moscatéis, ficou em 551,50 €.
Sabendo que alguns dos licitadores têm pontos de venda, fico expectante para saber a que preço vai chegar ao mercado o 1918.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Revisitar o Prado - 4,5*

A 1ª vez que fui ao Prado fiquei deslumbrado e, em sequência, publiquei em 19/4/2018 a crónica "Um trio maravilha (2ª parte) : Prado e Enoteca de Belém". O António Galapito, responsável pelos tachos no Prado e ex-braço direito do Nuno Mendes em Londres deve ser, neste momento, o chefe mais criativo e talentoso a trabalhar em Portugal, nada ficando a dever aos estrelados.
Não resisto a transcrever o que disse o Miguel Pires sobre o António Galapito e o seu Prado, ainda em 23/9/2017, premonitoriamente,  no blogue Mesa Marcada: "(...)O tempo o dirá, mas não estarei sozinho ao dizer que é sempre bom sentir mais uma brisa de ar fresco a passar por Lisboa. Uma cidade com o seu estatuto tem de conseguir acolher restaurantes com características diferentes. Pelo menos assim o espero". E o tempo deu-lhe razão.
Nesta revisita repeti alguns pratos e provei outros que não conhecia, tudo em doses para partilhar, bem apresentados e deliciosos, acompanhados da cerveja artesanal Avenida Blond Ale (Dois Corvos):
.couvert (pão de trigo barbela, etc)
.berbigão, acelgas, coentros e pão frito
.tártaro de minhota e couve grelhada
.pleurotos, massa de pimentão e trigo sarraceno
.cavala, vinagrete de alface do mar e salsa
.figo pingo de mel e gelado de leite fumado
Quanto à componente vínica, a lista, original e nada óbvia, aumentou, tendo inventariado 9 espumantes (2 a copo), 24 brancos (4), 4 rosés (1), 23 tintos (5), 4 fortificados e 7 vinhos laranja (uma moda que veio de Itália, perfeitamente escusada tal como a dos vinhos azuis).
Mais, o Prado tem uma jovem escanção, todos os vinhos têm a informação sobre as castas que os compõem e, ainda, os respectivos anos de colheita. Só que os copos se limitam a 12,5 cl, em vez dos normais 15 cl, a única menos valia detectada.
Resumindo e concluindo, recomendo e tenciono voltar na primeira oportunidade.

domingo, 11 de novembro de 2018

Uma overdose de provas (Escolha da Imprensa, Vinhos e Sabores e Emprodalbe)

1.Escolha da Imprensa
Fiz parte, uma vez mais, do painel "Escolha da Imprensa", sendo um dos 60 jurados convidados pela Vinho Grandes Escolhas. Na minha mesa foram provados 12 brancos, 5 rosés, 12 tintos e 5 fortificados, num total de 49 vinhos.
 O serviço estava bem organizado, sem quebras no ritmo de chegada dos vinhos à mesa, mas os brancos vieram gelados e os fortificados demasado frios, o que dificultou a prova.
Seguiu-se uma finalíssima, com os 3 vinhos mais pontuados em cada tipo (espumantes, brancos, rosés, tintos e fortificados), tendo a organização facultado as notas dadas, por cada um de nós, na primeira fase, mas não o fazendo quanto à finalíssima. Uma situação a rever, no futuro.
Embora seja do domínio público, aqui se registam os 5 Grandes Prémios:
.Espumante - Murganheira Vintage Bruto 2009 (Távora-Varosa)
.Branco - Villa Oliveira Encruzado 2015 (Dão)
.Rosé - Mar de Rosas 2017 (Lisboa)
.Tinto - Duorum Old Vines Reserva 2015 (Douro)
.Generoso - Moscatel Alambre 20 Anos JMF

2.Vinhos e Sabores
Visitei esta grande feira de vinhos e sabores, organizada pela revista Vinho Grandes Escolhas, de 26 a 29 de Outubro na FIL (Parque das Nações), tendo apenas estado no dia 29 (2ª feira), jornada dedicada aos profissionais. É a grande ocasião para, em paralelo com as provas, reencontrar amigos, antigos clientes das Coisas do Arco do Vinho, produtores, enólogos e vendedores.
Quanto aos vinhos ali presentes, provei "apenas" 55 (3 brancos, 46 tintos e 6 fortificados). Nos brancos, provados mais por curiosidade, destaco o Procura 2016 e o Villa Oliveira Encruzado 2015 (o vencedor do painel da Imprensa), mas não consegui "entranhar" o Procura na Ânfora 2017.
Quanto a tintos, destaco em primeiro plano Duorum Reserva 2015 (vencedor do painel da Imprensa),  Cadão Vinhas Velhas 2011, Marquês Marialva Grande Reserva 2011, Passadouro Reserva 2015, Talentus Grande Escolha 2015, Vallegre Vinhas Velhas Reserva Especial 2014 e Dúvida? 2011. Logo a seguir Vale de Pios as Tourigas 2007, Dona Maria Grande Reserva 2013, Marquesa de Cadaval 2013, Qtª Manoella Vinhas Velhas 2016, Pintas 2016, Passagem Reserva 2016, Poeira 36 Barricas 2015, Qtª Extrema Ediçao 1 2015, H. O. Grande Escolha 2015, Qtª Boa Esperança Colheita Seleccionada 2015, Messias Bairrada Clássico Garrafeira 2013, Valle Pradinhos Grande Reserva 2015, Andreza Grande Reserva 2014, Qtª Gaivosa 2015, Ataíde Semedo Reserva Touriga Nacional/Baga 2016, Qtª Roques Reserva 2015, Flor das Maias 2007, Fonte do Ouro Grande Reserva 2013, Mapa Reserva Especial 2014, Castelo d'Alba Limited Edition 2015, Qtª Foz Arouce Vinhas Velhas 2015, Qtª Cidrô Marquis 2007, Borges Douro Grande Reserva 2015 e Palácio dos Távoras Gold Edition 2015.
Finalmente nos fortificados, em primeiro plano Ramos Pinto RP 30 Anos, Vasques de Carvalho 40 Anos, Grahams 30 Anos e Qtª Noval Vintage 2016. E, logo a seguir, Vasques de Carvalho 30 Anos e Vieira de Sousa  White 20 Anos.
De referir:
.pude provar alguns tintos de anos mais recuados, como foram os 2008 e, muito especialmente, os de 2011, a minha colheita preferida
.o aumento da qualidade média dos tintos provados agora (destacados 31 em 55, ou seja 56 %), comparados com 2017 (destacados 23 em 48, ou seja 48 %). 

3.Emprodalbe
Convidado pela Ana Chaves, minha antiga colaboradora estive no Hotel Real a provar mais alguns vinhos (8 brancos e 6 tintos) distribuídos pela Emprodalbe. Nos brancos destaco o Pôpa Black Edition 2017, logo seguido de Margarida 2015 e Pato Frio Grande Escolha 2016. Nos tintos, destaque para o Pôpa Vinhas Velhas 2014 e Teixuga 2014, logo seguidos de Monte dos Cabaços Reserva 2010, Qtª Portal Grande Reserva 2014 e Gaudio Reserva 2014.

No total foram 133 vinhos! Uf...

sábado, 10 de novembro de 2018

Vinhos em família (XCII) : bons brancos e tintos

Mais 2 brancos e 2 tintos bebidos em família, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega:
.Niepoort Qtª de Baixo Vinhas Velhas Bical/Mª Gomes 2015 (11,5 % vol.) - com base em vinhas de mais de 60 anos, fermentou 20 meses em "fuders" de 1000 litros; nariz discreto, presença de citrinos e notas de maçã, acidez pronunciada, fresco e elegante ao melhor estilo Dirk, volume médio e final de boca algo persistente. Nota 17,5.
.Qtª das Bageiras Garrafeira 2015 branco (14% vol.) (garrafa nº 1587/2950) - 93 pontos no Parker; com base nas castas Maria Gomes e Bical em vinhas velhas com mais de 75 anos; fechado no nariz, presença de citrinos e fruta cozida, boa acidez, notas florais e amanteigadas, volume e final de boca médios. Nota 17 (noutra situação 18).
.Qtª das Bageiras Garrafeira 2011 (14 % vol.) (garrafa nº 5820/6056) - 95 pontos no Parker; com base na casta Baga em vinhas velhas, fermentou em lagares e estagiou 18 meses em tonéis antigos; ainda com muita fruta vermelha, acidez pronunciada, fresco e elegante, taninos presentes mas civilizados, algum volume e final de boca. A beber nos próximos 10/12 anos. Nota 18 (noutras 18/17,5+).
.Qtª da Costa das Aguaneiras 2011 (14,5 % vol.) - produzido pelos Lavradores de Feitoria, com base nas castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e outras, estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês; ainda com muita fruta, bela acidez, especiado, taninos presentes bem comportados, estrutura e final de boca assinaláveis. Gastronómico, a beber nos próximos 6 a 8 anos. Nota 18.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

A maioridade dos Lavradores de Feitoria (II) : a Prova e o Jantar

...continuando:

