domingo, 25 de fevereiro de 2018

Herdade das Servas (HS) : as novidades apresentaram-se no Quorum

A convite dos produtores da HS, Luis e Carlos Serrano Mira, participei numa apresentação de novidades, com direito a prova comentada e almoço no restaurante Quorum, recentemente aberto em Lisboa (Rua do Alecrim,30B), onde pontifica o Rui Silvestre, chefe estrelado vindo do Bon Bon (Carvoeiro, Algarve) e o Sérgio Antunes, escanção com nome reconhecido.
As novidades, 2 novas referências (um surpreendente Colheita Tardia e um Licoroso dispensável) e 2 novas colheitas (Reserva branco 2016 e Vinhas Velhas tinto 2014) foram apresentadas pelo Luis Mira e pelo novo enólogo da casa, Ricardo Constantino de seu nome, vindo da Qtª Monte d' Oiro. Fico na dúvida quanto ao licoroso, enquanto novidade, pois já tinha referenciado um generoso quando da visita à HS em Janeiro de 2011.
É de toda a justiça elogiar a postura deste produtor, por um  lado, com a garrafeira Coisas do Arco Vinho, com a qual estabeleceu uma frutuosa parceria no passado e, por outro lado, o seu louvável relacionamento com a blogosfera.
Dos contactos com a HS, tenho dado conhecimento público neste blogue, não sendo demais voltar a divulgá-lo:
."A Herdade das Servas e a Blogosfera", em 22/1/2011
."A Herdade das Servas (continuação)", em 23/1/2011
."Provar vinhos no Chafariz com a Herdade das Servas", em 16/11/2013
."Herdade das Servas revisitada", em 21/10/2014
."Jantar de Vinhos Herdade das Servas : a qualidade em duplicado (vinhos e comida)", em 26/11/2015
Quanto às novidades da HS e sua harmonização com a comida, as minhas impressões:
.Colheita Tardia (12,5 % vol.) - com base na casta Sémillon (100 %) das colheitas de 2014 (maioritária) e 2015, estagiou 18 meses em cubas de inox; aromático, presença de mel e passas, notas florais, bela acidez. Muito equilibrado entre a frescura e a gordura. Volume e final de boca notáveis. Boa surpresa! Nota 18.
Acompanhou um estufado de língua de vaca com foie gras. Não gostei da ligação.
.Reserva 2016 branco (13,5 % vol.) - com base nas castas Arinto (50 %), Alvarinho e Verdelho (25 % de cada), estagiou 9 meses em barricas de carvalho francês e 3 na garrafa; aroma discreto, fruta cítrica, acidez equilibrada, notas glicerinadas e amanteigadas, madeira ainda presente mas bem integrada; volume e final de boca assinaláveis. Muito equilibrado, com um perfil de outono/inverno, vai melhorar nos próximos 2/3 anos. Nota 17,5.
Harmonizou com uma canja de bacalhau e ovo. Também aguentava um prato mais puxado, como peixe no forno, por exemplo.
.Vinhas Velhas 2014 (15,5 % vol.) - com base nas castas Alicante Bouschet (45 %), Trincadeira, Touriga Nacional (25% de cada) e Petit Verdot (5 %) em vinhas com mais de 50 anos, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês e americano e mais 12 meses em garrafa; nariz contido, alguma fruta e acidez, notas especiadas e de tosta, taninos presentes mas civilizados, volume e final médios. Embora prejudicado por ter sido servido a uma temperatura acima do recomendável, esperava mais deste vinho. Nota 17+.
Maridou com um peito de pato que ligou francamente melhor com o branco. Para este tinto, faltou um assado de porco ou borrego.
.Licoroso - com base nas castas Alicante Bouschet (60 %), Trincadeira e Aragonês (20 % de cada), estagiou 24 meses em barricas usadas de carvalho francês e americano, 1 meses em inox e mais 6 em garrafa; aroma contido, alguma fruta preta e acidez, taninos discretos, volume e final de boca médios. perfil próximo de um Porto Ruby. Prejudicado por ter sido servido a uma temperatura muito acima do recomendável (o copo também não ajudou). Melhorou quando foi refrescado. Nota 16.
Acompanhou um souflé de chocolate com frutos vermelhos.
O que falta dizer:
.participantes à base da crítica especializada e generalista e, ainda, da blogosfera
.organização impecável  da Joana Pratas, uma vez mais
.bons copos Schott
.mesas demasiado despojadas, uma moda recente na restauração que pode acarretar problemas de higiene (cuidado com a ASAE!).

Sem comentários:

Enviar um comentário