terça-feira, 20 de março de 2018

Novo Formato+ (30ª sessão) : uma justa homenagem a 4 produtores que já nos deixaram

O último encontro deste grupo de enófilos militantes decorreu "chez" Paula/João, tendo a Paula ficado com a responsabilidade dos tachos (ficou muito bem na fotografia) e o João no serviço dos vinhos que escolheu criteriosamente. Decidiu, em boa hora, homenagear 4 grandes senhores do vinho, entretanto já desaparecidos: José Mendonça (Qtª dos Cozinheiros, lamentavelmente declarada insolvente em 2010), António Carvalho (Casal Figueira; faleceu ainda nas vindimas daquele ano), Francisco Colaço do Rosário (Herdade do Esporão e Fundação Eugénio Almeida) e Calheiros Cruz.
Como curiosidade, nalguns dos vinhos provados, acrescentei um palpite ou outro da crítica especializada na época em que os vinhos foram lançados, nomeadamente quanto à sua evolução. Por vezes acertaram, por vezes falharam com estrondo.
Todos provados às cegas, desfilaram:
.Tio Pepe Palomino Fino Gonzalez Byass - um extra dry que serviu de bebida de boas vindas.
Acompanhou frutos secos.
.Qtª Cozinheiros 1999 (12,5 % vol.) - com base nas castas Maria Gomes e Bical; cor dourada, nariz muito afirmativo, fruta madura, oxidação nobre, notas apetroladas, boa acidez, alguma gordura e volume e final de boca longo. Grande surpresa de um vinho branco com quase 20 anos. Nota 17,5+.
O António José Salvador (JAS), no seu Roteiro dos Vinhos Portugueses 2003, não acreditou nele atribuindo-lhe apenas 1 estrela (em 5), enquanto que o João Paulo Martins (JPM) o pontuou com 5/6 (máximo 8), no seu guia Vinhos de Portugal 2002, referindo a sua boa acidez e necessidade de mais tempo.
.Casal Figueira António 2009 (12,5 % vol.) - com base na casta Vital em vinhas velhas situadas nas faldas da Serra de Montejunto; nariz discreto, ligeira oxidação, bela acidez, mas volume apagado e final curto. Nota 16,5.
O JPM no guia Vinhos de Portugal 2011 vaticinou que podia ser bebido e guardado, classificando-o com 16,5.
.Blanco Nieva Pie Franco Verdejo 2015 Rueda (13 % vol.) - provado em Agosto 2017, mantenho o que afirmei na crónica "Sem Dúvida revisitado" e mantenho a nota de 18.
Estes 3 brancos maridaram com uma saborosíssima sopa do mar.
.Esporão 1987 (12 % vol.) - apresenta-se com um rótulo pintado pelo Cargaleiro; nariz afirmativo, aromas e sabores terciários, acidez presente, especiado, volume médio e final de boca muito persistente. Complexo, fino, fresco e elegante. Um tinto alentejano com mais de 30 anos, é obra! Nota 18,5.
O chamado Guia da Comporta (o primeiro a publicar-se em Portugal) já referia, curiosamente, a cor granada acastanhado e o aroma e sabor a velho, atribuindo-lhe 6 copos (máximo 7).
O JAS, no seu Roteiro 1993, referiu que este tinto, "de um ano para o outro, evoluiu de forma inesperada", classificando-o com 3/4 estrelas (máximo 5).
.Calheiros Cruz Grande Escolha 1997 (13 % vol.) - nariz discreto, alguma fruta e notas vegetais, acidez equilibrada, algo especiado, taninos civilizados, volume e final de boca médios. Nota 17.
O JPM no seu Guia 2000 considerou-o um vinho de guarda e "um enorme tinto em perspectiva", o que não se confirmou, classificando-o com 7 (em 8).
.Aalto 2014 (15 % vol.) - com base na casta Tinto Fino, estagiuou 16 meses em barrica; aroma intenso, ainda com muita fruta, acidez no ponto, especiado com a pimenta a impor-se, volume e final de boca assinaláveis. Nota 18 (noutra situação, também 18).
Estes 3 tintos harmonizaram com um misto de carnes no forno (codorniz, frango do campo, coelho e teclado), com migas de batatas e bróculos.
.Madeira Meio Seco Reserva Velha do IVM - nariz exuberante, frutos secos, iodo, caril, vinagrinho, notas salgadas, algum volume e final interminável. Uma complexa raridade. Nota 18,5+.
Acompanhou queijadas de Sintra e peros assados.
Grande e memorável sessão. Obrigado Paula! Obrigado João!

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