3.A Prova
Com a orientação do Paulo Ruão e a presença de revistas especializadas (Vinho Grandes Escolhas, Revista de Vinhos e Revista Paixão pelo Vinho), da blogosfera (Mendes Nunes, Comer Beber Lazer e este Enófilo Militante) e da imprensa e sites generalistas, foram apresentados e provados os seguintes vinhos (as notas de degustação e os pontos atribuídos, são da minha responsabilidade):
.18º Aniversário Tinto Cão 2016 (14,5 % vol.) - alguma fruta e acidez, elegante, taninos de veludo, volume e final de boca médios. Ainda está muito novo e precisa de tempo para se mostrar. Produzidas apenas 700 garrafas. Nota 17.
.10º Aniversário Tinto Cão 2006 - aberto de cor, especiado, alguma acidez e elegância, taninos dóceis, volume e final de boca médios. Ainda está com saúde. Nota 16,5+.
Estes 2 monovarietais de Tinto Cão, uma casta que não me apaixona, resultam de uma vinha da Qtª de Pias (Cima Corgo), com mais de 45 anos. A fermentação "é iniciada em lagar, com engaço, e o estágio é feito em barrica nova de carvalho francês".
.Grande Escolha 2014 (15 % vol.) - estagiou 14 meses em barricas novas de carvalho francês; nariz intenso, fruta preta, acidez equilibrada, complexidade, notas especiadas, taninos redondos, grande volume e final de boca longo. Ainda muito jovem, há que esperar por ele. A beber nos próximos 10/12 anos. Nota 18.
.Grande Escolha 2008 Estágio Prolongado  (14 % vol.) - parte do lote inicial estagiou em garrafa até agora; nariz discreto, fruta vermelha, acidez no ponto, especiado, taninos presentes mas civilizados, volume e final de boca assinaláveis. Muito elegante e equilibrado. A beber nos próximos 8/10 anos. Nota 18,5.
Os Grande Escolha são produzidos a partir de uma vinha velha com mais de 60 anos e sujeitos a pisa a pé e fermentação em lagares tradicionais e balseiros de carvalho. São, para mim, grandes vinhos do Douro. Ao longo dos anos provei todos e, com excepção do 2000,  registei-os. Começando pela pontuação mais alta: com 19 (2004), com 18,5+ (2005, 2007 e 2008), com 18,5 (2001), com 18+ (2003) e com 18 (2011 que foi provado na  altura em que saíu, mas vou voltar a prová-lo).

4.O Jantar
O jantar comemorativo dos 18 anos dos LF decorreu no Clube dos Jornalistas, onde eu não ia há uma série de anos. A minha primeira e grande surpresa foi encontar ali um antigo cliente das Coisas do Arco do Vinho (CAV), José Caetano de seu nome, actual gerente daquele espaço de restauração.
Falaram a Olga e o António Barreto (antigo cliente das CAV e autor do prefácio da brochura comemorativa do 10º Aniversário das CAV, onde referiu "(...) Comemoram este ano o seu 10º aniversário. Ou antes, comemoramos...Tanto estão eles de parabéns, que fizeram obra, como nós, que dela beneficiamos. (...)"). Ambos se referiram, em termos elogiosos às CAV. Os nossos agradecimentos.
Para memória futura, bebemos e comemos:
.Três Bagos 2017 Sauvignon Blanc 2017 - nariz exuberante, presença de citrinos e espargos, acidez vibrante, algum volume e final de boca. Serviu de vinho de boas vindas (portanto, antes da prova e do jantar) e está super afinado. Um dos melhores Sauvignon produzidos em Portugal. Nota 17,5.
.Três Bagos 2017 - fresco e mineral, bela acidez, volume e final de boca médios. Nota 16,5.
Ligou bem com uma muito original entrada de bacalhau lascado, batata palha e coentros.
.18º Aniversário Tinto Cão 2016 (já aqui descrito)
Ligou muito bem com um excelente risotto de moqueca de camarão e menos bem com um wrap de pato e cogumelos.
.Grande Escolha 2014 e Grande Escolha Estágio Prolongado 2008 (já anteriormente descritos)
Acompanharam bolo de chocolate, queijos e compotas.
Pena foi que não tivesse sido provado um Colheita Tardia.
Resta dizer que a ementa estava impressa, os copos eram dos LF (marca Riedel com o logo do produtor), o ritmo foi o adequado, o serviço de vinhos, sob a batuta do José Caetano, competente, e a organização, a cargo da Joana Pratas, impecável uma vez mais.

A fechar, o meu muito obrigado à Olga e, de papinho cheio (elogios, comida e bebida), ergo o meu copo (com o Grande Escolha Estágio Prolongado 2008) desejando muitos anos de vida aos Lavradores de Feitoria!

Aditamento a Curtas (CV) : o Dão em Lisboa

5.Dão Capital
Com organização da CVR Dão, podem ser provados vinhos daquela região, nos dias 23 e 24 de Novembro (15 às 22 h), no Mercado da Ribeira, com entrada livre.
Há ainda 8 provas comentadas pelos críticos da Vinho Grandes Escolhas.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

A maioridade dos Lavradores de Feitoria (I) : Introdução e Antecedentes

1.Introdução
Os Lavradores de Feitoria (LF), a única empresa portuguesa incluida na lista dos "30 produtores a descobrir no mundo", segundo a prestigiada revista Wine Spectator, ao completarem o seu 18º aniversário, decidiram comemorar a sua entrada na maioridade. E se assim o pensaram, melhor o fizeram com um evento em Lisboa, que incluiu uma prova e um jantar no Clube dos Jornalistas.
Os LF, geridos pela Olga Martins, CEO da empresa e responsável pela área comercial, engloba 20 quintas espalhadas pelo Douro (Baixo e Cima Corgo e, ainda, Douro Superior) de cujas uvas, debaixo da batuta do Paulo Ruão, director de enologia, se fazem 8 brancos, 13 tintos, 2 rosés e 1 colheita tardia, com 9 nomes diferentes (Lavradores de Feitoria, Três Bagos, Qtª da Costa das Aguaneiras, Meruge, Gadiva, Cheda, Bons Rapazes, Aniversário Edição Especial e Museu Coa by LF), se não me enganei neste levantamento vínico.
Preside à respectiva Assembleia Geral o colunável sociólogo António Barreto, um verdadeiro apaixonado pelo Douro e autor de alguns livros temáticos sobre esta região.

2.Antecedentes
Conheço a Olga há uma série de anos, tendo-me sido apresentada pelo Dirk numa das quintas da Niepoort, ainda ela não sonhava que iria ser administradora delegada e directora comercial dos LF, nessa altura ainda um sonho. Mais tarde e já responsável pelos LF, as Coisas do Arco do Vinho abriram-lhe as portas, enquanto as outras garrafeiras esperavam para ver. Acreditámos desde logo neste projecto dos LF e num dos jantares por nós (o Juca e eu) organizado, foi lançado o primeiro Três Bagos Grande Escolha, o da colheita 2000.
E esse apoio foi reconhecido publicamente pela Olga, ao escrever na brochura comemorativa do 10º Aniversário das CAV :
"A Coisas do Arco do Vinho é um marco na história da Lavradores de Feitoria. Aquando do nosso início, ainda sem provas dadas e com um modelo original e arrojado, muitas eram as portas que se fechavam aos nossos vinhos. Mas aqui encontrámos muito mais do que uma porta aberta, encontrámos braços abertos de amigos que acreditaram em nós e nos apoiaram em todos os momentos. É um privilégio trabalhar assim. Às Coisas do Arco Vinho um sincero agradecimento de todos os Lavradores de Feitoria e votos de que os próximos 10 anos sejam pelo menos tão bons como estes que agora celebramos."
Olga Martins (Lavradores de Feitoria)
Afinal os votos da Olga não se concretizaram, ao sairmos das CAV em Março 2010, mas o blogue enófilo militante registou estas crónicas onde são mencionados os LF:
."Jantar Lavradores de Feitoria", em 14/4/2012
."Curtas (XXXIV)", no seu ponto 1.Lavradores de Feitoria e a Blogosfera, em 10/7/2014
."Provar vinhos com os Lavradores de Feitoria", em 6/8/2016
."Meruge : do vinho à gastronomia", em 13/12/2016

continua...

sábado, 3 de novembro de 2018

Curtas (CV) : a loja da CVRL, 2 novos espaços, 1 evento e saber (ou não) pegar no copo

1.A loja da CVR Lisboa
Grande surpresa no Mercado da Ribeira (Loja 41, também com entrada pela Praça D. Luis): abriu recentemente um atraente espaço da CVR Lisboa, onde se pode provar ou comprar vinhos da Região de Lisboa.
Tem uma máquina Enomatic com 8 vinhos à prova, a custo zero e que vão rodando, dos 76 produtores ali representados (num total de 110, ou seja 69 %).
A loja possui, também, 2 caves Liebherr para vinhos brancos e rosés, para facilitar o consumo de quem os compre. É pena que com os tintos isso não aconteça, pois estão todos à temperatura ambiente.
Os copos, com o logo da CVR gravado, são Schott e perfeitamente adequados. Uma mais valia.
Resumindo e concluindo, a CVR Lisboa está a dar um bom exemplo às outras CVR's. Na mouche!

2.Novos espaços na Baixa de Lisboa
.Portologia (Rua de São Julião, 34-36)
A Portologia - La Maison des Porto depois de ter aberto, em Paris e no Porto, lojas dedicadas a provas e vendas de vinho do Porto, instalou-se em Lisboa.
Tem algumas dezenas de Porto à prova e degustação de queijos e charcutaria.
.Eating Bear (Rua da Madalena, 62-64)
O Eating Bear - Restaurante.Adega.Wine Bar tem uma componente de restauração com uma ementa muito (demasiado?) alargada e outra de wine bar com, por exemplo, "Harmonização de 3 Vinhos, 9 €" ou "Degustação Premium, 12,50 €".

3.Enóphilo Wine Fest Porto
Com organização do bloguista Luis Gradíssimo (blogue Avinhar), realiza-se em 17 Novembro, a 3ª edição deste evento que terá lugar no Centro de Congressos da Alfândega do Porto, com e Provas Especiais e degustação de dezenas de vinhos.

4.Saber (ou não) pegar no copo
Mais de 2 anos passados sobre a crónica "Saber pegar no copo : o novo PR passou no exame", publicada em 10/7/2016, sou surpreendido por uma fotografia publicada no JN de ontem, onde se pode ver o nosso PR e o Presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, a pegarem mal nos respectivos copos.
Tenho de rever a nota dada há 2 anos ao PR e aconselhar o Miguel Albuquerque a aprender com o irmão Francisco Albuquerque, prestigiado enólogo da Madeira Wine!

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Outubro 2010 : o que se passou aqui há 8 anos

Entre 17 crónicas publicadas em Outubro 2010, destaco estas 3:

."O Protocolo da Presidência da República precisa de reciclagem...", no dia 2
No tempo do anterior inquilino era assim. E agora?

."Henrique Mouro no seu melhor", no dia 20
Um jantar de cogumelos inesquecível, com 8 momentos, a confirmar a criatividade do chefe. Com a saída do Assinatura andou desaparecido.
Faço votos para que se tenha reencontrado.

."Grupo de Prova dos 3 (7ª sessão)", no dia 21
Um grande almoço no Assinatura, com vinhos da minha garrafeira provados às cegas.
Levei 1 branco (Primus 2009), 2 tintos de 2005 (Kompassus Private Selection Baga e Aalto PS) e 1 Ice Wine.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Grupo FJF (6ª sessão) : 1 Alvarinho e 2 tintos 2009 na área da excelência

Mais um almoço no Magano, com o grupo FJF original (Frederico, João e Francisco).
Desfilaram:
.Portal do Fidalgo Alvarinho 2011 (levado pelo João) - aroma intenso, presença de citrinos, bela acidez, alguma gordura e volume, final de boca persistente. A evoluir muito bem e ainda longe da reforma, a confirmar que os Alvarinhos não se esgotam no Anselmo Mendes nem no Soalheiro. Nota 18 (noutras situações 16,5/17,5+/17,5+).
Acompanhou as entradas habituais e filetes de galo com arroz de grelos.
.Pai Abel 2009 (levado por mim) - fresco e elegante, acidez equilibrada, especiado, taninos bem presentes mas civilizados, volume notável e final de boca muito longo. A beber nos próximos 10/12 anos. Nota 18,5+ (noutras 18,5/18/17,5).
.Foral de Cantanhede Gold Edition Grande Reserva Baga 2009 (garrafa nº 3311/5270, levada pelo Frederico) - enologia de Osvaldo Amado; ainda com muita fruta, acidez no ponto, menos elegante que o 1º tinto, notas de lagar e chocolate, taninos mais rugosos e musculados, boa estrutura e final de boca extenso. A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18,5.
Estes 2 tintos harmonizaram com cabrito no forno.
Desta vez não houve vinho fortificado, tendo as habituais sobremesas sido acompanhadas pelos vinhos já provados anteriormente.
Foi mais uma grande sessão vínica, bem acolitada por uma boa gastronomia tradicional e um serviço de vinhos de qualidade.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Os Vinhos do Alentejo no CCB

1.As Provas
A CVRA organizou no CCB a sua 10ª edição de Vinhos do Alentejo em Lisboa, na qual estiveram presentes 75 produtores e mais de 600 vinhos em prova, dos quais provei 36 (3 brancos e 33 tintos), uma ínfima parte.
Dos tintos provados, destaco Herdade do Peso Essência 2015, Nunes Barata Grande Reserva 2013 (na linha do 2011, um grande alentejano), Reynolds Grande Reserva 2010, Vicentino Touriga Nacional 2015, Vinhas da Ira 2011, Marmoré de Borba Grande Reserva 2015, Comenda Grande 6 Castas 2014, Portalegre 2015 e Lima Mayer Reserva 2015.
Noutro plano, Herdade São Miguel Pé de Meia 2016, Rubrica 2014, Guadelim Reserva 2009, Sericaia Vinha do Coronel 2015, Paulo Laureano Alfrocheiro 2015, Vicentino 2015, Vicentino Syrah 2016, Palpite Reserva 2015, Dom Cosme Reserva 2015 e Mouchão 2013 (uma relativa desilusão).
De referir:
.a maior parte dos tintos em prova estava à temperatura ambiente, logo quentes (tiro o meu chapéu ao produtor Comenda Grande, o único que levou equipamento térmico para controlo de temperaturas)
.a consistência dos vinhos Vicentino (todos os que provei mereceram destaque).

2.Os Painéis
Fui um dos convidados da CVRA para almoçar e participar nos 2 painéis para profissionais, tendo sido convocado para as 12h (!?). É claro que a essa hora nada estava pronto, tendo o almoço volante (sem história) ter começado a ser servido já passava das 12h30.
A organização que apoiou a CVRA teve algumas falhas, ao ter-se enganado na sala onde decorreram os painéis e ao não garantir que os convidados ali tivessem lugar garantido. Estava na lista de espera e tive que barafustar para ter lugar nos 2 painéis.
Estes foram bem moderados pelo Manuel Moreira, tendo os vinhos seleccionados sido apresentados pelos respectivos produtores ou enólogos.

1º - Ícones do Alentejo, grandes vinhos de Portugal
Foram apresentados 1 branco e 8 tintos (as classificações são as minhas):
.Pera Manca 2016 branco (17,5)
.Herdade dos Grous Reserva 2015 (17)
.Adega Mayor Grande Reserva Pai Chão 2014 (18)
.Maria das Malhadinhas 2013 (17)
.Herdade Rocim Crónica 328 2015 (17,5)
.Conde Ervideira Private Selelection 2015 (17)
.Ravasqueira Premium 2014 (18)
.João Portugal Ramos Estremus 2012 (18,5)
.Mouchão 2008 (17,5) (estava anunciado o Tonel 3-4 2011, mas o produtor arrependeu-se e trocou-nos as voltas)
Noto a falta da Herdade do Esporão (teria recusado?), Zambujeiro e os vinhos do Rui Reguinga e da Susana Esteban que estes produtores/enólogos fazem na Serra de S. Mamede.

2º - Alentejo à prova do tempo
Foram apresentados 2 brancos e 5 tintos (as classificações são as minhas), alguns dos quais desmentem a idéia feita de que os vinhos alentejanos não envelhecem bem:
.Tapada de Chaves 2008 branco (17,5+)
.Dolium Escolha 2006 branco (15,5)
.Cortes de Cima 2008 (17)
.Gloria Reynolds Catedral 2004 (17)
.Portalegre 1996 (18)
.Reguengos Garrafeira dos Sócios 1994 (17,5)
.Adega Cooperativa de Borba Reserva 1980 rótulo de cortiça (17,5)
Foi uma sessão muito pedagógica, com a maior parte dos vinhos (excepção para o Dolium) a aguentar muito bem a prova do tempo.
Os meus parabens à CVRA por esta iniciativa. Seria interessante que as outras CVR fizessem o mesmo em Lisboa.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Jantar Ermelinda Freitas

Este evento vínico estava previsto para se realizar no restaurante Sem Dúvida mas, por falta súbita de profissionais naquela cozinha, foi transferido para o espaço da própria garrafeira.
Foi uma decisão arriscada que, graças ao trabalho hercúleo da Sara e do João Quintela, correu bem, mas que poderia ter sido um verdadeiro fiasco. A ementa manteve-se, tendo um dos pratos (o arroz de lingueirão) vindo do restaurante (mas foi preciso ir lá buscá-lo) e os restantes ficado a cargo dos donos, que tiveram de fazer aquilo que não lhes competia.
Com a presença da produtora, Leonor Freitas (uma simpatia), e apresentados pelo enólogo responsável, Jaime Quendera, desfilaram:
.Espumante Bruto - um bom exemplar deste tipo de bebida, muito fresco e com um toque de pão cozido; relação preço/qualidade exemplar. Nota 16,5.
Funcionou como bebida de boas vindas e acompanhou bruschettas de cogumelos e de mozarela com tomate.
.Sauvignon Blanc/Verdelho 2016 - com base nas castas Sauvignon Blanc (50 %) e Verdelho (50 %), com esta última a sobrepor-se; aromático, fruta cozida, notas vegetais, acidez equilibrada, volume e final de boca médios; (14 % vol.). Austero e gastronómico. Nota 16,5.
Harmonizou com um delicioso cremoso de lingueirão e robalo braseado.
.Alicante Bouschet Reserva 2015 e Syrah Reserva 2016 - fruta preta e vermelha, acidez no ponto, notas vegetais, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis; mais potente o Alicante e mais fresco e elegante o Syrah; (14,5 % vol.). Notas 16,5 e 17, respectivamente.
Não ligaram com o cogumelo recheado.
.Grande Reserva 2013 - nariz mais complexo que os anteriores, ainda com fruta, especiado com a pimenta a sobressair, acidez no ponto, volume apreciável e final de boca persistente; (15 % vol.). A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 17,5+.
Maridou com uma saborosa bochecha de porco e puré de batata.
.Leo d' Honor 2008 magnum - um extra em grande forma que não estava previsto; com base na casta Castelão (100 %), estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; bela acidez, estruturado e ainda longe da reforma. Fino e elegante. Nota 18 (noutras situações 17,5/18).
.Moscatel Roxo Superior 2010 - presença de citrinos e casca de laranja, notas de mel, acidez no ponto, volume e final de boca médios. Falta-lhe complexidade. Nota 16.
.Moscatel Superior 2000 - mais 1 extra, por simpatia da produtora; francamente mais complexo que o anterior, com mais acidez e gordura, frutos secos e cristalizados, corpo e final de boca assinaláveis. Nota 17,5.
Em conclusão, resultado francamente positivo mas arriscado.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Novo Formato+ (32ª sessão) : uma jornada inesquecível nos Sabores d' Itália

Esta sessão foi da nossa responsabilidade (casal Bety/Francisco), tendo adoptado como "nossa" casa o restaurante Sabores d' Itália, nas Caldas da Rainha, do qual somos fãs há uma série de anos e não nos cansamos de o visitar. A comandar os tachos a chefe Maria João e na sala o Norberto (os donos).
Os vinhos (4 brancos, 2 tintos, 1 Madeira e 1 Porto Colheita) eram da minha garrafeira e, com excepção dos fortificados, foram provados às cegas.
Desfilaram:
.Blandy Solera Verdelho - muito aromático, presença de frutos secos, notas de caril e brandy, algum vinagrinho e volume e final de boca muito longo. Fino e elegante. Nota 18,5+ (noutra situação 19).
Este fortificado serviu de bebida de boas vindas e, no final do almoço, encerrou o repasto.
.Regueiro Alvarinho Barricas 2015 (13 % vol.) - garrafa nº 536/1976; cítrico e mineral, boa acidez, notas amanteigadas, madeira bem integrada, algum volume e final de boca. Nota 17,5 (noutras 17,5+/17,5+).
.Adega Mãe 221Alvarinho 2015 (12,5 % vol.) - garrafa nº 316/2703; a partir de um lote de Monção e Lisboa; mais fresco e mineral, acidez vibrante, alguma elegância, volume e final médios. Nota 17 (noutra 17,5+).
Estes 2 brancos acompanharam o couvert, profiterole de tártaro de salmão e um saborosíssimo carpaccio de atum vermelho.
.Quinta dos Carvalhais Branco Especial (14,5 % vol.) - engarrafado em 2015; grande complexidade aromática, fresco e elegante, equilibrio entre a acidez e a gordura, muito estruturado e final de boca extenso. É, para mim, o melhor branco (este engarrafamento) produzido em Portugal. Nota 18,5+ (noutras 17,5/18,5/18,5/18/18, sem distinção de datas de engarrafamento).
.Porta dos Cavaleiros Reserva Seleccionada 1985 (13 % vol) - nariz austero, alguma oxidação nobre, fruta madura, acidez pronunciada, algum volume e final de boca persistente. Um branco com alguma idade e ainda cheio de saúde, mas que teve o azar de ter sido provado ao lado do Especial. Nota 17,5+ (noutra também 17,5+).
Estes 2 brancos harmonizaram com o fabuloso arroz de sapateira com coentros, um dos pratos ex-libris da casa.
.Qtª do Noval Touriga Nacional 2011 (13,5 % vol.) - ainda com fruta, notas florais, bela acidez, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis. A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 17,5.
,Qtª de Lemos Touriga Nacional 2011 (14 % vol.) - muita fruta presente e nuances florais, acidez bem presente, mais especiado e complexo que o anterior, algum volume e final de boca muito persistente. Ainda vai crescer nos próximos 7/8 anos. Nota 18 (noutra também 18).
Estes 2 tintos maridaram com peito de pato com molho de Porto e batata salteada.
.Barros Colheita 1963 (engarrafado em 1987) - nariz exuberante, presença de citrinos, frutos secos e mel, taninos elegantes, algum volume e final de boca muito longo. Uma raridade. Nota 18,5.
Este  Colheita acompanhou muito bem uma excelente sobremesa (tarte de amêndoa caramelizada e crepe de figo com gelado de Moscatel).
Uma palavra final para o serviço de vinhos, a cargo do proprietário/chefe de sala Norberto, a merecer 5 estrelas. Ritmo adequado, com os vinhos a chegarem à mesa antes dos pratos, temperaturas correctas, copos de qualidade (Riedel, Schott e Spigelau) e decantadores Schott fabulosos, como ainda não vi em qualquer outro restaurante.
Mais uma grande sessão de convívio, com comeres e beberes à altura dos acontecimentos. Bingo!

domingo, 14 de outubro de 2018

Curtas (CIV) : The Fork Fest, Mercado de Vinhos, Taylor's no Mercado da Ribeira e uma nova loja gourmet

1.The Fork Fest
Já começou para os utentes do Millennium (até ao dia 16) e vai continuar para o público em geral (17 a 28 de Outubro). Os restaurantes aderentes, cerca de 100, praticam um desconto de 50 % em toda a carta, excepto bebidas (obrigatória a marcação via net).
É a grande oportunidade de comer nos restaurantes mais caros, como é o caso de À Justa, Akla, Ânfora, Arola, Café São Bento, Lawrence Hotel, Miguel Laffan ou O Nobre.

2.Mercado de Vinhos no Campo Pequeno
Em 19 (15/21h), 20 (12/21h) e 21 de Outubro (12/20h) volta a realizar-se no Campo Pequeno, com o subtítulo "Pequenos produtores, Grandes descobertas", sendo a aposta deste ano na Região Demarcada do Dão.
Mais informações em www.facebook.com/mercadode vinhos.

3.Taylor's no Mercado da Ribeira
Esta prestigiada marca de Vinho do Porto abriu, muito recentemente, uma banca no concorrido Mercado da Ribeira, onde se podem provar uns tantos vinhos daquela casa.
Faço votos para que esta seja a 1ª de uma série de marcas de vinhos fortificados.

4.A_Mar_Terra
É o nome de uma nova loja gourmet, situada em Alvalade (Rua Marquesa de Alorna,20), que tem uma grande oferta de conservas, doçaria, queijos e enchidos, num espaço fabuloso. Também tem vinhos, mas a sua grande vocação é para produtos de mercearia fina.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Grupo dos 3 (61ª sessão) : o pleno do Kompassus

Esta última sessão deste grupo de enófilos da linha dura decorreu no Nunes Real Marisqueira (Rua Bartolomeu Dias,112 em Belém), com vinhos da minha garrafeira.
Este espaço de restauração, uma das melhores, senão a melhor marisqueira de Lisboa, sob a batuta  do proprietário, Miguel Nunes de seu nome, apresenta mesas bem aparelhadas, guardanapos de pano, pratos personalizados e copos Riedel, um luxo! Sala cheia a rebentar pelas costuras, mas sem interferência no ritmo e na qualidade do serviço.
A minha aposta foi nos vinhos Kompassus (com a excepção óbvia do fortificado), tendo levado 2 brancos e 1 tinto. Desfilaram:
.Alvarinho 2015 (12,5 % vol.) - enologia de Anselmo Mendes; estagiou 7 meses em barricas usadas, tendo sido engarrafado em Julho 2016; fresco e mineral, acidez equilibrada, volume e final médios. Polido e austero, é o único Alvarinho produzido na Bairrada. Nota 17,5 (noutra situação, também 17,5).
Acompanhou bem o couvert, salgados e a casquinha de santola.
.Private Collection 2014 branco (12,5 % vol.) - enologia de Anselmo Mendes; com base nas castas Arinto (70 %) e Cercial (30 %), estagiou 7 meses em barricas novas e usadas; presença de citrinos e fruta de caroço, equilibrio entre a acidez e a gordura, volume assinalável e final de boca longo. Gastronómico e cheio de personalidade. Nota 18.
Maridou com uma belíssima garoupa no forno.
.Private Collection 2011 tinto (15 % vol) - com base na casta Baga (100 %), estagiou 22 meses em barricas de carvalho francês novas e usadas; complexidade olfactiva, acidez no ponto, especiado, taninos civilizados, volume considerável e final de boca muito extenso. Embora com um teor alcoólico excessivo, não se dá por ele. A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5+ (noutras 18,5/18,5+).
Harmonizou com um bacalhau no forno.
.Sandeman 30 Anos (engarrafado em 2017) - cor brilhante, nariz discreto, notas de frutos secos e especiarias, acidez equilibrada, algum volume e final de boca. Elegância e complexidade. Nota 18,5.
A sobrema foi à lista e eu acompanhei este belo tawny com uma saborosa tarte de gila.
Uma nota final para o serviço de vinhos, muito bem desempenhado por um jovem empregado, João Palrinhas de seu nome, apesar do muito movimento na sala com a lotação esgotada.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Almoçar em hotéis (V) : mais uma (des)ilusão

Depois das experiências desastrosas em hotéis (Aviz e Zenit), aqui referidas em "Almoçar em hotéis : a grande (des)ilusão (I)" e "Almoçar em hotéis : a grande (des)ilusão (II)", publicadas em 27 e 28/4/2012, tive mais uma recentemente.
Desta vez foi no Hotel Santa Justa Lisboa (Rua dos Correeiros,204). Logo que entrei na sala, por volta das 13 horas, não estava rigorosamente ninguém, nem clientes nem empregados. Passado um bom bocado, apareceu um que mal falava português e não nos entendemos. Veio outro e questionado pelo menu do dia não conseguiu encontrar a versão em português, apenas em inglês. Pelos vistos, é um restaurante só para turistas...
Mesas bem aparelhadas, guardanapos de pano e televisão ligada (para quê?)
O menu do dia comporta o couvert (pão, azeite, manteiga e queijo creme), 1 prato à escolha (entre 5 ou 6) e 1 sobremesa (entre 3 ou 4) e custa 13 € (bebidas à parte). Um bom preço num sítio janota.
Do menu escolhi:
.choquinhos com batatas (dose enorme, mas com os choquinhos demasiado "aldente")
.salada de frutas (que demorou muito tempo a chegar à mesa, ainda por cima gelada)
Quanto à componente vínica, a lista vem em suporte electrónico, o que não dá muito jeito, e a oferta a copo é a suficiente.
Optei pelo Colinas Chardonnay 2016 (6 €, uma exorbitância) - equilibrio entre a acidez e a gordura, gastronómico, volume e final de boca acima da média. Nota 17.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo e uma quantidade servida a olho.
Podia ser uma boa solução para quem esteja na Baixa, mas o serviço atabalhoado e pouco atento, afasta qualquer cliente. A demora a levantar os pratos é indesculpável (eu era o único cliente na sala e na esplanada, apenas um casal de turistas) e não houve, no decorrer do almoço, uma palavra simpática (gostou, não gostou?).
A esquecer!

sábado, 6 de outubro de 2018

Histórias com Vinho, segundo o João Paulo Martins (JPM)

Acabou de sair o livro "Mais Histórias com Vinho & novos condimentos" (295 páginas), da autoria do JPM, que vem na sequência do "Histórias com Vinho & outros condimentos" (234), publicado há 2 anos e referido aqui em "Livros para o Natal", crónica publicada em 3/12/2016.
A editora é a mesma Oficina do Livro, o formato é diferente e a capa também. Enquanto na edição anterior a capa contempla a fotografia do JPM, esta última apresenta uma ilustração (má, por sinal) onde o autor aparece com um garrafão de 5 litros na mão. Ou eu não tenho nenhum sentido de humor, ou aquilo é mesmo piroso.
Com base em crónicas publicadas na Revista de Vinhos (a antiga), Vinho Grandes Escolhas, Expresso, Público e DN, de 1996 a 2018, algumas delas acrescidas de comentários actuais, este último livro divide-se em 5 partes:
1ª - Com Amor e com Afecto
2ª - As Terras e os Produtores
Na crónica "E a crítica de vinhos começou assim...", presta uma justa homenagem ao José António Salvador, com quem o JPM deu os primeiros passos como crítico de vinhos. Transcrevo: "Há claramente um antes e um depois do Salvador. Com enormes virtudes e outros tantos defeitos, não deixou sempre de dizer o que pensava (...)".
Em "Das fitas para a adega", o JPM relata um jantar no Porto de Santa Maria, na sequência do Festival de Cinema do Estoril, onde participou o famoso Francis Coppola, um homem do cinema mas também do vinho. O JPM conseguiu surpreendê-lo ao levá-lo a provar Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2008, Qtª do Crasto Vinha Maria Teresa 2006 e Burmester Colheita 1955. Bingo!
Mais à frente em "Memórias de um Senhor do Vinho", dedicada a Luiz Costa, o grande e saudoso senhor das Caves São João, referia "(...) ao solicitar informação sobre um branco de 1985 de que gostei muito, fiquei a saber que nas Caves existiam 7000 garrafas do mesmo. Para vender como? A quem? (...)". Se é o vinho que eu penso, o Porta dos Cavaleiros Reserva 1985, está ainda em grande forma (o JPM provou-o em 2012) e vende-se na Garrafeira Néctar das Avenidas, passe a publicidade.
Ainda nesta 2ª parte, na crónica "Madeira Blandy chega aos 200 anos", depois de se referir às castas nobres, menciona que a mais plantada é a Negra Mole ou Tinta Negra. Só que, ao que averiguei, são 2 castas diferentes, imperando a Tinta Negra na Madeira e a Negra Mole no Algarve. Tenciono voltar a este tema em crónica futura.
3ª - Controvérsias, Provocações e Outras Questões
Na crónica "A lição dos mestres", o JPM começa por referir "O país é pequeno e sabe pouco da matéria. Por isso convém ouvir o que os doutores têm ensinar aqui ao pessoal (...)", isto a propósioto de alguns MW (Master Wine) que por cá passam e mandam umas bocas, sem terem tempo de provar e perceber os nossos vinhos. Toda a crónica é hilariante (o JPM no seu melhor)e não dá para a transcrever. Comprem o livro. Só para lerem este bocado vale a pena.
4ª - As Provas e as Críticas, pois claro
5ª - Várias Histórias e Muitos Lugares
Em "Amor como o primeiro? Não, obrigado...", o JPM conta que há muitos anos atrás, ainda era professor algures numa escola da Graça, no caminho parava numa mercearia onde comprava, de quando e quando, uma garrafa de vinho, uma das quais foi Vinha Grande 1960. A garrafa, anos mais tarde e já vazia, aterrou na Sogrape que não tinham nenhuma no seu museu e, mais grave, nem sequer sabiam que existia aquela colheita.
A terminar, vale a pena ler este último livro do JPM a quem desejo boas vendas.
Numa próxima edição, há que ter em conta:
.a história passada com o Qtª do Estanho Colheita 1927 é contada por 2 vezes (páginas 200 e 212)
.a prova do Ferreirinha Reserva Especial 1996 em Junho de 1996 (uma impossibilidade, página 232).

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Almoço com Vinhos Fortificados (30ª sessão) : uma jornada muito didáctica

Depois de uma grande jornada em Porto Covo, este Grupo dos Madeiras teve outra em S. Francisco da Serra, "chez" Juca. O anfitrião foi acolitado pela filha (Mila), responsável pelo arroz de polvo, e pelo genro (Pedro) no serviço de vinhos.
O vinho de boas vindas foi um espumante Soalheiro, a cumprir a sua função. Já com os participantes sentados, desfilaram:
.Vinha da Urze Reserva 2014 - produzido pela CARM, a partir das castas Rabigato (45 % ), Códega do Larinho (45 %) e Gouveio (10 %), 13 % vol.; nariz contido, presença de citrinos, equilibrio entre a acidez e a gordura, volume e final de boca a ter em consideração. Gastronómico, excelente relação preço/qualidade e uma boa surpresa para mim que o não conhecia. Nota 17,5.
Este branco e o espumante acompanharam uma série de entradas (queijo fresco,cacholeira, presunto com figos, ovos de codorniz, perdiz desfiada,etc.
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2014 magnum - cor doirada e brilhante, nariz exuberante, cítrico, notas tropicais e amanteigadas, boa acidez e complexidade, algum volume e final de boca persistente. Um belo alvarinho a evoluir muito bem. Nota 18 (noutras situações 17,5+/17,5/18).
Casou bem com um saboroso arroz de polvo.
Artur Barros e Sousa Sercial 1980 - muito seco, algum vinagrinho e iodo, taninos dóceis, algum volume e final de boca longo. "Low" profile. Nota 17,5+.
Este Madeira serviu para limpar o palato.
Seguiu-se uma vertical do Qtª do Crasto Reserva Vinhas Velhas, muito pedagógica e bem conseguida. Na ausência de notas de prova, limito-me a indicar as minhas pontuações:
.2007 - 18 (noutras situações 17/17,5/17,5+/17,5+/17,5/18)
.2008 - 18 (noutra 18,5)
.2009 - 17,5+
.2010 - 17 (noutra 17,5+)
.2011 - 18,5 (noutras 17,5+/18,5/18/18)
Surpreenderam-me, pela positiva o 2009 e 2007 e pela negativa o 2010. Confirmaram o 2008 e 2011.
Estes 5 tintos maridaram com um excelente rabo de boi estufado com puré de batata, um dos ex-libris do anfitrião.
.Artur Barros e Sousa Terrantez 1981 - nariz expressivo, frutos secos, notas de caril e brandy, boa acidez, taninos firmes, bem estruturado e final de boca muito longo. Nota 18,5 (noutra também 18,5).
.Dow's Qtª do Bonfim Vintage 1987 - ainda com muita fruta, acidez equilibrada, taninos de veludo, volume e final de boca médios. Demasiado discreto. Nota 17.
Estes 2 fortificados acompanharam uma tábua de queijos, bolo de Santiago, uma marmelada feita pelo Juca, etc.
Foi mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes e deveras didáctica.
Obrigado, Juca!

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Setembro 2010 : o que se passou aqui há 8 anos?

Das 14 crónicas publicadas no decorrer de Setembro 2010, destaco estas 3:

1."Núcleo Duro (58ª Prova) com os Douro Boys", no dia 23
Que eu saiba, este Núcleo Duro é o grupo de prova português mais antigo e consistente, objecto de uma crónica publicada há anos pelo Duarte Calvão na antiga página "Boa Vida" do DN.
Foi o meu último jantar/prova de vinhos, com este grupo de amigos, na minha qualidade de membro efectivo. Como convidado ainda participei em mais 2 encontros.
Esta 58ª prova decorreu no restaurante do CCB (A Commenda), com vinhos da minha garrafeira. O tema incidiu nos vinhos dos Douro Boys, colheita de 2007 (Redoma Reserva, Vallado Adelaide, Vale Meão, CV e Maria Teresa) a que juntei 2 fortificados (Fonseca Vintage 1994 e Blandy Malvasia 1985).
Uma sessão memorável mas que, lamentavelmente, não conseguiu emocionar todos os provadores. Mistérios insondáveis...

2."Grupo de Prova dos 3 (6ª sessão). Confronto Portugal-Espanha", no dia 29
Sessão organizada pelo João Quintela, com vinhos da sua garrafeira, que pôs em confronto o Aalto PS 2005 e o Maria Teresa 2005. Ganhou a Espanha. Azar o nosso...
O final do repasto, com os vinhos fortificados, já não houve confronto (aqui ganhariam os tugas) e acabou em beleza, ao serem bebidos o FMA Bual 1964 e o Bastardinho 30 Anos.

3.Prova e Jantar Sogevinus. O pleno do nosso grupo", no dia 30
Organizada pelo Rui Lourenço Pereira (Blogue Quinta Wine Guide), no Clube dos jornalistas, uma prova com uma dúzia de vinhos do Porto, orientada pelo enólogo Pedro Sá, a que se seguiu um jantar, destacando-se:
.Kopke Colheita 1960 (18,5)
.Burmester Colheita 1937 (18,5+)
.Burmester Colheita 1955 (19)
.Burmester Tordiz 40 Anos (18,5)
Foi uma sessão inesquecível, mas que poderia ter sido um fiasco, por falta de participantes. E só não foi porque os clientes e amigos das CAV  se mobilizaram.

domingo, 30 de setembro de 2018

Curtas (CIII) : Vinhos do Alentejo em Lisboa e novas Enotecas

1.Rota dos Vinhos e Petiscos do Alentejo (29/9 a 13/10)
Já começou esta Rota de Vinhos e Petiscos em Lisboa, organizada pela CVRAlentejo.
Por 4,50 € pode-se comer um petisco acompanhado por um copo de vinho alentejano. Aderiram 14 espaços de restauração, entre os quais o By the Wine, Carnalentejana, Chutnify e TOPO Belém.
Mais informações no site da CVRA.

2.Vinhos do Alentejo em Lisboa
Apresentação e Prova de Vinhos do Alentejo no CCB, sendo os dias 13 e 14/10 destinados ao público em geral e o dia 15 aos profissionais do sector.
Ainda se desconhece o horário de abertura e fecho.

3.111 Vinhos (Rua da Sociedade Farmecêutica,20A)
Esta recente enoteca foi criada pelos donos da distribuidora com o mesmo nome. Em visita recente, fiquei com a impressão que ainda se estão a instalar (a fabulosa esplanada interior ainda não funciona) e que não vão para além dos produtos que representam. Aqui se pode provar e petiscar.
A surpresa agradável foi ter conhecido uma enóloga que faz parte da equipa (não recordo o nome) e já trabalhou com o Carlos Lucas e a Qtª da Pontepedrinha. Tem uma excelente memória e lembrava-se de ter participado num dos jantares organizados pelas CAV (já vão uns tantos anos!).

4.Mundo do Vino (Rua de São Bento,15)
Ao contrário da anterior, esta enoteca está a funcionar em pleno e nela se podem encontrar, provar, beber ou comprar cerca de 500 referências (220 tintos, 180 brancos, 70 fortificados e mais alguns espumantes e champanhes). O espaço contempla 2 salas espaçosas, onde se incluem 5 máquinas térmicas com controlo de temperatura e capacidade para 8 vinhos cada. Mediante a introdução de um cartão tipo MB, é possível extrair vinho para o copo (2; 7,5 e 12,5 cl), esta última quantidade manifestamente insuficiente. À semelhança da anterior também se pode petiscar queijos e charcutaria.
Os donos e animadores deste recente espaço são o Francisco Oliveira e a Rosy Ninkovic.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Espaços de restauração : algumas surpresas (III)

4.Geographia (Rua do Conde,1) - 4,5*
A minha última "descoberta" e uma boa surpresa foi este espaço, muito próximo do Museu Nacional de Arte Antiga, que tem como subtítulo "Comida que fala português" e se inspirou nas várias cozinhas das antigas colónias portuguesas.
O Geographia dispõe de 50 lugares à mesa, espalhados pelas suas 2 salas. As toalhas foram substituídas por uns originais toalhetes de napa, com um espaço para os talheres. Os guardanapos são de papel resistente, com o logo da casa, o célebre rinoceronte desenhado por Albrecht Durer, omnipresente no restaurante.
Provei/comi, nesta minha 1ª visita, e soube-me muito bem:
.bogés (farinha de grão e cebola) com chutney de coentros e hortelã (receita de Goa)
.a sapateira que queria ser casquinha de siri (Portugal/Brasil)
.sopa de peixe com maionese de garam (Portugal/Goa)
.salada morna timorense (Timor Leste)
.bebinca de 7 camadas com gelado (Goa)
Quanto à componente vínica, a lista, da responsabilidade do Miguel Júdice, um dos 3 sócios envolvidos neste projecto, é deveras original e bem estruturada, mas sem datas de colheita e a oferta a copo limitada ao "Santos da Casa", branco e tinto. Dois aspectos a rever (à atenção do Miguel Júdice).
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo Schott.
Gostei francamente, recomendo e tenciono voltar.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Melhor blogue do ano (2018) : o enófilo militante no TOP 10 pela 7ª vez consecutiva

1.Estão a ser publicados, no site do Anibal Coutinho, os nomeados para os Prémios W 2018 em dezenas de categorias, todas elas relacionadas com o mundo vínico. Os "Nomeados para Melhor  Blog de Vinho do Ano em 2018" foram, por ordem alfabética (entre parêntesis o nº de presenças total e assinalando com * os estreantes):
.Comer Beber Lazer (5)
.Contra Rótulo (3)
.Desarrolhar *
.Enófilo Militante (7)
.Joli (3)
.Mesa Marcada (3)
.No Meu Palato *
.Os Vinhos (7)
.O Vinho em Folha (3)
.Vinho Porto Vintage (2)
De registar:
.continuam no TOP 10 os 2 eternos totalistas, de 2012 a 2018: Os Vinhos (Pedro Barata) e o Enófilo Militante (eu próprio)
.não foram incluídos os vencedores dos anos anteriores, estando alguns em actividade (Copo de 3, Bebes.Comes, Avinhar e Pingas no Copo) e outros parados (E Tudo o Vinho Levou e Air Diogo num Copo)
.não se entende a inclusão do blogue Mesa Marcada (que muito prezo, diga-se), o qual é 99 % dedicado à componente gastronómica.

2.Em relação ao meu blogue, considero pertinente referir que:
.nunca publiquei, nem publicarei, qualquer foto alusiva aos textos, em contramão com o que é habitual na blogosfera
.as crónicas publicadas abrangem apreciações de vinhos, mas também de restaurantes (ponto tónico na componente vínica, ou seja, as cartas, oferta de vinhos a copo, copos, temperaturas e serviço propriamente dito) e livros especializados
.as minhas críticas tanto abrangem os aspectos positivos como os negativos do mundo vínico, não me amedrontando quando os visados são instituições públicas consagradas ou individualidades conceituadas
.a  apreciação de vinhos incide no que vou bebendo da minha garrafeira, em espaços de restauração, em eventos vínicos, em visitas a produtores ou no âmbito dos diversos grupos de provas a que pertenço (Grupo dos 3, Grupo dos 6, Novo Formato+, FJF e Madeiras), recusando desde sempre o envio de amostras por parte dos produtores.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Grupo FJFJ (5ª sessão) : 1 Douro italiano e 1 Madeira de subir aos céus

Mais um encontro vínico destes F (Frederico e Francisco) e J (João e José) que decorreu no Magano, com a gastronomia e o serviço de vinhos a confirmar a excelência deste espaço de restauração.
Desfilaram:
.Quanta Terra 2011 (levado pelo Frederico) - com base nas castas Gouveio e Viosinho, estagiou 6 anos em barricas de carvalho francês; nariz contido, oxidação nobre, excelente acidez, gordura e complexidade, algum volume e final de boca. 14 % vol. Preço desajustado. Nota 17,5+.
Não ligou com as entradas habituais, mas harmonizou com os filetes de polvo e arroz do mesmo.
.Vietti Castiglione Falleto 2004 (levado pelo J.Rosa) - 90 pontos na Wine Spectator e 92 na Wine Advocate (Parker); DOC Barolo; com base na casta Nebbiolo, estagiou 30 meses em barrica; nariz exuberante, acidez equilibrada, especiado, taninos presentes, boa estrutura e final de boca muito longo. Fresco e elegante, apresenta-se com um perfil duriense (às cegas é um Douro autêntico). Longe da reforma, a beber nos próximos 6 a 8 anos. 14 % vol. Nota 18,5.
.Qtª da Leda 2004 (levado pelo João) - com base nas castas Touriga Franca, Touriga Nacional e Tinta Roriz; acidez no ponto, notas terrosas e de esteva, algum chocolate e especiarias, volume médio, final de boca persistente e algo adocicado. A beber nos próximos 4/5 anos. 13,5 % vol. Nota 18 (noutras situações 17,5/18).
Estes 2 tintos acompanharam costoletas de borrego e grelos salteados.
.FEM Verdelho Muito Velho (levado por mim) - nariz intenso, presença de frutos secos, notas de brandy, iodo e caril, vinagrinho equilibrado, taninos em conta, complexidade, estrutura e final de boca interminável. A Madeira no seu melhor! Nota 19,5 (esta foi a 14ª garrafa que tive a oportunidade de provar).
Acompanhou a tradicional tarte de amêndoa.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Espaços de restauração : algumas surpresas (II)

2.Mestrias Nova Tasca (Largo da Paz,22B à Ajuda) - 4*
Este restaurante ocupou o espaço do A Paz, mais conhecido pela casa do Eusébio e outros futebolistas.
Agora é um restaurante de petiscos e de alguns pratos emblemáticos que não se encontram noutros lados, como é o caso do arroz de choco com sua tinta. Divinal! Na ementa constam 10 petiscos (doses avantajadas), 9 pratos e 4 sobremesas e, ainda, um aviso aos clientes: "nem sempre há de tudo e às vezes há coisas novas".
Tudo o que comi ou provei tinha qualidade. Para além do citado arroz, nota alta para as moelas, os cogumelos e a mousse de alfarroba.
As mesas, despojadas, são de pedra e os guardanapos de papel. No exterior, uma bela esplanada. Serviço eficiente, nada atascalhado, e simpático.
Quanto à componente vínica, inventariei 1 espumante, 8 brancos (4 a copo), 3 rosés (1) e 10 tintos (4). Na lista constam os anos de colheita, o que não acontece na maioria dos restaurantes que conheço, mas lamentavelmente os tintos estão à temperatura ambiente, ou seja, quentes!
Optei por um copo do branco Lua Cheia em Vinhas Velhas 2017 (15,5+). A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo e servido por 2 vezes, a pedido.
Vale a pena conhecer este Mestrias, quanto mais não seja para comer o arroz de choco.

3.La Risotteria (Rua do Ouro, 265 - 1º) - 3,5*
Confesso que hesitei em incluir nas surpresas este espaço de restauração, devido à sua componente vínica que é muito fraca. Mas a qualidade das restantes componentes convenceram-me.
O espaço, situado no 1º andar de um hotel (The Lift Boutique Hotel), é acolhedor e bem decorado, com as mesas bem aparelhadas e guardanapos de pano.
Ementa à base de risottos, adequada ao nome da casa, muito originais e saborosos, mas algo pesados nesta altura do ano. A repetir a experiência com o tempo mais frio.
Serviço profissional e muito sipático.
Quanto à componente vínica, a lista é curta, muito centrada nos vinhos italianos, copos fraquitos e tintos à temperatura ambiente. A copo, só o da casa, que nem sequer o registei. A garrafa veio à mesa e dado a provar.
Tem, ainda, um menu de almoço a 12 € (couvert, entrada, prato e sobremesa), sem bebidas.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Vinhos em família (XCI) : 1 confirmação e 2 desilusões (relativas)

Mais alguns vinhos provados em família, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. Uma confirmação (o tinto) e duas desilusões (relativas, claro). E eles foram:
.Kompassus Private Colection 2011 - com base na casta Baga, estagiou 22 meses em barricas de carvalho francês novas e usadas; aroma muito fino, algo evoluído, já com aromas e sabores terciários e complexos, acidez no ponto, notas especiadas, taninos de veludo, grande estrutura e final de boca persistente. Teor alcoólico algo excessivo (15 % vol.); a beber nos próximos 3/4 anos, acompanhado de um prato no forno. Nota 18,5+ (noutra situação 18,5).
.1º Nome (Qtª do Mouro) 2016 - com base nas castas Rabigato (35 %), Gouveio (35 %), Arinto (20 %) e Alvarinho (10 %), estagiou 8 meses sobre as borras finas; nariz contido, presença de citrinos e um toque de maçãs, alguma acidez e gordura, volume e final de boca médios. Gastronómico. 12,5 % vol. Alguma desilusão (relativa). Nota 16,5
.Soulmate Grande Reserva (Cortes do Tua Wines) 2016 (garrafa nº 2069/2400) - 18 pontos na Grandes Escolhas e na Revista de Vinhos; com base nas castas tradicionais do Douro, estagiou 8 meses em barricas novas de carvalho francês; presença de citrinos e maçãs, notas florais e apetroladas, alguma acidez e gordura; algum volume e final de boca. 14 % vol. Precisa de tempo para se mostrar e crescer. Alguma desilusão  (relativa) depois das altas notas atribuídas. Nota 17,5.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Espaços de restauração : algumas surpresas (I)

1.Saraiva's (R. Engº Canto Resende,3 entre as avenidas Antº Augusto Aguiar e Sidónio Pais) - 4*
Recentemente o Saraiva's foi tema de conversa da revista Vinho - Grandes Escolhas e do gastrónomo Virgílio Gomes, no respectivo site, para o qual tenho um link. Este espaço, completamente remodelado, mudou de mãos e agora pertence aos mesmos donos da Tágide.
Sala confortável e luminosa, mesas despojadas, mas com guardanapos de pano.
Na ementa actual, curta mas deveras original, constam "À Mão" (6 referências), "Começamos?" (8), "Carne" (4), "Do Mar" (3) e "Goludices" (5).
Nesta visita comi:
.couvert ("flat bread", focaccia, pasta de alho francês e chops de banana)
.tortilha de cachaço de porco preto
.ovos rotos (destes também o professor gostava**)
Quanto à componente vínica, a lista também é curta, mas a escolha criteriosa. Inventariei 2 espumantes, 8 brancos (3 a copo), 10 tintos (3) e 2 rosés, lamentavelmente sem os anos de colheita.
Optei por um copo do tinto Casal Santa Maria Touriga Nacional/Merlot 2014 (3,80 €) - estagiou 14 meses em barricas de carvalho francês; nariz contido, notas florais e vegetais, alguma acidez, taninos suaves, magro na boca e persistência média. Nota 15,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo e temperatura adequada.
Resumindo, boa gastronomia e serviço eficiente e simpático. Uma boa surpresa!
** - este à parte na ementa tem a haver com uma polémica com o restaurante Bel Canto sobre a paternidade dos ovos à professor, que parece ter tido a sua origem no antigo restaurante bar Lorde.

sábado, 1 de setembro de 2018

Curtas (CII) : Néctar das Avenidas, Cerveja Artesanal e o blogue de férias

1.A Garrafeira Néctar das Avenidas tem nova morada
Já é oficial, a Néctar das Avenidas vai passar-se de armas e bagagens para outro espaço, com melhores condições. Fica na Av. Pinheiro Chagas,50 na esquina com a Luis Bivar, a 100 metros da morada actual.
A inauguração está prevista para o próximo dia 4 de Setembro. A partir das 17 h, um copo e um petisco esperam pelos clientes e amigos desta garrafeira.

2.A cerveja artesanal deu um tiro no pé
Vejo com espanto e perplexidade que o Continente editou um Guia de Cervejas, anunciando uma feira com as ditas, onde aparecem algumas artesanais de referência, como é o caso da Sovina, Nortada, Letra, Maldita, Vadia, Oitava Colina, Dois Corvos, Musa e +351, entre outro tipo de cervejas.
As cervejas artesanais deviam limitar-se às cervetecas (em Lisboa, já há umas tantas), lojas gourmet e garrafeiras. Ao entrarem num hipermercado, estão a dar um tiro no pé!

3.O blogue vai de férias
No decorrer da próxima semana, o enófilo militante estará longe do computador.
Fica por publicar "Espaços de restauração : algumas boas surpresas".
Até ao meu regresso...

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Agosto 2010 : o que se passou aqui há 8 anos?

Das 20 crónicas publicadas em Agosto 2010, destaco estas 3:

."O Grupo Pestana retalia", no dia 13
Depois de ter sido autorizado a levar vinho comigo para o restaurante Cozinha Velha (Pousada de Queluz), mediante o pagamento da respectiva taxa de rolha, alguém que não consegui identificar, melindrado com a minha crónica "Almoço na Cozinha Velha", publicada em 21/6/2010, e com mau perder, telefonou para minha casa, na véspera à noite, a cancelar a autorização anterior. Inqualificável!
Anos mais tarde voltei lá e constatei que, lamentavelmente, se mantinha tudo o que escrevi anteriormente (ver o ponto 2 da crónica "Curtas (IV)", publicada em 23/1/2013.

."Como vamos de vinhos nos Museus?", no dia 20
Este escrito veio na sequência de uma visita ao Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), onde almocei na respectiva cafetaria.
Este espaço e, se calhar, todos os outros ligados à museologia, visitado por milhares de turistas, estrangeiros ou nacionais, merecia uma melhor atenção à componente vínica que é uma autêntica vergonha, perante a passividade e ignorância dos políticos.
Em visita recente ao MNAA, constatei que, lamentavelmente, está tudo na mesma.
À atenção do Ministro da Cultura, do 1º Ministro e do PR.

."Almoço na Maria Pimenta", no dia 22
Uma crítica minha à componente vínica e outros aspectos deste restaurante, situado na antiga Fábrica da Pólvora em Barcarena, com o apoio da Câmara Municipal de Oeiras, provocou por parte de uma senhora (a dona ou amiga dos donos?) alguns comentários mal dispostos, desajustados e revelando uma iliteracia confrangedora, que mereceram respostas adequadas por parte de outros seguidores.
Esta crónica é de longe a mais lida, vá lá perceber-se porquê...
Serão os mistérios insondáveis da blogosfera!

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Espaços de restauração : algumas decepções (III)

continuando...

5.Tapas Bar 47 (Rua do Alecrim,47A) - 2,5*
Este espaço fica dentro da Garrafeira Imperial (GI) ou será ao contrário, a Garrafeira é que fica dentro deste Tapas Bar? Confesso que não entendi, até porque o site da GI não lhe faz qualquer referência.
Diga-se que já conhecia a GI, onde, quando em quando, compro algum vinho que dificilmente se encontra noutros locais, a preços honestos.
E só tenho a dizer bem do atendimento, por parte da Maristela Lima (infelizmente de férias quando da minha visita ao Tapas Bar).
Como andava curioso já há algum tempo, recentemente resolvi testar o Tapas Bar, mas esta experiência foi um desastre, como explicarei adiante.
O Tapas Bar tem um menú de almoço (14,90 €), com direito a couver, entrada (a escolher entre 3), prato (idem), bebida e café. Optei pelo coelho de escabeche (ainda vinha morno e de escabeche pouco ou nada) e pelo entrecosto com favas (era à base de enchidos, entrecosto quase nada e favas praticamente desfeitas).
Quanto à bebida escolhi um copo de tinto que já veio servido (!?) e a garrafa nem sequer foi mostrada (nem quando perguntei que vinho era e repectivo ano de colheita). Nem no mais modesto restaurante fariam tal coisa. Lamentável!
Acabei por saber que o vinho era Casa Santos Lima Touriga Franca 2015 (16,5+) que veio a uma temperatura, copo e quantidade aceitáveis.
O serviço, dividido entre a garrafeira e as duas salas deste espaço de restauração, mostrou-se desatento e desorganizado. Depois de ter comido, estive à espera 20 (vinte!) minutos que me levantassem os pratos da mesa e eu pudesse pedir o café. Lamentável...
Mais, fuma-se tanto no Tapas Bar como na própria GI, o que de todo não entendo.

domingo, 26 de agosto de 2018

Espaços de restauração : algumas decepções (II)

continuando...

3.Restaurante da Adega - 3*
Este espectacular espaço é pertença do produtor Ribafreixo Wines, localizado na Vidigueira. Com uma vista panorâmica para as vinhas, dispõe de uma sala ampla mas confortável, mesas bem aparelhadas, guardanapos de pano, pratos Vista Alegre e bons copos italianos.
A ementa é curta e os pratos especiais só por encomenda. Comemos uma açorda de espinafres com bacalhau, queijo e ovo, uma dose para 2 pessoas, muito bem apresentada numa telha, embora pouco saborosa e longe da receita tradicional.
Vinhos disponíveis, apenas os do produtor, como seria de esperar. Carta de vinhos muito didáctica, incluindo a descrição, notas de prova e harmonizações, para cada um deles.
Escolhemos o topo de gama da casa, o Gaudio Reserva 2013 - com base nas castas Alicante Bouschet (80 %) e Touriga Nacional (20%), estagiou 13 meses em barricas novas de carvalho francês e mais 16 meses em garrafa, o que é de aplaudir. Perfil e estrutura adequada à cozinha alentejana. Nota 17,5.
Só que a garrafa veio à mesa a uma temperatura acima (bastante) do recomendável. Chamada à atenção, a empregada explicou que era assim mesmo que se provava um vinho!!!???
Perante a nossa insistência, acabou por ir buscar uma manga e nós tivemos que esperar uma boa meia hora para que a temperatura baixasse uns graus!
Isto na casa do produtor, o que é indesculpável. Cartão amarelo à Ribafreixo!
Ó Paulo Laureano (o enólogo consultor ) dê lá formação ao pessoal do restaurante, que bem precisa!

4.Bem Haja (Rua Marcos Portugal,5 à Praça das Flores) - 3,5 *
Depois de ter estado em Nelas e abancado no Bem Haja (ver crónica "Rescaldo das férias (II) - Bem Haja e Mesa de Lemos", publicada em 26/7/2018), tive a curiosidade de poisar no Bem Haja original, da Isabel Raposo que o trouxe para Lisboa (primeiro em Campolide e agora na Praça das Flores, no mesmo espaço onde esteve o Castro Flores).
Sala acolhedora, mesas bem aparelhadas e guardanapos de pano. Pedi o mesmo prato que comi em Nelas, o entrecosto com arroz de carqueja. O entrecosto estava saborosíssimo, mas o arroz era requentado e da carqueja nem o rasto.
Quanto à componente vínica, a lista é razoável, mas omite os anos de colheita e a copo só da casa (o Grão Vasco 2016). A garrafa veio à mesa, a uma temperatura adequada e dado a provar num bom copo.
Quanto ao serviço, foi tudo excessivamente demorado, pois a empregada (uma boa profissional, diga-se) estava a atender clientes, em simultâneo, na sala e na esplanada (cheia), enquanto que na cozinha, o seu filho, sem qualquer ajuda, fazia autênticos milagres.
A dona acabou por aparecer, já nós estavamos a terminar o almoço. Perante as nossas queixas, ofereceu a sobremesa, Vá lá...
Mas este Bem Haja não ganha ao de Nelas. Outra desilusão.
continua...

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Curtas (CI) : a Sandra na RTP3 e a Comida Independente

1.A Sandra na RTP3
A RTP3 no seu programa "Grande Entrevista" deu a voz à Sandra Tavares da Silva, a mediática enóloga de reconhecidos méritos (Chocapalha, Pintas, etc).
A entrevista veio para o ar na passada 4ª feira, cerca das 23h, e quem perdeu o programa ainda pode vê-lo até à próxima 4ª feira (no canal 6 para quem tenha a NOS).
Ficam avisados, sem desculpas para esquecimentos.

2.Comida Independente (Rua Cais do Tojo, 28 em Santos)
É uma loja gourmet ou uma mercearia fina, como lhe queiram chamar, cujo lema é "Grandes Produtos - Pequenos Produtores", que arrancou há cerca de 6 meses. Ali se pode encontrar enchidos, queijos, conservas, vinho, cervejas artesanais e azeites, que não se encontram facilmente, mas também legumes e pão fresco. Uma pena ficar tão escondida.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Espaços de restauração : algumas decepções (I)

Ultimamente tive algumas decepções em espaços de restauração (alguns bem badalados na comunicação social), nomeadamente quanto ao serviço de vinhos.

1.Skora - nordic cuisine (Av. Duque d' Ávila, 45 D) - 1*
Aqui correu tudo muito mal, a saber:
.não havia ementa, tendo-me remetido para uma ardósia que está na rua à porta do restaurante
.na ementa apenas constava uns filetes de peixe, um prato de pato e uma salsicha dinamarquesa (o único prato nórdico, por sinal pouco apelativo)
.não havia lista de vinhos, apenas tinham o da casa, branco e tinto (optei por uma cerveja belga)
.quando paguei, não me entregaram a factura, dizendo que havia um problema com a impressora (prometeram enviar via email, mas não o fizeram)
.quando fui ao WC fiquei às escuras (a luz só veio quando abri a porta)
.ao lavar as mãos constatei que o contentor das toalhas de papel estava avariado, pelo que tive de me deslocar ao WC das senhoras.
Só desgraças!
Há poucos dias, decorrido cerca de 1 mês, passei por lá e estava encerrado. Fiquei com a sensação que definitivamente. Só podia...

2.Estufa Real (Jardim Botânico da Ajuda) - 2*
Frequentei uma série de vezes este espaço, no passado, sempre com boas experiências, fosse na área gastronómica, fosse na componente vínica (lembro-me, até, que a carta de vinhos fora desenhada pelo mestre de enologia Virgílio Loureiro).
Passados uns anos revisitei a Estufa Real, no âmbito do Lisboa Restaurant Week, tendo ficado desiludido, como se pode constatar na crónica "Lisboa Restaurant Week (III)", publicada em 4/10/2011.
Em má hora, revisitei este icónico espaço, tendo a desilusão sido ainda foi maior. O restaurante só abre para o brunch dos Domingos ou para casamentos e baptizados. Uma pena...
Agora, para almoços de 2ª a 6ª feira, só funciona a esplanada, com uma ementa simples, reduzida e desinteressante. Tencionava beber vinho a copo, mas quando me trouxeram os ditos copos, inqualificáveis, mandei-os para trás. Ainda perguntei se tinham alguma cerveja artesanal, mas perante a resposta negativa optei por beber água.
Estufa Real, nunca mais! Quem a viu e quem a vê...
continua...

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Grupo FJF (4ª sessão) : tudo na maior!

O Grupo FJF, reforçado com outro J (J.Rosa), reuniu novamente no Magano. Com excepção do fortificado, os 3 vinhos de mesa foram provados às cegas, com bons resultados. E eles foram:
.Muros de Magma Verdelho 2015 (levado por mim) - DO Biscoitos, com 12,5 % vol. e enologia de Anselmo Mendes, estagiou 6 meses em barricas usadas de carvalho francês; nariz exuberante, fresco, cítrico e salino, muito boa acidez, notas amanteigadas, algum volume e final de boca longo. Pura elegância. Nota 18.
Acompanhou as entradas habituais.
.Blanco Nieva Pie Franco Verdejo 2015 (levado pelo João) - DO Rueda, com 13 % vol., a partir de vinhas velhas com mais de 100 anos e sem estágio em barrica; austero, mineral e cítrico, acidez equilibrada e notas amanteigadas, bom volume e final de boca médio. Gastronómico. Nota 17,5+ (noutras situações 18/18).
Maridou com filetes de peixe com arroz.
.Conde de Vilar Seco Touriga Nacional Garrafeira 2010 (levado pelo Frederico) - garrafa nº 811/1246, produzida por Qtª da Fata, a partir da vinha que obteve o 1º prémio "A melhor vinha do Dão 2016", com 13 % vol.; com pisa a pé, estagiou em barricas de carvalho francês; ainda com fruta e notas florais, acidez no ponto, frescura e juventude, algum especiado, volume e final de boca. A beber nos próximos 10/12 anos. Nota 18,5.
Harmonizou com bochecha de vitela e grelos.
.Blandy Bual 1977 (levada pelo J.Rosa) - engarrafada em 2007, com o nº 404/1666; frutos secos, notas de iodo, brandy e caril, vinagrinho bem presente, taninos civilizados, volume considerável e final de boca interminável. Não me canso de beber esta Madeira (esta foi a 19ª garrafa que me passou pelo estreito!). Nota 19.
Acompanhou a tradicional tarte de amêndoa, a ligação perfeita.
Resta acrescentar que a gastronomia e o serviço de vinhos estiveram à altura dos acontecimentos. Nem outra coisa seria de esperar.